Skip to main content

Anemia setembro

Page 1

.

Outubro 2016 1


Ficha Técnica

Editorial

46ª Edição - Setembro 2016 Propriedade de

Medicina

do da

O

Núcleo AAC

-

de Pólo

Estudantes das

Ciên-

cias da Saúde da Universidade de Coimbra Sub-Unidade 1 da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Azinhaga de Santa Comba, Celas 3000-548 Coimbra geral@nemaac.net www.nemaac.net anemia@nemaac.net Departamento Cultural Direção: Pedro Manuel Pinto Redação: Pedro Pinto, Raquel Rodrigues, Cláudio Ferreira, Catarina Viegas, Filipe Alfaiate, Gonçalo Torres, Gonçalo Engenheiro, Departamentos NEM/AAC, Maria Inês Santos, Bruna Fontes, Filipe Lopes, Mariana Trigo, Carlos Salgado, Maria José Temido, Mariana Almeida, Ana Lúcia Oliveira, Daniela Raposo, Dr. Bayard Design e Grafismo: Marina Cruz, MIguel Serôdio e Hugo Pereira Capa: Marina Cruz

ano de caloiro é um ano memorável na vida de qualquer estudante universitário, principalmente em Coimbra. É considerado o ano em que passamos de jovens “imaturos” a pessoas com mais responsabilidade, em que deixamos a guarda dos nossos pais e temos, subitamente, de aprender a governar-nos sozinhos, a gerir o nosso dinheiro, as horas a que vamos dormir, as horas a que nos levantamos para não faltar às aulas, já não temos os nossos progenitores a acordarem-nos de manhã e a fazerem-nos o pequeno almoço nem as contas pagas como que por magia, sem nos apercebermos.

E

fetivamente, é uma grande mudança; uma boa mudança. Faz parte do crescimento de qualquer pessoa. A responsabilidade, de repente, aumenta exponencialmente e necessitamos de crescer para a acompanhar.

P

orém, um acréscimo da responsabilidade não é (pelo menos, não deve ser!) a única coisa que marca a vida de um caloiro. Muito mais marcante é a vida académica. São as festas, é a Latada, é a Queima, são as praxes, são as noitadas e as diretas, são os cafés que duram horas, numa esplanada, com os amigos. São as figuras que se fazem no cortejo da Queima à frente da família, quando nos esquecemos de avisar para nos irem ver no D. Dinis enquanto estamos decentes para falar e tirar fotos. São as memórias que se criam e as amizades que perdurarão.

É

neste sentido, de relembrar esta época e de dar as boas vindas aos novos caloiros, que esta edição é alargada, com mais 4 páginas dedicadas aos novos estudantes da nossa faculdade! Nestas, poderão ter uma ideia geral do que são alguns dos muitos orgãos associativos, locais e nacionais, encontrar locais para estudarem (bem vão precisar deles) e muito mais. Temos, também, uma entrevista ao vencedor do prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina, uma breve apresentação do que é cada departamento do NEM/ AAC, as novas palavras cruzadas (para as mentes mais iluminadas) e mais uma ou outra surpresa.

Bem vindos, caloiros!

Impressão: Printhouse Tiragem: 250 exemplares, Distribuição Gratuita

Revista segundo o novo acordo ortográfico

2

.

ANEMIA

Por: Pedro Pinto


Índice 4 ..................................................... Aqui Faz-se Ciência

5 ................................................................... Ciência Atual

6 ................................................................. Tema de Capa

9 ............................................................................... ReCap

10 ........................................................................... Cinema

11 ........................................................................... Crónica

12 ..................................................... À Procura do NEMo

16 ................................................................ Vive Coimbra

18 ................................. Especialidades No Estrangeiro

19 ......................................................................... Erasmus

20 ............................................................... Cascos Dados

21 ................................................ Tradições Académicas

22 .......................................................... Locais de Estudo

24 ......................................................... Fora da Medicina

26 ................................................................. Coffee Break

27 ...................................................................... Dr. Bayard

.

Outubro 2016 3


Aqui Faz-se Ciência Cafeína diminui a memória do medo, revela estudo internacional liderado pela UC

C

afé para abrir a biblioteca, café a meio da manhã, café depois de almoço, café ao lanche e até depois de jantar ou de madrugada! Para um estudante de medicina, o café faz parte de todas as pausas de estudo e é quase como o combustível que alimenta as longas horas de estudo e que tornam possível realizar 7 ou 8 exames em pouco mais de duas semanas!

M

as não é só esta excelente propriedade que a cafeína tem; para além da sua rápida ação estimulante, o seu consumo regular, em doses moderadas, reduz a expressão do medo, abrindo portas para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas no controlo de fobias e depressão, e quem o diz é um estudo realizado em conjunto por cientistas do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (UC) e do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

É

conhecido que a memória aversiva continuada é uma das bases do medo e, uma vez que este está associado a fobias, stress pós-traumático e depressão, há um grande interesse, por parte da comunidade científica, de manipular esta reação emocional.

A

investigação, centrada na região da amígdala cerebral, onde as memórias do medo são codificadas, mostrou que a persistência da memória aversiva depende de uma anomalia na sinalização mediada pelos recetores A2A, envolvidos na comunicação do sistema nervoso central.

4

.

ANEMIA

P

erante esta evidência, a equipa de investigadores do CNC e do MIT, realizou um conjunto de experiências em “ratinhos”, expondo-os a situações negativas em contexto sensorial e espacial. Os animais foram separados em dois grupos e submetidos, novamente, aos eventos causadores de aversão, mas num dos grupos foi administrado diariamente um análogo da cafeína, que bloqueia os recetores A2A.

C

om esta experiência, evidenciou-se que, nos ratos que consumiam cafeína, houve uma diminuição progressiva da retenção da memória aversiva. Estes ratos, quando colocados no contexto causador do medo, ajustaram o seu comportamento, ou seja, adquiriram uma adaptação positiva.

O

s resultados desta investigação, financiada pelo Departamento de Defesa dos EUA, e já aceite para publicação na revista científica Neuropsychopharmacology, podem vir a ter um impacto clínico relevante no futuro, no sentido de permitirem o desenvolvimento de fármacos para controlar fobias e traumas, evitando a evolução para a depressão.

S

egundo Rodrigo Cunha, coordenador do estudo, o próximo objetivo será desenvolver mais estudos em humanos e, a partir daí, tirar partido de todos estes efeitos promissores da cafeína.

Por: Raquel Rodrigues


Ciência Atual Sabias Que...?

OMS, a , segundo a é o ã iç tr u munA maln úde pública a s à a ç a e ão grande am a malnutriç d a c ti rí c e e 5 anos. dial? A idad m menos d o c s a ç n a ri dieta, é em c trientes na u n e d o ã ç A priva olvimento ó o desenv afeta não s mo taml normal, co ta n e m e o escala o físic em grande e c e u q a fr s mais bém en tornando-a , o ri á it n u cada sistema im doenças. A s a tr u o a em desta suscetíveis anças morr ri c o it o , to elas são minu enas 3% d p a is o p , o . condiçã te tratadas devidamen

O vírus do Ébola foi is olado, pela primeira ve z, em 1976 , n a República Democrática do Congo? No entanto o surto que , ocorreu em 2014, na Guiné, foi o maior surto de sempre deste vírus, que tirou a vida a quase 8 mil pesso as na África Ocidental.

Os hábitos d e consumo d e café poderão esta r codificados no nosso genoma? De acordo com u m estudo realizado em Itália e re p licado na Holanda, uma variação d o gene PDSS2 leva a que os seus portadores consumam m enos café. Est e efeito resulta do fa cto das célula s destes indivíduos se rem menos ca pazes de desintegrar a cafeína, prolo ngando o seu efeito no corpo.

Acordar fre quentemen te durante noite pode a ser pior do q u e ficar acordado? Um e studo suge re que que acorda vári m as vezes du ra nte a noite sente-se m , enos feliz e menos energético do que que m se deita tarde, mas dorme vári a s horas seguidas. Isto acontece p orque este últimos est s ão durante mais tempo em sono pro fundo.

Por: Cláudio Ferreira

A grande maioria das mortes por malária (90%) oc orre em crianças da África Subsar iana? Esta infeçã oé transmitida por mosquitos-fêmea e o seu tratamento pode ser feito co m comprimidos, du rante três dias, po r um preço tão ba ixo como cerca de 36 cêntimos por be bé. Ainda assim, a cada minuto que passa, uma crianç a morre vítima de malária no contin ente Africano.

Desde 2011 , quando se deu a “Primavera Ára be”, já morr e ra m mais de 12 mil pess oas a tentar atravessar o Mar Medite rrâneo? A in stabilidade política e so cial, assim c omo o terrorismo, lev am inúmera s pessoas a tentar a dura travessia pa ra a Europa. No enta nto, muitos não resistem à viagem e fazem deste o mais elevado núm ero de mort es no Mediterrâne o de sempre .

.

Outubro 2016 5


Tema de Capa Entrevista a Rolf Zinkernagel

Rolf M. Zinkernagel, Professor de Imunologia Experimental na Universidade de Zurique, foi laureado com o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1996, juntamente com Peter C. Doherty, pela descoberta da imunidade mediada por células.

C

R.

N

om o seu trabalho conjunto demonstraram que o reconhecimento de antigénios microbianos pelo nosso sistema imunitário apenas é possível perante a associação com moléculas self, conhecidas como MHC (Major Histocompatibility Complex). Se o antigénio non-self não for associado à molécula MHC apropriada, o sistema imunitário não o consegue reconhecer. Através de um complexo mecanismo de regulação imunitária, que funciona logo desde o nascimento, o MHC ajuda o nosso organismo a distinguir moléculas self e non-self. Este trabalho deu um enorme contributo para a compreensão da forma como o nosso corpo lida com o cancro, doenças auto-imunes, determinados microrganismos, entre outros fenómenos imunitários, revolucionando também a área da vacinação. Zinkernagel concluiu a sua formação básica em Medicina em 1968, na Universidade de Basel, na Suíça. Ingressou na especialidade médica de cirurgia, que decidiu abandonar passado um ano, passando a dedicar os seus estudos à área de Imunologia Básica e Aplicada. Em 1973, partiu para a Austrália onde começou o seu trabalho com o Professor Doherty. Regressou à Suíça, em 1980, para dar aulas na Universidade de Zurich, onde é actualmente Professor de Imunologia Experimental. o passado mês de Fevereiro, o Professor Zinkernagel foi orador na V edição do In4Med sendo, posteriormente, entrevistado pela revista Anemia. ANEMIA (ANM): Em gostar do congresso?

a dedicaram à ciência. Acha que isto pode ter influenciado a sua escolha de estudar medicina? Rolf Zinkernagel (RZ): Bom, na realidade eu acabei de chegar, mas eu já cá estive várias vez- RZ: Claro, claro! Sabes, eu era um de três fies em Portugal, esta não é a primeira vez. lhos, todos a fazer medicina. Somos todos médicos. Por isso, sim. Eu acho que a ANM: Ambos os seus pais foram extrema- família tem uma grande influência. mente bem-sucedidos na sua carreira, que ANM: Uma família inteira dedicada à ciência!

6

.

ANEMIA

primeiro

lugar,

está


RZ: Eu não coordenei, eu apenas fiz. ANM: Não teve nenhumas organização do tempo?

dificuldades

na

RZ: Há sempre dificuldades mas eu apenas não quis saber. Eu apenas fiz todas essas coisas ao mesmo tempo e resultou. Correu tudo OK!

Há sempre dificuldades mas eu apenas não quis saber.

ANM: O que foi que o fez perceber que cirurgia não era a área a que queria dedicar a sua vida? RZ: Sabes, cirurgia é uma área maravilhosa porque fazes algo: tens que tomar uma decisão, levá-la a cabo. Vês resultados dentro de um curto período de tempo, a maior parte das vezes, quer tenhas sucedido ou não. E eu gosto muito disso! O problema em Cirurgia, pelo menos na Suíça, onde eu comecei, começa na estrutura, que é muito hierarquizada. Como principiante, não tens hipótese. Tens que, lentamente, ir subindo nesta hierarquia. E eu simplesmente não gostava disso. ANM: Ontem, Bert Sakmann [orador no V In4Med, também entrevistado pela revista Anemia] referiu que, na sua perspectiva, Cirurgia era praticar sem conhecer o que está subjacente, sendo este conhecimento proveniente da investigação. Concorda com isso? RZ: Bem, isso é uma resposta… É uma resposta correta mas não é resposta certa. Eu penso que a resposta certa é: um cirurgião está perante um doente e tem que, imediatamente ou num curto período de tempo, tomar uma decisão. Portanto, tem que se saber muitas coisas. Mas o resto, e eu acho que em medicina isto é das coisas mais importantes, é o teu nariz! Em Medicina, tens que sentir onde está o problema. Não só tens que saber como tens que ter alguma intuição “computacional”. E, por isso, eu não concordo muito com essa afirmação.

Isso é uma resposta… É uma resposta correta mas não é resposta certa. RZ: Sim, porque eu acho que o conhecimento é uma parte muito importante da intuição. Porque sem conhecimento, a intuição é apenas uma resposta “ao calhas”. Mas eu penso que, com base no conhecimento que tens, a tua intuição afila-se numa decisão. E é por isso que eu acho que um cirurgião “apurado” é alguém extraordinário, porque acumulou todo aquele conhecimento médico, mais a intuição, mais a sensação da situação e não se consegue fazer isso só com vinte anos. Talvez aos cinquenta…

Sem conhecimento, a intuição é apenas uma resposta “ao calhas”.

ANM: Durante os primeiros anos do curso, de algum modo, conseguiu desempenhar várias actividades simultaneamente: medicina, latim, serviço militar, entre outros. Como é que coordenou tudo isso?

RZ: Sim!

ANM: As duas áreas que favorecia eram a Química e a Medicina. Alguma vez se questionou como seria a sua vida se, em vez de Medicina, tivesse dedicado os seus estudos à área da Química? RZ: Não. Um dos meus ples é nunca olhar para inútil. Eu até me poderia rgião muito decente, mas

princípios mais simtrás! É um exercício ter tornado num cirué inútil pensar nisso.

ANM: Outra questão, se tivesse sido aceite pela World Health Organization para trabalhar em África teria dado um contributo tão grande para a Medicina como deu? RZ: Bom, certamente não o mesmo contributo… ANM: Não, certamente. Mas um contributo com o mesmo impacto? RZ: Isso é uma pergunta sem resposta, porque eu acho que em cada situação, em cada posição, em cada emprego, podes descobrir novas coisas. Quer trabalhes numa clínica em África quer num

ANM: Acha que essa sensibilidade pode ser adquirida e treinada com o tempo?

.

Outubro 2016 7


Em cada situação, em cada posição, em cada emprego, podes descobrir novas coisas.

ANM: Ganhar o Prémio Nobel foi uma aspiração desde o início da carreira ou foi algo que acabou por acontecer? RZ: Os americanos têm um bom provérbio: “This is like frosting on the cake” (Isto é como a cobertura sobre o bolo). É como o açúcar a cobrir o bolo. Não trabalhas para um Nobel, apenas queres saber como as coisas funcionam. ANM: E que impacto teve na sua vida, ganhar o prémio Nobel? RZ: Eu penso que quase nenhum… Eu tinha 52, por isso, eu acho… Quer dizer, isto pode ser um bocadinho exagerado mas eu acho que nós podemos mudar até à idade dos 15 ou 16 anos. Mas depois disso já não mudamos nunca mais. ANM: Nalgum ponto das nossas vidas, todos nós temos que fazer escolhas. Alguma vez deixou para trás alguma coisa para chegar onde está? RZ: Claro! Qualquer decisão é limitante de outras possibilidades. ANM: A sua vida pessoal influenciou a sua vida profissional ou acha que têm que ser separadas para ter sucesso em ambas? RZ: Não, não… Sabes, a minha esposa era oftalmologista e os nossos miúdos são também MD [lt. Medicinae Doctor. Portanto, eu penso que há uma infracção mútua, mas acho que não podes separar a família e a vida privada da tua profissão. Pelo menos não da maneira como eu fiz investigação! Eu falo sempre do meu trabalho em casa. E sempre trabalhei na mesa grande da sala de estar.

Não podes separar a família e a vida privada da tua profissão.

guy! This is not going to last much longer”. Portanto, é óbvio que tudo na vida é um compromisso, isto inclusive. ANM: Recebeu o prémio Nobel há 20 anos atrás. Como vê a Medicina de hoje? O que acha da evolução destes últimos 20 anos? RZ: Eu acho que não mudou drasticamente. A única coisa que mudou foi a metodologia. Há 20 anos era impossível sequenciar muitas proteínas. Agora é uma brincadeira de crianças porque consegues sequenciar tudo. ANM: Pensa que com esta evolução a Medicina se tornou mais mecânica e menos personalizada? RZ: Não… Sabes, no final, 99,9% dos problemas médicos não são resolvidos com artigos na Nature, na Science ou outra. Porque todos os dias tens uma dor de cabeça ou um tumor ou uma unha do pé encravada ou uma perna partida. Quero dizer, isso é basicamente muito simples. E apenas alguns problemas muito extremos foram resolvidos parcialmente… Mas isso está bem, sabes? Isso é perfeito! Mas atenta à aspirina: uma droga muito simples. Existe desde que eu tenho 20 anos de idade. Muito eficiente mas ainda não sabemos exactamente como funciona. Portanto, eu penso que a Medicina sempre foi muito pragmática. Se funciona é bom, se não funciona tentamos outra coisa. E quer entendamos todos os detalhes ou não, é claro que gostaríamos de os entender, mas isso não é assim tão importante.

Apenas alguns problemas muito extremos foram resolvidos parcialmente

ANM: Para finalizar, tem algum conselho para nós, estudantes de medicina e futuros médicos? RZ: Fazer perguntas! Acho que é a coisa mais importante: fazer perguntas. Se virem um doente ou um artigo ou um livro de texto, façam perguntas. “Isto está mesmo certo?”. Ou “porque é que este doente sofre estes sintomas?”. Simplesmente, eu acho que colocar questões é o mais importante!

ANM: E sentiu que a sua família o apoiava?

RZ: Sim. Quando o tempo estava agradável, solarengo e o céu azul, eles apoiavam-me. E se eu trabalhava demasiado ou não vinha a casa porque estava nos EUA ou noutro sítio qualquer, eles diziam: “Hey,

8

.

ANEMIA

laboratório na Austrália, eu acho que não há diferença.

Por: Catarina Viegas Fotografias de: Marina Cruz


ReCaP 2016 Refugee Camp Project na Palestina

– Olá

P

A

or mais que queira, descrever uma experiência tão mágica, arrebatadora e intensa é um desafio enorme. Mas aqui vai: o avião aterrou. Começou uma das jornadas mais inesperadas da minha vida. Objetivo: participar num projeto que envolvia refugiados na Palestina e todas as suas condições de saúde. O que podia esperar? Um mundo inteiro. As ideias que tinha? Local pouco seguro, terrorismo, pessoas fechadas, cultura muito diferente da minha. Ideias que criei com o que ouvi ou vi na comunicação social. Após ter passado pela entrevista habitual, com a policia israelita, para justificar o porquê da minha viagem, recolhi as bagagens e tudo começou. Fomos 10 que, a nível internacional, tivemos a oportunidade de embarcar nesta aventura. Viajámos até Jerusalém, onde descobrimos um local fantástico, carregado de história. O antigo centro do mundo foi o ponto de partida. primeira semana foi numa das faculdades de Medicina da Palestina, Al Quds University, onde pude conhecer toda a faculdade, comparar diferenças entre condições pedagógicas (não muito diferentes das nossas!), aprender árabe, conviver com os colegas e conhecer a verdadeira essência daquele povo. Descobri pessoas fantásticas e trabalhadoras que querem lutar pelo seu futuro. Futuro este que, para um Palestiniano, não é fácil. Com a construção de um muro entre Israel e Palestina, todo o território ficou sem a maioria dos recursos, vivendo como se fosse uma prisão. Imaginas estares na tua casa e obrigarem-te a sair sem nada? Imaginas-te a viver com água que recebes apenas duas vezes por mês? Imaginas a possibilidade de não poderes viajar livremente por teres nascido naquele local? Uma quantidade de “imaginas” que não tinha noção. Nesta mesma semana, pude assistir a imensas palestras, com diversas ONGs, acerca do que estão a fazer para ajudar a combater este problema. Nas semanas seguintes, tive contacto clínico com refugiados onde, entre emergência, cuidados de saúde

primários, psiquiatria e pediatria, pude aprender imenso e pôr mãos à obra. Os recursos são poucos e o trabalho é incrível. O que custa pedir uma tonelada de análises quando não as têm disponíveis? Como é que o conflito está a afetar a nível mental todas estas pessoas? Como é que uma família consegue gerir o facto de ver os seus filhos menores serem presos sem razão aparente? Durante este tempo, observei de perto os campos de refugiados que estão completamente lotados. Deparei-me com pessoas que perderam alguém na luta contra o que é seu. A sua casa, os seus pertences, a sua família.Conheci sítios fantásticos, como Abu Dis, Bethany, Belém, Dead Sea, Ramallah e Hebron. A experiência que mudou a minha forma de ver o mundo, os conflitos e a mim mesmo. A lição que retirei, para além dos conhecimentos práticos que adquiri nas rotações clínicas, é a de não julgar alguém apenas pelo que dizem ou ouvimos. Arrisquei conhecer o melhor que me podiam dar - humanidade, compaixão e amor.

- Obrigado

Por: Filipe Alfaiate

.

Outubro 2016 9


Creativa-te Luzes, Câmara, Ação! O

filme passa-se numa estação americana isolada no meio da Antártida, que é tomada de assalto por uma entidade amorfa de origem extraterrestre capaz de assimilar as suas vítimas e tomar controlo de todos os organismos com que entra em contacto. Kurt Russel assume o papel de líder dos trabalhadores e encarrega-se de tentar manter a ordem e a calma perante o desastre iminente. Completamente desolados no meio do nada, sem contacto qualquer com o exterior e reinando uma atmosfera de paranoia sobre quem é humano e quem foi assimilado, as personagens depressa perdem as estribeiras e voltam-se uns contra os outros. Aos poucos e poucos, a “Coisa” dizima a pequena comunidade na tentativa de se alastrar ao resto do planeta e contaminar a Humanidade, enquanto Kurt Russel, munido de um lança-chamas e nervos de aço, testa a veracidade das súplicas dos que juram não terem sido substituídos por sósias transfiguradores.

É

Título em Português: “Veio do Outro Mundo” Ano: 1982 Realizador: John Carpenter Actores Principais: Kurt Russel, T.K. Carter, Wilford Brimley IMDb: 8.2/10

J

ohn Carpenter é a pura definição da expressão “realizador de culto”. A grande maioria da sua filmografia é algo mal recebida de início pela crítica, e, no entanto, ao longo dos anos, gera uma multidão de fãs ávidos que idolatram a sua obra. A receita para o típico filme de Carpenter parece consistir na mistura de um orçamento limitado com ideias empolgantes e efeitos especiais criativos. Mas não se deixem enganar pelo invólucro exterior a aparentar amadorismo; Carpenter é um realizador exímio com minuciosa atenção a todos os pormenores. O seu primeiro grande êxito acidental foi “Halloween”, a génese do assassino Michael Meyers e dos chamados “slasher movies”, mas “The Thing” é provavelmente o mais aclamado de todo o seu currículo.

10

.

ANEMIA

imperativo afirmar que os efeitos especiais, usados particularmente quando a entidade assume formas novas e, diga-se de passagem, de meter medo ao susto, são absolutamente fenomenais. O filme é de 1982, portanto imagens geradas a computador, hoje ubíquas, não eram opção na altura. Como tal, todos os efeitos presentes no filme são “práticos”, ou seja, produzidos com fantoches, maquetes e bonecos a controlo remoto, entre outros. Acreditem que não hiperbolizo quando digo que rivalizam os valores de produção de filmes como “O Exorcista”, “Star Wars”, “Parque Jurássico” e “E.T.”. Uma das cenas mais famosas do filme mostra o médico presente a tentar desfibrilhar um dos trabalhadores quando, para sua surpresa, o peito do homem abre-se numa bocarra repleta de dentes que mutila as mãos ao médico. E, para terem um pouco a noção do que vos espera, essa nem é a parte mais medonha da sequência.

C

arpenter foi inspirado pela história de ficção científica de 1938 “Who Goes There?”, da autoria de John W. Campbell Jr., mas a sua versão lugrou criar o seu próprio legado. É caso para dizer que não há coisa melhor que a Coisa do João Carpinteiro. (peço desculpa, essa piada está abaixo de mim)

Por: Gonçalo Torres


Creativa-te Crónica

A maratona de uma vida – Novembro 2017

No dia 26 de Setembro de 2011, a minha

geração teve o seu primeiro dia de aulas na FMUC. Para trás, tinham ficado anos e anos de estudo “para ter uma vida melhor”. Para muitos, entrar em Medicina foi o cumprir de um sonho. Para alguns, foi algo natural e nem sabiam mesmo se era aquilo que queriam. Para outros, ainda, os iludidos, foi como ganhar o Totoloto. A tradição recente cumpriu-se e fomos recebidos no “bunker” laranja pelos Senhores Professores e brindados com o discurso, surpreendentemente algo displicente, do “aproveitem estes anos que são os melhores da vossa vida”, naturalmente reforçado pelos nossos doutores. Cuidado caloiros, hoje em dia, a palestra já é outra. A sombra da “falta de vagas para todos” cresce a cada ano que passa e escurece todo aquele ambiente pseudo-American Pie que nos últimos 15 anos tem feito as hormonas dos futuros universitários saltarem ainda mais alto, mais alto até que campeões olímpicos do salto à vara, Thiago Braz e Ekaterini Stefanidi!

E

por falar nos Jogos Olímpicos, é bom alertar-vos que a medicina portuguesa também tem a sua própria prova rainha. Tal como o ciclismo tem o Tour de France e o atletismo os Jogos Olímpicos, nós temos a Prova Nacional de Seriação (PNS), carinhosamente apelidada de Harrison em homenagem ao principal autor da compilação de páginas que faz companhia aos finalistas de Medicina, desde só Deus sabe quando.

que se corre não com as pernas que crescem do nosso tronco, mas sim com as pernas que fazem o salto em altura na zona mais externa do nosso cérebro (esperem pela Anatomia III para perceber). As trocas gasosas que dão o substrato à respiração celular e fazem trabalhar a engrenagem mitocondrial, produzindo a energia necessária para os atletas cruzarem a meta final, dão, em nós, lugar à corrente de eletricidade que atravessa os neurónios e que, perante o abismo sináptico, não trava, antes dá o salto de uma vida. Dá um enorme salto impulsionado pela explosão bioquímica que permite a transmissão da informação ao neurónio seguinte. Informação recolhida pelos nossos olhos minuto após minuto, hora após hora, até que o cansaço nos vence por aquele dia!

C

omo em tudo na vida, mais novos como a Simone Biles da ginástica artística ou mais velhos como o Carlos Lopes em 1984, todos temos a nossa meta. E bem sabemos que ganhar uma medalha é uma grande festa, mas há provas em que o bronze não chega. Há vagas em que já nem o 98 no Harrison basta! A ver vamos se as próximas edições da PNS não vão ser antes a mais recente sequela do Hunger Games!

T

ermino concedendo as boas-vindas aos mais novos e incentivando os que estão a terminar esta etapa de uma vida, que se espera longa e cheia de sucesso. Pelo bem dos nossos queridos doentes! PS: Um forte agradecimento ao Hugo Almeida do 6.ºano e ao Nuno Simões Costa que está a estudar para o Harrison (força!) pela colaboração na elaboração desta crónica.

P

ara os que agora chegam, posso dizer que o Harrison é uma maratona. Uma maratona daquelas

Por: Gonçalo Engenheiro

.

Outubro 2016 11


À Procura do NEMo O que te espera Departamento de Mobilidade Internacional

O

novo ano letivo trará ainda mais atividades internacionais para ti! Para começar em grande, em setembro, terás oportunidade de conhecer cerca de 40 alunos/intercâmbios que chegam à nossa cidade, vindos dos quatro cantos do mundo, para realizar um estágio clínico/científico e conhecer a nossa cultura. Durante todo o mês, não faltarão atividades para que se rendam ao Programa Social que temos à sua espera. Junta-te a esta aventura e fá-los sentir todo o espirito académico e cultural da Cidade dos Estudantes. Além disso, teremos dois fins de semana reservados para viajar até ao Porto e a Lisboa, onde visitaremos os pontos turísticos mais importantes das cidades, sempre com muita festa à mistura! No entanto, a internacionalização de Coimbra não se fica por aqui. Inúmeros estudantes, que integram o programa Erasmus, escolheram a nossa cidade para um ano de aventuras e histórias que certamente marcarão para sempre as suas vidas.

E

m outubro, 10 alunos da FMUC embarcarão 12

.

ANEMIA

numa viagem única a Ljubljana, que integrará a 5ª edição do projeto Twinning. Esta atividade permitirá levar Coimbra até à capital da Eslovénia e trazer esta maravilhosa cidade até cá. Ainda assim, para acabar este mês de excelência, teremos uma Semana Internacional que te permitirá escolher o programa de mobilidade mais adequado a ti. Traremos soluções a todas as tuas dúvidas internacionais, aliando sessões de esclarecimento e uma feira internacional a excelentes workshops que te vão permitir viajar para outros continentes.

Departamento Recreativo e Desportivo

D

urante o mês de Outubro, decorrerão, ainda, as inscrições para mais uma season de Intercâmbios, uma experiência inigualável, que te permitirá, durante um mês, realizar um estágio clínico/científico num país/cidade escolhido(a) por ti. Contamos contigo para levares Coimbra por esse mundo fora!

R

ecepção ao Caloiro, o que significa ao certo?!

B

em, não é só a excelente maneira de dar as boas-vindas aos novos alunos como também a melhor forma possível de se iniciar um ano lectivo, sejas de que ano fores!

Em que consiste? É

uma panóplia de atividades e festas, que decorrem de dia 19 a 29 de Setembro, pensadas especialmente para ti, caloiro, de modo a dar-te a conhecer à cidade e às pessoas que te vão aco-


lher numa nova fase da tua vida, a qual muitos classificam como a melhor e mais proveitosa que alguma vez viverás.

Ai, que odisseia!! P

or isso mesmo, por ser a melhor, há que entrar em grande!! Temos reservado para ti as já lendárias “Tardes no Bar” e “Febrada”, o tradicional “Arraial de Medicina”, o “Peddy Tascas” e o “Mega Jantar”. Este ano o Departamento Recreativo e Desportivo do NEM/AAC apresenta uma novidade que espera que se torne tradição, a especial febrada “InPharmed” que se realizará em conjunto com o NEF/AAC, no Pólo 3, e que promete ser de arromba!!

D

esta forma, estas 2 intensas semanas vão-te permitir conhecer realmente todos os pontos importantes da tua faculdade e da melhor maneira de sempre!

C

om todos estes argumentos, de certeza que vais querer ficar fechado em casa?

S

implesmente é um crime não ir! Portanto, mexe esse esqueleto e não percas nem um momento desta Receção que tanto promete!

Departamento de Saúde Pública, Reprodutiva e Ambiental

A

creditamos que ser positivo, gostar de nós próprios, apreciar a vida e sorrir muito são essenciais para orientar o teu “caminho” rumo à Felicidade. Por isso, preparámos para ti um conjunto de workshops que irão contribuir para o teu bem-estar e amor próprio e que são perfeitos para estares feliz, ficares feliz e seres feliz! Ainda terás a oportunidade de ver o quão fácil pode ser proporcionar um sorriso a alguém, num vídeo com todos os sorrisos e testemunhos de alegria proporcionados pelas atividades deste mesmo departamento. Nos dias 26 a 30 de Setembro, não podes perder!

“Q

ualquer um, em qualquer lugar, pode iniciar procedimentos de ressuscitação cardíaca. Tudo o que é preciso são duas mãos”. Por isso, se queres ser um agente de mudança não percas o “A Brincar, A Brincar”, onde poderás ensinar noções elementares de Suporte Básico de Vida a crianças. Com esta atividade, terás oportunidade de relembrar, aprender ou aperfeiçoar a tua técnica numa formação obrigatória nos dias de 7 a

11 de Novembro, para depois ensinares à próxima geração técnicas imprescindíveis, que podem torná-los (a eles, e a ti) verdadeiros heróis! Na formação também te serão ensinadas técnicas de comunicação em público, truques para lidar com as crianças e muitas outras dicas fundamentais para o teu futuro pessoal e profissional. Fica atento à abertura das inscrições!

O currículo de um

estudante de medicina deve ser pautado por um leque variadíssimo de temas, entre os quais a sexualidade. Mas a nossa realidade mostra que muitas vezes este tema é um pouco menosprezado, tornando-se uma lacuna na nossa formação. Assim, no “Sexo À Noite”, estes momentos de debate, relativo a temas aliciantes, controversos e pouco explorados da sexualidade, permitem-te esclarecer todas as tuas dúvidas e enriquecer a tua formação médica e pessoal.

Por: Coordenadores do DMI, DRD e DSPRA

V

em e cria as tuas memórias porque, certamente, esta Recepção vai fazer parte da história!

.

Outubro 2016 13


À Procura do NEMo DCI

“Médicos com ‘M’ grande!” Ciência, Investigação, Conhecimento... Estas são as bases para o TEU FUTURO enquanto Médico!!! O DCI traz a Ciência até aos estudantes, através de Workshops práticos e interativos, como os Cursos de Suturas, os ActiveMeds das mais variadas áreas e avançadas técnicas médico-cirúrgicas ou o projecto de Peer Teaching que fomenta o espírito de partilha e entreajuda. Na investigação, que assume um papel fulcral no conhecimento médico, preparamos atividades como o Pensar a Tese, onde se podem esclarecer todas as dúvidas e onde se começa a desenhar o Futuro! Se gostas de ser o melhor em tudo o que fazes e queres abraçar a Medicina de forma plena, este é o TEU departamento! Vem ter connosco para ser (o) melhor! Fica atento, o “Científico” tem surpresas para Ti!

DDHP Este departamento não é nada sem ti. Aqui, Tu metes as mãos na massa. Aqui, Tu ambicionas, ages, conquistas e fazes acontecer. Temos cerca de 20 projetos que mudam o dia a dia de milhares de pessoas, e Tu, podes fazer parte. Se queres tirar o rabo da cadeira, sensibilizar, mudar mentalidades e tornar este mundo, tão escasso de valores, + Humano, vem falar comigo. É inacreditável o sorriso, o prazer e todo o preenchimento que tu adquires depois de todas as experiências que aqui vives. Uma coisa te garanto, fazer parte do DDHP, vai mudar o teu dia a dia, vai mudar a tua maneira de ver o “eu”, os teus amigos, os teus doentes... o mundo. Investe em ti, torna-te mais rico, culto e faz a diferença! Junta-te a nós!

14

.

ANEMIA

DC O Departamento Cultural é o departamento da cultura, do enriquecimento pessoal e curricular. Gostas de provas de vinhos, workshops de teatro, sunsets a ouvir boa música, ambientes mais requintados ou queres aumentar a tua cultura? É neste departamento que podes encontrar isso e muito mais! É o departamento mais versátil, que te permite ter as mais variadas experiências em diversas áreas. Nele, podes passar uma tarde e conhecer figuras públicas durante o “Café Longo”, relaxar com os amigos num bar ou esplanada e ouvir musica jazz ou simplesmente enriquecer a tua vida num dos diversos workshops que organizamos durante o ano. Se ainda tens dúvidas das coisas incríveis que fazemos, aparece e explicamos-te tudo! É o departamento para ti!

DEM O DEM não traz escapes ao teu diaa-dia, nem te vai chamar à atenção sem que antes se tenham levantado problemas, sem que antes te sintas indignado! O DEM segue o primeiro propósito de qualquer associação de estudantes ao agir em nome dum ensino de qualidade. Partimos do princípio que a FMUC somos nós e, por ela, queremos fazer melhor e ser melhores. Por isso, procuramos fundamentar a nossa ação, informando-nos! O DEM assume a responsabilidade de, enquanto estudantes, sermos parte ativa da nossa educação. Queremos e trabalhamos por novas formas de revolucionar as nossas aulas, a nossa Faculdade, até mesmo, o Ensino Médico em Portugal, intervindo. Gostaste do desafio?! Junta-te a nós! Indigna-te, Informa-te e Intervém!


DIC

DMI

Interessas-te por fotografia e/ou design? Acharias interessante ter um hobbie artístico que fosse ao mesmo tempo útil para a faculdade? Gostas dessas áreas mas precisas de mais formação? Gostavas de um dia ver cartazes feitos por ti espalhados pela cidade ou que os alunos da FMUC vestissem camisolas que tu desenhaste? E se um dia até fosses tu a desenhar o logo do In4Med e toda a imagem do congresso? Estes são só alguns exemplos de coisas que podes fazer no DIC. Junta-te a nós e poderás aprender coisas novas que vão limar as arestas do que já sabes fazer. Usa o teu talento para deixares a tua marca na imagem da faculdade!

Estás à procura de novos desafios e aventuras internacionais? O NEM/AAC tem a solução perfeita para esse problema, sem teres que sair de Coimbra. Sim, o mundo inteiro vem ter contigo no DMI! E os ingredientes para esta receita incrível? Juntar Erasmus, Intercâmbios e Twinnings nesta cidade pela qual todos temos um carinho especial e, mais importante ainda, poder partilhá-la em todas as suas vertentes. Acredita em nós quando te dizemos que o tempo que lhes dedicas compensa em amizades além-fronteiras e em aventuras improváveis. Só tens a ganhar em conhecer tantas culturas e línguas diferentes, por isso de que é que estás à espera para te juntares a esta família multicultural?

DRD É reconhecido pela alegria, folia e confraternização que proporciona aos nossos alunos. Transmite-nos o espírito académico, que tanto carateriza esta cidade, quer através dos míticos convívios, tão emblemáticos, desejados e marcantes, quer através de atividades desportivas organizadas ao longo do ano. Assim, a sua existência é fundamental para o bem-estar dos nossos alunos, pois “o médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe”. Este mês a árdua tarefa é preparar as duas intensas semanas de receção ao caloirow, que incluem as “Tardes no Bar”, “Peddy Tascas”, “Febrada” e muitas novidades que caraterizam o departamento mais antigo e festivo do NEM/AAC.

DSPRA

O Departamento de Saúde Pública, Reprodutiva e Ambiental, o famoso DSPRA é o departamento das pessoas, da felicidade e da saúde. Se ficas de coração cheio com o sorriso travesso de uma criança e com o abraço terno de um velhinho, se acreditas que a promoção de um estilo de vida saudável e os rastreios são uma forma de mudar mentalidades e prevenir doenças graves, se gostas de sexo e de saber mais sobre temas fora da caixa relacionados com a sexualidade, se defendes o ambiente e se és uma pessoa feliz e queres que os outros também sejam, então este é o departamento indicado para ti! Está atento a todas as nossas atividades e, ainda melhor, anda descobrir quão recompensador pode ser organizá-las! Estamos à tua espera!

.

Outubro 2016 15


Vive Coimbra Festa das Latas

A

Festa das Latas e Imposição de Insígnias é a maior festa de receção aos “caloiros” do País e tem uma história bem mais antiga do que se julga! Podia dizer-se que «as tradições já não são o que eram», mas nem tudo mudou desde as primeiras festividades que deram origem à nossa conhecida Festa das Latas de Coimbra.

A Latada, como era conhecida, é das festas

que mais alterações sofreu ao longo dos anos, tanto a nível de tradições e festejos como a nível de significado. As origens desta tradicional festa académica datam do século XIX, com comemorações muito diferentes das que vivenciamos hoje. Nos seus inícios, realizava-se, tradicionalmente, em maio, para celebrar o fim da época de exames e o fim do curso, para os finalistas. A festa decorria nos três últimos dias de aulas, e os estudantes festejavam de forma ruidosa, desfilando pelas ruas da cidade utilizando latas e outros objetos metálicos e cumpriam os rituais da Imposição de Insígnias e da Emancipação dos Caloiros - o Baptismo, como é conhecido nos nossos dias. Como tradição, cada curso tinha o seu próprio cortejo, havendo, assim, vários cortejos na Latada que ocorriam em dias diferentes. Assim, quando um curso terminava as aulas, os caloiros saiam à rua nessa noite, percorrendo a cidade a fazer barulho com as latas que tinham juntado durante o ano, troçando dos outros estudantes que ainda tinham aulas no dia seguinte, impedindo toda a cidade de dormir, tentando alcançar a emancipação no final do cortejo.

ma das Fitas, passando o caloiro a poder obter a alforria de duas formas: ou submetia-se à latada ou seguia no cortejo junto do carro alegórico de um quartanista (finalista, normalmente). As latadas emancipadoras dos caloiros desapareceram por volta dos anos 30 do século passado e a emancipação dos caloiros começou a fazer-se de forma menos violenta: quando o cortejo da Queima chegava à Portagem, pedia-se aos “padrinhos” e “madrinhas” que tirassem com jeitinho os adesivos da testa dos “caloiros”, onde as marcas de mercurocromo mostravam as supostas cicatrizes causadas pela recente amputação de um par de cornos – os caloiros, a partir deste momento, deixavam de ser bestas ou os “animais de estimação dos doutores”.

A

pós anos de interrupção nas festas académicas, na década de 40 do século XX, os estudantes de Coimbra voltaram a organizar estas festividades. Mas só a partir dos anos 50/60 é que a Latada passou a ocorrer no início do ano letivo, coincidindo com a abertura das aulas e a chegada dos estudantes que vinham das férias de verão e dos novos estudantes, recém- chegados a Coimbra, que acabavam de entrar na universidade, o que devolvia à cidade o seu clima tipicamente académico.

T

odos os cursos passaram a terminar as aulas ao mesmo tempo, com a reforma de 1901, mas as latadas continuaram a decorrer no fim do ano letivo, ainda que com intermitências. A Festa das Latas, a dada altura, passa a integrar a Quei-

16

.

ANEMIA


Vive Coimbra P

ara além de se passar a realizar em outubro, alguns rituais alteraram-se, conjugando-se com as tradições da Queima: os quartanistas, a partir da Latada, podiam usar o grelo na pasta – o mesmo grelo que tinham usado na lapela na Queima anterior – e começavam os seus rituais antes do cortejo logo pela manhã, com uma passagem pelo mercado D. Pedro V com o pretexto de comprar um nabo com uma rama bem farfalhuda para juntar ao grelo na pasta durante o cortejo; e os quintanistas podiam usar e exibir as fitas do seu curso na pasta no cortejo e até à Queima seguinte. Os caloiros, por sua vez, iam no cortejo curiosamente mascarados, ou de pijama ou até com a sua roupa habitual mas do avesso, com algumas latas atadas aos tornozelos e um penico de esmalte. Como ainda hoje é costume, a sátira e a crítica política e social já tinham um papel fundamental no desfile dos estudantes pelas ruas de Coimbra, na Latada. Os caloiros, ou seguiam com um estudante mais velho no cortejo ou juntavam-se ao grupo dos porta cartazes, exibindo durante todo o caminho frases, que, em tempos de censura, escondiam as críticas e algumas malandrices. Os cortejos passaram a ser cinco, decorrendo às quartas e aos sábados, um por cada faculdade: Medicina, Direito, Ciências, Farmácia e Letras.

C

om o aumento exponencial de estudantes nas faculdades que se deu a partir de 1979 e com o restabelecimento das tradições académicas, optou-se por se juntar todos os cursos da Universidade nas mesmas festividades. É a partir desta altura que a Festa das Latas ganha um formato semelhante ao de hoje, com a cerimónia de Imposição de Insígnias, a Serenata, o Sarau Académico e o Cortejo.

Hoje, e com as reestruturações a que os cur-

sos têm sido sujeitos, nomeadamente com o Processo de Bolonha, a Festa das Latas é um pouco diferente, mas esta festa académica mantém o mesmo espírito e as principais tradições: caloiros a correr por Coimbra fazendo barulho pelas ruas da cidade, protegidos da praxe pelas latas e outros objetos metálicos, atados aos tornozelos, à cintura ou aos pulsos, de penico na mão e em busca de uma emancipação que esperam alcançar no fim do cortejo, ao chegarem à Portagem.

A

Latada ocorre atualmente ao longo de 6 noites e inicia-se com a Serenata Monumental na Sé Nova. O cortejo é, como nunca deixou de ser, o ponto alto da semana, onde os “caloiros” desfilam com trajes escolhidos e confecionados pelos “doutores” e “padrinhos”, utilizando latas e objetos ruidosos, como dita a tradição. Para além dos disfarces dos caloiros, os estudantes aproveitam o desfile para deixar mensagens de sátira política e académica, tanto em cartazes como nas próprias indumentárias dos novatos.

A

Latada não é apenas a semana da Festa das Latas, organizada pela Associação Académica de Coimbra, sendo antecedida por atividades desportivas e culturais, como concurso de bandas e campeonatos universitários, que pretendem despertar o espírito de festa nos estudantes e aproximá-los da Academia.

A

s tradições já não são o que eram, mas vão-se adaptando ao longo dos tempos e os estudantes vão acrescentando novos rituais.

Por: Maria Inês Santos

.

Outubro 2016 17


Medicina Lá Fora Especialidades Lá Fora: Brasil

O Brasil conta hoje com 257 escolas médi-

que funciona em diversas instituições de saúde. A carga horária é de 60 horas semanais e o médico residente tem direito a uma bolsa de auxílio.

O curso de Medicina no Brasil dura seis anos,

maneira de ingressar no programa é por concursos que ocorrem uma vez por ano (com bastante concorrência). Há diversos concursos para se candidatar, basta escolher a especialidade e o Hospital em que se deseja ingressar, não havendo uma prova unificada, como ocorre em Portugal. As fases do concurso variam de uma instituição para outra, mas são constituídas, basicamente, por uma prova objetiva, que contém algumas áreas da Medicina (Clínica Médica, Obstetrícia e Ginecologia, Cirurgia Geral, Pediatria e Medicina preventiva e social), além da prova prática, análise e argumentação curricular.

cas (públicas e privadas), que são responsáveis pela preparação de 23 mil novos médicos por ano. sendo os dois últimos anos chamados de internato, onde se roda por estágios de todas as especialidades médicas. A partir de abril de 2016, os estudantes de Medicina do sexto ano passaram a participar na Avaliação Nacional Seriada dos Estudantes de Medicina Anasem - sendo que, até aí, bastava, no final do sexto ano, entregar o diploma no Conselho Federal de Medicina e requerer o seu número de registo para exercer como clínico geral. Os estudantes devem atingir uma nota mínima para que se possam formar. A Anasem é um componente curricular obrigatório e condição para a diplomação dos novos médicos.

J

á o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras – REVALIDA -, foi implementado em 2010. O REVALIDA são provas de conhecimento médico: uma prova escrita, com 110 questões objetivas e 5 discursivas, e uma prova de Habilidades Clínicas, aferindo conhecimentos quanto à prática de atendimento médico. Os aprovados no REVALIDA poderão solicitar às Instituições de Educação Superior públicas brasileiras a revalidação do diploma obtido no exterior. Após a aprovação no REVALIDA, é necessário solicitar a inscrição no Conselho Regional de Medicina, obrigatória para atuação no país e pré-requisito para inscrição nos concursos de Residência Médica.

A

O

médico recém-formado no Brasil poderá atuar como médico geral em hospitais, serviços de urgência ou em unidades básicas de saúde (Medicina Geral e Familiar) com total autonomia. O modo de admissão costuma ser através da análise do currículo acrescida de entrevista. A oferta de vagas é grande. O serviço de urgência acaba por ser um dos primeiros empregos do médico recém-formado no Brasil; o salário médio depende da carga horária (o valor do turno de 12 horas varia entre R$1000,00 a R$1.400,00). Nota: Os valores salariais são os praticados no Brasil, e não a conversão de Euros para Reais.

O

s programas de Residência Médica no Brasil são a forma de ingresso para uma especialidade médica (o equivalente ao internato em Portugal),

18

.

ANEMIA

Por: Bruna Fontes, estudante de Medicina do Brasil


Medicina Lá Fora Erasmus

Bonn

B

onn situa-se no Oeste da Alemanha, apenas 30km a sul de Colónia. Foi, durante várias décadas, a capital da Alemanha Ocidental, até à Reunificação, em 1991. É uma cidade com cerca de 300 mil habitantes (o dobro de Coimbra) e foi a minha casa durante o ano que há pouco chegou ao fim. Do início: porquê Bonn? Não é uma pergunta fácil de responder, mas queria muito fazer Erasmus na Alemanha, não só pelo enorme desafio que a língua apresenta (sim, as aulas e avaliações são todas em alemão) mas porque viver no centro da Europa permite-nos viajar de forma muito mais rápida, confortável e económica do que partindo do “nosso cantinho”. Bonn surgiu simplesmente pela junção de uma Universidade muito conceituada, boas referências de quem lá tinha estado anteriormente, e aquele “why not?” que é sempre necessário antes de uma aventura assim. A língua pode assustar ao início, mas não é, de todo, difícil. Os professores compreendem sempre as dificuldades dos estudantes estrangeiros e os próprios colegas alemães preocupam-se em ajudar. Assim, com alguma preparação prévia e uns dias de habituação, torna-se fácil.

S

O

enti-me em casa desde o primeiro momento. A Alemanha é, hoje, um país multicultural, com cidadãos oriundos de todo o mundo. O resultado é uma sociedade em que todos se podem integrar sem dificuldades. Fui muito bem acolhido e ajudado sempre que necessário.

ensino em Bonn é, na minha opinião, muito bom. As aulas são realmente práticas, com grupos práticos de 2 a 5 pessoas nas enferma-

rias, salvo exceções. A maior diferença que apontaria é o interesse que os docentes têm em que os alunos realmente aprendam. Há tempo para o ensino e muita organização, desde o primeiro ao último dia. Resumindo, aprende-se mais, embora o grau de dificuldade seja menor. Quanto ao custo de vida, as residências para estudantes são escassas, por isso a procura por alojamento privado é muito acentuada. Ainda assim, toda a gente consegue sempre alojamento, normalmente entre os 220 e os 450 euros. Os preços nos supermercados são semelhantes aos praticados em Portugal. O que é, sem dúvida, mais caro são os cafés, bares, restaurantes, cabeleireiros... Ainda assim, é possível jantar em restaurantes bem agradáveis a 13 ou 14 euros por pessoa e uma cerveja de meio litro custa 3 a 4 euros num bar.

V

iajei, bastante. O cartão de estudante permite aos estudantes universitários viajar sem custos em todos os meios de transporte de todo o estado na Nord-Rhein Westphalen, o que significa muitas viagens e muito baratas. Mas, mesmo fora da Alemanha, visitei muito e muito ficou ainda por ver. Foi um ano em que conheci gente de todo o mundo, fiz amigos para a vida, viajei imenso, cresci, aprendi a ver o mundo por prismas diferentes e também a ver-me a mim de forma diferente. Erasmus em Bonn é algo que recomendo, sem dúvida. Por fim, muito obrigado ao Gustavo Lucas e ao André Bernardes por estarem lá e por fazerem deste um dos melhores anos da minha vida. Sem vocês não teria sido o mesmo. Por: Filipe Lopes

.

Outubro 2016 19


Cascos dados!

Especial Caloiros

Caloiros e caloiras, sejam muito bem vindos à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra!

Esta será a vossa casa nos próximos 6 anos. É aqui que vocês vão aprender a ser médicos e irão fazer amigos para a vida. Vão crescer, vão evoluir, vão liderar! Estejam atentos a tudo o que se passa à vossa volta! Vão ser muitas as oportunidades que irão ter para se envolverem nesta cidade maravilhosa que é Coimbra, nesta faculdade a fervilhar de espírito académico e nessas noites cheias de magia e mistério. Vai ser uma viagem alucinante, em que terão que se superar. Aproximam-se muitas horas de estudo e dedicação, mas também muitas novas experiências, amizades e aventuras. Aproveitem ao máximo e para o que precisarem poderão contar, sempre, com o vosso Núcleo e com a vossa faculdade para vos guiar!

AAC - ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA A AAC distingue-se por ser a associação de estudantes mais antiga do país (1887). Começou com o objetivo de dinamizar atividades de estudantes, mas foi no domínio político que teve a maior parte das suas ações, contra as medidas da UC ou do Estado que pudessem prejudicar os estudantes. Atualmente, tem 27 secções desportivas e 16 culturais, nas quais podes participar, basta seres aluno da UC.

ANEM/PORMSIC ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE ESTUDANTES DE MEDICINA/PORTUGUESE MEDICAL STUDENTS INTERNATIONAL COMITTEE

Podes saber mais em nemaac.net

A ANEM é a legítima representante dos estudantes de medicina em Portugal, defendendo os interesses dos mesmos, constituíndo, hoje, uma das mais dinâmicas e interventivas Associações de Representação Estudantil do país. Atualmente, a ANEM tem crescido enquanto Federação que se consegue afirmar junto de parceiros estratégicos, entre os quais a Ordem dos Médicos, o Ministério da Saúde,, grupos parlamentares, entre outros, assim como, cada vez mais, tem alcançado a esfera da opinião pública. A ANEM organiza-se em 5 departamentos e um Grupo de Trabalho permanente, com representantes de todas as Associações/Núcleos de Medicina do país. São eles o Grupo de Trabalho em Educação Médica (GTEM) e os Departamentos de Ciência e Investigação, de Intercâmbios, de Direitos Humanos e Paz, de Saúde Pública e o de Saúde Sexual e Reprodutiva.

Por: Mariana Trigo e Pedro Pinto

Podes saber mais em anem.pt

NEM/AAC - NÚCLEO DE ESTUDANTES DE MEDICINA DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA Tomando posse pela primeira vez no dia 4 de maio de 1998, o NEM/AAC assume-se, desde então, como o legítimo representante institucional dos cerca de 2000 alunos do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, sócios efetivos da AAC. O NEM/AAC toma, para si, a missão de não só defender os interesses dos seus estudantes, tanto de índoles pedagógica como curricular, mas, também, de se constituir como um complemento, de outra forma inexistente, à formação do Estudante, para que este se forme, não só como um técnico de saúde, mas, sobretudo, como um verdadeiro médico.

20

.

ANEMIA

Podes saber mais em academica.pt


Cascos dados! Especial Caloiros

Dura Praxis, Sed Praxis

Praxe, praxis, prática... Vejamos, então, do

E

B

F

A

T

A

N

P

Com isto, uma “Dura Praxis, Sed Praxis” para todos.

que a praxe, tão rodeada de controvérsia e mistério, se trata... “Conjunto de regras e regulamentos que regem as relações hierárquicas e sociais da comunidade estudantil”. stas regras e regulamentos foram criadas pelo Conselho de Veteranos, cujas funções consistem, essencialmente, em legislar casos omissos no código e garantir que tais regras sejam cumpridas. Para além disso, também orientam a organização da Queima das Fitas. em, se considerarmos que praxe é o que está no seu código, então sim, não passa de um conjunto de regras. E é verdade que muitos pensam que nada mais é que uma hierarquia, trupes e uma etiqueta de vestuário, na qual o diabo se esconde por debaixo. Felizmente, não é esse o caso! alando propriamente da praxe de Coimbra, esta, tenta estar presente na vida dos estudantes, desde o momento da sua matrícula. Finalizando-a, os novos alunos são encaminhados para o seu núcleo de estudantes, onde, mais tarde, estarão à sua espera um bando de doutores, prontos para rodear os pobres caloirinhos e fazer perguntas muito dúbias - “Qual é a sua graça? E o pasto? E a estrebaria?”. Como podem imaginar, é muito confuso para quem, naquele momento, está, ainda, a tentar assimilar toda a informação que teve sobre a universidade onde passará os próximos anos. inda assim, são imensos aqueles que decidem continuar a participar na praxe, isto porque viram nela um mar de oportunidades! oda a gente sabe da importância que a praxe tem nos primeiros dias do caloiro. Esta quase que “obriga” a que haja convívio, subtilmente criando laços, nos quais ele tenta fazer crescer uma amizade. Não esquecer, também, o contacto com alunos mais velhos, que podem dar uma ajuda preciosa, tanto em relação à cidade como nos estudos, algo muito valorizado por aqueles que caem de paraquedas num capítulo novo da sua vida. lém de tudo isto, vale sempre a pena lembrar todo o lado divertido que pode ser aproveitado! Em toda e qualquer sessão de praxe (falando no caso da praxe de Medicina) estão sempre incluídos vários jogos e desafios, tanto para os caloiros poderem passar uma hora mais descontraída, assim como desenvolver diversas habilidades de trabalho em equipa. o entanto, há quem apenas veja o lado “humilhante” da praxe. A verdade é que, em qualquer praxe, há gozo ao caloiro. Mas também temos que saber que, em qualquer boa praxe, a “humilhação” é feita apenas quando os caloiros não conseguem cumprir as tarefas, ou fazem-no de um modo muito insatisfatório. Algo que é necessário para aproveitar esta atividade é sentido de humor, para se poder rir de si mesmo, sem se esquecer de, na próxima vez, tentar fazer melhor. essoalmente vi a praxe como uma oportunidade de aprender imenso sobre a história de uma cidade e de uma universidade, mas também de ser livre. Poder rir, gritar, cantar, correr, dançar e saltar sem ser julgado, porque todos à volta querem fazer o mesmo.

Por: Carlos Salgado

.

Outubro 2016 21


Cascos dados!

Especial Caloiros

Onde estudar

B

em-vindo à FMUC! Bem vindo a uma Faculdade com muitas peculiaridades, mas que tem um espírito de tradição e de vida académica como não há igual! Mas a vida não vai ser só convívios, latadas e queimas! Desculpa sermos nós a dar-te esta notícia, mas vais ter de estudar muito durante estes seis anos. Mostramos-te os melhores locais para te concentrares ao máximo; para dias em que não te queres sentir culpado por não fazer nada ou para aqueles em que queres mesmo estudar, mas levas amigos e não queres ser mandado calar cada vez que espirras.

SALA POLIVALENTE/BAR DA FMUC

LIVRARIA ALMEDINA

Se queres ar condicionado, cadeiras confortáveis e uma vista de cortar a respiração este é o lugar ideal para ti. É apenas para alunos da Faculdade de Medicina, portanto vê o privilégio que pode ser teu. Passa pelo atendimento do NEM/AAC na Subunidade 1 do Polo 3 e pede o teu cartão de acesso quando estiverem disponíveis.

Para os dias de sol, é um dos melhores espaços. Tem uma esplanada muito agradável, no Estádio Cidade de Coimbra, no lado oposto ao centro comercial ALMA, que vai tornar o teu estudo, sem dúvida, muito mais animador. É um pouco cara e, por vezes, tem muitas pessoas a tomar café, o que a torna um pouco ruidosa.

Aberta todos os dias 24 horas por dia.

Aberta todos os dias 24 horas por dia.

BIBLIOTECA DAS CIÊNCIAS DA SAÚDE DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA (POLO 3) O enorme número de lugares, disponibilidade de, à partida, todos os livros de que possas precisar e o facto de estar muito perto de ti, tornam este local uma ótima opção para os teus dias de estudo intensivo. Avisos: Se queres poder dizer alguma coisa aos teus amigos enquanto estudas, foge da funcionária.

Aberta de Segunda a Sexta das 8 às 20 horas. 22

.

ANEMIA


BIBLIOTECA GERAL DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA Num edifício histórico e mesmo no centro do Polo 1, podes encontrar um local onde podes estudar com muito silêncio e muita luz. Uma alternativa quase perfeita para quem quer fugir às bibliotecas cheias de pessoas a estudar o corpo humano. À entrada, tens de efetuar a tua inscrição e, em época de exames, chega cedo, porque os lugares enchem depressa, uma vez que alunos de todos os cursos batalham por um lugar alí. É muito fria no Inverno, leva agasalhos. Em período letivo, encontra-se aberta de Segunda a Sexta-feira das 9 horas às 21:45 CANTINAS horas. Em época de exames, está aberta de Segunda a Sexta-feira, das 9 às 24 horas e ao Tanto no Polo 3 como no Polo 1 as canSábado das 9 às 13 horas e das 14 às 18 horas. tinas são uma alternativa quase perfeita para as noites de estudo em que queres fugir das IRREAL SOCIAL bibliotecas, aproveitar um ambiente menos fechado e estudar até mais tarde. Apesar de Um dos locais mais diferentes do que é um pouco frias no Inverno e de, por vezes, tradicional em Coimbra. Muito agradável e mui- um pouco barulhentas, permitem-te estudar to central, na rua Lourenço de Almeida Azevedo, e estar com os teus amigos. Porém, apenas em frente ao Jardim da Sereia. Tem um ambiente estão abertas à noite em época de exames, original, calmo, esplanada, sofás e os preços são pelo que tens de estar atento ao seu horário acessíveis. Ótima sugestão para fugir ao dia-a- e às datas em que podes ir estudar para lá. dia em que passas o teu tempo na Faculdade.

TEATRO ACADÉMICO GIL VICENTE

Em plena Praça da República, tem uma grande vista sobre a mesma, quer no café, quer na esplanada. Tem pouco silêncio, como qualquer café, e poucas mesas, mas, se tiveres a sorte de ficar junto à janela, tens uma bela tarde de estudo garantida.

BIBLIOTECA GERAL DO CHUC

Para os dias em que estás no Hospital, e não só, é uma opção quase perfeita: cadeiras confortáveis, silêncio, mesas grandes e muita luz. Tem poucos lugares, mas, mesmo assim, devido à relativa baixa afluência, raramente enche. Encontra-se no piso -3 junto ao Serviço de Cirurgia Cardio-Torácica.

Aberta de Segunda a Sexta-feira das 9 às 19. Por: Maria José Temido

.

Outubro 2016 23


Fora da Medicina Entrevista a Irina Rodrigues

Irina Rodrigues, 25 anos, é atleta de alta competição no Atletismo. Lançamento do Disco é a modalidade onde se destaca, mas continua a surpreender em várias áreas! Entre elas, a Medicina, sendo agora aluna do 3º ano da FMUC. Foi apurada para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 onde, infelizmente, a pouco menos de uma semana da competição, sofreu uma lesão num treino, que a impediu de participar na prova para a qual trabalhara durante 4 anos.

Irina: Sempre gostei muito de desporto. Andei na natação dos 3 aos 13 e depois entrei para o atletismo. É algo que faz sentido na minha vida e acredito que é uma das minhas vocações. ANM: Curiosamente, após ler um pouco da tua biografia, o lançamento do disco não foi a primeira opção. Queres contar-nos como surgiu então esta modalidade na tua vida? Irina: Depois de uma lesão no ombro direito que requeria cirurgia, fui obrigada a desistir da natação. Como era jovem e já tinha recebido uns convites para fazer atletismo, resolvi experimentar. Comecei com um treino de velocidade, mas fui logo reencaminhada para o centro de lançamentos. A minha envergadura chamou a atenção do meu treinador.

24

.

Acredito que é uma das minhas vocações

ANEMIA

ANM: És uma atleta muito versátil, desde natação, lançamento do peso e salto em altura, para além do lançamento do disco, com que és mundialmente conhecida. Continuas a fazer competição por estas modalidades também? Irina: Natação terminou aos 13 anos. Dentro do atletismo, a partir do momento em que há uma especialização, não faz sentido continuar a treinar para as outras modalidades. Tal como na Medicina. ANM: Em 2007, a Medalha de Ouro no Festival Olímpico da Juventude Europeia, no escalão de Juvenis, e em 2008 o primeiro título absoluto de Campeã de Portugal no Lançamento do Disco. Ainda te lembras do que sentiste ao receber estes primeiros grandes títulos?

Anemia (ANM): Em 2004, aos 13 anos, surgiu, na Juventude Vidigalense, e mais tarde no Sporting CP, a oportunidade de crescer no atletismo. Por que não a música, a dança ou o teatro?

Comecei com um treino de velocidade

Irina: A medalha de ouro em 2007 foi dos momentos mais emocionantes da minha carreira. Foi aí que me apercebi que há sonhos que se podem tornar realidade e que poderia sonhar com a presença olímpica. O título absoluto em 2008 foi especial, porque a seguir fui convidada pelo prof. Moniz Pereira para ingressar no Sporting, o que me permitiu poder ser profissional.


ANM: 2012 foi um ano em grande para Irina Rodrigues, estou certa? Desde o Campeonato da Europa de Atletismo em Helsínquia, ao Meeting de Halle na Alemanha e, para completar, os Jogos Olímpicos de Londres. Qual a maior recordação que levas desse ano? Irina: Foi um ano difícil, mas conseguir bater o recorde nacional sub-23 no Meeting de Halle e estar presente nos meus primeiros Jogos Olímpicos foi espetacular. Adorei Londres! ANM: 63,96m e 65,40m, dizem-te alguma coisa? Alguma motivação especial? Irina: Onde estou e onde quero chegar. Gostaria muito de bater o Recorde Nacional Absoluto. É espe-

Onde estou e onde quero chegar

cial estar na folha dourada dos Recordes de Portugal. ANM: Se tivesses que escolher uma palavra para descrever a tua estadia no Rio de Janeiro, qual seria?

Irina: Todos os dias sinto dificuldade. Treino diariamente, às vezes dois treinos por dia. Além do cansaço físico, há a distância até Coimbra. Em Coimbra não há condições adequadas para poder lançar, pelo que treino em Leiria. Pessoalmente é muito difícil estar com os meus amigos e família. Todo o tempo que tenho é para treinar, estudar e descansar.

Treino diariamente, às vezes dois treinos por dia

Tal como na Medicina

Alentejano matar saudades do marisco e das praias do Almograve e Carvalhal. Medicina é outra das minhas paixões.ANM: Já sentiste dificuldade em conciliar vida pessoal, vida profissional e o estudo? Como te organizas neste sentido?

ANM: Relativamente, ainda, à tua lesão no Rio2016, disseste “Já tive várias pedras no meu caminho e esta é mais uma”. É caso para perguntar: o que podemos esperar de ti no futuro? Podemos esperar uma Irina com força redobrada em Tóquio 2020? Irina: Neste momento só penso em recuperar a 100%. Depois disso, quero lutar pelo recorde nacio-

Irina: Perónio. ANM: Onde foste buscar a motivação e força durante a estadia na Aldeia Olímpica após a lesão? O que aprendeste com esta experiência? Irina: As minhas colegas foram muito importantes. Deram-me muita força e tomaram conta de mim durante esses dias. Aprendi que quem realmente me quer bem aparece nestas alturas e me apoia até ao fim. ANM: Uma curiosidade: como se vive o ambiente na Aldeia Olímpica entre atletas? O que mais te surpreendeu? Irina: É um ambiente muito porreiro. Claro que há atletas que estão mais focados e outros mais descontraídos, mas acima de tudo, houve uma grande união na comitiva portuguesa. Surpreendeu-me muito o espírito positivo na Cerimónia de Abertura! ANM: Esquecendo agora o desporto, quem é Rodrigues?

Irina

Irina: Sou de Leiria, gosto de coisas simples como ler, ver séries e ir ao cinema. Sempre que posso vou ao Sudoeste

Por: Mariana Almeida

É com enorme orgulho que a redação da ANEMIA dá os parabéns aos colegas da faculdade que representaram o nosso país, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016, bem como afirma que foi um grande prazer entrevistá-los aos três. A ANEMIA, o Departamento Cultural e o NEM/AAC, desejam as maiores felicidades aos três e a maior sorte para futuras conquistas.

.

Outubro 2016 25


Coffee Break MEDesafio Achas que dominas os termos médicos? Ou pelo menos gostavas de o fazer? Testa os teus conhecimentos com as mirabolantes palavras-cruzadas e sopa de letras. MEDesafia-te! Por: Ana Lúcia Oliveira e Daniela Raposo

26

.

1. Inflamação de uma veia. 2. Impossibilidade de relaxar uma abertura ou esfíncter. 3. Ser que não tem cabeça. 4. Medo doentio de escadas. 5. Diz-se das afeções ou processos patológicos que têm uma evolução favorável e que são curáveis. 6. Que combate a tosse . 7. Contração muscular espástica, involuntária e do lorosa que ocorre geralmente nos membros, mas pode surgir em certos órgãos internos. 8. O mesmo que candidíase. 9. Dilatação do estômago. 10. Hálito com mau cheiro ou cheiro desagradável. 11. Inofensivo. 12. Tumor benigno constituído por fibras musculares lisas. 13. Dor muscular nos doentes com lepra. 14. Observação de um meato. 15. Dor generalizada. 16. Tecidos que envolvem o útero.

ANEMIA


Dr. Bayard N

o início de mais um ano letivo, parece-me importante fazer uma análise retrospetiva de alguns assuntos da faculdade, nomeadamente de algumas cadeiras.

J

á dizia o outro “enquanto as más línguas falam de mim, as boas percorrem-me o corpo”. Nesta situação, não sei bem quem são as boas línguas e que corpo andam a lamber, mas as más línguas, essas, são muitas e todos sabemos quem são! São os nossos próprios colegas, que não conseguem pensar no bem que algumas unidades curriculares nos fazem!

D

ou o seguinte exemplo. Será suposto um primeiranista saber de que modo se processa a saída de um átomo de carbono do isocitrato para formar alfa-cetoglutarato? A resposta, caros colegas, parece-me óbvia. Claro que sim! Afinal de contas, é pré-requisito, para entrar em Medicina, ter conhecimentos teóricos de Química Avançada. Ou o plano curricular mudou? Não creio. Mudam-se as gentes, mudam-se as vontades, mas a exigência continua a mesma, porque, desde sempre e até sempre assim será, a faculdade não serve para aprender, serve para decorar enzimas, ciclos e reações que nunca farão falta na profissão, mas que fica sempre bem no currículo, em conversa de circunstância e, quiçá, até no momento da escolha do nome de um futuro filho - “O meu filho vai chamar-se fosfohexose-isomerase! Que bonito nome!”

T

omem lá, invejosos, para aprenderem! E quem diz que esta vida de estudante nos põe a vida cinzenta e deprimida, certamente anda a dormir nas aulas.

A

lgumas cadeiras são autênticos mundos cor de rosa (na verdade, são mais 50 Shades of Pink), nas quais a sua carga horária é mais que suficiente para um aluno aprender o que quer e o que não quer sobre aquele assunto! Aprender e esquecer, com tanta matéria. Mas desengane-se quem acha que o objetivo de formar doentes psiquiátricos está esquecido - está, até, no bom caminho. Esse encontra-se muito presente nos planos da coordenação da cadeira, e de certeza que eles pensam, todos os dias, numa nova maneira de tornar impossível aos seus alunos descansarem, estarem com a família e amigos e andarem felizes sem serem consumidos pelo stress. Não só o treino mental que se faz para ficar acordado a estudar imagens, legendas e maneiras de distinguir células iguais é importante, também o físico o é. Para este propósito, têm a delicadeza de retroceder no tempo e evitar os avanços tecnológicos - refiro-me, aqui, ao inforestudante - forçando os alunos a subirem as escadas monumentais e deslocarem-se ao Polo 1 para ver as suas notas e distribuição de salas. Um autêntico “Quarto Rosa da Dor”! Esperem pela próxima vez que vos atirarem uma sebenta à cara ou que saiam da sala a meio da aula só porque (aparentemente) estão a fazer barulho, vai valer a pena!

gia, que nos fazem regressar ao tempo dos Afonsinhos e pensar naquela disciplina de Educação Visual, estão a ver? Como se já não fosse interessante o suficiente desenhar lâminas e (mais uma vez) colorir o mundo à nossa volta de rosa - até ao final do curso, devemos passar de 50 a 500 Shades of Pink, por este andar! -, ainda nos fazem estar mais interessados ao colocar colegas “mais velhos” a lecionar as aulas, aqueles colegas que estão lá e sabem mais de Mecânica Quântica ou de como construir um churrasco do zero do que propriamente a matéria que tem de ser leccionada. É aquele objetivo de nos fazer querer saber mais que o assistente, claro está. Um objetivo alcançado com facilidade, diga-se, mas que não deixa de ser interessante, para as almas mais curiosas.

C

omo podem ver, suas más línguas, nada é feito ao acaso, tudo é pensado ao mais ínfimo pormenor, de modo a tornarmo-nos pessoas mais independentes e mais preparadas para as adversidades da vida!

P

or falar em adversidades - e porque tenho de falar nisto para mostrar, mais uma vez a essas criaturas que só sabem falar mal de tudo -, há aquelas cadeiras super que importantes e super que nos dão autonomia. Perdem-se exames como quem perde uma moeda de cinco cêntimos, mas, colegas, tudo isto não passa de um plano maior para que, no futuro, estejamos mais preparados. E quem fala nestas adversidades, refere-se, também, certamente, a lutas de boxe ou rixas de rua. Isto porque quase que temos de ter um curso de defesa pessoal para conseguirmos vencer os nossos colegas e sermos nós a fazer o exame objetivo ao doente - talvez devam incluir isto nas provas específicas de acesso ao curso. Por tudo isto e muito mais é que somos todos FMUC. Esperem pela próxima reflexão do vosso Dr. Bayard.

Se tens sugestões para esta crónica, envia e-mail á outras cadeiras que nos despertam nostal- para drbayard@nemaac.net

H

.

Outubro 2016 27


28

.

ANEMIA


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Anemia setembro by NEM/AAC - Issuu