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Editorial
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Ficha Técnica Mariana Almeida Coordenadora do Departamento Cultural
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eis que a viagem se aproxima do fim. Viagem curta, mas, sem dúvida, intensa.
Revista Anemia 43ª Edição - Novembro 2015 Propriedade do Núcleo de Estudantes de Medicina da AAC – Pólo das Ciências da Saúde da Universidade de Coimbra, FMUC, 3000548 Coimbra - tel: 964 091 798 geral@nemaac.net www.nemaac.net anemia@nemaac.net Departamento Cultural Direcção: Mariana Almeida e Miguel Martins Redação: Margarida Duarte, Rita Miranda, Miguel Martins, Rui Duarte Armindo, Gonçalo Torres, João Pestana, Raquel Rodrigues, Miguel Correia da Silva, Catarina Viegas, Maria José Temido, B.M., TMUC, Rita Xavier Design e Grafismo: Beatriz Castro Silva Capa: Beatriz Castro Silva Impressão: Printhouse Tiragem: 300 exemplares, Distribuição Gratuita
Apenas três edições da revista Anemia passaram por mim. Enquanto coordenadora do Departamento Cultural do NEM/AAC, caiu-me sobre os ombros a responsabilidade de continuar este projeto que, embora ainda desconhecido por muitos, conta com uma primeira edição datada de Outubro de 1998. Grande responsabilidade essa… reformular e inovar: um novo formato - de jornal a revista -, novas secções e imagem, uma versão online que alcançasse mais estudantes, novos temas e entrevistas. É certo que o caminho nem sempre foi fácil: cair de paraquedas no mundo da escrita foi uma surpresa e, tantas vezes, um desafio. Mas a verdade é que a meta foi cumprida: a Anemia continua de pé, cada vez mais alta e a dar provas de que não vai deixar de crescer! Nesta última edição da Anemia de 2015 abordaremos temas diversos, desde o enquadramento da FMUC no panorama nacional, pela visão do recém-eleito Diretor da faculdade – Professor Doutor Duarte Nuno -, às novas metodologias internacionais na área da Educação Médica, com entrevistas a Nigel e Deborah Bax, passando ainda pela ciência mundial atual e pelo espírito natalício que se avizinha. Cada página escrita com todo o empenho dos seus redatores e que promete, certamente, surpreender os leitores. Por fim, e agora que se aproxima o fim do mandato, não posso deixar de agradecer àqueles que trabalharam comigo durante este ano na Cultura. Ao NEM/AAC pelo desafio e, em particular, ao Departamento de Comunicação e Imagem por ter dado uma nova cara à revista Anemia. Mas, principalmente, tenho de agradecer aos colaboradores do Departamento Cultural e a toda a redação da revista Anemia por terem feito deste projeto um enorme sucesso. OBRIGADA!
Aqui faz-se Ciência
Medicina Lá Fora
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o Futuro do Cancro pelas Mãos da Universidae de Coimbra
16 Especialidade na Bélgica 17 República Checa
Vive Coimbra!
Ciência Actual
18 Locais para estudar
5 sabias que...?
19 Cantar de Estudante
Fora da Medicina
à Procura do NEM
20, 21 Entrevista A João Cardoso
6, 7, 8, 9 Entrevista a Nigel e deborah Bax
Creativa-te
Creativa-te
22 Luzes, Câmara, Acção
10 Estórias Clínicas 11 Medicina made Easy
Coffee Break
Tema Central
23 Dicas do Chef
12, 13, 14, 15 Entrevista a Dr.
Duarte Nuno Vireira
Votos de um Feliz Natal e um incrível 2016.
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Ciência Actual
Aqui faz-se Ciência
O Futuro do Cancro pelas mãos da Universidade de Coimbra
sabias que...? I
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oi notícia por variados meios sociais e de informação, no último mês, a parceria entre o ICNAS (Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde), organismo da Universidade de Coimbra, e a IBA (Ion Beam Applications, SA), empresa norteamericana líder mundial no fabrico de ciclotrões (aceleradores de partículas), da qual nasceu um inovador método de diagnosticar cancro a preço de saldo. Este novo processo, que usa Gálio-68, um isótopo largamente utilizado atualmente no diagnóstico de cancro, foi submetido a pedido de patente internacional. A inovação está no facto de garantir um preço 10 vezes mais baixo, comparativamente com o seu procedimento semelhante usado até ao momento. Deste modo, como o preço desta autêntica descoberta é bastante inferior ao dos métodos usados atualmente para o mesmo efeito, o exame será acessível a um número de doentes muito mais alargado. A ideia é promover o uso generalizado deste tipo de exame diagnóstico, de modo a que esta significativa redução de custos tenha também, sem dúvida alguma, um impacto positivo no Sistema Nacional de Saúde. Foi o génio dos investigadores Antero Abrunhosa, Francisco Alves e Vítor Alves, colaboradores do ICNAS - um centro multidisciplinar de investigação da Universidade de Coimbra, que utiliza diversas modalidades de imagem médica para aplicações biomédicas e que se embrenha em valências como a medicina, biologia, engenharia, matemática, física, química e informática, realizando exames médicos especializados e apoiando o estudo e desenvolvimento de novas terapias e métodos de diagnóstico - que permitiu desenvolver, ao longo de dois anos, tal
invenção. Consiste na “produção de isótopos para marcação de moléculas utilizadas em tomografia de emissão de positrões (PET), essenciais para o diagnóstico e o estadiamento [estádio ou extensão] de doenças oncológicas”, como é explicado no comunicado enviado aos media. O interesse deste trabalho é de nível claramente global, pois, como a parceria foi assinada com uma multinacional, a descoberta dos investigadores do ICNAS vai correr o mundo e ser aplicada em tantos hospitais e centros de diagnóstico quantos se possam imaginar. Os benefícios são obviamente tanto sociais como económicos, permitindo não só exames mais baratos e acessíveis a uma mais vasta franja da população, como também o lucro que advém de uma criação tecnológica que vai ser comercializada em todo o mundo. Como consequência desta aliança, a IBA empresa fundada nos E.U.A. por Yves Jongen em 1986, mas com origens na Bélgica, que inicialmente se centrava na imagiologia médica e que agora se dedica à radioterapia e ao desenvolvimento de ciclotrões e de centros de terapia, que são capazes de tratar vários tipos de cancro com um grau de precisão e eficácia bastante satisfatório - e a Universidade de Coimbra estabeleceram um protocolo de cooperação, em que a multinacional assume o financiamento da pesquisa, por parte dos investigadores do ICNAS, de soluções inovadoras para o diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas. Mais projetos de investigação se avizinharão num futuro próximo, futuro esse que está a acontecer em direto mesmo aqui ao lado, na nossa Universidade
nvestigadores da South China Agricultural University, em Guangzhou, identificaram um gene que confere às bactérias resistência à antibioterapia de última linha, as polimixinas. Apesar de terem sido descobertas há 60 anos, estas drogas mantêm a sua eficácia e são usadas racionalmente devido à sua toxicidade. Com o aparecimento de novas resistências, as polimixinas têm sido usadas como último recurso, para o qual ainda não haviam resistências conhecidas, até agora.
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Jornal Americano de Astrofísica publicou um artigo que mostra evidência de interações entre o nosso universo e universos paralelos, através da análise da radiação cósmica de fundo. (CMB – cosmic microwave background). Os cientistas descobriram uma associação anómala em algumas regiões da CMB, que acreditam ser a prova da existência de universos alternativos.
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bioengenharia criou com sucesso, na Universidade Wisconsin-Madison, tecido de cordas vocais funcional pela primeira vez. Não só produz sons quando transplantado em animais, como também não casou rejeição em ratos modificados para ter um sistema imune semelhante ao humano. Fica assim mais perto a possibilidade de que, no futuro, se consiga um feito semelhante em humanos que tenham perdido as cordas vocais por doença.
nquanto espécie, os antepassados dos humanos conhecidos como Denisovans são um enigma. Conhecidos apenas através de alguns fragmentos de osso descobertos em 2008, não existem fósseis completos. Mas uma nova descoberta da Universidade de Nova Iorque de um dente molar está a permitir desvendar alguns segredos desta população misteriosa. Notavelmente, concluiu-se que são geneticamente mais afastados dos humanos que os Neandertais.
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m novo estudo do University College London and Public Health England (PHE), indica que um grande número de pessoas podem estar infetadas com uma doença sexualmente transmissível recém descoberta. Em causa está uma bactéria chamada Mycoplasma genitalium, que coloniza o aparelho reprodutor em ambos os sexos, causando uretrites (em homens) e cervicites (em mulheres).
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ela primeira vez, astrónomos da Universidade do Arizona puderam testemunhar a formação de um sistema planetário. A notícia, publicada na revista Natur, sugere que os objetos observados são planetas jovens, presentemente em formação em condições extremas de poeira e gases quentes
Rita Miranda
Margarida Duarte
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à Procura do NEM
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Entrevista quadros de examinadores dos exames de acesso do Royal College of Physicians (semelhante à Ordem dos Médicos, em Portugal) permite-nos viajar por tudo o mundo, desde o Dubai à Malásia.
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esta última edição de 2015, a Anemia traz mais uma entrevista não a um, mas dois convidados internacionais, Nigel e Deborah Bax, presentes no I Congresso de Educação Médica do NEM/ AAC - CALL ME - realizado no dia 27 de Setembro. Ambos docentes e médicos há quase 40 anos na Escola Médica da Universidade de Sheffield, este casal conta-nos como é estudar Medicina nesta universidade (que conta com cerca de 80 novos estudantes anualmente) e a sua opinião na área da Educação. Para além dos tumores neuroendócrinos, Nigel dedica-se à Educação Médica, enquanto Deborah ocupa actualmente o cargo de Presidente do European Board of Rheumatology (primeira mulher a ocupar tal posição).
(risos). MM: De onde nasceu o interesse em Medicina? Nigel B.: Hmmm, bem, a minha vida é muito aborrecida, a da Deb é muito mais excitante. Mas MM: Portanto, casaram durante o curso? Nos dias de foi um interesse que nasceu por volta dos 12 anos, hoje parece-me algo bastante improvável… porque se costuma dizer que há duas coisas que um Nigel B.: Nem por isso! Em Sheffield ainda temos rapaz deve decidir bastante cedo – se quer ir para o alguns casos, geralmente alunos mais velhos, já com uma licenciatura. Recebemos entre 16 a 18 alunos mar ou para medicina. Deborah B.: O meu percurso começou na área oposta, licenciados todos os anos… Mas eu só conheci a Deb sempre me tinha interessado mais pelor letras e pelas graças às más condições da residência universitária! Levei com uma pedra na cabeça, caída da alçada da humanidades. Inicialmente, fiz o curso porta. E tive de ir às urgências. de Psicologia Experimental, em Sussex, mas não fiquei satisfeita… “Daí defender que os alunos Deborah B.: E lá estava eu, a tratar Tentei entrar em Medicina em devem ouvir os doentes, desde a de bêbedos! MM: E o Nigel não estava? Sheffield. Aqui, o reitor fez-me primeira semana!” Nigel B.: (risos) não, não, lembrouma pergunta algo sórdida: me que nessa noite tinha estado ‘sabe, você é um risco, é mais com o actual reitor da universidade, velha que os outros… Como sei que não se vai casar entretanto?’ Isto é algo que hoje em dia seria tinha bebido no máximo um chá, com uns biscoitos. inadmissível questionar! Mas na altura limitei-me MM: Uma vida muita viajada desde cedo, segundo a dizer que já estava farta de homens … Bem, mas sei… depois conheci o Nigel, e casámo-nos dois anos depois Nigel B.: Sem dúvida, o facto de pertencemos aos
MM: Qual foi o país onde ficou mais surpreendido com a qualidade de ensino e estudantes, quer pela positiva ou “Os doentes são o centro da nossa para participar nele! pela negativa? educação!” Nigel B.: Encontram-se pessoas MM: Como funciona esse brilhantes em todo o lado, como programa? no Dubai, por exemplo. Por outro Nigel B.: Imaginem um professor lado, há sempre aqueles alunos que o que pretende explicar aos alunos o conjunto caminho que acabam por seguir em medicina lhes de sintomas e sinais de um determinado doente é indiferente, como especialidade… Por isso, quando reumatológico, com artitre reumatoide. Ora, em vez se falava hoje de manhã do Objective Structured de este professor se dirigir à enfermaria do hospital Clinical Exam (OSCE, exame oral médico, onde os em busca de um doente com artrite, porque não alunos passam por várias estações, comuns a todos, trazer um grupo de doentes que cubram a maioria das com diversos ‘doentes’ – geralmente, actores treinados patologias de uma determinada área médica até nós para o efeito), eu achei importante explicar a minha e deixar os alunos investigar? Assim, os alunos têm opinião. Os OSCE’s nascem de uma necessidade que a oportunidade de passar um dia com os doentes e houve de estandardizar a avaliação entre os alunos, mas perceberem o que é ter uma determinada doença. também torna toda a interacção com o doente numa Deborah B.: E os doentes adoram! O facto de poderem lista de afazeres! Daí não ser usado no Royal College explicar o que sentem e de poderem ensinar futuros of Physicians, onde pretendemos analisar, acima de médicos fá-los sentir uteis, que estão a dar algo de tudo, a capacidade de os estudantes comunicarem e volta ao sistema nacional de saúde. As enfermarias de entenderem o doente de uma forma holística, de o dos nossos hospitais não me parecem o sítio ideal para fazerem de forma lógica, processada pelo raciocínio educar os nossos alunos, pelo menos em Inglaterra. médico, e não pela obsessão de preencher uma lista. Porque nós, médicos, temos Daí defender que os alunos todos os dias de atender um devem ouvir os doentes, desde “Como costumo dizer, o meu ob- certo número de doentes, e a primeira semana! isso leva a que tenhamos que jectivo é tornar-me redundante, fazer tudo à pressa. MM: Sim, isso faz-me desnecessário. Isso significa que Nigel B.: Basicamente, lembrar um programa novas pessoas, melhores do que eu, tivemos que criar um que existe na vossa apareceram.” sistema de saúde paralelo, Universidade, ‘Patients onde os nossos estudantes as Educators’ (Doentes se pudessem sentir à vontade, como Educadores) … sem nos ter sempre sobre eles. Mas o nosso Nigel B.: Sim, sim, esse programa foi fundado com o dinheiro de um prémio que alguns tolos me acompanhamento e feedback ao aluno não é posto decidiram entregar… Tenho muito orgulho nele, está de parte: temos a possibilidade de gravar a interacção a ser um tremendo sucesso, há doentes a pedirem-me dos alunos com os doentes. Os doentes são o centro da nossa educação! MM: Extraordinário, seria excelente ter algo desse género aqui!
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à Procura do NEM
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Deborah B.: Sem dúvida! Nós temos estudantes em Inglaterra que vêm para Sheffielf porque querem participar neste programa! Sabem que vão ver doentes num ambiente seguro, calmo, onde podem aprender por eles mesmos, errando e aprendendo.
MM: Para esse controlo necessitam de um grande número de Recursos Humanos? Nigel B.: Sim, temos um Gabinete de Educação Médica muito completo e atento. Por cada um dos 5 anos do curso, existir um director e sub-director de ano, que adequam as aulas, principalmente as teóricas, tendo em conta as necessidades específicas desse grupo.
MM: Quantos alunos costumam ter por doente? Nigel B.: Geralmente 1 ou 2, nunca mais que quatro. E muito menos 15! E aqui os alunos podem errar. MM: O ensino é muito baseado no aluno, portanto? E devem errar! Mas sem terem que passar pela Nigel B.: Para o aluno e para o doente. Porque o melhor humilhação… (voz de afronta) ‘Mas onde é que professor é o doente, o aprendeu isso? Por onde estudou a segundo melhor é o anatomia do tronco? O que é que “Temos que criar um ambiente onde errar próprio aluno. E em vos ensinam estes dias…’ Acho que não é um medo, uma atmosfera onde terceiro, são os outros vocês já passaram por isto… alunos!
se possa fazer perguntas parvas. Não
B.: A MM: Sim, por vezes interessa humilhar, temos de amar os nossos Deborah pelo acontece… Mas às vezes é estudantes e ajudá-los.” by Deborah B. preocupação aluno tem de ser necessário um aviso aos mais imensa. São parte do irresponsáveis, como o fazem? plano de sucessão e renovação, porque em Medicina é Nigel B.: Nós seguimos a ideia de que não se deve simplesmente dizer a um aluno ‘isso está errado’, preciso ter pessoas relativamente jovens, com energia, ‘isso não é assim’, mas antes ‘certo, é uma maneira que possam ser um exemplo a seguir para os alunos. interessante de ver a situação, mas não seria melhor…’. O director de serviço com 70 anos pode não ser o Mas acima de tudo estamos muito atentos aos nossos melhor caminho… alunos e ao seu estado, não só de conhecimento, mas Nigel B.: Como costumo dizer, o meu objectivo é mental. Logo, três vezes por ano, cada tutor sente-se tornar-me redundante, desnecessário. Isso significa e fala com o seu aluno. Há um grande investimento que novas pessoas, melhores do que eu, apareceram. da sociedade na formação de médicos, pelo que é MM: A vossa humildade é impressionante. Após o necessário mantermo-nos atentos ao bem-estar dos vosso imenso trabalho, desejam acima de tudo o nossos alunos. sucesso dos outros.
Nigel B.: Todos nós conhecimento? temos áreas em que não “Fazer algo que não seja só para os créditos é ópti- Nigel B.: Atenção, o somos tão bons, em que mo – não interessa a nota, queremos pessoas com- conhecimento é o mais precisamos de errar. E foi petentes, capazes de integrar o conhecimento, mas importante! Mas a maior o errar tantas vezes que acima de tudo, pessoas capazes de compreender os parte das queixas dos também me tornou num doentes vêm de falhas no comportamentos do doente.” melhor médico. Nos anos processo comunicativo, ou em que estive à frente do seja, não basta saber muito, nosso Departamento de Educação Médica o meu é preciso juntar isso a uma boa relação papel foi ajudar os outro a errar! médico-doente. Agora, e para terminar, gostava de ser eu a fazer uma pergunta: o vosso curso costuma Deborah B.: Temos que criar um ambiente onde errar não é um medo, uma atmosfera onde se possa fazer ser inspecionado por autoridades independentes? perguntas parvas. Não interessa humilhar, temos de MM: Penso que será este ano, pela primeira vez, amar os nossos estudantes e ajudá-los. através de um novo gabinete instituído pelo Estado, a Nigel B.: Os alunos tem de sentir parte do curso, de colaborar, de sentir que a faculdade é deles. E acho que o vosso programa de tutores de alunos mais velhos é uma excelente ideia. Fazer algo que não seja só para os créditos é óptimo – não interessa a nota, queremos pessoas competentes, capazes de integrar o conhecimento, mas acima de tudo, pessoas capazes de compreender os comportamentos do doente. Gostava que me provassem que realmente obter melhores notas está relacionado com um melhor ensino.
A3ES, mas de resto… Nigel B.: Porque eu acho isso importantíssimo. A saúde é um bem público, que todos pagamos, daí ser tão necessário que tudo seja bem feito. Eu próprio me pergunto por que não deviam ser os professores do Ensino Superior creditados, tal como os do ensino abaixo. Porque ensinar não é fácil e é preciso manter padrões elevados. MM: Muito obrigado, Nigel e Deborah, foi um prazer tervos connosco
“Eu próprio me pergunto por que não deviam ser os professores do Ensino Superior creditados, tal como os do ensino abaixo. Porque ensinar não é fácil e é preciso manter padrões elevados.”
MM: Não são por vezes acusados de ser utópicos, ao considerar o comportamento do médico mais importante que o seu
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Creativa-te
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Medicina Made Easy
Estórias Clínicas Todos os dias, como alunos de Medicina, cruzamos o nosso caminho com o de um número de cama, uma patologia, uma pessoa. Nesta rubrica, recorro a uma pitada de imaginação para dar a Histórias Clínicas uma forma que o tempo disponível na aula prática não permite.
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lberto, 92 anos, estado excelente. Em Medicina Geral e Familiar há a grande vantagem de se poder ver a pessoa no seu estado normal, comum, não necessariamente “doente” como sempre consideramos num contacto hospitalar. O que têm é o que quase desde sempre tiveram e provavelmente quase para sempre terão. Mas nem todos estão, aparentemente, felizes com essa situação. Alberto é um senhor com todas as letras. Do alto dos seus noventa e dois anos está ainda atento aos pormenores do mundo que o rodeia. Comenta política, música e literatura enquanto vai contando como se tem sentido. “Não deve deitar-se pouco depois de ter comido!” “Ah, isso não é problema. Pelas 21h30m acabamos de jantar, que em casa jantamos tarde, mas depois estou sempre pelo menos até às 24h a ler e tratar dos meus assuntos no escritório.” Contudo, nem tudo está bem para o senhor Alberto: “Acredita que fui esta semana a uma consulta de Cardiologia no Hospital e o médico, um novinho como esse colega da Dra., me disse que eu estava impecável e me deu Alta da Consulta?! Impecável?! Uma pessoa
com a minha idade alguma vez pode estar impecável?”. Rapidamente lhe pedimos e lemos a Carta de Alta que brandia enquanto se indignava com a situação. Não havia, de facto, qualquer indicação clínica ou de exames complementares que justificasse um acompanhamento diferenciado. “Sr. Alberto, tem de entender que, para a sua idade, está de facto impecável. Aliás, mesmo na faixa etária abaixo da sua há certamente inúmeras pessoas que precisam bem mais daquela consulta. Aqui no Centro de Saúde trataremos de acompanhar as suas queixas e de lhes dar seguimento se nos parecer necessário. Pode estar descansado.” Enquanto a Dra. falava e assinava a receita de uma estatina, já eu tirava notas para uma próxima Estória Clínica… “Eh eh eh.” – riso malandro do Sr. Alberto – “Estou a ser visto por dois médicos canhotos ao mesmo tempo. Que improvável!”. Tenho de concordar com o Sr. Alberto. Nada naquela consulta me pareceu provável. Ainda bem
A História da Diabetes
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Diabetes já fora reconhecida como uma maleita desde as civilizações do Antigo Egipto, pelo que se pôde apurar de um manuscrito datado de 1500 AC que menciona “muito esvaziamento da urina”. Curandeiros indianos terão também identificado a doença, classificando-a de “madhumeha” ou “urina de mel”, descrevendo que a urina do doente atraía formigas. A distinção entre diabetes tipo 1 e 2 como condições diferentes fora realizada em 400-500 DC pelos médicos Indianos Sushruta e Charaka, que associaram o tipo 1 com idade jovem e o tipo 2 com obesidade. O termo “mellitus” fora adicionado por Thomas Willis em finais do século XVII para se distinguir de outra condição também caracterizada por urinação frequente, a diabetes insípida. Na Pérsia medieval, Avicena descreve detalhadamente a clínica da Diabetes Mellitus no Cânone da Medicina, fazendo referência a gangrena diabética. Mas apesar do reconhecimento da doença desde a Antiguidade, a patogénese da diabetes apenas fora conceitualmente concebida em cerca de 1900. A descoberta do papel do pâncreas na diabetes é atribuída a Joseph von Mering e Oskar Minkowski, que em 1889 verificaram por experiência que cães cujo pâncreas fora removido desenvolviam o quadro clínico de diabetes e morriam pouco tempo depois. Em 1910, Sir Edward Albert SharpeySchafer postularia que doentes diabéticos são deficitários num singular composto químico normalmente produzido pelo pâncreas, que propôs denominar “insulina”,
do latim “insula” (ilha), em referência aos ilhéus de Langerhans produtores da insulina, identificados em 1869 pelo anatomista Paul Langerhans. A função endócrina do pâncreas no metabolismo e a existência da insulina foram posteriormente confirmados pelos canadianos Frederick Banting e Charles Best em 1921, após emularem o trabalho de Von Mering e Minkowski, tendo demonstrado que era possível reverter a diabetes induzida nos cães ao administrar um extracto de ilhéus de Langerhans de cães saudáveis. Banting, Best e outros colegas conseguiram purificar a hormona insulina a partir de pâncreas de bovinos na Universidade de Toronto, o que levou à disponibilidade de uma terapêutica eficaz: injecções de insulina. O primeiro paciente tratado, em 1922, foi um rapaz de 14 anos, que pesava apenas 30 kg. Após o tratamento, a sua cetonúria e glicosúria foram praticamente neutralizadas, e os seus níveis de açúcar reduzidos até 77%. Seis mais pacientes foram tratados em Fevereiro de 1922, e rapidamente experienciaram uma melhoria da qualidade de vida. A produção em massa de insulina começara em finais de 1923, e 25 mil pacientes no Canadá e nos EUA receberam o tratamento. Frederick Banting fora galardoado com o Prémio Nobel da Medicina em 1923, e tornou a sua patente disponível sem cobrar qualquer preço, pelo que a terapêutica com insulina rapidamente conheceu fama mundial. O dia Mundial da Diabetes é atribuído ao seu aniversário, 14 de Novembro
Gonçalo Torres
Rui Duarte Armindo
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Tema Central
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Entrevista
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uarte Nuno Pessoa Vieira formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra tendo, ao longo da sua carreira, presidido a entidades de renome internacional tais como a Academia Internacional de Medicina Legal, o Conselho Europeu de Medicina Legal, o Conselho Forense Consultivo do Procurador do Tribunal Penal Internacional, entre outros. Recebeu 13 prémios científicos em Portugal e no estrangeiro. Foi distinguido com 15 títulos honoríficos atribuídos por sociedades científicas, universidades, municípios e governos de países europeus, asiáticos, africanos e norte, centro e sul-americanos. Foi galardoado em 2014 com o mais prestigiado prémio internacional no âmbito das ciências forenses: a Douglas Lucas Medal Award da Academia Americana de Ciências Forenses. RR: É um dos melhores investigadores forenses do penso que são partilhadas por outros colegas que Mundo. Presidente do Conselho Europeu de Medicina me apoiam e ajudam e, portanto, aceitei este desafio Legal e perito das Nações Unidas, da Cruz Vermelha para ver se conseguimos melhorar do ponto de vista e do Tribunal Penal Internacional. O que o motivou pedagógico, da investigação e das infraestruturas. a querer ser diretor da FMUC? Foi uma decisão fácil? RR: Fez a licenciatura, mestrado e doutoramento em DN: Foi uma decisão pensada, eu aceitei ser diretor Medicina na Universidade de Coimbra. Fale-nos um da FMUC porque neste momento tenho uma maior pouco daquilo que foi o seu percurso académico? disponibilidade e penso que este é um cargo que Quem era o Professor Duarte Nuno Vieira enquanto exige ser exercido a tempo inteiro. Deixei de exercer estudante? funções no Instituto Nacional de DN: Eu não comecei pela Medicina Legal e Ciências Forenses, “O que eu mais gosto é de dar Medicina Legal, comecei pela fiquei apenas em termos de função Bioestatística, fui monitor e pública com a faculdade embora aulas!” assistente. Os meus pais foram com outras coisas no âmbito professores de Matemática e como privado e entendi que era tal, a Matemática sempre estava tempo de dar algum contributo à faculdade. Não foi na ordem do dia lá em casa. Na altura pensava ser devido a qualquer tipo de forças de pressão, concorri obstetra/ginecologista. Comecei por fazer obstetrícia por vontade própria, por desejo próprio e porque a e quando estava a preparar-me para fazer o exame faculdade é a minha matriz, é aquilo que eu sinto de especialidade à Ordem, entrei como assistente verdadeiramente. Sempre me senti mais professor de carreira, que hoje em dia já é raro, sendo que a do que presidente do Instituto Nacional de Medicina lei estipulava que quem era assistente de carreira Legal ou qualquer outra função, sempre foi isto que escolhia a especialidade que queria. De maneira que mais me agradou. O que eu mais gosto é de dar aulas! toda a gente achou que eu era completamente maluco E tinha algumas perspetivas para a faculdade que quando, podendo escolher o que quisesse e não tendo
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que passar sequer pelo teste, escolhi Medicina Legal. Mas escolhi-o porque tinha feito uma pós graduação na área que gostei muito e porque senti que era uma área necessitada, na qual podia dar um contributo mais significativo.
quase numa atividade da faculdade e não apenas do Núcleo de Estudantes de Medicina. Tenciono manter reuniões regulares com os núcleos de estudantes, não digo que vão resolver os problemas todos, até porque não tenho uma varinha mágica que faça cair dinheiro do céu ou espaços físicos, mas naquilo que pudermos RR: Foi galardoado em 2014 com o Douglas Lucas ajudar, iremos procurar fazê-lo. Medal da Academia Americana de Ciências Forenses. RR: De que forma os alunos são um obstáculo à O que significa este reconhecimento internacional? DN: Foi uma surpresa! Nunca imaginei, nem nunca mudança? me passou pela cabeça que me pudesse ser atribuído. DN: Às vezes também são! Creio que nós temos os Ainda hoje me pergunto um bocadinho porquê. É melhores alunos que a Universidade tem, são os que um prémio que é atribuído só de três em três anos deram provas disso antes de entrarem para a faculdade. E não sou dos que acha e as pessoas que o receberam que as novas gerações antes são pessoas pelas quais eu “Foi um momento emocionante e obviasão sempre piores que sempre tive a maior admiração, mente marcante, mas estou longe de ser o as anteriores, pelo são as grandes referências! Basta contrário, acho que as melhor CSI do Mundo.” dizer, por exemplo, que um dos novas gerações são muito galardoados foi o Sir Alec Jeffreys mais interventivas, têm que descobriu o ADN para fins muito mais capacidade de dinamização, forenses. Acho sinceramente que há muitos outros de realização, têm muito mais à-vontade. Acho que colegas que deram um contributo à Medicina Legal e às Ciências Forenses que o mereciam tanto ou mais do têm uma capacidade de exposição, de apresentarem que eu. Quando me telefonaram dos Estados Unidos, temas, de fazerem trabalhos, de organizarem coisas achei que estavam a brincar comigo. O prémio vale que, no meu tempo, muito pouca gente tinha. Agora mais pelo seu significado, apesar de ter também uma também vejo que os alunos, tendo um espírito crítico componente económica bastante significativa, que que é bom, por vezes têm um espírito demasiado eu ofereci à Academia Americana para criar bolsas crítico. Mas isso faz parte do espírito de Coimbra. para jovens internos de países carenciados. Foi um Como sabem, dou aulas em vários países e tomariam momento emocionante e obviamente marcante, mas muitas universidades do Mundo, até nomeadamente europeias, ter as condições que temos aqui. No estou longe de ser o melhor CSI do Mundo. entanto, os nossos alunos, notam e transmitem sempre RR: Como diretor da Faculdade que tipo de relação o que está mal e nunca vêm as coisas pela positiva. quer ter com os estudantes da FMUC? Penso que os alunos de medicina têm de pensar que DN: A melhor. O tempo passou tão depressa mas eu a imagem que criam da faculdade também os afeta ainda me sinto aluno. Quando fui aluno, sempre andei particularmente a eles. Para além de que temos envolvido nas lides académicas. Aliás, durante todo o de reconhecer que alguns dos melhores médicos meu curso fiz parte da Assembleia de Representantes portugueses se formaram em Coimbra. A faculdade em listas de alunos, fiz parte do grupo que organizou a ensina a estudar e a aprender. Dá asas, depois é preciso primeira Queima das Fitas, que não existia há muitos aprender a voar, na vida prática. anos, e organizei o primeiro Baile da Queima das fitas. Fui talvez dos primeiros a voltar a andar de capa e RR: E os docentes? batina na faculdade, numa altura que ninguém andava. DN: Há docentes muito empenhados na faculdade e há Apoio por completo as manifestações estudantis e pessoas que tentam fazer o melhor. Vamos reconhecer participarei em todas as que for convidado desde que a faculdade tem insuficiências e deficiências do que tenha disponibilidade. Gostaria até de envolver ponto de vista de infraestruturas, já que temos o mais os docentes nessas atividades estudantis, problema de estarmos numa fase de transição que nomeadamente na Gala Asclepius, na qual desejaria deveria estar completa e ainda não está. Para além que no próximo ano estivessem muitos mais docentes disso, falta-nos um estatuto de hospital universitário. e não docentes para que a gala se transformasse Quando os CHUC foram construídos, todos os
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Tema Central
Tema Central serviços tinham uma zona de ensino que tem vindo a ser extinta ao longo dos anos. E portanto, há aqui muita insuficiência, algumas delas não são culpa da faculdade obviamente, outras podem ser corrigidas e obrigam a um empenho de ambas as partes, alunos e docentes. Se nós hoje temos um excesso de alunos no ciclo clínico foi também porque quando se pensaram criar mais parcerias com outros hospitais da região como Figueira da Foz, Aveiro, Leiria, até eventualmente Viseu, foram os próprios alunos que não quiseram. Sendo certo que o numerus clausus é exagerado, essa decisão não cabe à faculdade mas sim ao governo. Toda a gente sabe que houve um grupo que concluiu que não deveriam haver mais de mil alunos de medicina em todo o país e nós temos mais de dois mil.
porque embora possam ter alguns desvios e alguns enviesamentos, traduzem aspetos que as faculdades não podem deixar de ponderar. Todo o estudo pode dar pistas e ser um elemento de reflexão e ponderação para ajudar a melhorar. No entanto, acho que efetivamente o estudo não deveria ser publicado tal como está porque tem falhas. Tem um risco de transmitir uma perceção que prejudica os próprios alunos da faculdade e que não corresponde à realidade, nomeadamente ao não se ter chamado “Inquérito às Condições Pedagógicas” e ao se chamar apenas “Inquérito de Avaliação Pedagógica”.
RR: Existe alguma previsão para a conclusão dos novos edifícios e uma data para a qual estes estarão disponíveis para uso da faculdade? DN: Não há uma data prevista para a conclusão dos RR: Propôs-se a (re)pensar a Faculdade de Medicina, edifícios que faltam construir, uma vez que depende delineando um plano estratégico a médio e a longo em parte da reitoria mas acima de tudo do orçamento prazo. Fale-nos desse plano. O que é prioritário? que o estado proporcionar. Eles já deveriam estar DN: Há muitas prioridades. É evidente que uma das prontos, mas não estão e não temos previsões de datas minhas maiores preocupações de conclusão. Sabemos é a vertente pedagógica. É um apenas que a sub-unidade 2 tópico fundamental e uma das “É evidente que uma das minhas abrirá durante 2016 e trará principais missões da escola mais uma série de salas maiores preocupações é a vertente é mudar e alterar aquelas de aulas e um auditório. pedagógica.” classificações e apreciações Embora da nossa parte haja em termos de qualidade todo o empenho e pressão pedagógica. Mas temos ao mesmo para que possa constituir tempo que acautelar a parte da investigação e das uma prioridade por parte das entidades competentes. infraestruturas que infelizmente não dependem tanto de nós, dependem da conjuntura do país e da reitoria. RR: Esta pergunta penso que seja uma das maiores curiosidades dos nossos leitores. Quantos fatos guarda RR: O estudo apresentado pela ANEM aponta a FMUC no seu armário? como a escola médica com o maior rácio tutor/aluno DN: (Risos) Não faço ideia nenhuma. Nunca os (18,5), sendo que o ideal seria de 2-3, e com o menor contei. Já andava quase sempre de gravata quando grau de satisfação por parte dos alunos. Acha que este era estudante e os meus amigos metiam-se comigo estudo tem algum impacto a nível interno ou na forma na altura. Mas agora despertou-me a curiosidade, vou como a nossa faculdade é reconhecida? contar quando chegar a casa. Em que medida estamos realmente em desvantagem para com as restantes escolas médicas? É possível RR: Como é um dia “normal” do Professor Duarte Nuno Vieira? melhorar estes aspetos menos positivos? DN: Estes estudos apesar de tudo são importantes DN: Os meus dias são muito variados, sempre
foram. Agora tenho estado mais numa rotina dentro da faculdade. Mas desde dar aulas, ter reuniões, videoconferências para quase todos os cantos do mundo, os meus dias vão sempre variando. Eu não diria dias, diria antes que as minhas semanas são muito variáveis. Há semanas que estou em Coimbra, outras posso estar em três ou quatro países diferentes. Por exemplo a semana passada, em quatro dias fui a duas cidades do Brasil e ao Uruguai, voltando ainda para Coimbra no final da semana. Na próxima semana irei ao México. Realmente o que os meus dias não têm é monotonia, são todos diferentes. Admito que gosto do stress e da adrenalina e até vivo um bocado mal sem eles. E depois, o trabalho para mim não é trabalho, eu gosto muito do que faço, costumo dizer que sempre tive o privilégio de nunca ter trabalhado na vida. Como sempre fiz o que gosto verdadeiramente, para mim não representa nenhum sacrifício. Daí aconselhar sempre as pessoas quando escolhem a especialidade para não escolherem pelo que lhes dá mais dinheiro ou belíssimas perspetivas de ter um Ferrari e uma mansão. A vida passa muito depressa e passar os fins-de-semana angustiado porque vem uma nova semana, deve ser algo absolutamente terrível.
sentimento de instabilidade e de insegurança. Não sei qual será a solução. Como sabe eu trabalho como consultor para as Nações Unidas e tenho estado em muitas zonas de conflito que vivem sempre períodos muito dramáticos. É evidente que com o passar do tempo as coisas regressarão à normalidade. Toda a gente diz que Paris nunca será a mesma, eu penso que voltará a ser. Já tivemos um atentado em Nova Iorque e Madrid, por exemplo, e as cidades voltaram a ser o que eram. É claro que estes atentados deixam sempre marcas do ponto de vista de segurança, mas o ser humano tem uma enorme capacidade de recuperar e ressuscitar estas zonas. É um momento que obriga a alguma reflexão e é um momento em que a Europa não pode ignorar que tem aqui algumas responsabilidades porque nem sempre a forma como conduziu as suas políticas foi a melhor. Acho que a Europa conjuntamente com os Estados Unidos tem uma enorme responsabilidade na destabilização de alguns espaços geográficos, nomeadamente no Médio Oriente. A intervenção no Iraque foi um erro profundo no qual a Europa tem responsabilidades, porque foi muito conivente com base em informações que hoje sabemos que não são verdadeiras. A Europa tem de se envolver, tem de acolher eventualmente RR: Quais os seus hobbies preferidos? O que é que não estes refugiados, pensando como os vamos inserir dispensa? na nossa cultura. Não podemos é deixar que estes DN: Há muita coisa que gosto de fazer e agora tenho acontecimentos nos assustem, seria apenas favorecer pouco tempo. Por exemplo, gostava muito de fazer quem provoca estes atentados. desenho a carvão e gosto muito de jardinagem. Mas tenho de admitir que hoje em dia tenho poucos RR: Que mensagem deixaria a cada um dos estudantes hobbies, porque o meu tempo livre tem de ser utilizado da FMUC, transversal a todos, desde o caloiro ao para ler relatórios, para terminar publicações, para finalista do 6º ano? estes pequenos compromissos internacionais que DN: Não desistam nunca dos sonhos que têm. Lutem acabam também por ser uma distração. Para além sempre todos os dias pelas causas e pelos valores disso, gosto muito de cinema. que acreditam. É a única possibilidade de mudar o Mundo e alimentar a nossa capacidade de construir. RR: Esteve em países como o Iraque, o Irão, a Líbia, a O trabalho também é um meio de felicidade mas não Tunísia, em serviço das Nações Unidas. O que pensa é o único meio. Dediquem-se ao trabalho no futuro destes últimos acontecimentos em Paris? E quanto à mas não exclusivamente, pensem também na família crise dos refugiados? Qual é a principal urgência? e na vossa vida pessoal DN: Acho uma situação dramática que gera um Raquel Rodrigues e Miguel Correia da Silva
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Medicina lá fora
Medicina Lá Fora
Especialidade no estrangeiro
Erasmus
República Checa
Bélgica
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e a riqueza cultural, gastronómica e uma boa disposição permanente das pessoas são aspetos que valorizas, então a Bélgica é definitivamente uma hipótese que deves considerar na escolha do sítio para tirar a especialidade. É de notar a infindável lista de atrações que este pequeno país tem para oferecer. Arte, gastronomia, banda desenhada, entre muitas outras coisas. E claro, a famosa cerveja belga!
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clínicos, trabalhos científicos e, em determinadas especialidades, poderá ser exigido um exame.
A primeira decisão a tomar se decidires fazer o internato na Bélgica é a região para onde queres ir: Valónia (parte francesa) ou Flandres (parte flamenga). Se optares pela primeira será necessário um exame de língua para efetuar a candidatura. O mesmo não acontece em Flandres, apesar de ser exigido que o holandês seja falado fluentemente. Outra diferença entre as duas regiões é o facto de na Flandres serem pagas propinas e na Valónia não.
Se for escolhida uma especialidade, a formação poderá ir de quatro a sete anos, sendo exigidos alguns exames intermédios no seu decurso. Contudo, o exame final não é requerido em todas as especialidades. É oferecida a hipótese de tirar um doutoramento durante o internato, bem como a possibilidade de realizar parte do internato no exterior. Porém há algumas especialidades, como Medicina Legal, Oncologia Clínica, Medicina Tropical ou Medicina de Emergência, que não estão abrangidas pela diretiva europeia.
Na Bélgica não há ano comum. Geralmente, durante o sexto ano, o aluno já começa a ser direcionado para a especialidade que ambiciona porque a experiência clínica é um aspeto altamente valorizado na candidatura. Por isso, é muitas vezes aconselhado a quem pretenda fazer o internato neste país que o sexto ano seja feito na Bélgica. A candidatura à especialidade é feita na universidade pretendida com pelo menos um ano de antecedência, não havendo numerus clausus para estrangeiros. Os períodos de candidatura são diferentes entre universidades, bem como os critérios de seleção usados. De um modo geral, dura cerca de dois a três meses com entrevista, apresentação de casos
Clínica geral não integra o leque de especialidades médicas. É vista como um percurso alternativo à especialidade, com três anos de formação. Os médicos que optam por esta via poderão trabalhar em pediatrias, emergências, entre outros.
A autonomia só é conseguida quando se termina a especialidade. Contudo, apesar de não poderem abrir a sua própria clínica, os mestres em medicina podem prescrever autonomamente. A carga de trabalho poderá variar entre 48 e 60 horas semanais.
raga é uma cidade mística. No centro da Europa tem uma vida completamente diferente de todas as outras capitais em que já estive. Passar na Charles Bridge à noite é como entrar num Universo paralelo. Quando está Sol, passear pelas margens do Vltava, faz-me lembrar filmes de Princesas. As vistas maravilhosas da colina do castelo são de cortar a respiração. Enfim, é muito fácil apaixonares-te por Praga. Escolhi Praga porque tem um ensino em inglês, numa boa Universidade, mesmo no centro da Europa o que me iria permitir viajar muito. Tudo se tornou realidade. Em primeiro lugar, a cidade é um óptimo sítio para fazer Erasmus. O custo de vida é abaixo do nosso, tem uma faculdade que recebe bem os seus Erasmus e a sua localização permite-te viajar para muitos outros locais a muito bom preço. Não podemos esquecer que o facto de haver inúmeros estudantes internacionais em Praga é uma grande vantagem - permite-te conhecer uma maior quantidade de estudantes de todo o mundo. Em turmas em que já estive pude contactar com estudantes dos EUA, Malásia, Botswana, Albânia, entre muitos outros. Senteste no centro do mundo. O dia-a-dia em Praga é feito consoante o que gostas mais de fazer. Podes ter a certeza de que há sempre uma esplanada nova para experimentar, uma vista maravilhosa que ainda não apreciaste e até aulas de dança de salão ou de técnicas de defesa pessoal a bons preços. Há também uma boa oferta de ginásios com grandes condições e mais baratos que em Portugal. Concluindo, vais ter sempre com o que te ocupar em Praga. Quanto à vida noturna da cidade, há festas de Erasmus a acontecer quase todos os dias e mesmo os bares e discotecas mais tradicionais são, também, locais a não perder. Raramente uma entrada para uma festa ultrapassa os 2€ e a cerveja é também quase dada. Uma iniciativa ótima são as festas em que vários países podem mostrar os seus costumes. Esta semana, numa delas, no vídeo de
Portugal pudemos ver um excerto de uma apresentação da TMUC o que nos fez voltar, por breves momentos ao espírito académico de Coimbra que, aqui, tanto nos faz falta. Para além disto, a rede de transportes da cidade é espetacular. Tem tram, metro e autocarro a cerca de 10€ por mês para estudantes, sempre pontuais, 24 horas por dia. Tudo na cidade é muito organizado. A maior desvantagem da República Checa é o facto de os Checos não gostarem muito de estrangeiros - podes não te sentir muito bem recebido ou ter dificuldades com a sua falta de amabilidade ou com o seu pobre inglês. Com o hábito, deixas de considerar isso um problema. Finalmente, deixo um conselho a todos os que estejam a considerar Erasmus para a República Checa ou para qualquer outro país: não estejam à espera de tudo ser fácil e um mar de rosas, o enriquecimento é gigante e vão sentir-se a crescer a cada dia que passa. Mas não se esqueçam de que vão para longe de todos os que mais gostam e isso não é fácil, nem na República Checa nem em lugar nenhum. VAI DE ERASMUS, diverte-te muito e cresce, mas prepara-te para uma experiência de vida com tudo o que tem de bom e de mau
Maria José Temido
Isto são apenas alguns aspetos a considerar caso este acolhedor país se afigure atrativo para tirar a especialidade! Eendracht maakt macht/L’union fait la force (“A União faz a força”)
Catarina Viegas 16
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Vive Coimbra!
Vive Coimbra!
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Locais para estudar
s exames estão à porta e não há como fugir ao estudo? A biblioteca deixa-te claustrofóbico mas também não consegues estar em casa o dia inteiro? Não podemos fazer os exame por ti, mas podemos ajudar-te a fugir à rotina e a encontrar o teu espaço, aquele lugar especial que vai tornar o teu estudo apenas uma desculpa para lá voltares todos os dias! Apresentamos-te a lista dos 6 melhores espaços não-convencionais para estudar, todos eles experimentados e validados por quem já fez 6 anos de medicina com uma chávena de café ao lado. 1. Café Moçambique Onde? Na praça da República, ao lado do Teatro Gil Vicente. Quando? De Segunda a Domingo, das 8h às 2h da manhã. Comentários: Ideal para quem gosta de um ambiente mais descontraído, para quem usa computador e para fumadores. Desvantagens? Convém usar auscultadores para nos abstrairmos do barulho de fundo e as mesas da sala dos fumadores são pequenas. 2. Café / Livraria Almedina Onde? Rua Fernandes Tomás, n.º 7678-80 Coimbra (Perto do Estádio) Quando? Todos os dias das 10h às 22h Comentários: Muito bom ambiente de estudo, mesas de tamanho adequado, ideal para quem se quer concentrar e não gosta de ver sempre as mesmas caras da faculdade. Desvantagens? Não tem wi-fi, não se localiza em celas e nem sempre tens lugar (especialmente ao fim-de-semana). 3. Café TAGV Onde? Na praça da República, no Teatro Gil Vicente Quando ? De Segunda à Sexta das 9h até à 1h e Fim-de-Semana das 10h à 1h. Comentários : Bom ambiente de estudo, boa luminosidade e boa comida. Acesso à internet wifi. Desvantagens? Dificuldade no estacionamento gratuito e podes não ter lugar se não chegares cedo.
4. Galeria Bar Santa Clara Onde? Rua António Augusto Gonçalves, 67 Santa Clara - 3040 241 ( ao lado do Portugal dos Pequenitos) Quando? Todos os dias das 14 horas às 02 horas; Sexta e sábado das 14 horas às 03 h. Comentários: Espaço agradável e original, com esplanada, várias salas interiores e vista para o mosteiro. Boas opções de refeições ligeiras, snacks e bebidas. Acesso wi-fi. Desvantagens? Fica do outro lado do rio, pode ter algum barulho e fica bastante lotado ao fim de semana. 5. Café com Arte Onde? Av. Dr. Elísio de Moura, 3030 Coimbra Coimbra Quando: Seg-Qui das 10h às 24h; Sex-Sáb das 10h às 2h e Domingo das 10h às 24h. Comentários: Bom ambiente de estudo, acesso wifi, boa comida e descontração embora com muitos estudantes. Desvantagens? Não se localiza em celas e podes ter alguma dificuldade em estacionar. 6. Café Irreal Social Onde? Rua Lourenço de Almeida Azevedo, nº24, 3000 Coimbra (na rua à direita do Jardim da Sereia, de quem desce para a Praça da República) Quando? Seg-Dom das 12h às 2h Comentários: Espaço moderno, com sala interior e esplanada exterior, com acesso wifi e muito boa localização. Desvantagens? Por vezes cheio, as mesas interiores podem não ser muito confortáveis para estudar B. M.
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É com entusiasmo que Coimbra vê chegar o mês de Novembro, e um dos mais aguardados festivais de tunas desta cidade, o VII Cantar de Estudante. Nos dias 26 a 29 de Novembro, a Tuna de Medicina da Universidade de Coimbra trará ao palco do Teatro Académico Gil Vicente um conjunto de Tunas convidadas que o encherão com música, animação e bons momentos, num espetáculo ao qual ninguém fica indiferente e que tem esgotado a sala desde a sua primeira edição. Ponto de partida da tradição académica, a bela e velha Coimbra acolhe nesse fimde-semana estudantes das mais variadas academias portuguesas, prometendo grandes e inesquecíveis memórias. O festival inicia-se no dia 26 com o Convívio do “VII Cantar de Estudante” a integrar a tão famosa Quinta-feira Académica. No dia 27 (sexta feira), a magia do luar conimbricense pairará sobre o Colégio de São Jerónimo, arrancando suspiros do peito das donzelas que ouvem as serenatas a si dedicadas. No
dia 28 (sábado), é chegada a altura das Tunas subirem ao palco do TAGV e tornar Coimbra no centro da música e animação, por entre as cidades do panorama Tuneril português. No dia 29 (domingo), a cidade e a TMUC despedem-se das Tunas convidadas, honrando a saudade e comemorando os momentos que por cá passaram. As Tunas convidadas para o VII Cantar de Estudante prometem trazer força, atitude e grande qualidade musical para Coimbra e são elas: a Luz&Tuna (Tuna da Universidade Lusíada de Lisboa), Tunadão 1998 (Tuna do Instituto Politécnico de Viseu), TEUP (Tuna de Engenharia da Universidade do Porto) e a vencedora da edição anterior, a TMP (Tuna de Medicina do Porto). Para completar, da Tuna de Medicina da Universidade de Coimbra esperam-se surpresas em palco! De entre velhos originais e novas estreias, sem deixar de parte os seus mais famosos e imortais temas, a TMUC promete uma grande noite. Ooooop!”
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Fora da Medicina
Fora da Medicina
Entrevista
João Cardoso fora da Medicina
RX: Como é que começou o teu percurso no NEM? Estava nos teus planos chegar ao cargo que ocupas? JC: Fiz o primeiro ano de Medicina em Lisboa e só no segundo entrei na FMUC. Assim que me sentei na banca do NEM disse logo que “queria mesmo ajudar o departamento das festas”. Nessa mesma semana fui à minha primeira reunião de departamento, e presumo que tenham gostado do meu trabalho (risos) porque em Novembro desse mesmo ano, estava a estudar na biblioteca quando a Daniela Borges me veio convidar para ser coordenador do recreativo na equipa dela. A resposta foi fácil. Se queres que seja honesto, nunca imaginei vir a ser Presidente, tal como nunca acreditei que o quisesse ser. Costumo dizer que um verdadeiro Presidente do NEM nunca o quer ser até que não tem outra alternativa. Não porque seja uma coisa má, de todo, mas sim porque alguém que está sequer a equacionar assumir o cargo, tem necessariamente de compreender a responsabilidade colossal que está prestes a carregar. RX: Alguma vez tiveste de abdicar de algo pessoal em prol do NEM? JC: Não, nunca. Jamais senti que estivesse a abdicar de algo pelo NEM. O NEM tornou-me na pessoa que sou hoje, fez-me crescer e deu-me ferramentas que nunca me falharão num futuro que se faz incerto,
mas fê-lo através de inúmeros assuntos urgentes e assuntos que tinham que ser respondidos “ontem”. Tive obviamente situações em que as prioridades do NEM se sobrepuseram às minhas, não poderia ser de outra maneira, afinal as prioridades do NEM são as prioridades de 2000 estudantes. RX: Como é que concilias o curso, a vida pessoal e a gestão de um Núcleo de Estudantes? JC: Muitas vezes não é tarefa fácil, mas se há coisa que aprendi foi que quanto mais coisas temos para fazer, mais produtivo o nosso tempo se torna. Ao longo dos últimos anos tornei-me mais eficiente, aprendi a gerir melhor o meu tempo, a viver de acordo com um Google Calendar e a estudar em 30 min coisas que antes estudava em 3 horas. No fundo, tudo se consegue fazer quando estamos a “despender” tempo para algo de que gostamos realmente. RX: Sentes que, enquanto aluno de 5º ano, tens o apoio e o reconhecimento da faculdade para auxiliar essa conciliação? E dos teus amigos? Sentes que são um pilar importante para que tenhas sucesso em tudo aquilo a que te propões? JC: Confesso que apesar de haver uma grande abertura por parte da faculdade e de a maior parte de nós ter estatuto de Dirigente Associativo, não é
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muito comum que o usemos. Conto pelos dedos de uma mão as vezes em que vi alguém do NEM ir a uma época especial, e também não é nada comum que a faculdade justifique faltas à Direção do NEM. Acho que muitas vezes, mesmo podendo, é uma questão de brio pessoal tentar repor as aulas a que faltamos. Quanto aos meus amigos e à minha família, tudo o que tenho a dizer é que são de facto pessoas incríveis a quem ficarei sempre agradecido por compreenderem e valorizarem o meu trabalho, nem toda a gente compreenderia. RX: Qual foi o melhor momento que viveste enquanto presidente do NEM e do qual nunca te vais esquecer? JC: No final da Receção Solene houve uma caloirinha que veio ter comigo e me agradeceu pelo meu discurso, e disse que a “tinha tocado mesmo, e que se ia esforçar muito para estar à altura do desafio que eu lhes tinha lançado”. Senti verdadeiramente que nós (NEM) tínhamos cumprido o nosso objetivo mais importante: inspirar as pessoas a querer fazer mais e mudar um bocadinho o mundo à sua volta.
RX: Quais consideras ser as características indispensáveis para alguém que queira vingar no mundo do associativismo? JC: Talvez o mais importante seja precisamente não querer vingar no mundo do associativismo. O associativismo, o verdadeiro pelo menos, faz-se de altruísmo e de uma ambição incontrolável de fazer mais, não por si, mas pelo que o rodeia. Ser um dirigente associativo é acreditar que nada é impossível, e estar disposto a mover todos os seus esforços contra a pedra que todos os outros dizem ser imóvel. RX: Que conselhos deixas ao próximo presidente? JC: Que nunca tenha medo de arriscar, uma boa ideia é sempre uma boa ideia, e o NEM foi construído em cima das ideias loucas de uma série de gente incrível que por cá passou antes de nós. Que saiba sempre o que vai dizer, se há coisa que faz com que a opinião do NEM seja respeitada é que a nossa opinião é sempre cuidadosamente discutida, pensada e fundamentada. Que saiba ouvir a sua equipa e os seus estudantes. E por último, que se divirta tanto como eu me diverti.
RX: E o pior? Nunca puseste em causa se assumir este cargo foi a melhor decisão? RX: Quase no fim do mandato, qual é o JC: Acho que não consigo escolher balanço que fazes deste ano, do trabalho “Daqui levo uma um momento pior, mas consigo desenvolvido pelo NEM e da relação com família que estará escolher um tipo de momento toda a equipa “némica”? sempre comigo...” que mais me entristece, e são JC: O NEM foi para mim a melhor sem dúvida os momentos em experiencia que tive até hoje, liderar este que temos de lidar com a falta de grupo foi a maior honra que alguma vez me interesse dos nossos colegas. O culminar do nosso podiam ter dado, aprendi imenso e acredito que sou trabalho é sem dúvida representá-los, e entristece- hoje uma pessoa completamente diferente. Quanto me quando há plenários com pouquíssimas pessoas a este mandato, cumprimos os nossos objetivos e e falta de interesse em decisões importantes sobre o podemos orgulhar-nos de termos feito a nossa casa futuro da nossa escola e o futuro da educação médica crescer bastante. em Portugal. Quanto à XVIII Direção do NEM, acho que é irónico Nunca, a coisa que tenho mais medo é de um dia que a minha equipa me tenha dado exatamente aquilo ficar sem nada para fazer. E se há coisa que o NEM que eu lhes prometi no início do mandato: “Um ano sempre me deu foram coisas para fazer. Os obstáculos, da minha vida por uma vida de experiencias”. bons ou maus, são sempre bem-vindos e obrigam-nos Quanto a mim, daqui levo uma família que estará a sair fora da caixa. Adoro! sempre comigo… Rita Xavier
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Creativa-te
Coffee Break
Dicas do Chef
“Luzes, Câmara, Acção!” Rabanadas no forno Ingredientes:
“Misery” (1990) Realizador: Rob Reiner Actores Principais: James Caan e Kathie Bates Baseado no livro de Stephen King do mesmo título, Misery conta a arrepiante aventura do autor de romances cor-de-rosa Paul Sheldon, que após um acidente rodoviário se vê confinado ao leito no quarto de hóspedes da sua salvadora, a enfermeira Annie Wilkes, numa performance fenomenal da parte de Kathie Bates que lhe valeu o Oscar de Melhor Actriz Principal, que decide tratar dele na sua casa situada no meio de uma montanha nevada. Acontece que Annie é a “fã número um” de Paul Sheldon. Ela já leu todos os seus romances e adora com carinho especial os protagonizados pela personagem “Misery”, pelo que é com a maior das honras que se determina a assegurar a saúde e bem-estar do seu hóspede. Claro que as dores horríveis de Paul não lhe permitem partilhar do mesmo entusiasmo, mas sente-se grato por Annie o ter salvado. Mas aos poucos e poucos apercebe-se que a sua anfitriã não é exactamente bem equilibrada. Annie tem variações repentinas de humor, recusa a Paul contacto com o exterior do quarto e explode de fúria quando lê a última aventura de Misery e descobre que esta acaba morta no final. Annie decide então ameaçar Paul, obrigando-o a escrever uma nova história, em que Misery é ressuscitada. Por outras palavras, Annie é completamente psicopata. A tensão é literalmente palpável. A qualquer momento,
Paul pode desleixar-se, proferir algo menos próprio aos ouvidos de Annie e sucumbir ao poder extremo que a sua captora mantém a todos os momentos sobre si. É absolutamente horrível o conceito da subordinação de Paul a uma entidade abusiva de quem, para sua grande desgraça, depende temporariamente. Ao longo do filme, Paul aproveita algumas ausências de Annie para tentar evadir-se na sua cadeira de rodas, mas mesmo que conseguisse alcançar a entrada, a isolação da montanha não o permitiria obter qualquer ajuda, e a neve não lograria conceder-lhe distância ou perseverança. O filme detalha na perfeição a tragédia de Paul, que, por causa de um cruel acaso do destino, obriga-se agora a enfrentar a terrível questão “Será que alguma vez sairei daqui? Conseguirei sair daqui ileso… ou vivo?” O cativeiro parece ser o derradeiro local de descanso para o pobre escritor e, para a adicionar um pouco de sal a uma ferida já bastante gangrenosa, Paul tem uma visão omnipresente para o mundo exterior através da janela do seu quarto, como que fazendo pouco da sua infeliz condição. A sensação do “tão perto, e no entanto tão inalcançável” é secundária apenas ao receio constante que Annie lhe verta em cima a sopa a ferver da refeição que preparou com tanta consideração para o seu autor predileto. Como concluir uma crítica a um filme se não comentando que simples palavras não fazem jus à verdadeira experiência cinematográfica. Portanto, recomenda-se. Uma excelente adaptação de uma das mais meritórias histórias de King
7 fatias de pão de forma 1 chávena de chá de leite magro 1 colher de chá de essência de baunilha 3 colheres de sopa rasas de açúcar 3 colheres de sopa de água 1 ovo 1 clara açúcar e canela para polvilhar Mistura o leite, o açúcar e a baunilha. Bate o ovo e a clara. Junta 3 colheres de água. Passa cada fatia de pão no leite e no ovo batido. Coloca-as na forma untada e leva ao forno bem quente, pré aquecido, por aproximadamente 8 minutos. Vira a meio do tempo, para as fatias dourarem nos dois lados. Quando estiverem prontas polvilha com açúcar e canela.
Bolo de Noz Ingredientes:
200g de miolo de noz 200g de açúcar 150g de farinha de trigo peneirada 8 ovos 1 maçã 1 colher de sopa de canela Manteiga q.b. Unte uma forma redonda. Passa pela picadora o miolo de noz e adiciona o açúcar. Acrescenta as gemas bem batidas e depois de bem ligada, junta aos poucos a farinha alternando com as claras em castelo. Adiciona a canela e a maçã partida em cubos pequenos. Deita o preparado na forma e leve ao forno pré-aquecido, durante cerca de 45 minutos. Desenforma só depois de arrefecer
Gonçalo Torres
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Rita Miranda 23
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