Editorial Caros leitores,
É com muito gosto que vos apresentamos uma nova edição da aNEMia. Desde uma profunda refleção sobre a crise climática, passando por aspetos fulcrais da educação e profissão médica, até entrevistas pautadas pela criatividade de quem as idealizou e pela boa disposição de quem as aceitou (e tanto mais), acreditamos que o notável trabalho desenvolvido pelo Departamento da aNEMia nesta 56ª Edição vos proporcionará um excelente momento de leitura e, quem sabe, despertará em vós uma vontade nova, ou tão-somente adormecida, de expressar por escrito o que vos vai na alma e na mente. Se esta revista não vos ensinar mais nada (que duvidamos que seja o caso), esperamos que pelo menos uma mensagem fulcral vos seja entregue: Não tenham medo de ser irreverentes, fazer diferente e almejar chegar mais longe. Mais alto. Esta é a segunda edição da revista que construímos e tem tanto de nova como a primeira. Novos assuntos, novos formatos, novos desafios. Nunca se esqueçam que a inovação é a nossa principal fonte de crescimento, a nível profissional e a nível pessoal, não descurando a importância de manter e repetir aquilo que nos coloca no caminho certo. Ainda assim, permite-nos sempre crescer como pessoas quando nos desafiamos a pensar de novo, a executar uma nova ideia, a libertar um pensamento que outrora fechámos numa caixa. Um pouco de entropia nunca fez mal a ninguém e é explorando a zona de desconforto, dizem alguns, que se erguem os alicerces mais fortes. Aproveitamos para vos convidar a visitar o site da revista, onde podem encontrar as várias edições da revista e conteúdo exclusivo. Visitem-nos em www.revistanemia.blogspot.com ! A Coordenadora da aNEMia, Sara Cardoso, 4º ano O Editor Assistente, Filipe Barbosa, 4º ano
Ficha Técnica
56ª Edição – Dezembro de 2019
Acede ao nosso site!
Departamento da Anemia
Propriedade do Núcleo de Estudantes de Medicina da AAC Pólo das Ciências da Saúde da Universidade de Coimbra Subunidade 1 da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Azinhaga de Santa Comba, Celas, 3000-548 Coimbra geral@nemaac.net www.nemaac.net anemia@nemaac.net
Direção: Sara Cardoso (Coordenadora) e Filipe Barbosa (Editor Assistente) Redação: Andreia Gi, Bruna Carvalho, Eduarda Sá Marta, Joana Neves, Josefa Guerra, Inês Teixeira, Madalina Birsanu, Maria Gomes, Rita Rodrigues, Rodrigo Fortes, Sara Meirinhos, Sofia Pereira Design e Grafismo: Inês Nunes e Mariana Pinto Capa: Inês Nunes e Mariana Pinto Impressão: Singular Print Tiragem: 150 Distribuição Gratuita
ATUALIDADE CULTURAL
CIENTÍFICO
EDUCAÇÃO MÉDICA
MUNDO 4 NOSSO Estatuto do Cuidador Informal 6 MUNDO Alterações Climáticas 9 MUNDO Refugiados
CLÍNICA 10 FORMAÇÃO Intercâmbios - Estágios Clínicos no Estrangeiro
12 ENTREVISTA “Os Quatro e Meia” ALTERNATIVAS NA MEDICINA 16 CARREIRAS Percurso Sui Generis: Carreiras Alternativas
18 ENTREVISTA AO Prof. Dr. ROBALO CORDEIRO CLÍNICO 20 CASODoctor, Crack My Case!
22 ARTIGO Recusa de Pacientes DE FOTOGRAFIA 24 CONCURSO Fotografia Vencedora LIVRE 25 ESCRITA Crónica dos Nossos Dias 26 CRÓNICA A Carta da Ecologia Per Capita 28 UC Assembleia Magna
30 CARTAZ CULTURAL
ESTATUTO DO CUIDADOR INFORMAL
E
ste nosso cantinho à beira mar é a residência de cerca de 235 mil pessoas a necessitar de cuidados permanentes, seja isto devido a patologia degenerativa, acidente ou simples consequência do envelhecimento. Confrontados com a realidade daquilo que é ser um país desenvolvido com um eficaz sistema nacional de saúde, surgem muitos e novos desafios. Felizmente, nos últimos tempos foi colocado em cima da mesa o tema do “Estatuto do cuidador informal”. Após aquilo que para muitos foram, principalmente os diretamente afetados pelo assunto, tempos intermináveis, o Diário da República Portuguesa criou, em Setembro de 2019 o “Estatuto do cuidador informal”, havendo dois subtipos: Cuidador informal principal – cônjuge, união de facto, parente ou afim até ao 4º grau da linha reta ou da colateral da pessoa cuidada, que viva em comunhão de habitação com esta e que não tenha qualquer tipo de remuneração Cuidador informal não principal – cônjuge, união de facto, parente ou afim até ao 4º grau da linha reta ou da colateral da pessoa cuidada, que não cuida desta de forma permanente, podendo ou não receber alguma remuneração, seja esta pela sua atividade profissional ou
pelos cuidados que presta. Vide que este é um assunto do melhor e mais imperativo interesse de todos. Cada um de nós pode ficar repentinamente incapacitado (até aqui nada de novo). Mas já imaginaram estarem dependentes até para os atos mais básicos? Muitos de nós preferiremos, certamente, que caso tal aconteça e haja disponibilidade, continuar nas nossas casas e receber apoio de alguém conhecido. Quer tenhamos 20 ou 80 anos, estar no nosso conforto, onde constituímos família ou andámos à brincadeira com o irmão mais novo, é a primeira opção. Para isto acontecer, tem de haver alternativa a deixar o familiar dependente num lar ou outra instituição. Tem de haver alternativa a alguém abdicar do seu trabalho para realizar um trabalho tão nobre como cuidar de outro 24 horas, 7 dias por semana, sem receber qualquer tipo de apoio monetário, psicológico, ou mesmo o direito ao repouso. Preocupante é sabermos que estes indivíduos, atrevo-me mesmo a dizer heróis, sempre existiram e apenas agora, em 2019, o seu papel está a começar a ser reconhecido. Por ser o mais frequente, vejamos parte do dia-a-dia de um idoso sem autonomia e seu cuidador. O dia começa de madrugada, com o idoso a acordar várias vezes durante a noite a pedir para ir à casa de banho, provavelmente adormecendo novamente na cama em segundos. Já o cuidador deita-se em aflição porque sabe que voltará a ser acordado passado uma hora e já não tem assim tanta fa-
NOSSO MUNDO cilidade em adormecer. De manhã, acorda mais cedo para preparar as refeições, roupa e medicação do dia. No meio disto, arranja tempo onde ele não existe para tentar encaixar uns momentos para cuidar de si mesmo. Talvez aproveite enquanto a pessoa cuidada está a ver televisão para fazer as compras da casa, para tomar o seu próprio banho. Esta pessoa teve de abandonar o seu trabalho para cuidar de alguém a tempo inteiro, pelo que o único dinheiro que entra em casa é a reforma da pessoa cuidada. Este valor tem de chegar para a alimentação dos dois, compras da casa, para a panóplia de medicamentos que o idoso toma, mais visitas semanais ao médico disto e daquilo. Com o pouco dinheiro que sobra (se sobrar), o cuidador ainda tenta ir com a pessoa ao seu cuidado tomar um cafezito na praia ou ir ao cinema, não vá o diabo tecê-las e ficarem ambos deprimidos por nunca saírem de casa e dos consultórios. No meio de tudo isto, porque o cuidador não tem mais familiares próximos, ou porque tem mas estes não querem saber, fins-de-semana e dias úteis são uma e a mesma coisa. Férias não existem. Como aguentam estas pessoas semanas, meses, anos sem dormir uma noite seguida? Consegue uma reforma/pensão sustentar duas vidas? É humano sabermos que estas pessoas existem, que não repousam, e não as ajudarmos? E como será a vida destes indivíduos, quando o familiar falecer e quiser regressar ao mercado de trabalho? Será correto estas pessoas não receberem reforma, equivalente aos anos em que estiveram “desempregadas”? A Lei nº100/2019 vem reconhecer o papel do cuidador informal, bem como os seus direitos e deveres. Porque o cuidador informal não é nada mais nada menos que um trabalhador, podemo-nos questionar porque só em 2019 são dadas as devidas condições para que este desempenhe o seu papel. À data da aprovação da lei, aquele que deseje beneficiar deste estatuto deverá apresentar-se às entidades responsáveis pelo seu reconhecimento, e durante um período de 12 meses estará sob um projeto-piloto, visando este um melhor
acompanhamento e enquadramento às necessidades de cada caso.
Com as medidas aprovadas peloportuguês, governo Com as medidas aprovadas pelo governo emportuguês, traços gordos, cuidador tem como direitos: tem emotraços gordos, o cuidador • Formação e acompanhamento a fim de realicomo direitos: o seu papel, estando à sua • zar adequadamente Formação e acompanhamento a fim de disponibilidade o apoio e contacto de profissiorealizar o seu papel, estando à nais deadequadamente saúde; sua disponibilidade o apoio e contacto • Acesso a apoio psicológico durantede a profisvida e sionais de saúde; após morte da pessoa cuidada; períodos de descanso; • • TerAcesso a apoio psicológico durante a vida • Receber subsídio de personalizado; e for e após morte da pessoaapoio cuidada; não principal, uma relação mais eficaz • cuidador Ter períodos de descanso; entre os cuidados que presta e a sua vida profis• sional; Receber subsídio de apoio personalizado; e• Estatuto se for cuidador não principal, uma relação de trabalhador-estudante, caso o cuimais eficaz entre os cuidados quede presta e a sua dador frequente uma instituição ensino; • Ser ajudado a reintegrar-se no mercado de travida profissional; após terminar a sua função de cuidador. • balhoEstatuto de trabalhador-estudante, caso o cuidador frequente uma instituição de ensino; • Ser ajudado a reintegrar-se no mercado de trabalho após terminar a sua função de cuidador.
Ainda a acrescentar que caso assim o deseje, o cuidador receberá um maior apoio monetário caso decida contribuir para o seguro social voluntário (uma espécie de segurança social), a fim de assegurar a sua reforma e outros apoios sociais que os demais portugueses têm. Reitero que estas medidas são urgentes e um passo fundamental no sentido do progresso e respeito pelos nossos cidadãos. Para os mais céticos, não é por se tratar de um familiar que é aceitável estar em constante vigília sem qualquer apoio monetário ou psicológico. Esta questão é, mais do que tudo, uma luta pelos direitos humanos.
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Rita Gonçalves Rodrigues, 4º ano
Alterações Climáticas As Previsões Os factos são inegáveis: o planeta está a aquecer, e de um modo perigosamente veloz. E, no entanto, continua a haver aqueles que se recusam veemente a acreditar na verdade perante os seus olhos. Apesar da panóplia de estudos e medições que corroboram as teorias mais catastróficas, a tendência permanece irredutível, com poucos sinais de se querer inverter. Veja-se, por exemplo, a quantidade de carvão que se queima hoje em dia – o dobro, relativamente ao início deste século. Se há coisa que falta à Humanidade, é a capacidade de pensar a longo prazo. Em plena discussão sobre alterações climáticas, nenhuma palavra assume mais importância que esta: “legado”. Representa o que iremos deixar às gerações vindouras, aos nossos filhos e aos filhos desses. Vendo o ponto atual da situação, o que lhes iremos passar é tudo menos bom. Se somos incapazes de conceber o futuro, então concentremo-nos no presente. Até nesse campo nos parece faltar visão e clareza – talvez as manifestações sejam ainda demasiado brandas para espoletarem em nós um reflexo de sobrevivência. Uns incêndios aqui, umas secas acolá – nem na Amazónia se conseguiu manter uma cobertura mediática por mais de duas semanas; mas voltaremos a esse assunto adiante. Tanta conversa sobre o degelo das calotes polares, mas a subida do nível do mar é tão ínfima que ainda se pode ir a banhos e depois ter areia para desfrutar. Em suma, para um país desenvolvido como Portugal, com um clima ameno e sem conflitos armados, os estragos ainda não se fizeram notar (com ênfase em “ainda”). Se se considerarem as previsões mais pessimistas, a temperatura global aumentará em média 2,6 a 4,8 graus centígrados até ao fim do século (segundo o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, apoiado pela ONU). Para nós, isso significa que Lisboa será uma segunda Casablanca e o Porto uma Caracas muito acima do equador; significa que poderemos vir a enfrentar 15 anos de seca seguidos até 2100. O aumento da temperatura em 2 graus, já considerado utópico, trará a deslocação de 280 milhões de pessoas para terrenos mais altos, com todos os problemas políticos, socioeconómicos e mesmo bélicos que essa migração acarretará. A natureza fantasiosa do aumento acima descrito não lhe retira o seu teor cataclísmico, mas é importante compreender como uma meta estabelecida no início do século foi tão rapidamente destronada por previsões menos otimistas. A verdade é que, para aspirarmos a ficar abaixo do limiar de 2 graus, as emissões de gases com efeito de estufa têm de ser reduzidas em 45% (relativamente aos níveis de 2010) até 2030, diz a ONU. Tarefa hercúlea que requer um abrandamento global coletivo antes que caiamos no abismo. A incómoda, dolorosa pedra no sapato? Nos nove anos passados, o mundo meteu prego a fundo em direção ao precipício e as emissões aumentaram em 21%. As migrações estão longe de serem o único desastre que se afigura no horizonte. Haverá mais fome, exacerbada pelo efeito sinérgico da queda nas produções agrícolas e de uma população 50% mais numerosa. Mais guerras e conflitos internos, não só devido à falta de recursos, mas também pela queda do PIB mundial nos previstos 23%. Para quem se pergunta por que razão
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foi a economia para aqui chamada, convém relembrar que na Grande Recessão de 1929, que cimentou as fundações para o apogeu do fascismo e a II Guerra Mundial, a queda foi apenas de 15%. Mais do que nunca, é necessária união num mundo cada vez mais dividido. A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, o segundo país que mais emite gases com efeito de estufa, é apenas um exemplo das predisposições separatistas que têm assolado o mundo das mais diversas maneiras, e que contribuem para a rejeição da responsabilidade individual de cada nação em cumprir o que lhe é incumbido. Não para proveito próprio, mas para o bem comum. Para o bem do planeta e dos milhares de milhões que o habitam.
O Pulmão do Mundo? O seu manto verde estende-se pelo território de 8 países. Cobre cerca de 40% do continente Sul-Americano. Aloja 20% de toda a biodiversidade do planeta. E está a arder como nunca antes visto. Imagens de satélites ao cargo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) confirmam o pior: os incêndios na Amazónia subiram 84% em número, relativamente ao ano passado. Apesar da seca que se faz sentir na região, a maioria dos fogos não tem origem natural. Monica de Bolle, proeminente economista do Peterson Institute for International Economics, é cortante nas suas críticas. Segundo ela, o governo de Jair Bolsonaro tem vindo a minar os esforços de organizações ambientalistas que procuram penalizar aqueles que se servem da Amazónia ilegalmente - madeireiros e criadores de gado que vão além das suas quotas e incendeiam regiões que estão sob a guarda de povos indígenas ou apenas interditas à exploração. A produção do gás vital que respiramos não é, de longe, a principal função da Amazónia. A razão pela qual é tão fulcral para o planeta é a sua capacidade de sugar o dióxido de carbono atmosférico. Daí que a economista use do seu toque de poeta para se referir à floresta como uma enorme “bomba de carbono”. As árvores armazenam entre 60 a 80 biliões de toneladas de carbono. O que quer dizer que, com a queima e a desflorestação, a monumental quantidade de gás é libertada de novo para a atmosfera. Talvez o conceito de “efeito bola-de-neve” tenha sido inventado com o único propósito de ser aplicado nesta situação. À medida que a Amazónia perde terreno para raízes chamuscadas, cada vez menos dióxido de carbono é capturado. Menos vegetação significa também menos chuva devido à diminuição da evapotranspiração, abrindo caminho para um clima do tipo savana. A floresta sustenta-se a si própria, mas o mínimo declínio da sua área será suficiente para desestabilizar o equilíbrio cuidadosamente mantido. Os dados científicos são inexoráveis – o ponto de não retorno, para o qual a floresta deixará de absorver efetivamente CO2, não aceita uma perda superior a 25% de área florestal.
As Medidas Disputas políticas à parte, a salvação da Amazónia também está ao cargo do cidadão comum. Infelizmente, o nosso contributo prende-se com o maior desafio que qualquer humano enfrenta – a mudança de hábitos. É sabido que o gado faz refeições dos terrenos cujas árvores foram cortadas à machadada; a lei da oferta e da procura não deixa dúvidas para a indústria do óleo de palma – é necessário produzir mais para acompanhar o aumento dos desejos dos consumidores. É por isso fácil de perceber que o maior contributo apontado por muitos para frenar as alterações climáticas é deixar de comer carne, porque a sua produção é responsável por 13 a 18% das emissões globais de gases de estufa. Entre outras medidas incluem-se deixar de andar de carro, evitar as viagens de avião ou contratar eletricidade gerada por fontes renováveis. Portugal é pioneiro neste último ponto: mais de metade da nossa eletricidade provém destas fontes alternativas. Algumas discussões apontam para a criação de uma taxa sobre o carbono, mas as opiniões são controversas. As mecânicas internas da maior parte dos países regem o possível fracasso desta medida. Vejam-se os tumultos em França, resultantes do aumento do preço dos combustíveis fósseis levados a cabo por Emmanuel Macron. Acima de tudo, não se deve ignorar o peso das decisões individuais. O tempo de lamúrias já passou. Cada pessoa tem nas suas mãos a responsabilidade de fazer inversão de marcha antes que a nossa própria arrogância nos trague de um gole. Se o argumento das gerações vindouras não for convincente o suficiente, que se pense na Terra. Nesta esfera azul flutuante no cosmos, que aqui está e estará por muitas mais eras, depois de nos transformarmos em “pó-de-estrelas”. Na diversidade de vida que alberga e que se perderá definitivamente se a única espécie com poder para mudar de curso não o fizer a tempo. Joana Neves, 3º ano
Referências: Zimmer, Katarina. Why the Amazon doesn’t really produce 20% of the world’s oxygen. National Geographic. Agosto 2019. Disponível em: https://www.nationalgeographic.com/environment/2019/08/why-amazon-doesnt-produce-20-percent-worlds-oxygen/ Butler, Rhett. The Amazon Rainforest: The World’s Largest Rainforest. Mongabay. Abril 2019. Disponível em: https://rainforests. mongabay.com/amazon/ The World Ablaze: Why Our Florests Are Burning. Rainforest Alliance. Outubro 2019. Disponível em: https://www.rainforest-alliance.org/articles/why-our-forests-are-burning de Bolle, Monica. The Amazon Is A Carbon Bomb: How Can Brazil And The Rest Of The World Work Together To Avoid Setting It Off? Peterson Institute for International Economics. Outubro 2019. Disponível em: https://www.piie.com/sites/default/files/documents/pb19-15.pdf Ribeiro, Luís. Abominável Mundo Novo. Visão, nº 1383. 2019. Wallace-Wells, David. É Hora de Entrar Em Pânico. Courrier Internacional, número 281 (adaptado do The New York Times). Julho 2019.
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Refugiados “Salvar vidas no mediterrâneo. Parlamento europeu chumbou quatro resoluções.” Quando títulos como este do Jornal Expresso chegam às nossas mãos, acredito que será inevitável para a maioria de nós desiludir-se um pouco mais com a aldeia global em que vivemos. Isto porque, na aldeia em que eu vivo, quando um vizinho tem problemas na casa onde mora não há outra forma de agir que não seja oferecer-lhe a minha, até que a desta pessoa volte a estar habitável de novo. Tenho noção, claro, que a situação dos refugiados que vivemos atualmente é muito mais complexa que o que descrevi acima, no entanto, fundamentalmente, o problema deles é mesmo esse: eles não podem continuar a viver em sua casa e nós temos uma casa para lhes oferecer. À medida que vou lendo a notícia com este título, apercebo-me que o grande ponto de discórdia entre os eurodeputados passa por, numa proposta os migrantes económicos serem distinguidos dos refugiados, ao passo que noutra essa separação não se coloca. Ora, se nos colocarmos a pensar, até podemos entender que, numa Europa em que os recursos de apoio aos refugiados são escassos, o parlamento não queira abrir portas a “oportunistas económicos vindos de África”, como referido pelo partido de extrema direita, Identidade e Democracia (ID). Não obstante, se pensarmos só mais um bocadinho, podemos chegar a esta linha de raciocínio: o que leva um pai a colocar a mulher e os filhos num barco insuflável e vê-los partir para mar alto? O que leva uma mulher a entrar grávida nesse mesmo barco? Vamos colocar-nos por um instante no lugar desta mulher: quão desesperada
teria eu de estar para entrar num barco sabendo que as probabilidades de sair com vida dele são ínfimas? Como podemos chegar ao ponto de acreditar que alguém que atravessa um mar nas piores condições possíveis é um “oportunista económico”? Claro que, quando leio as duas propostas restantes levanto as mãos ao céu por terem sido chumbadas. Ambas “resolviam” a situação dos refugiados erguendo barreiras tanto terrestres como marítimas aqueles que nos tem como última esperança de sobrevivência. O que eles consideraram uma solução passa por cada país poder impedir a entrada de refugiados através de fronteiras internas ou criar um bloqueio naval ao tráfego marítimo do mediterrâneo. Afinal, para estes partidos, o problema não é que a Europa não esteja a saber dar o auxílio que estas pessoas precisam, que esteja a deixá-las meses numa ilha em que as condições são deploráveis. Não, o problema é que eles estejam a sair do inferno em que vivem. Ou seja, estes partidos não propuseram soluções para os refugiados, propuseram soluções para a Europa se livrar deles. Chegamos a um ponto em que todos os dias há uma nova notícia, um atentado no Sri Lanka, um naufrágio no Mediterrâneo, 10 milhões de pessoas a morrer à fome no Iémen. Até que ponto é que isto não se está a tornar banal para nós? Até que ponto é que nós não vemos mais uma notícia de um atentado na Somália e desviamos o olhar, com indiferença? Stalin disse uma vez “A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística”. Terá razão? Bruna Carvalho, 3º ano
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Estágios clínicos no estrangeiro uma viagem pela Europa e não só Na 55ª Edição da aNEMia, iniciámos uma viagem que pretende abordar, do mesmo ponto de vista, o panorama dos estágios clínicos em três países diferentes, nomeadamente: Alemanha, Canadá e Reino Unido. Vamos terminá-la?!
REINO UNIDO aNEMia
BOARDING PASS
Local do estágio e afiliação: Addenbrooke’s Hospital, University of Cambridge Estágios efetuados: Anestesiologia e Medicina Intensiva (oficialmente); Cirurgia (não oficialmente) Requisito mínimo: 6º ano (candidatar com a antecedência de 1,5 a 2 anos, i.e., no verão do 3º para o 4º ano) Modo de candidatura: Independente (cada universidade/hospital tem a sua própria página web)
Um estágio no Reino Unido apresenta a óbvia vantagem de se poder comunicar em inglês, uma língua amplamente usada no ensino médico em Portugal. No entanto, será necessário a realização (na maioria dos casos, calculo) de um exame de Inglês que terá de atestar um nível muito próximo ou mesmo equiparável ao de um falante nativo. Infelizmente, em muitos sítios, de nada valerá um exame efetuado há mais de 2 anos, pelo que será necessário realizar de novo um dos exames requeridos pela universidade a que se candidatam como forma a garantir que “não se esqueceram” do vosso inglês (não faz muito sentido, eu sei!). Apesar dos nomes sonantes de algumas universidades, um estágio no Reino Unido poderá deixar bastante a desejar, mormente no que toca a autono-
mia e exercício de competências clínicas por parte de um estudante de Medicina. Durante uma cirurgia, os alunos poderão estar autorizados a scrubbing in, mas será difícil ser-lhes dada a oportunidade de segurar instrumentos, possibilitando, na maior parte das vezes, apenas uma observação mais direta da cirurgia. Todavia, foi-me contado por estudantes internacionais que realizaram estágios em Londres que estes puderam servir como primeiros assistentes em cirurgias, uma experiência inicialmente diferente da que eu tive (apesar de, verdade seja dita, oficialmente o meu estágio ter sido em Anestesiologia). Apenas na reta final do meu estágio em Addenbrooke’s é que me foi possível segurar um instrumento que fosse durante a cirurgia, após ter vindo a revelar interesse durante muito tempo. Na vertente anestésica, tive de “batalhar” até conseguir encontrar um tutor que me deixasse realizar intubação e/ou colocar acessos venosos. Um conselho: se mostrarem confiança e inclusivamente disserem que já realizaram um determinado procedimento antes (mas para isso terão mesmo de o ter feito pelo menos uma vez), ficarão surpreendidos com o que certos médicos, mesmo não vos conhecendo, vos deixarão fazer! Contudo, o meu maior conselho seria mesmo procurarem um(a) tutor(a) que vos ensine competências práticas e, assim que o(a) encontrarem, continuarem a acompanhá-lo(a) de modo a que este(a) saiba os vossos pontos fortes e pontos fracos, para que possam melhorar os gestos clínicos relativamente aos quais têm maior dificuldade.
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EDUCAÇÃO MÉDICA Mesmo sendo apenas possível (na maioria dos casos) realizar estágios no Reino Unido durante o 6º ano, a antecedência com a qual um(a) estudante terá de se candidatar é ridiculamente grande e, nalguns casos, os estudantes são seriados de acordo com a ordem de candidatura. Caso seja do vosso interesse, aconselho vivamente uma candidatura a um programa especialmente dirigido a estudantes de mobilidade/internacionais, pois serão estes programas que vos permitirão ter contacto direto com os doentes e participarem em cirurgias sem problemas. No Reino Unido, reparei que alguns alunos internacionais que lá estagiavam e não teriam entrado pelo programa de electives (estágios) oficial eram apenas “observers” – tal significa que não estavam, supostamente, autorizados a “tocar em doentes”, não lhes sendo possível realizar qualquer tipo de gesto clínico.
tante negativos: a comida era merecedora de uma estrela de Michelin “negativa” (se as houvesse!), o alojamento é caro (cerca de 1000 libras por mês) e, com o Brexit é possível que o processo de entrada no país se complique um pouco. A única ajuda foi não ter de pagar o estágio em si. Para os que olham já para o futuro daqui a uns anos, importa salientar que o internato médico no Reino Unido é extremamente longo (no mínimo 10 anos, com tudo feitinho como deve ser!). No entanto, se estiverem cheios de curiosidade acerca dos hospitais em Terras de Sua Majestade, um estágio lá será uma ótima oportunidade para vos dar um bom insight! De forma a abreviar alguma da informação aqui descrita, embora de forma subjetiva, segue-se uma tabela resumo:
O Reino Unido tem certamente alguns pontos basALEMANHA
REINO UNIDO
CANADA
Prática clínica (vertente médica)
+++
+ (*)
++
Prática clínica (vertente cirúrgica)
++
-/+
++++
Língua (e respetiva dificuldade)
Alemão (++++)
Inglês (+/-)
Francês (++), no caso do Québec
Flexibilidade dos tutores (ex: horário do estágio)
-
++
+/-
Custo
+
++
++++
* Em Cambridge, é possível treinar gestos clínicos em modelos/manequins devido à existência de um edifício inteiro dedicado à simulação biomédica, acessível 24/7, pelo que, apesar de no hospital os estudantes não realizarem frequentemente gestos clínicos, foi possível aos estudantes internacionais receberem inclusive aulas sobre canulação venosa, intubação nasogástrica, administração de oxigénio, punção lombar, realização de hemoculturas, suturas, entre outros.
Mensagens finais: • É essencial saber a língua local do país em que se pretende fazer o estágio! • O segredo para um bom estágio é conseguir encontrar um tutor paciente, didático e com disponibilidade para ensinar – assim que encontrarem um tutor com estas características, colem-se a ele(a) que nem um Pega Monstro! • O sucesso do vosso estágio depende muito do tempo e vontade que para ele dispensam – o estágio pode oferecer-vos oportunidades excelentes, mas, se não as agarrarem, o estágio terá tido pouco valor… • Um estágio clínico internacional é uma ótima oportunidade para viajar – não descurem esta vertente.
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Eduarda Sá-Marta, 6º ano
Os Quatro e Meia “Os Quatro e Meia” pela diferença de alturas óbvia. 5 rapazes que se juntaram em 2013 num Sarau de angariação de fundos pela Academia de Dança do Centro Norton de Matos, no Teatro Académico Gil Vicente, ao qual se veio juntar o sexto elemento, já no terceiro espetáculo público comum. 2 Engenheiros, Rui Marques e Mário Ferreira; 1 músico, João Cristóvão; e 3 médicos, Tiago Nogueira, Ricardo Liz Almeida e Pedro Figueiredo. Unidos pela Academia Coimbrã; pela capa que pesa sobretudo de sonhos que almejamos e memórias de paixões que vivemos à margem do Mondego; pela cidade que por ser local de passagem para a maioria dos estudantes, goza de uma consciência de efemeridade ímpar que nos faz a todos viver o tempo que nela passamos com maior sofreguidão em aproveitar o momento presente. Professor João, aquele que dedica a vida em exclusivo à música, dentro dos originais do grupo musical, qual o que mais transparece o tempo de estudante, qual dedicava a Coimbra? “Se eu pudesse voltar”. Embora tenha estudado em Coimbra, também estudei em Aveiro. Mas porque já trabalhava, não pude aproveitar tanto. Este original permite-me regressar ao tempo que vivi em Coimbra, aos jantares que fiz com os meus amigos, às noites repletas de música, animação, estudo... [Sorrisos cúmplices] É fácil identificar uma paixão e dar-lhe início. A dificuldade passa por saber conjugá-la. Dr. Ricardo, quando o tempo cedido ao ensaio implica menos horas de sono, que se repercutem na relação médico-doente, sobretudo quando pretende a cooperação de doentes em idade pediátrica, ou perante a necessidade de responder às impaciências dos cuidadores, o que o leva a continuar a querer conjugar
a música na sua vida? Normalmente vejo a Medicina e a música como o escape uma da outra. Dos 3 que somos médicos, sou o único interno, pelo que tenho uma série de exames e trabalho extra subjacente, o que se torna difícil de gerir. As horas que damos ao ensaio passam pela velha máxima “quem corre por gosto não cansa”, e não cansa mesmo porque sou capaz de chegar ao hospital, cansado, com menos horas de sono, e ter colegas que acusam mais cansaço que eu porque simplesmente tive a oportunidade de estar a fazer uma coisa que me faz sentir inteiro, que me faz feliz. Acabo por não me converter à monotonia da mesma atividade, tendo essa sorte de poder fugir. Nunca fico tão absorvido na mesma coisa. Às vezes pesa mais a música, como o caso da composição do novo álbum ou a preparação de concertos como o do Coliseu, pela dimensão e complexidade. E há alturas em que Medicina se sobrepõe, como interno tive exames em junho, tenho exames dentro de 3 semanas, e nessas alturas desligo-me d´ “Os Quatro e Meia”. Gestão nem sempre feita da melhor maneira, mas que de alguma forma surte efeito.
Dr. Tiago, porque cirurgião torácico considera que é mais difícil tratar a dispneia que advém da hipertensão pulmonar, ou a falta de ar espelhada na letra d´”a terra gira”, em que o tempo é consumido entre projetos que vão fazendo com que partes da vida “vão ficando para depois”, e vamos perdendo a oportunidade de sonhar até a dois, já que trilhar um rumo por vezes obriga a que o caminho se torne mais solitário? Ser médico é uma profissão simultaneamente altruísta e egoísta, na perspetiva em que queremos ajudar os outros, e ao mesmo tempo sentimo-nos bem por estarem doentes e termos algo com que os possamos ajudar. Porque nos deixa satisfeitos sermos capazes de fazer alguma coisa pelos outros. Quando tratamos a dispneia de um doente de causa de hipertensão pulmonar, ou qualquer outra causa, deixa-nos no fundo mais preocupados com a vida do outro, mas há sempre um lado de satisfação pessoal ao exercermos a nossa profissão o melhor possível. Quando tratamos a nossa dispneia, é um ato de puro egoísmo porque nos centrarmos apenas em nós próprios, e a nossa vida vale tanto quanto a dos outros. Portanto eu diria sempre um empate, porque se nós não tratarmos da nossa vida, e se vivermos em constante apneia, não somos capazes de tratar das outras vidas de qualquer das formas, seja o que for que nos motive. Há realmente um equilíbrio muito grande entre a dificuldade de tratar a dispneia de uns e outros.
de produção nos nossos próprios concertos, como foi o caso do Coliseu, as responsabilidades pesam mais, absorvo-me de tal maneira no trabalho que quase não durmo, uma das coisas que me deixa fora de mim. Dr. Pedro, quase fez d´ “Os Quatro e Meia” “Cinco e Meia”. Quando se está perante um novo projeto, diferente daquele que exercemos como profissão a maior parte do tempo, como é que se sabe que “é o dia certo para avançar/ para colocar os pontos nos is”? Pedro: A questão faz-me lembrar o primeiro ensaio do qual fiz parte, quando nos juntámos os 6 de forma inédita, precisamente em Coimbra, nas Físicas. Recebi uma chamada, estava por casa, peguei numas coisas que tinha por lá e decidi aparecer. Era suposto voltar para casa cedo porque tinha urgências no dia seguinte, estava ainda no internato, e o ensaio acabou pelas 2h da manhã, mas terminou com uma intensidade tal, que passava por “E se experimentássemos isto?”, “E isto?”, e de repente
Eng.º Mário, quando é que, no caminho entre a música e a tecnologia, “já não responde por si”? O que o faz sair da zona de conforto na conjugação das 2 paixões? Por muito paradoxal que pareça, por vezes o mais difícil é mesmo fazer o mais fácil. Naquilo que aqui fazemos, fugimos ao plano fácil. Isto significa que, por termos trabalho
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tinha surgido algo entre nós que fazia sentido! Ainda não conhecia o Rui, o Mário conhecia-o mal, de circunstâncias que não se podem revelar em entrevistas. [Gargalhadas cúmplices] Sentimos que podíamos comunicar além da linguagem verbal, sobretudo através da música. Entendemo-nos sem falar, surgiu aquele feeling de que era “o dia certo para avançar”. Simultaneamente com a humildade de saber que não valia assim tanto para mudar o nome. [Risos] Mário: Não demos importância ao nome. Nem chegou a ser tema de conversa. Tiago: Nem sabíamos que algum dia alguém nos ia conhecer pelo nome. Ricardo: O nome foi criado no momento do primeiro concerto. [Sorrisos profundos nostálgicos] Eng.º Rui (Meia), quando é que é melhor ir ao baile de São Simão e ver, a partir do palco, a menina rodar e bailar, do que contar tijolos? Confesso que acho de uma injustiça tremenda, que numa banda que tem nome à conta de um infortúnio, a disposição de palco me leve a ter um mono à frente, não me permitindo ver tão bem as meninas de vestido branco. [Gargalhadas] Numa ótica mais séria, partilhamos todos a necessidade de insistir em manter as profissões de base, uma vez que foi essa a intenção que tínhamos quando viemos para a Universidade. Gosto de pensar que os conheci enquanto estudávamos, e de certa forma dá-me gozo ter a profissão para a qual estudei, mantê-la, e, no entanto, ter uma segunda com os restantes 5 macacos. Obviamente que em termos de carga horária e enquanto pessoas que trabalham para um patrão diferente, a parte musical acaba por ser um escape. Mas dizer quando gosto mais de uma do que outra é difícil e injusto. Obviamente uma profissão que nasceu de um hobbie tem carinho especial, diferente. Neste momento e para já é 50-
50. Obviamente que depende da quantidade de meninas de vestido branco e do número de tijolos. [Olhares comprometedores] Em jeito de conclusão da entrevista, se “hoje é o dia de me aventurar / De arriscar fazer o que eu não fiz”, o que acham de facto importante, neste momento, porem em causa para avançarem e serem felizes na conjugação das duas vidas? Tiago: Penso que falo por todos quando digo que do ponto de vista profissional, todos exercemos a profissão que queríamos ter. Todos temos bons patrões e colegas que conseguem compreender que desde que sejamos capazes de corresponder às exigências do nosso trabalho da melhor forma, não lhes importa o que fazemos para além disso. E se calhar até têm orgulho em dizer que alguém que trabalha com ou para eles, canta e tem uma banda. Obviamente que queremos todos mais e melhor. Queremos receber mais, queremos fazer melhor, queremos ter mais colegas para dividir melhor o trabalho. Mas se tudo ficar como está, diria que já estamos felizes. E na música, de uma forma mais inesperada, tudo acontece da mesma forma. Tenho os melhores 5 colegas que podia ter, e não tenho nenhuma dúvida de que têm um ótimo colega. [Proposta de Ricardo em iniciar instrumental dramático enquanto Tiago esboça uma lágrima] Precisar de contratar músicos é diferente de ter amigos, pegar numa coisa que gostam, e fazê-la crescer. Trazemos isto do início e vemo-lo projetar-se sempre mais acima. Realiza-nos só por si. Se amanhã chegássemos à conclusão de que a banda não vai mais longe que isto e a terminássemos, preenchidos por dentro já íamos, visto que superou já tantas expectativas que tínhamos de início. O maior desafio é que tudo continue a correr assim bem, no nível feliz a que já nos habituaram. [Ar saudosista generalizado]
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Ricardo: Que consigamos mostrar ao público o segundo álbum, que espelha muito o trabalho dos últimos meses. Despedimo-nos na certeza de que é possível sermos mais do que médicos, mais do que artistas. Resultamos no fundo da conjugação de várias aspirações e pretensões que nos conferem singularidades próprias. Se tivermos a sorte e coragem de enveredar por projetos nos quais acreditamos, estes acabam por ganhar alma, tão indissociáveis de quem somos. E quando ao sonho juntamos o trabalho árduo e a esperança e fé inabaláveis, voamos mais alto. Não porque as asas sejam maiores, mas porque a força de vontade é aquela que não pode ser subestimada em circunstância alguma. Sara Meirinhos, 5º ano
PERCURSO SUI GENERIS:
CARREIRAS ALTERNATIVAS
A
inacessibilidade à Formação Especializada é provavelmente o pior cenário que um estudante de medicina pode perspetivar para o seu futuro. Contudo, desde 2015 que este panorama deixou de estar apenas na imaginação dos estudantes e passou a ser a realidade de muitos recém-diplomados, cada vez mais. Sendo este um problema que parece estar longe de ser resolvido, baixar os braços não é uma opção e, por isso, devemos explorar alternativas em vez de nos conformarmos com o percurso médico pré-definido que se mostra carente de respostas para o mundo extremamente dinâmico e global em que vivemos.
Investigator Certification. Trata-se de um curso em formato de e-learning que concede 3 níveis de certificação (Co-investigador médico e staff do centro de estudo; Investigador Principal e Investigador-Promotor). Podemos ainda destacar a Indústria Farmacêutica, que continua a oferecer vagas para médicos com interesse numa componente farmacológica de investigação, ou seja, no desenvolvimento de novos fármacos ou mesmo no acompanhamento e vigilância dos mesmos depois de introduzidos no mercado.
A área da tecnologia aplicada à Medicina é também das mais promissoras, desde empresas de sofEm contexto hospitalar, é gradativamente per- tware médico que trabalham em inovadoras aplicatinente uma rigorosa orientação dos recursos hu- ções informáticas ou um setor da tecnologia mais manos disponíveis tendo em conta a atual crise orientado para a engenharia até à temática auspicioeconómica. Por outro lado (e simultaneamente), é sa da inteligência artificial. É efetivamente um camimportante não descurar a necessidade de uma res- po da medicina por explorar e com vários resultados posta rápida e adequada às exigências do doente no frutíferos publicados. que toca à prestação dos seus cuidados de saúde. A Docência deve também ser considerada e não Como tal, não existe nada melhor do que um clínico com competências de gestão para desempenhar apenas a integração no corpo docente de uma insfunções de administração nos hospitais e é por isso tituição pública de ensino da Medicina. Enquanto mesmo que já várias instituições públicas e privadas estudantes, procuramos sempre formas mais rápidas dispõem de pós-graduações em Gestão e Adminis- de aprender, algo que certas empresas e aplicações tração Hospitalar para médicos com ou sem experi- online, criadas inclusivamente por alunos, nos oferecem. Um desses casos é a app para smartphones ência profissional. HarryFlash, que disponibiliza conteúdos de preparaOutra carreira alternativa às ditas “convencionais” ção para a realização da Prova Nacional de Seriação é a da vasta área da Investigação: cancro, sistema (PNS). Criada em 2017 por José Diniz, estudante de imunitário, redução de consumo de álcool e tabaco Medicina do 5.º ano e Bruno Guimarães, interno de são apenas alguns projetos que têm tido inúmeros Medicina Física e de Reabilitação e desenvolvida pela apoios financeiros. Não faltam casos de sucesso e o Cosmicode, esta app teve nas primeiras 24 horas progresso da Biomedicina nos últimos anos é notável. duas mil instalações. Apesar de não existir um sistema prático que permita Formação em áreas mais específicas, como a Meo desenvolvimento de uma carreira de investigação clínica, começam a surgir mais planos de qualifica- dicina Desportiva ou a Medicina Paliativa, também ção científica. Existe atualmente um programa que merece uma menção nesta discussão. Em várias parpermite formar e qualificar os membros das equipas tes do mundo são criados grandes hospitais excluside investigação clínica, designado por CLIC – Clinical vamente para reabilitação onde a presença de mé-
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EDUCAÇÃO MÉDICA
dicos é fundamental. A título de outro exemplo, as pós-graduações em Medicina Estética também permitem aos formandos a realização de intervenções relativas a correções e reconstruções da aparência através de procedimentos minimamente invasivos e cirurgias “minor” de forma segura. Em Portugal, a carreira da Comunicação em Medicina está habitualmente entregue aos jornalistas. No entanto, faz sentido que a revisão de artigos científicos ou a produção de materiais de divulgação médica sejam realizadas por escritores médicos. Ainda assim, para seguir esta área é mandatório o desenvolvimento de boas capacidades de escrita, oratória e a consolidação de uma larga rede de contactos com peritos nas diferentes especialidades médicas. Por fim, mesmo que nestas “carreiras alternativas” a relação médico-doente pareça mais distante, o que pode ser um motivo para renunciar a estas oportunidades profissionais, existe ainda uma possibilidade onde esta componente mais social e de contacto com o doente se mantém: trabalhar em instituições de solidariedade social ou Organizações Não Governamentais. Fazer parte das Nações Unidas, UNICEF, International Medical Corps ou Medicins Sans Frontières exige autonomia, destreza e trabalho árduo, sendo que as vagas são escassas – ainda assim, não podemos negar que é uma opção recompensadora em diversos níveis. Sabemos que as melhores soluções surgem muitas vezes da adversidade e que uma mudança de paradigma pode aparentar ser assustadora; contudo, um contratempo é, muitas vezes, sinónimo de inovação e melhoria da qualidade de vida da comunidade cabe-nos a nós ser resilientes, traçar o nosso próprio caminho e verdadeiramente diferenciarmo-nos. Maria Nunes Gomes, 3º ano
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O NOVO DIRETOR DA FMUC: A VOZ QUE HUMANIZA A ESSÊNCIA DA MEDICINA
T
odos conhecemos o nome do Prof. Dr. Carlos Robalo Cordeiro: um nome reconhecido para além das linhas que delimitam a Universidade de Coimbra, para além das fronteiras que circunscrevem a Medicina em Portugal. Este nome vem da inspiração que o levou a agarrar o sonho e a concretizá-lo: a Pneumologia, que o acompanhou desde sempre na figura paternal, motivada por uma “cultura de trabalho, rigor e disciplina”, uma cultura que tão naturalmente se difundiu pela família e contagia os que o envolvem em tudo o que fazem. A data de 16 de julho de 2019 representa o momento em que o Prof. Dr. Carlos Robalo Cordeiro, Pneumologista, Diretor do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e Professor Catedrático de Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), é eleito Diretor da FMUC, sucedendo o Prof. Dr. Duarte Nuno Vieira, que assumia este cargo desde 2015. Tendo todo o interesse e curiosidade em conhecer melhor o nosso novo diretor, a Revista aNEMia convidou-o para uma entrevista, realizada a 29 de outubro do mesmo ano, sobre a qual é essencial transmitir algumas palavras que, por si só, não serão representativas da dimensão do momento. Sabendo que este cargo seria um enorme desafio, questionámo-nos sobre os motivos e as causas que estariam por trás desta decisão, pelo que lhe colocámos, em primeiro lugar, o nosso “porquê?”, associado aos principais objetivos e expectativas para este mandato. Apercebemo-nos de que é importante criar, porque existe sempre a possibilidade de transmitir algo novo; porque é necessário continuar, não estagnar, melhorar; porque é necessário que haja sustentação, coesão interna entre os profissionais e satisfação laboral no núcleo da Faculdade; porque a internacionalização exige atenção e o desenvolvimento está aliado à investigação; porque é imprescindível cuidar e aperfeiçoar a relação com os alunos. Salientam-se as palavras do Prof. Dr. Robalo Cordeiro, reveladoras de um olhar que contempla o valor sentido pelo caminho que inicia, referindo-se à Faculdade como “uma instituição muito antiga e de muito prestígio”, sublinhando que “se encontrarmos objetivos que permitam a melhoria e a inovação, vale a pena estar presente,
vale a pena dizer que ‘sim’ a este desafio”. Numa fase de mudança na reforma curricular, o Diretor reconhece o dever de a avaliar, exponenciando o que aconteceu de positivo, analisando os pontos negativos, reconhecendo que não vivemos num mundo imutável e que a população está cada vez mais envelhecida, repleta de múltiplas patologias crónicas. Considera urgente adaptar o currículo à realidade demográfica e populacional, tornando-o compatível com as novas exigências, os atuais interesses e os inúmeros focos a procurar no horizonte do estudante perante o doente, esperando que, no final do Mestrado Integrado em Medicina, esse mesmo estudante saiba descrever, saiba fazer e como fazer, saiba orientar. Pretendendo apurar as competências do aluno, estimulou-nos com a ideia de um ensino menos teórico e expositivo, mais apelativo e dinâmico. Não é, afinal, caros colegas, o que nós procuramos hoje na nossa formação? No meio de todas estas responsabilidades que o nosso novo Diretor acarreta diariamente e permanentemente, onde será que procura a energia, a força, a persistência, o potencial? É de sorriso no rosto que nos responde que a família é a fonte que o preenche, o completa e o apoia: “[a força] vou buscá-la, sobretudo, à minha família; a família tem sido fundamental, tem sido muito importante em todo este percurso, sobretudo compreendendo este esforço adicional”. Qualquer português, como um ser quase inevitavelmente insatisfeito e negativista, encara a nação como um lugar pequeno, fraco e limitado. Contrariando esta mentalidade afunilada pelo medo do futuro que domina a sociedade, deixa-nos orgulhosos com uma resposta sublime à seguinte questão: se não estivesse em Coimbra, onde gostaria de estar? “Gosto de viver em Coimbra. Gosto de viver em Portugal”. Com toda a convicção, prossegue com uma opinião segura e argumentada, acrescentando que “temos boas condições no centro, particularmente em Coimbra, desde logo na área da saúde, porque temos um ecossistema próprio que nos dá um enorme potencial”. Uma provocação espacial adquire muito mais sentido com uma provocação temporal. Estamos em Coimbra. Estamos em 2019. Apanha-nos de surpresa com
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a resposta mais imprevisível à seguinte questão: consegue projetar, hipoteticamente, o que será da sua carreira profissional daqui a 10 anos? “Daqui a 10 anos? Zero!” – qual não é a nossa cara de espanto, paralela a uma gargalhada amigável, perante uma sensibilidade tão bela perante o significado da vida, uma vida que existe para além da Medicina. “Daqui a 10 anos quero estar a descansar, quero eu dizer, com toda a sinceridade. Tenho 61 anos, daqui a 10 anos não quero imaginar a minha carreira profissional. Quero aproveitar para fazer tudo aquilo que não tenho feito, desde logo estar com a família”. Por fim, com uma mensagem especial dirigida aos seus alunos e futuros colegas de profissão, isto é, dirigida a todos nós, apela ao nosso esforço, à nossa curiosidade, à nossa cultura do saber, raciocinar e compreender, à nossa reflexão intrínseca, ao nosso aprofundamento sobre tudo. “Tenham sempre e mantenham um espírito crítico em tudo aquilo que vos é transmitido, aconselhado, ensinado”. Impele-nos a questionar e a ir mais além. Essa é uma das certezas que levamos connosco ao sair pela porta do Gabinete do Diretor: queremos verdadeiramente aprender, sentir, crescer, partir, encontrar, transformar, solucionar, ajudar, receber uma melhoria do doente em resposta ao nosso esforço, porque é esse doente que nos faz querer ser médicos e, no fundo, ser médicos é mesmo isso: querer sempre ir mais além.
!! Responda em 60 segundos !! Sempre sonhou ser médico? SIM! Se não fosse médico, o que seria? MÉDICO! Nunca equacionei outra profissão. Quais as 3 principais características que o definem como pessoa? Honestidade, sinceridade e bonomia (sentido de humor). Quais considera ser os 3 principais valores/princípios na vida humana? Honestidade, lealdade, trabalho. Se tivesse de escolher: Saúde ou Amor? Amor. Porque a saúde é um estado transitório que não augura nada de bom. Qual o seu maior medo? Morte. Sofrimento. Há algum sonho por realizar? Sim, conhecer alguns países que ainda não consegui conhecer. Maria Inês Teixeira, 3º ano
Caso Clínico
Em parceria com o Departamento Científico do In4Med, apresentamo-vos mais um caso clínico para desafiar as vossas capacidades! Nesta edição, desafiamos os vossos conhecimentos de Cardiologia. Vamos a isto?!
História da Doença Atual: Um homem de 54 anos dirige-se ao Serviço de Urgência após sentir dor torácica intermitente que teria começado dois dias antes. Neste dia em particular, a dor ter-se-á tornado constante, tendo o paciente caracterizado a mesma como sendo uma pressão torácica substernal que irradiava até à mandíbula. Referiu ainda dificuldade respiratória e diaforia. Antecedentes Pessoais: Hipertensão arterial e dislipidémia. Fumador compulsivo desde os 18 anos. Sem medicação habitual. Exame Objetivo: Doente apresentava-se dispneico e diaforético. Temperatura axilar 37,7ºC, Pressão Arterial 140/90 mm Hg, Frequência Respiratória 22 ciclos/min, Frequência Cardíaca 70bpm e Saturação de Oxigénio 92% em ar ambiente. Restante exame objetivo sem alterações. Questão 1 Encontras-te perante este paciente. Qual destas seria uma prioridade para ti? a. Peço um exame sanguíneo com hemograma, ionograma, função renal, marcadores de inflamação e marcadores de necrose do miocárdio; b. Realizo Gasometria arterial e inicio 1L/min de oxigénio, visto que o paciente só tem uma saturação de O2 de 92%; c. Peço um eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações; d. Peço ao doente mais detalhes relativos ao episódio que o levou ao serviço de urgência, pois estes irão ajudar-me a entender o que se passa com o mesmo; e. Administro analgésicos ao doente e peço uma radiografia torácica urgente. Questão 2 Pedes imediatamente um ECG de 12 derivações de modo a excluir um enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST e, 10 minutos depois, tem-lo nas tuas mãos:
Com o resultado deste ECG, qual é o teu próximo passo? a. Este eletrocardiograma é normal, é melhor esperar pelos resultados dos exames sanguíneos e pedir uma radiografia torácica; b. Estou seguro de que é um enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST. Aviso imediatamente o cardiologista de serviço; c. Parece, de facto, um enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST. Se as troponinas forem positivas, irei avisar o cardiologista que se encontra em serviço pois dar-me-ão um diagnóstico final; d. Existe um supradesnivelamento do segmento ST, contudo, duvido que o diagnóstico mais provável seja enfarte agudo do miocárdio. É melhor pedir uma tomografia computadorizada (TC) e esperar pelos resultados das análises sanguíneas; e. Este ECG não me dá nenhuma informação. Vou esperar pelos resultados das análises sanguíneas e chamar o cardiologista de serviço para realizar um ecocardiograma. Questão 3 Chamaste o cardiologista e disseste-lhe que tens um doente com grande probabilidade de enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST. Ele informará a equipa de intervenção de cardiologia de modo a realizar uma coronariografia urgente, mas demorará 10 minutos a chegar. O que fazes entretanto? a. Falo com o doente até o cardiologiasta chegar, explico o que acontecerá a seguir e asseguro-o de que tudo vai correr bem; b. Administro 300mg de AAS + 180 mg de ticagrelor antes da cateterização. Preparo tudo, tendo o paciente com o desfibrilhador de monitor portátil; c. Digo ao doente que é melhor ele ir à casa de banho antes coronariografia, porque o resultado desta é provavelmente melhor se a bexiga estiver vazia; d. Administro morfina e nitratos pois o mais importante agora é mitigar a dor, de modo a reduzir os picos de adrenalina e evitar agravar a isquémia; e. Inicia um anti-hipertensor, como o captopril, de modo a diminuir a pressão sanguínea e melhorar o prognóstico antes da coronariografia.
Questão 2 – B. Neste eletrocardiograma existe um supradesnivelamento do segment ST em V1, V2 e V3, o que sugere um enfarte agudo do miocárdio septal/anterior. Trata-se de uma emergência e, por isso, deves chamar imediatamente o cardiologista de serviço de modo a levar o doente para o Laboratório de Cateterização Cardíaca (se demorar menos de 120 minutos) ou decidir começar fibrinólise (se demorar mais do que 120 minutos). Questão 3 – B. Enquanto aguardas pela Cardiologia, deverás administrar uma dose inicial de aspirina e de um outro agente antiagregante plaquetário (clopidogrel ou ticagrelor) de modo a auxiliar a inibição da formação de um trombo e melhorar as hipóteses de prognóstico para o doente. Também deverás preparar tudo para o paciente ser transportado até o Laboratório de Cateterização Cardíaca mais próximo (dentro ou não do mesmo hospital).
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Respostas
Questão 1 – C. A ação mais urgente quando a história clínica de um doente sugere uma Síndrome Coronária Aguda é um ECG de 12 derivações. É essencial excluir um possível enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST, com o intuito de reduzir o risco de morte súbita de causa cardíaca e de necrose contínua do miocárdio ao tratar a lesão responsável no Laboratório de Cateterização Cardíaca. As novas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia recomendam que se deve realizar o ECG em menos de 10 minutos após o primeiro contacto médico neste tipo de casos.
A Recusa de Pacientes Se é ético recusar pacientes, não sei responder. Mas é legal. Segundo o Regulamento publicado pela Ordem dos Médicos em Diário da República n.º 139/2016, Série II de 2016-07-21, o médico pode recusar assistência desde que o doente não esteja em perigo de vida, não haja prejuízo para o mesmo, lhe sejam fornecidas as informações para continuar tratamento e seja avisado com a antecedência adequada. No entanto, “a incapacidade para controlar a doença não justifica o abandono do doente”. A recusa de doentes é algo com o qual não lidamos todos os dias. Ou pelo menos pensamos não lidar. Existem muitas formas de recusa, desde considerar que são casos perdidos e decidir não intervir, passando pela recusa de pacientes não colaborantes em certas terapêuticas/hábitos, até ao medo de intervir em doentes de risco. Quase todos os filmes ou programas de televisão de drama médico apresentaram um caso de cirurgiões com uma taxa de sucesso tão elevada que levantam a suspeita de estarem a recusar doentes de risco ou com mau prognóstico. E se um médico recusar temporariamente um paciente até este alterar um dos fatores de risco que possui? Por exemplo, se um cirurgião, em casos não urgentes, recuse intervir cirurgicamente no doente até ele perder peso, alterar o estilo de vida, deixar de fumar ou beber, será ético? Conversámos com alguns dos nossos colegas estudantes de medicina para perceber o que fariam nesta
situação. Apesar de a amostra não contemplar um número suficiente de alunos de medicina para podermos retirar conclusões estatisticamente significativas, conseguimos observar que este tópico não é unânime: apenas cerca de 46% dos entrevistados consideram a situação ética e a mesma percentagem afirma agir da mesma forma perante o caso apresentado. Não chegámos a nenhuma conclusão em particular, mas também não era esperado que isso acontecesse. Cada pessoa é diferente, as suas vivências e convicções pessoais vão modificar a forma como agem no dia a dia e o que consideram ético. O tipo de doente também alterará a resposta a esta questão, mas algo sabemos com certeza, não há certezas nesta profissão. As questões éticas são sempre complicadas, muitos não sabem o que fariam em determinada situação até se verem presos nela e com uma decisão a tomar. Resta-nos viver com a consciência dessas decisões. Ficaremos tranquilos se seguirmos os nossos princípios. Mas que princípios estão certos e quais estão errados? Quais são mais corretos e quais não tanto? É necessário discutir estes temas, ouvir pontos de vista alheios porque muitas vezes moldam o nosso. Não que o alterem por completo, mas, por vezes, ouvir o outro faz-nos perceber que o mundo não é preto no branco. Por vezes não é preciso concordar, mas sim ouvir, perceber e compreender. Entender que, apesar de
não se tratarem das nossas convicções, são convicções e são legítimas como tal. Ficamos, assim, sem resposta para a questão inicial. Temos ainda mais dúvidas e mais certezas de que o mundo é incerto e as pessoas diferentes. Josefa Guerra, 3º ano
A Saúde é um direito mas também um dever de cada um. Uma intervenção cirúrgica deve ser para dar vida aos anos do doente, e considerando que se não for retirado esse fator de risco o que vai acontecer vai ser essa mesma intervenção acabar por dar anos de vida ao doente, mas com uma qualidade de vida dúbia! Uma cirurgia acarreta sempre riscos associados. Tais riscos são incrementados se o doente apresentar fatores de risco como excesso de peso. Se os fatores de risco forem modificáveis e tendo em conta a não urgência do caso, considero ético a decisão do médico. Luís Cupido, 4º ano
Considero que, ainda que, moralmente, seja discutível o facto de ponderar a realização de um tratamento a um doente que não aja em conformidade com a patolgia que tem (desrespeitando, à partida, o valor da própia vida), eticamente, o médico, pelo valor humano da ciência/arte que exerce, tem o dever de tratar contribuir para a cura de qualquer doente que da sua ajuda necessite. Pedro Mota Reis, 3º ano
Nada garante ao médico que o doente não volte aos hábitos antigos após o tratamento. (...) pressionar/chantagear/ recusar o doente, quer seja com a intenção de propocionar ao doente um melhor prognóstico, quer seja com a intenção de proveito própio não visa o melhor interesse para o doente visto que o método para lá chegar não é o mais acertado. Anónimo
(...) embora ache que o médico deve obviamente encorajar o doente a remover esses fatores, daí a recusar tratar alguém por não cumprir essa recomendação já não é muito correto. (...) Esta recusa temporária, possibilitaria uma cirurgia mais segura e a remoção do fator de risco em si iria melhorar a condição de saúde do doente. Anónimo
Independentemente dos hábitos do doente, a competência do médico é prestar os melhores cuidados de saúde. Se a maneira como o médico trata cada doente fosse influenciada pelas escolhas de vida de cada utente, isso significaria desistir do bem de grande parte da população que não zela pela sua saúde. O médico presta cuidados, não é um juiz dos enfermos. Anónimo
Fotografia Vencedora Concurso de Fotografia
23h00 da noite. Esta é considerada a melhor hora para publicar uma selfie. Isto se estivermos a falar de uma quarta-feira. Que por sinal, também é, de acordo com fontes fidedignas, o melhor dia para publicar uma foto. Mas isto se estivermos a falar do Facebook. E deste dia da semana em particular. Se optarmos por outra Rede Social, ou por outro dia qualquer, as estatísticas já são diferentes. Interessado? Possivelmente. Mas e se eu disser que passamos uma média de 16,7h por semana nas Redes Sociais? Fazendo a matemática, são só cerca de 36 dias por ano. Nada de mais. Esta é a nossa realidade. Vivemos num mundo onde as prioridades foram redefinidas. Ligamos a #Likes, #Comments e #Reposts. Opiniões alheias valem mais do que o parecer de quem nos conhece. Invejamos corpos, sorrisos, viagens, filtros, seguidores... vidas perfeitas. Pomos em causa o que temos. Julgamos aquilo que não temos. Os amigos tornaram-se um número num ecrã. Os diários já não são cadernos, mas fotos e boomerangs numa #Story. Relacionamentos sem #Goals não são verdeiros. E esta imagem? O que representa? Algo que nos comprime, pressiona, deixando marcas na vida. Neste caso, também no braço. Basicamente é aquilo que nos nutre e alimenta. Talvez nos consuma um pouco também. Mas atenção, ninguém aqui duvida dos benefícios das Redes Socias. Todos nós as utilizamos. Aproximou pessoas. Afastou outras. Talvez o que aqui falte seja usufruir delas com peso, conta e medida. 36 dias disto, não é? Nada de mais. Ana Sarmento, 4º ano
Crónica dos Nossos Dias Salgueiro-chorão, porque estás triste? Soubeste da velha da montanha? Dizem que morreu de desgosto… Primeiro levaram-lhe o homem. “Lá tinha ido ele trabalhar cedinho p’ra Estação, mas ficou debaixo da locomotora da desgraça…”, dizia ela quando vinha cá, ao largo da aldeia, à mercearia da Laurinha. Depois foram-se os pais, coitados, apodrecidos de vida. Mas o pior foi o filho. Era um senhor engenheiro lá para as cidades vastas e barulhentas. Morreu daquilo que os doutores dizem que come as pessoas por dentro. E o que ela chorou! Quase parecias tu, salgueiro. A vida deixou de ser vida quando ela já não sabia onde estava o coração. É uma besta de mundo, este! As lambisgoias na esquina perto da capela, quase ninguém mete já lá os pés, as alcoviteiras e a língua que já não lhes cabe na boca e tricota lãzinhas de escárnio e cobiça alheia, a rapaziada que se junta, a noite vai alta, atrás dos penedos, para comprar o vício ao filho da Judite, que os levou na má vida. Nem por verem como ele está, aprendem! Trinta anos, feitos há pouco, que parecem cinquenta, cheio de tremeliques, feito um trapo comido pela traça. Quando vou dar a caminhada, paro na ponte. De lá vejo as casas, o rio, tento encontrar o meu netinho no meio da criançada que corre pela calçada. Fecho um olho e aponto com o dedo: consigo agarrar as árvores, medir a largura do rio e até esmagar quem passeia de mão na algibeira. É tudo um mundo de brinquedo. E de plástico. Abro os braços e respiro fundo. Os jericos que vão a passar começam a agarrar-me pelas asas e a dizer “Senhora Isabel, não faça isso!”. Já não se pode voar em pensamento?
A. Sousa
A CARTA DA ECOLOGIA PER CAPITA
C
aro neto. Antes de mais, rogo que nos teus pensamentos me trates na segunda pessoa do singular. Com a evolução de “vossemecê” para “você”, e subsequentemente de “você” para “vc”, receio que hoje (2097) já seja só metade da letra v. A esta altura deves ter a minha idade. Por estas letras grávidas de temor e envergonhadas, tento explicar o fruto que por hora colhes, com um néctar pesaroso. Anseio visceralmente, que entendas todos os motivos de te terem entregue uma submoradia planetária. Escreverei mormente no presente do indicativo, a fim deste périplo parecer mais verosímil…:
1. A não contemporaneidade dos acontecimen-
tos vistosos. Somos dedicados a estar na vanguarda quando se tratam de emergências, intercorrências do presente e do exercício do “remediar” (e não do “prevenir”). Prioridades herdadas dos nossos ancestrais, imediatistas encavernados. A devastação do meio ambiente está na marcha das coisas futuras, destarte, a tentação do carreiro humano é a indiferença.
2. A falta de um rosto. A subversão do ecossiste-
ma não tem rosto, não tem nome, não tem identidade. Há um desnudo de capital simbólico e carência de um bode expiatório. A sensação de ameaça acaba por se esvair neste absentismo, não sendo automático encerrar no peito o ímpeto de vigilância e alerta.
No transcurso dos tempos plasma-se um silêncio multissecular sobre a vertigem que permeia o Homo sapiens disruptivo e a Natureza resiliente. Um silêncio em memória de um egotismo perverso, uma 3. A inimputabilidade moral. Ela não nos ofende inércia programada e, ultimamente, em memória de moralmente, não produz emoções morais, não nos um Mundo num estado de limbo ecológico. O que leva a um estado de convulsão moral, não nos sentientendemos por responsabilidade? Estamos cientes mos agravados, logo não agimos. das consequências das nossas opções e ações? Da 4. A vagaracidade do curso. A cadência dos resulnossa interferência? tados profetizados pelo sumocientificismo é morosa. Digo desde já que, o horizonte dessa responsabi- O nosso cérebro tende a privilegiar aquilo que ocorlidade está reduzido pela esfera do pessoal, embora re rapidamente. Um sapo que adentra à uma água haja um proselitismo político e um discurso farisaico escaldante ativará o modo flash instantaneamente, em nome da coletividade. Responsabilidade implica todavia, se já em água morna elevarmos 1 grau por dolo, risco, imputabilidade e vínculo – tudo o que o dia, ao fim dessa empreitada, ele estará cozido (desindividuo não almeja auferir, preferindo dizer “o ser culpem a indelicadeza) sem antes ativar o modo Shelhumano está a destruir o Planeta” enquanto arruma don Cooper. as compras num saco de plástico. Eis os mecanismos 5. O Inconformismo com a atividade reguladoda diluição autoral. ra da Natureza. A nossa douta mente elabora que: Porquê de uma posição tão imprevidente e negli- “Ela não pode ser o objeto regulador”. Por um único gente face ao status quo? “Somos todos inocentes!” motivo: não queremos retroceder a estas andanças. – esta seria a resposta mais cortês, conquanto, de- No pretérito fora assim, e em memória ao Vasco da sapartada do abono da verdade. Passo a elencar 8 Gama que partiu subordinado pela maré e ignoranmotivos: te do seu paradeiro, eu controlo os motores do meu navio e faço uso dos meus satélites. Medidas ecológicas transferem protagonismo e balizam a atividade humana.
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CRÓNICA 6. O falso sentido de equidade inter-geracional. deixar um hiato na minha liberdade a fim dum escru-
Se os meus antepassados lidaram com uma natureza forte e inabalável, porque eu tenho de lidar com uma natureza vulnerável e vitimizada? Prefiro pensar que são conjeturas e assim dormir o sono dos justos.
tínio conveniente. A nossa necessidade de segurança perante o mundo é terciária; perante o outrem (meu semelhante) é primária. O meu medo líquido não é que o mundo acabe, mas que o MEU mundo acabe.
7. A imprudência temerária. Presumimos que a … Meu caro, reconheço a fortuna crítica a que eu mudança das condições ambientais é nossa atividade possa estar sujeito, mas nada tenho a acrescentar privativa, esquecendo de que a Natureza por si só é perante o silêncio eterno que uma espécie proporobreira dos seus próprios recortes. cionou às outras espécies, deixando a casa com ecos 8. A ecologia não está na planilha de investimen- ocos e cheios de cacos morais. Espero que anelem tos. Volvemos uma vida empreendendo investimen- melhores dias. tos, e o retorno é um imperativo categórico, devendo transbordar o tanque. Ser ecológico não está nessa miríade de investimentos, como é o caso de uma boa carreira profissional, satisfação pessoal, etc. A nossa educação não nos cobra pela nossa proatividade em prol do ambiente, mas nos cobra a monta do sucesso profissional. Pouco me interessa o Titanic, mas sim tocar o meu violino nas notas certas (afinal foram horas de estudo e prática – um investimento).
Ah, antes de terminar, vê Game of Thrones, afinal 2097 não deve ter séries à altura, vai por mim. Só mais uma questão: Havia uma floresta, Amazónia! Ainda respira? Responde-me em pensamento. Gostaria de ter sido apenas uma boa influência para aqueles que muito viriam a influenciar os grandes influenciadores. Forte abraço!
Os motivos supra são meramente explicativos e manifestamente não justificativos. Pensamos ser muito evoluídos, só que o construto de evolução oferece propósito. Nas nossas vidas, hodiernamente, o ambiente é matéria-prima deste propósito e não o próprio propósito. O tecido conjuntural faz-nos chegar um homem ameaçado e não um Planeta ameaçado – Ele é muito maior do que nós. A mudança intrapessoal exige um trabalho de grande folego, haja vista a dificuldade em melhorar as nossas crenças mediante a dificuldade de agir. Nós temos crenças exclamativas e não ações exclamativas. O que é mais difícil? Começar o ginásio agora ou acreditar piamente num início na próxima segunda-feira? O repto mais exigente da senda humana quanto existência grupal é lidar com a dicotomia liberdade e segurança. Um tráfego aéreo com segurança precisa
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Rodrigo Alexandre Fortes, 5ºano
Assemb l ei a Quando se fala em Assembleia Magna, poucos sabem do que se trata. Se seguirmos a definição estatutária, esta é “o órgão máximo deliberativo da Associação Académica de Coimbra (AAC). As decisões tomadas em Assembleia Magna vinculam as restantes estruturas associativas, dentro dos limites dos Estatutos da AAC, com exceção do Conselho Fiscal e Comissão Disciplinar”. Mas o que é que isto significa na realidade? Bem, o que torna a nossa academia única é o facto de todos os estudantes terem o mesmo direito de voz e participação. Sejam caloiros, veteranos ou dirigentes associativos, todos podem participar, intervir, dar propostas, votar ou simplesmente assistir, exatamente da mesma forma e com o mesmo peso. É como uma democracia direta, cada pessoa vale um voto e uma opinião. Ora, quer isto dizer que os estudantes reunidos em Assembleia Magna têm o poder máximo dentro da Academia. Apesar de este ser um conceito que tem permanecido imutável ao longo de muitos anos, o mandato de 2019 da Mesa da Assembleia Magna (MAM/AAC) trabalhou no sentido de modernizar um pouco a Assembleia Magna, sem nunca lhe retirar a essência e as características que a tornam única. Uma destas mudanças consistiu na alteração do local de realização das assembleias. Antigamente decorriam na “Cantina dos Grelhados”, cujas condições deixavam muito a desejar. Com a mudança, não têm local fixo. Começaram por tomar lugar no Auditório da Reitoria, havendo uma assembleia na Faculdade de Letras. Agora, a MAM/AAC focou-se na sua descentralização, pensando num regime rotativo que permita a sua realização nos diversos polos da Universidade. Portanto, além do clássico Polo I, já decorreu uma assembleia no Polo III (30 de setembro) e prevê-se a realização de uma no Polo II. Apesar de todas estas trocas, algo nunca foi esquecido: o conforto e condições acústicas do local. Neste sentido, também ocorreu uma informatização de alguns dos processos. Os documentos começaram a ser disponibilizados com antecedência no site da Associação Académica de Coimbra no separador da Assembleia Magna.
Além disso, em tempo real, são apresentados esses mesmos documentos por projeção. Isto, em conjunto com a melhoria das condições e equipamentos de acústica, permitem aos estudantes acompanhar todos os desenvolvimentos durante a sessão. Nem todas as Assembleias Magnas tratam de assuntos burocráticos. É bem possível que um estudante sinta orgulho em ter estado presente numa assembleia e nas deliberações nelas tomadas. Vejamos o exemplo: A 8 de abril de 2019, na maior Assembleia dos últimos oito anos, reuniram-se, no Auditório da Reitoria, 500 estudantes para votar na condecoração da Direção-Geral de 1969 enquanto associados honorários da Associação Académica de Coimbra. Isto porque, a 17 de abril de 1969, Alberto Martins, então Presidente da Direção-Geral, levanta-se e pede a palavra. Parece algo comum, mas, na realidade, num clima pré-25 de abril, um mero estudante levantar-se em frente ao Presidente da República e pedir a palavra revelou uma posição de revolta. Ato esse que lhe custou a liberdade. Ainda nesse dia, Alberto Martins e o resto da Direção-Geral de 1969 foram capturados e mantidos sob custódia. Ora, agora, em 2019, a Assembleia Magna convocada para a condecoração destes estudantes, permitiu, em voto unânime, conceder-lhes alguma da memória e reconhecimento que merecem. Podem pensar que isto é só conversa, mas a História prova o contrário. Em plena Crise Académica, em 1969, foi decretado em Assembleia Magna o Luto Académico, que veio acompanhado por uma greve aos exames. Seis mil em nove mil que estudavam na Universidade de Coimbra, ou seja, dois terços dos estudantes, participaram e decidiram o que fazer. A eles se juntaram professores e colegas que não conseguiram ficar indiferentes. O resultado foi que 95% dos estudantes não se apresentaram aos exames. Isto equivale a mais oito mil e quinhentos num universo de nove mil. Este exemplo mostra que a união faz a força e que juntos os estudantes conseguem realmente criar mudança. Mas estes números revelam que, numa altura
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M a g na de repressão, houve união de seis mil estudantes num universo de nove mil e, atualmente, o quórum de 500 alunos em Assembleia Magna foi uma vitória. Não somos nove mil, somos vinte e três mil em 2019. A proporção desceu imenso. E temos nas mãos a palavra pela qual Alberto Martins e tantos outros lutaram para que tivéssemos. Mais recentemente, durante este ano, um aluno com dificuldades motoras apresenta-se em Assembleia Magna para agradecer à mesma e à Direção-Geral a criação de uma Secção de Desporto Adaptado na Associação Académica de Coimbra. Tudo isto decorreu no Teatro Paulo Quintela, na Faculdade de Letras, onde o aluno estudava. O irónico é que ele nem pôde dirigir-se ao púlpito porque não existia rampa para tal. A AAC é a primeira associação de estudantes a ter uma secção deste género, o que demonstra o seu caráter pioneiro. Graças à força deste aluno e de todos os que o apoiaram, fez-se mais uma vez história. Esta é a prova de que é possível ver o esforço e o trabalho recompensados, mas também que é preciso agir para atingir os objetivos. Não podemos deixar cair o poder que herdamos dos tantos que lutaram pela sua, e agora nossa, liberdade. Por mais pequena que seja a ideia, posição, proposta ou moção, é nas Assembleias Magnas e não nos corredores que devem falar e expressá-las. É assim que se mudam as coisas, juntando todos os estudantes num só propósito. Josefa Guerra, 3º ano
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Serious Boardgames (FEUC) Os Serious Games são jogos desenvolvidos ou adaptados para desenvolvimento de competências e implementação de processos de trabalho direcionados para as necessidades das organizações. Neste curso, serão utilizadas adaptações de jogos de tabuleiro modernos e haverá uma sessão de experimentação e reflexão sobre jogos de estimulação criativa e um debate sobre aplicações futuras com os formandos.
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Tindersticks (Convento de São Francisco) Desde 2016 que não vinham a Portugal, mas estão de regresso para apresentar o seu 11º álbum.
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IN4MED (Convento de São Francisco) Um congresso médico-científico com grandes palestras, workshops e um programa social que não vais querer perder. Estágio de Aikido (Aikido - Associação TenChi Coimbra) Um workshop da arte marcial japonesa com Bruno Gonzalez.
Surma (Convento de São Francisco) Depois de um período de dois meses a gravar o seu segundo disco, a artista é, neste momento, uma figura com destaque na nova música portuguesa, com provas dadas dentro e fora de portas e recentemente anunciada entre a programação da edição de 2019 do festival Primavera Sound.
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Andreia Gi, 5º ano
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Luís de Matos - Impossível Ao Vivo (Convento de São Francisco) O mais premiado mágico português traz consigo vários convidados para um espetáculo de magia e ilusão, que promete ser contemporâneo, surpreendente e memorável.
DEZ JAN
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O Quebra-Nozes - Russian Classical Ballet (TAGV) a prestigiada companhia de Moscovo, dirigida pela famosa bailarina Evgeniya Bespalova, regressa a Portugal para apresentar um sonho de Natal com bonecos animados, criaturas maléficas e um herói improvável o príncipe Quebra-Nozes, numa grande produção clássica.