58
reportagem
“focamo-nos em duas vertentes: sustentabilidade e conetividade”
Texto e fotos por André Mendes
A Schneider Electric promoveu durante o mês de março três sessões técnicas “Next Generation MasterPact” dedicadas ao MasterPact MTZ, o novo disjuntor conetado e preparado para o futuro. Com paragens em Lisboa (Auditório do Alto dos Moinhos), Porto (na Fundação Dr. António Cupertino Miranda) e Coimbra (Ordem dos Engenheiros), as sessões técnicas contaram com a presença de cerca de 180 participantes entre engenheiros projetistas e responsáveis técnicos/ manutenção de clientes finais da Schneider Electric. As sessões técnicas “Next Generation MasterPact” iniciaram com uma apresentação inicial sobre inovação digitalização e uma componente prática sobre integração em Smart Panel. A conduzir as sessões estiveram
Rui Queiroga, Vice-Presidente de Building, Carlos Duarte, Engineering Offices Manager e Catarina Sepúlveda, Masterpact Product Manager, todos da Schneider Electric Portugal.
DISJUNTOR CONETADO MASTERPACT MTZ O Masterpact MTZ é uma nova geração de disjuntores que faz parte integrante da oferta EcoStruxure Power, uma arquitetura aberta e segura que redefine a distribuição de energia e a leva para a era da “Internet das Coisas” (IoT). Esta solução torna a distribuição elétrica mais eficiente, otimiza a gestão dos ativos e acelera a transformação digital. O EcoStruxure tira partido da experiência com a integração entre IT/OT e torna as operações dos clientes mais inteligentes, mais eficientes e mais produtivas. Com o Masterpact MTZ, a Schneider Electric acaba de lançar para o mercado um disjuntor inteligente com precisão de Classe 1, integrado numa geração de disjuntores de Baixa Tensão e alta potência. Com a preocupação centrada numa resposta eficiente às necessidades dos clientes, o Masterpact MTZ inclui: uma nova central de medida de Classe 1 embebida que
poupa tempo e espaço no quadro elétrico.; desempenho mecânico e elétrico melhorado, mesmo em ambientes hostis; capacidade de monitorizar e controlar o disjuntor em segurança, através de um smartphone, assim como na principal Interface de Controlo Humano (Human Machine Interface - HMI) da micrologic, mesmo em situações de corte de energia; ser notificado de qualquer evento e prevenir sobrecargas através de capacidades de monitorização remota em tempo real; capacidade de personalizar o disjuntor com módulos digitais para uma flexibilidade superior e uma eficiência operacional sem tempo de inatividade; integração fácil do Masterpact em Smart Panels graças à conexão de Ethernet integrada; a nova funcionalidade, a configuração dupla, que inclui dois parâmetros de configurações para proteções LI, LSI e LSIG; a mesma pegada que permite atualizações e substituições mais fáceis, sem necessidade de recertificação.
MASTERPACT MTZ APRESENTA-SE COM SELO DE SUSTENTABILIDADE A Schneider Electric apresenta-se não apenas como um mero fabricante de equipamentos, mas principalmente como uma empresa comprometida com a vertente ecológica e sustentável do planeta. Como resultado desta aposta e deste novo paradigma surgiu um novo produto, o Masterpact MTZ, que assenta a sua criação numa componente de inovação a pensar nas necessidades dos clientes, mas também do meio-ambiente. A revista “o electricista” esteve presente na sessão técnica “Next Generation MasterPact” na cidade do Porto e, junto de Rui Queiroga e Catarina Sepúlveda, conheceu o trabalho de I&D desenvolvido pela Schneider Electric, nomeadamente neste novo produto apresentado ao mercado. revista “o electricista” (oe): Qual a importância da área de Building no panorama da Schneider Electric em Portugal e a nível internacional? Rui Queiroga (RQ): A área de Building dentro da Schneider, quer a nível nacional, quer a nível mundial, é a área principal. Temos quatro
www.oelectricista.pt o electricista 63
reportagem OPEX, e menos de aquilo que é o investimento só com o CAPEX. O cliente preocupa-se mais com o custo de operação, do que propriamente com o quanto custa fazer a instalação. Nesta ótica, a área de serviços de valor acrescentado para os clientes é uma preocupação da Schneider Electric e do mundo atual, e é efetivamente uma área extraordinariamente relevante para o desenvolvimento do futuro.
áreas de atividade centrais, Edifícios - Building (distribuição elétrica de Baixa Tensão) a área de Energia, de IT e a área de Indústria. oe: A preocupação com a eficiência energética é preponderante para a Schneider Electric? RQ: A eficiência energética é para nós algo com uma grande importância em todas as áreas de atividade, faz parte da nossa forma de estar no que respeita à nossa sustentabilidade. Todos os produtos que atualmente concebemos têm a label de Green, incluindo a nossa Masterpact. A nossa sustentabilidade energética contribui para aquilo que é a sustentabilidade no mundo, nas nossas fábricas evidentemente, e também naquilo que são as nossas soluções, quer em arquiteturas quer em produtos que contribuem para a eficiência energética. Se pensarmos que o consumo energético vai duplicar até 2040, vamos ter que contribuir com uma redução das emissões de carbono de forma a sermos mais eficientes em termos globais no mundo, por forma a sermos três vezes mais eficientes. Eficiência, sem dúvida, deve ser eficiência energética, mas também aliada à eficiência produtiva, aquilo que são as nossas arquiteturas, o que é o nosso ambiente do Ecostruxure, uma arquitetura que nos permite fazer mais com menos. Produzir mais, com mais eficiência, reduzindo os recursos.
assistir, entre o domínio do “chão de fábrica”, dos produtos conetáveis, passando pela parte da camada de controlo e depois na parte analítica e de serviços, e de uma forma integrada faz uma convergência daquilo que é o OT e o IT. Aliás apelida-se muitas vezes de IoT (Internet das Coisas) ou Indústria 4.0. No conceito Ecostruxure, a nossa proposta valor para o cliente final é uma solução e uma arquitetura integrada, que permita comunicar e comandar, desde aquilo que é o produto de base até ao que é a camada analítica, e que permita também prestar serviços de valor acrescentado que posteriormente serão declinados em termos operacionais, retornado à aplicação e ao campo. oe: A Scheider procura cada vez mais oferecer não apenas produtos, mas também serviços aos seus clientes? RQ: Eu diria que sim, aliás se olharmos numa ótica do cliente final, assistimos a uma real preocupação daquilo que é o CAPEX e o
oe: Ter atualmente clientes que são nativos digitais é um desafio para a Schneider Electric? RQ: Seguramente. Os nativos digitais criam-nos uma visão de oportunidade muito interessante. Ser um nativo digital não diz respeito apenas à idade, está relacionado com o comportamento. Mais do que uma questão geracional é uma questão comportamental. Esta transformação digital está atualmente relacionada com três paradigmas: o que fazemos, como fazemos e também aquilo que somos. oe: Em que consiste a gama Masterpact? Catarina Sepúlveda (CS): É um disjuntor de alto calibre, ou seja, vai desde 800 A a 6300 A, normalmente à cabeça da instalação, e posiciona-se na base que o Rui Queiroga mencionou, o Ecostruxure, como a primeira camada de produto conetável. Este produto Masterpact tem uma parte de conexão muito facilitada, com arquiteturas já desenvolvidas, já validadas e compreensão facilitada mesmo para o cliente final, porque passamos a ter uma aplicação em que podemos visualizar toda a informação da instalação num smartphone. Falamos neste caso na última versão do produto, a NTZ. Passamos a ter Classe 1 de medida, passamos a ter precisão de 1%, quer seja em corrente de tensão e energia, o que faz com que tenhamos uma precisão muito maior nos dados que posteriormente são monitorizados
oe: Em que consiste a arquitetura Ecostruxure? RQ: O Ecostruxure é uma arquitetura global integrada que está aplicada nas quatro grandes áreas de mercado nas quais atuamos, e em seis domínios de atividade (Ecostruxure Building, Power, IT, Machine, Plant e Grid), O Ecostruxure corresponde a uma convergência que atualmente existe nesta cadeia de transformação digital que estamos a www.oelectricista.pt o electricista 63
59
60
reportagem a poder abranger os diferentes níveis de tensão que atualmente se utilizam, com uma só referência e com baixos consumos. Conta com duas caraterísticas importantes que posso revelar, a possibilidade de ser utilizado em diferentes aplicações e também com esta componente da sustentabilidade. Focamo-nos em duas vertentes: sustentabilidade e conetividade. O Masterpact e o Powertag são exemplo disso mesmo. O Powertag, por exemplo, é um equipamento que se coloca por cima do disjuntor modular, que se faz a inserção, e que permite a uma instalação já existente poder recolher as medidas de grandezas, correntes, tensões, fatores de potência, conetá-lo através da rede e, na palma da minha mão, ser capaz de medir, analisar e monitorizar a minha instalação.
por forma a obter uma maior eficiência e permitir fazer alterações na instalação se for necessário. As principais aplicações do Masterpact MTZ são sobretudo em edifícios, em equipamentos de maior calibre. É um produto completamente inovador que trás todas as mais-valias que tínhamos anteriormente e outras mais criadas agora com este novo produto. oe: Porque houve uma necessidade de incluir o smartphone como elemento complementar deste produto? CS: Serviu, acima de tudo, para disponibilizar toda a informação na palma da nossa mão. Muitas vezes nos quadros elétricos o aparelho está em locais de difícil acesso e assim, com o smartphone, podemos visualizar toda a instalação. oe: Estes upgrades têm efeitos na manutenção preventiva? CS: Os nossos módulos digitais, o que conseguimos ver no equipamento, estão completamente separados da parte da proteção. Temos que pensar sempre que não deixa de ser um disjuntor e garantir a proteção da instalação, e estando ele separado, toda a manutenção que se possa fazer está completamente separada, o que faz com que possamos fazer todas as alterações sem prejudicar a instalação, sem ter que desligar o disjuntor. É possível assim fazer a manutenção preventiva com a instalação em funcionamento, o que proporciona uma maior taxa de serviço. oe: No que respeita ao desenvolvimento de produtos, qual é o trabalho que está a ser desenvolvido e quais os próximos projetos? CS: Apostamos sobretudo em partes que já tínhamos do Mastepact NT e NW, em relação às tomadas, aos tamanhos, utilizamos tudo o que já foi concebido e produzido www.oelectricista.pt o electricista 63
anteriormente e melhoramos, desde as câmaras de corte que foram melhoradas até mesmo às fichas internas, melhoramos todo este processo de maneira a termos um resultado melhor e com mais capacidade. RQ: Além do Masterpact, em termos de soluções, nesta grande tendência da conetividade – recolher, transportar e transformar dados em informação – os produtos que estamos atualmente a desenvolver encontram-se com esta grande capacidade de estarem habilitados a ser conetados. Além disso existe uma facilidade de ligação à cloud, desde o simples contator até aos dias de hoje estamos a apostar na conetividade, no user friendly. Um exemplo disso mesmo é o Contator Green que vamos brevemente lançar. É um contator que se vai centrar nesta área e nesta componente da sustentabilidade. O Contator Green é um contator que está orientado
oe: Olhando para o futuro, quais são os projetos e as expectativas em produtos e tecnologias para a Scheider Electric Portugal? RQ: Dentro desta transformação em que vivemos, queremos poder trazer aos clientes um aumento da sua capacidade de exploração, mas também aquilo que são os benefícios junto dos seus próprios clientes. Devemos pensar que os nossos clientes também têm os seus próprios clientes. Sustentabilidade, eficiência e preço, estes são os grandes pilares que temos. Este produto que apresentamos é muito relevante a nível eletromecânico e passa agora a ter esta grande componente digital que o transporta para um nível de funcionalidade completamente diferente daquilo que existe atualmente no mercado. A Schneider investe 5% das suas receitas em I&D, e este foi claramente um dos produtos que foi resultado dos muitos anos de experiência que temos, tem a sua origem há 30 anos.