44ª EDIÇÃO - ABRIL 2016
Entrevista ao Nobel da Medicina
Bert Sakmann
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DEPARTAMENTOAbril CULTURAL 2016 1
Revista Anemia
Editorial
Propriedade
do
Núcleo
de
Estudantes
de Medicina da AAC - Pólo das Ciências da
Saúde
da
Índice
Eis a primeira edição da revista ANEMIA sob
44ª Edição - Abril 2016
Universidade
de
Coimbra
Sub-Unidade 1 da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Azinhaga de Santa Comba, Celas 3000-548 Coimbra geral@nemaac.net www.nemaac.net anemia@nemaac.net Departamento Cultural Direção: Pedro Manuel Pinto Redação: Pedro Pinto, Cláudio Ferreira, Margarida Duarte, Catarina Viegas, Gonçalo Costa, Gonçalo Torres, Gonçalo Engenheiro, Raquel Rodrigues, Bianca Fowler, Universidade de Coimbra através de João Cascalheira, Tiago Lorga, Catarina Pais Rodrigues, Filipe Alfaiate, Lurdes Branquinho
minha alçada! Quando fui convidado para ser o responsável pelo Departamento Cultural do NEM, estava longe de saber o real trabalho que me esperava. Muito mais que organizar workshops e outras atividades, mais que proporcionar momentos diferentes e interessantes aos estudantes da nossa Faculdade, ficou, também, a meu cargo, a coordenação deste que é um projeto com tremendo potencial. Tenho o desafio de, agora que se tinha elevado o estatuto da revista, mantê-la interessante, sempre atual e, desta vez com um objetivo mais pessoal, levá-la um passo mais longe. Para isso, conto com uma equipa da qual espero muita dedicação e competência, aliando, ainda, uma nova imagem, secções “super que atuais” e do interesse estudantil e um novo espírito, quer crítico, quer reflexivo. Nesta edição, para além das habituais secções, nas quais tentamos trazer sempre algo de novo, temos ainda entrevistas exclusivas tanto a estudantes, como a um vencedor do prémio Nobel da Medicina! Damos ainda a oportunidade de ficares a saber o que de mais recente há para saber sobre educação médica e conhecer cada um dos departamentos do teu núcleo e as suas atividades para este semestre.
Design e Grafismo: Marina Cruz, Miguel
A fasquia é alta e espero que o meu trabalho
Serôdio, Hugo Pereira
e dedicação estejam à altura das vossas expectativas!
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Entrevista ao Prémio Nobel da Medicina
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Creativa-te - Medicine Made Easy
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Aqui Faz-se Ciência
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Ciência Atual
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À Procura do NEMo
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Creativa-te - Cinema
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Creativa-te - Antologia
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Medicina Lá Fora - Especialidades no Estrangeiro
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Medicina Lá Fora - Erasmus
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Fora da Medicina - Entrevista a Luís Baptista
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Vive Coimbra! - A Visitar
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Vive Coimbra! - Estudantil Saudade
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O Que Aí Vem
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Coffee Break
Capa: Marina Cruz Impressão: DOCÓPIA Tiragem: 300 exemplares, Distribuição Gratuita Revista segundo o novo acordo ortográfico 2
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ANEMIA
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Abril 2016 3
ANM: Na sua biografia refere que, no geral, era assumido que se iria tornar um engenheiro. Alguma vez sentiu que este pressuposto influenciou a sua carreira de algum modo?
Entrevista a Bert Sakmann
BS: O trabalho que fiz com Erwin Neher foi, em grande parte, um trabalho de engenharia. Consistiu em aperfeiçoar as ferramentas, sondas, o equipamento eletrónico, este maioritariamente por Erwin Neher. Aperfeiçoar as ferramentas de análise… Eu nunca deixei a engenharia, admiro o seu trabalho mas queria trabalhar no problema biológico e, obviamente, o sistema nervoso, na altura, e ainda hoje provavelmente, era a parte mais enigmática do corpo e é aqui que se podem facilmente fazer descobertas.
BS: Sim, a única! Bem… E a minha mulher. (risos) ANM: Qual o aspeto que considera mais fascinante na investigação? Porquê essa grande paixão?
ANM: Fez um ano de cirurgia. O que o levou a rejeitar a parte clínica e a enveredar pela investigação?
Sakmann, fisiologista alemão, formou-se em medicina. Contudo, após um ano de prática em cirurgia, decidiu que não era esta a área que queria dedicar a sua vida. Enveredou assim pelo ramo da investigação, dedicando os seus estudos ao sistema nervoso. Esforçou-se por tentar compreender a biologia do ponto de vista da engenharia, sendo esta uma paixão sua desde nfância. Com o seu trabalho sobre a função de canais iónicos simples nas células foi laureado com o Prémio Nobel em 1991, em conjunto com Erwen Neher.
BS: Nunca é repetitiva. Tentamos sempre mudar as técnicas que usamos ao tentar responder a uma determinada questão e depois, há alguns momentos, ao longo de um ano, em que, de repente, nos apercebemos que há alguma coisa com interesse. Descobrimos algo! Mas depois temos que passar o resto do ano a consolidá-la. Mas são estes pequenos momentos, estes períodos em que realmente descobrimos algo novo, que fazem a investigação valer a pena.
BS: Sim, fiz um ano de cirurgia. Em medicina, temos que tomar muitas decisões rápidas sem conhecermos tudo o que está por trás e eu não podia suportar isso, tomar decisões baseadas em conhecimento insuficiente.
N
o passado dia 19 de Fevereiro, Bert Sakmann foi oradores no In4Med e concordou ser entrevistado pela revista Anemia.
um
dos
Anemia (ANM): Já antes esteve em Portugal, certo?
ANM: Veio de férias?
Bert Sakmann (BS): Sim, uma vez mas há cinquenta anos atrás...
BS: Bom, queria explorar as fronteiras da Europa. Uma vez que a fronteira Este era a “cortina de ferro”, pensei ir à fronteira Oeste e com o que já tinha ouvido sobre os descobrimentos portugueses, decidi averiguar que tipo de povo era este.
BS: Não, fiquei no norte de Portugal, de Porto a Peniche. Visitei Peniche, onde fiquei com a família de um pescador. Uma experiência maravilhosa! Chama-se Amadeo. Ele levou-me, durante uma noite, num barco de pesca e eu ajudei-o a pescar sardinhas. Uma experiência única! Especialmente quando a rede estava cheia e tinha que ser recolhida. Não havia auxílio de máquinas, tinha que ser puxada usando somente a própria força. E eles cantavam canções maravilho-
“
“
ANM: Veio a Lisboa, na sua primeira visita?
DECIDI AVERIGUAR QUE TIPO DE POVO ERA ESTE
ANM: Atualmente acha-nos diferentes? BS: São mais felizes, disso tenho a certeza. Em 1966,
sas para marcarem o ritmo com que puxavam. era algo deprimente. Mas digamos que perderam
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ANEMIA
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SÃO ESTES PEQUENOS MOMENTOS EM QUE REALMENTE DESCOBRIMOS ALGO NOVO, QUE FAZEM A INVESTIGAÇÃO VALER A PENA ANM: E nos períodos em que acontece, nunca se sentiu frustrado?
“
Bert
ANM: Durante estes incríveis mas trabalhosos seis anos de curso, muitos estudantes de medicina duvidam se é mesmo isto que querem fazer no futuro. Há algum conselho que possa deixar à nossa geração de estudantes e futuros médicos? BS: Tudo depende se realmente querem praticar medicina, como ouviram hoje nas palestras, ou se querem ir para investigação. E isto é de acordo com aquilo que querem fazer. Podem querer ser clínicos, como a minha mulher, que nunca quis fazer investigação. Dedicou-se à oftalmologia pediátrica e é muito feliz, tem uma vida muito feliz. Eu tive apenas um ano de prática médica e apercebi-me que não era esse o caminho por onde queria ir.
ANM: A sua grande paixão é a investigação, certo?
“
isso
não
BS: Não. Quando fazes uma descoberta tens que depois consolidá-la e isso não acontece apenas uma vez nem apenas duas, três ou dez vezes. E depois vês, de repente, que há muita variação e tens que descrever a variabilidade dos resultados. Na biologia, raros são os casos em que a resposta se restringe a sim ou não. E nós tivemos a sorte de escolher um problema em que a resposta era sim ou não.
“
NA BIOLOGIA, RAROS SÃO OS CASOS EM QUE A RESPOSTA SE RESTRINGE A SIM OU NÃO [...] TIVEMOS A SORTE DE ESCOLHER UM PROBLEMA EM QUE A RESPOSTA ERA SIM OU NÃO.
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Tema de Capa
TEMOS QUE TOMAR MUITAS DECISÕES RÁPIDAS SEM CONHECERMOS TUDO O QUE ESTÁ POR TRÁS E EU NÃO PODIA SUPORTAR, TOMAR DECISÕES BASEADAS EM CONHECIMENTO INSUFICIENTE.
“
aquele encanto medieval, há carros por todo o lado... Contudo, no geral, há muito mais sorrisos, mais juventude e mais abertura.
Mas é algo que tem que se fazer, sendo médico! E eles têm muito sucesso. Mas se quisermos saber exatamente qual é o mecanismo de funções particulares temos que saber muito mais. E tudo isto torna-se enciclopédico! Eu não queria fazer isso, não queria andar a correr como se fosse um tratado de Medicina. Então tive um breve período, isto já foi nos anos 60, em que tentámos montar um programa de diagnóstico, muito simples. Tive que aprender programação. Estava a montar um programa que fornecesse respostas simples baseadas em poucos dados. Mas depressa me apercebi que não funcionava. Nessa altura, não tínhamos muita informação. Em medicina, há os bons médicos que têm aquilo a que se chama Medizinischen Erfahrung (experiência médica) e o Medizinischen Erfahrung adquire-se ao ver os mesmos casos vezes sem fim.
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Abril 2016 5
Só é possível tornar-se um grande médico apenas por volta da idade dos 30, 40… com muita experiência.
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“
Creativa-te
EU NÃO CONSIGO REALMENTE DEFINIR O QUE FAZ UM BOM MÉDICO.
Medicine Made Easy
ANM: É muito mais do que apenas estes seis anos, certo?
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SÓ É POSSÍVEL TORNAR-SE UM GRANDE MÉDICO APENAS POR VOLTA DA IDADE DOS 30, 40… COM MUITA EXPERIÊNCIA.
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ANM: Sobre a sua esposa, é oftalmologista? BS: Sim, para crianças. Oftalmologia pediátrica. E ela, durante quarenta anos, adorou o seu trabalho. ANM: Nós sabemos que a sua decisão de terminar o curso de Medicina em Munique foi influenciada por mais que uma razão (risos). Gostava de nos falar um pouco sobre isso? BS: Sim (risos)… Bom, quando se é novo, vocês sabem, há outros aspetos na vida! ANM: dades
Frequentou várias universidiferentes durante o seu curso.
BS: Não foram assim tantas… Estive em Munique, London University College, Göttingen, Heidelberg e agora em Munique, novamente.
ANM: São bastantes, muitas mais do que ao que estamos habituados cá em Portugal! BS: Ah! Era maravilhoso porque podíamos mudar de acordo com os nossos interesses. Como estudantes de medicina, apercebíamo-nos que um determinado lugar era particularmente bom para fazer fisiologia, outro particularmente bom para estudar bioquímica… O nosso sistema permitia que frequentássemos diversas universidades. ANM: E acha que essas diferentes universidades preparam os médicos para diferentes áreas no seu futuro? BS: Não. Agora esse sistema já acabou, na Alemanha. Mas havia a tradição de frequentar uma universidade diferente todos os anos. Atualmente é tudo muito rígido, com o currículo tornamo-nos muito single-minded. Este costume da tradição medieval de estudantes a frequentar e circular por diversas universidades era maravilhoso, na Alemanha e na Europa. Podíamos ir onde nos apetecesse!
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COM O CURRÍCULO TORNAMO-NOS MUITO SINGLE-MINDED. ESTE COSTUME DA TRADIÇÃO MEDIEVAL DE ESTUDANTES A FREQUENTAR E CIRCULAR POR DIVERSAS UNIVERSIDADES ERA MARAVILHOSO.
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BS: Sim, absolutamente! Enquanto que, se se enveredar pela ciência, podemo-nos concentrar numa única e simples questão, pesquisar tudo sobre ela e depois trabalhar nela. Já a medicina requer anos, anos e anos de experiência. Uns nunca a atingem, outros aprendem muito rápido… Eu não consigo realmente definir o que faz um bom médico.
ANM: E acha que essa educação multicultural influenciou a sua carreira de modo a que se sentisse mais confiante em assumir riscos e explorar novos territórios na ciência? BS: Sim, absolutamente! Por: Catarina Viegas e Rita Xavier
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Com agradecimento a João Neves
ANEMIA
Atualmente, a disponibilidade de mei-
os tecnológicos permitiu um desenvolvimento substancial dos métodos de diagnóstico de doenças, tendo contribuído para a deteção precoce das mesmas. De facto, os métodos de diagnóstico pré-natal dependem, uns mais do que outros, de tecnologias sem as quais não seriam realizáveis, como acontecia não há muitos anos atrás. De entre as várias técnicas de diagnóstico pré-natal, pode-se destacar a amniocentese e o teste de Harmony.
O teste de Harmony é um método bas-
tante recente, que foi descoberto por investigadores norte-americanos e que se baseia na colheita de sangue materno, do qual são extraídas moléculas de DNA do feto. Esta análise pode ser realizada em qualquer altura da gravidez, sendo mais confortável e acarretar menos riscos, tratando-se de um método não invasivo. Ainda assim, o teste de Harmony não permite o despiste de todas as doenças de causas genéticas e apresenta um risco de falsos resultados, caso no sangue materno se encontrem molécu amniocentese é o método de diag- las de DNA de um feto abortado, por exemplo. nóstico de malformações com origem genética, como as trissomias, mais conhecido. Este ssim, nenhum destes métodos se exprocedimento consiste na colheita de líquido clui. Antes pelo contrário, eles complemenamniótico, que se encontra dentro do saco am- tam-se e sustentam-se no suporte de diagniótico que protege o feto, no qual se encon- nóstico que a engenharia e a biologia oferecem tram células fetais. A análise do DNA destas à Medicina. Graças a eles, hoje é possível decélulas permite avaliar se existem mutações tetar doenças antes do nascimento e iniciar a genéticas passíveis de causar doenças. A am- terapêutica adequada precocemente: uma reniocentese é bastante fiável, apesar de só se alidade inconcebível num passado não muito poder realizar após as 15 semanas, isto é, quan- longínquo. do o líquido amniótico já é suficiente e, sendo um método invasivo, apresenta um risco, embora muito reduzido, de induzir um aborto. Por: Cláudio Ferreira
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A
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Aqui Faz-se Ciência
Ciência Atual
ORIGEM: que indica o início; o início do Futuro
Sabias Que...?
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ual é a enfermaria que se encontra sempre trancada, à qual os estudantes de Medicina só podem ir à vez e se não estiverem constipados? Pela sua dificuldade, qual é a cadeira que mais assusta os alunos do quarto ano de Medicina? A resposta é Hematologia. Esta ciência, que estuda o sangue e órgãos hematopoiéticos, tem sido o grande desafio da investigação em todo o mundo. Não só devido à sua complexidade, mas também pela morbilidade e mortalidade que as doenças hematológicas provocam. E quem é que conseguiu dar mais um passo na descoberta dos enigmas deste imbróglio? A Universidade de Coimbra (UC). Podemos reclamar por muito, mas talento não nos falta. Até descobrem a origem das células estaminais!
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devido mérito tem de ser entregue à equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC, dirigida por Filipe Pereira. Esta equipa descobriu os elementos precursores, que dão origem às células estaminais do sangue (CES) durante a embriogénese, e como estes podem resultar em todos os tipos celulares sanguíneos, criando um método que atribui às células precursoras as propriedades das CES, ou seja, a autorrenovação e multipotencialidade.
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esta investigação, os precursores das CES foram identificados em ratinhos e, agora, o caminho será no sentido de conseguir fazer o mesmo em humanos. Isto porque as doenças do foro hematológico impõem um tratamento diferenciado e direcionado para o doente, tendo em conta as características imunológicas de cada pessoa, para que as transplantações sejam o mais benéficas possível.
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ANEMIA
As células precursoras foram encontradas no tecido embrionário e na placenta dos ratinhos através de marcadores, que serviram para ajudar no mapeamento e descrição do seu comportamento. O coordenador do projeto salientou, em entrevista à UC, que “os resultados obtidos podem levar ao desenvolvimento de métodos mais eficazes para aumentar as células estaminais do sangue do cordão umbilical e da medula óssea”.
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á em 2013, esta mesma equipa do CNC, tinha reprogramado fibroblastos para que estes se transformassem em células estaminais do sangue. Após três anos, esta equipa conseguiu chegar aos tão desejados resultados de que hoje temos conhecimento, tendo-os publicado na revista internacional “Developmental Cell”, com grande impacto na área da biologia do desenvolvimento.
E
ste trabalho de investigação, concebido em colaboração com o Ichan School of Medicine at Mount Sinai, de Nova Iorque, e o Weatherall Institute of Medicine, da Universidade de Oxford, beneficiou de apoios dos norte-americanos National Institutes of Health e Revson Foundation, de Nova Iorque.
mente, iou, recente ntes cr d e m si n telige suíça Se contacto in A empresa lentes de as para e ad d h n a se m e e um sist coma. D u la g o silicone e m d ate as lentes n fi que comb as s st e as variaçõe 22 anos, que mede r maiores de so d n e se ac ro poderá m mic integram u O médico r. m la co cu u ao se tr in altura no r e u q da pressão al ao u q junto valores a na colada er a estes e uma ante d aqui! Em s r o vé p ra m at se ficara putador ão n as conseM . d ente da Flori a, e ad id olho do do rs e iv formando com a Un E na lente, a cooperação in m ão ta vi rporar sa a dispers guiram inco e transporte que atra im li e a ad sua rápid uma barreir uvitando a la e g s o to a n e ar am s p dos medic Os fármaco m s lágrimas. cerca de ce te n ra u d nação pela o lh s. o ai u o n at e s lente têm-s coma man que com as o d o p m te vezes mais
A Universidad e dos Açores está estudar pacto da expo o imsição dos ha bitantes das ilha de São M Furnas, iguel, aos gase s emitidos pe vulcânico. O lo solo projeto envo lve a monitor geoquímica ização dos gases, se guida da sua numa perspe análise tiva biológic a e epidemio através de qu lógica, estionários à população. M das habitaçõ etade es foram cons truídas sobre de desgaseific zonas ação difusa do Ribeira Quent solo. No caso e, na vertente da sul do vulcão valor sobe pa , este ra 95%. O es tudo vai infl ciar as decisõ uenes sobre as zo nas e tipo de struções, qu cone serão tom adas em funç da atividade ão vulcânica e do risco para a saúde da s populações .
N
unca é de mais salientar a qualidade da In vestigação feita na nossa Universidade. Temos isto e tanto mais para nos orgulhar, mas muito também a fazer para tornar a Medicina cada vez mais pronta a responder às doenças que ainda nos afligem no presente e aos desafios que nos aguardam no futuro. Por: Margarida Duarte
Por: Catarina Viegas
Investigado res do Cen tro de Dese de Materiai nvolvimento s Funcionai s, da Unive ual Paulist rsidade Est a e da Univ adersidade Fe Carlos, no B deral de S rasil, desen ão volveram u plástico qu ma garrafa e prolonga de o prazo de leite fresco validade d pasteurizad o o por oito usadas mic dias. Foram ropartícula s à base de p priedades b rata, com p actericida, roantimicrob terilizante iana e auto no plástico esdas garrafa das em larg s. Foram te a escala e staconcluiu-se perigo de e que não há stas microp ar tículas se d em da emb esintegraralagem e e ntrarem em o leite já q contacto co ue são inco m rpo pó durante o molde das radas sob forma de garrafas. Est partículas poderão se as micror usadas n e incorpora outras áreas r imensos produtos d iferentes.
A sonda New Ho rizons, da NASA, atingiu este ano o ponto mais próx imo de Plutão, o qu e irá permitir aprofundar o conh ecimento sobre a sua superfície e temperatu ra. Lançada em 2006, dos Estados Unidos, esta sonda, após ter pa ssado Júpiter, viajou “adormec ida” durante nove anos até ser reativada em 20 15. Afinal, o plan eta anão tem cerca de 80 km de diâmetro a mais do que se julgava. Isto signific a que existe um a quantidade significativamen te maior de gelo e menor de água comparand o com a previsã o inicial. Este detalhe será impo rtante no estudo da história da formação de Plutão e do Sist ema Solar.
A Faculdade de de Engenhar Ciências da Nutrição e a Faculdade ia um doseador da Universidade do Po rto criaram de sal portát il capaz de or exato do medir o valteor de sal em cerca de com baixo 6 custo, perm itindo corrig minutos e útil a quan ir em tempo tidade de sa l nas refeiç fácil de usar ões a , pode ser le vado para qu servir. É zinha e co ntempla as alquer copr incipais ca alimentação tegorias da da populaçã o. O consum cessivo, prin o de sal excipal causa de hiperten afeta signifi são arterial cativamente , a populaçã sa. O próxim o portugue o objetivo da pamento fa equipa é qu ça automat e o equiicamente a alimentos e análise dos indique ao cozinheiro a percentagem de sal presente na refeição.
Alzoença de a, d à s o d a w dos dedic u Tonega e Nos estu quipa de Susum u q iu r e e 7, sug 8 9 1 m heimer a e ria Medicina perda” de memó “ Nobel da a por o haja um em recuperá-la talvez nã e d urgiu dificulda ipótese s mh ta s E mas sim l. e inacessív s em ratos. Ao esti se tornar ita com fe s ia iênc u cérebro ne s o d s de exper a c iê s específi recuperar exper l ular área e esív m s s ia o c era p e pare u q s to luz azul n e eriu mportam do, a equipa sug s cias e co o no . Deste m sível curar os da s quecidos 50 o z fosse p ue em 20 . que talve . A OMS estima q soas os s de pes e õ h il m provocad 1 afete 13 a doença
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À Procura do NEMo
À Procura do NEMo V In4Med
DICAS DO MÊS COM... João Pestana, Presidente do NEM/AAC Livro favorito: Apesar de ultimamente não ter tido tempo para por a leitura em dia, o The Catcher In The Rye foi se mantendo nos meus favoritos Música Favorita: Yiruma - River Flows in You Destino de ferias: Em Portugal: O regresso a casa (Açores) é sempre especial para recarregar baterias; No estrangeiro: Copenhaga Cidade favorita: Praga Programa de televisão: The Big Bang Theory O que para ti é indispensável no dia a dia: O meu telemóvel, atualmente não consigo organizar-me sem ele O que torna o teu dia especial: Sentir que pude contribuir para tornar o dia de alguém especial O que mais gostas no teu trabalho: Poder contagiar aqueles que me rodeiam com o “bichinho” que o NEM deixou em mim Agradecemos a disponibilidade ao João Pestana e toda a equipa da ANEMIA deseja-lhe um bom mandato enquanto Presidente!
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Por: João Pestana
OS GRANDES DO NEM Ana Fradique, Coordenadora de Projetos do NEM/AAC
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E os grandes projetos do NEM/AAC estão mesmo aí!
gora Coordenados por Ana Rita Fradique, as expectativas são ainda mais altas. Dizemos-te já no que podes participar!
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oderás salvar a vida a milhares de Ursinhos e/ou rastrear vários “velhinhos”, ao mesmo tempo que lhes consegues por um sorriso no rosto! O Hospital do Ursinho será de 26 a 30 de Abril, com a Formação dia 19 de Abril e o Cuidar (o) Próximo será em datas a designar.
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ara além disso, damos-te também a oportunidade de fazer parte da construção de grandes projetos.
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e quiseres integrar a Comissão Organizadora da IV Gala Asclepius ou do VI In4med fica atento ao Facebook e site do NEM/AAC! Por: Ana Fradique
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ANEMIA
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primeiro In4Med aconteceu numa tarde de sexta-feira, no auditório da Unidade Central. Participaram 50 pessoas e os oradores foram maioritariamente professores da faculdade. A missão era simples: comple(men)tar a formação dos nossos estudantes. Passado 5 edições, o espírito mantém-se. Aliás, a necessidade manteve-se pois a procura aumentou exponencialmente: as 435 inscrições foram preenchidas em menos de uma hora! uando começámos este desafio, só tín hamos um objetivo em mente: “Mais e Melhor”. Mais oradores internacionais com melhores capacidades oratórias, mais workshops com melhor qualidade formativa, mais eventos do Programa Social com melhor conteúdo cultural, entre outros. Assim dito, assim feito e durante um ano, fosse queima ou época de exames, não parámos até atingir o que tínhamos estabelecido. Uma verdadeira epopeia de mails, telefonemas e reuniões.
Q
uando planeámos o convite dos ora dores, definimos que queríamos um orador que motivasse os participantes, fosse pela sua história de vida ou pelo seu trabalho, ao mesmo tempo que dinamizasse a apresentação no formato TEDlike. No final, contámos com a presença de dois laureados do Prémio Nobel, Dr. Bert Sakmann e Dr. Rolf Zinkernagel, mais 6 oradores internacionais, ao mesmo tempo que “mostrávamos a prata da casa”, como o Prof. Lino Gonçalves ou a Dra. Mafalda Martins. Contudo, quisemos expandir da aprendizagem passiva e trazer um espirito de competição ao In4Med, criando o “Doctor, Crack My Case” e continuando o AstraZeneca Competition.
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oncomitantemente, quisemos providen ciar uma experiência In4Med única e memorável,
apostando num jogo de luzes e som que criou o ambiente ideal para “hipnotizar” os participantes e focar a atenção no que estava a acontecer em palco.
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or outro lado, os workshops continu am a ser uma forte aposta do In4Med, sempre com uma grande componente prática e uma variedade colossal de forma a garantir que todos os participantes tenham 4 horas de pura aprendizagem e que retirem skills para a sua vida pessoal e/ou profissional! Este ano atingimos os 29 workshops em simultâneo e a perspetiva é crescer!
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as como o In4Med não é só aprendiza gem, acreditamos que estes momentos devem ser intercalados com períodos de convívio e enriquecimento cultural. Que outra cidade além de Coimbra para promover isso mesmo? Com o Jantar de Gala e a tarde no Museu da Ciência, ouvimos grandes artistas da nossa faculdade, mostrando o quão versátil o estudante de Medicina consegue ser.
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omo conseguimos isto tudo? Tínha mos a motivação certa, o planeamento correto e o mais importante, a equipa certa!
N
um tom mais pessoal, acredito que re tirei imenso desta aventura e tudo o que tive de fazer foi sair da minha zona de conforto. Espero que In4Med continue a ser dos estudantes para os estudantes e que este evento consiga motivar a desafiares-te e aproveitares as diferentes oportunidades que a vida académica te dá (seja o NEM/ Investigação/ AAC/ Desporto, etc.). Qualquer dúvida, estou sempre disponível para ajudar! Por: Gonçalo Costa
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À Procura do NEMo
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA E INVESTIGAÇÃO 1 Abril Peer Teaching (até ao final do mês)
11 Abril Pensar a Tese
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO MÉDICA 4 Abril WS do Especialidades da Casa
WS do Especialidades da Casa
O-Rangers
Abril
1
4
5
6
7
FMUC League
Peer Teaching
6 Abril Especialidades da Casa
Especialidades da Casa
Tandem Night
até ao final do mês
Ma-deixas
Sexo à Noite 11
12
Pensar a Tese
17
13
15
Batismo Noturno
DIC Attack
DIC Attack
DIC Attack
O-Rangers 19 Abril Pedro e Inês
15 Abril “Ma-Deixas” 5 Maio Dia do Nariz Vermelho
DEPARTAMENTO RECREATIVO E DESPORTIVO
PET/T4PE
Pedro e Inês
20
4 Abril
16
VI Café Longo
19
DEPARTAMENTO DE DIREITOS HUMANOS E PAZ
21
5 Maio Mega da Queima
DEPARTAMENTO DE MOBILIDADE INTERNACIONAL
26
COOLtiva-te
5 Abril FMUC League 21 Abril Batismo Noturno
Hospital Ursinho
7 Abril Tandem Night 16 Abril PET/T4PE 7 Maio Piquenique Internacional
DEPARTAMENTO DE SAÚDE PÚBLICA, REPRODUTIVA E AMBIENTAL 12 Abril Sexo à Noite
26 Abril Hospital Ursinho
Piquenique Internacional
Maio
2
7
2
Junho
2
Mega da Queima Medical Pursuit
Hospital do Ursinho
International Dinner Party
DEPARTAMENTO CULTURAL 13 Abril Café Longo
20 Abril COOLtiva-te
DEPARTAMENTO DE IMAGEM E COMUNICAÇÃO
12
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17, 19 e 21 Abril DIC Attack ANEMIA
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Abril 2016 13
Creativa-te
Creativa-te
Luzes, Câmara, Ação!
Antologia
Estou de volta!
D
esde Fevereiro de 2015 que não escrevo uma crónica na Anemia. Muita coisa se passou na minha ausência. O país e a FMUC mudaram. Neste regresso às crónicas, vou analisar algumas dessas mudanças.
I
“O
Labirinto
do
Fauno”
Título Original: “El laberinto del fauno”
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alado só em espanhol mas distribuído pela companhia americana Picturehouse, chega-nos este maravilhoso filme, melhor ilustrado como uma mixórdia de tudo o melhor que se pode encontrar na mente e no coração de Guillermo del Toro. O mesmo del Toro reconhecido pelo seu distinto talento para efeitos especiais visuais e caracterização e design de personagens fantásticas, e a quem é atribuído o crédito de filmes como Hellboy, Hellboy 2 e Pacific Rim. Estes três títulos certamente primam pelos seus visuais, e certamente não são filmes maus, longe disso, mas a nenhum deles se pode gabar a seriedade. Embora ostensivamente superiores à típica matiné do Brendan Frasier, permanecem filmes para ver com o cérebro a meio gás.
M
as é em “El laberinto del fauno” que del Toro encontra o vetor perfeito para a sua arte. Passado durante a ditadura falangista espanhola em 1944, o filme é centrado à volta de uma menina imaginativa chamada Ofélia que se vê enclausurada pelo novo casamento da sua mãe grávida, com o implacável Capitão Vidal. Sádico, feroz, e sedento de sangue rebelde, Vidal mantém um acampamento militar rural no meio duma floresta, destinado à caça de republicanos. É nesta floresta que Ofélia encontra criaturas maravilhosas, primeiro uma fada insectiforme e mais tarde o titular fauno (um homem-bode) que a guia numa aventura para lá dos limites da fantasia, que satisfaz o desejo de Ofélia de fugir à realidade aterradora governada por Vidal. Ao princípio é algo
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ANEMIA
dúbio se Ofélia estará apenas a imaginar, já que mais nenhuma personagem humana partilha das mesmas visões, mas cedo se torna claro que o mundo da fantasia é bastante real e paralelo, e necessita da determinação de Ofélia. Mas se de volta em casa a espera o maquiavélico Vidal, do outro lado a situação não é muito melhor: na cena mais icónica do filme, Ofélia interrompe o sono de um monstro escanzelado com olhos nas mãos e um apetite voraz por criancinhas, que a persegue ao som do puro suspense. É Doug Jones que interpreta tanto este conhecido monstro como o fauno, debaixo de quilos de tecido e maquilhagem que demoravam cerca de 4 horas por sessão a aplicar. Jones entra também nos supramencionados filmes da série Hellboy, na pele de um homem salamandra azul, ficando aqui registada a camaradagem entre ator e realizador.
A
melhor qualidade deste filme é que o drama no mundo real consegue ser tão interessante e fascinante como o mundo de fantasia de Ofélia. Vidal quer exterminar os rebeldes como ratazanas, e estes mantêm, em segredo, aliados infiltrados no seu acampamento, incluindo Mercedes, aia pessoal de Vidal e a única confidente de Ofélia. Enquanto vê, desgostoso, o mundo a que o seu filho ainda por nascer está destinado, a desmoronar-se diante dos seus olhos, a raiva animalesca, mas não mentecapta, de Vidal vira-se em direção a uma menina metediça com demasiada imaginação e liberdade. Fabuloso, brilhantemente caracterizado e galardoado com três Prémios da Academia, este filme merece com certeza uma oportunidade. Por: Gonçalo Torres
niciando pela capital, Lisboa começou a discutir a reforma da 2.ª circular. A via que divide os sem pre divididos grandes clubes da capital divide agora a cidadania portuguesa. A Câmara Municipal de Lisboa quer torna-la mais verde e agora discute-se se se deve plantar árvores ou arbustos. Se por um lado se procura reduzir grandemente os níveis de poluição atmosférica, por outro teme-se que as árvores se tornem influência nefasta na aviação que ali bem perto parte e aterra no Aeroporto da Portela. (Por falar nisso, a TAP já foi vendida! Mas agora foi parcialmente recomprada! De 4 em 4 anos mudam-se os governos, mudam-se as vontades...).
J
á antes, na FMUC, o Professor Murta tinha deixado a Direção e para o seu lugar entrado o Professor Duarte Nuno. Não se pode propriamente dizer que o antecessor tenha aquecido a cadeira, mas certamente que o novo Diretor já terá tido as mãos a escaldar com o polémico relatório da ANEM sobre a comparação das condições pedagógicas entre as várias escolas médicas do país. Polémico porque deita abaixo a FMUC. Injustamente, dizem os nossos Professores. Justamente, dizem os nossos estudantes. Justiças à parte, a verdade é que os estudantes sofrem e mais uma vez o NEM teve que meter mãos à obra. Desta vez para apoiar a nova vertente curricular da FMUC, o Peer Teaching. Com o seu programa de Ensino por Pares, a FMUC quis promover a polivalência dos alunos do 6.º ano. Outrora apenas meros “segura paredes do CHUC” foi-lhes pedido que passassem também a dar colinho aos alunos do 2.º ano. Cão sem pastor com rebanho a cargo, portanto...
E
m Portugal, a Política conheceu uma realidade que já se vivera noutros países. A coligação PSD/ CDS voltou a ganhar as eleições, mas desta vez sem maioria absoluta e não conseguiu formar governo (ainda estou para perceber como é que eles conseguiram ganhar com tanta diferença, se espremeram o país à procura da mais pequena moeda preta durante 4 anos.). Depois o PS fez um acordo de governação com BE e CDU. A indústria das greves pôs as mãos na cabeça e António Costa passou a ter de dormir com os dois olhos bem abertos durante os próximos “façam a vossa aposta” anos.
O
NEM cresceu. Logótipo novo, site mais funcional, grandes In4Meds... são meras faces visíveis da grande evolução que se vem dando nos últimos mandatos rumo a uma organização cada vez mais profissional. Parabéns às sucessivas Direções!
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eixei de fora desta crónica o futebol e a reforma curricular. Foi um verão muito quente para os lados da 2.ª Circular e para os Serviços Académicos da FMUC! Tanto que o calor derreteu o Inverno mais quente do último século! Mas sobre esses assuntos, já muito se falou, não vale a pena consumir o vosso reflexo da convergência com isso.
E
enquanto tudo isto se passou, onde estive eu? Muito perto da inspiração. Demasiado longe da caneta. Agora estou aqui novamente. Voltei! Por: Gonçalo Engenheiro
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Abril 2016 15
Medicina Lá Fora
Medicina Lá Fora
Especialidades Lá Fora: Suiça
Erasmus
Ou seja, todos os anos é preciso planear o percurso, candidatando-se aos serviços de interesse.
P
ara terminar o grau de especialização, com o “exame da especialidade”, é preciso primeiro cumprir-se o currículo necessário para a especialidade pretendida, que está disponível no site da FMH (Associação dos Médicos Suíços). Idealmente, seriam os médicos a escolher o hospital e a especialidade, mas na prática são os hospitais que escolhem os médicos. As especialidades mais cobiçadas em Portugal continuam a ser as mais cobiçadas na Suíça, sendo, por isso, necessário ir trabalhando noutros serviços até que se consiga uma vaga naquilo que realmente se ambiciona.
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esta vez a Anemia decidiu falar com quem, efetivamente, está a ter uma experiência médica lá fora!
E
stivemos à conversa com a Dan iela Quental, ex aluna da nossa faculdade e que terminou o curso no passado ano letivo!
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N
omo pontos positivos deste sistema, existe a possibilidade de passar sempre por diferentes serviços, havendo uma panóplia de possibilidades para alguém que está em início de formação. Como pontos negativos, existe o facto de não haver uma formação assegurada, sempre com a incerteza do ano seguinte, sendo ainda mais complicado para quem quiser, por exemplo, uma especialidade cirúrgica, porque o currículo cirúrgico começa a ser feito quase só 4-5 anos depois de iniciar uma experiência como médico assistente.
A
internato médico na Suíça é muito dif erente do sistema nacional Português. Lá, qualquer pessoa com um curso de medicina pode concorrer para trabalhar como médico assistente, depois de reconhecido o respetivo diploma pela autoridade competente. Ao contrário do que acontece em Portugal, não existe nenhum exame de acesso à especialidade, cada pessoa candidata-se para a especialidade e para os hospitais que quiser. A seleção é feita tendo em conta o currículo, a carta de motivação e a entrevista pelo médico-chefe do serviço em questão. o momento da contratação há uma preferência pelos suíços ou por quem já tem experiência de trabalho na Suíça. Geralmente, aqueles que concorrem pela primeira vez são contratados por um ou dois anos, por serviços de medicina interna ou cirurgia geral, fazendo turnos de 3 ou 6 meses em sub-especialidades médicas ou cirúrgicas. O contratado implica aquele ano de trabalho, e não uma garantia de continuidade de formação médica, como acontecesse em Portugal.
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A
remuneração é justa e a progressão na carreira é bastante aliciante. Na Suíça os médicos trabalham 50 horas por semana e é possível que existam horas extraordinárias pagas. Há direito a 25 dias de férias por ano e, consoante o número de horas que se trabalhe por dia, é possível ir acumulando dias de folga.
Daniela está desde 1 de outubro a tra balhar, na Suíça, num serviço de cirurgia e estará também num serviço de urgência durante 6 meses.
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T
rabalhar na suíça como médico assis tente é trabalhar com bastante autonomia. É o responsável por receber o doente, examiná-lo, discutir diagnósticos e propor tratamentos, inclusive prescrever desde o primeiro dia de trabalho.
ANEMIA
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E
m termos sociais, depende do sítio onde se vive, mas em Portugal há mais vida, mais convívio, mais espirito de grupo, enquanto na Suíça parece não haver a mesma iniciativa ou a mesma necessidade de um contacto social. No fundo, viver na Suíça é bom e estimulante e Portugal continua a ser a casa e a festa! Por: Raquel Rodrigues
Coimbra Dia 8 de março. Depois de uma aula, um
rapaz perguntou-me se estava a gostar de estar aqui e, quando viu que hesitava em responder, ele insistiu para ficar a falar comigo, para lhe contar tudo o que se estava a passar na minha cabeça.
S
ou uma rapariga italiana e, há muito tempo, li um livro - “Afirma Pereira” - que é uma história de paixão e de saudade dos jovens portugueses, pelo que fiquei com muita curiosidade acerca deste povo.
C
heguei então a Coimbra no dia 4 de se tembro com muita energia positiva, no início. Achava que ia conhecer muitos portugueses, que se iam tornar meus amigos e que ia ter a possibilidade de descobrir Portugal e a Língua Portuguesa através dos olhos deles. Mas não foi exatamente assim.
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uando começaram as aulas (quando final mente percebi onde e a que horas eram!) reparei que a maioria dos meus colegas não ficou assim tão contente por ter alguém novo na turma. Havia alguns que diziam: “Não percebo por que meteram estes Erasmus na nossa turma.”. Muitas vezes, os professores queixavam-se por terem turmas grandes e os meus colegas respondiam: “É que há mesmo muitos Erasmus! Até colegas tiveram que mudar de turma por causa deles”. Numa outra aula prática, fui expulsa pelo professor, porque o meu nome não estava na lista e nem os colegas, que me tinham visto na aula anterior, disseram nada para me ajudar. Acabei por pensar: “Pronto, Erasmus também é isto, é aprender a ser independente”, mas não nego que nos primeiros meses fiquei muito desiludida.
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epois as coisas foram melhorando. Tinha conhecido, no primeiro dia de aulas, um grupo de raparigas que ficou sempre do meu lado. Entrei numa rotina: de manhã tinha aulas, almoçava na
cantina com os meus amigos - o momento mais divertido do dia - e as tardes eram para mais aulas, ou para descansar e passear. As terças e as quintas eram para febradas e convívios, e os fins-de-semana eram para descobrir Portugal, que tem tantas maravilhas.
A
época de exames foi um mês muito intenso, como para todos, mas aguentei bem. Afinal “Vai correr bem”, é mesmo assim. Começar as aulas do segundo semestre foi o mais difícil. Muitos amigos, que só iam ficar no primeiro semestre, foram embora. Até então, não tinha ainda reparado no que estava a acontecer no meu coração (e acho que ainda não sei). E isso é uma das coisas do Erasmus, conhecer pessoas e viver com elas, momentos que a vida normal não oferece. É sentir emoções que nem sabes nomear. É ficar tão confuso, tão feliz, tão melancólico, que um corpo só não chega para conter tudo.
T
inha que mudar algo. Precisava de um novo começo. Não podia haver momento melhor para uma querida amiga portuguesa me convidar a ir viver com ela. E assim fiz.
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gora estou à espera da primavera. Es tou à espera da Queima. Estou à espera de tudo. Há pessoas que vão de Erasmus só para sair à noite e beber. Mas Erasmus não é só isso, é uma explosão e uma implosão ao mesmo tempo, é conhecer pessoas. É aprender a viver longe de casa e a resolver situações difíceis noutra língua. É aprender Medicina também. É tentarmo-nos relacionar com vidas diferentes, mas que afinal são como eu.
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cho que o programa Erasmus é uma das coisas mais clarificadoras para nós, jovens europeus. O melhor é partir, partir à descoberta do novo. E não há nada da minha experiência que considere negativo, porque afinal o negativo é positivo também. É crescer. Por: Bianca Fowler
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Abril 2016 17
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ANM - Quais são os teus pilares de apoio? Sentes que há algo que te impele a tentar chegar mais longe? LB - A resposta é cliché, mas honesta. Os meus principais pilares de apoio são a sinceridade e franqueza da minha família e núcleo de amigos com as quais sei que posso contar incondicional e intemporalmente. ANM - Como te sentiste na tua primeira atu-
ação?
LUÍS BAPTISTA Tem 21 anos, vem da Figueira da Foz e está no 4º ano de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Com 10 anos começou a aprender guitarra. Toca ainda flauta transversal (tem 5º grau de conservatório) e piano há 7 anos. Fez Erasmus na República Checa e durante esta experiência cantou em bares jazz, fez parte de um coro gospel e foi convidado a cantar fado em alguns eventos. Participou no programa “The Voice Portugal”. Nas provas cegas conseguiu convencer os 4 mentores a virar as cadeiras e escolheu a Marisa Liz (vocalista dos Amor Electro) para ser sua mentora. ANEMIA - Como começou o teu percurso? Quem
LB - Não! Nunca fui de fazer planos a longo praou qual foi a tua inspiração? Desde sempre zo, portanto as minhas prioridades foram variando consoante as circunstâncias e as experiências com pensaste em chegar onde chegaste? as quais fui contactando. Mas independentemente Luís Baptista - Comecei a cantar desde muito do que é ou não prioritário, procuro sempre dar o pequeno. Sempre que havia encontros de família eu meu melhor em tudo o que faço, porque só assim fazia mini-concertos com as músicas que ouvia na consigo perceber o que me dá mais gozo fazer e que, rádio, mas com letras inventadas por mim. Recusa- consequentemente, devo assumir como prioridade. va a cantar se houvesse qualquer mínimo barulho! Mas penso que foi com 10 anos, quando comecei a aprender guitarra, que passei a levar a música mais ANM - Alguma vez tiveste de abdicar de algo a sério. pessoal ou de algo do curso? Como foi a deANM - As tuas prioridades foram as mesmas
desde o início? Como têm variado ao longo do tempo? 18
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ANEMIA
cisão?
LB - Costumo dizer que a música e a medicina (por
LB - A minha primeira atuação foi na associação da minha terra com 10 anos. Cantei a “A Carta” dos Toranja e lembro-me que estava super calmo. Fiquei mais nervoso quando, no final, as pessoas me vieram abordar com elogios e palavras incentivadoras. Achei aquilo muito estranho e não sabia bem o que dizer. ANM - Tens algum tique ou exercício para com-
bater o nervosismo antes de atuações? É o mesmo que fazes antes dos exames?
LB- Comi uma maçã. São muitas horas de espera e com os nervos tem-se tudo menos fome. Mas recordo-me que no final da gravação da minha prova cega senti que já não comia há dias e tiveram que atrasar as gravações seguintes para eu comer a maçã.
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NO FINAL DA GRAVAÇÃO DA MINHA PROVA CEGA [...] TIVERAM DE ATRASAR AS GRAVAÇÕES SEGUINTES
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Entrevista a Luís Baptista
A MÚSICA E A MEDICINA TRABALHAM, QUASE SEMPRE, A HORAS E DIAS DIFERENTES
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Fora Da Medicina
enquanto) trabalham, quase sempre, a horas e dias diferentes, por isso, ainda não tive que abdicar de nada significativo quer de uma parte quer da outra.
ANM - Neste momento, quais são os teus principais objetivos? LB - Estou a trabalhar nos meus originais com o objetivo de gravar um CD, que é uma ambição que tenho há imenso tempo, acima de tudo para satisfação pessoal. ANM - Para finalizar, o que dirias a outro estu-
dante que quisesse enveredar pelo mesmo caminho que tu?
LB - Diria que Música e Medicina can share the same road. O mais importante, na minha opinião, é que cada pessoa se sinta feliz e realizada com o que faz e que não se tenha medo de sair da biblioteca de vez em quando. Por: Pedro Pinto
LB - (risos) Não é bem um tique, mas é pior. Quando estou realmente nervoso dão-me crises de sono daquelas em que não consigo parar de bocejar, fico molengo e começo a lacrimejar. Os dois primeiros sintomas aprendi a controlá-los com uma boa dose de cafeína, mas o último é mais difícil e já deu origem a situações caricatas, tais como, perguntarem-me em palco “porque estás a chorar?” ou se tinha estado a fumar substâncias antes da atuação. Durante a participação no The Voice descobri umas gotas milagrosas anti-olhos lacrimejantes e, desde então, o meu exercício antes de subir a palco é colocar uma gota em cada olho. Ainda não uso esta técnica para os exames, mas estou a ponderar. Principalmente no fim dos exames…
ANM - Quando passaste na audição do The Voice e viste as 4 cadeiras viradas, qual foi a primeira coisa que fizeste? (não conta abraçar os teus pais)
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Abril 2016 19
Vive Coimbra!
Vive Coimbra!
A visitar
#somosFMUC C
om a geral tendência de informatizar a única posse intrinsecamente humana, o sentimento, cai-se no ridículo da redução. Simplificando o raciocínio: quando se tenta abranger o todo como um todo, esquecem-se os pormenores. Quando nas afamadas redes sociais, a sinal de subtil vaidade ou publicitário encanto, se depara com um #somosfmuc imediatamente o leitor é remetido para a grandiosidade quase nobiliárquica (que a idade tipicamente confere) do sonante nome da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, celebremente exaltada pelos quatros cantos do vasto mundo desde imemoriais tempos, de orgulho redobrado e símbolo ímpar da mais antiga instituição universitária do país.
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COLÉGIO DE JESUS
F
oi o primeiro colégio da Companhia de Jesus a ser fundado em todo o mundo, no ano de 1542, destinando-se à formação de clérigos para esta nova ordem religiosa. Notabilizou-se pelos estudos ministrados e pelo seu corpo docente, preparando missionários que foram os apóstolos do oriente e do ocidente. Em 1592, o colégio tinha já 205 alunos.
N
o âmbito da reforma Pombalina foram atribuídas novas funções ao edifício, inteiramente transformado com a construção de novos e amplos espaços que permitiam um foco nos “studos Novos”, os estudos iluministas, centrados na experimentação: os instrumentos utilizados na época são um dos elementos turísticos do espaço, englobados numa coleção que inclui objetos do século XVII ao XIX.
P
ara além dos espaços dedicados à física e ao estudo experimental, um visitante pode ainda conhecer seis salas na Galeria de Zoologia. As duas primeiras salas correspondem à Exposição Temporária Natureza Exótica e as restantes são a sala do Mar, sala de África, sala da América do Sul e sala de Portugal. Neste espaço, um visitante pode ainda deliciar-se com a visualização de centenas de animais e objetos provenientes de vários pontos do mundo, sendo que o ex-libris do espaço é uma baleia com 20 metros.
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ANEMIA
LABORATÓRIO CHÍMICO
O
laboratório Chimico é ainda apresentado com uma nova cara, através de visitas acompanhadas ao mais importante edifício neoclássico português. Foi construído para o ensino da Química, entre 1773 e 1777, durante a reforma da Universidade de Coimbra iniciada pelo Marquês de Pombal.
E
sta construção materializa a ideologia iluminista do ensino prático da ciência em que o trabalho laboratorial se tornou central na formação de médicos, farmacêuticos e estudantes da recém criada Faculdade de Filosofia. O Laboratório Chimico é hoje um monumento único da arquitectura científica europeia, o primeiro laboratório universitário em Portugal e um raro sobrevivente do século XVIII com a estrutura quase intacta. Por: Universidade de Coimbra, através de João Cascalheira
hashtag, muitas vezes acompanhado por citações batidíssimas ou frases de carácter previsível e trivial, é, na visão de muitos, uma insígnia de mais alto nível que, como já explicado anteriormente, representa a faculdade como fonte máxima de sabedoria e monumental fundação a que se deve o máximo respeito e a mais fiel reverência.
P
orém, ao erguer o véu da redução deste hashtag, facilmente se causa a ruína da idílica imagem. Somos FMUC. Somos FMUC, de facto. Para o melhor e para o pior. Somos a FMUC da média de dúzia e meia de alunos a asfixiar o doente com anamneses. Somos a FMUC dos regentes desaparecidos. Somos a FMUC das décadas de exames imutáveis, das perguntas repetidas e das opções nunca antes faladas. Somos a FMUC dos auditórios subterrâneos, somos a FMUC que se senta no chão das salas, que fica à porta dos quartos dos doentes por não haver espaço. Somos a FMUC paradoxal das melhorias iguais à primeira fase e das maratonas de orais, frequências, apresentações, relatórios, portefólios e exames! Somos a FMUC que corre juntamente com os professores nos corredores do hospital, dos alunos que diariamente se divertem com jogos de cadeiras e que vivem em stress perpétuo. Mártir FMUC que se arrasta nas mágoas da dor e se tenta equilibrar sobre o abismo do desespero. Somos a FMUC indignada que se cala.
Mas por outro lado, somos também uma
outra FMUC. Somos uma FMUC fresca, fervilhante, promissora! Uma FMUC de prémios, de qualidade, visionária, orgulhosa das suas raízes. Somos igualmente uma FMUC vibrante, funcional, com mestres sapientíssimos e eruditos, a quem devemos reconhecimento e apreço pela formação; uma FMUC de suor e lágrimas feita, de sorrisos, de noites passadas em branco, de dias infindáveis, de memórias inesquecíveis! Uma FMUC jovem, tingida de espírito académico e tradições seculares, estandarte de Coimbra, brasão amarelo! Somos uma FMUC que se revela como centro de referência e ímpar aprendizagem. Uma faculdade que encontra no passado inspiração para prosseguir e se erguer cada vez mais, cada vez mais sofisticada e empenhada no encalço dos mistérios que as ciências ainda preservam; uma faculdade viva repleta de alunos ambiciosos, ousados, que diariamente fazem por serem mais e melhores, por darem o melhor deles a quem o seu melhor lhes oferece. Estudantes que se superam e se dedicam com tenacidade a esta faculdade dinâmica, competitiva e humana. Somos sim uma FMUC de contrastes, mas orgulhosamente unida.
P
ortanto, da próxima vez que o leitor se deparar com uma fotografia de um estetoscópio num bolso de uma bata imaculada ou com um par de sebentas encimadas por copos de café vazios, não solte um riso irónico nem demonstre excessiva alegria ao ler o hashtag. Antes esboce um sorriso cúmplice e sincero, ao recordar o quão complexo e belo este organismo pode ser. Por: Tiago Lorga
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Abril 2016 21
O Que Aí Vem
Quizz
DEMasiado Importante! D
ia de formatura, o dia no qual investiste os últimos 6 anos, o dia em que te tornarás médico ou extremamente apto a obter aprovação em cadeiras para as quais sabes pouco ou nada. Estes 6 anos fizeram de ti uma pessoa com uma educação superior ou mais um diplomado dum curso superior?
1.
valoroso que de nada te adiantou para além da nota a Anatomia. Aquele ultraje que invade o feed de notíciais quando a manchete dos jornais menciona o Harrison, as condições (anti)pedagógicas ou um novo decreto-lei que muda tudo de forma cega e incomportável.
V
oltemos então ao cenário criado e coloque-se a questão – Qual é a missão primordial da FMUC e das escolas médicas em geral?
D
e certo, já expressaste a tua indignação nalgum ponto da tua aprendizagem, acerca duma aula teórica, sem sentido, sem propósito, sem fio condutor, duma aula prática que de prática teve apenas o nome ou o conhecimento que dela retiraste foi uma especialização em micropipetagem. Já te perguntaste porque é que o teu currículo tem determinadas cadeiras e os próprios métodos de avaliação são um desafio, por si só. Já pensaste naquele belo empinar do Martins tão
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ANEMIA
2.
Se não estivesses em Medicina, que outra área gostarias de ter seguido? a) Design e Multimédia. b) Desporto. c) Educação. d) Investigação. e) Turismo.
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ducação Médica nunca foi um tema tão pertinente como neste cenário. Sabes que tem algo a ver com reivindicar uns direitos, os professores lecionarem as aulas de uma certa forma, nós, alunos, aparecermos por lá e intervirmos, sermos bem avaliados e contribuirmos para a nossa formação. Também já ouviste falar de autonomia, extinção do ano comum, PNS ou PNAS. Tens uma ideia, mas talvez seja mais fácil explicar a cascata da apoptose... Logo que começas a pensar na resposta, és confrontado com mil e uma variáveis, áreas de ação, nomes e teorias importantes. A tarefa de conjugar isso tudo numa pequena declaração esclarecedora, ao mesmo tempo, apelativa e interessante que mude posições de indiferença revela-se, no mínimo, herculeana.
Qual destas atividades do NEM gostas mais? a) In4med. b) Hospital do Ursinho. c) Call Me. d) InMotion. e) Reset.
A
conversa de café descrita acima é Edu cação Médica. A missão da FMUC é todos os anos eliminar tópicos dessa conversa, ensinar em Medicina e a sua prática. E tu fazes parte da FMUC, é tanto tua obrigação como dos professores contribuir, promover o interesse, o conhecimento, a educação, seja por intervir nos órgãos da Faculdade, sugerir ao professor da prática novas estratégias para cativar a sala ou participar nas Reuniões Gerais ou Plenários. Devemos salvaguardar a nossa Educação, refletir, ouvir e tomar posições sobre os assuntos. Quando se fala em Educação Médica não chutes a bola para canto, a tua equipa é parte vital do campeonato.
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ara os amigos, famílias e demais que nos ouvem deambular sobre estas questões, que não compreendem porque é que nos dedicamos tão avidamente à Educação Médica, muitas vezes em detrimento dos nossos próprios resultados académicos ou experiências pessoais. Este é o testemunho, este é o manifesto. Cada um de nós deixará a FMUC um passo à frente ou assim o esperamos. E tu, juntas-te a nós nesta missão? Por: Departamente de Educação Médica
3.
4.
Se pudesses parar de estudar por um ano, o que irias fazer? a) Ia viajar pelo mundo. b) Ia a todos os festivais. c) Ia fazer missões de voluntariado. d) Ia para um laboratório fazer investigação. e) Ia tentar aprender o máximo de coisas possível em muitas áreas diferentes. O que é que gostas mais no teu curso? a) De lidar com os doentes. b) Do ensino. c) Dos convívios. d) Da diversidade de coisas que se pode aprender. e) Da possibilidade de ir para outros países.
5.
6.
c) Ler. d) Aprender. e) Ajudar.
7. O que é que te fez vir para medicina?
a) O contacto com as pessoas. b) A arte escondida em cada especialidade. c) A ciência. d) O facto de poder aprender um leque vastíssimo de matérias. e) O ensino.
8. Consideras-te uma pessoa… a) Criativa. b) Interessada. c) Humanitária. d) Viajada. e) Feliz.
Legenda:
Qual destas especialidades pondera rias seguir? a) Pediatria. b) Medicina humanitária. c) Cirurgia plástica. d) Medicina desportiva. e) Investigação. O que é que mais gostas de fazer? a) Viajar. b) Tirar fotografias.
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Abril 2016 23
Tens sugestões de temas para a próxima edição? A escrita é uma paixão? Gostarias de pertencer a esta grande equipa? Contacta a tua Revista: anemia@nemaac.net Esperamos por ti!
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DEPARTAMENTO CULTURAL ANEMIA