Índice
Editorial
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Ficha Técnica Mariana Almeida Coordenadora do Departamento Cultural
SA
ejam bem-vindos, Caloiros! té sempre, Finalistas!
42ª Edição - Setembro 2015 Propriedade do Núcleo de Estudantes de Medicina da AAC Rua Larga, FMUC, 3000-548 Coimbra - tel: 239 487 291 geral@ nemaac.net www.nemaac.net Departamento Cultural Direcção: Mariana Almeida e Miguel Martins Redação: Ana Mafalda Gonçalves,Carolina Cabaços, Gonçalo Torres, João Martins, Margarida Duarte, Maria José Temido, Miguel Correia da Silva, Pedro Raposo, Raquel Rodrigues, Rita Miranda, Rita Xavier, Rui Duarte Armindo, Tiago M. Lorga Design e Grafismo: Beatriz Castro Silva Capa: Beatriz Castro Silva Impressão: Printhouse Tiragem: 300 exemplares Distribuição Gratuita
Para ti, que acabaste de vestir a camisola amarela e ainda estás um pouco atordoado com tanta novidade, sê bem-vindo! Esta edição da Revista Anemia foi pensada especialmente para ti. Para já, deixa-me que ta apresente: esta é a TUA revista, a revista do TEU núcleo e a partir de agora também TU podes fazer parte desta equipa. Nas próximas páginas vais poder encontrar um pouco daquilo que é ser estudante da FMUC, vais ficar a conhecer o NEM/AAC e ainda começar a sentir a cidade que te acolhe nos próximos seis anos. Aproveita cada segundo, porque as lágrimas de saudade começam agora a crescer dentro de ti. A viagem parece longa, mas daqui a nada estás de cartola e bengala e vais sentir vontade de voltar a este mesmo dia, em que seguras pela primeira vez uma Anemia. E uma coisa te garanto, Coimbra primeiro estranha-se, depois entranha-se! Para ti, que estás numa biblioteca a estudar para um Harrison de mil dores de cabeça ou a entrar agora para o último ano desta grande caminhada, apresentações já são dispensadas. Tu sim, já conheces todos os recantos e encantos desta cidade, já folheaste várias Anemias e muitas foram as manhãs em que tinhas uma teórica mas ficaste a dormir. Relembras ainda aqueles tenebrosos 125 degraus nos dias de maior calor e as noites de convívios e Queima até o sol nascer. Pensas agora no futuro, em todos estes decretos de lei e incertezas que o mercado de trabalho por vezes ingrato te trará. Também tu estás um pouco atordoado, mas uma coisa te podes orgulhar que nunca ninguém te tirará: esta Coimbra que tantos falam vai ser sempre a TUA Coimbra. Cada memória, cada amigo, cada serenata nessa capa negra marcados. Esta vai ser sempre a TUA cidade, onde passaste seis anos da tua vida, e desculpem-me o cliché, provavelmente dos melhores que viverás. Agora é tempo de um novo caminho, mas com uma certeza poderás regressar:
Aqui faz-se Ciência
Medicina Lá Fora 14 Especialidade na Alemanha 15 Eslováquia
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o segredo da melatonina no combate às Células cancerígenas
Vive Coimbra! 16, 17 Vamos conhecer Coimbra!
Ciência Actual 5 sabias que...?
Fora da Medicina 18, 19 Entrevista a Francisca Laia
à Procura do NEM 6, 7,8 actividades do nem
Creativa-te 20, 21 Digressão da TMUC 21 Nós Médicos
Creativa-te 9 Estórias Clínicas
O que aí vem... 22 Coimbra, Paixão fatal
Tema Central 10, 11, 12 Entrevista a Scott
Secção Cultural
Solomon
23 Dicas de cinema, Cartoon, Programação cultural
Creativa-te 13 Medicina Made Easy
Coimbra vai sempre receber-te com um “Bem-vindo a casa!”
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Ciência Actual
Aqui faz-se Ciência
Os segredos da melatonina no combate às células cancerígenas
I
nvestigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra desvendaram, recentemente, os mecanismos que permitem à melatonina combater células cancerígenas. Como se sabe, a melatonina é uma hormona produzida na glândula pineal que, dado o seu caráter anfipático (presença de região hidrofílica e região hidrofóbica), atravessa com facilidade as membranas celulares por difusão, chegando, deste modo, a qualquer célula. Tem como funções ajustar o ciclo sono-vigília, regular o sistema imunitário, assim como modular a atividade das mitocôndrias e a morte celular, providenciando um envelhecimento saudável. No estudo publicado na Revista “Oncotarget” (“Melatonin antiproliferative effects require active mitochondrial function in embryonal carcinoma cells”) é declarado que, apesar dos efeitos citotóxicos e oncostáticos da melatonina terem sido descritos em diferentes tipos de células cancerígenas, os mecanismos específicos que conduzem aos seus efeitos antitumorais ainda não estão completamente esclarecidos. Deste modo, o estudo foi direcionado para este gap no conhecimento científico, tendo-se avaliado os efeitos da melatonina em células cancerígenas embrionárias estaminais, em meio de cultura com glicose e meio com galactose, ou seja, sem glicose, havendo neste último supressão glicolítica e um aumento do metabolismo mitocondrial. Concluiu-se que as células altamente glicolíticas foram menos suscetíveis aos efeitos antitumorais da melatonina, enquanto que as células que dependiam do metabolismo oxidativo para a produção de ATP (através das mitocôndrias)
foram as mais afetadas. Ou seja, um tratamento de cancro à base de melatonina dependerá da atividade mitocondrial da célula cancerígena. Observou-se ainda que a ação antiproliferativa da melatonina residia numa paragem do crescimento celular do carcinoma, associada a diminuição do consumo de oxigénio, culminando na morte celular dependente de uma caspase. Este estudo sugere, através de diversas evidências científicas, que a eficácia da melatonina usada no tratamento do cancro, atacando células estaminais responsáveis pela sua reincidência, está dependente da atividade em que as mitocôndrias das células cancerígenas se encontram. Sabendo que a mitocôndria é o organelo responsável pela produção de energia celular, e a atividade energética das células do carcinoma depende do seu estadio de evolução, a melatonina só será eficaz em determinados patamares evolutivos da doença. É, assim, reafirmada a relevância de aplicar terapias específicas ao estadio, de modo a não danificar células importantes e a atingirse o efeito terapêutico desejado. Apesar de não ser a tão esperada “cura ideal”, esta descoberta é uma grande prova do avanço do conhecimento científico nesta área que, apesar de tão estudada, é ainda tão misteriosa – o cancro. É importante salientar a capacidade de trabalho e o esforço das equipas de investigação portuguesas e, em especial, da Universidade de Coimbra que, cada vez mais, vão sendo presenças assíduas em revistas da especialidade com publicações de artigos científicos, tal como este, bastante pertinentes e que vão possibilitando que a ciência também “pule e avance”
Margarida Duarte
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Sabias que...?
P
asso importante na luta contra o cancro surge em Portugal
U
C lidera estudo internacional
Um grupo de investigadores do IPATIMUP propôs um novo método de diagnóstico, simples e não invasivo, para o cancro do pâncreas que, mesmo em fase preliminar, já revela elevada especificidade e sensibilidade. Segundo este método, deve realizar-se uma análise sanguínea e verificar a presença de exossomas com a proteína GPC1, que se traduz num forte indicador de doença pancreática. Caso, após testes e análises de resultados, se verificar a sua eficácia, pode ver-se, a longo prazo, reduzida a elevada taxa de mortalidade associada a esta patologia.
O desenvolvimento de várias doenças assenta num rápido crescimento da vasculatura sanguínea, pelo que, logicamente, a sua redução combate a patologia. Um novo modelo computacional, realizado por grupos orientados por Henrique Girão e Raquel Seiça, demonstrou que o crescimento de células dos vasos sanguíneos depende, em parte, da tensão mecânica a que são submetidas. O estudo visa, então, diminuir o crescimento vascular a partir da alteração das características do tecido subjacente.
A
pp para iPhone diagnostica doenças oflálmicas
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ova terapêutica para a doença de Parkinson
Estudo que contou com a participação de Tiago Reis Marques concluiu que doentes com Parkinson apresentam níveis reduzidos de uma imporante enzima cerebral, a fosfodiesterase 10A (PDE10A), responsável pela progressão da doença e agravamento dos sintomas, uma vez que está envolvida na regulação da dopamina. Esta descoberta deixa, então, em aberto, mais um possível alvo terapêutico no contexto desta patologia.
Bryan Shaw e Greg Hamerly, Universidade Baylor, desenvolveram um aplicação para telemóvel que é capaz de, instantaneamente, detetar doenças oculares como retinoblastoma, cataratas ou uma simples infeção. A aplicação é capaz de analisar todas as fotografias armazenadas num iPhone e detetar leucocoria, reflexos brancos na pupila do olho, sugestivos destes tipos de patologias.
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irurgia pioneira baseada em impressão 3D
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im do Ébola?
Uma criança chinesa de 3 anos com quadro de hidrocefalia severa é a primeira pessoa do Mundo com crânio impresso a 3D. Numa longa cirurgia de 17h, foi-lhe removido o couro cabeludo e o crânio, seguindo-se a reposição do cérebro e a drenagem do líquido em excesso. Com o modelo em 3D, foi possível recompor o crânio com peças de titânio que acompanharão o crescimento de Han Han. Mais um processo inovador e promissor, capaz de alterar muitos outros prognósticos.
Segundo a OMS, uma vacina experimental (VSV-ZEBOV) revelou-se 100% eficaz após ter sido testada em 4000 pessoas não infetadas mas em contacto com doentes, resultados estes preliminares mas promissores. O estudo, que até ao momento não registou efeitos adversos, vai agora ser aplicado a adolescentes entre os 13 e os 17 anos e, seguidamente, a crianças entre os 6 e os 12. Podemos, portanto, estar perante a cura para este flagelo que vitimou milhares de pessoas nos últimos anos.
Rita Xavier
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à Procura do NEM
À Procura do Nem
A Brincar, a Brincar
Bem Comer
elados ora os cong ag é at e , o teus sitári têm sido os ã undo univer m am m ao a te d as Cheg ntinuam midinha mas estes co oce” e a co shop é do “Pingo D s? Já cá andas há anos, o w o este rk o tã n ig E am s? s ro re ei o op de panh melh , um worksh elhores com er m m s o u C te s o em rápida, no B a ser zer comida RA pensou fa P S a D er d O n . re ti ercas a ás ap para onde poder tubro não p u co O ti e d rá p 1 a 2 h guinha o dia cozin saudável! N aquela barri a z, d n ve ai e d e, , er ca práti a perd e de começar oportunidad helin”. pneu “ Mic e el u aq u o de cerveja
Imagina um mun do onde as crianç as pudessem sa Não imaginas?! lvar vidas. Pois bem, no di a 7 de Outubro o “ A Brincar, a o DSPRA criou Brincar” que pr etende ensinar de Vida a crianç Suporte Básico as. E tu podes fa zer parte disto! ser monitor, e se Como? Podes res tu a transmiti r os fundamento às crianças, ganh s de SBV ando experiênci a em SBV ao m que aprendes a esmo tempo lidar com um m undo tão import o pediátrico. De ante, como é que estás à espe ra para vir ajud salvar “ursinho ar crianças a s”?
+vida
III Sunset com todos
avós e vontade de Tens saudades dos miminhos dos Humanos e Paz ajudar? O Departamento de Direitos a-te a um amigo e tem a oportunidade ideal para ti! Junt panhia a um idoso. vem, uma vez por semana, fazer com +VIDA permite-te A decorrer durante o semestre, o básicos e realizar ainda aplicar conhecimentos clínicos ra? Vem ajudar! rastreios periódicos. De que estás à espe
Dia 8 de Outubro vem usu fruir de um sunset Cultural dedicado ao Fado de Coimbra e Gastronomia Portuguesa. Na cidade dos recantos e enc antos, vem viver um pouco da tradição que torna esta cid ade mágica e dá significado à palavra “saudade”… Nu m local mítico e acolhedor da baixa de Coimbra, del icia-te com aquele chouri ço assado, broa de milho e vin ho tinto, acompanhados de um belo Fado e Serenata. Vem reacender a tradição!
Twinning proje ct
a Mega convívio da latad
De 12 a 18 de fazer um in Outubro os nossos e studantes v tercâmbio entre a Un ão poder e a Semme iversidade lweis Univ de Coimbra ersity em B a ajuda do udapest, H Departame ungria com nto de Mo Muitas his b ilidade Inte tórias e pe ripécias nã rnacional. de certeza!! o vão falta r para con tar
Recreativo Departamento o ro ub ut O mais um No dia 13 de C vai organizar A /A EM N do estudantes e Desportivo e reúne todos os qu a, in ic ed M aos caloiros! convívio de r as boas-vindas da ra pa o rs cu ividades da deste grande dá início às fest e qu ta na re Se o espírito Logo após a manhã e mostrar de é at ar nç da m-chegados Latada, vem oimbra aos recé C de de da ci e tradição da !! estudantes da UC
ConVida os Avós
Cuidar (o) Próximo
Os avós mais fofos de Co imbra, estão de volta! No dia 28 de Outubro poderás conversar e passar um bom bocado com os mais velhos , ao mesmo tempo em que pões em prática alguns con hecimentos médicos, atravé s de rastreios e aconselhame nto médico. Poderás medir a Tensão Arterial, a Glicémia, entre outras. Não percas est a oportunidade de ser um boc adinho “ mais médico” por um dia. Os vovôs e as vovós esperam por ti, e o DSPRA agradece!
Tendo em conta a realidade portuguesa no que à prestação de cuidados de saúde primários diz respeito, “Cuidar (o) Próximo” faz mais sentido que nunca! Promoção da saúde em populações do distrito de Coimbra com menor acessibilidade a cuidados de saúde é o mote e rastreios cardiovasculares, aconselhamento médico e avaliação das necessidades dos habitantes o meio para atingir o fim: saúde para todos! Porque para cuidar… é preciso estar próximo!
Gala Asclepius
Mês da dança
Sabes aquele m omento em qu e a classe se solidariedade? reúne com a Isso mesmo: G al a Asclepius – a G do teu Núcleo! ala Solidária Numa noite de convívio e laze docentes, não do r, reúnem-se centes e discen tes da FMUC pa de Gala, seguid ra um Jantar o da atribuição do s Prémios Ascle também és cand pius (sim, tu idato!) e de um espetáculo repl Mas sabes que m eto de artistas. ais? Ao particip ares nesta noite desde logo a co singular, estarás ntribuir para ap oiar a Acredita de Pais e Amig r – Associação os de Crianças com Cancro, m com muitas m as conta ainda ais iniciativas levadas a cabo Organizadora de pela Comissão sta Gala em que quem recebe o gr é a Solidariedade ande prémio . Dia 12 de Nov embro, a não pe rder!
arrasar no próximo Se tens dois pés esquerdos e queres perfeita para mostrar Maomet, tens aqui a oportunidade s as 2ªs feiras do mês esse talento escondido!! Durante toda ural vai proporcionarde Novembro, o Departamento Cult para todos os gostos! te 5 workshops de diferentes danças kshop, ou se preferires, Podes participar em apenas um wor ti! Vem aprender a temos um pack promocional só para os, ninguém vai ficar dançar e traz os teus amigos FMUCian sentado no sofá! Fica atento!!
O-rangers
FMUClímpicos
Tens demasiado tempo livre e não sabe s o que fazer com ele? Gostas de crianças e de um bom desafio? Vem ser um super-herói e junta-te à nossa equ ipa de voluntários do DHP! Podes escolher o horário e instituição que mais se adequam a ti e desenvolver atividades desde acompanhamento ao estudo até aulas de música, ginástica ou outras atividades lúdicas. Sê um O-Rangers e receberás um sorriso de gigante!
?? Então o alho de equipa ab tr e to or sp uma nova Gostas de de -te a conhecer dá o iv rt po es D bro vem Recreativo e s!! Dia 3 de Novem co pi lím C U FM o desporto atividade – os ade e dinamizar id iv at de e ri sé pírito de praticar uma il. Aumentar o es nt da tu es e ad id uma ótima entre a comun a desporto parece ic at pr se to an equipa enqu ideia!!
curso de técnica laboratoriais
Cooltiva-te
Gostavas de aprofundar as tuas técnicas de laboratór io? Tens uma tese para fazer na área e estás à nora? O Departamento de Ciência e Investigação desenvolveu este curso só para ti, onde vais poder ter um primeiro con tato com o laboratório e suas téc nicas, bem como tirar todas as tuas dúvidas!
kshop de Enologia? Sempre quiseste participar num wor os teus amigos?? Ou preferes mais um Quizz cultural com to Cultural dá te Pois bem, este semestre o Departamen as áreas e ainda a oportunidade de te Cooltivares nest serão diferente e ganhar pontos para Intercâmbio!! Num der de participar! que garantidamente não te vais arrepen
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ActiveMed dias para aprender, o E porque os sábados também são ção vai realizar três Departamento de Ciência e Investiga lver as tuas competências “ActiveMed” para que possas desenvo o os workshops, desde práticas de simulação. Muitos serã rgência, simulação de técnicas médico-cirúrgicas em eme raqueal, radiologia de parto, ecocardiografia, intubação orot as a oportunidade de intervenção, etc. Fica atento e não perc ser um melhor médico!!
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Feira da mobilidade internacional
Gostavas de faze r Erasmus ou In tercâmbio, mas bem para onde não sabes ? Queres-te cand idatar, mas nem papelada precis sabes que as para cada pa ís? Dia 19 de N tirar as tuas dú ovembro vem vidas com colega s que já fizeram internacional! El mobilidade es vão te respon der a todas as tu e facilitar-te a es as perguntas colha!!
Creativa-te
À Procura do Nem
o h n e s e D e d p o h s Work digital
Estórias Clínicas
MED WORLD
Este semestre decid imos inovar com o MED WORLD. Ca vez mais, verifica da mos um interesse cr escente dos aluno em exercer no es s trangeiro devido às condições sócio económicas do no sso país, e em aju dar partes do mun com uma enorm do e carência de recu rsos médicos e qu convivem diariam e ente com a fome, guerra, seca e pobr extrema. Contarem eza os com a presença de um interno qu exerce num país es e trangeiro, compara ndo com um intern em Portugal para co o nseguir haver term o de comparação e um médico da equi de pa dos Médicos se m Fronteiras, que falarão um pouco no s do seu dia-a-dia, realidades, condiçõ de trabalho, salário es e perspetivas futura s. Fica atento e nã percas, porque esta o primeira edição pr omete!
o digital e bre desenh so s ai m surgiu este saber tanto, nunca en o N ? Sempre quis as ic em e as tuas técn to de Imag -te en m ta ar aperfeiçoar ep nar ade?! O D o: proporcio ais a oportunid a isso mesm m ar p er d te n is re ex er ap ão Comunicaç ual vais pod q o serás n ve el re ív b cr p in ade e em id v o n um worksho às to ea. Fica aten sobre esta ár igital!! e Desenho D um mestre d
NAtal do hospital o durante a época Já imaginaste como será estar internad melhorar o Natal e de Natal? Queremos trazer alegria e de Coimbra! idad vers dos doentes do Hospital da Uni E tu? poderes contribuir Como podes ajudar? Para além de izar durante o real a ao participar nos workshops 9 de Dezembro dia no semestre, podes juntar-te a nós enfermarias do s pela s para distribuir sorrisos e presente espera! tua à mos CHUC com a ajuda do DHP! Esta
Maomet
O mítico conv ívio de Natal on de, depois de se agonizantes de manas frequências e or ais, vais poder re todas as energias cu perar para a época de exames. No dia Dezembro, ning 17 de uém vai faltar a este evento do D encarna o espiri RD que to natalício de forma bastante Vem descontrai pe culiar! r, dançar e conv iver antes das “f Natal! érias” de
V In4Med s que a perfeição é “The future starts today!” Acreditamo alunos merecem estar ganha com a prática e que os nossos s médicas. Achamos informados das mais recentes inovaçõe cientifico com palestras que através de um congresso médicoe workshops práticos de grandes mentes inovadoras s. Através do In4Med conseguiremos atingir estes objetivo estás à espera para nos dias 19, 20 e 21 de Fevereiro! Que participar?
Curso de Iniciação à Pequena Cirurgia Se já estás no 3º, 4º, 5º ou 6º ano e ainda não fazes ideia do que é cirurgia, não desesperes!! O curso de iniciação à pequena cirurgia vai-te proporcionar um contacto mais aprofundado com esta especialidade e com as técnicas anexas a esta. Um dos grandes projetos que o Departamento de Ciência e Investigação tem reservado para ti e que vai valer muito a pena!!
Direção NEM/AAC
Todos os dias, como alunos de Medicina, cruzamos o nosso caminho com o de um número de cama, uma patologia, uma pessoa. Nesta rubrica, recorro a uma pitada de imaginação para dar a Histórias Clínicas uma forma que o tempo disponível na aula prática não permite.
E
m Agosto, não há Histórias Clínicas.
E ainda bem! A azáfama da vida de estudante no Hospital é substituída, pelo menos durante um mês, por praia, piscina ou passeio. Os professores são substituídos por familiares ou amigos, e os doentes por... Esperem, no Verão também há doenças! Há acidentes, há viroses, há tumores. No Verão há o miúdo que é mordido pelo peixe-aranha na praia enquanto brinca com o irmão mais novo, há os avós que estão mais vezes connosco e mais oportunidades têm para tentar tirar dúvidas sobre as suas maleitas, há o ciclista que cai na berma da estrada e nem levava capacete. Desenganem-se caloiros se acham que só daqui a 6 anos serão médicos. Na cabeça de muitas pessoas, a vossa profissão começa hoje. E é bom que vão preparando os vossos “não sei”, “gostava de poder ajudar” ou “talvez devesse consultar um médico”, porque essas são expressões que tão depressa não vão poder deixar de lado. Com a vossa entrada neste curso e o início do vosso caminho rumo a esta profissão a vossa estória cruza-se com a de muitos anónimos e conhecidos que vos pedirão ajuda (ou não) e que vão ver sofrer à vossa frente. Cabe-vos aceitar isso mesmo e, dentro dos possíveis, fazerem-se úteis. Idealmente, é para isso que todos aqui estamos Sem férias, sem esconderijos, está na altura de vestir a tempo inteiro essa t-shirt amarela Rui Duarte Armindo
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Tema central
Entrevista a Scott Solomon
Entrevista a Scott Solomon
Tema central
Entrevista a Scott solomon formação clínica. Acredito que é mais uma questão de mentalidade individual do que da formação que cada instituição oferece. Cada um de nós deve pensar nas contribuições que quer dar às novas gerações e como quer mudar a forma como se faz medicina atualmente.
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cott Solomon licenciou-se em medicina em 1986 pela Harvard Medical School. De seguida, formou-se em medicina interna no Brigham and Women’s Hospital (BWH) tendo-se mais tarde especializado em medicina cardiovascular. Atualmente, para além de ser professor na Harvard Medical School, é director dos serviços de cardiologia não invasiva, do programa de ressonância magnética cardíaca, do laboratório de imagem cardiovascular e do centro de ensaios clínicos no BWH. Foi escolhido pela Castle Connolly para integrar o America’s Top Doctors e em 2014 a Thomson-Reuters destacou-o como um dos cientistas mais citados dos últimos 10 anos. Recentemente, publicou o Paradigm HF, um estudo com 8442 doentes, onde se verificou que o LCZ696 (inibidor do recetor da neprilisina) era superior ao enalapril a reduzir os riscos de morte súbita e hospitalização em doentes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (link do artigo: http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/ NEJMoa1409077). No dia 29 de Junho, foi orador nas Keynote Lectures in Cardiology no CHUC, juntamente com a sua esposa e editora do NEJM Caren Solomon, tendo de seguida sido entrevistado pela Revista Anemia.
MS: Como classifica a sua estadia em Coimbra até ao momento?
MS: O que faz Harvard, na sua opinião, ser tão especial? SS: Não penso que Harvard seja assim tão diferente de SS: Fabulosa! Coimbra é das cidades mais outros sítios muito bons. É possível ter uma excelente belas em que já estive. Fizemos o tour pela formação num grande número de instituições. O que Universidade e pudemos perceber a importância acho único acerca de Harvard, apesar de termos alunos das tradições nesta cidade, algo que a e professores muito talentosos, é a torna única. Todas as cidades têm as comunidade médica de Boston. suas tradições mas aqui vocês levam as “Harvard dedica-se grandemente à investigação...” Temos médicos de topo em vossas muito a sério. Também tivemos praticamente todos os campos a oportunidade de ouvir a Tuna da da medicina, o que se deve muito vossa Faculdade, que adorámos. aos hospitais de Boston, mesmo Pensávamos que Harvard era uma os que não estão relacionados instituição muito antiga (1636) mas vocês ganhamcom a Universidade. Para além disso, Harvard nos por pelo menos 500 anos. dedica-se grandemente à investigação, não apenas à
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MS: Qual é a importância do programa Harvard Medical School em países como Portugal? SS: Há uma série de benefícios a retirar deste tipo de programas. Em primeiro lugar, aprende-se com profissionais de outras instituições. Da mesma forma que Coimbra é rica em tradições, também se pode tornar uma “tradição” a forma como se tratam os doentes ou se faz investigação em determinado local. Ver como as coisas são feitas de outra forma é muito importante e na maior parte das vezes não temos essa oportunidade, especialmente no início de carreira. No entanto, não digo que diferente seja necessariamente melhor. Eu acho que a vossa formação clínica em Coimbra é tão boa como em Harvard ou talvez ainda melhor. Por outro lado, parece-me que há muito mais oportunidades de fazer investigação nos EUA e são essas oportunidades que estamos a tentar criar no resto do mundo.
na ESC, o que não se verifica nos EUA MS: Já passou quase um ano desde que, juntamente com os seus colegas, publicou o Paradigm HF. Qual é o próximo passo? SS: O próximo passo é tornar a medicação disponível, que provavelmente estará neste verão nos EUA e no outono na Europa. Continuamos os ensaios clínicos com este fármaco num novo estudo intitulado “Paragon”, que é o único grande ensaio a decorrer neste momento. Mas mantenham-se atentos, que provavelmente virão novos estudos em novos grupos de doentes.
MS: Acabei de estudar Cardiologia este semestre e parece-me que o conhecimento nesta área está MS: Considera diferente a Cardiologia que se muito desenvolvido em comparação com outras pratica nos EUA da praticada na Europa? especialidades. Concorda com esta perspetiva? O que é ainda preciso SS: Sinceramente, não vejo muitas diferenças. Tenho muitos colegas e “A vossa formação clínica em Coimbra é fazer na Cardiologia? tratamentos? amigos na ESC (European Society tão boa como em Harvard, ou talvez Novos Prevenção? of Cardiology). Por exemplo, o
ainda melhor.”
Paradigm HF, que vos falei na minha apresentação, tinha um comité executivo constituído por 3 elementos dos EUA e 3 europeus. A grande diferença é que a Europa tem vários países e como tal cada país tem representantes
SS: Acredito que nos últimos anos tenhamos feito enormes progressos no tratamento da doença cardíaca, mas não estamos nem perto da cura. Temse verificado, nos últimos 20 anos, uma redução no número de enfartes mas, por outro lado, temos um aumento da prevalência de insuficiência cardíaca. Portanto, acho que temos de trabalhar arduamente para combater esta doença e não me refiro a
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Tema central
Creativa-te
Entrevista a Scott Solomon
Medicina Made Easy Lobotomia
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oje em dia, de modo geral, vive-se no arquitectou um método que não envolvesse escavação século XXI, uma época em que as calças dos encefálica como o de Moniz, consistindo antes na
anos 90 estão outra vez na moda, paus que seguram a câmara são uma coisa, e a extracção de fragmentos de cérebro para fins terapêuticos é uma prática olhada com desdém. Mas nem sempre foi assim. Esta última, conhecida como “lobotomia”, tornou-se, no século XX, uma alternativa legítima para o tratamento de doenças mentais como esquizofrenia e depressão severa. Em 1935, o neurologista português António Egas
Moniz foi o primeiro a usufruir de uma broca para perfurar o crânio de um paciente mental como forma de tratamento. Por este trabalho
pequenos desenvolvimentos como este que fizemos não estiver disponível, tens de ir à procura de um recentemente. Refiro-me a investir na investigação local onde obter essa formação. Eu digo aos meus das causas desta doença, para a curar. Espero que alunos, se querem trabalhar numa proteína específica tenhamos grandes avanços nesta área, nos próximos que está a ser estudada na Califórnia, para irem para 30 anos, talvez através de células estaminais ou lá. Não podemos ficar acorrentados ao local onde terapia génica para modificar vivemos. “Não podemos ficar ou reverter esta doença. acorrentados ao local onde AN: Algum conselho para os MS: Acha que é possível estudantes da FMUC? vivemos.” publicar em grandes revistas SS: Aproveitem o vosso tempo de internacionais como o New estudante porque há muito trabalho à vossa espera. England Journal of Medicine (NEJM), Penso que ser estudante de medicina é um trabalhando em Portugal? momento muito especial na vossa vida. É SS: Penso que é perfeitamente possível e estou certo um momento em que todos os dias se aprende algo que há investigadores portugueses que já publicaram novo e emocionante mas é também a altura para no NEJM por várias vezes. Como foi mostrado na se descobrir que rumo queres dar à tua vida, o que apresentação da Caren, o número de publicações pode ser extremamente stressante. Lembro-me do vindas da Europa é semelhante ao número proveniente dia que decidi ser cardiologista. Essa decisão requer dos EUA. Acho que o que é importante para os jovens determinado nível de experiência e sabedoria para investigadores é obter a formação que precisam que entendas o que queres fazer para o resto da tua para o que pretendem fazer. Se essa formação está vida. Acho que o mais importante é descobrir o que disponível no teu país, perfeito, fiquem em casa. Se te motiva e fazê-lo
(baptizado pelo próprio de “leucotomia”), terá recebido o Nobel da Medicina em 1949.
O termo “lobotomia” foi cunhado em 1936 pelo psiquiatra americano Walter Freeman,
instrumentação trans-orbitária do lobo pré-frontal após anestesia por choque eléctrico, conhecida como a lobotomia do picador-de-gelo. O método de Freeman tornara-se vastamente popular derivado da lotação dos hospícios, da inexistência de medicação anti-psicótica e a drástica procura de tratamento mental. O psiquiatra terá realizado 2500 lobotomias, a última em 1967, antes de ter sido proibido de operar depois da terceira lobotomia a uma paciente de longa data ter causado a morte por hemorragia cerebral. Os Estados Unidos foi, sem dúvida, onde se realizaram mais lobotomias, ao todo entre 40 e 50.000. Curiosamente, já desde os anos 50 que algumas nações como a Alemanha, o Japão e a União Soviética baniram o procedimento, por considerarem “contrário aos princípios da Humanidade”.
que acreditava que uma sobrecarga emocional se Acerca do legado do Dr. Freeman fora citado: encontrava na origem da doença mental, e que “Houve alguns resultados muito desagradáveis, “cortando certos nervos no cérebro se poderia eliminar o excesso e estabilizar a personalidade”. O psiquiatra alguns resultados trágicos e alguns resultados
excelentes e muito no meio disso tudo”
Miguel Silva
Gonçalo Torres
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Medicina lá fora
Medicina Lá Fora
Especialidade no estrangeiro Alemanha
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procurar lugar em cidades mais pequenas - pequenas clínicas ou hospitais periféricos - em detrimento das grandes cidades, onde normalmente a procura é maior e é dada primazia a pessoas que os serviços já “conhecem”; aqui ajudam o PJ (6º ano, que pode ser feito em qualquer cidade/hospital nacional ou estrangeiro) e as Famulatur (estágios extra-curriculares), uma vez Apesar da maioria das Especialidades Médicas ter que permitem ao estudante “dar-se a conhecer” e dar equivalência entre os dois países, o percurso para a mostras de trabalho. obtenção da mesma é díspar. A primeira e principal Importa ainda salientar que a Formação Específica diferença é que não existe qualquer prova de seriação ou na Alemanha é bastante mais flexível que Portugal, selecção. Contrariamente ao que sucede em Portugal sendo relativamente comum iniciá-la numa área mais - em que todos os anos é disponibilizado um número geral como a Medicina Interna ou Cirurgia Geral e definido e finito de vagas, independentemente das reais posteriormente mudar. Também o contacto com necessidades de cada especialidade, de forma a atribuir diferentes realidades hospitalares é valorizado, sendo um lugar de formação a todos os recém-graduados raro um interno fazer toda a sua formação sempre que realizaram a PNS (Prova Nacional de Seriação) no mesmo hospital/clínica. Esta maior flexibilidade -, na Alemanha não existe um sistema centralizado permite a cada um ir ter um papel mais activo na que faça a gestão do número de postos atribuídos à definição do seu percurso formativo ao longo do formação específica. Pelo contrário, são os próprios tempo. “Eu até tenho interesse em fazer a minha hospitais (públicos ou privados) que disponibilizam Especialidade Médica na Alemanha. Mas afinal o que lugares para formação, de acordo com as suas é que é necessário fazer para concorrer?” Terminado capacidades e necessidades. Assim, os estudantes têm o curso, é necessário fazer duas coisas: procurar um 3 hipóteses: contactar directamente os serviços para posto de trabalho e obter a Approbation (licença para o qual se pretendem candidatar, procurar as vagas o exercício da prática médica na Alemanha). Para que são divulgadas periodicamente pelos próprios a obtenção da mesma são necessários os seguintes hospitais ou utilizar empresas de recrutamento. Ter documentos: certidão de final de curso, Certificate of Doktorarbeit - trabalho de investigação que conduz à Good Standing (emitido pela Ordem dos Médicos) atribuição do grau académico Doktor (apenas existe na e registo criminal português - todos traduzidos e Alemanha) – ou estágios feitos na área/especialidade reconhecidos por notário -, registo criminal alemão, de interesse são mais-valias, mas todo o currículo é certificado de residência na Alemanha e certificado valorizado aquando da candidatura. Por fim, pode oficial de língua alemã (na maioria dos locais nível haver ainda um momento de entrevista, na qual é B2, mas alguns estados podem exigir C1). De salientar pedido ao candidato que dê mostras da sua motivação ainda que as regras podem ser diferentes de estado para estado, havendo alguns que exigem a realização (no fundo “o porquê” de querer aquele lugar). Tal como cá, também na Alemanha existem de uma prova de comunicação médica. pesar da grande barreira linguística, a inexistência de prova para acesso à especialidade e a grande oferta de trabalho na área médica fazem da Alemanha um destino apelativo aos que procuram uma alternativa “lá fora”. Portanto, para todos os interessados aqui fica um breve apanhado de como funciona o Internato Médico na Alemanha.
Erasmus
Eslováquia. Aqui estou eu.
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eixei Coimbra por um bocadinho para me vir meter no frio, no desconhecido, no país onde pouco ou nada de inglês se fala. Estreei o acordo bilateral do programa ERASMUS+ entre Coimbra e Kosice, cujas faculdades de Medicina utilizam planos curriculares francamente antagónicos. Frequentei, durante o primeiro semestre, disciplinas de ambos os blocos e, para tal, aulas com várias turmas diferentes. Fiz as malas, voei sozinha, aterrei na Europa de Leste. “E agora?” Se me arrependo? Nem por um segundo! O que a experiência do programa ERASMUS me tem proporcionado é algo que de outra forma nunca poderia vivenciar. Parece um sonho. E, como qualquer sonho, chega ao fim com a manhã que se aproxima… Sei qual é a ideia que se tem do ERASMUS para quem nunca o fez, porque também eu, até há uns meses atrás, a tinha. E não está totalmente errada – os copos, as escassas horas de estudo, o tempo livre, as viagens. Tudo isto faz parte e, não nego, tudo isto enriquece este tempo que passamos longe de casa e do mundo que até agora conhecíamos. Mas, se fosse apenas isto, não seria justificável todo o esforco e empenho que colocam as universidades de variadíssimas cidades europeias na melhoria e desenvolvimento de tal programa de mobilidade. Tem de haver mais. E há. Há a indelével marca multicultural gravada não só pelos lugares que visito, mas principalmente pelas pessoas que me rodeiam. E, estas, amizades que decerto guardo para a vida, ensinam-me todos os dias que a diferença entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, não se traça sobre a fronteira entre países nem tão pouco está espelhada no contraste de cores
de pele. Há a perceção de um sistema de saúde e de ensino que em pouco se assemelham aos nossos, e que, relativamente a estes, mostram superioridade ou, em alguns casos, um assinalável retrocesso. Há a comunicação trave de uma língua que não é a minha; a tradição e a comida, alheias às que me têm acompanhado desde que me recordo; as saudades de casa, que me recordam de como sou forte e capaz de tudo o que vier. Se eu conseguisse explicar, tal significaria, provavelmente, que não há nada de tão extraordinário neste tal ERASMUS de que tantos falam. Oh, mas há… E estas palavras não fazem jus a este universo inexplicável. Voltarei em breve para Coimbra, muito mais rica, de coração cheio e uma nova alma. Voltarei, feliz por voltar, feliz por ter aqui estado. Por ter vivido o que vivi. Por poder aconselhar todos os outros a fazer o mesmo. Sim, estou na Eslováquia – o frio ja passou e já não estou sozinha. A Europa de Leste é um cantinho deste Mundo grande, que vejo como uma Casa, mais agora do que antes, mais agora do que nunca. Ate já, amigos! Maio 2015
Carolina Cabaços
especialidades mais (p.e. ORL, Oftalmologia) e menos Quer vás tentar a sorte ou apenas visitar a Merckel, (p.e. Medicina Interna, Cirurgia Geral) concorridas; ao menos agora já sabes com o que contar. Viel Glück! no entanto, encontrar uma vaga na área pretendida vai depender muito do interesse, persistência e (Boa Sorte!) flexibilidade de cada um. Isto significa poder implicar texto de acordo com o antigo acordo ortográfico
João Martins 14
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Vive Coimbra!
Vive Coimbra!
Vamos Conhecer
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Coimbra!
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13 1 - A Cabra uldade de Direito) ac (F e ad d si er iv n U 2ina 3 - Biblioteca Joan 4 - Sala dos Capelos 5 - Porta Férrea 16
6 - Sé Velha 7 - Museu Nacional Mac hado de Castro 8 - Sé Nova 9 - Arco de Almedina 10 - Tricana
16 Mafalda Gonçalves
11 - Bigorna Bar 12 - Café Couraça 13 - Parque Verde 14 - D. Dinis 15 - Escadas Monu mentais
16 - Jardim Botânico 17 - Teatro Académico Gil Vicente bra 18 - Associação Académica de Coim 19 - Jardim da Sereia 20 - Faculdade de Medicina 17
Fora da Medicina
Fora da Medicina
Entrevista
Francisca Laia fora da Medicina
RR: Quando estás “Fora da Medicina” e fora da canoagem tens tempo para fazer uma vida normal de jovem universitária, estar com os amigos e família? FL: Sim, apesar de durante a época ter de abdicar de muita coisa a esse nível para conseguir treinar, há sempre tempo para os amigos ao fim de semana e nas férias. Os meus amigos compreendem que para mim isto é um trabalho e uma paixão e isso torna tudo mais fácil. RR: O que acontece num dia normal da Francisca estudante e atleta? FL: Quase todos são de treinos bi-diários e com aulas ou estudo pelo meio. Tentar encontrar tempo para descansar um pouco o que às vezes é complicado, sobretudo em altura de exames. Esta rotina sempre esteve presente na minha vida, sempre treinei e estudei desde muito nova e isso facilita as coisas neste momento, porque já encontrei um ritmo há bastante tempo.
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A canoagem vai ser algo que fará parte da minha vida sempre como desporto para descomprimir de um dia difícil nas urgências.”
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primeira edição deste ano letivo da Anemia contou com o testemunho de Francisca Laia para nos contar como é a sua vida de estudante de Medicina e de promessa no Mundo da canoagem. A atleta de 21 anos de Abrantes conquistou a medalha de prata no campeonato mundial sub-23 de canoagem, em K1 200 metros, que decorreu no Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho, de 23 a 26 de julho.
FL: Dia a dia vou descobrindo, não há realmente uma fórmula que nos ensine a conjugar as duas mas dando uns dias mais a um lado e outros ao outro tudo se consegue! Há tempo para tudo. RR: Sentes apoio por parte da faculdade que te facilite essa conciliação? FL: Há alguma falta de flexibilidade em termos de faltas mas não me posso queixar da compreensão dos professores. Alguns não compreendem tão bem mas tem dado para agilizar tudo.
RR: Pretendes, no futuro, aliar as duas paixões, a RR: Como é que tudo começou? Como é que medicina e o desporto? entrou a canoagem na tua vida? FL: Sim, porque não? A nível de alta competição não FL: Comecei com o meu pai muito cedo. Ele sempre sei se será possível mas sem dúvida que a canoagem fez canoagem e passou-me o “bichinho”. vai ser algo que fará parte da minha vida sempre como desporto para descomprimir de um dia difícil nas RR: Como concilias uma carreira de alta urgências. Continuar a conhecer Portugal e o Mundo competição com curso de medicina? através da Canoagem é um projeto para a vida.
e medalha de bronze em k4 500m na Taça do Mundo de Séniores em Maio em Montemor. Subir ao pódio em frente às pessoas que conhecemos e de quem temos o apoio em Portugal é incrível e inexplicável. Ser em Portugal sem dúvida dá um sabor especial às medalhas. RR: Também na faculdade, foste premiada na gala Asclepius de 2014 com o prémio Desporto. O que sentiste ao receber um prémio para o qual foste eleita pelos teus colegas de faculdade? FL: É bom ver o nosso trabalho e dedicação reconhecidos, sobretudo por pessoas que não estão diretamente relacionadas com a canoagem, é uma motivação enorme e é sinal que fazemos um bom trabalho. Só tenho a agradecer à faculdade de medicina pela distinção.
RR: Tentaste o apuramento Olímpico nos Mundiais absolutos de Milão agora em Agosto. Quais eram as expectativas? Qual o sentimento com que partiste para Milão? RR: Alguma vez ponderaste desistir da canoagem FL:Não conseguimos apuramento olímpico para o porque achaste ser demasiado exigente conciliar Rio2016 por 18 milésimas de segundo. É as coisas? frustrante treinar durante 4 anos com um FL: Um dia isso terá de acontecer “isto é um trabalho e uma objetivo e não o atingir por tão pouco porque o desporto não é uma vida paixão e isso torna tudo mas no desporto há destas coisas, nuns sustentável a longo prazo, porém dias ganhamos, noutros perdemos. A mais fácil.” para já ainda não vejo esse dia vida continua e temos de continuar a chegar e pretendo continuar a trabalhar porque ainda há o apuramento tentar conciliar ao máximo. Neste continental em Maio do próximo ano. momento a canoagem dá-me muito e quero aproveitar RR: Consegues nomear alguma pessoa que tenha isso ao máximo. sido apoio incondicional ao longo de todos estes RR: Que trabalho extra exigiu a luta para os anos de competição? mundiais sub-23 de canoagem? FL: O meu pai, claramente, foi, não só, o responsável FL: Nada mais que o trabalho diário realizado desde por começar a fazer canoagem e ainda hoje continua há muitos anos. É um processo que tem várias etapas a ser indispensável com todo o apoio em todos os ao longo do ano para atingir o pico de forma no campos. Se não fosse ele nada disto era possível momento certo. RR: Conquistaste a medalha de prata em K1 200m nos Mundiais sub-23 de canoagem em Montemor. O que significou esta vitória para ti? FL: Já tinha sido terceira no campeonato da Europa em 2012 em k1 200m como júnior em Portugal. Também este ano fui medalha de ouro em k4 200m Raquel Rodrigues
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Creativa-te
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20 Digressão da TMUC a
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ol, Fá, Mi, Ré, Sol, Fá, Mi, Ré soa repetidamente o velho contrabaixo. De repente, e do meio do preto, ouvem-se 30 vozes num forte “Viver e Amar”. “Bom dia Coimbra! Nós somos a Tuna de Medicina da Universidade deee…“
vinho chegámos à Baviera. Por lá conhecidos como devedores, esta era a nossa vez de oferecer algo à Alemanha, não economicamente, mas ao invés, dar a conhecer a tradição académica, a nossa vasta Cultura e a música portuguesa.
Foi desta forma que ao longo de dezanove dias fomos saudando cada cidade por onde passámos, mudando a língua falada, mas nunca a cantada. Coimbra, Genebra, Munique, Bruxelas e Paris eram os ambiciosos destinos que traçámos para a 4ª Digressão Europeia da TMUC. Primeira para alguns, última para outros… Uma dicotomia que alimentava o ambiente do autocarro. Para os mais novos, a partida para o desconhecido, a ânsia de chegar, de ver e conhecer. Para os mais velhos, a calma, o sentido de responsabilidade e a vontade de recordar histórias passadas. Contudo, 10 minutos depois da partida, esses sentimentos já eram passado e o autocarro uma jukebox a 100 km por hora rumo à magnífica Genebra.
As nossas clássicas atuações pelas ruas iamse somando, mas apesar do árduo trabalho e notável cansaço, fomos sempre surpreendidos por acontecimentos únicos, que se foram escrevendo no capítulo dos vinte e um anos da Tuna de Medicina. Uma atuação para uma das melhores marcas de cosmética de Munique, uma fabulosa atuação na Hofbräukeller e dois míticos e inesquecíveis concertos na Hofbräuhaus, a mais antiga e emblemática cervejaria do mundo, fizeram de Munique o Olimpo da nossa Digressão. Não mais iremos esquecer as atuações no fabuloso Biergarten com mais de 1000 pessoas e na sala exclusiva de artista da Hofbräuhaus. Como manda a tradição Bávara, após os espetáculos, A lembrança é de adormecer nos Pirenéus e acordar caíam na mesa cervejas de litro e deliciosos repastos diante da luxuosa e imponente fachada que se reflete daquela região da Alemanha. no Lago Léman. Cedo a vontade e a emoção de encher A cada atuação víamos o nosso trabalho as ruas suíças de música e alegria nos fizeram rumar recompensado com sucessivos elogios à nossa ao centro da cidade. Rapidamente chegou o final de encantadora música, ao nosso radiante sorriso e ao tarde, e com este, um magnífico jantar no Restaurante nosso romantismo, claramente português. Era a pôr “Cotê Lac”. Onde as lágrimas deixadas ao som da em prática a letra do “Cantar de Estudante” - “rasga “balada” e de um sentido e pujante Hino Nacional sorrisos, esconde o sofrer” - de cabelo desajeitado fizeram lembrar o sentimento de casa, ainda que e dedos em ferida, que escondíamos o cansaço da longe. maneira que melhor sabemos. Sorrindo, encantando Contadas 26 horas dentro do autocarro desde a e propagando a alegria uns dos outros. saída de Coimbra, quatro novos arranjos musicais, Em Bruxelas, partimos à descoberta pelas ruas e vielas umas quantas cervejas e outras tantos copos de de uma cidade colorida e inundada de diversidade 20
cultural. Pelas ruas, muitos indagavam “Are you Harry Potter?”, mas a nossa arte não é da magia, mas sim da música. Prontamente, começámos as nossas atuações na Grand Place, um marco da cidade classificado Património Mundial pela UNESCO, como a nossa Universidade. Em três dias corremos e andámos por todos os recantos da cidade. Se mais tempo houvera, mais profundamente perdidos estaríamos nas tentações da cidade, ora a do chocolate, ora a da cerveja belga. Com o que restava da sola dos sapatos, fomos para a nossa última paragem, Paris. Depois de um dia de atuações junto do Centro Georges Pompidou, onde reunimos vários gauleses curiosos, hoje é o nosso último dia em Paris. Acabámos mesmo agora de fazer uma atuação memorável nos Champs de Mars, com a Torre Eiffel como pano de fundo, onde brindámos os Parisienses com uma desconstrução da música “Aux Champs Elysées”.
Agora, num momento de pausa após um excelente piquenique, aproveitamos para escrever sobre os dias passados. Saboreando uma Leffe, inspirados pelo espetáculo de luzes da Torre Eiffel, vamos sentindo a chegada do fim e, com esta, o sentimento missão cumprida. Uma enorme felicidade e companheirismo vão transparecendo para aqueles que escutam, atentos vão percebendo que algo especial se passa ali. Que nunca terão a oportunidade de visitar Paris da forma que nós o fizemos… No invés de visitar somente, o sentido da viagem cresce da partilha que por ali se faz. A Tuna de Medicina vai passando por muitos e diferentes lugares desta Europa, mas tão importante como deixar a nossa música e cultura na memória dos que por nós passam, é trazer um pouco do que vivemos por lá. As histórias são muitas, os segredos são mais, mas para já é tudo o que temos para revelar Tuna de Medicina da Universidade de Coimbra 21
Nós Médicos O
ntem, no Serviço de Urgência um doente disse-me algo que me fez pensar: “quem diria que ia encontrar aqui gente tão simpática”. O doente de cerca de 50 anos tinha feridas penetrantes auto-infligidas nos punhos (tinha “cortado os pulsos”), pelo que concluí que se havia tentado suicidar. Ao ficar responsável por fazer uma das suturas a princípio não sabia bem o que dizer. Até porque a minha maior preocupação, naquele momento, era a sutura. Não tenho grande experiência e deixar os bordos bem coaptados era o que mais ocupava a minha cabeça. “Ia o Sr. ficar com uma cicatriz exuberante por minha culpa?!” Apesar disto, ia acenando, sorrindo e fazendo breves comentários ao que o doente ia dizendo. À medida que o tempo foi avançando, e que o doente também ia ficando mais à vontade, fomos criando uma relação de empatia que parecia ser exatamente o que este precisava naquele momento. O doente precisava de atenção, sentiu-se ouvido, observado e isso deixou-o, mesmo que por breves instantes, feliz e sereno. O que me deixou ainda mais espantada é que, da minha parte, não tinha havido grande esforço para o deixar contente e, mesmo assim, tinha resultado. Ter proporcionado um bom momento àquele doente, que passava por um dia tão mau, fez o meu dia. Ter feito com que o dia de alguém mudasse de rumo, para que, de alguma forma, valesse a pena fez com que tivesse a certeza de é isto que quero fazer para sempre! Por isso mesmo lanço um desafio a todos nós, futuros médicos: tentar sempre ser a melhor parte do dia daqueles que a nós recorrem
Maria José Temido
Coffee Break
O que aí vem!
Coimbra Paixão Fatal P
erdida no centro de Portugal, desponta Coimbra pulsando histórias de amor e tragédia. Cidade antiga, urbe de doutores e poetas, saudoso penedo, voga calmamente no sereno Mondego como vestígio de outros tempos. Contempla as noites de solidão nas escadas da Sé, a melancolia outonal das folhas do Botânico ou a fria madrugada que desperta a Alta em pleno Inverno. Derrama lágrimas de emoção na serenata, fascina-se com os encantos dos Palácios Confusos e envolve-se de vida. Sente o trespassar e o peso da monumentalidade histórica. Faz parte de todo este turbilhão cultural, debate ideias, manifestase, expressa a sua opinião, tenta gravar a sua marca. Observa o pórtico da Via Latina e deslumbra-se com a quantidade de Filosofia discutida, Ciência questionada, leis reformuladas, equações descobertas, obras geradas; todo um infindável fluxo humano de saber que naquele espaço discorre pelos séculos. Pensa a cidade na quantidade de almas que pela Universidade passaram, cada qual com seus desígnios, desejos e identidade, ao longo dos anos. Quantas paixões não se encontraram já na sua calçada e nas suas ruas? Quanto não se amou perdidamente como se não houvesse amanhã? Que musas inspiraram imortais sonetos? Que palavras ficaram por dizer e beijos por dar? E os registos, oh!, os registos de tais paixões que em forma de versos e melodias correm mundo. Cada recanto uma surpresa, cada dia irrepetível. Assomam os momentos de desespero com os livros e as sebentas, as aulas cativantes e um espírito tenaz e perseverante por entre picos de nervosismo e chávenas de café. Fica a recordação do sacro silêncio das bibliotecas, das pausas animadas com conversas honestas e os últimos mexericos, dos jantares onde se celebra o nosso espírito irreverente, e dos momentos nostálgicos e singelos. As noites, animadas de uma outra cor, trazem consigo grandes amizades, cafés perdidos nas horas, copos vazios em torno de acesas questões existenciais e discussões metafísicas, paixões carnais e amorosas, beijos roubados nas ruas da Alta, desejos e confissões, baforadas de fumo que se
esbatem e quase se fundem no nevoeiro da alva de Inverno. Conversa-se por se conversar, sonha-se alto, trabalha-se com afinco e celebra-se de forma boémia, cultivam-se o corpo e a alma. Constrói-se um futuro e estabelecem-se os alicerces. Passam-se as noites acompanhadas pelos mais recentes sons, avivados os ânimos com álcool e combustados pelo desejo de aproveitar esta época fugaz. O espírito académico pulula entre praxes e convívios, dividindo-se nas suas numerosas vertentes que integram recém-chegados e fortalecem laços, conferindo à cidade um ambiente acolhedor, alegre e garrido. A tradição é sentida como em nenhum outro lugar e as respectivas cerimónias cumpridas e fomentadas com o coração palpitante e, por vezes, plangente. Reza a história que tais tempos de estudante são seguidos por uma torturante saudade, o mais português dos sentimentos, quiçá manifestação do tremendo desejo de reviver aquilo que foi vivido e fatalmente passado. Saudade, sempre saudade, um amargo sabor de tristeza que brota ardente no peito. Venerável e sagrada, pertença coimbrã que nem o sangue consegue apagar, a saudade traduzse em prantos cantados e odes escritas, memórias perdidas e sussurros difusos. Reina triunfante perante capas e batinas, insígnias e cortejos, e perpassa indiferentemente estudantes, eternizando-se numa fábula de sonho e desgraça. Apesar do histórico secular de ensino universitário, Coimbra mostra uma face moderna, mais cosmopolita e activa, focada no futuro e preservando os rasgos do passado que tanto a tornam célebre e amada. Mas por mais avançadas as ciências e mais precisas as tecnologias, permanecerá sempre o mistério do sentimento que o vibrar das cordas de uma guitarra suscita. Mistérios destes embelezam a existência. Criam uma demanda que jamais alcançará resposta. Aí reside toda esta beleza, este encanto, este fascínio por Coimbra. A impossibilidade de agarrar a resposta deste inexplicável sentir, a sua génese e a sua razão, sem que haja certeza desta última premissa. Perante tal panorama, resta sentir. Sentir e viver
Tiago M. Lorga
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Secção Cultural Dicas de Cinema
por Pedro Raposo Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives (2011)
Vencedor da Palme D’Or em Cannes, este filme tailandês não tem uma narrativa convencional, pelo menos não ao estilo ocidental. Cheio de referências à cultura asiática, torna-se por vezes algo estranho; esta obra serve como um exame filosófico ao valor da vida e das relações, da natureza e da morte. Este um filme não pode ser explicado, apenas experienciado.
The Cabin in The Woods (2012)
Pensem na estrutura de todos os filmes de terror. Já está? Este filme do Joss Wheadon (Avengers, Firefly…) consegue virar essa ideia de pernas para o ar… várias vezes, às vezes mais de uma vez por cena. Este filme é um triunfo de humor, horror e cinematografia exímia. É uma injustiça se deixarem este passar-vos ao lado.
Chronicle (2012)
O que realmente fariam adolescentes se, de repente, ganhassem super-poderes? Inicialmente as imaturidades típicas da idade. Mas grande poder implica grande responsabilidade, e quando os seus demónios pessoais emergem, ninguém os pode impedir de abusar dele, violando a linha entre a justiça e a injustiça. É um drama intenso, com uma narrativa bem construída, envolvente, com personagens que suscitam empatia. Aviso: gravado em estilo found footage.
Cartoon
ProgramaçÃo Cultural por Rita Miranda
“Visões da Luz” Por ocasião do Ano Internacional da Luz 2015 e do 725º aniversário da Universidade de Coimbra, vai realizar-se um Colóquio interdisciplinar alargado a diversas áreas do conhecimento desenvolvidas na UC. Cada dia será dedicado a um mote, começando pela “Descoberta da Luz”, “Um Olhar sobre a Luz” e terminando no “Futuro da Luz”. De 1 a 3 de Outubro, às 00:00, no Be Fado.
Concerto Capella Sanctae Crucis O projeto está centrado num conjunto de manuscritos musicais praticamente inéditos do século XVII conservados na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Trata-se de 16 Cartapácios, como eram designados na época, um testemunho verdadeiramente extraordinário da atividade musical no mosteiro de Santa Cruz. A 10 de Outubro às 00:00, no Be Fado.
Coleção Permanente Telo de Morais O espaço cultural alberga um valioso património artístico colecionado ao longo de mais de quatro décadas, doado à Cidade de Coimbra pelo casal Maria Emília e José Carlos Telo de Morais. Inclui pintura, mobiliário, cerâmica, escultura, pratas e outras peças heterogéneas – distribuídos pelos três andares do edifício. Permanente, no Museu Municipal de Coimbra.
Ana Mafalda Gonçalves 23
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