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Revista Experimental de Pesquisa em Cultura no Segmento de Literatura | ano 2 | nº 02 outubro/2018 AGENDA | CESAR RIELLO | MESTE GAGUINHO | BRECHÓS DE JANDIRA | SÉRGIO DE PAULA LITERATURA | DITADURA NUNCA MAIS | THAIS CRISTINE
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/RevistaFavoCultural
EDITORIAL
www.FavoCultural.com
Chegamos a nossa segunda edição que foi desenvolvida em meio a tensos momentos pelos quais passou nossa frágil democracia, com diversas sinalizações para o retrocesso dos nossos direitos e cerceamento de nossa liberdade. Infelizmente está vigente a Reforma Trabalhista, ampliando a contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas para dessa forma se isentar de vários pagamentos aos trabalhadores e reduzir os custos e responsabilidades do contratante, as gestões públicas também ampliaram a terceirização dos serviços. Lembrei ao escrever a matéria sobre as Comunidades Eclesiais de Base, do que disse um grande amigo que lutou contra a ditadura e me ajudou a refletir sobre a boate Querosene (que foi matéria da última edição), que “as coisas são cíclicas”. Nessa matéria vocês poderão compreender a importância política que a comunidade da Vila Analândia teve para a cidade de Jandira e para a construção de espaços de diálogo que hoje existem na cidade. O mestre Gaguinho já vem tocando um projeto de resistência da cultura negra há muito tempo e com agentes como esse e agrupamentos como o que encontramos no Ateliê Kcha temos a certeza que a luta continua, que o dia a dia constrói nossa cidadania, que através do diálogo horizontal nos espaços de decisão conseguiremos construir uma cidade com respeito a diversidade e desenvolver Jandira não só economicamente, através de diversos exemplos de economia solidária e criativa (como os brechós que também estão na revista), mas em toda sua complexidade humana (no artigo do Sérgio de Paula entendemos a total influência da moradia para mudar tantos paradigmas da nossa sociedade), luta também do entreviastado da literatura Gledston Seriacopi. Agradeço aos diálogos sempre muito elucidadores do Raphael Branquinho que com sua experiência me enche de novas ideias. Fica nesta edição, minha homenagem a um jornalista que me ensinou com suas histórias o ofício da nossa profissão, mas principalmente que me mostrou que a luta vale e nos deixou no mês de setembro de 2018: “Ninguém se arrepende de ter sido digno” - Antônio Roberto Espinosa, PRESENTE! Cintia Sales.
EXPEDIENTE
[Este projeto cultural tem o copatrocínio do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura - Lei 1970-12 (através da Secretaria da Cultura e do Conselho Municipal de Política Cultural de Jandira)]
Tiragem: 5.000 exemplares
Distribuição gratuita em equipamentos públicos e espaços culturais.
revistafavocultural@gmail.com
Edição, Pesquisa e Redação e Fotogra�ia Cintia Sales - MTB 0078073/SP Arte e diagramação André Bastianon - CulturaZero11 Fotogra�ia Amanda Barreto e Cintia Sales Os textos e artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião desta publicação.
#AGENDA
VISH... ERRAMOS Na edição passada publicamos o texto do Secretário Municipal de Cultura Manoel Silva. E durante a edição da revista cometemos um erro e suprimimos parte do texto no último parágrafo, onde se lê: “...Lei 1970/12 que instituiu o Fundo Municipal de Incentivo à Cultura e também que instituiu o Fundo Municipal de Incentivo à Cultura…” “... devemos sobretudo refletir sobre as ações quando necessário e caminharmos…” Deve ser lido: “Lei 1970/12 que instituiu o Fundo Municipal de Incentivo à Cultura e também a Lei 1997/13 que cria o Conselho Municipal de Política Cultural de Jandira” “Devemos sobretudo refletir sobre as ações realizadas, propor modificações a essas ações quando necessário e caminharmos a passos largos e seguros no sentido de garantirmos o apoio e o suporte financeiro aos projetos culturais em nosso município”.
LABORATÓRIO DE TEATRO
O Professor Eder dos Anjos apresenta no Teatro Municipal de Jandira os exercícios cênicos criados a partir dos textos “Sonhos de Uma Noite de Verão” (28/10, às 14h) e “A Chuva” (08/11, às 21h) criados a partir das oficinas fomentadas pelo Fundo Municipal de Cultura..
JANDIRA SOB LENTES
O Concurso sócio-cultural de fotografia Jandira Sob Lentes está encerrando o projeto com a exposição dos trabalhos vencedores e inscritos no edital, confira as datas e locais: 26/10: Praça Central 27/10: Sarau 50 Tons de Pardo
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César Riello Santos tem 33 anos. Nascido em Jandira e membro de uma família que está na cidade desde os anos de 1970, vinda de Sorocaba. Formou-se na Faculdade de Guarulhos, em Educação Artística, mas sempre fez arte e outras coisas como vender revistas e pães. Antes da faculdade participou do “Artes de Rua” - um projeto do governo municipal de Jandira (final dos anos 1990) que trabalhava com jovens infratores a partir do grafite e foi nesse momento que ele percebeu que faria uma faculdade de artes, mesmo sabendo desenhar há muito tempo. Em Jandira também participou do projeto Integra Jandira - uma ideia 4
de mapeamento de artistas da cidade. Sempre se preocupou em pensar a cidade, especialmente a sua. Sua formação principal como ele prefere salientar “é na rua”, vivendo e referenciando sua arte em plataformas também exclusivas das ruas, como o stencil e o grafite. Por isso sua obra foi sendo criada junto aos movimentos culturais dos quais ele fez parte, muitos da região oeste, como: Instituto SufrutoverdeuS e Quintal Cultural. E alguns de outras regiões metropolitanas, como o Coletivo 308. Hoje ele define seu trabalho como movimentação cul-
tural (artes plásticas, gravura, stencil, grafite). Sua principal reflexão, partindo de Jandira, é sobre as cidades dormitório, que tem total influência no seu “trampo”. A proximidade que Jandira tem da capital de São Paulo é a mesma em toda a região metropolitana oeste, “a linha do trem nos une em identidades”, ele afirma. Jandira é especialmente mal ocupada, existem casas em plataformas em cima do rio, mais uma cidade não pensada: “A pessoa que vive em cidades como esta, não estão lá a maior parte do tempo e neste sentido o artista pode retomar o significado da cidade, interagindo, criando a partir dela”, ele comenta. Para ele viver em Jandira hoje é uma escolha, porque ela acrescenta na sua construção poética. E isso o fez interagir com toda a região, criou parcerias e amizades e aprofundou sua visão. Ele sempre buscou ir atrás de histórias: “Eu encontro um tema e quero usá-lo em todos os lugares, escrever sobre ele, fazer gravura dele...”. Produzir arte para ele é viver, ele se liga profundamente a cada sub tema que parte das cidades e a partir da efervescência reflexiva vai crescendo os sentidos interiores da criação, até que aquela ideia se recon-
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figure e vire arte, até uma obra ser realmente produzida: “É preciso ter conteúdo para ter o que falar. Hoje tenho escrito muito, mas os escritos ainda não criaram forma. Ainda preciso misturar outros elementos”. As artes plásticas tem um potencial incrível de integrar múltiplas plataformas artísticas e, isso fica muito visível no Sarau 50 Tons de Pardo. A arte é a ponte para o processo político, para a sensibilização e a reflexão crítica. E ele cita um exemplo: “As pessoas estão usando muito a via oeste [Corredor Oeste] hoje para caminhar, elas estão se apropriando da cidade, penso em produzir algo sobre isso porque a política pública não está chegando, as cidades de Jandira e Barueri precisavam criar juntas um projeto”. Para ele o papel político e artístico estão bem próximos: “Todo político é primeiramente um cidadão, alguém preocupado com o meio em que está, e o artista da forma que eu visualizo é assim também, eu não estou fazendo uma arte olhando para fora do
meu meio. Eu sou parte do meio, por isso faço política e minha arte não poderia ser diferente”. O Ateilie Kcha Hoje, o Kcha, como César é conhecido pelos amigos, mantém um espaço, o Atliê Kcha, lá acontecem diversas oficinas e atividades culturais o ano todo e hoje o espaço é também uma grande referência para a cultura da cidade, um dos poucos espaços culturais independentes de encontro para artistas e agitadores culturais de toda a região oeste. Iniciou o ateliê com o amigo Lucas de Souza, primeiro em uma brincadeira de criar uma arte para o concurso da Rinomania, ele se inscreveu para fazer a imagem que está na nossa capa “O Homem no Trem”. Então, como precisava de um lugar para pintar, ocupou a garagem da casa, cheio de memórias e objetos de toda uma família. Foi construindo os móveis, iniciando os saraus no espaço, com outros nomes e acredita que ter um espaço hoje é importante, é um símbolo de resistência.
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“O Homem no Trem” de César Riello
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Ditadura nunca mais A CEB e os Centros de Defesa dos Direitos Humanos As Comunidades Eclesiais de Base (CEB) são comunidades inclusivistas ligadas principalmente à Igreja Católica que, incentivadas pela Teologia da Libertação após o Concílio Vaticano II (1962-1965) se espalharam principalmente nos anos 1970 e 80 no Brasil e na América Latina. No Brasil nasceram no Rio Grande do Norte, na cidade de São Paulo de Potengi, a primeira fundada por D. Eugênio Sales. Formou-se também em Jandira com o grupo de missionários italianos, entre eles um que até hoje vive na cidade, Orestes Bonaldi.
çaram a organizar suas reivindicações, com muito custo começaram também a organizar a Casa Azul com o Padre João Carlos, uma paróquia com creche e também um espaço de convivência. No mesmo bairro, na Vila Analândia, nasceu então o Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) em 1975, frontalmente contra a ditadura. Faziam reuniões em Osasco, então um pequeno grupo saia da cidade e ia ao encontro de outros companheiros, sem saber onde seria a reunião, porque o risco de ser seguido era real.
A igreja era o local onde o povo e os imigrantes missionários encontraram um espaço para dialogar sobre os direitos humanos, os direitos dos trabalhadores e uma série de reivindicações que só era possível com a ajuda da igreja, que dava uma certa proteção, mas não era impune. Em Jandira houve até mesmo um padre que de tão ligado a ditadura chegou a denunciar os missionários como subversivos ao exército. O grupo missionário veio da Bahia, e junto aos homens e mulheres de Jandira come-
A maior parte dos trabalhadores que moravam no bairro Analândia eram do Frigorífico. A 1ª greve em Jandira (1978-79) contou com cerca de 600 pessoas, em um período onde ainda não haviam sindicatos e com muitas demandas latentes dos operários. Assim nascia também a pastoral operária. E das diversas reivindicações populares que iam surgindo na cidade, uma que virou uma grande bandeira também foi a Saúde, devido a falta de saneamento básico.
Iniciou-se uma grande frente pela saúde na cidade, que lutou pelo encanamento de esgoto, pela ampliação e novos postos de saúde na cidade, um dos primeiros conquistados foi o Posto de Saúde do Tereza (até então só havia um único posto na cidade toda onde eventualmente havia vacinação). Maura Soares que também fez parte de todo este movimento nos disse que neste período também foi criado o clube de mães, uma troca de experiência de trabalhos manuais entre outros conhecimentos, que ajudavam as mulheres a reconhecer seu espaço. Ela também ajudou a fundar na época o Conselho Municipal de Saúde. Daí também nasceu o PT, essas lutas populares foram se encontrando em um partido que estava dando visibilidade a pauta dos trabalhadores, unindo cristãos, operários e mulheres, que nos relatam que muitas questões ainda não foram respondidas, algumas até retroagiram ainda e por isso é preciso organizar novos espaços e temáticas de atuação, para garantir a resistência aos retrocessos.
#ALGUÉMDAARTE
MESTRE GAGUINHO A capoeira ou capoeiragem é uma expressão cultural brasileira que mistura arte marcial, esporte, cultura popular e música. Desenvolvida no Brasil por descendentes de escravizados africanos, é caracterizada por golpes e movimentos ágeis e complexos, utilizando primariamente chutes e rasteiras, além de cabeçadas, joelhadas, cotoveladas, acrobacias em solo ou aéreas. Uma característica que distingue a capoeira da maioria das outras artes marciais é a sua musicalidade. Praticantes desta
arte marcial brasileira aprendem não apenas a lutar e a jogar, mas também a tocar os instrumentos típicos e a cantar. Um capoeirista que ignora a musicalidade é considerado incompleto. Marcos Robério de Brito Ferreira ensina capoeira desde 1984 e é pratican-
A Roda de Capoeira foi registrada como bem cultural pelo (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no ano de 2008, com base em inventário realizado nos estados da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro, considerados berços desta expressão cultural. E em novembro de 2014, recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A Roda de Capoeira é uma manifestação cultural afro-brasileira – simultaneamente, uma luta e uma dança –, que pode ser interpretada como uma tradição, um esporte e até mesmo uma arte. A roda de capoeira é um lugar onde o conhecimento e as habilidades são aprendidas por observação e imitação. Também funciona como uma afirmação de respeito mútuo entre comunidades, grupos e indivíduos, além de promover a integração social e preservar a memória da resistência à opressão histórica. 8
te desde 1981, seu estilo é contemporâneo (surgido nos anos 1980 e hoje praticado no mundo inteiro), unificando a capoeira de Angola (conhecida como capoeira mãe, que teve como guardião Mestre Pastinha) e a capoeira regional (criada por Mestre Bimba). Estilo que segue a natureza da própria capoeira, sua performance de reinvenção. Ao longo de 37 anos de capoeira ele conta que teve vários mestre que o influenciaram, iniciando em 1981 com o Mestre Caiçara na Pompéia S.P, Mestre Joel, Lapa- SP, Pradella- SP. E durante 18 anos fez parte do Grupo Candeias de Goiânia, tendo como presidente o Mestre Suíno que o reconheceu Mestre em 2016. Além das experiências, tem como referências grandes mestres,
como: Brasilia, Suassuna, Jaguara, Catitu. Isso porque o mestre é uma figura comum na maioria das manifestações das culturas populares de todo mundo, por ser o guardião da memória, da tradição, dos saberes e fazeres de uma determinada comunidade, sendo por tanto uma grande responsabilidade.
O ESTILO CONTEMPORÂNEO A partir da década de 1970 um estilo misto começou a adquirir notoriedade, com alguns grupos unindo os fatores que consideravam mais importantes da Regional e da Angola. Notadamente mais acrobático, este estilo misto é visto por alguns como a evolução natural da capoeira, por outros como descaracterização ou até mesmo mal-interpretação das tradições capoeirísticas. Com o tempo, toda capoeira que não seguia as linhas da Regional ou da Angola, mesmo as amalgamadas com outras artes marciais, passou a se denominar “Contemporânea”. Hoje o Mestre Gaguinho é mestre da escola CHAMA (Centro de História da Arte Maior) que se organiza na União Pró Jandira há 4 anos, eles promovem encontros nacionais, rodas mensais e intercâmbio musical entre vários estilos. E possuem como missão a formação da criança de hoje em um jovem e adulto consciente do seu papel diante de uma sociedade desigual. Gaguinho também é professor de história e isso o leva a dialogar de uma forma muito intensa com a capoeira, chegou a produzir quatro CD’s com uma rede de professores de capoeira, buscando apresentar a importân-
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cia dessa cultura ancestral, divulgando esta arte à partir de suas cantigas. O último CD tem vários convidados de renome internacional como Mestre Brasilia, Joel e Jaguara. Como professor ele acredita que: “A capoeira é também, fator de conscientização da estrutura política e social do Brasil, pois o jogo da capoeira se traduz através de um “diálogo”, tradição, rituais e seus códigos que estão presentes na cultura brasileira cantos e danças folclóricas. Possíveis de serem compreendidas jogando, ouvindo e estudando, mas poucos conseguem decifrar tantos códigos existentes em nossa cultura”. A capoeira está amparada por diversas leis, como a Lei 12.288/2010, que institui o Estatuto da Igualdade Racial, registrando e protegendo a capoeira, reconhecendo sua prática esportiva e um direito enquanto lazer. (nos termos do art. 217 da Constituição Federal). Ainda temos a Lei 10.639/03, que inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Portanto falta um olhar por parte dos gestores para um plano cultural mais amplo em nosso município.
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#GALERANOCORRE
BRECHÓS DE JANDIRA
A arte de garimpar exige prática, criatividade e ousadia. Fiz um passeio com o Vitor Diórgenes (poeta da nossa 1ª edição de 2018), que além de compositor tem o brechó Boas Novas. Ele já fez alguns editoriais de moda, que vocês podem conhecer na sua página do facebook, que alguns portais que tratam de moda como @BrazilianApparelOG e @StreetwearBr também publicaram, mas essa matéria é especialmente sobre: GARIMPAGEM! O Vitor conta que tem fascínio por coisas antigas, sejam móveis, automóveis, mas principalmente roupas. Foi por isso que iniciou seus projetos com o @brecho_boasnovas: “O brechó é quase uma extensão da minha pessoa. Eu encaro com responsabilidade trazer roupas incríveis recuperadas de lugares inimagináveis, roupas que saíram do túnel do tempo. Eu me envolvo com o brechó, coloco meu amor por história a tona… o corte, o material, as cores e os mínimos detalhes falam muito a respeito de quando e onde cada peça veio, do contexto histórico que elas passaram. Fora isso, encaro com afinco o dever de conscientizar sobre o mais importante: 10
a sustentabilidade”. A cultura do brechó é uma solução ao consumo em excesso, eles são parte da cultura norte-americana e européia há muito tempo, diferentemente do que ocorre no Brasil onde este nicho de mercado recém começa a se desenvolver. O padrão de vida naqueles países, muito ligado ao consumismo, fez surgir uma prática de reaproveitamento de móveis, utensílios, roupas e outros objetos a fim de minimizar o desperdício. Lá, as lojas são frequentadas por estilistas, modelos que ganham roupas após desfiles e famosos e há produtos expostos como se fossem verdadeiras obras de arte. Algo que podemos vivenciar nos barracões das escolas de samba no final do carnaval, conseguindo tecidos, adereços e quem sabe indumentárias, que para um bom costureiro são verdadeiros artigos de luxo, que estavam na passarela do samba. No Brasil observa-se uma rápida evolução dos Brechós não somente em termos de quantidade de lojas, mas devido à qualificação do setor e à melhor aceitação do mercado consumidor quanto a essa alternativa de compras. Temos hoje,
nos principais centros urbanos do país, um considerável número de estabelecimentos que surpreendem em termos de qualidade de produtos, ambientação e atendimento, diversidade que se apresenta em Jandira também. Alguns brechós são voltados a caridade e associados a igrejas, muitas pessoas já incorporaram o hábito de frequentar brechós e vêem nisso uma série de vantagens: preços compensadores, produtos exclusivos com pouco uso ou novos, oportunidade de aquisição de peças de grife renomadas e variedades de estilos, do vintage ao atual. Outro motivo não menos importante é o fator ecológico, pois quando reaproveitamos peças economizamos matéria-prima da natureza. Enfim, sempre vale a pena sair da rotina e conhecer coisas novas. Os Brechós são uma excelente alternativa para essa prática, uma verdadeira terapia que permite brincar com o visual e alegrar a alma de qualquer pessoa. No Brechós encontramos roupas que nossa mãe e avós usavam e que voltaram a moda atual.
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Nós vivemos em um tempo onde tudo o que importa é o agora. A “Fast fashion” não presta, roupas de mão de obra escrava, sem conceito, sem personalidade, sem bons materiais e com pouco tempo de durabilidade. Agora você pode vestir um jeans de verdade, que provavelmente já durou mais de dez anos e você ainda poderá udar por pelo menos mais 10. Com este espírito irreverente dei uma volta com Diórgenes pela cidade e ele me apresentou alguns dos seus bre-
chós preferidos e aqui deixamos uma lista para vocês também visitarem. Achamos alguns novos também, estão todos aqui. Onde é possível encontrar vários com muitas peças, e se você tiver paciência e determinação, achar coisas incríveis, com um custo que vai de R$3,00 à R$15,00. Os horários são flexíveis, mas todos funcionam em horário comercial e principalmente durante a semana. Em todos eles você além de objetos poderá encontrar muitas boas histórias. Se jogue!
QUER CONHECER OS BRECHÓS DE JANDIRA? ACOMPANHE O TRAJETO QUE FIZEMOS PELA CIDADE. 1 - Começamos nosso percurso saindo da estação de Jandira e em menos de cinco minutos já estávamos no “Bazar da Família”, que fica na Av. Conceição Sammartino, 292 Lá encontramos a Dona Gilda que já está há 4 anos no lugar e, já trabalha com brechós e bazar a 30, vende roupas que compra e antes trabalhava em fábrica, acha o brechó uma ótima forma de continuar mantendo a sua renda. 2 - Brechó na Travessa Paulista, s/nº. 3 - Brechó Estrela na R. Antônio Lopes Tempos, 26 4 - Brechopping BJ na R. Maria José, 296 5 - Brechó Donna Chic na R. Imirim, 167 6 - Brechó na R. Tieta do Agreste, 807 *** o Brechó favorito do nosso amigo Diórgenes 7 - Brechó Chiq/k Atelier na R. Odorico Paraguasu, 142 8 - Bazar Desapego das Amigas, Av. Presidente Costa e Silva, 181 - Jd. Sorocabano 9 - R. Maria Tereza, 12 - Jd. Sorocabano
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#PELAPALAVRA
GLEDSTON SERIACOPI
Quem é o Gledston Seriacopi: Gledston é um Empreendedor Criativo, sempre buscando ver onde está a necessidade e tentando achar uma solução. Ele é formado em Tecnologia da Informação, trabalhou mais de 30 anos em multi nacionais e em 2002 abriu a Central Filmes, produtora de conteúdos publicitários e institucionais, se inserindo na área cultural a partir do desenvolvimento de roteiros que visavam qualificar os produtos dos clientes. Em 2014 foi convidado a inscrever um projeto incentivado pela Lei de Fomento a Cultura de Jandira, iniciando de vez sua vida profissional focado em desenvolvimento de projetos culturais, pois o projeto “HQ A História da Cidade de Jandira” foi aprovado.
F.C.: Conte seu primeiro projeto e identidade artística: G.S.: Não tenho uma veia artística, mas como empresário, empreendedor e desenvolvedor de projetos reconheço e busco artistas talentosos e desenvolvo projetos que causam impacto para a sociedade, alimentando o ecossistema da cultura, remunerando artistas e levando projetos criativos para a sociedade. Meu primeiro projeto foi escrever uma história da Cidade de Jandira em quadrinhos (HQ), junto do ilustrador Eduardo Vetillo e tomando como base o único livro que retrata 12
esta história “Jandira memória de uma cidade” de Waldomiro da Silva Prado, junto de informações das pesquisas do historiador Sussumo Harada. Mas até aquele momento não acreditava que o livro pudesse impactar tanto a vida das pessoas. F.C.:Que impacto causou este projeto na sua sua vida e na vida das pessoas? G.S.: Entregar o produto em formato digital, conforme meu compromisso, não foi o suficiente para mim, então me dediquei a procurar parcerias. E consegui sensibilizar alguns parceiros comerciais mostrando a importância da implementação do livro na escola pública, porque eu gostaria que este movimento abrangesse também as escolas particulares, mas somente um colégio infantil na época aderiu, a Escola Abelhinha (hoje fechada). Houve também uma parceria com a CNA que doou bolsas de estudos em Inglês para os alunos das escolas públicas. Desta forma consegui imprimir 12.000 livros e doar para todos alunos, professores e diretoras das escolas públicas municipais. Em 2015 a Secretaria da Educação do Município de Jandira deu aulas de história baseadas no livro em formato HQ organizado por mim, que foi impresso gratuitamente pelo SENAI de Barueri. Dois anos depois junto ao ilustrador Eduardo Vetillo fizemos um workshops de REVISTA FAVO CULTURAL / Nº 02 / ANO 02
ilustração em 14 escolas públicas e as crianças pediram autógrafo, depois de termos sido apresentados como autores do livro, elas começaram a contar a história do livro e isso foi uma grande emoção, meu trabalho tinha alcançado um importante espaço na vida das pessoas, especialmente dos alunos de Jandira. Também participei certa vez de uma intervenção, onde se “esquece” um livro em algum lugar para que outras pessoas possam encontrar novas literaturas e encontrei uma senhora que começou a falar a história da HQ e disse que lia para seu neto, e que também foi através da HQ que teve acesso ao hino municipal pela primeira vez. Este livro foi encaminhado para todos os municípios da região do Consórcio Intermunicipal da Região Oeste, do qual Jandira está inserido, foi para os EUA levado pelo Secretário de Comunicação Walter Martins, foi para o México e para o Japão (para a cidade coirmã: Kameoka) através da igreja Oomoto. Também está na Biblioteca do Maranhão, no Itaú Social e na Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias. Para mim a chama do sucesso não está somente no lucro financeiro, mas principalmente no poder que a cultura tem de transformar vidas. F.C.: Você teve um segundo projeto aprovado no Edital de Fomento a Cultura de Jandira? G.: Sim, foi o livro “Ensinando a Arte de Escrever”, em 2016 para ensinar os jovens a desenvolverem ro-
teiros, escreverem redação e surpreenderem em entrevistas de emprego. F.C.: Continuando os trabalhos, o que faz atualmente? G.S.: Atualmente estou tentando revitalizar a Biblioteca Municipal Dorvalino Abílio Teixeira com o desafio de criar clubes de leitura para adultos as sextas feiras e crianças aos sábados. Além de criar uma revista desenvolvida pelos jovens da ETEC de Jandira. O maior desafio é mostrar o quanto o livro é importante para quem não tem o hábito da leitura e que por isso não sente falta e acaba não ocupando o espaço de leitura da biblioteca. Este é um projeto que realizo junto a outros parceiros e que é o terceiro projeto aprovado pela Lei de Fomento a Cultura de Jandira do qual participo: o “Estruturando clubes de leituras”. F.C.: Como você enxerga a cultura hoje? G.S.: Somente a cultura tem a capacidade de descobrir e despertar talentos e proporcionar resultados intangíveis, pois desperta talentos nos indivíduos, melhora sua autoestima e oferece oportunidades incríveis com crescimento exponencial. Cada real investido em cultura representa seis vezes o benefício social que traz para a comunidade. Portanto governos que cortam verba da cultura estão cientes que estão cortando possibilidades de crescimento intelectual, social e desmoralizando a autoestima de seu povo.
CONHEÇA UM DOS TRABALHOS O Projeto “HQ - A História da Cidade de Jandira” fois realizado no ano de 2014, pela Lei 197012 do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (através da Secretaria da Cultura e do Conselho Municipal de Política Cultural de Jandira), tendo como objetivo criar o primeiro material focado na história da cidade, com uma linguagem apropriada para o público infantil.
POR SÉRGIO DE PAULA / VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMUNA URBANA A ocupação que começou em 2001 no bairro Sagrado Coração, uma transferência da ocupação no KM21, onde as pessoas acabaram sendo desalojadas por conta da construção do rodoanel, foi a origem do que hoje temos no Jardim São João como Comuna Urbana Dom Hélder Câmara. Quando as famílias que vieram de Osasco, mais uma vez se encontravam em um cenário de despejo já na cidade de Jandira, o Padre João Carlos foi o primeiro ente a se aproximar delas, iniciando ali uma preparação para um movimento organizado de luta por condições dignas de moradia daquela população. A CPTM ofereceu dinheiro para que algumas pessoas deixassem a área, mas algumas ainda permanecem no processo de ocupação, ocupando posteriormente o antigo seminário. A partir de lá inicou-se um movimento de conversa com a prefeitura, estado e
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governo federal estabelecendo um compromisso de pagar um aluguel social aos sem teto até que ela achasse um terreno para garantir a moradia daquelas famílias. A primeira morada foi na R. Nicolau Mayevski, ainda em busca do terreno e nas condições do aluguel social. A discussão foi se ampliando com novos grupos que poderiam apoiar desde a compra da terra, como o Ministério das Cidades, mais a Caixa Econômica Federal que financiaria o projeto da construção via mutirão. E essa luta durou também alguns anos, pois encontrar um terreno que comporta-se a todos também não era simples (cerca de 128 famílias). Localizamos então uma área que estava disponível na cidade, onde hoje se estabelece a Comuna Urbana. É preciso dizer que a população do entorno teve muito preconceito com os novos vizinhos, preocupados com o “povo da favela” que
iria morar ao seu lado. Um pouco antes da conquista da compra da terra o MST uniu-se a esse projeto de moradia popular (2005), trazendo estudantes para pensar uma proposta arquitetônica diferenciada, onde não são só casas, existe também um espaço de convivência social, quadra, área verde, espaço para escola e salão comunitário. Os desafios de hoje estão ligados ao processo que vivemos, que é de luta. Primeiro de espera, depois da conquista, depois da compra, da construção e hoje as famílias estão assentadas. Mas a luta não findou, ainda é preciso melhorar aquilo que é nosso, o que também tem muito haver com a realidade social e política local colocadas. Até hoje, por exemplo, as pessoas ainda não tem referência fixa de endereço, por exemplo o correio postal vai para a padaria. A atividade da padaria é um dos nossos melhores pro-
jetos aqui dentro, funciona desde 2017. O Padre João Carlos sempre visualizou práticas mais comunitárias, conseguiu a doação de todo o equipamento da padaria, diminuindo assim muito o custo inicial de investimento. O morador da comuna sente-se mais valorizado em ter comércios próximos e com produtos de qualidade, o espaço também cria mais convivência entre os moradores, além de gerar renda e investimento como contrapartida para os outros projetos sociais da comunidade. Hoje até vendemos para entidades, o preço e qualidade são os melhores e isso garante a continuidade da padaria. Temos também a creche e a escola junto da Cáritas e muitos munícipes têm preferência pelo nosso ensino, achando que o espaço é melhor assistido e bem cuidado. Ficamos muito felizes, porque este também é um dos nossos principais intuitos, uma educação diferenciada.
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