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habitar e reconectar

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HABITAR E RECONECTAR habitação de interesse social no bresser mooca

clara kubik graziano | tc faap 2018.1

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HABITAR E RECONECTAR habitação de interesse social no bresser mooca

clara kubik graziano orientação: elisabete frança trabalho de curso cau.fap.faap | junho 2018


“O projeto ideal não existe, a cada projeto existe a oportunidade de realizar uma aproximação.” Paulo Mendes da Rocha


agradecimentos

Aos meus pais, Ingrid e José, por todo carinho e amor, por todas as oportunidades que me proporcionaram e principalmente, por todas as vezes que abriram mão de seus próprios caminhos para se dedicarem ao meu. Ao meu irmão, Gabriel, por sempre estar presente me apoiando e auxiliando neste percurso. À minha família, por todos os momentos juntos e todas as alegrias compartilhadas. Aos meus amigos, especialmente aos que se tornaram minha família nestes anos de faculdade. Eric, Fábio, Fernanda, Gabriel e Jorge, por todos os trabalhos, noites em claro, aflições e conquistas divididas, sem vocês, nada teria sido. Aos professores e mestres, os quais tive a oportunidade de aprender e me inspirar ao longo desta trajetória. À minha orientadora, Bete França, por sempre me instigar e me incentivar na realização deste Trabalho de Curso. Muito obrigada!


sumário

01. 02. 03. 04. 05. 06. 07. 08.

introdução

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o bairro e suas barreiras

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comunidade do cimento

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habitação de interesse social

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referências

23

a quadra escolhida

29

partido

37

programa

41

09.

projeto

43

10.

considerações finais

85

11.

fontes

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01. introdução

A escolha do tema para o presente Trabalho de Curso, se dá a partir da observação ao longo de cinco anos do crescimento da Comunidade do Cimento, favela localizada na Zona Leste da cidade de São Paulo. As características deste tipo de ocupação precária configuram um dos grandes problemas existentes na atualidade, a falta de moradia digna para a população de menor renda, que acarreta um enorme prejuízo, não somente à família, mas também à comunidade, criando assim, barreiras para a construção de uma sociedade justa e igualitária. Com o intuito de reduzir estas barreiras, o primeiro objetivo deste TC é reinserir esta população e outras que vivem em condições similares à cidade, de forma que o espaço em que estas vivam seja um local que proporcione uma boa qualidade de vida, com emprego, educação e segurança. Em uma área adormecida da cidade, passível de diversos tipos de intervenções, o segundo objetivo do projeto é reconectar a parcela do solo em questão ao tecido urbano a partir de uma proposta pontual que seja capaz de impulsionar o desenvolvimento da região como um todo. Podendo ser dividido em quatro bases principais, a primeira parte deste trabalho se refere à formação do bairro da Mooca, local onde a favela esta inserida, seguida de uma contextualização da Comunidade do Cimento e as problemáticas existentes. A terceira base trata a questão da habitação social e, como esta se desenvolveu ao longo de décadas, resultando no grande déficit habitacional atual. A última parte envolve todo o embasamento relacionado ao projeto final, desde referências, escolha da quadra, partidos adotados e projeto.

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02. o bairro e suas barreiras

Localizado na Zona Leste da cidade de São Paulo, o bairro da Mooca conhecido por sua tradição relacionada à ocupação decorrente de imigrantes que ali se instalaram, vieram para trabalhar inicialmente nas fazendas de café e, depois, buscando empregos nas indústrias que se instalaram em vários bairros da cidade. A Mooca foi um dos locais escolhidos para a fixação das residências desses novos moradores, muito em função da proximidade com as novas ferrovias implantadas na cidade e que garantiam o fluxo de café e outros produtos para o porto. Para o desenvolvimento deste projeto, deve-se salientar a importância da então denominada “Estação do Norte”, no Brás, onde se localizou o terminal da Estrada de Ferro Central do Brasil. Tal estação é responsável diretamente pela formação do bairro e do traçado urbano da região, pois foram planejados a partir de vias que partiam da própria ferrovia. Por estar situada em uma área fora da urbanização compacta do centro e pouco adequada à ocupação residencial, fábricas se estabeleceram nas proximidades desta nova ferrovia, criando empregos e atraindo habitantes para as chamadas vilas operárias, na sua maioria imigrantes, moradores de baixa renda e de áreas rurais. Além dos pontos mencionados acima que englobam a questão social, deve-se destacar o surgimento do automóvel na cidade em 1893. O mesmo criou novas necessidades, tornando o transporte público existente na época, obsoleto, principalmente, devido à necessidade de grandes investimentos, surgindo assim o ônibus como o meio de transporte predominante, em 1910. mapa da cidade de são paulo, com destaque para os distritos da subprefeitura da mooca. fonte: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br

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Segundo Witold Zmitrowicz e Geraldo Borghetti (2009), o município de São Paulo, nos anos 1920, contava com uma população de 580 mil habitantes. A partir de 1940 esse número mais do que dobrou, e alcançou a marca de 1,3 milhões e, após os anos 1950, ultrapassou 2,2 milhões de habitantes. Com estes novos números, a demanda por transportes públicos e o aumento da distância dos percursos, fez com que se iniciasse um novo período, no qual projetos de estruturação da cidade começaram a surgir, como por exemplo, o Plano de Avenidas da Cidade de São Paulo, organizado pelo engenheiro Francisco Prestes Maia, em 1930, e também a criação da Secretaria de Obras, em 1947, que ficou incumbida de soluções dos problemas gerais de urbanismo e adoção das providências necessárias à elaboração destes planos. A implantação desta nova secretaria permitiu em 1950, a elaboração do Plano Diretor da Cidade de São Paulo, com a ideia de ser um programa a ser desenvolvido em três etapas, planejamento de circulação e transporte, legislação de uso e aproveitamento do solo e reorganização dos serviços municipais. Como parte deste programa, o projeto da Radial Leste, avenida mais importante da ligação Leste-Oeste, apresentado a princípio no Plano de Avenidas, teve suas obras iniciadas apenas em 1957, sendo objetivada como uma solução para o trânsito existente da região nessa época. Grande parte das áreas utilizadas para a sua construção, faziam parte da Estrada de Ferro Central do Brasil e sua implantação trouxe para a zona leste um grande estímulo imobiliário.

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Outro fator que contribuiu para ocupação dessa área foi a implantação da Linha 3 Vermelha do Metropolitano de São Paulo, com início das obras em 1976.


Neste primeiro mapa é possível observar as características de formação do traçado urbano a partir da linha férrea e a predominância de casas e vilas operárias. Mapa Sara Brasil (1930) - fonte: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br

Nesta transição há importantes mudanças para serem destacadas. A construção da Avenida Radial Leste, a qual passa por entre quadras, dividindo esta área. E a implantação da linha de metrô, que gera também mudanças na região. mapa (1988) - fonte: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br

Novos loteamentos de fábricas aparecem e com isto há um maior adensamento do local. Mapa Vasp Cruzeiro (1954). fonte: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br

Com a área consolidada, é possível ver até hoje características da formação do local e como a região não se desenvolveu após as principais intervenções que ocorreram. Mapa MDC (2004). fonte: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br

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comunidade do cimento foto da autora (2018)

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03. comunidade do cimento

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Esta parcela da população composta por moradores de rua, trabalhadores informais, entre outros, está exposta todos os dias a diversos riscos, muito se deve a péssima localização das habitações, pois além de residirem em barracas de lona e madeira, ao lado de uma avenida onde por dia, cerca de 200 mil veículos trafegam pela área, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

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Sob o Viaduto Bresser, em um canteiro da Avenida Radial Leste e ao lado da Linha 3 Vermelha do Metrô, a favela conhecida como Comunidade do Cimento surgida em 2012, conta hoje, com mais de 300 famílias, que vivem sem nenhum tipo de saneamento básico, eletricidade e a pouca água que conseguem utilizar vem de uma caixa d’água que deve ser fervida antes do consumo, devido a sua insalubridade.

Mapa com a localização da Comunidade do Cimento, elaborado pela autora a partir de dados fornecidos por http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br

Resultado do déficit habitacional existente, este tipo de ocupação é cada vez mais frequente na cidade de São Paulo. Conforme dados do IBGE e PNAD, em 2007, o número referente à falta de moradia digna, passava de 6 milhões de domicílios, revelando um cenário em que mais de 10 mil pessoas viviam em situação de rua. A Prefeitura da Cidade de São Paulo, com a proposta de remover a população deste local e direcioná-las aos abrigos existentes, pois estas moradias não possuem condições de adequações, passou por duas falhas tentativas de reintegração de posse, a última em 2016, onde houve grande resistência dos moradores da comunidade, que conseguiram adiar e reverter este processo, pois desejam permanecer na região, em que há grandes faixas de terras vazias com a possibilidade de construção de moradia digna para todos.

Foto tirada na Rua Pires do Rio, mostrando parte da Comunidade junto ao muro do estacionamento do metro.

“Você mora aqui na Mooca, e todas as suas influências de emprego e de bico é tudo aqui. Como você quer pegar essa pessoa que mora na Mooca e põe ela lá num albergue na Casa Verde ela vai viver do quê?” diz Simone, moradora da comunidade sobre a proposta da Prefeitura, em uma entrevista para o blog Partido Pirata.

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04. habitação de interesse social

A saída da parcela pobre da população para as periferias se intensificou a partir da transição da economia agrícola para a industrial, no fim do século XIX e início do século XX, como visto anteriormente, cuja população proveniente do campo tinha apenas como opção as moradias próximas às fábricas, como as vilas operárias ou casas de aluguel. O Estado iniciou ações que visavam à produção de habitações sociais apenas em 1930, com a criação do Instituto de Aposentadoria e Pensão, tornando-se um programa referência para a produção de moradias na época, com mais de 120 mil unidades construídas em todo o país através de financiamentos da casa própria. A urbanização do Brasil, junto com a da cidade de São Paulo, se deu de maneira surpreendentemente acelerada na segunda metade do século XX, assim como no resto do mundo, tornando um fato consumado a expansão das cidades, tanto no que se diz respeito à população, quanto à extensão territorial. Entre os principais problemas deste crescimento destaca-se o aumento da carência habitacional. Em 1964, foi criado o Banco Nacional de Habitação (BNH), como resultado da crise de moradia existente. Porém, ao longo de décadas, priorizou construções de habitações em grande escala, baseadas em ideias de espaços mínimos, sem relação com o entorno e situados longe dos centros das cidades. Estas ações intensificaram a especulação imobiliária, com os diversos vazios urbanos gerados na região central da cidade, criando grandes custos sociais. Em 1980, o BNH foi extinto, com o agravamento da crise econômica e o maior empobrecimento da população, intensificando ainda mais os problemas de moradia.

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O momento pós BNH, contou com uma maior autonomia da atuação dos estados e municípios para o enfrentamento desta problemática. De acordo com Raquel Neves, Elane Ribeiro e Cristiane Guinancio (2015), programas abrangendo diretamente as comunidades locais para a produção de moradias foram incentivados, com recursos próprios ou provenientes do governo federal, originando as cooperativas e os mutirões de autoconstrução, com o Programa Nacional de Mutirão, visando construir 550 mil unidades habitacionais, porém o mau uso dos recursos, levou ao seu fracasso. Considerado tema imprescindível para a elaboração de um desenvolvimento urbano integrado, o Ministério das Cidades, foi criado em 2003, pautando novas questões para a questão habitacional, porém, mesmo levando este tema à outro grau de importância, manteve o financiamento de unidades restrito. Em 2009, com o agravamento da crise econômica internacional, o governo federal criou o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), que faz parte de um conjunto de medidas elaboradas para minimizar o efeito desta. Desde seu início, até o ano de 2016, 3,2 milhões de unidades já foram produzidas e entregues. Porém, a problemática habitacional, demanda do governo diversos tipos de ações, como por exemplo, melhorias nas habitações já existentes, regularização fundiária e priorização para locações sociais, urbanização de assentamentos precários e reabilitação de edifícios desocupados, além também da produção de novas unidades habitacionais, como visto no Projeto Moradia é Central (2009).

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É necessário compreender que a questão do morar se relaciona diretamente com a questão do pertencimento, da inclusão socioeconômica da população atendida e que estas devem ser levadas em consideração ao avaliar experiências já consolidadas e garantir a qualidade das futuras habitações. Outro ponto mais atual e que deve ser notado, segundo Raquel Neves, Elane Ribeiro e Cristiane Guinancio (2015), é a compreensão de que estas unidades habitacionais devem responder à diversidade de composição das famílias e suas reais necessidades. É diante destes fatos e dos resultados questionáveis alcançados que se pode ver a complexidade da problemática habitacional e como é necessário o envolvimento de diversas áreas de estudo para a resolução desta crise. “Atualmente, no Município de São Paulo, cerca de três milhões de pessoas moram em assentamentos que foram produzidos, na sua grande maioria, por meio da autoconstrução, apresentando algum tipo de precariedade e irregularidade, desde questões fundiárias até a conformação de áreas de risco. Esse contingente populacional que representa 27% dos moradores de São Paulo, reside em 1605 favelas e 1020 loteamentos irregulares, em uma área de aproximadamente 117km², superfície que corresponde a 8% do território da cidade, constituindo situações de elevada densidade populacional, com precariedade habitacional e urbana.” (Boldarini, Renova SP, 2011, p.32)


fachada do conjunto habitacional park hill foto: paul dobraszczyk (2017)

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fotos do conjunto habitacional jardim edite nelson kon (2013)

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05. referências

JARDIM EDITE

Localizado na Avenida Luís Carlos Berrini, esquina com a Avenida Jornalista Roberto Marinho, no Brooklin, uma das áreas mais nobres de São Paulo, foi construído com o objetivo de atender as famílias que viviam na favela, ali instalada desde os anos 1970, antes mesmo desta área se tornar um grande centro econômico paulistano com escritórios ligados aos mais variados setores que movimentam a economia paulistana. O projeto foi coordenado pela Secretaria Municipal de Habitação, da Prefeitura de São Paulo, e desenvolvido pelos escritórios de arquitetura MMBB e H+F. Ocupando dois quarteirões, o projeto previu no térreo a implantação de três equipamentos públicos, um restaurante-escola, uma unidade básica de saúde e uma creche. Acima deste embasamento com os serviços abertos à população em geral, foram implantadas três torres de quinze pavimentos e duas lâminas de quatro pavimentos, em um total de cinco blocos residenciais, com 252 unidades habitacionais. São quatro as tipologias dos apartamentos que contam com sala e cozinha integrados, área de serviço, banheiro e dois quartos Formando uma sequência de blocos perpendiculares, as torres foram implantadas paralelamente, intercalandose com as lâminas mais baixas, o que permitiu a criação de vazios e pátios internos que foram uados como áreas de convívio entre os moradores. Sua volumetria permite vista desimpedida, ventilação cruzada e iluminação natural em todos os apartamentos. No conjunto dos edifícios comerciais e de serviços, o Jardim Edite se destaca como um importante mecanismo de inclusão social e integração urbana, onde habitações e equipamentos de interesse resultam em um mix de renda vivendo em um mesmo território.

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fotos e esquema de permeabilidade do sehab heliรณpolis nelson kon (2013)

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SEHAB HELIÓPOLIS

Uma das maiores e mais populosas favelas de São Paulo, Heliópolis, conta com uma população de mais de 120 mil habitantes, surgida no início dos anos 1970, a intervenção realizada faz parte do Programa de Reurbanização de Favelas da Prefeitura do Munícipio de São Paulo, localizada na Avenida Comandante Taylor e Avenida das Juntas Provisórias, no Ipiranga, este terreno, onde antes era um antigo alojamento, faz a ligação da favela com a região. Alvo de grandes intervenções na educação, investimento público e mobilização da comunidade, a qualidade de vida e segurança da população se viu transformada, com a diminuição da criminalidade. O Projeto SEHAB Heliópolis, desenvolvido pelo escritório Biselli Katchborian, em 2014, conta com uma área de mais de 30.000m². Baseado no modelo típico de quadra europeia, sem recuos e com pátio interno de acesso público, privilegia os espaços públicos de interesse do morador, com comércios locais em seu térreo. Com um gabarito máximo de oito pavimentos, sem elevadores, conta com um total de 420 unidades habitacionais, divididas em duas tipologias de apartamentos, ambas com sala, cozinha, dois quartos e banheiro. Os diferentes níveis existentes são acessados por passarelas de estrutura metálica, que conformam as áreas de lazer cobertas do conjunto. O grande pórtico de entrada, feito de concreto armado, estabelece a articulação e conexão dos espaços. O uso das cores e distribuição das unidades são fundamentais para a leitura do conjunto como diferentes torres, sem perder a noção do pertencer ao todo.

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fotos e planta do quartier trapezè p. guingnard (2011)

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QUARTIER TRAPEZÈ

O projeto realizado por Patrick Chavannes em 2000, localizado no antigo local das fábricas Renault em Boulogne – Billancourt, França, compreende uma área total de 32 hectares, onde 515.000m² são de área edificada, além de 17 hectares estarem destinados à espaços públicos e 7 hectares para áreas verdes. O projeto foi desenvolvido buscando sempre a sustentabilidade, preservando áreas verdes e utilizando energias renováveis. Este complexo possui um vasto programa com residências, comércios, serviços, atividades culturais e equipamentos públicos. Nas margens do Rio Sena, a sua implantação é de extrema importância, com lâminas paralelas na direção leste-oeste que se estendem no sentido do rio, junto ao grande espaço verde existente, conectando o centro à esta nova área. A ligação norte-sul possuí uma rede viária que serve também para irrigar o parque e controlar a densidade e fluxo de pessoas. Com um térreo acessível e aberto ao público, proíbe o tráfego de veículos pesados e prioriza os pedestres. A intenção principal é manter o equilíbrio entre meio ambiente e área edificada, trazendo para esta região o desenvolvimento e qualidade de vida já existentes na França.

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fotografia รกerea e os principais p do local. fonte: google ea tratamento da au

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06. a escolha da quadra

Realizada uma análise da região na qual a Comunidade do Cimento está inserida, observa-se que é um bairro cercado de obstáculos físicos, a Avenida Radial Leste, a linha 3 Vermelha do metrô e a linha E do trem. Suas extremidades possuem comércios, equipamentos públicos e culturais e instituições de ensino, porém, seu interior encontra-se pouco desenvolvido. Com o objetivo de manter a população moradora da favela o mais próximo de onde residem, a quadra escolhida fica apenas a 560 metros da sua atual localização, ao lado da estação Bresser-Mooca, delimitada pelas ruas Ipanema, Alameda Brasil, Visconde de Parnaíba, Hipódromo e Gomes Cardim. Em uma área total de aproximadamente 47.000 metros quadrados, esta região chama atenção pelos grandes terrenos vazios existentes, que somam cerca de 14.000 metros quadrados. Nesta extensão podese observar uma característica muito marcante que é a existência de vilas residenciais, remanescentes das vilas operárias, três delas localizadas na quadra escolhida e sete no seu entorno. Também como um resultado de sua ocupação inicial, há a presença de quatro fábricas de pequeno e médio porte, além de um lote, com duas torres de edifícios habitacionais com 18 pavimentos cada, que se destacam no meio do baixo gabarito predominante. A única área verde que existe, é a Praça Mário Piccoli, que faz a ligação com a estação de metro BresserMooca. Esta estação conta com uma capacidade de até 20 mil passageiros por hora/pico, o que demonstra a capacidade e potencial desta região.

grafia áerea destacando o terreno escolhido principais pontos de referência no entorno ocal. e: google earth mento da autora.

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Pelo levantamento do uso do solo da quadra e de seu entorno imediato, foi possível notar a predominância de comércio e serviços, e, as residências se limitam apenas às vilas e às grandes torres de novos empreendimentos que não se relacionam com o todo. Outro ponto para ser levantado é o da densidade demográfica, que se comparada com outras regiões da cidade de São Paulo, como o bairro de Santa Cecília, é muito baixa.

No zoneamento de 2006, a área de intervenção está em Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana e Zona de Especial de Interesse Social 3, que é definido pela legislação como: “Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana – ZEU são porções do território em que pretende promover usos residenciais e não residenciais com densidades demográfica e construtiva altas e promover a qualificação paisagística e dos espaços públicos de modo articulado ao sistema de transporte público coletivo. Zona Especial de Interesse Social – ZEIS são porções do território destinadas, predominantemente, à moradia digna para a população da baixa renda por intermédio de melhorias urbanísticas, recuperação ambiental e regularização fundiária de assentamentos precários e irregulares, bem como à provisão de novas Habitações de Interesse Social [...] a serem dotadas de equipamentos sociais, infraestruturas, áreas verdes e comércios e serviços locais, situadas na zona urbana.”

Exemplo de uma parcela do bairro de Santa Cecilía e sua densidade. fonte: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br

ZEU ZOE ZEIS 3 ZC VERDE Mapa de densidade da área em estudo. fonte: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br

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Mapa de zoneamento da área em estudo. fonte: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br


O terreno que se encontra na Zeis 3, faz parte do chamamento público para obtenção de estudos técnicos e modelagem de projetos de Parceria Público-Privada (PPP) de Habitação de Interesse Social, que tem como objetivo ofertar unidades habitacionais de interesse social na área central da cidade de São Paulo, tendo como pressuposto o grande número de imóveis subutilizados nessa região. Determinado no Setor E, Recorte 12- Metro Bresser Radial Leste, as diretrizes propostas que valem ser destacadas são: “ No caso do recorte 12, há uma duplicação de barreiras, pois a Avenida Alcântara Machado corre junto à ferrovia e ao Metrô, o que torna a transposição muito difícil e desagradável. Os viadutos Guadalajara e Bresser privilegiam os automóveis, e não há passagens específicas para pedestres entre os dois lados da ferrovia/avenida, a não ser a passarela do Metrô Bresser.

Mapa com a rede de metro e trem da CPTM. fonte: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br

Integrar o tecido urbano em decorrência da existência da barreira formada pelo leito ferroviário e pela radial leste. Criar espaços livres públicos para polarização do uso habitacional, instalação de equipamentos e integração das áreas desconexas ao longo da linha férrea leste. Priorizar a mobilidade do pedestre e a integração com o transporte público, especificamente as estações da CPTM e Metrô, qualificando o entorno das estações propondo a melhoria dos espaços de circulação, a permeabilidade de pedestres entre as quadras e o uso habitacional como uso permanente.

Mapa com linhas e corredores de ônibus nas proximidades da área escolhida. fonte: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br

Valorizar a incidência de um sistema fundiário de grandes lotes, articulando oferta habitacional e formação de espaços livres dentro de cada intervenção Priorizar a ocupação com edificações novas ou originadas de reconversões de antigos edifícios industriais, prevalecendo o uso misto, com térreo voltado aos espaços livres e equipamentos urbanos, aproveitando-se para usos comerciais ou institucionais, e a consequente criação de centralidades.”

Mapa com os equipamentos públicos existentes ao redor da área de intervenção fonte: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br

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fotos da รกrea

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área de intervenção

EXISTENTE

A área de intervenção resulta, do conhecimento das características atuais da área e de suas vulnerabilidades, para que esta região se desenvolva e se torne um local de encontro, passagem e permanência. Além de utilizar os grandes terrenos vazios para a proposta, lotes que se encontram subutilizados, ou que poderiam ser realocados no projeto, na maioria casas de térreo + 1 pavimento, foram demolidos, assim como as quatro fábricas localizadas no terreno, pois não possuem nenhuma relação com o entorno e não contribuem para o desenvolvimento geral da região, mesmo sendo polos geradores de emprego.

DEMOLIDO

As vilas de casas estão fechadas com portões, privando o acesso apenas para moradores. A intenção é que estas sejam parte do fluxo de pedestres e se interliguem com o todo, portanto, a retirada desses é fundamental para a proposta do projeto. A praça Mário Piccoli, hoje é cercada por grades e há uma grande faixa que percorre o muro da estação que se encontra em um estado de abandono. Diante disto, é proposta uma pequena intervenção, para que esta se integre com o restante do projeto. INTERVENÇÃO

O fechamento da rua Visconde de Parnaíba é proposto, na sua dimensão com o terreno escolhido, pois o fluxo de carros existente é mínimo e as linhas de ônibus que passam por esta, podem ser transferidos para a rua Ipanema, sem que afete os passageiros que as utilizam. E por fim, ao outro lado do muro, há uma grande área utilizada para estacionamento que é pensada para compor a transposição sob a linha férrea.

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07. partido

Alguns pontos de partida foram assumidos para a elaboração do projeto, que se constituíram a partir de todos os fatos mostrados nos capítulos anteriores. Entre eles estão a permeabilidade, a implantação e a quadra aberta.

PERMEABILIDADE

esquema de permeabilidade. croqui da autora.

IMPLANTAÇÃO

esquema de insolação e ventilação croqui da autora.

O primeiro deles se refere à permeabilidade. O terreno escolhido se encontra ao lado da estação de metro, a qual atrai milhares de pessoas todos os dias. Com este grande fluxo de pedestres, é de extrema importância a integração do projeto com a praça, com um térreo que possibilite a passagem das pessoas, sem muitas barreiras. Neste partido, as vilas residenciais existentes, são aproveitadas para compor estes passeios e unificar o todo, proporcionando diferentes experiências durante o caminho, com áreas de permanência, de comércio e serviços e de lazer. Outra questão a ser levantada é a permeabilidade referente à linha de metro. Para vencer esta barreira, foi realizada apenas uma proposta com uma passarela que da acesso ao outro lado do metro, com um terreno destinado à um equipamento público.

O segundo partido se refere à implantação dos edifícios, onde suas disposições foram pensadas nas questões de ventilação natural e iluminação. Através de estudos realizados, pode-se observar como os ventos se comportam com a volumetria proposta, para que assim os apartamentos permanecessem nas melhores posições, de tal forma que houvesse ventilação cruzada e natural. O outro ponto em pauta é referente à insolação, nenhum dos apartamentos está voltado para a fachada sul, apenas norte, leste e oeste. Além disso, a organização dos blocos de apartamentos e gabaritos máximos de altura foi pensada para que o interior da quadra recebesse luz solar a maior parte do dia.

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QUADRA ABERTA

esquema de implantação - plano cerdá X croqui da autora.

esquema de implantação - perimetral croqui da autora.

esquema de implantação - lâminas croqui da autora.

A terceira e última premissa, a qual encaminhou toda a criação volumétrica deste projeto, é a ideia da praça central, de modo que a praça existente se estendesse para o interior da quadra, resultando em volumetrias que contornam o terreno através de alinhamentos parciais e aberturas visuais em pontos estratégicos. Com a extensão desta quadra, há a criação de duas grandes praças que recebem diferentes usos e tipos de permanências. “A quadra aberta é por essência um elemento híbrido conciliador. Permite a diversidade, a pluralidade da arquitetura contemporânea. Ela recupera o valor da rua e da esquina da cidade tradicional, assim como entende as qualidades da autonomia dos edifícios modernos. A relação entre os distintos edifícios e a rua se dá por alinhamentos parciais, o que possibilita aberturas visuais e o acesso mais generoso do sol. Os espaços internos gerados pelas relações entre as distintas tipologias podem variar do restritamente privado ao generosamente público, sem desconsiderar as nuances entre o semipúblico e o semiprivado.” (FIGUEROA, Mário. Habitação coletiva e a evolução da quadra. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 069.11, Vitruvius, fev. 2006).

X

X

esquema de implantação - quadra aberta / croqui da autora.

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08. programa

Segundo a Constituição Brasileira (Artigo 6º) e a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU (Artigo 25º, parágrafo 1º), todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família de boas condições, onde moradia digna é um direito fundamental, junto com educação, saúde, alimentação, trabalho, segurança, serviços sociais, entre outros. Delimitando o programa diante destes direitos e das necessidades dessa população moradora da favela, chegou-se ao seguinte programa:

COMÉRCIO E SERVIÇOS

Há uma enorme carência na região relacionada ao comércio e serviço local, como bares, restaurantes, farmácias, lojas, costureiras, escritórios, consultórios, entre outros. Esses são elementos fundamentais para gerar fluxos e permanências ao longo do dia, além de proporcionar a diversidade no público frequentador.

CRECHE

Com a grande quantidade de novos habitantes nesta área e a falta de um local nas proximidades para as crianças de 0 a 5 anos, a implantação de uma creche é de extrema importância para todo o contexto existente.

UBS

Para garantir uma saúde de qualidade à todos, uma unidade básica assegura aos cidadãos diversos tipos de atendimentos essenciais, como pediatria, ginecologia, odontologia, enfermagem, vacinações, entre outros.

BIBLIOTECA

O acesso à informação e à cultura é fator determinante para reinserir esses habitantes na sociedade, por isto a biblioteca é pensada para que seja um local que proporcione a aproximação e a troca de conhecimento.

HABITAÇÃO

Ponto de partida para que haja uma requalificação em todos os pontos anteriores, possui diversas tipologias, buscando atender as diversas necessidades existentes.

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rua visconde de parnaíba

rua alameda brasil

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rua alameda brasil

rua conselheiro lafaiiete

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09. projeto

Ao todo são 8 torres de apartamentos residenciais, com fachada ativa em seu térreo. Divididos de dois em dois, eles se igualam principalmente no gabarito de altura, com 6, 10 e 15 pavimentos. A cobertura de todos possui uma área de uso comum dos moradores e conta com salão de festas e churrasqueira. A vontade de integrar o novo com o antigo faz com que uma vila de casas e apartamentos residenciais no térreo companham este conjunto. Os edifícios são estruturados em uma malha de 7x7 metros e possuem estrutura mista, com pilares de concreto e vigas metálicas. As passarelas de acesso aos apartamentos possuem recortes,passando uma impressão de leveza e permitindo a ventilação cruzada nos edifícios com duas lâminas paralelas. Seguindo algumas das diretrizes da PPP, há uma grande quantidade de áreas verdes e arborizadas no térreo, unificando a praça existente com o projeto. Com variadas áreas de permanência, possui além de grandes bancos, diversas lojas, quadra poliesportiva e parquinho para as crianças.

ava

rua guarapu

Os equipamentos públicos foram implantados próximos, para que a integração entre eles ocorra e se torne um grande local de encontro, ao lado também da passarela que irá permitir a conexão além dos muros do metrô.

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planta pavimento tĂŠrreo - nĂ­vel 732.00 escala 1:1000

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1. comércio e serviços 2. creche 3. biblioteca 4. ubs

5. apartamento pne 6. apartamento estúdio 7. duplex 8. acesso resindecial

9. acesso escritórios 10. passarela 11. quadra poliesportiva 12. parquinho

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planta primeiro pavimento - nĂ­vel 736.00 escala 1:1000

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1. comÊrcio e serviços 2. creche 3. mezanino 4. apartamento 2 dorm.

5. apartamento pne 6. apartamento estĂşdio 7. duplex 8. apartamento 3 dorm.

9. apartamento 1 dorm. 10. passarela

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planta pavimento tipo escala 1:500

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planta 6Âş pavimento - nĂ­vel 751.00 escala 1:500

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1. churrasqueira 2. salĂŁo de festas 3. ĂĄrea comum moradores 51


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planta 10Âş pavimento - nĂ­vel 763.00 escala 1:500

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2 3

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1. churrasqueira 2. salĂŁo de festas 3. ĂĄrea comum moradores 53


1

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planta 15Âş pavimento - nĂ­vel 778.00 escala 1:500

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1. churrasqueira 2. salĂŁo de festas 3. ĂĄrea comum moradores 55


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tipologias escala 1:200

VILA

ESTÚDIO

58m² + varanda

22m²

1º pavimento

1 DORM. 40m² + varanda

pavimento térreo

P.N.E

2 DORMS.

45m²

45m² + varanda

Todas as tipologias contam com sala de estar, jantar e cozinha integrados, além de possuírem uma pequena lavanderia. Com exceção do estúdio, o qual possui apenas com uma cozinha e sala/quarto.

3 DORMS. 65m² + varanda

As disposições foram pensadas de forma que os quartos recebessem a melhor insolação, posicionados ou na fachada norte, ou leste/oeste. Além disso possuem aberturas estratégicas que permitem a ventilação cruzada e natural.

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BIBLIOTECA UBS ESCRITÓRIOS pavimento tipo

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1º pavimento

1. recepção ubs 2. w.c. 3. vacinação 4. farmácia 5. esterilização 6. sala de medicamentos 7. w.c. pne 8. odontologia 9. sala de curativos 10. triagem 11. almoxarifado 12. internação 13. consultório 14. dml 15. depósito lixo 16. sala de aula 17. vestiário func. 18. refeitório func. 19. área de estudo 20. multimídia 21. livros 22. recepção biblioteca 23. acesso escritórios 24. mezanino 25. escritórios

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pavimento térreo

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equipamentos públicos e serviços escala 1:500

CRECHE

17

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19

19

1º pavimento

1. acesso creche 2. refeitório 3. parquinho 4. depósito materiais 5. cozinha 6. depósito alimentos 7. fraldário/w.c. 8. enfermaria 9. sala de apoio 10. recepção 11. w.c. pne 12. área de serviço 13. dml 14. depósito lixo 15. depósito geral 16. depósito manutenção 17. sala berçário 18. sala descanso 19. sala de atividades

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pavimento térreo

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corte a escala 1:500

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corte b escala 1:500

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corte c escala 1:500

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corte d escala 1:500

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corte e escala 1:500

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elevação praça mário piccoli escala 1:500

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elevação rua ipanema escala 1:500

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elevação rua alameda brasil escala 1:500

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elevação rua visconde de parnaíba escala 1:500

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quadro de áreas

quantidade

COMÉRCIO E SERVIÇOS

população

área total

62 lojas

2.336m²

161 escritórios

6.923m²

CRECHE

01 creche

1.566m²

UBS

01 ubs

BIBLIOTECA

01 biblioteca

HABITAÇÃO

465m²

1.330m²

vila

08 unidades

32 pessoas

estúdio

126 unidades

252 pessoas

2.772m²

1 dorm.

110 unidades

220 pessoas

5.610m²

2 dorms.

228 unidades

912 pessoas

12.312m²

3 dorms.

54 unidades

324 pessoas

486m²

p.n.e.

58 unidades

116 pessoas

2.958m²

584 unidades

1.856 pessoas

584m²

24.722m²

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10. considerações finais

O projeto Habitar e Reconectar, cuja proposta surge a partir da observação da Comunidade do Cimento, na Mooca, visa além da habitação social e reinserção desta população moradora da favela na sociedade, na revitalização de toda a área a partir de uma intervenção pontual, com o uso misto do solo, equipamentos públicos, áreas verdes e de lazer. Implantado ao lado da estação de metro Bresser Mooca, o fluxo de pedestres é muito intenso, por isso estes são priorizados. A integração do novo complexo habitacional com respeito às pré-existências é obtida a partir do escalonamento dos edifícios, da praça, dos fluxos através das vilas residenciais e da nova paisagem que fará parte do conjunto. Observando a questão da moradia e do déficit habitacional existente, é necessário levar em conta todas as ações já realizadas, para que desta forma o cenário atual consiga se reverter. “A formulação de um novo ideário em políticas urbanas é um processo longo e demorado, que somente se consolidará depois de muitas experiências ou práticas nessa perspectiva forem conhecidas, avaliadas e aperfeiçoadas. Não se trata de criar um novo modelo: isso seria um equívoco, pois uma das características dessa postura é a flexibilidade, rejeitando modelos rígidos e desenvolvendo para cada situação específica, a partir de diretrizes comuns.” (BONDUKI, Nabil. HABITAR SÃO PAULO: Reflexões sobre a gestão urbana. São Paulo: ESTAÇÃO LIBERDADE, p. 32, 2000).

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BIBLIOGRAFIA ABIKO, Alex Kenya; COELHO, Leandro de Oliveira. Urbanização de favelas: procedimentos de gestão. Porto Alegre: FINEP, 2009. ANDRADE, Carlos R. Monteiro de; BONDUKI, Nabil Georges; ROSSETTO, Rossela. Arquitetura e habitação social em São Paulo: 1989-1992. São Paulo: Edusp, 1993. BLUMENSCHEIN, Raquel Naves; PEIXOTO, Elane Ribeiro; GUINANCIO, Cristiane (Org.). Avaliação da qualidade da habitação de interesse social: projetos urbanísticos e arquitetônico e qualidade construtiva. Brasília, DF: Universidade de Brasília, 2015. BONDUKI, Nabil. Habitar São Paulo: Reflexões sobre a gestão urbana. São Paulo. ESTAÇÃO LIBERDADE, 2000. BONDUKI, Nabil. Os pioneiros da habitação social: cem anos de construção de política pública no Brasil. São Paulo: UNESP, c2012. BORGHETTI, Geraldo; ZMITROWICS, Witold. Avenidas 1950 - 2000: 50 Anos de Planejamento da Cidade de São Paulo. São Paulo: EDUSP, 2017. LEHFELD, NEIDE Aparecida de Souza. Uma abordagem populacional para um problema estrutural: A habitacao. PETROPOLIS: Vozes, 1988. LOURENÇO, Camila. NaLuz. (Trabalho final de conclusão de curso) FAAP, São Paulo, 2017.

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MEYER, Regina Maria Prosperi; GROSTEIN, Marta Dora. A leste do centro: territórios do urbanismo. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010. PÓLIS, Instituto. Moradia é central: inclusão, aceso e direito à cidade. São Paulo, Centro Gaspar de Direitos Humanos, 2009. PÓLIS, Instituto. Moradia é central: lutas, desafios e estratégias. São Paulo, Centro Gaspar de Direitos Humanos, 2012.


11. fontes

WEBGRAFIA ARCHDAILY. “SEHAB Heliópolis”. Publicado em 12 de agosto de 2014. Disponível em: https://www.archdaily. com.br/br/625377/sehab-heliopolis-biselli-katchborianarquitetos/>. Acesso em 08 de setembro de 2017. ILESEGUIN, Rives de Seine. “Quartier Trapèze”. Publicado em 11 de fevereiro de 2014. Disponível em: http:// ileseguin-rivesdeseine.fr/fr/article/quartier-trapeze/>. Acesso em 21 de maio de 2018. JORNAL DA USP. “Estudo mapeia condições das favelas em São Paulo”. Publicado em 02 de fevereiro de 2017. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/cienciashumanas/estudo-mapeia-condicoes-das-favelas-emsao-paulo/>. Acesso em 15 de março de 2018. PARTIDO PIRATA. “Comunidade do Cimento: Novo Pinheirinho?”. Publicado em 10 de maio de 2016. Disponível em: https://partidopirata.org/cimento-novopinheirinho/>. Acesso em 20 de maio de 2018. SÃO PAULO, Governo. “PPP - Habitacional: Chamamento Público”. Publicado em 30 de agosto de 2011. Disponível em: http://www.habitacao.sp.gov. br/casapaulista/downloads/ppp/ppp_habitacional_ chamamento_publico_no_centro_de_sp_03.pdf/>. Acesso em 25 de agosto de 2017. VIATROLEBUS. “A História da Radial Leste”. Publicado em 16 de julho de 2014. Disponível em: http:// viatrolebus.com.br/2014/07/a-historia-da-radial-leste/>. Acesso em 20 de setembro de 2017.

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