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Favo Cultural - edição 01

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EDITORIAL É com muito esforço, dedicação e luta que a arte e a cultura de Jandira persistem em fazer dessa cidade uma verdadeira pólis. E no mesmo trajeto, de dificuldades e lutas, mas com certeza de muitos sonhos, que a Revista Favo Cultural sai às ruas, ocupando os espaços públicos e independentes e chegando às portas dos espaços privados também, para lembrar as belezas que tocam profundamente a alma da vida humana e dessa que consideramos a engrenagem de toda existência coletiva: a arte. É através da arte que essa pesquisa se propõe a difundir e relatar, o que em Jandira ao nosso ver faz essa cidade ser tão singular e valiosa, e a ser instrumento para as vozes ocultas que constroem uma cultura de justiça e com muita qualidade de vida, galgada no direito a experimentação, a valorização das sensações e ao respeito à diversidade. Agradeço aqueles que vieram antes de mim e construíram esse que é hoje o edital de política cultura mais qualificado da nossa culturalmente rica região. Continuamos na luta! Cintia Sales

EXPEDIENTE

[Este projeto cultural tem o copatrocínio do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura - Lei 1970-12 (através da Secretaria da Cultura e do Conselho Municipal de Política Cultural de Jandira).

Tiragem: 5.000 exemplares

Distribuição gratuita em equipamentos públicos e espaços culturais.

Edição, Pesquisa e Redação Cintia Sales - MTB 0078073/SP Arte e diagramação André Bastianon - Ateliê Sendero

Os textos e artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião desta publicação.


#ArtistadaCapa

ANTUNES VIEIRA

te metropolitana de São Paulo toda começou e em Jandira não foi diferente. Antunes veio de família paraibana, morou na casa de muita gente e hoje é difícil encontrá-lo, está sem endereço fixo e telefone celular. São detalhes que só aumentam o valor desse homem que retrata em suas obras a evolução de uma história, pintando os trens da antiga Estrada de Ferro Sorocabana, o trem Francês e os atuais da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Nosso artista da capa é Antunes Vieira, 59 anos, artista plástico auto-didata. É desde os anos 80 do século XX que ele tem um gosto peculiar por pintar trens. Nada poderia ser mais significativo em uma região que começou a existir economicamente e a se organizar socialmente por conta da linha de trem. É a margem dos trilhos que a região oes#Erramos!

Nós erramos! Quem nunca errou, afinal? Equipe da Revista Favo Cultural A revista Favo Cultural errou. Em nossa primeira edição divulgamos textos de terceiros que tratavam de assuntos diversos como democracia, participação e direito à cidade. O Conselho Municipal de Política Cultural de Jandira compreendeu que tais textos feriam a lei de 1970/2012 por não tratarem, na interpretação dos conselheiros, de conteúdo referente a cultura. Nós da revista Favo Cultural temos profundo respeito pelas instituições democráticas e instancias de participação e lutamos para seu fortalecimento, portanto, respeitando a soberania deliberativa do Conselho, acatamos sua decisão e fizemos o recolhimento das revistas distribuídas e imprimimos com recursos próprios esta, com a readequação do conteúdo. 3


#ALGUEMdaARTE

Maurício,

permite esse canal, inclusive com crianças, que hoje segundo ele sofrem muito por conta das múltiplas distorções e estímulos da vida moderna: “Precisamos resgatar o ouvir na formação humana, a forma mais simples de compreender os sons é com a percussão, nela o tempo é primordial e a marcação?! Bem, já existe desde a barriga das nossas mães quando somos fetos”, afirma. Entre 2011 e 2014 ele desenvolveu projetos de aula com violão e cajon em centros comunitários na cidade de Barueri. Depois veio desenvolver em Jandira o projeto “Balançando o Coreto”, no qual a ideia foi construir uma ponte entre o coreto enquanto espaço público junto às escolas, com alunos de educação infantil. Mas o projeto ousava mais, ele enquanto educador formava uma turma de instrutores com idade mais velha que ensinavam às crianças das escolas a se conectarem com a música, através do instrumento. Maurício está em um ano de planejamento e quer organizar outros apoios para seus projetos - como o PROAC,

o Mago Cajon O Mago é Maurício Gonçalves, morador do Jd. Sorocabana, com 56 anos anos de idade é multi instrumentista. Hoje na cidade ele é conhecido como Mago Cajon, pelo seu exclusivo trabalho com a confecção do instrumento de origem peruana. De mago ele com certeza tem muito, seu trabalho com o cajon também nasceu quase magicamente, foi durante uma temporada a trabalho no Japão como eletricista que ele, que durante a vida toda foi músico de cordas e dos sons que iam chegando, um dia se deparou com um show de salsa no qual um dos músicos da banda não estava em condições de tocar, foi então que Maurício foi convidado para uma substituição no show e no ano de 1995 teve seu primeiro contato com o cajon e desde lá

nunca mais se separaram. O cajon é um instrumento de percussão de origem peruana e só na década de 2000 começou a se tornar mais conhecido no mundo através do Flamenco na Espanha, mesmo no Brasil, ainda que exista alguma produção pela indústria musical, são poucos os que constroem

o instrumento. Maurício é um deles na região oeste da grande São Paulo. Desde que voltou ao Brasil e chegou a Jandira em 2010, fez da música sua vida e profissão. Hoje ele confecciona cajons absolutamente singulares, desenhando planos de corte dos instrumentos e realizando a montagem, além de ter criado uma modalidade deles absolutamente única: as cajonzelas, que são uma espécie de tréculas, um instrumento percussivo que se toca com os dedos enfiados nos lacetes, abrindo e fechando as palmas da mão, para que as pequenas tábuas possam bater no ritmo da música, só que diferentemente das tréculas as cajonzelas são circulares e não retangulares. Todos instrumentos são personalidos com pinturas e pirogravuras. Ele acredita em sua cidade, em seus mecanismos de política social e nos modelos democráticos, por isso desde que voltou tem procurado participar de projetos sociais, dedicados a educação musical através de uma metodologia que ele chama de “tecnologia do simples” e acredita que o cajon é um instrumento que

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porque entende que a cidade tem limitações políticas e o sistema só funciona para alguns. Ele é um educador, sem formação, apenas a intuitiva e com certeza com uma vasta experiência e pesquisa no desenvolvimento musical infantil através dos processos coletivos e quer continuar trabalhando e militando por esse caminho.


Darcy Ribeiro

Cultura Além dos seres vivos e da matéria cósmica, existem também coisas culturais, muitíssimo mais complicadas. Chama-se cultura tudo o que é feito pelos homens, ou resulta do trabalho deles e de seus pensamentos. Por exemplo, uma cadeira está na cara que é cultural porque foi feita por alguém. Mesmo o banquinho mais vagabundo, que mal se põe em pé, é uma coisa cultural. É cultura, também, porque feita pelos homens, uma galinha. Sem a intervenção humana, que criou os bichos domésticos, as galinhas, as vacas, os porcos, os cabritos, as cabras, não existiriam. Só haveria animais selvagens. A minhoca criada para produzir humo é cultural, eu compreendo. Mas a lombriga que você tem na barriga é apenas um ser biológico. Ou será ela também um ser cultural? Cultural não é, porque ninguém cria lombrigas. Elas é que se criam e se reproduzem nas suas tripas.

Uma casa qualquer, ainda que material, é claramente um produto cultural, porque é feita pelos homens. A mesma coisa pode-se dizer de um prato de sopa, de um picolé ou de um diário. Mas estas são coisas de cultura material, que se pode ver, medir, pesar. Há, também, para complicar, as coisas da cultura imaterial, impropriamente chamadas de espiritual – muitíssimo mais complicadas. A fala, por exemplo, que se revela quando a gente conversa, e que existe independentemente de qualquer boca falante, é criação cultural. Aliás, a mais importante. Sem a fala, os homens seriam uns macacos, porque não poderiam se entender uns com os outros, para acumular conhecimentos e mudar o mundo como temos mudado. A fala está aí, onde existe gente, para qualquer um aprender. Aprende-se, geralmente, a da mãe. Se ela é uma índia, aprende-se a falar a fala dos índios, dos xavantes, por exemplo. Se ela é uma carioca, professora, moradora da Tijuca, a gente aprende aquele português lá dos tijucanos. Mas se você trocar a filhinha da índia pela filha da professora, e criar, bem ali na praça Saens Peña, ela vai crescer como uma menina qualquer, tijucana, dali mesmo. E vice-versa, o mesmo ocorre se a filha da professora for levada para a tribo xavante: ela vai crescer lá, como uma xavantinha perfeita – falando a língua dos xavantes e xavanteando muito bem, sem nem saber que há tijucanos. Além da fala, temos as crenças, as artes, que são criações culturais, porque inventadas pelos homens e transmitidas uns aos outros através de gerações. Elas se tornam visíveis, se manifestam, através de criações artísticas, ou de ritos e práticas – o batizado, o casamento, a missa –, em que a gente vê os conceitos e as idéias religiosas ou artísticas se realizarem. Essa separação de coisas cósmicas, coisas vivas, coisas culturais, ajuda a gente de alguma forma? Sei não. Se não ajuda, diverte. É melhor que decorar um dicionário, ou aprender datas. Você não acha? Trecho do livro Noções de Coisas. São Paulo, FTD, 1995


#GaleraNoCorre

Batalha de Jandira Com as eliminatórias estaduais de 2017, a Batalha de Jandira segue firme. Conversamos com Willian de Oliveira Santos, 23 anos, produtor musical, que é um dos organizadores da Batalha de Jandira para entender como funciona essa que é hoje uma das maiores manifestações artístico-culturais da cidade e, ele nos disse: “Embora a batalha já tenha acontecido em outros momentos, essa fase ininterrupta que eu ajudo a organizar já dura desde 30 de novembro de 2016”. O que é a Batalha de Jandira?

A Batalha de Jandira é uma batalha de MC’s (Mestre de Cerimônia), que improvisam rimas e desafiam seus oponentes a superarem as rimas colocadas. Ela acontece toda quarta-feira à partir das 18h30, no coreto da cidade (próximo a estação de trem de Jandira). Iniciando com a inscrição dos Mcs que desejam participar da batalha e as 20h a batalha começa, eliminando um oponente por vez (e às vezes até uma dupla, se a quantidade de participantes for grande), até que reste apenas um vencedor do dia. Como o evento é permanente o público só aumenta, a cada semana são cerca de 30 inscritos para batalhar e mais de 50 pessoas a prestigiarem o evento, que é feito sem nenhum apoio público ou privado, apenas conta com a organização de jovens realmente empenhados na produção dessa rede

que existe de batalhas de MC em toda a região oeste. Dentro os organizadores também estão: Dimas de 20 anos, Gabs de 18 anos, Lorena de 18 anos e Bia e Mac, ambos com 15 anos. E o público não poderia ser diferente, são secundaristas, que alternam sua participação com a sala de aula e, que com essa organização trazem a Jandira um novo espaço para a socialização dos jovens, de diversão e de arte, ocupando um espaço público tradicionalista com uma estética periférica. E por isso mesmo são eles que semanalmente estão vulneráveis ao policiamento local e as poucas políticas públicas voltadas ao segmento. Willian participou da Conferência Municipal de Cultura deste ano para levar ao conhecimento do público da cidade e da nova gestão de cultura o que vem realizando semanalmente a quase um ano na cidade, em busca de maior apoio para o segmento, de lá ele saiu com a impressão de que: “A nossa

maior dificuldade de diálogo felizmente não tem sido com a prefeitura, até o momento esses tem se disposto a nos ouvir é já vieram nos procurar algumas vezes”. E a batalha de Jandira vêm crescendo, já passaram por ela mais de 90 MCs para batalhar de várias partes do país, como César e 90 do Espírito Santo, Samurai e Joni do Rio de Janeiro. E os MCs de Jandira já disputaram a Liga ZO e o Amistoso contra a batalha do Ibira. Agora eles tem um representante no circuito Paulista e esperam chegar ao circuito Nacional. A cidade fez no mês de julho eliminatórias municipais para as seletivas regionais que acontecem em Agosto e em Outubro serão as Estaduais. São 2 rounds de 40 seg, no final dele tem a votação da platéia e de mais 2 jurados, depois um terceiro round de 1m’30s bate e volta.


#ContraCapa

Amanda Barreto

#HistóriasdeJandira

O Hino da Cidade Almiro Bastos de Souza (Nenga Bastos), morador do Figueirão é o autor vivo do Hino de Jandira (junto a Adairson José da Silva). Ele sempre trabalhou com música, especialmente criando ao longo da história da cidade jingles para muitos políticos. Hoje também é professor de violão na Secretaria de Cultura de Jandira, além de músico em bares. O hino que existe hoje na cidade foi vitória desse compositor no ano de 2006 em um concurso para oficialização deste importante símbolo do município. Para ele o Hino foi mesmo criado com o intuito de doçura na esperança do povo jandirense “Que seja doce a nossa esperança, predomine o amor e a paz”, para que a juventude fosse guardada por um futuro melhor, como seu filho Dylan Bastos, o qual dedica o Hino. Mas ele continua tendo esperanças, lamentando que este futuro ainda não chegou.

Hino do município de Jandira

Letra por Miro Bastos Melodia por Miro Bastos e Adairson José da Silva

Oh Deus, salve a nossa cidade Jandira de um povo feliz És a estrela mais linda No coração do Brasil Cidade de Sonhos e contos Terra de encantos mil És um pedaço do mundo No coração do Brasil

Oh Deus, guarde a nossa juventude Que a bandeira empunha e faz Que seja doce a nossa esperança Predomine o amor e a paz Se o Senhor não guardar esta cidade Em vão vigiará a sentinela Se o Senhor não guardar esta cidade Em vão vigiará a sentinela Jandira de tantos caminhos Que em favo de mel despertou Tens na �igueira uma história Bandeirantes aqui descansou És tão bela, oh minha Jandira És colo de mãe, pátria, amor Cortada a veia de um rio És calma, és forte, és �lor És calma, és forte, és �lor Oh Deus, guarde a mão do trabalho Que na terra plantou e se fez Do progresso tão grande beleza Deslumbrante obra da natureza Deslumbrante obra da natureza Deslumbrante obra da natureza

F.C.: Como é trabalhar com fotografia ? Não é fácil, principalmente quando o fotógrafo não tem muitos recursos. Hoje em dia o mercado é bem exigente, por isso se você não se qualifica as portas vão se fechando. F.C.:Existe mercado de trabalho paro @ fotograf@ e o artista em Jandira? Boa pergunta... Posso te falar que meus trabalhos são feitos fora do município. Além de não ter uma opção de estudos e cuidado para a área por parte da cidade, boa parte do meu público alvo está fora do município. Na área da fotografia em Jandira o mercado de trabalho é só para freelancer. F.C.: O que representa esta fotografia (contracapa)? Essa fotografia tem um ponto de vista que acho muito importante e interessante. Não sei se todos vão reconhecer, mas ela é a escada que dá acessos ao Teatro Municipal, a Câmara Municipal de Vereadores e a ETEC. Meu olhar foi no descaso e abandono desse lugar, que chega até a ser meio sinistro e por isso as pessoas quase não passam por lá, mas é a passagem mais prática para cortar caminho para ir até alguns locais. F.C.: Como foi o processo de produção desta fotografia? Em 2016, através do concurso Jandira Click (realizado junto ao Edital de Fomento de 2016), onde o prêmio eram 400 cartões postais com as fotos vencedoras, nas categorias amadoras e profissionais eu fui participar. O tema era “paisagens de Jandira” e eu quis retratar exatamente as paisagens que ninguém queria ver e fiz essa foto como uma forma de crítica e protesto. Enfim, ela não foi a vencedora, mas acabei ganhando o terceiro lugar na categoria amador com uma outra fotografia. Amanda Barreto Fotografia Sensual / Bandas 11 9.8125-8724 ft_amandabarreto ft.amandabarreto ft.amandabarreto@gmail.com


visĂľes de Jandira Escada do Teatro Municipal

por Amanda Barreto


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