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Cada um conta de um jeito - Aline Maciel

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Aline Maciel

2a edição

Florianópolis-SC Cia Mafagafos 2019

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Texto © Aline Maciel Ilustração © Luciana Bicalho Cada um conta de um jeito, © Aline Maciel, 2012 Capa, projeto gráfico e editoração: Luciana Bicalho Revisão: Sig Schaitel

2a edição, 2019 Impresso no Brasil

869.301 M151c

Cada um conta de um jeito / Aline Maciel ; Ilustrações de Luciana Bicalho. 2. ed. Florianópolis, SC : Cia Mafagafos, 2019. 84 p. ; il. color. ISBN – 978-85-66395-02-0 1. Literatura brasileira – contos. 2. Narrativa. I. Título.

Bibliotecário Evandro Jair Duarte – CRB 14/1145.

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O mundo não foi feito em alfabeto. Senão que primeiro em água e luz. Depois árvore. Depois lagartixas. Manoel de Barros

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Prefácio da segunda edição ........................................... 07 Sobre o livro ........................................................... 09 Capítulo 1 – Técnicas para contar histórias ........................ 11 Contação de Histórias: uma introdução ............................. 12 Texto e Performance .................................................. 14 Capítulo 2 – O Herói Bobo ........................................... Apresentação ........................................................... A História do Zé Bocoió ............................................... Sugestões para contar .................................................

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Capítulo 3 – Conto de Encantamento ............................... Apresentação ........................................................... A Sorte de João Gurumete ............................................. Sugestões para contar .................................................

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Capítulo 4 – Facécia .................................................. Apresentação ........................................................... O Marido Preguiçoso ................................................... Sugestões para contar ................................................

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Capítulo 5 – Conto Acumulativo .................................... Apresentação ........................................................... O Menino e a Coca ..................................................... Sugestões para contar .................................................

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Capítulo 6 – Conto Etiológico ....................................... Apresentação ........................................................... A Tal Fruta Amarela ................................................... Sugestões para contar .................................................

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Capítulo 7 – Repertório de histórias e sugestões de leitura ..... 77 Livros sobre contação de histórias ................................... 79 Coletâneas de contos e recontos populares ......................... 80

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Prefácio da Segunda Edição A primeira edição deste livro foi publicada no ano de 2012, fruto de um Edital no qual fomos premiados. Na ocasião, foram impressos um mil exemplares – a maior parte distribuída para Escolas Públicas, Creches, Bibliotecas, Associações Culturais e Pontos de Cultura da cidade de Florianópolis. Depois de esgotada a primeira edição, com o passar do tempo, muitas pessoas continuaram a se interessar pela publicação. Decidimos republicar o livro e aproveitar esta segunda edição para fazer uma revisão geral e realizar alguns pequenos acréscimos ou atualizações. A estrutura do livro se manteve a mesma: um capítulo introdutório, cinco capítulos com histórias e preparação, e o último capítulo com sugestões de repertório e leituras. O conteúdo, em grande medida, também se manteve, com pequenos ajustes no sentido de dar mais clareza e objetividade ao texto. O primeiro capítulo, “Técnicas para contar histórias”, foi o que mais sofreu modificações. Foi reestruturado e agora apresenta uma abordagem das técnicas de contação de histórias com focos distintos entre texto e performance. Acreditamos que dessa maneira as técnicas puderam ser exploradas com mais detalhes. Além disso, se destaca a importância desses dois aspectos igualmente relevantes no preparo do narrador.

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Sobre o livro Este livro pode servir como um pequeno manual para o contador de histórias iniciante, ou como fonte de inspiração e reflexão para os mais experientes. Trata-se de um livro objetivo e prático que, através de exemplos, busca retratar os processos de preparação de contos populares, a partir do seu registro escrito, para a performance narrativa. Em outras palavras, mostra como preparar um texto para a contação. Esperamos também que ele possa estimular a imaginação e indicar novas possibilidades aos inúmeros educadores em seu trabalho com as histórias nas salas de aula e bibliotecas escolares. O primeiro capítulo apresenta uma breve contextualização das histórias da tradição oral, fala sobre o papel do contador na atualidade e sobre o espaço da contação de histórias nas escolas enquanto atividade lúdica e de incentivo à leitura. Além disso, apresenta algumas técnicas para contar, enfatizando o preparo do texto e a performance do contador. Nos capítulos seguintes são apresentados cinco contos, adaptados e modificados pela autora para sua contação. Acompanha uma breve apresentação do conto, suas características estruturais e estilísticas, bem como indicação de versões e da fonte. No último capítulo estão

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Capítulo 1 Técnicas para contar histórias

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Evite se posicionar de costas para a porta de entrada ou para um lugar onde pessoas transitam. Se alguém entrar ou passar por você enquanto estiver contando uma história, o público irá desviar o olhar, perder o foco e a concentração e você será pego de surpresa, correndo o risco também se perder na narrativa. Sempre que possível, procure se posicionar de costas para um fundo neutro ou com poucas informações para não desviar a atenção do público. Em ambientes ao ar livre, o melhor é criar um espaço onde todos se sintam confortáveis. E esteja ciente de que podem ocorrer diversas interferências que roubarão a atenção do público, como uma borboleta que passa voando, os barulhos da rua, o vento etc. Observe onde está o sol e se ele não irá atrapalhar o público ou você no momento da contação. Em ambientes abertos, além de todos os ruídos, você não contará com a acústica de um teatro ou de uma sala fechada. Por isso, se nessas condições você achar que o público pode ter dificuldade em ouvir, utilize equipamento para amplificar o som, como um microfone. Evite microfones de mão, pois eles impedem que você gesticule com naturalidade. Prefira os de cabeça (headset) ou de lapela. E teste o microfone antes de iniciar a contação. Se você vai contar em um teatro ou auditório, procure saber a quantidade de pessoas que irão assistir a contação e se o ambiente possui uma boa acústica. Se o público for grande, é provável que você também precise utilizar amplificação de som. Se houver necessidade de iluminação, converse antes com o responsável do local sobre as opções. Uma dica é utilizar apenas uma iluminação geral, sem muitas cores, e deixar a luz da plateia acesa. Assim, você consegue se comunicar com o público, olhando nos olhos, sem que a iluminação atrapalhe sua performance. Lembrese de testar o som e a luz antes do público entrar no espaço. De maneira geral, tenha sempre em mente que o momento da contação deve ser agradável e confortável para todos, inclusive para você.

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E quando a história acaba? Há diversas maneiras de se terminar um conto. Muitos contadores optam por utilizar uma quadra popular ou uma rima no final da história, por exemplo “entrou por uma porta, saiu pela outra, quem quiser que conte outra”, ou “colorim colorado, este conto está terminado”, entre outras. Ao terminar a história ou apresentação, pode-se optar por mostrar para o público de onde vieram as histórias, falando sobre o livro e sobre o autor. Essa é uma prática que pode despertar o interesse do público pelo livro e pela leitura. O que se deve evitar é falar muito sobre a história no final. Assim como acontece com uma piada, se a história foi bem contada, não há a necessidade de explicações.

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CapĂ­tulo 3 Conto do Encantamento A sorte de JoĂŁo Gurumete

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Apresentação Os contos de encantamento (também chamados de contos de fadas ou contos maravilhosos) são histórias populares que geralmente retratam a saga de um herói que enfrenta diversas dificuldades até sair vencedor. Uma característica importante dessas histórias é a presença de seres encantados, gigantes, anões, fadas e bruxas, bem como reis, rainhas, príncipes, princesas, castelos e florestas. Nelly Novaes Coelho, em seu livro A Literatura Infantil, relaciona alguns elementos presentes na estrutura dos contos de encantamento, como a onipresença da metamorfose (quando algum personagem é transformado em animal, por exemplo), o uso de talismãs (objetos ou seres que alteram a sorte do herói), a força do destino (fatalidades que acontecem na trajetória do herói), o desafio do mistério ou do interdito (geralmente impostos por reis para que o herói se esforce de todas as maneiras para conseguir, por exemplo, a mão da filha em casamento), entre outros. Alguns contos de encantamento são: “Os Compadres Corcundas”, “O Compadre Rico e Compadre Pobre”, “A Menina e o Velho do Surrão”, “O Homem que tentou enganar a Morte”, e o próprio “A Sorte de João Gurumete”.

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A história apresentada neste livro foi adaptada da versão publicada por Henriqueta Lisboa, no livro Literatura oral para a infância e a juventude: lendas, contos e fábulas populares do Brasil (Editora Peirópolis, 2002), intitulada “João Gurumete”. Há diversas versões deste conto, uma delas recolhida e publicada pelos Irmãos Grimm, com o título “O Alfaiatezinho Valente”, em Contos para a infância e para o lar. O conto também é encontrado com o título “João-Mata-Sete”.

A sorte de João Gurumete Há muitos anos, em um reino muito distante, vivia João Gurumete, um sapateiro que consertava botas, sandálias e todo tipo de sapato como ninguém. Trabalhava todos os dias e adorava seu ofício. Acontece que todos os moradores da região caçoavam de João Gurumete, pois ele era muito tolo e só pensava em sapatos. Só entendia de sapatos. Consertar sapatos era tudo o que sabia fazer. Mas como a vida não caminha sozinha, o sapateiro tinha um ajudante, que era muito esperto. Entendia de diversos assuntos, aconselhava e auxiliava seu patrão a lidar com os apuros que a vida lhe pregava. Certa vez, João Gurumete estava consertando uma sola de sapato. Pegou a sola, passou cola, deixou para secar à janela e foi tomar um cafezinho com seu ajudante. Nisso, apareceram sete moscas, pousaram na sola do sapato, grudaram na cola, ficaram presas e morreram. Quando João Gurumete e seu ajudante voltaram do café para pegar a sola, viram aquelas sete moscas mortas. João Gurumete não gostou do que viu. Teria que refazer todo o serviço. Mas o seu ajudante, que era muito esperto, teve uma ideia e aconselhou João Gurumete. Sugeriu que

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Capítulo 4 Anedota O marido preguiçoso

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Memorização e ritmo Nos contos acumulativos, é imprescindível memorizar as partes das repetições. Sem estarem devidamente memorizadas, é muito difícil de o contador ficar seguro para contar. A dica aqui é fazer o roteiro de imagens, repetir muitas vezes a história e contar para amigos, sobrinhos, filhos ou colegas de trabalho antes de contar para um grupo maior. Como pode ser observado nesse reconto, cada vez que o menino troca alguma coisa com alguém, os objetos que já haviam aparecido na história são novamente citados. Essa parte da história, em que de fato ocorre o acúmulo de frases, é muito parecida com uma música. Por isso, outro preparo importante, além da memorização, é observar qual é o ritmo das repetições. Na versão contada e cantada pela artista Bia Bedran é possível perceber que ela criou uma melodia para esta parte da história. Com um bom preparo, com uma boa articulação das palavras e com o foco na diversão, com certeza você contará muitos contos acumulativos e tanto as crianças como os jovens e os adultos irão adorar.

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Capítulo 7 Repertório de histórias e sugestões de leitura

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Aline Maciel Contadora de histórias, atriz e mãe. Bacharel e Mestre em Letras Inglês e Literatura pela UFSC. Desde 2004 atua nas áreas do teatro, música e performance. Iniciou suas atividades como contadora de histórias em 2009, na Biblioteca Comunitária Barca dos Livros. Além de atuar em parceria com outros contadores de histórias e músicos, desenvolve seu trabalho na Cia Mafagafos, junto com Sig Schaitel. A Mafagafos é uma companhia de criação e pesquisa com foco na cultura da infância que desenvolve projetos e atividades nas áreas da contação de histórias, música, literatura e livros. Atuando desde 2012, com sede em Florianópolis, tem apresentado espetáculos e realizado atividades em eventos literários e projetos culturais em diversas cidades do país. ciamafagafos@gmail.com ciamafagafos.wordpress.com ciamafagafos

Luciana Bicalho Ilustradora, formada em Comunicação Social-Publicidade e Design Gráfico, arte educadora, muralista e, atualmente, compõe o staff da Inky Illustrations Agency, do Reino Unido. Já expôs seus trabalhos no Brasil e na Argentina, colaborou para revistas de ambos os países, ganhou o prêmio Puma Urban Art, de 2008, em Buenos Aires, publicou livros infantis em Portugal e teve suas ilustrações estampadas em produtos na França. www.lubicalho.lu hello@lubicalho.lu

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Este livro foi produzido pela Cia Mafagafos, impresso em papel pรณlen soft e composto com a tipografia Kefa, corpo 11.

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