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ANEMIA - Edição de junho

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Revista Anemia

Editorial

45ª Edição - Junho 2016

uita gente me tem vindo perguntar como é estar no Núcleo de Estudantes de Medicina (NEM) e se gosto de lá estar. Quanto à primeira questão, nunca sei bem como hei de responder, porque tem tanto de exigente como de gratificante! Por um lado, há todo um compromisso e dispender de tempo, que antes tinha livre e utilizava para fazer coisas que me libertassem a mente ­agora dedico­ao NEM, nas várias atividades que organizamos para vocês, estudantes de medicina. No entanto, pertencer ao NEM é algo tremendamente realizador, principalmente quando recebo o vosso feedback, que tem sido extremamente positivo. Resumindo, pertencer ao NEM, é sentir a 100% cada palavra daquilo que costumamos dizer: “Eu corro por gosto e canso-­ me, mas não me importo”!

Propriedade

do

M

Núcleo

de

Estudantes

de Medicina da AAC - Pólo das Ciências da

Saúde

da

Universidade

de

Coimbra

Sub-Unidade 1 da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Azinhaga de Santa Comba, Celas 3000-548 Coimbra

R

geral@nemaac.net www.nemaac.net anemia@nemaac.net Departamento Cultural Direção: Pedro Manuel Pinto Redação: Pedro Pinto, Cláudio Ferreira, Fábio Gomes, Catarina Viegas, Rita Xavier, Gonçalo Engenheiro, Gonçalo Torres, Miguel Silva, Mariana

Almeida,

Inês

Costa,

Ana

Lúcia

Oliveira, Diana Correia Design e Grafismo: Marina Cruz, Daniel Pacheco Capa: Marina Cruz Impressão: DOCÓPIA Tiragem: 300 exemplares, Distribuição Gratuita Revista segundo o novo acordo ortográfico

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ANEMIA

elativamente à segunda questão não tenho qualquer dificuldade em responder. O orgulho que sinto em estar aqui, a representar os estudantes desta faculdade, a desenvol ver projetos e atividades PARA os estudantes é imensurável. Porém, é muito mais que isso, é também um papel que se transforma numa ótica nacional, através da constante presença da Associação Nacional de Estudantes de Medicina, contribuindo para realizar mudanças, sempre com vista em melhorar a educação de medicina, para os estudantes atuais, mas também para os estudantes vindouros.

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odo o trabalho extra, todas as noites mal dormidas, todas as quintas feiras que são passadas na sala do NEM e não a sair, todas as alterações que a minha vida sofreu desde janeiro, se transformam numa panóplia de sentimentos, onde não está incluído, de certeza, o arrependimento; voltaria a fazer tudo igual para poder viver isto outra vez! Relativamente a esta edição, damo-­ vos a oportunidade de (re)viver o que foi o VI Café Longo com a entrevista a Marta Bateira, bem como de conhecer um pouco mais o médico chamado de “louco” por muitos, ao propor­ se realizar um transplante de cabeça com sucesso. Não deixem de ver as novas descobertas feitas por equipas da FMUC ou de tentar descobrir as soluções das palavras cruzadas! Por: Pedro Pinto


Índice 4 ..................................................... Aqui Faz-se Ciência 5 ................................................................... Ciência Atual 6 ...................................... Entrevista a Sergio Canavero 10 ........................................................................... Crónica 11 ........................................................................... Cinema 12 ..................................................... À Procura do NEMo 17 ................................................................ Vive Coimbra 18 ......................................................... Medicina Lá Fora 20 ......................................................... Fora da Medicina 22 ................................................................ O que Aí Vem 23 ................................................................. Coffee Break

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Aqui Faz-se Ciência Combate à Obesidade e Diabetes Tipo II

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m Portugal, as doenças cardiovasculares são a principal causa da morte em indivíduos adultos, sendo responsáveis por cerca de 30% dos óbitos. A obesidade e a diabetes tipo 2 são fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, pelo que a melhor forma de prevenção é tentar ser portador do menor número de fatores de risco possível. Na verdade, esta prevenção revela­ se ainda mais importante nas sociedades ocidentais como a nossa, nas quais os hábitos e estilos de vida favorecem o aparecimento destes fatores, o que suscita o interesse da comunidade científica em realizar estudos nesta área. Foi o que aconteceu no seio de uma equipa liderada pela Professora Dra. Raquel Seiça, responsável pelo Instituto de Fisiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), que perspetivou uma nova forma de combater estes dois fatores, tendo sido, o trabalho da equipa, distinguido pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia.

No nosso organismo ocorre um processo

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irreversível em que a glicose se liga a moléculas como as proteínas – glicação. Quando os níveis de glicose no sangue estão aumentados, quer porque o indivíduo é diabético, quer porque a dieta é rica em açúcares, a glicação ocorre mais frequentemente, nomeadamente em proteínas da parede dos vasos sanguíneos, tornando­ -os rígidos. O mesmo acontece com a ingestão de produtos glicados, presentes em alimentos processados.

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outro lado, a obesidade resulta da

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acumulação de lípidos no tecido adiposo, ingeridos em excesso. Assim, as células do tecido adiposo irão proliferar mais rapidamente e, simultaneamente, aumentar o seu volume, de modo a poder armazenar os lípidos. Deste modo, a expansão do tecido adiposo requer um maior fornecimento de oxigénio, e, como ta, a formação de novos vasos (angiogénese) para assegurar a adequada irrigação do tecido. Aquando de uma má irrigação deste, por dificuldades na angiogénese ou por alterações dos vasos existentes, como as provocadas pela glicação, surge disfunção do tecido adiposo e a obesidade torna­-se “não saudável”.

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a verdade, a disfunção do tecido adiposo cursa com inflamação do mesmo, devido às condições de hipoxia a que os adipócitos são sujeitos, alteração dos produtos segregados como citocinas e adipocitocinas e fluxo exagerado de ácidos gordos e a sua deposição noutros orgãos como o fígado, pâncreas, coração e vasos sanguíneos. A expansão do tecido adiposo, particularmente o visceral, é o maior responsável pela produção alterada de citocinas e o elavado fluxo de ácidos gordos. Isto leva ao desenvolvimento da resistência à insulina e prejudicam a secreção desta hormona. m suma, o tecido adiposo interferirá na secreção e ação da insulina, o que não permitirá a manutenção homeostática dos níveis de glicose, resultando numa condição de pré-­ diabetes tipo 2. oncluindo, a diabetes tipo 2 agrava a obesidade e esta, por sua vez, pode conduzir à diabetes tipo 2, o que demonstra a relação existente entre estes dois fatores de risco cardiovascular. Assim, este estudo vem reforçar a necessidade de prevenir o surgimento destes fatores, com destaque para o efeito que os produtos de glicação têm no organismo, alertando para a necessidade de serem adotados hábitos alimentares saudáveis.

Por: Cláudio Ferreira


Ciência Atual Sabias Que...?

de uma equipa u to a tr n o c r l ara melhora Um hospita p 1 la u rm ó de F a mecânicos s prestados c os uidado ncia dos ê ri e a exp m o C ? s o id ma recém-nasc aumentara s o ic d é m s s: o capacidade mecânicos, m ra e lv o v n dese entre a eficiência e e sincronia e d a id c lo e has de precisão, v nharam lin e s e d o s is ição equipa. Para m a dispos ra ra e lt a , o chã m os posição no s e arrumara a, tal to n e m a ip dos equ mnemónic como uma s es. to n e m u instr em nas box z fa s o ic n â ec como os m

A presença d as mulheres em atos religiosos dimin ui o seu risco de morte em quase 33 % ? E st e facto advém do estilo de vida associado às crenças e à p ro fi ssão da sua fé, que co ndiciona positivamen te os hábitos alimentares e as consequ ências destes na sa úde da mulh er.

Por: Fábio Gomes

A depressã o pode con dicionar a recuperaçã o de doente s cancerígenos? No momen diagnóstico to de , se o doen te sofrer de depressão, apresenta, de acordo co estudos, re m sultados m enos positi na recupera v o s ção do cancr o, uma vez que mante rá estilos d e vida p ciais e uma atitude pess rejudiimista, condiciona ndo assim a sua recuperaçã o total.

A capacidade qu e um individuo te m para aprender po de ser prevista at ra vés da análise de vá rios padrões de on das cerebrais. Para al ém de conseguir prever a facilidade de aprender línguas ,a análise destas on das permite tam bé m compreender a pl asticidade cerebr al de um indivíduo na idade adulta, num teste que dura ap enas 5 minutos.

Estão a ser estudados c ães que possuem tu mores cereb ra is (glioma) iguais aos d os humanos gliomas são . Os tumores pra ti c a incuráveis, mente que afetam o sistema nervoso cen tral, concluin do-se num períod o de vida in fe ri or a 2 anos na altu ra em que s descoberto ão s. Através d o estudo em cães, está-s e a evoluir n a busca de uma cura pa ra o tumor.

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Tema de Capa Entrevista a Sergio Canavero

Sergio Canavero é um neurocirurgião mundialmente conhecido pelo seu projeto de transplante de cabeça HEAVEN/GEMINI. Foi quem descobriu os mecanismos da síndrome da dor central e é especialista na área da neuromodelação elétrica e química. Foi orador no V In4Med, que decorreu no passado mês de Fevereiro, concordando ser entrevistado pela revista Anemia. “Sabem com que idade é que eu me voltei para isto? Quando tinha 15 ou 16 anos. A ideia do tema da Dor Central surgiu quando eu tinha 26 e eu trabalhei-a... Porque tinha uma mente jovem e não porque era mais esperto! Quando és velho, fora de questão! Vocês têm que pensar nisto e no que têm. Portanto, se ligarem esta luz nós podemos conquistar o universo, nós podemos sair fora deste planeta. Começar a explorar seria um processo lento até alguém surgir com uma força motriz e seria o fim de tudo. Vocês nem iriam precisar de hibernação ou transplante de cabeça. Mas até esse momento chegar têm que estar preparados para seguir todos os passos necessários, sem dar ouvidos à geração mais velha. Ouçam o vosso coração e a vossa mente.” ANM: Conquistar a morte, conquistar o universo... Canavero: Brincar a Deus? ANM: Não, estava a perguntar sobre o modo como desenvolvemos a ciência e a humanidade,a falar sobre as pessoas não morrerem e conquistarem o universo e a morte. Não é essa a ideia? Canavero: Sem dúvida! Isto é, quando tiveram pneumonia e tomaram antibiótico para parar a morte já estão a expandir o tempo de vida. E o modo como fazem isso, começam a... És portuguesa? ANM: Sim. Canavero: Bom, vocês, portugueses, estiveram entre os primeiros a descobrir... A Europa era o centro do universo para nós. Portanto, nós fomos mais além, “made the

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mess of it”... Levámos a civilização e a Santa Cruz e essas coisas todas. O problema agora é que nos saímos muito bem a lixar o planeta. Daqui a 900 milhões de anos, o que não é assim tanto tempo, a camada externa do Sol vai expandir e queimar-nos até à morte. Resta-nos menos de um bilião de anos. E apesar de nos dizerem que há tempo de sobra, na realidade não há. Torna-se claro que temos que partir à descoberta. O facto é que o transplante da cabeça abre novos cenários, novos caminhos, para vocês os seguirem, não para mim. Vocês têm 20 anos portanto é o vosso futuro. Mas porque haveria eu de aceitar a morte? A natureza não me diz nada. Nós aceitamos a morte não porque a natureza nos diz que temos que morrer, não porque agora vemos 100 biliões de seres humanos que nos precederam, todos mortos. Nós aceitamos a morte como destino mas a natureza não nos está a dizer nada. Na verdade, se olharmos com atenção, a natureza está a dizer-nos que podemos mudar isso! Com a nossa engenharia, ao pensar em novos caminhos,


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Mas porque haveria eu de aceitar a morte? A natureza não me diz nada.

ANM: Está cá em Portugal já há alguns dias, certo?

Canavero: Sim. E tão feliz! A comida é ótima, as pessoas são espetaculares e é sempre ótimo poder juntar a tua mente com mentes jovens. Eu diria que estou muito impressionado com todos vocês. ANM: É a sua primeira visita cá? Canavero: A Coimbra sim, mas não a Portugal. Eu estive cá algumas vezes no passado. Eu diria que o espírito dos marinheiros portugueses que conquistaram o coração do mundo ainda cá está e fico feliz por poder dizer isso. Mas fico feliz por dizer que, enquanto as gerações mais jovens se preocuparem, o futuro é promissor. (risos)

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O espírito dos marinheiros portugueses [...] ainda cá está

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ANM: Não interessa se as pessoas concordam ou não com o seu projeto e se o aceitam, mas é, hoje, um neurocirurgião mundialmente conhecido. O que é que o motivou para fazer isto, para tentar isto? Canavero: Quando fiz oito anos, nos anos 70, eu era um ávido espectador de televisão. Lembro-me de ver episódios de uma série médica americana. E ainda me lembro de ver um raio-X, que na altura não sabia o que

era, mas ainda me lembro vivamente dessa imagem - era uma angiografia. E eu disse: “Isto é fixe, quero fazer algo parecido!”. E algum tempo mais tarde, lembro-me de uma entrevista, na televisão, a um britânico a quem tinham feito uma cirurgia ao olho. Era cego e recuperou a sua visão. “Isto é o que os médicos fazem? Fantástico! Eu quero ser médico!”. Mais tarde frequentava o secundário quando, por acaso, descobri Dr. White. Foi o homem que fez o primeiro transplante completo da cabeça sem conexão da Medula Espinhal num macaco. Eu disse: “Isto é uma excelente coisa para me acontecer, quero fazer parte disto!”. Na altura eu estava certo de que nos anos seguintes ele iria desenvolver este trabalho e quando chegasse a minha altura já estaria tudo realizado. Felizmente, ele não fez isso portanto eu já ando a trabalhar nisto há 30 anos. E só quando me senti pronto para revelar o meu trabalho é que o tornei público. E foi o inferno à solta! A geração mais velha ainda estava a pensar no trabalho de Dr. White. Dr. White foi perfidamente atacado pela sociedade, por toda a gente, por estar a fazer coisas horrendas. Mas, na verdade, ele estava a fazer coisas importantes que estão hoje a ajudar o grupo HEAVEN a levar a cabo esta cirurgia, este procedimento. Portanto, eu diria que nada do que foi feito no passado foi perdido.

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Foi o inferno à solta!

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vão-se abrir novos cenários. Não é a natureza... Mas, como já disse, de tempos a tempos, questionamo-nos: “ Mas porque não tentamos isto?”. Cristóvão Colombo partiu à descoberta de um novo caminho para a Índia – descobriu a América. Portanto, o que nos espera não sei. Mas o futuro está certo, nós vamos fazer descobertas muito além do imaginável. Em cem anos irão olhar para trás, para nós, e dizer: “what?”, tal como vocês fazem com aqueles que vos antecederam há cem anos. Não podemos parar. Esta é a história da humanidade! Nós não devemos parar. Esse é o nosso destino, disso não há qualquer dúvida!

ANM: Quando considera terem surgido os maiores obstáculos ao seu trabalho? Antes ou depois de ter dado a conhecer ao público o seu trabalho? Canavero: Eu não disse absolutamente nada ao longo dos anos, reservei-me. Fui trabalhando em várias frentes relacionadas com o transplante da cabeça mas nunca tornei claro o porquê de estar envolvido neste ou naquele assunto. Depois, quando lá estava toda a ciência, eu disse a todos: “Eu estudei a dor central por causa do transplante da cabeça. Eu estudei a estimulação por causa do transplante da cabeça.”. E então toda a gente ficou chocada. Tenho que dizer que no início as pessoas acreditavam que eu era um homem louco, que isto era uma coisa de doidos. Mas não é assim tão importante! As críticas surgem sempre que se propõe uma coisa tão radical e tão revolucionária. Então tive que lhes dar as evidências que, na realidade, começaram a ser provadas muito cedo. Logo após a minha primeira exposição do projeto

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ANM: E em relação às diferenças anatómicas entre o humano e o macaco, não considera serem um problema? Canavero: Dados descobertos em animais são necessários apenas porque as agências reguladoras baseiam-se em experiências animais para dar luz verde a qualquer procedimento, especialmente num procedimento experimental desta dimensão. Mas posso dizer-vos que estamos mais avançados do que o que as pessoas ouviram pelos Media. Os resultados que mostrámos em animais já são velhos para nós, são novidade para vocês. Já passámos a um patamar humano. Começámos com cadáveres para ter a certeza que era possível coordenar a cirurgia, os muitos cirurgiões e por aí em diante. Vamos testar o protocolo em cérebros doados para confirmar que é possível transferir para a esfera humana o que demonstrámos em animais.

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Estamos mais avançados do que o que as pessoas ouviram pelos Media

ANM: Como acha que será a vida do doente após a cirurgia? Canavero: Valery Spiridonov foi primeiro voluntário para fazer a cirurgia. Veio comigo a Annapolis no ano passado, e as pessoas colocaram-lhe a mesma questão. Eu disse-lhe: “Olha, Valery, o primeiro avião foi Kitty Hawk. Não era lá grande avião mas agora podes voar graças ao Kitty Hawk, dos Irmãos Wright. A técnica será aperfeiçoada ao longo do tempo, no início não será perfeita. Estás preparado para voltar a andar, fazer sexo?”. E ele disse: “Sim, absolutamente!”. Então eu disse “Eu não te posso assegurar que fiques apto para correr mas podes andar, fazer as tarefas diárias sozinho. Isto está bem, por ti?” e ele respondeu: “Claro!”. A técnica vai evoluir. É sempre o mesmo. Primeiro julga-se ser impossível, depois alguém diz que é possível. E depois as pessoas começam a trabalhar nisso e as coisas evoluem. Agora temos grandes aviões comerciais e não Kitty Hawk.

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Estás preparado para voltar a andar, fazer sexo?

ANM: De acordo com as notícias, a logística da cirurgia é massiva. Estamos a falar de 10 milhões de dólares. Canavero: 10 milhões de dólares aplica-se às cirurgias na Rússia ou na China. Na América seria mais 100 milhões. Na realidade, estamos à procura de cerca de 150 pessoas envolvidas numa cirurgia. Isto não é neurocirurgia. A neurocirurgia limita-se à Medula Espinhal. Estamos a falar de cirurgiões vasculares, ortopédicos, ORL... Enfim, uma tarefa massiva e monumental. Claro que 20 anos após o primeiro transplante da cabeça, provavelmente 10 ou 20 cirurgiões será suficiente.

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As críticas surgem sempre que se propõe uma coisa tão radical e tão revolucionária

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vieram ter comigo pessoas de todo o mundo, a pedirem-me para integrar a iniciativa HEAVEN/GEMINI. Então começámos o trabalho com aqueles que realmente queriam fazer parte dele. A Ásia desempenhou um papel fulcral porque todas as experiências em animais foram feitas lá. Em 2014 conheci o Professor Ren Xiaoping e construímos uma forte relação. Reunimos mais dados, estando o novo transplante de cabeça de macaco nas suas mãos. Neste momento, tenho que dizer que já passámos para um cenário humano, não há mais experiências em animais.

Estamos à procura de cerca de 150 pessoas envolvidas numa cirurgia

ANM: Como tenciona coordenar todas estas complexas operações? Canavero: Primeiro de tudo, o processo chinês será coordenado pelo meu amigo, Professor Ren Xiaoping. Eu estaria a assistir uma equipa chinesa no procedimento GEMINI. Seria um líder chinês a liderar um grupo chinês, com assistência de estrangeiros, ou seja, eu. Na Rússia, seria o mesmo. O Valery iniciou uma angariação de fundos para pagar aos médicos, ao hospital, etc. Mas, no final, teria que ser um líder russo a liderar uma equipa russa, novamente com assistência da minha parte. Eu só poderia liderar um grupo se isto acontecesse na Europa. Aí seria um acontecimento europeu. Mas posso dizer que já há europeus, não vos posso dizer quem, a pensar no assunto. ANM: Há pouco referiu Dr. White. Tem algum mentor académico ou alguém igualmente importante que tenha influenciado as suas decisões? Canavero: Dr. White! Foi um gigante! Não encontramos gigantes assim todos os dias, portanto teria de ser alguém realmente grande e eu considero-o o meu mentor. Um mês depois do meu primeiro anúncio, em 2013, recebi um email do Professor Albina, o anestesiologista de Dr. White. Escreveu-me e congratulou-me por este trabalho e disse-me que Dr. White teria ficado realmente


feliz sabendo que mais alguém tinha dado continuidade ao seu sonho. Portanto, acredito que ele é o meu mentor, não há dúvida acerca disso. ANM: Agora a cirurgia será usado num contexto médico e depois poderá ser aplicada a outras áreas. Qual considera que poderá ser a maior aplicabilidade destes transplantes? Canavero: No início será a algumas condições neurológicas como a degenerescência muscular. Será para situações meramente clínicas, para ser aceite pela sociedade. Mas a meta é o prolongamento da vida. Se tiverem que substituir um corpo que não sabem tratar significa: “Então, não sabes consertar biologia? A tua solução é substituir o corpo todo? Falhaste!”. Eu considero que a medicina ocidental falhou porque neste momento ainda não descobrimos como doenças como o Alzheimer ou Parkinson funcionam exatamente. Podemos falar sobre todas essas fantásticas perspetivas genéticas, que encontrámos um gene para o Alzheimer, encontrámos um gene para isto e para aquilo mas os doentes continuam a morrer. A extensão da vida é o objetivo real!

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Então, não sabes consertar biologia? A tua solução é substituir o corpo todo? Falhaste!

ANM: Para terminar, com a grande data cada vez mais próxima, quais são os seus planos num futuro próximo? Canavero: Depois do primeiro transplante de cabeça, entrego o projeto e esta será a última cirurgia em que participo. Mas até lá o futuro espera-me! (risos)

Por: Catarina Viegas e Rita Xavier

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Creativa-te Crónica SEXO, AMOR E FUTEBOL soas bem

Aviso – esta crónica é só para pescom paixão. A razão que fique escondidinha a espreitar pela janela!

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verão está quase aí e a temperatura está a subir: a pele perde a timidez das roupas fartas, as bibliotecas aquecem com o calor dos estudantes apertados a disputar cada palmo de mesa e finalmente o Campeonato da Europa de Futebol 2016 começa!

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em sabemos que o futebol é nos países latinos uma verdadeira loucura, mas desengane­-se quem pensa que o futebol só combina com cerveja e tremoços! Pelo contrário, o futebol tem­ se revelado um jogo transversal a toda a sociedade. Veja-­se o caso do ilustre recém ­falecido Umberto Eco. Um dos mais célebres (e longos) pensamentos deste laureado escritor foi decerto aquele em que fala do sexo e do futebol: Quem assiste futebol é um depravado sexual. Marcar um golo é como fazer sexo. (...) O adepto é como um voyeur. Em algumas ocasiões, pode ser também interessante assistir aos outros fazendo amor, mas você vai concordar que é definitivamente melhor fazer do que ficar a assistir. (...) Também os próprios futebolistas não se coíbem de comparar “o jogo mais belo” com o sexo. Don Alfredo Di Stefano, autor de mais de 500 golos em toda a carreira, disse um dia “Marcar golos é como fazer amor, toda a gente o faz mas ninguém o faz como eu” e Fernando Gomes, o nosso bibota de ouro, saiu-­se um dia com o célebre “Marcar um golo é como ter um orgasmo”.

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erante tamanhas reflexões, a questão impõe­-se: mas afinal o que unirá tanto estes dois mundos?

Celtic de Glasgow sentenciando um jogo épico em Sevilha e o Mourinho sair disparado do banco para festejar contigo. Sexo é euforia! É os casados já carecas e barrigudos darem uma coça aos solteiros no clássico da tua terra. Às vezes é fogo sem tu pores lenha, outras também é fogo... de vista! É perderes por 0-­2 em tua casa como na primeira mão. Sexo às vezes é mau! É depois ir à casa do rival na segunda volta e espetar 3­-1 e passar à final na cara do adversário. Sexo de reconciliação é tãããooo bom! É seres convocado para a tua seleção e fazeres o gosto ao pé. Sexo às vezes é internacional! É o teu clube estar a perder 2­0 na final, com menos um jogador e conseguires empatar no último minuto, levar o jogo para prolongamento e ganhar nos penaltis com o teu guarda­ -redes a defender o penalty decisivo.

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julgar pelas palavras de Di Stéfano, fazer sexo todos os avançados fazem, basta enfiar a bola na baliza e já está. Fazer amor, só alguns conseguem. E para fazer amor, não basta chutar a bola e ela entrar. Para isso tens de ser extremo­-direito, tens de fintar o lateral, fitar a baliza e dar-­lhe de trivela. A bola vai e entra mesmo na gaveta, o teu coração pára, o coração dos teus adeptos pára, ouves a bola a bater na rede, tu ergues os braços, os teus adeptos erguem os braços, desatas a correr em direção aos adeptos, os adeptos desatam a correr em direção a ti, pelo caminho tiras a camisola, atirá-­ la ao ar e os fotógrafos fazem a capa do desportivo do dia seguinte!

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estádio cama também!

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ulgo que seja verdade absoluta que o jogo de futebol é um mar de sensações. É jogares atrás no campo da escola e veres aquele brutamontes vir para cima de ti. Na primeira vez estás cheio de medo, mas agora já não podes parar, quiseste vir até aqui, agora tens de ir até ao fim! É seres o Derlei e marcares no prolongamento da Taça Uefa contra o

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ANEMIA

Por: Gonçalo Engenheiro

vem

abaixo...

e

a

tua


Creativa-te Luzes, Câmara, Ação!

Título em Português: “O Protegido” Ano: 2000 Realizador: M. Night Shyamalan Actores Principais: Bruce Willis, Samuel L. Jackson.

N

uma era da história do cinema em que os filmes de super-heróis não podiam estar mais na moda, vale sempre a pena recordar um certo título que faz jus ao bom nome da banda desenhada. Embora não seja tradicional ao seu género, “Unbreakable” aproveita-se da maneira de contar uma história de banda desenhada e suas conhecidas idiossincrasias para nos dar a conhecer os seus dois captivantes protagonistas, David Dunn, o inquebrável (como diz o título, estás a ver?) e Elijah Price, o homem de vidro.

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lijah nasceu padecendo de osteogenesis imperfecta, arrecadando ao longo da vida um legado de múltiplas fracturas de baixo impacto. Preso numa casca frágil, Elijah cresce no seio do seu verdadeiro entretém: a banda desenhada. Seria esta a génese de todo o seu idealismo. O pobre homem encontra uma luz que penetra toda a sua amargura no dia em que descobre o homem inquebrável. David Dunn é o sobrevivente único de um horrível desastre de comboio que vitima 131 seres humanos, e no entanto ele permanece perfeitamente ileso. Dunn fica incrédulo ao princípio, mas com o tempo apercebe-se que, de facto, nunca em toda a sua vida se magoou ou ficou doente.

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partir daqui o filme desenvolve-se com base no típico “segundo acto” do filme de super-herói: a pessoa que descobre o seu poder tenta adaptar-se de volta à sua roti-

na. A diferença é que aqui é tomada uma perspectiva mais realista. É difícil para David aceitar que se trata de um humano extraordinário, talvez com um destino marcado, mas Elijah não desiste de o tentar convencer da realidade que aprendeu com o seu mentor.

O

s cinéfilos familiarizados com o nome de Shyamalan desconfiarão que este filme, tal como praticamente o resto da sua filmografia, está munido de um “twist”, e sim, está. Digo isto porque, infelizmente é-me difícil expor a verdadeira essência desta película sem revelar a surpresa final, e decerto não o farei. Apenas digo o seguinte: experimentem calçar os sapatos de Elijah. Para um homem posto nesta Terra para ver os seus ossos racharem com o vento a vida parecerá uma cruel anedota a seu custo, mas este homem sabe que tem um destino digno e preciso quando finalmente encontra o seu oposto.

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á que mencionei a filmografia de Shyamalan, aproveito para afirmar que este filme foi feito antes da torrente de ideias duvidosas que haveriam de manchar para sempre o seu nome (que por sinal fica mesmo no ouvido), e dá claramente para atestar. O realizador, produtor e guionista de “O Sexto Sentido” volta a mostrar o seu talento com esta película, antes de toda a fama e glória lhe subir à cabeça. Visualmente satisfaz os sedentos de cinematografia, e a banda sonora não fica muito atrás. Se há algo de negativo a apontar, é que talvez seja um filme um pouco lento. Mas pessoalmente não deixo de o recomendar. E depois de verem este podem sempre passar para o “The Happening” e rirem-se um bocado. Por: Gonçalo Torres

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À Procura do NEMo Entrevista a Marta Bateira

No passado dia 13 de abril, o Departamento Cultural realizou a VI edição do Café

Longo, no qual esteve presente Marta Bateira, que dá vida à personagem Beatriz Gosta. Os seus vídeos tornaram-se virais nas redes sociais devido ao seu caráter humorístico e satírico e devido aos seus conteúdos, digamos, pouco ortodoxos. Através desta entrevista, a ANEMIA dá-te a oportunidade de (re)viver a emoção que foi saber mais sobre Marta Bateira.

Marta Bateira (MB) - É assim, não sei se o pessoal sabe mas Beatriz Gosta é um heterónimo de Marta Bateira. Marta Isabel Pacheco Meneses Bateira. Sou Isabel também. É uma extensão de mim, não me achando, sou Fernando. Nem tanto assim, mas Beatriz Gosta é uma extensão, ou seja, é o meu expoente máximo, é quando extravaso no mais alto nível. Sou bicha, sou traveca, sou snob, sou feminista, sou mulher de 2016, sem a hipocrisia da sociedade de hoje. Ou seja, sendo feminista, e quem não tem medo desse palavrão, pode explicar que feminismo não é aquela coisa que o pessoal pensa que é tipo aquela mulher peluda, super de esquerda, que vai contra os homens. Não, eu amo os homens. Aliás, amo os indivíduos e as individuas de todo este mundo. É o seguinte, feminismo no sentido em que sinto que ainda há uma desigualdade e ainda sinto que nós sentimos uma certa pressão, não nos deixam ser, não nos deixam estar como nós gostaríamos, de poder extravasar. Então é nesse sentido que criei Beatriz Gosta. Em primeiro lugar, sou uma ótima contadora de histórias, número dois, porque os meus amigos riem-se à volta da mesa de jantar comigo, e número três, porque pronto, acho

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que nós podemos começar assim a ganhar um espaço e poder dizer ao mundo “deixem-nos ser, tá?”. Essa parte é para as mulheres e para o pessoal que se sente um bocadinho oprimido.

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Pedro Pinto (PP) - Como surgiu a inspiração para Beatriz Gosta?

Sinto que ainda há uma desigualdade

PP Foi um pouco como uma necessidade que tu viste? Que faltava alguma coisa? MB - Eu não sei se o pessoal sabe mas eu já sou M7, que é outro heterónimo, eu sou rapper, eu já era bastante, já tinha essa coisa de mudar o mundo pelas próprias letras e tentar passar uma mensagem, já bastante feminista. E então pronto, um rapper por si só já tem aquela coisa de intervenção, de ser uma voz, de ter algo a dizer ao mundo. Beatriz Gosta é só outro patamar. PP - Quando começaste, o que procuravas alcançar com Beatriz Gosta? Para além de sentires essa necessidade, o que esperavas mudar em concreto? MB - Boa pergunta. Eu vou dizer assim, eu estava bem na vida. Não sei se vocês sabem mas eu sou


MB - Ah, tu queres saber aquela pergunta que nunca fica calada, que é se as histórias são reais ou não. É assim, eu não vou ser mentirosa aqui, porque eu jurei dizer sempre a verdade e com a verdade estou aqui. Portanto, algumas histórias, ou pelo menos partes de algumas histórias, Pedro, são verdadeiras, que a Marta Bateira viveu, ou a Isabel viveu, ou a M7 viveu or whatever. Depois houve uns bocadinhos daqui e de acolá, de amigos, amigas, disto e daquilo, e então fiz, montei ali geral um batido, e sai o que sai. Mas claro que tem uma coisinha ou outra minha, lógico. E vocês identificam-se com isso, uma pessoa também gosta, por isso é que o pessoal adere tão bem. PP - Marta, já disseste que tens Beatriz Gosta, Isabel, M7 e mais heterónimos. E tens o teu, Marta Bateira. Como é que consegues, a certo ponto, distingui-los todos, ou o que é que cada um deles tem de especial que os difere dos outros? MB - Olha, é assim, a M7 é a rapper, é aquele animal que vai ao palco e pronto. O que liga todas é o feminismo. Em todas passo essa mensagem de igualdade, de liberdade e de tudo o que isso representa. Agora, Beatriz Gosta é contadora de histórias, M7 é rapper, Isabel é aquela que depois da meia noite, já com os copos, está sempre tolita na pista de dança, ou não, noutro sítio qualquer.

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O que liga todas é o feminismo

No meio das couves, com cabras e com velhas, galinhas e coelhos

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PP - Mas são coisas que acontecem contigo?

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designer de moda e tirei a carta de condução. Eu comecei a panicar direto. Tirei design de moda, era uma pessoa muito vaidosa e era toda tcha tcha tcha. Porém contudo, não nasci para isso. Não sou brilhante. Mas pronto, tirei um curso. Eu estava lá nas couves, em Paredes - não sei se alguém é de Paredes, se é, lamento -, pegava no comboio, ia, pegava no meu carro de 95, congelado lá na estação de Paredes, ia a conduzir. Não sei se vocês sabem mas eu borro-me de medo a andar de carro, eu ia assim nas curvas, com um indivíduo atrás a buzinar, eu vinha lá do meio e ia ter com os meus amigos e dizia: eu estou infeliz, eu estou lá presa naquele fim do mundo, no meio das couves, com cabras e com velhas, galinhas e coelhos, eu já não curtia mais daquilo. Eu sou urbaníssima! Então eu queixava-me sempre: “porra, eu quero fazer outro mambo, mas o que?” Este meu jeito de comunicar assim diferente, este palavreado que vocês também já devem aplicar no dia a dia, este calão, esta gíria. A Capicua então virou-se para mim e disse assim: ”Amiga, tu devias pegar nisso e contar histórias, fazer o povo rir, e passar uma mensagem. Acho que podias fazer isso em formato vlog, blog, não sei quê, acho que isso podia ser uma boa.”. Eu não vou mentir, eu queria mesmo fazer algo que gostasse, além de eu já acompanhar a Capicua em tour e isso já me sustentar de alguma forma. Então também entrei nisto, mas nunca pensei que o feedback fosse tão imediato e a coisa se tornasse tão viral e que o pessoal aderisse tanto. Achei até que me pudessem confundir, estás a ver? “Olha, esta louca!” sabes? E tipo, que não entendessem qual era o intuito da coisa, mas acho que logo à partida o pessoal entendeu, acho que aceitou bem, mesmo sendo um bocado polémico, falando de sexo, disto e daquilo. Acho que também os media, por exemplo, circularam a mensagem e que houve alí uma simpatia apesar do pessoal me insultar volta e meia (é pouca gente, normeasy). Recebo muito mais love do que insultos. E depois o único insulto, assim, que eles tentam me atacar é que eu pareço um homem ou que não sou comestível ou que com isto ou com aquilo. Mas eu não me meto, não sou modelo, bichas.

PP - Qual é a tua inspiração para fazer os vídeos? MB - A minha inspiração é mesmo tudo e mais alguma coisa. É uma brasileira, é uma angolana, é tipo uma miss assim um pouco bichinha.

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MB - Marta Bateira, pronto, acho que é a junção delas todas, e acho que toda a gente que está aqui tem heterónimos. Se calhar ainda não os limou ou não os assumiu. Mas tu quando vais conhecer os sogros és uma pessoa, quando estás com os pais és outra, quando estás com o teu boy ou dama és outra. Então nós temos vários papéis, não é? Temos de saber estar, então lá está, todas as pessoas têm heterónimos, eu só os limei e os assumi. Basicamente é isso.

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Toda a gente que está aqui tem heterónimos

PP - O teu papel, os teus vídeos e as tuas canções permitiram alargar as fronteiras, não só relativamente à mulher mas também em relação à sexualidade, tanto do homem como da mulher. O que achas que ainda falta para a mulher ser vista em pé de igualdade com o homem e para as pessoas deixarem de ser tão púdicas, tanto o homem como a mulher? MB - É assim, se fosse um homem a fazer o que eu faço, em Beatriz, seria normal. Porque é que é tão polémico e choca tanto? Porque é da boca de uma mulher. E isso só revela que o país ainda é conservador. E daí é que faz sentido haver Beatriz Gosta.

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O país ainda é conservador. E daí é que faz sentido haver Beatriz Gosta

Porque quando é uma mulher, o pessoal ainda acha que é a mulher que cai na gandaia, quando pode e está solteira, é aquela galdéria que não é boa para casar. Ainda está muito incutido na sociedade de hoje em dia essa coisa do tipo: “esta é para me divertir, esta é séria e que está sempre em casa, que cozinha e isto e aqui-

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lo, é para casar.”. É isto, ou seja, deixem-se de hipocrisias, estás solteira, acabaste uma relação de 7 anos, queres comer um pessoalzinho, ok, queres ver como é que está o mercado, ótimo. Depois, também de repente se te queres imacular, estar só, ficas. De repente, queres encontrar alguém especial, encontras. Agora também sou apologista de uma coisa: tu és dama de um one night stand, ou damo de um one night stand, ou não e gostas de outras coisas - cada um tem de aceitar a sua verdade. Eu tenho amigas que não gostam de comer gente, gostam é de namorar, de estar numa relação séria, é assim que se sentem realizadas. Agora, se uma dama sente que não é para isso, não tem de forçar a barra. Se o individuo sente que não é para isso, não tem de forçar a barra. Agora só quero dizer à sociedade: deixem ser. E os homens que não pensem que só porque a dama anda a comer gente, que não é uma dama séria, porque às vezes essas sonsas, que têm a mania que são sérias, é que são as piores e lhes metem os palitos. Palmas nas costas.

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Agora só quero dizer à sociedade: deixem ser

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PP - E Marta Bateira?

PP - Para além da música e da representação, o que é que podemos esperar mais de ti? Estás satisfeita com o que estás a fazer agora nos teus diversos heterónimos? Ou ainda queres alcançar mais, ainda tens objetivos mais altos? MB - Eu queria fazer várias coisas pelo desafio da coisa em si. Muito sinceramente, financeiramente eu não sou bem remunerada mas também não o faço por causa do dinheiro, desde que dê para pagar as contas está bacano. Se não voltar para a aldeia está ótimo. Mas o que eu gostava de fazer mesmo era pegar num microfone e ir para a rua extrair um sumo do povo, sem lhe dar tanga. Criarmos uma dinâmica. Imagina irmos na rua com umas personagens, ou numa passadeira vermelha a avacalhar com o pessoal. Gostava de fazer entrevistas, mas entrevistas como me estás a fazer a mim agora, mais íntimo. Mais nos bastidores, também perceber o que ele pensa enquanto homem ou enquanto mulher, a sua visão sobre alguns assuntos, até a nível de política e de sexo e não sei quê. E acho que eu tenho um jeito para isso, ir a uma tasca e falar com a dona que tem bigode, e lanchar, sabes? Várias coisas assim. Para a rádio sou capaz de


fazer agora uns formatos novos, também com vídeo, para a Antena 3. A nível de música, com a M7, eu queria fazer um álbum, a solo. (aplausos). Obrigada pelo carinho, vocês estão fortes. PP - Soube que estiveste na génese de um movimento de esquerda. Imaginas-te no parlamento?

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Acredito em menos privatização das coisas e em que as coisas sejam mais do estado, que a educação e a saúde sejam iguais para todos e que seja gratuita, ou quase gratuita

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PP - Como é a tua relação com a tua família? Achas que és menina do papá ou prezas muito a tua independência?

simplesmente o meu pai não vê Beatriz Gosta, por opção, porque é economista e é católico, conservador, e pá, os vossos pais também não iam curtir ouvir dizer estas coisas que eu falo. Por isso é normal. E, sinceramente, ele tem muita vida, é economista, escreve artigos, adora politica - ele agora está muito focado nesta coisa do euro, está no euro, sai do euro -, ele tem mais do que fazer, eu gosto! Gosto de pais ocupados, eles que andem na vida deles que a gente tem a nossa vida. Por isso é assim, eu fui a ovelha negra, confesso, eu apanhei um coma alcoólico aos 14 anos, eu fiz muita asneira, eu deixava o pijama na garagem e fugia para sair à noite, dei muito desgosto, mas a educação que ele me deu e que batalhou, alí, para me incutir desde muito cedo, depois quando passa aquela fase mais critica da adolescência e da puberdade, fica! Os valores, os princípios e não sei quê. Claro que ele percebeu, as tatuagens e todo este meu jeito de ser era meu, não era da adolescência, não era da idade. Eu sou louca mas na medida certa e com responsabilidade e os valores e os princípios ficaram e eu agora, depois deste maluqueiro, porto-me bem.

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Eu fui a ovelha negra

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MB - Não, eu vou-te dizer uma coisa: eu sou de esquerda mas não simpatizo com politica nem com grande parte do sistema que está instalado. Para mim os salários dos políticos baixavam logo, que assim a corrupção diminuía direto, já ninguém queria ser politico e por aí fora. Eu sou de esquerda no sentido em que eu acredito em menos privatização das coisas e em que as coisas sejam mais do estado, que a educação e a saúde sejam iguais para todos e que seja gratuita, ou quase gratuita. Ou seja, não precisas de ir a um privado e pagar e tal, e a educação é a mesma coisa. Se tu tiveres educação e saúde tens tudo. E podes nascer pobre e virar classe média ou rico. O que a mim me incomoda é essa privatização toda, e aquela coisa de tu nasceres pobre e vais morrer pobre, sem teres oportunidade de virar esse jogo. E isso eu sou apologista que nós devemos ser todos classe média e acabou. Ai temos direito a tudo e - ate podiam ter carro - mas o luxo seria transportes públicos confortáveis. É isso que eu curto.

PP - É moda internacional uma personaliMB - Ai Pedro! (O Pedro foi buscar dos basti- dade como tu escolher um nome para os seus dores.) É assim, eu vou ser franca, vou ser di- fãs. Como é que tu chamarias aos teus fãs? reta, muito do que aconteceu hoje foi devido a Nós temos uma sugestão. varias coisas que aconteceram na minha vida, nas vossas vidas é igual. A minha mãe faleceu MB - O meu chamar a vocês, desde sempre, é quando eu tinha 4 anos, de leucemia e isso fez damas e damos da parada, é gera marota, assancom que eu seja esta porra louca. Porque se hada, desvairada, louquita, já são tantas, já é tipo, ela estivesse viva ela não me deixaria ser tão essa gera toda! Mas eu não chamo assim fãs, eu eu. Ela chegava-me a roupa ao pêlo. Bastante não digo muito seguidores, não entro muito nesscatólica e por aí fora. Eu sou a benjamim de 4 es termos. Mas diz que sugestão é que vem daí! filhos, dois rapazes e duas raparigas, eu sou a mais nova e o meu pai criou-nos ao 4 e pura e PP - Gostosos!

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MB - Gostosos! Fica! Alguns gosto, há alguns gostosos e algumas gostosas, gostei. PP - Já pensaste em juntar mais alguma personagem aos vídeos de Beatriz Gosta? Quiçá algum dos teus fãs? MB - Eu já pensei, há algumas personagens muito fortes, é verdade. Até podíamos fazer um vídeo juntos! Há potencial fazermos Beatriz Gosta, o povo ia adorar. Eu só queria agradecer a toda a gente que contribuiu para que o vídeo dele fosse um sucesso, eu sei que houve mais gente envolvida, ficou muito fixe. Mas acho que sim, acho que pode fluir assim uma dinâmica bacana com outras personagens, acho que sim, que estou aberta a isso.

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Até podíamos fazer um vídeo juntos!

PP - Marta, o que dizem os teus olhos? MB - Hello! O que dizem os meus olhos neste momento é a felicidade enorme de eu estar aqui convosco e vocês terem aparecido todos e estarem todos bem dispostos e, a sério, eu estou muito feliz por estar aqui, quero agradecer o convite, a serio, de coração. Eu sei que o pessoal tinha coisas a fazer e agradeço estarem aqui a ouvir, por isso é um prazer estar aqui convosco a partilhar isto. E não é um cliché nem é porque fica bonito na fotografia, eu estou mesmo feliz e está a ser mesmo bom! (aplausos)

Por: Pedro Pinto Fotografias de: Marina Cruz

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Vive Coimbra! Fitas Queimadas No mês da maior festividade académica e do expoente máximo que os estudantes dizem ser da tradição estudantil, a Anemia dá-te a conhecer um pouco mais de como surgiu a Queima das Fitas que conhecemos hoje, pela experiência da Comissária de Medicina deste ano.

A Queima das Fitas de Coimbra, ex-

poente máximo da tradição Académica, desenvolve ao longo de 75 dias mais de 150 atividades - desportivas, culturais, tradicionais e recreativas - que elevam o nome de Coimbra a todo o país e além-fronteiras e que dão continuidade à celebração da maior e mais antiga festa académica do país.

Tudo começou com o Centenário da

moldes conhecidos atualmente.

Hoje em dia a Queima das Fitas revê-

-se como um protocolo entre a Direção Geral da AAC e o Conselho de Veteranos que constitui uma equipa independente. Esta é composta pelo secretário geral e a sua equipa de secretários, pelo Conselho Geral composto por elementos da DG/AAC, Conselho de Veteranos, Secções Desportivas e Culturais e por fim por 8 comissários, um fitado representante de cada uma das faculdades da UC.

Sebenta em 1899 que revoluciona o costume de homenagear as figuras emblemáticas para lhe passar a atribuir um carácter reivindicativo e de manifestação. Ficou então aí semeada a ideia de um cortejo alegóri- O cartaz de atividades engloba eventos tão díspares como o chá dançante no qual co e um sarau. os cartolados destroem o cenário do baile gala das faculdades, o chá das 5 para os Posteriormente foi iniciado pelo 4º de idosos da cidade de Coimbra poderem pasano jurídico o hábito de queimar as fitas que sar uma tarde diferente no âmbito da partieram usadas para prender a pasta dos estulha de vivências ou mesmo a Verbena que se dantes e que se distinguiam pelas cores das segue à Venda da Pasta e na qual as crianças suas faculdades. Este ato simbólico signifida Casa de Infância Dr. Elysio de Moura, e cava que os estudantes atingiam a condição este ano pela primeira vez a APCC, podem de pré-finalista e estavam em condições de lanchar e brincar de forma memorável. Em acabar o curso. 2016, destaca-se o regresso do Cortejo dos após um interregno de 4 anos. Verificaram-se algumas alterações Pequenitos Cerca de 600 crianças dos infantários da cina dinâmica dos festejos com a instituição dade invadem a baixa de Coimbra para endo Enterro do Grau até 1919, ano em que vergar insígnias de praxe das faculdades da a queima das fitas começa a desenvolver a UC. Por outro lado, a Récita das Faculdades génese que se conhece hoje em dia. Destavolta aos jardins da AAC com o carácter ca-se o aparecimento da garraiada em 1929 reivindicativo e de critica social, intuito com e a Venda da Pasta organizada pela primeira a qual foi pela primeira vez criada. vez em 1932 por fitados de medicina que sairam à rua com as crianças da casa de Infância Dr. Elysio de Moura para reco- Em jeito de conclusão, a Queima das lher fundos para a instituição e que ainda Fitas de Coimbra é única no país inteiro hoje continua a decorrer como a atividade não só pelas suas noites de parque, mas solidária mais antiga da queima das fitas. Em por todas as actividades singulares que a 1933 surge o Baile de Gala das Faculdades constituem e que lhe dão lugar entre o que com o intuito de apresentar à sociedade os de melhor se faz em Portugal e no mundo. novos finalistas. Entre 1969 e 1972 não houve Queima das Fitas devido às crises estudantis que culminaram em luto académico e ditaram a não realização das festividades. As celebrações voltam ao seu auge em 1980 nos

Por: Inês Costa

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Medicina Lá Fora Especialidade No Estrangeiro: França

Conhecida por todo o mundo pelos requin-

tados vinhos, pelos queijos, um centro de arte e cultura, embalada ao som da música… Assim se apresenta a França com a bandeira tricolor, defendendo os ideais da Revolução Francesa “Liberté, Egalité, Fraternité”! Cada vez mais este país parece ser o exemplo da excelência da Medicina, afigurando-se um destino apelativo para futuros médicos. Deste modo, apresentamos alguns detalhes muito gerais sobre o modo como funciona o acesso à especialidade médica em França.

E

m primeiro lugar, para quem pretenda concorrer para este país há um reconhecimento automático do MIM com certidão de conclusão em francês, não sendo necessário certificado de língua. Todos os estudantes têm lugar no Internato após realização do exame nacional de seriação, o ECN (Épreuves Classantes Nationales), que pode ser realizado, no máximo, duas vezes. Existe um sistema central, o Centro Nacional de Gestão, que define as vagas que abrem para cada especialidade.

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registo no ECN tem de ser realizado até 31 de Março, sendo o exame realizado em Maio e o certificado de conclusão enviado até ao seguinte mês de Julho. A escolha da especialidade e faculdade/cidade é feita através de um sistema nacional que decorre em Setembro. Uma das diferenças em relação a Portugal é o facto de não existir ano comum. Assim, o início do Internato Específico tem lugar a 1 de Novembro. A duração da especialidade varia entre 3 e 5 anos, sendo exigida uma Tese em Ciências Médicas para finalizar a especialização.

O

ECN tem uma duração de três dias e é composto por quatro provas escritas, três das

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ANEMIA

quais relacionadas com casos clínicos (cada uma com três casos) e uma última mais direcionada para a avaliação das capacidades de interpretação de artigos científicos. Não é exigido uma prova de língua. Contudo, o exame é escrito sendo que todas as perguntas e respostas são em francês.

A

s especialidades mais concorridas são otorrinolaringologia, oftalmologia, radiologia, dermatologia e cardiologia. Por outro lado, algumas das especialidades mais acessíveis são medicina geral, medicina do trabalho e psiquiatria. A organização e estrutura do Internato varia muito consoante a especialidade.

E

m França existe uma boa oferta de trabalho, principalmente no setor privado ou convencionado. Por norma, um interno trabalha cerca de 48 horas por semana. No setor público o salário é quase duas vezes superior ao salário em Portugal (embora o custo de vida lá é mais elevado). O mesmo se verifica em relação ao número de dias de férias, que também é praticamente o dobro. O setor da medicina convencionada tem muita importância.

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lguns aspetos particulares de realçar nos franceses são a rigidez, a seriedade e a pontualidade no trabalho embora possam ter períodos animados de descontração.

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aris, a cidade do amor; Bretanha, com as suas marcadas raízes celtas; Nice, a capital da Riviera francesa; Lyon, uma cidade iluminada; Biarritz, a capital do surf... Cada cidade com o seu encanto particular. C’est ça qu’c’est bon! Quem não se sente deslumbrado perante todos estes encantos?

Por: Catarina Viegas


Medicina Lá Fora Erasmus

totalmente integrado nos dois estágios, tendo um vasto leque de opções para escolher o que queria fazer cada dia. O ratio tutor-aluno era claramente superior a 1, sendo que os vários especialistas estavam prontos a receber-me nas várias atividades diárias (consultas, bloco operatório, pequena cirurgia, etc). O que, na minha opinião, mais se distinguiu de Coimbra foi a relação entre os vários elementos de cada serviço. Os internos de primeiro ano tratavam o chefe de serviço por tu e sentia-se um ambiente de companheirismo.

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utro aspeto que me surpreendeu foi o custo de vida. Excetuando a renda da casa e as entradas em estabelecimentos noturnos, o custo de vida é muito semelhante ao portu Anemia pediu-me a tarefa impossível guês. Em termos de transportes, uma mensalde contar sucintamente a minha experiência idade de 20€ permite-te usufruir das linhas de Erasmus. Na verdade, é-me muito difícil de metro/autocarro as vezes que quiseres. descrever o que senti, o que vivi e o que essuma cidade com várias universies meses mudaram na minha vida, pelo menos em menos de uma conversa de três horas. To- dades mas as suas maiores, Autónoma e Comdas estas experiências são únicas e, por isso, plutense, possuem Erasmus Student Netvou apenas tentar partilhar o que acho que work (ESN) próprias. Como tal, todos os dias poderá ser útil ao leitor/futuro aluno Erasmus. são divulgadas imensas atividades para todos os estudantes da cidade, desde cursos de ivi três meses em Madrid, estudan- dança até festas na maior discoteca da Europa. do na Universidad Autónoma, mais particularconselho vivamente fazerem esta exmente a fazer os estágios de Cirurgia Geral e periência em Madrid. Trata-se de uma grande Saúde Materna no hospital Fundación Jiménez Díaz. O meu amor por Espanha e pelos espa- capital europeia com uma oferta cultural que nhóis(olas) já é antigo e, como tal, apenas con- certamente agradará a todos os gostos. Quansiderei estudar nesse país. De norte a sul, este to à experiência em si, não hesitem em fazêa oeste, Espanha é um país de festa, convívio e la. É sem dúvida um abrir de olhos, com os boa disposição. Madrid é a jóia da coroa, uma ci- seus pontos fortes e fracos. No final, talvez dade muito jovem que foi criada para ser capital. nem consigam dizer o que mudou em vocês, mas simplesmente sentem-se diferentes. adrid não tem grandes atrações turísticas; vale pela sua movida, que ainda hoje Por: Miguel Correia da SIlva se sente por toda a cidade. Passear pelas suas ruas é uma infindável descoberta dos pequenos pormenores que tornam esta cidade tão única.

Madrid

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A

M

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iquei muito surpreendido não só com o hospital onde fiquei como com todo o sistema de saúde de Espanha. O hospital Fundación Jiménez Díaz possui toda a tecnologia de ponta e um sistema muito bem organizado. Fui

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Fora da Medicina Entrevista a Mariana Oliveira

Mariana Oliveira, 18 anos, é atualmente estudante de Medicina do 1o ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Com apenas 12 anos iniciou uma carreira como Fadista e, desde então, vários têm sido os sucessos alcançados, desde concertos pelo mundo fora, ao seu primeiro álbum “A Voz do Mar”. Anemia (ANM): Quando surgiu o talento para o Fado? Como começou o teu percurso no mundo da música? Mariana: Tudo começou quando tinha 12 anos e vi, na televisão, um programa de música que me cativou bastante e me fez começar a cantar. Decidi, então, concorrer a um concurso e, depois disso, nunca mais deixei de cantar! Participei em vários concursos, espetáculos, festas e acabei, depois, por me dedicar mais ao Fado, estilo musical com o qual mais me identifiquei. ANM: Lembras-te do dia em que subiste a um palco pela primeira vez? O que sentiste nesse momento? Mariana: Lembro-me perfeitamente... Foi como se um misto de emoções totalmente opostas se apoderasse de mim: por um lado, senti-me muito ansiosa e entusiasmada por entrar naquele palco; mas, por outro, senti receio e nervosismo, pois queria que tudo corresse da melhor forma possível! Também me recordo que, segundos depois de já ter começado a cantar, me senti mesmo feliz e com vontade de permanecer naquele palco o resto da noite!

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Senti receio e nervosismo

ANM: Já participaste em vários concursos para jovens fadistas e chegaste mesmo a vários canais de televisão. Como descreves essa experiência no mundo das luzes e câmaras? Mariana: É sem dúvida uma experiência única! É tudo muito diferente daquilo que imaginamos. Tem um ambiente fascinante e que nos surpreende a cada segundo que passa. Conhecem-se imensas pessoas novas que, de certa forma, acabam semprepor nos marcar. E, depois, toda aquela magia do “barulho das luzes” e das câmaras, dá-nos ainda mais alento e força para darmos o melhor de nós! Para ser sincera, é algo de que sinto imensas saudades, e que adoraria poder voltar a viver novamente! ANM: Em 2013 surge “A Voz do Mar”, o teu primeiro álbum. O que te inspirou? Há planos para um segundo? Mariana: O meu primeiro álbum foi o culminar de todo um ano de descobertas e desafios pelo vasto mundo que é o Fado. Foi o realizar de um sonho que, a passo a passo, fui construindo com o meu Guitarrista, o mestre Armindo Fernandes, a quem devo tudo aquilo que consegui alcançar até hoje. A inspiração veio não só da família, como também de amigos e da minha linda terra, Praia de Mira, mas, acima de tudo, veio do meu grande guitarra portuguesa, a pessoa que mais admiro e que tornou possível o lançamento deste meu primeiro trabalho “A voz do mar”. Em relação ao lançamento de um novo disco, é possível, mas não para já, pois esta etapa do meu percurso académico é bastante exigente. Mas, quem


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A pessoa que mais admiro e que tornou possível o lançamento deste meu primeiro trabalho

ANM: Como surgiu a ideia de Medicina? Sentiste que a música não era suficiente? Uma carreira apenas da música estava fora de questão? Mariana: A ideia da Medicina surgiu porque, sempre que pensava no meu futuro, idealizava uma profissão onde pudesse ajudar os outros e ser feliz fazendo os outros felizes. Além disso, a saúde e o funcionamento do nosso organismo foi algo que desde cedo me fascinou, e, portanto, gostava de poder vir a aprender muito mais acerca desse tema. Ainda pensei em jornalismo, mas depois de me informar mais acerca das cadeiras que iria ter, percebi que Medicina era mesmo a área certa. Em relação a seguir apenas uma carreira no mundo da música, acabei por nunca colocar essa hipótese, visto que considero fundamental possuir um curso superior. Assim sendo, tenciono tirar o meu curso e, claro, se possível, ir conciliando sempre com o Fado.

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Enorme privilégio e orgulho poder dar a conhecer o nosso Fado a pessoas de outros países

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sabe, talvez num futuro próximo volte para estúdio...

ANM: O Fado já te conquistou. E Coimbra, começa a conquistar? Mariana: Coimbra já é para mim a minha segunda casa. Nunca trocaria Coimbra por qualquer outra cidade. É uma cidade cheia de magia e tanto para dar. Sem dúvida que, por onde quer que se passe, se sente o espírito académico. Foi cá que fiz das maiores amizades e que colhi as melhores memórias. Admiro Coimbra e todo o seu encanto e, apesar de estar apenas no início, já sinto saudades... Não podia ter escolhido melhor e não há dia em que não pense na sorte e no orgulho que tenho em poder dizer que estudo e que vivo em Coimbra. Aliás, não só que vivo em Coimbra, mas que vivo Coimbra!

ANM: Atualmente, como concilias os espetáculos, o curso de Medicina e a vida pessoal? Mariana: Confesso que nem sempre é fácil, ainda mais sendo eu extremamente perfecionista. Quero sempre dar o máximo em tudo aquilo a que me proponho. E o meu curso não pode nem deve ser exceção. Por isso, já por muitas vezes, me vi mesmo obrigada a recusar convites para atuações, pois as frequências e todos os exames e trabalhos que temos não nos oferecem outra opção. No entanto, sempre que posso e tenho mais tempo livre, acabo por aproveitar para cantar. Mas creio que o segredo está em ser organizado e gerir o tempo da melhor forma possível. Daí tentar encontrar sempre um equilíbrio entre tudo aquilo que tenho para fazer, não esquecendo que o descanso e lazer também têm que fazer parte do nosso dia-a-dia. ANM: Como foi atuar para diversos oradores de renome internacionais no Jantar de Gala da V Edição do In4Med? Tens planos para levar o teu fado além fronteiras portuguesas? Mariana: Foi magnífico. Primeiro porque pude juntar as duas coisas que mais me realizam num só evento: o Fado e a Medicina! Adorei poder cantar para pessoas tão conceituadas quanto os oradores presentes no jantar, e gostei ainda mais do convívio e da oportunidade que tive de os conhecer mais de perto. É sempre um enorme privilégio e orgulho poder dar a conhecer o nosso Fado a pessoas de outros países, mesmo não tendo sido a primeira vez, pois também já o pude fazer quando estive na Suíça e em Madrid e noutros congressos internacionais. E, muito em breve, poderei também divulgar este nosso pedacinho de Portugal pela Rússia!

Por: Mariana Almeida Fotografias de: Cláudio NOy

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O Que Aí Vem Conselhos de Diretor Depois de mais um semestre, esta-

mos perante uma das épocas mais receadas pelos estudantes: a época de exames! Como havemos de estudar e saber toda a matéria para um exame em três dias? O que fazer quando já estamos tão cansados e já nada entra? Nesta época de pôr as mãos à cabeça, fomos perguntar ao professor Dr. Duarte Nuno Vieira, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, quais os seus conselhos! ANM: Que conselhos tem para dar aos estudantes para a época de exames? DNV: Há um erro que cometem todos como alunos que é guardar para a época de exames a parte mais volumosa do estudo, isto é, não vamos estudando ao longo do ano e têm o péssimo hábito de não ir às aulas teóricas, que equivale a uma primeira leitura da matéria, porque permite perceber exatamente aquilo que o docente quer que o aluno apreenda. É óbvio que hoje com o número de exames que têm numa época letiva, o estudo vai ser um estudo para esquecer. A matéria não se consolida. Para as coisas sedimentarem é preciso continuidade e serem repetidas. A época de exames começa no primeiro dia de aulas. ANM: O que fazia para estudar tanta matéria em tão pouco tempo? DNV: Eu caía no mesmo erro, guardava as coisas para o fim e tenho consciência de que muita matéria não ficava consolidada como deveria. Porém, as coisas eram diferentes do que são hoje e a carga curricular não era tão intensa. O fundamental é aprender a estudar. Esse é um dos meus objetivos, é fazer um curso de como estudar. Como hei de tirar apontamentos nas aulas, como é que eu seleciono aquilo que é importante e como e que eu devo preparar cada disciplina, etc. ANM: O que fazia quando já estava cansado e já não conseguia estudar mais? DNM: Sempre gostei muito de cinema (na altura tinhamos de ir ao cinema mesmo), ou ia estar com os amigos ou ia andar um bocadinho de mota. Ainda hoje ando muito de mota, alias, quando estou a escrever um artigo ou uma conferência e não me sai meto o capacete, ando meia hora sem destino e a coisa depois já me sai melhor. Também ouvia música. Gosto muito de ou-

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vir música e tenho gostos muito ecléticos. Ouço de tudo, desde a musica clássica ao fado de Coimbra, também me relaxa muito. ANM: Acha que a persistência se sobrepõe a inteligência? DNV: São fundamentais, acho que a inteligencia sem persistência pode não ajudar muito, mas também ha outras qualidades que são fundamentais para além dessas. Mas as duas têm de andar conjugadas. Agora, cada pessoa pode precisar ou usar mais ou menos cada uma delas. (risos) ANM: Conselhos para uma boa gestão de tempo DNV: O tempo dá para tudo mas obviamente a época de exames deve ser centrada nos exames. Tem de ser um estudo programado, que permita também manter o bem estar físico e psíquico, porque, como qualquer esforço, tem de ter pausa e portanto tem de ser pensado para a pessoa estudar e depois fazer uma pequena pausa numa coisa que o relaxe, que lhe permita desligar, não é fazer uma pausa e continuar a pensar na matéria. Isso é uma coisa que uma pessoa aprende quando passa pela primeira época de exames. O mal é as pessoas não planificarem e andarem “e agora estudo isto, agora estou a precisar daquilo e vou estudar outra matéria a seguir…’’. Planificar é algo absolutamente fundamental, todos os médicos terão de planificar a sua atividade médica. Não havia problema nenhum em termos três dias de intervalo entre exames. Se eu tiver tudo preparado, esses dias visam recarregar baterias e permitir fazer a última revisão da matéria, mas devia ser a última e não a primeira, segunda e terceira.

Por: Pedro Pinto


Coffee Break MEDesafio

Por: Ana Lúcia Oliveira e Diana Correia

Achas que já dominas os termos médicos? Ou pelo menos gostavas de o fazer? Testa os teus conhecimentos com estas mirabolantes palavras-cruzadas e sopa de letras. MEDesafia-te!

Horizontal 4. falta de apetite; 6. dicção normal e fácil; 7. impulso que têm certos doentes com perturbações mentais para partirem objetos ao seu alcance; 8. distensão abdominal devida a gases intestinais e que pode ser localizada ou generalizada; 9. lesão cutânea secundária à pinta ou mal de Pinto 10. nariz duplo;

Vertical 1. Inflamação; 2. intervenção cirúrgica para libertar o cólon de aderências; 3. manchas de cor esbranquiçada ou amarelada que surgem em situações de avitaminose A. Localizam-se na ___ 5. apetite pervertido e doentio por excrementos;

a)Que tem apetência exagerada para as bebidas que em-

briagam; b)Existência de membros supranumerários; c)Inflamação da língua; d)Dor na anca e coxa; e)Sono ligeiro. f)Sensação de ardor ou queimadura na região do epigastro ou retroesternal, transmitida desde o estomago até à faringe, e acompanhada por eructações e/ou regurgitações acidas devidas a dispepsia gástrica; g)Complexo nucleoproteico que se encontra como grânulos citoplasmáticos em certos microrganismos e que têm funções de reserva alimentar; h)Perturbação da digestão. Digestão difícil, qualquer que seja a sua etiologia e que pode manifestar-se por diversos sintomas (Dor, azia, pirose, enfartamento, eructações, etc.);

i)Estado em que há inconsciência parcial com suspensão da atividade física e psíquica e que é caracterizado por

imobilidade do rosto olhar sem vida e sem expressão, silencio obstinado e recusa de alimentos. É uma situação intermedia entre a obnubilação e o coma; j)Sensação mais ou menos dolorosa do esfíncter anal ou vesical, acompanhada de um desejo urgente de evacuar ou de urinar. É, em geral, provocado por uma inflamação do ânus ou do colo vesical;

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ANEMIA


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