PUBLI-REPORTAGEM - GATENGEL
revista técnico-profissional
o electricista
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Tiago Côrte-Real
GATENGEL
{“O PROJECTO BEM FEITO É UM EXCELENTE GUIA PARA A OBRA”}
“o electricista” esteve à conversa com Fernando Ferreira, sócio-gerente e principal responsável da empresa Gatengel - Projectos de Engenharia, Lda. Pretendeu-se com esta entrevista conhecer um pouco mais a fundo a empresa e a sua área de negócio, assim como o modo como estão a lidar com as recentes evoluções legislativas. APRESENTAÇÃO DA GATENGEL Começamos com uma breve apresentação da empresa. A Gatengel - Projectos de Engenharia, Lda. é uma empresa de serviços, que realiza trabalhos de consultoria e projecto, nas áreas das instalações eléctricas, de telecomunicações e informática e de segurança contra incêndios e contra intrusão. Entre as obras de referência realizadas, podem referir-se, por exemplo, os projectos da Directoria do Porto da Polícia Judiciária, das novas instalações da Universidade Portucalense, da Faculdade de Psicologia e Ciências Sociais da Universidade de Coimbra e a remodelação e ampliação do Hotel Tivoli Porto. A empresa foi fundada pelo Professor Doutor Manuel Jazelino Vieira da Costa, sogro de Fernando Ferreira, infelizmente recentemente desaparecido. Durante os tempos em que leccionou na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto "houve toda uma geração de engenheiros que lhe passaram pelas mãos". A figura do fundador acarreta um prestígio tal que Fernando Ferreira não hesita em apontá-lo como uma das razões principais pelo crescimento da Gatengel, "aproveitamos muito o facto do meu sogro ter sido um pioneiro no campo dos projectos de instalações eléctricas e beneficiamos todos muitíssimo com os seus conhecimentos e ensinamentos".
A empresa foi criada em 1986, há já 20 anos, mas Fernando Ferreira só apareceu no início dos anos 90, "foi a altura em que a empresa deixou de ser algo que se fazia nas horas vagas para passar a ser algo totalmente profissional, a partir daí, crescemos, admitimos mais pessoas e conseguimos criar um gabinete bem estruturado. Infelizmente, no ano em que comemoramos 20 anos de vida, tivemos em simultâneo a enorme perda do desaparecimento do meu sogro. Vamos naturalmente prosseguir, mas a perda é irreparável, não só, em termos humanos, mas também profissionais". Acerca da pluralidade do negócio da GATENGEL, destaca que a empresa, apesar de mais orientada para a área do projecto, possui ainda outros componentes de negócio. Uma delas é o trabalho de desenho assistido por computador, nomeadamente a digitalização e vectorização de todo o tipo de desenhos. "Em 1993 criámos uma empresa, a DACOMP - Desenho Assistido por Computador, Lda, com os mesmos sócios, de forma a preencher uma lacuna que era a frequente inexistência de desenhos em formato informático. Nós pretendíamos trabalhar em Autocad mas aquilo que nos davam eram desenhos em papel". A DACOMP foi recentemente adquirida pela Gatengel e acrescenta uma nova área de negócio à empresa.
CONHECER O MERCADO Entrando agora no tema do relacionamento entre os gabinetes de projecto e os fornecedores de equipamentos, Fernando Ferreira refere a importância para um gabinete de projecto, de conhecer aquilo que o mercado tem para oferecer, "é muito importante para um gabinete de projecto saber o que existe no mercado e quanto custa". Apesar disso defende que a relação com os fornecedores deve ser pautada pela moderação pois deve haver total liberdade de escolha, não estando a solução dependente de qualquer fornecedor. É preciso procurar a melhor solução técnico-económica para o dono de obra. "A relação entre a Gatengel e os fornecedores é muito franca e aberta, mas temos de manter a mais completa independência, para podermos analisar convenientemente as vertentes técnica e económica, na procura da melhor solução para o caso concreto que temos em estudo".
"TEMOS DE SER NÓS A MANDAR NA INSTALAÇÃO, E NÃO A INSTALAÇÃO A MANDAR EM NÓS" As preocupações com a gestão de energia são abordadas seguidamente por Fernando Ferreira. Estas preocupações dizem respeito a áreas como os sistemas de climatização e
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muito bom". Apesar de todos os defeitos que o sistema possa ter, "deve-se valorizar o facto de existir um critério bem definido, isto é todos os projectos são avaliados da mesma forma, segundo as mesmas regras". Ainda acerca da Certiel, "não vejo inconveniente nenhum na existência de uma entidade que faça uma listagem do que não está a ser cumprido no projecto e que obrigue a que sejam rectificados os incumprimentos. O importante é que haja abertura do colega que analisa o projecto para estabelecer um diálogo construtivo com o projectista. O objectivo comum é melhorar o projecto, cumprindo todas as normas de segurança em vigor, com algum bom senso, para as situações novas ou não completamente previstas nos regulamentos."
"ACTUALIZAÇÃO DOS REGULAMENTOS É FUNDAMENTAL" Relativamente à entrada em vigor do manual ITED, Fernando Ferreira considera esta actualização como fundamental pois "a legislação anterior estava muito vocacionada para as redes de telecomunicações com separação de voz e dados. Já com o RITA, fazíamos adaptações, de modo a poder preparar a instalação para aquilo que sabíamos que iriam ser as necessidades futuras do dono de obra". Quanto às novas Regras Técnicas para Instalações Eléctricas de Baixa Tensão, "apesar de ainda não estar totalmente familiarizado com o documento, defendo a actualização do regulamento pois este já tinha muitas disposições que não se adaptavam aos nossos dias, uma vez que data de 1974". Relativamente às possíveis omissões no regulamento aquelas são desvalorizadas, "elas não são um factor de preocupação, desde que haja abertura para diálogo de ambas as partes consegue-se esclarecer tudo com relativa facilidade, já que quer projectistas quer os técnicos que estão a analisar os projectos são colegas com a mesma formação e com os mesmos objectivos melhorar o projecto, para que a obra seja também melhor e mais segura." O novo regulamento de incêndios é neste momento uma preocupação futura para os
gabinetes de projecto. A Gatengel, no entanto, já aposta forte nesta área, há vários anos, possuindo técnicos que nela trabalham em exclusivo. Fernando Ferreira afirma ser "muito importante para um gabinete de projecto ter um bom conhecimento desta área, para poder aconselhar o arquitecto a ter em conta factores que têm implicações directas na arquitectura do edifício e que devem ser pensados e tidos em consideração desde o início do projecto".
"O ESTADO DEVE PROMOVER A ECONOMIA” Actualmente a economia em Portugal está a passar por um período complicado. Procurando ultrapassar as dificuldades do mercado a Gatengel tem formado parcerias com vários outros gabinetes de projecto, "neste caso o nosso cliente final passa a ser um outro gabinete. Trabalhamos como sub-contratados sendo o outro gabinete o responsável perante o cliente final. Julgo que a qualidade do nosso trabalho dá garantias a esses gabinetes de poderem, sem qualquer receio, entregarem-nos os projectos de algumas das especialidades". Fernando Ferreira reconhece que nesta altura "é mais simples para o arquitecto trabalhar com um gabinete, que se responsabilize pela elaboração de todos os projectos de engenharia, em vez de ter de coordenar, ele próprio, uma equipa multidisciplinar, frequentemente com poucas ou nenhumas afinidades entre si." As intervenções recentes do Estado na economia são recebidas com alguma crítica, "o Estado deve promover a economia, nunca tentando resolver os problemas através de uma diminuição do investimento. Deve-se sim tentar diminuir os custos e aumentar a rentabilidade, mas nunca através da diminuição do investimento. Para relançar a economia e a confiança dos parceiros económicos, o Estado deve dar o exemplo, investindo, lançando concursos e obras." Um dos exemplos mais infelizes da forma como os Organismos Públicos têm lidado com a área do projecto é, na visão de Fernando Ferreira, a proliferação de con-
cursos de concepção-construção. "Nestes concursos, concorrem dezenas de equipas de projectistas, para se vir a seleccionar uma única equipa, pelo que todo o trabalho desenvolvido pelas outras equipas se perde de forma completamente inglória". As horas perdidas com este tipo de trabalho, sistematicamente não remunerado, são bastante elevadas, o que pode ser muito prejudicial para gabinetes mais pequenos. "Não ganham nem os gabinetes, que têm de apresentar projectos quase completos e perdem muito tempo de trabalho que não obterá qualquer retorno, nem ganham os donos de obra, que não conseguem comparar soluções que são necessariamente completamente diferentes, e por isso correm o risco de escolherem uma proposta mais atractiva em termos de custos mas com menor qualidade e com consequências futuras desastrosas na obra".
PERSPECTIVAS DE FUTURO Quanto a perspectivas de futuro para a Gatengel, Fernando Ferreira perspectiva que a aposta se deve centrar na qualidade, uma vez que num mercado cada vez mais competitivo, a afirmação, pela positiva, será feita mais cedo ou mesmo tarde, premiando os que estão nesta área de negócio de forma profissional e com objectivos claros de procurar fazer sempre mais e melhor. "Os donos de obra acabarão por valorizar um projecto bem feito, que pode ser implementado em obra, em que se estudaram as melhores soluções técnicoeconómicas, uma vez que isso lhe vai garantir uma obra melhor, mais de acordo com as suas necessidades e sem custos adicionais."
para mais informações: GATENGEL - PROJECTOS DE ENGENHARIA, LDA. Tel. +351 228 329 452 | Fax +351 228 301 717 gatengel@gatengel.pt | www.gatengel.pt