Revista Experimental de Pesquisa em Cultura no Segmento de Literatura | novembro de 2017 | nยบ 02 | ano 01 LULA E RODRIGO BASTOS | INSTITUTO CULTURAL AFROBRASILEIRO UBUNTU CORREDOR DA CULTURA OESTE | SARAU | AUDIOVISUAL | FLAGRAS DA CIDADE
EDITORIAL Nossa segunda edição chegou e com certeza a Favo Cultural está ainda mais especial. Tivemos a oportunidade de aprofundar nossas pesquisas e conhecer muita gente interessada pela cultura de Jandira. Antigos movimentos culturais e muitas histórias. A cidade de apenas 17,5 Km² é pequena em extensão, mas cheia de curiosidades, histórias por descobrir e muitos sonhos a serem perseguidos, cheio de agentes que estão dispostos a fazer a diferença. Para essa edição encontramos pessoas que sejam profissionalmente ou não, encontram na arte um motivo verdadeiro para continuar cada dia de suas vidas, com mais sorrisos e naturalmente propagando-os, pois a arte liberta e faz voar, os pensamentos se multiplicam, as cores iluminam caminhos e os sons atravessam barreiras. Jandira de muitas faces, mais um pedaço para conhecer... Cintia Sales
EXPEDIENTE
[Este projeto cultural tem o copatrocínio do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura - Lei 1970-12 (através da Secretaria da Cultura e do Conselho Municipal de Política Cultural de Jandira).
Tiragem: 5.000 exemplares
Distribuição gratuita em equipamentos públicos e espaços culturais.
revistafavocultural@gmail.com
Edição, Pesquisa e Redação Cintia Sales - MTB 0078073/SP Arte e diagramação André Bastianon - Ateliê Sendero
Os textos e artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião desta publicação.
#ArtistadaCapa
DURVALINO SOARES O artista de capa desta edição é Durvalino Soares dos Santos, 72 anos, neste mês fazendo aniversário. Este homem que nasceu em Andradina hoje é aposentado, mas não para de trabalhar, trabalhou com um pouco de tudo na vida, segurança, conferente... Há alguns anos fez um curso de pintura pela Secretaria Municipal de Cultura de Jandira e se apaixonou pela técnica da tinta óleo (e detesta acrilex) e de seus sempre rabiscos, começou a pintar e nunca mais parou, recriando plataformas para seus desenhos como caixas de pizza, placas antigas de campanha e madeira, Ele vai desenhando principalmente paisagens (suas favoritas), que vê ou viu pelas suas andanças, que acha em jornais e revistas
#VozPopular Aline Regina Castro Silva
e agora está tentando se habilitar para a técnica de figuras humanas: “É um grande pedido das pessoas, reprodução de fotografias” ele diz. Durvalino foi criando todas as suas obras e seu espaço de ateliê na garagem de sua casa, há mais ou menos três anos. Lá cabem encontros de amigos e para esse hobbie, que como ele mesmo diz, ocupa a mente e traz lembranças dos rios e da natureza de onde nasceu. Quem quiser encontrá-lo, religiosamente todas as tardes ele está na R. Mauá, no Pq. Snt. Teresa, a desenhar. E prometeu que quando voltarmos terá mais quadros pintados. Ele não fez exposições ainda, pela dificuldade de levar seus quadros sem um carro, por tanto é até possível encomendar alguma pintura ou comprar uma dele indo visitá-lo.
Ela trabalha no Centro de Referência da Juventude na cidade de Jandira, desde 2011. Durante 2 anos consecutivos formou duas turmas de Produção Audiovisual e Fotografia (pela Secretaria de Cultura da prefeitura de Jandira), onde dois coletivos foram criados: Nomadiz (2013) e o Sem Rótulo (2014). “Partindo da minha experiência pude constatar que nossos jovens possuem inteligência e irreverência para criar e produzir excelentes materiais com a ferramenta do vídeo e da fotografia como meios de expressão de seus pontos de vista da comunidade que se está inserido. O fundo municipal de cultura precisa ser mantido e aperfeiçoado para que nossos jovens artistas ou produtores culturais da cidade possam se beneficiar de recursos para a execução dos projetos. A juventude precisa ser vista com respeito e com menos subestimação, pois a maioria dos jovens que estudaram comigo, hoje possuem uma consciência social, entendendo que um bom trabalho pode ser realizado à partir deles mesmos e que dentro de um coletivo todos têm sua importância, mas é no processo conjunto que o resultado aparece. As políticas públicas para o jovem artista e suas manifestações culturais precisa da articulação dos dirigentes do município aliados aos próprios artistas e sobretudo com a sociedade civil”
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#ALGUEMdaARTE
Mestre Lula e o discípulo Rodrigo A história se refaz cotidianamente e a cronologia dos fatos já não importa mais quando os resultados continuam sutilmente a sensibilizar, através dos ouvidos aqueles que são arrebatados pelo som da música. Seja o violão erudito, ou o contrabaixo bendito, Lula que é professor há mais de 30 anos e Rodrigo que é um jovem professor, somam trajetórias e hoje trocam experiências entre duas gerações que convivem em Jandira. Ambos ganham a vida com a música profissionalmente, e para eles o que há de melhor nessa profissão é poder ensinar outros a aprenderem, a seguirem o caminho da arte
Quem é o Lula?
Lula é um personagem que nos dá liberdade de chamá-lo por vários nomes, artisticamente hoje se apresenta como Luiz Moura, 56 anos, violonista erudito
formado pela Universidade Livre de Música (ULM), cursando Licenciatura em educação musical pela UFSCAR. Dono da escola de música Musiarte (que também já foi Arcorde), há 10 anos. Hoje também professor de violão pela Secretaria de Cultura de Jandira e com um trabalho paralelo, o Duo Gagliani-Moura (desde 2001). Ele sempre fez parte de grandes movimentos culturais em prol da reunião da classe musical da cidade, como o Berço das Artes, o Movimento Arte em
Ação (MAA) e o Arte Jan. Sempre acreditou que a união dos músicos da cidade poderia melhorar a realidade do povo jandirense, pois o artista não pode depender do poder público. Por isso criou vários eventos na cidade, como o ‘Quintas Musicais’ na Praça 8 (que durou 2 anos). Destaca como o trabalho que mais gostou de fazer, o espetáculo Poesificando, com Toninho Rodrigues e Mestre Tiê. Mas foi fazendo o que mais gosta, que é dar aula, coisa que já faz desde a década de 80, que um dia no Projeto Brasil Criança Cidadã, um aluno de 7 anos de idade apareceu, era o Rodrigo de Melo.
Quem é o Rodrigo de Melo Bastos?
Ele é educador musical, toca cordas violão, baixo e guitarra (mais populares pela acessibilidade que os alunos têm de comprar), em geral. Tem 31 anos e mora no bairro Stela Maris desde criança. Formado pela ULM, hoje toca como freelancer e dá aulas particulares, também é arranjador e compositor. Hoje dedica-se ao seu projeto solo musical de composição com dubstep: trabalho que ele define como sua libertação individual do mercado musical, Um estilo de música eletrônica, onde ele desenvolveu um personagem denominado Quân
ticos, o clipe e mais informações devem surgir até o final do ano. Ele se interessou pelo instrumento (violão) quando viu um amigo tocando, se motivou a fazer aulas e foi aí que conheceu o Mestre Lula e decidiu que queria tocar pelo resto de sua vida. Hoje vive seu sonho, mas praticamente fora de Jandira, em bares que pagam melhor, embora ainda tenha muitos alunos na cidade: “Isso entristece, porque porque se há tantos alunos interessados a aprenderem música em Jandira, significa que a cidade tem procura mas não tem espaço e, isso vai desestimulando os novos artistas”, comenta Rodrigo.
Fica evidente que mesmo as ações independentes precisam ser fortalecidas. A movimentação da cadeia produtiva, alcança a economia da arte, com certeza no que depende dos especialistas musicais que por aqui estão, mas ainda são necessários apoios, para ensaios em estúdios, gravações de CD e convites para apresentações. Aqui encontramos diversas lacunas que podem ser preenchida por outros agentes, como o Estado.
ARTIGO
POR
Toninho Rodrigues
Toninho Rodrigues é ativista cultural
O Corredor da Cultura Oeste Durante alguns anos fiz o trajeto Osasco/Jandira – Jandira/ Osasco, ora de trem, ora de ônibus. Quando de trem muitas vezes me peguei cochilando pela manhã e permanecia de olhos fechados sentindo a presença do sol que vez ou outra atravessava pelas janelas do trem me despertando para os lugares por onde passava. Quando de ônibus ia observando pela janela as placas das lojas (horrorosas por sinal) e lendo às avessas, ou ia somando a numeração das placas dos carros (pra quê? Não sei!). Estava percorrendo ali um grande corredor cultural, são 14 estações de Osasco a Itapevi. Nessa longa trilha de linhas de trem e asfalto, torna-se curta a distância das ações culturais que podem ser desenvolvidas nos 5 municípios (Osasco, Carapicuíba, Barueri, Jandira e Itapevi), que se unem pelos mesmos problemas sociais e orçamentários nas áreas da saúde, educação, habitação, mobilidade urbana, etc. E devemos incluir aqui as outras 03 cidades (Pirapora do Bom
Jesus, Santana de Parnaíba e Cotia) que compõem o CIOESTE – Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo, e juntas somam um PIB equivalente a 2,23% do Produto Interno Bruto Nacional, numa área de 977 quilômetros quadrados, com uma população de quase dois milhões de pessoas. De uma forma espontânea o segmento musical de Jandira, mesmo que timidamente, vem cumprindo esse papel desbravador e ultrapassa os limites do seu quadrado, em busca de espaços na região que lhes permitam se expressar, seja com músicas de autores consagrados, ora com músicas autorais, já que o município tem grande número de excelentes compositores. No meu entender: Jandira deu esse primeiro passo. A criação da Lei de Incentivo à Cultura, que permite investimento nos projetos culturais da Cidade, abre também à participação de artistas de outros municípios (30%). O Conselho Municipal de Política Cultural vem desempenhando um papel importante
no sentido de entrelaçar a cultura regional, exemplo a ser seguido pelos município vizinhos. Assim, é chegada a hora da sociedade artística e cultural organizada, através de seus Conselhos Municipais iniciarem discussão vislumbrando a criação do Conselho Regional Oeste de Políticas Públicas para a Cultura, entendendo-se aqui, uma ação conjunta entre sociedade civil, artístico-culturais e representantes do Governo. E as cidades que ainda não têm os seus Conselhos, provisoriamente poderiam indicar uma Comissão de Artistas que os representariam enquanto se desenvolve o processo de implementação dos mesmos. Entendo, ainda, que com a criação do Conselho Regional da Cultura, pode-se discutir a participação efetiva na “Câmara Temática de Cultura” do CIOESTE, onde as questões que envolvem o poder público e a cultura poderiam ter resoluções ampliadas no conjunto de interesses artísticos e culturais da nossa região.
#GaleraNoCorre
Weslley (28 anos) vê Jandira como uma cidade de oportunidades, é por isso que a quase um ano mudou-se para a cidade e fundou o Instituto Cultural Afro Brasileiro Ubuntu, na perspectiva de criar uma ferramenta de diálogos que alcançasse mais lugares e uma estrutura possível para abordar as temáticas afro-brasileiras. Ele é palestrante, inclusive virtual, leva suas contribuições acerca da questão afro-brasileira para o ambiente on-line, com living streming na time line do seu Facebook. O Instituto Cultural Afro Brasileiro Ubuntu (filosofia africana onde “eu só posso ser feliz quando todos são felizes), trabalha com a cultura africana, no empoderamento dos negros, através de palestras, eventos e um núcleo artístico que compõe o Instituto, que também é dirigido por Jorge Luiz e Marcos Gabriel Silva Dias. Antes das palestras ele já tinha bastante contato com as religiões de matriz africana, mas entendia que o preconceito que sofria na religião era por conta de uma cultura eurocêntrica vigente que embutiu todos os preconceitos possíveis em tudo que se relacionava com a cultura africana. Ele vestiu mais uma vez sua indumentária, mas não apenas para falar de sua religião, mas da cultura africana: sua mitologia e questões sociais como a implantação da Lei 10.639. Falando da cultura afri-
cana de forma mitológica, como manifestação cultural, acredita que facilitará para desdemonizar um continente muito subjugado no Brasil e perseguido por conta das suas manifestações religiosas. A África é muito mais ampla, está hoje presente na gastronomia brasileira, dos temperos aos utensílios, por exemplo. Weslley inclusive se lembra muito bem, de ver os seus colegas de escola abandonando os estudos por conta da discriminação que sofriam no ambiente escolar, por serem negros e pobres. Cansou da errônea visão que resumia o povo africano a miséria, a fome, ao sofrimento. Pois a visão que ele aprendeu, de coletividade do continente é incrível: “ Nunca se pagou a África, só se explorou. E a corrente quebrada interfere no mundo todo, a África é problema nosso”, ele assume a responsabilidade, inclusive levando essa responsabilidade ao conhecimento de outras pessoas. Weslley cresceu, e com ele a vontade de transformar, de dialogar com os poderes municipais, sejam executivo ou legislativo, para poder criar ações visando o coletivo e o empoderamento. Desde então vem resgatando e estimulando a sabedoria africana, com expo-
FOTO: SECRETARIA DA CULTURA DE JANDIRA
Instituto Cultural Afrobrasileiro Ubuntu
sições e apresentações de dança. Além de estar montando um acervo, museu e biblioteca de cultura afro, o Instituto Cultural Afro Brasileiro Ubuntu elabora cursos de profissionalização, como corte e costura, estética e formação de pessoas, guiados por Gabriel Silva Dias . Tem uma peça teatral montada: Isso é folclore (para as escolas, texto de Jorge Luiz). E é um dos organizadores da Feirarte (Feira de Artes) que já aconteceu em Jandira, Carapicuíba e Itapevi idealizada por Jorge Luiz. E vem participando de todos os espaços de discussão da cidade, defendendo também a criação da fábrica de culturas, um espaço que forme profissionalmente os artistas na cidade.
Próximos Eventos 24/11: Abertura da exposição: Descobrindo a África (Espaço Biguá) 26/11: Troféu Afro (Teatro Municipal Luiz Gonzaga)
#ContraCapa
ANÇA H IN IZ V A SARAU DESIXIA E MÚSICA! COM POE
Hugo Sales Gonçalves Fotógrafo F.C.: Como é trabalhar com fotogra�ia? É saber ir além e não ficar somente atrás da câmera, é poder expandir suas técnicas para uma pós produção, é transmitir conhecimentos para um novo fotógrafo, é estar sempre na busca, na pesquisa, é poder voar em outras áreas que também agregam a fotografia.
Música de Luiz Moura CATA - VENTO Vento brando que chega Trazendo a nova estação Me traz o aroma gostoso, - de pinho Jacarandá peroba cedro e violão
SARAU 50 TONS DE PARDO Dois mil e dezessete foi mais um ano de Sarau em Jandira. O Sarau 50 tons de Pardo neste ano realizou uma série de atividades para quem gosta de literatura, foram vários laboratórios de texto, abrindo oportunidades para todo escritor mostrar seu trabalho e desenvolver suas habilidades, além do cine literário com exibição de vários filmes que tem em sua temática a abordagem da literatura brasileira e, tudo isso gratuitamente. No dia 28/10 eles realizaram o último Sarau da série copatrocínio do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura - Lei 1970-12 (através da Secretaria da Cultura e do Conselho Municipal de Política Cultural de Jandira). Mas, não por isso o trabalho dessas/desses guerreiras/guerreiros se interrompe. Vai ter Sarau ainda em 2017, fique de olho na página: https://www.facebook.com/ SARAU50TONSDEPARDO/ O incentivo é sim necessário e mostrou-se evidente neste ano, quando deu a possibilidade de se ampliarem ações no sentido de desenvolvimento e fomento a cultura, na área das artes integradas. Longa vida a Lei de Incentivo à Cultura de Jandira.
Ventania que sopra Que vem lá do sertão Desembaraça os cabelos da morena, a ê E agita as águas do ribeirão Lá vem o pé de vento menino Cortando o tempo, enfeitando o verão Olha o cata-vento Já não tem mais tempo de respirar Olha o cata - vento Gira sem ter tempo pra descansar Ave bela que paira Mostrando como isso é bom Ensina pra gente os mistérios, da vida Maracanã, canário belga, tucano e gavião Passarada que voa Brincando nessa canção Fazendo festa com seu bando em liberdade, a ê Arara-azul, vem curió, andorinha e azulão La vem redemoinho seu moço Mostrando força, levantando poeirão Foge passarada Deixa o pó na estrada, vem pra canção Foge passarada Deixa o pó da estrada, volta pro sertão
F.C.: Existe mercado de trabalho na área de fotogra�ia em Jandira? Sim, existe! Eu trabalhei nas duas principais empresas de fotografia de Jandira, tive a oportunidade simultânea de estudar e práticar, comecei cedo, foram inúmeors padrinhos dentro da fotografia. Em 11 anos de profissão, fiz muitos colegas fotógrafos, é uma troca de experiências que rende trabalho até hoje. Quando um colega entra em contato pedindo ajuda por estar começando na área, você tem que estender a mão e somar, é assim que o mercado funciona na nossa região.
F.C.: O que representa esta fotogra�ia? É como se esses materias de construção estivessem esperando a sua casa. Mas você pode achar outra representação, se quiser, é como um quadro. F.C.: Como foi o processo de produção desta foto? Foi bem simples, na verdade eu estava trabalhando em um casamento, olhei pro lado, vi a foto e fiz. F.C.: Deixe seus contatos pro�issionais e links de portfólio: facebook.com/hugoosales @hugoosales
por Hugo Sales Gonçalves
visões de Jandira A Vizinhança