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Revista Cineclube Jece Valadão - Edição 10

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REVISTA ANO IX

NÚMERO 10

ABRIL 2021


anos de

cineclubismo em Cachoeiro de Itapemirim www.facebook.com/cineclubejvaladao www.instagram.com/cineclubejecevaladao www.youtube.com/cineclubejecevaladao www.cineclubejecevaladao.wordpress.com


Revista Cincelube Jece Valadão Crédito: Ceres Canedo/A Itinerante Filmes

Índice

03. Apresentação 04. Tripla jornada 06. Vidas negras importam 07. Arte e questões de gênero 10. Poética da fábrica como 12. Memória processo de montagem

14. Trabalhadores

de outros tempos

16. Escritos operários 18. Forças do feminino no cinema brasileiro 20. Linha do tempo do

Cena do filme “Estado Itinerante”, que serviu de inspiração para a arte de capa

QUINZE ANOS DE CINECLUBE

EDIÇÃO: Lucas Schuina TEXTOS: Jéssica Grillo, Lucas Schuina, Tamiris Marchiori, Victorhugo Amorim, Bárbara Bergamaschi, Duda Kuhnert e Isabel Veiga REVISÃO: Maria Elvira Tavares DIAGRAMAÇÃO: Guilherme Gomes ARTE DE CAPA: Julia Paternostro APOIO: Beto Souza CONTATO: cineclubejecevaladao@hotmail.com IMPRESSÃO: Gracal Gráfica e Editora TIRAGEM: 300 exemplares A produção desta revista, assim como todas as ações do projeto Cinema e Proteção Mútua, contou com recursos do Funcultura, da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo (Secult), por meio do Edital 003/2019 – Cineclubismo.

Cineclube Jece Valadão

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Crédito: Márcia Leal

Integrantes do cineclube em sessão realizada antes da pandemia da Covid-19

Apresentação O

intuito do projeto Cinema e Proteção Mútua, desenvolvido pelo Cineclube Jece Valadão no último ano, foi o de promover sessões cineclubistas que partissem da temática do trabalho para proporcionar um intercâmbio de ideias sobre vários assuntos relacionados – em especial, as ideias de solidariedade social e de empatia com o sofrimento alheio. Foi a nossa forma de valorizar o ideário do Centro Operário e de Proteção Mútua, centenária organização de trabalhadores, cuja história foi tema da edição anterior de nossa revista. Nesse período, os 13 filmes de curta, média e longa-metragem que exibimos proporcionaram bons debates sobre questões como racismo estrutural, espaço feminino na sociedade e arte e liberdade. No meio do caminho, nos permitimos ser afetados por horas e horas de imagem em movimento, e travamos contato com dezenas de

personagens: Raimundo, Marta, Vivi, Cristiano, José Paineiras, Romana, Luz, Jece… Ainda tiramos um tempo para promover um minicurso e estabelecer intercâmbios com outros grupos e organizações. E nos reinventamos. Com exceção da primeira sessão do projeto, realizada pouco antes da pandemia de Covid-19 chegar a Cachoeiro, todas as demais atividades do cineclube nos últimos meses ocorreram exclusivamente pela internet. Um novo contexto que nos manteve afastados, mas que também permitiu que alcançássemos pessoas dos mais diversos cantos do país, alargando a nossa “comunidade sensível”. Esta décima edição da revista do Cineclube Jece Valadão apresenta um pouco do que vivenciamos nesse percurso, o que experienciamos, o que nos moveu. Esperamos que os relatos das nossas vivências sejam significativas para você também.

Equipe Cineclube Jece Valadão 04


Crédito: Divulgação

Performers do filme Kbela, de Yasmin Thayná

Vidas negras importam Uma sessão cineclubista realizada no calor do momento / por Jéssica Grillo

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ra maio de 2020 quando fizemos a sessão online “Vidas Negras Importam”, com dois curtas-metragens. Na época, uma ação policial nos EUA que resultou na morte de George Floyd, um homem negro, fez ecoar o grito “Black Lives Matter”. Foram dias de manifestações em diversos países. Aqui no Brasil, nos perguntamos a cada 23 minutos se as vidas dos nossos jovens negros importam. Rapsódia Para o Homem Negro (Gabriel Martins, 2015, 24 min), logo no início, mostra a violência policial. O filme apresenta uma narrativa que retrata, infelizmente, uma realidade muito conhecida por famílias de jovens negros periféricos. É doloroso ver todo o impacto sofrido por Odé após a morte de seu irmão, uma morte precoce e violenta causada pelo racismo estrutural, capaz de gerar feriadas incuráveis naqueles que ficam.

O diferencial de Rapsódia… é a inclusão, na narrativa social, de imagens e figuras alegóricas que remetem à cultura afro-brasileira. As figuras de Oxóssi e Ogum representam os guerreiros que buscam por justiça em nome dos injustiçados. A cena final do filme tira o espectador do chão, um desfecho que nos revela o quão enraizada está a estrutura de dominação na nossa sociedade. E que mulher preta nunca viveu uma guerra com o seu cabelo, sua cor, sua aparência em geral? Kbela (Yasmin Thayná, 2015, 20 min) é a valorização do feminino negro, sua ancestralidade e potência. Por influência do curta-metragem, eu fiz as pazes

com a minha imagem. Em 2015, mesmo ano do lançamento, resolvi fazer o meu “big chop” - para quem não conhece, é o nome dado ao corte realizado para tirar toda química existente no cabelo. Sou da geração que passou pelo permanente afro, alisamento e novamente outra maneira de “domar” os cabelos crespos. Kbela não é apenas um curta sobre mulheres pretas, como também um curta feito por mulheres pretas. O nosso corpo, a nossa estética, história e ancestralidade, brilhantemente retratados no filme, são política, um regaste daquilo que nos foi negado por tantos séculos.

A sessão “Vida Negras Importam” foi a primeira da história do Cineclube Jece Valadão a ser realizada pela internet. Naquele 11 de maio de 2020, um feriado, nos reunimos pela plataforma myCircle.tv, que permite que várias pessoas assistam a um mesmo vídeo de forma sincronizada e possibilita bate-papo por mensagens de áudio.

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Tripla jornada Debatendo a situação das mulheres no universo do trabalho / por Jéssica Grillo

O

lo 20 com uma temática ainda debatida no século 21. - Estado Itinerante (Ana Carolina Soares, FIC, 2016, 25 min) conta a história de Vivi, mulher periférica, cobradora de ônibus e vítima de violência doméstica. Apesar de essa violência não ficar explícita, o enredo induz nosso imaginário. Com uma pegada “girl power”, a personagem central encontra nas suas companheiras de trabalho a força que precisava para mudar o rumo da sua vida e se libertar desse ciclo de violência. Assim como a sobrecarga no trabalho, a violência doméstica foi outro ponto que cresceu na pandemia. Enquanto nas redes sociais subiam tags como #fiqueemcasa, vimos centenas de mulheres serem violentadas e mortas na “pro-

Crédito: Márcia Leal

ano de 2020 começou com o convite para participar do Cineclube Jece Valadão e, de cara, minha responsabilidade era conduzir a sessão. Em março, poucos dias antes do início da quarentena por conta da pandemia de Covid-19, realizamos aquela que seria a única sessão presencial do ano. Com o tema “Mulheres e trabalho”, exibimos três curtas-metragens nacionais: - Acorda, Raimundo... Acorda! (Alfredo Alves, FIC, 1990, 15 min) aborda o papel da mulher no ambiente doméstico. Com um toque de humor, a narrativa ficcional apresenta o personagem Raimundo desempenhando tarefas até então exercidas exclusiva e exaustivamente

pela sua esposa. As pessoas da plateia, de diferentes idades e gerações, conseguiram identificar no curta histórias vividas dentro de suas famílias – muitas mães, tias e avós exerceram e exercem até hoje, sozinhas, o trabalho doméstico. “O que eles chamam de amor, nós chamamos de trabalho não pago”. Silvia Federici, filósofa italiana, resumiu nessa frase o que representa a atividade doméstica, um trabalho desvalorizado que permite o controle das mulheres. Meses depois, veríamos diversas reportagens a respeito de mulheres sobrecarregadas na pandemia: filhos em aula remota, home office, trabalho doméstico, três trabalhos exercidos diariamente e ao mesmo tempo. Acorda, Raimundo... Acorda!, um curta do sécu-

Participantes debatem em única sessão presencial do projeto “Cinema e Proteção Mútua”

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SESSÃO “MULHERES E TRABALHO” A sessão “Mulheres e trabalho” contou com a participação da União Cachoeirense de Mulheres (UCM), coletivo de Cachoeiro dedicado a pautas feministas. A organização teve início em meados da década de 1990, mas encontrava-se inativa até a sua refundação, em janeiro de 2020. Jéssica (foto), hoje uma integrante do Cineclube Jece Valadão, conduziu o debate como representante da UCM.

Crédito: Márcia Leal

teção” do seu lar. Agressões que ocorriam com “data e hora marcada” passaram a acontecer no dia a dia, no convívio mais intenso. E como sair desse ciclo, assim como Vivi saiu, se o índice de desemprego entre mulheres aumentou drasticamente em 2020? - Por último, fechando o tema “Mulheres e trabalho” temos o curta capixaba Território do Desprazer (Maíra Tristão e Mirela Marin, DOC, 2017, 18 min), um retrato da história de mulheres marcadas pela prostituição. Sem dúvidas, o curta que mais dividiu opiniões entre os espectadores. O que mudaria caso houvesse a regulamentação da prostituição? Os direitos trabalhistas assegurariam que mulheres não fossem violentadas em seu ambiente de trabalho? O turismo sexual envolvendo menores, no litoral brasileiro, seria extinto? Existem camadas muito profundas quando falamos de prostituição, algo que vai além do regulamentar ou criminalizar. Em ambas as opções, nós, mulheres, temos nossos corpos “comprados” por homens que reforçam o seu poder de dominação e opressão.

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Crédito: Arquivo

Diretora Suzana Solberg no set de filmagem

Forças do feminino no cinema brasileiro Minicurso on-line e gratuito foi organizado em parceria com a Cinecluba/RJ /por Bárbara Bergamaschi, Duda Kuhnert e Isabel Veiga

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convite do Cineclube Jece Valadão, a Cinecluba promoveu o minicurso online e gratuito “Forças do feminino no cinema brasileiro” nos dias 22 e 29 de outubro de 2020 além de uma atividade extra que consistiu em exercício prático audiovisual, compartilhado posteriormente em um terceiro

Cerca de 40 pessoas participaram das aulas. Minicurso recebeu inscrições de 21 cidades e 9 estados diferentes. O vídeo que resultou no exercício prático do minicurso pode ser visto no canal do Cineclube Jece Valadão no YouTube.

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encontro entre as/os participantes. As aulas tiveram como ponto de partida a temática do ritual e se basearam em um conjunto de obras dirigidas por cineastas brasileiras, tais como: Maria Luiza Aboim (Creche-lar, 1978), Hele-

na Solberg (A entrevista, 1966), Louise Botkay (Um filme para Ehuana, 2018), Ana Pi (NoirBLUE, 2018), Yasmin Thayná (Fartura, 2019), Grace Passô (Vaga Carne, co-dirigido por Ricardo Alves Jr., 2019), entre outras. Ritual teve, então, um sentido amplia-


Crédito: Divulgação/Embabúba

do: construção do Crédito: Divulgação/Cinecluba comum, momento excepcional ou de ordem cotidiana, gesto que conduz ao encantamento, ou ainda, aquilo que catalisa uma metamorfose. Através dessas muitas ritualísticas materializadas no cinema, os filmes selecionados permitiram repensar os estereótipos comumente atribuResponsáveis pelas atividades do minicurso, Bárbara Bergamaschi, Duda ídos aos corpos e Kuhnert e Isabel Veiga estão entre as fundadoras da Cinecluba, em 2019, subjetividade femino Rio de Janeiro (RJ). Trata-se de uma associação de mulheres que se uniu para projetar filmes e suscitar debates que destacam a força feminininos. na. Elas já realizaram diversas sessões no Centro Municipal Hélio Oiticica. Tal tentativa de desmontar uma ideia estática de feminino norteou também as discussões em torno - cotejando o debate sobre as força sensorial fílmica que nos das formas narrativas presentes formas narrativas com as dife- atravessa, a ponto de alterar nos filmes. O curso perpassou rentes visadas do movimento percepções e maneiras de senos gêneros do documentário feminista, em contextos históri- tir. O cinema nos ensina sobre o pessoal e autobiográfico; os cos distintos. mundo, cabe a nós apreendê-lo filmes de cunho mais etnográSe a história do cinema na- para proliferar a vida. fico (o encontro com aquela cional feito por/com mulheres Agradecemos muitíssimo os de etnia, classe e raça distintas é lacunar e marcada por uma alunos que acompanharam as das diretoras); e também atra- trajetória de apagamentos, o aulas e possibilitaram trocas tão vessou o cinema experimental desejo foi de compartilhar essa especiais. Até breve!

Cena de “Vaga Carne”, de Grace Passô, um dos filmes estudados durante o minicurso

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Crédito: Reprodução

Processo de afinação dos pios

Poética da fábrica A rotina da Fábrica de Pios no curta-metragem Labor /por Tamiris Marchiori

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abor (Thiago Moulin, DOC, 2017, 14 min) aborda o cotidiano da centenária Fábrica de Pios Maurílio Coelho, de Cachoeiro de Itapemirim. É um filme que desperta nossos sentidos ao explorar o interior da fábrica, através de um olhar sensível. As cenas alternam-se entre o íntimo da fabricação dos pios e a natureza ao redor, com destaque para o rio Itapemirim. É como se os espectadores estivessem dentro da fábrica, manuseando os instrumentos, ajustando, criando, afinando os pios, sentindo o cheiro da madeira trabalhada, a brisa que

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passa pelas matas, enxergando in loco as cores em tons terrosos, as luzes quentes. A captação do som nos proporciona ouvir perfeitamente os passos dos funcionários; o manejo das ferramentas e máquinas; o canto dos pássaros; o tom das quedas d’água do Itapemirim. Labor nos revela muito mais do que um processo artesanal, um costume, uma herança. Desvela um ambiente repleto de histórias, tradição, trabalho, cuidado, cultura, fauna e flora, arte, música, resistência, possibilidades. O filme foi exibido no canal do Cineclube Jece Valadão no YouTube, no dia 13 de agosto de 2020. Após a exibição, acon-

teceu um bate-papo sobre o filme com o protagonista, músico e administrador da Fábrica, Fábio Coelho, com mediação dos integrantes do cineclube, Lucas Schuina e Tamiris Marchiori. Buscamos, na conversa com Fábio, enaltecer a Fábrica de Pios como um verdadeiro patrimônio social, enfatizando o seu potencial para a preservação da história e cultura do Espírito Santo, sobretudo de Cachoeiro de Itapemirim. Destacamos o quanto a Fábrica sofre com a falta de incentivos públicos para sua manutenção, e o quanto corre risco de deterioração permanente caso não sejam tomadas medidas


Crédito: Reprodução

Atualmente, a Fábrica de Pios é administrada pelo músico Fábio Coelho, um dos descendentes de Maurílio Coelho

urgentes para a recuperação de seu espaço físico. Vale lembrar que no começo de 2020 a Fábrica foi inundada pela maior enchente da história de Cachoeiro, situação que contribuiu para a danificação do espaço. Além disso, também conversamos sobre as possibilidades

modernas de utilização dos pios. Comparada à sua funcionalidade original – para caça de pássaros galináceos –, hoje, os pios possuem, também, um papel voltado para expressão artística e cultural, já que muitos deles são utilizados como instrumentos musicais e para a observação de

pássaros, com grande importância socioambiental. Através dessa conversa, compreendemos ainda mais o valor inerente da arte, do trabalho artesanal e da cultura como ferramentas essenciais para a preservação e perpetuação das ações humanas e de sua história.

Em 2016, o Cineclube Jece Valadão lançou uma edição especial de sua revista sobre a história da Fábrica de Pios Maurílio Coelho. A versão digital pode ser acessada em issuu.com/cineclubejecevaladao.

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Memória como processo de montagem Histórias (reais e ficcionais) sobre vida em comunidade em dois curtas-metragens /por Victorhugo Amorim

lizou uma sessão online com processo da memória enquandois curtas que traduzem to montagem. Os curtas exiensar a memória como um bem, em sua essência, esse bidos foram Vinillis frutiferis processo de montagem é o ponto de partida para este Crédito: Ratão Diniz texto. Assim como a montagem cinematográfica, a nossa memória realiza, cotidianamente, edição e seleção de imagens vistas e histórias de vidas que são transformadas em lembranças. Essa montagem é interferida pela subjetividade e desejo de cada um. Dessa forma, a memória nunca é a realidade tal qual foi vivida, e sim uma experiência dela. No dia 27 de agosto de 2020, A fantástica árvore de discos de vinil de “Vinillis Frutiferis” o Cineclube Jece Valadão rea-

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Crédito: Ratão Diniz

Youssef Nicolas Nasser, ou “Seu Zé”, conta suas histórias com a ajuda do filho, em “Vinillis Frutiferis”


Em Córrego Grande, 13, monóculo guarda recordações de José da Silva Barbosa e da formação do bairro Vale Encantado, em Vila Velha (ES)

(Victorhugo Amorim, 2015) e Córrego Grande, 13 (Carol Covre, 2015). O filme Córrego Grande, 13 conta a história dos avós da própria realizadora e sua relação com o desenvolvimento do bairro Vale Encantado, de Vila Velha. No documentário, Carol traz à tela um ambiente que lhe é bem familiar, utilizando da câmera com enquadramentos estáticos, se assemelhando a fotografias. O público é convidado a con-

templar as belas imagens do “Bar e Mercearia Silva” e da casa de José da Silva Barbosa e Therezinha de Souza Barbosa - avós da Carol. Os dois entrevistados, no desenrolar do filme, mostram fotografias antigas do bairro e de parentes e amigos. Há ainda aquelas fotos que são vistas pelo aparato do monóculo, que hoje está em desuso. José faz questão de destacar na entrevista o “quarto-museu” onde ele

guarda relíquias - objetos e fotos - com objetivo de transformá-lo em um local público, para que as gerações futuras possam conhecer e não duvidar de coisas que existiam e não existem mais. Aqui vale a nossa interpretação: o desejo de José em criar um museu de relíquias é uma forma dele ter elementos concretos e provas da sua memória e lembrança de vida. Já Vinillis Frutiferis conta a história de um jornalista que vai ao interior do Espírito Santo conhecer a Vinillis frutiferis, uma árvore cujos frutos são discos de vinil, e que precisa que os beija-flores, com seus bicos, toquem a música. Num jogo entre realidade e ficção, descobrimos histórias de moradores que preservam essa espécie. Esse curta foi escrito e dirigido por mim e filmado no interior de Vargem Alta. No meu curta, eu brinco com o fato de misturar a realidade das histórias vividas de pessoas daquela localidade com a fantasia da árvore do vinil. Os atores desse curta interpretam as histórias de vidas deles misturados com essa fantasia. Aqui, fica o meu desejo em mostrar que as nossas lembranças são uma mistura de histórias vividas com histórias inventadas. Tanto os avós de Carol, quanto os personagens-atores do meu curta são pessoas idosas que trazem em suas memórias a história viva de suas comunidades. Essas memórias - sejam elas corporais ou faladas - são de extrema importância para solidificar os laços de proteção mútua, na medida em que representam pontes com o passado e sinalizam caminhos futuros para a continuidade da vida comunitária.

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Crédito: Arquivo/COPM

Jece Valadão durante reunião no Centro Operário, nos anos 70

Trabalhadores de outros tempos Um clássico do cinema brasileiro e um documentário sobre o Centro Operário /por Lucas Schuina

“

Lembro de quando vi esse filme na época da estreia, no antigo Cine Cacique!”. Esse foi o comentário de José Paineiras Filho quando liguei avisando-o que exibiríamos Eles Não Usam Black-tie (Leon Hirszman, FIC, 1981, 120 min), clássico do cinema brasileiro, junto ao documentário Proteção Mútua (2019, 30 min), sobre o Centro Operário e de Proteção Mútua, que o Cineclube Jece Valadão havia finalizado no ano an-

terior. Após a morte repentina de Paineiras, ocorrida alguns meses depois, essa e outras memórias sobre aquela sessão online ganharam um novo peso. Na verdade, não foi uma “sessão” propriamente dita. Os filmes já estavam disponíveis na internet e nós convocamos o público para um bate-papo online no dia 18 de julho de 2020. A ideia era estabelecer uma ponte entre a obra-prima de Hirszman, que levou mais de 1 milhão de espectadores aos cinemas, e a história do Centro

Proteção Mútua está disponível para ser assistido no canal do Cineclube Jece Valadão no YouTube. Você pode conferir a edição especial da revista do cineclube em: issuu.com/cineclubejecevaladao.

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Operário, da forma como nós, do cineclube, conseguimos contá-la. Baseado em uma peça teatral homônima da década de 50, Eles Não Usam Black-tie ecoa o efervescente movimento operário da região do ABC paulista da passagem da década de 70 para a de 80 – e, também, da transição da ditadura para a democracia no Brasil. Longe, porém, de retratar aquele período com fidelidade fotográfica, o filme nos apresenta os dilemas de um personagem “fura-greve”, instigando reflexões sobre o conflito entre anseios individuais, busca por melhores condições de existência e vida em comunidade. Já em Proteção Mútua, os integrantes do cineclube procuraram registrar, da melhor forma


Crédito: Márcia Leal

José Paineiras Filho foi um dos integrantes históricos do COPM falecidos em 2020

não furar uma greve parece estar longe de ser um conflito existencial com ressonância em toda uma comunidade. Durante o debate, uma das participantes nos emocionou, ao falar que aproveitou um intervalo de seu plantão na linha de frente contra a Covid-19, em um hospital do Rio de Janeiro, para se juntar a nós. Ela nos contou um pouco da

sua jornada sem grandes perspectivas em relação a salários em dia e materiais básicos de trabalho. Tudo parece caminhar para a decomposição. Nossa esperança é que as memórias daqueles trabalhadores de outros tempos nos sirvam, ao menos, para que consigamos levar conosco algo de muito terno e valioso para o “novo normal”.

Crédito: Reprodução

possível, parte das memórias do Centro Operário, por meio de depoimentos e do farto material de arquivo que a entidade possuía. Pelas narrativas do documentário, sobressai-se a imagem de uma organização que, ao contrário dos sindicalistas “sem black-tie”, priorizou a resolução de conflitos pela negociação e nem tanto pelo protesto – apesar de Paineiras ter lembrado, durante o debate, que muitas ações de protesto de Cachoeiro, incluindo greves, foram decididas a partir de reuniões de sindicatos realizadas no salão do COPM; ele até comentou, meio brincando, que também havia “pelegos” na sua época de lutas trabalhistas, como o personagem Tião do filme de Leon Hirzsman. É difícil lembrar daquele momento e olhar para esses filmes sem evitar um sentimento de luto. No caso do Centro Operário, as perdas são concretas: de pessoas (José Paineiras, Jucimar Luiz Amaro, Moema Baptista), de materiais, de memória (uma enchente devastou o prédio do COPM, em janeiro de 2020), da possibilidade de novas reuniões (com a pandemia). Expandindo para Eles não Usam Black-tie, a perda, também, parece ser de um certo tipo de sociabilidade: hoje, furar ou

Confronto grevista no filme “Eles Não Usam Black-tie” (1981)

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Crédito: Divulgação/Embabúba Filmes

Escritos operários A história de um trabalhador a partir de seu próprio diário no filme Arábia

/por Lucas Schuina

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rábia (João Dumans e Affonso Uchôa, FIC, 2017, 1h37 min), filme disponibilizado pelo Cineclube Jece Valadão, pela internet, de 15 a 28 de fevereiro de 2021, apresenta a “versão lírica” de um operário. O lirismo, conforme colocado pelo filósofo Emil Cioran em um de seus escritos, representa a necessidade vital de exposição de estados de espírito interiores, uma vontade de objetivação, em

formas expressivas, do conteúdo caótico de nossas agitações íntimas. No caso de Arábia, essa expressão de “agitações íntimas” se dá por meio do diário do personagem Cristiano, um trabalhador da Vila Operária, em Ouro Preto (MG). Após ser hospitalizado, seus escritos são encontrados pelo jovem André, um garoto negligenciado pelos pais que também mora na Vila Operária. O filme, então, nos coloca na posição de André, de especta-

O personagem Cristiano encarando mais um dia na fábrica...

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dores privilegiados das narrativas encontradas no diário. Das histórias de Cristiano surge o retrato de um “homem comum”, como ele mesmo afirma, mas cuja trajetória de constante perambulação, viajando de emprego em emprego e de cidade em cidade, é das mais singulares. É desse contato com as epifanias de um personagem “ordinário” que Arábia extrai sua força. Da discreta trilha sonora às paisagens, das amizades aos amores e desamores, tudo no filme parece transpirar um melancólico encantamento. Cristiano vive num mundo com muitas belezas escondidas e um tanto de tristezas escancaradas, mas que se move o tempo todo, fugidio, sem lhe dar tempo de apreciação. Somente quando ele escreve o diário é que consegue refletir sobre suas andanças. O universo de Cristiano é um universo precário, como precárias são as condições de subsistência. Não estamos, aqui, diante do operário com consciência de classe de Eles Não Usam


O título do filme Arábia se refere a um conto homônimo de James Joyce, incluído em seu livro Dublinenses. A ideia inicial de João Dumans e Affonso Uchôa era fazer uma adaptação livre da narrativa do escritor irlandês. O resultado final do longa-metragem tem apenas alguns pontos de contato, pouco perceptíveis, com o conto que lhe serviu de base.

Black-tie e outras figuras que de um despertar de uma cons- buscarem a transformação – marcaram o cinema moderno ciência que nos provoca em- se assim desejarem e se isso brasileiro, mas de um traba- patia. Cabe aos espectadores se mostrar possível. lhador andarilho, “perdido nos labirintos do capitalismo” (para citar a bela frase de uma participante do nosso debate com Affonso Uchôa, realizado no dia 18 de fevereiro de 2021). Pode até ser que alguns digam que a figura de um operário escritor carece de verossimilhança. O que importa, porém, é que Cristiano é um personagem possível – e quem se contenta com o verossímil acaba por se conformar com os estereótipos de sempre. Em sua abordagem da realidade, Arábia não nos apresenta respostas para os nossos problemas sociais; Apenas nos coloca diante de ... e pegando a estrada para um novo destino uma fagulha de iluminação,

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Crédito: Domínio Público

Close-up em Luz e uma de suas companheiras de trabalho

Arte e questões de gênero Discutindo os legados de Jece Valadão e Luz del Fuego

O

s filmes Divina Luz (Ricardo Sá, DOC, 2017, 15 min) e O Evangelho Segundo Jece Valadão (Joel Pizzini, 2001, 56 min) foram exibidos no canal do Cineclube Jece Valadão no YouTube, em 17 de dezembro de 2020. Os filmes tratam de dois artistas cachoeirenses tido como rebeldes, e cujas trajetórias foram marcadas por questões relacionadas a gênero e sexualidade – ainda que de formas totalmente opostas. JECE VALADÃO O Evangelho Segundo Jece Valadão é uma cinebiografia do maior cafajeste do Brasil e de sua maneira de pensar e fazer cinema. Nele, Jece expõe a origem de sua paixão pelo cinema, que começou ainda em Cachoeiro de Itapemirim, onde, quando jovem, brincava de fazer filme com os negativos que conseguia com um amigo projecionista na cidade. Jece trabalhou com nomes de desta-

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que do cinema nacional, como Glauber Rocha, por exemplo. No documentário, Jece relembra as personagens que interpretou e as histórias por trás delas, entre aprendizados e adversidades. Entre as histórias, recorda a dificuldade para exibição do filme Rio, 40 graus (1955), que só foi autorizado porque a equipe fez campanha

eleitoral para o então candidato à presidência Juscelino Kubitscheck, em 1956. Sobre o mesmo filme, relembra que enquanto atuava em uma determinada cena vendendo amendoins na frente do Estádio do Maracanã, encontrou com alguns cachoeirenses que, desavisados de que Jece estava atuando e preocupados com a sua

Jece Valadão em cena de “O Gigante da América” (1978)

Crédito: Reprodução

/por Tamiris Marchiori


Crédito: Domínio Público

plo. O documentário mostra algumas cenas de Jece na Igreja e conta que, inclusive, quando jovem em Cachoeiro, gostava de participar das missas e ajudar os padres como coroinha. Entre as lembranças sobre suas experiências na Igreja, recorda-se da relação com sua família, sobretudo com sua mãe, que ele descreve como uma matriarca tradicional - e de seu pai, que morreu frustrado por não ter conseguido se converter ao protestantismo. Curiosamente, os filmes em que Jece atuou representavam, de alguma forma, as suas vivências pessoais. Portanto, se quisermos entender um pouco do que foi o homem Jece Valadão, devemos assistirmos seus filmes para compreender seus processos de mutação, de um homem machista a um religioso temeroso. O documentário sobre Jece Valadão não é apenas uma cinebiografia de uma das personalidades mais instigantes e caricatas do Brasil, mas uma produção rica sobre quase seis décadas do cinema nacional. Luz dança com uma de suas cobras, em 1946

suposta situação, ofereceram ajuda ao ator. A confusão gerou mal-entendidos em Cachoeiro, quando os conhecidos de Jece chegaram na cidade com a notícia de que ele estava em dificuldades financeiras. Outro fato contado pelo ator durante as gravações de Rio, 40 graus, envolve questões políticas. Segundo Jece, na época, “todos eram comunistas, menos eu. Eu só queria saber de mulher, dinheiro e whisky”. Na ocasião, Jece diz que foi obrigado a fazer o curso Stálin. Segundo ele, tal curso durou 25 dias e consistia em aulas sobre o marxismo revolucionário. De forma irônica, Jece comenta que saiu do curso “querendo matar tudo quanto é capitalista, um co-

munista completo”, e que em determinada ocasião foi preso por protestar na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. A maioria de seus papeis representava homens machistas. No documentário, Jece admite não mais compactuar com tais ideias e comportamentos, reconhecendo que, mesmo que tenha influenciado outros homens a desenvolverem atitudes machistas, não mais mantinha esses costumes. Outro fato importante de sua vida pessoal refere-se à sua conversão ao protestantismo, aos 65 anos. Jece conta que antes da conversão era ateu, e isto, segundo ele, teria sido o motivo de seu comportamento abusivo com as mulheres, por exem-

LUZ DEL FUEGO Divina Luz, sobre Luz del Fuego, pseudônimo de Dora Vivacqua, também é uma produção biográfica, que apresenta uma verdadeira crítica ao moralismo brasileiro dos anos 1950 e 1960. Porém, não se contenta apenas a um juízo social dos costumes do passado, como também às permanências de tais mazelas, nos dias de hoje. O curta-metragem foi construído através de uma colagem de fotografias e filmagens reais de Luz del Fuego da época em que viveu, das décadas de 1940 a 1960. O filme também conta com dublagem da atriz Letícia Braga, que representa Luz. Entre os vídeos em que Luz aparece, há cenas dela com seus amigos e seguidores nas praias do Rio de Janeiro, completamente nus.

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Através do lema “menos roupa, mais pão”, Luz, fundadora do Partido Naturalista Brasileiro e candidata pelo mesmo, defendia a adoção de um estilo de vida que beirava ao paradisíaco, no melhor sentido de “viver no paraíso”. Paradoxalmente, Luz nada tinha de Eva, pois criticava em demasiado a forma hipócrita de existir da sociedade moralista de sua época. Por óbvio, em vez de Eva, tinha mais similaridades com Lilith, a lendária primeira companheira de Adão, aquela que, representada pela serpente, teria sido a responsável por induzir Eva a comer do fruto proibido. Não por coincidência, escolheu a companhia das cobras para se dedicar em sua carreira como artista e dançarina. Luz acreditava num mundo livre dos padrões impostos ao corpo humano. Para ela, estar nu era estar em contato direto com tudo o que era natural, verdadeiramente puro. Ao con-

trário do que a sociedade de sua época julgava, suas ideias eram mais próximas ao divino do que ao profano. Penso que talvez por isso, por viver sua vida, até o momento de seu assassinato, pregando a liberdade do corpo e da mente, tenha se afastado, de forma brutal, do convívio com os demais. Suas ideias não eram bem vistas, porque não foram compreendidas. Arrisco dizer que não foram compreendidas por não terem sido expostas no tempo certo. Ao mesmo tempo, indago: Em qual tempo, então, faria sentido? Quando as pessoas estariam preparadas? A mim mesma, me respondo: talvez não ontem, nem hoje, muito menos amanhã. Independente da descrença de quem vos escreve, considero a presença de Luz na história como o que seu nome sugere: uma verdadeira alma iluminada. Apesar de não ter sido compreendida no seu tempo (tam-

bém não no nosso), creio que tenha cumprido sua missão terrena de despertar os olhares para uma nova forma de existir, mas que, de fato, ainda não estamos preparados para experimentar. Logo após a sessão dos dois filmes, fizemos um bate-papo com os realizadores, Ricardo Sá e Joel Pizzini, com mediação de Lucas Schuina. Ao desenvolver o bate-papo, a intenção foi a de correlacionar as duas produções. Enquanto Jece vivia em sua vida pessoal e profissional o papel de um homem que desmerecia as mulheres; Luz representava a própria mulher livre, independente. Os dois, portanto, são figuras que nos fazem refletir sobre os papeis de gêneros incumbidos a homens e mulheres em nossa sociedade e, principalmente, em como precisamos desconstruir tais versões se quisermos nos ver livres de limitações sociais e preconceitos. Crédito: Reprodução

Jece contracena com Norma Bengell em “Os Cafajestes” (1962)

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Crédito: Gilberto Affonso

Dedicamos este trabalho aos 114 anos de lutas do Centro Operário e de Proteção Mútua

Membros do Centro Operário em reunião realizada em 2019

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Linha do tempo Cineclube Jece Valadão 2012

2006 es em uma sala Ano de fundação. Realização de sessõ as e atividades da escola Guimarães Rosa e de mostr diversas em outros locais de Cachoeiro.

Lançamento do DVD “Memória “Athayr Cagnin” Viva de Cachoe e da primeira iro edição da revis cineclube (aind ta do a com o nome “Film Noir).

2007/2009 Realização de sessõe s do projeto “Bar, Cinema e Ação”, mostras tem áticas, saraus e par ticipação em eventos, como a II Bienal Rubem Braga.

2013 Sylvan, onde o Inauguração do Centro Cultural Nelson a. instal se cineclube

2014

2010/2011

Cin eclu be pas sa a rea liza r ses sõe s no Stu dio

27 e inic ia cola bor açã o sem ana l com o jorn al Fol ha do Esp írit o San to.

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Realização do projeto “Um Cineclube Modelo”, com série de oficinas sobre cinema e exibição de curtas-metragens de realizadores de Cachoeiro.


2017/2019

documentário Produção e lançamento de revista e ção Mútua. sobre o Centro Operário e de Prote

2015

Lançamento do DVD “Memória Viva de Cachoeiro “Primeiros Encontros”, documentário com registros de eventos e depoimentos de integrante s do cineclube.

2020

2016

Lançam ento de edição especia l da revista do cineclu be sobre a Fábric a de Pios Mauríli o Coelho e comem oração de 10 anos da organiz ação.

Realiz ação do proje to “Cine ma e Prote ção Mútua ” e início das sessõ es pela inter net, com a eclos ão da pande mia de Covid -19

2021 Cineclube Jece Valadão completa 15 anos de existência com diversos projetos.

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Realizado com o recurso do Secretaria de Estado da Cultura


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