Outras Obras
Marilda da Silva
Analfabetismo Funcional Daniel Augusto Moreira
Doutora em Didática pela Faculdade de Educação da USP e professora junto ao Departamento de Didática da Faculdade de Ciências e Letras – campus de Araraquara/UNESP.
Caminhos do Ensino Nélio Parra Educando para o Pensar Eder Alonso Castro e Paula Ramos-de-Oliveira Formação Continuada de Professores: uma releitura das áreas de conteúdo Anna Maria Pessoa de Carvalho (coord.) Formação em Contexto Júlia Oliveira-Formosinho e Tizuko Morshida Kishimoto (orgs.) História da Educação Brasileira: leituras Maria Lucia Spedo Hilsdorf O Gestor Educacional de uma Escola em Mudança Clóvis Roberto dos Santos Revisitando a Prática Docente: interdisciplinaridade, políticas públicas e formação João Gualberto de Carvalho Meneses e Sylvia Helena S. S. Batista (coords.)
Repressão, licenciosidade, tabus, medos, o desvendar do mundo das letras por trás da porta e das palavras sopradas pelo professor leigo que ministrava aulas em casa. Esse é o mundo experienciado pela autora, que nos conta a história de uma época em que o desejo de aprender a ler e escrever implicava incorrer em um dos pecados capitais, imputado às poucas mulheres que se lançavam em tal aventura. Isto porque, embora hoje se propague que estamos na era do conhecimento, há muito se sabia que o saber era o passaporte para a liberdade... A autora recria, com detalhes, a trajetória docente que vai das aulas à lamparina, em que o recurso didático eram a lousa e o giz, até os dias atuais, mostrando como a história de escolarização pode influenciar a formação e a prática docentes. Discute, entre outros assuntos, a lógica das letras em ambientes iletrados e a contribuição da escola primária na formação docente; a força que a escola tem na sociedade; o papel dos professores das quatro primeiras séries do ensino fundamental na formação das representações que os alunos constroem sobre a escola, o conhecimento, a profissão docente e o professor como sujeito social; e as particularidades dos diferentes modos da prática docente.
Aplicações Destina-se a alunos e profissionais da área de Educação.
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Silva, Marilda da Metáforas e entrelinhas da profissão docente / Marilda da Silva.-- São Paulo : Pioneira Thomson Learning, 2004. Bibliografia. ISBN 978-85-221- - 1. Educação – História 2. Memórias autobiográficas 3. Prática de ensino 4. Professores – Formação profissional 5. Silva, Marilda da I Título.
03-4947
CDD-370.92
Índices para catálogo sistemático:
1.Docentes : Memórias autobiográficas : Educação 370.92
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MetĂĄforas e entrelinhas da profissĂŁo docente Marilda da Silva
Gerente Editorial: Adilson Pereira Editor de Desenvolvimento: Marcio Coelho
Š 2004 Cengage Learning Ediçþes Ltda. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro poderå ser reproduzida, sejam quais forem os meios empregados, sem a permissão, por escrito, da Editora. Aos infratores aplicam-se as sançþes previstas nos artigos 102, 104, 106 e 107 da Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.
Produtora Editorial: Ada Santos Seles Produtora Gråfica: Patricia La Rosa Copidesque: Ornilo Alves da Costa Jr. Revisão: Danae Stephan Composição e Capa: LUMMI Produção Visual e Assessoria Ltda.
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Impresso no Brasil. Printed in Brazil. 1 2 3 4 5 6 7 08 07 06 05 04
Introdução
Ao Carlinhos, meu irmão, calado por um AVCI sem deixar de sorrir.
V
Introdução
A multiplicidade dos professores era surpreendente; é a primeira vez de que se é consciente na vida. Que eles ficassem por tanto tempo parados à nossa frente, expostos em cada um de seus movimentos, sob incessante observação, hora após hora o verdadeiro objeto de nosso interesse, sem poderem se afastar durante um tempo precisamente delimitado; a sua superioridade, que não queremos reconhecer de uma vez por todas e que nos torna perspicazes, críticos e maliciosos; a necessidade de acompanhá-los sem que queiramos nos esforçar demais, pois ainda não nos tornamos trabalhadores dedicados e exclusivos; também o mistério que envolve sua vida fora da escola, quando não estão à nossa frente como atores, representando a si próprios; e, mais ainda, a alternância dos personagens, um após outro, no mesmo papel, no mesmo lugar e com a mesma intenção, portanto eminentemente comparáveis – tudo isso, em seu efeito conjunto, é outra escola, bem diferente da escola formal, uma escola que ensina a diversidade dos seres humanos; se a tomarmos um pouco a sério, resulta a primeira escola em que conscientemente estudamos o homem.
Elias Canetti
VII
Sumário
Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
Capítulo 1 – Os Primeiros Esteios Submersos da
7 Parte I – A Lógica das Letras em Ambientes Iletrados. . . 9 Formação Docente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Parte II – Contribuição da Escola Primária na Formação Docente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Um Parêntese: A Transição da Escola Primária para o
Ginásio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
19 29
Capítulo 2 – O Ginásio e o Colegial: Minha Prática
33 Parte I – O Ginásio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Parte II – O Colegial. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 Docente em Perspectiva. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Capítulo 3 – A Formação Profissional. . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Capítulo 4 – A Formação Professoral . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 Bibliografia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
IX
Introdução
Metáforas e entrelinhas da profissão docente teve sua versão inicial escrita em meados de 1997 como memorial para efeito de meu concurso de efetivação na disciplina didática no Departamento de Didática da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP de Araraquara (SP). Mas o que me inspirou na escolha da formaconteúdo de tal registro foi o texto de Elias Canetti intitulado A língua absolvida,1 do qual extraí a epígrafe que abre este docu 1
O conhecimento dessa obra se deu no curso que que fiz em 1995, na Faculdade de Educação da USP, denominado Docência, Memória e Gênero, ministrado pelas professoras Belmira Oliveira Bueno, Denice Barbara Catani e Maria Cecília C. C. Souza.
1
Metáforas e Entrelinhas da Profissão Docente
mento. Esse texto levou-me a pensar o quanto havia de minha história de escolarização que influenciava minha formação de professora e, conseqüentemente, minha prática docente. Somaram-se a isso as informações advindas das investigações produzidas no âmbito do Gedomge2 e dos trabalhos de origem francesa e portuguesa nos quais fundamentavase o respectivo grupo. Neste momento, o objetivo é ratificar o que foi dito em 1997. Trata-se, assim, de relatos de vida e da história de escolarização, que servem de base à formulação de um entendimento das práticas pedagógicas, bem como dos instrumentos didáticos imprescindíveis à sua efetivação. Nessa medida, o que está em jogo é o fato de os relatos autobiográficos evidenciarem as confluências entre o eu pessoal e o eu profissional, como já apontou, entre outros, António Nóvoa (1992). Contudo, não posso deixar de registrar a preocupação que tenho no que diz respeito à dinâmica autobiográfica como instrumento de sistematização de uma idéia.3 E, nesse particular, os riscos são inúmeros. Alguns deles dizem respeito diretamente às fragilidades da natureza do método propriamente dito, que estimula as seguintes avaliações estruturais: este relato é um artifício do exibicionismo da autora; este relato foi organizado com o intuito de a autora dar ordem à sua vida pessoal; este relato pode ter sido utilizado como instrumento de alívio de tensão profissio-
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Grupo de Estudos sobre Docência, Memória e Gênero, que, a partir de 1990, reunia professoras e alunos da Feusp e professoras e professores da rede pública de ensino do Estado de São Paulo em torno das problemáticas da formação e da atuação de professores, tendo em conta as relações estabelecidas entre docência, memória e gênero.
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Nesse caso, pode-se dizer que se trata, do ponto de vista metodológico, de um registro autobiográfico tematizado. A exemplo de uma explicação sobre os diversos tipos de pesquisa a partir de dados biográficos e autobiográficos oferecidos por MarieChristine Josso em seu livro intitulado Experiências de vida e formação (2002).
Introdução
nal; e daí por diante. A respeito desses eventuais comentários, não tenho nada a dizer, até porque tudo isso e muito mais pode ser responsável pelo registro das memórias que aqui priorizei. Nesse caso, não me adiantaria muito, ou nada, ficar explicando onde me localizo nessa banda larga psicológica. Outra problemática que pode ser apontada refere-se à tipologia dos episódios relatados. Sobre isso, tenho uma explicação que vem das idéias divulgadas por Marie-Christine Josso. Em seu livro Experiências de vida e formação (2002), a partir dos estudos que vem realizando com a elaboração de biografias e sobretudo autobiografias acerca da formação profissional por diferentes profissionais, essa investigadora observa que os episódios que os sujeitos escolhem para tornar público o que direta e/ou indiretamente diz respeito ao exercício da profissão que praticam constituem recordações-referências que podem ser qualificadas como experiências formadoras. Segundo ela, quando optamos por determinados relatos é porque eles constituem esteios submersos da nossa formação pro fissional, na medida em que com eles aprendemos experiencial mente e é exatamente por isso que os priorizamos. Se não tenho solução para todas as implicações da sistematização de uma idéia a partir dos fragmentos que dizem respeito à minha história de for mação em sentido amplo, penso que esse procedimento, pelo últi mo comentário, possui também virtudes a serem consideradas. Outrossim, relatos autobiográficos, como já apontaram alguns estudos, constituem um plano de espelhamento; o que per mite ao leitor olhar para si por meio das experiências vividas por outra pessoa, tendo em vista as relações e/ou mediações estabelecidas entre a história individual e a história coletiva. No caso de Metáforas e entrelinhas da profissão docente, o objetivo é formular uma contribuição que sirva para desenvolver reflexões sobre a formação de professores e sobre os elementos estruturais das práticas docentes de modo geral.
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Metáforas e Entrelinhas da Profissão Docente
O Capítulo 1, “Os primeiros esteios submersos da formação docente”, tem duas partes: A Lógica das Letras em Ambientes Iletrados e Contribuição da Escola Primária na Formação Docente. Na Parte I, o que está em jogo é a força que a escola tem na sociedade, que, para mim, advém da força do conhecimento, e não da força da institucionalidade dessa instituição. No que se refere à Parte II, os relatos foram construídos de modo tal que possibilitam visualizar a força que os professores das quatro primeiras séries do ensino fundamental têm na formação das representações que os alunos constroem sobre a escola, o conhecimento, a profissão docente e o professor como sujeito social. Depois disso, vem “Um parêntese: a transição da escola primária para o ginásio”, que não faz parte de nenhum dos capítulos, pois se trata da passagem das quatro primeiras séries do ensino fundamental para as quatro últimas. Contudo, os relatos que compõem esse momento do texto têm a mesma função e importância dos demais. O leitor observará que essa medida foi tomada para atender à estrutura do texto, tendo em vista sua forma-conteúdo.
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O Capítulo 2, “O ginásio e o colegial: minha prática docente em perspectiva”, também se divide em duas partes. A primeira denomina-se O Ginásio e a outra, O Colegial. Nesse capítulo, os relatos mostram mais os elementos das práticas docentes propriamente ditas e menos o professor como sujeito social, como ocorreu no Capítulo 1. Não sei explicar o motivo de os relatos terem sido assim por mim estruturados, pois só percebi isso no momento de redigir esta introdução. Como não tenho por objetivo refletir sobre a banda larga psicológica na qual transitei ao escrever este texto, apego-me à afirmação de Josso de que quando os profissionais escolhem os relatos que dizem respeito diretamente à sua formação profissional, o fazem a partir de experiências-referências, como já explicitei anteriormente.
Introdução
No Capítulo 3, “A formação profissional”, os relatos estão voltados para a formação específica e, nesse momento, o interesse em compreender e mostrar, simultaneamente, as particularidades dos diferentes modos de exercer o trabalho docente é visível, tendo como objetivo despertar reflexões sobre a formação de professores de modo geral. No último capítulo, “A formação professoral”, os relatos vão desaparecendo lentamente para dar maior espaço à análise propriamente dita, cujo foco está voltado para os elementos básicos responsáveis pelas estruturas do trabalho docente realizado em sala de aula. Não é sem razão que denominei esse capítulo de formação professoral, que para mim guarda diferenças da formação profissional. Mas essa é uma discussão que ficará para outra oportunidade. Que esse espelhamento lhe seja leve.
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Outras Obras
Marilda da Silva
Analfabetismo Funcional Daniel Augusto Moreira
Doutora em Didática pela Faculdade de Educação da USP e professora junto ao Departamento de Didática da Faculdade de Ciências e Letras – campus de Araraquara/UNESP.
Caminhos do Ensino Nélio Parra Educando para o Pensar Eder Alonso Castro e Paula Ramos-de-Oliveira Formação Continuada de Professores: uma releitura das áreas de conteúdo Anna Maria Pessoa de Carvalho (coord.) Formação em Contexto Júlia Oliveira-Formosinho e Tizuko Morshida Kishimoto (orgs.) História da Educação Brasileira: leituras Maria Lucia Spedo Hilsdorf O Gestor Educacional de uma Escola em Mudança Clóvis Roberto dos Santos Revisitando a Prática Docente: interdisciplinaridade, políticas públicas e formação João Gualberto de Carvalho Meneses e Sylvia Helena S. S. Batista (coords.)
Repressão, licenciosidade, tabus, medos, o desvendar do mundo das letras por trás da porta e das palavras sopradas pelo professor leigo que ministrava aulas em casa. Esse é o mundo experienciado pela autora, que nos conta a história de uma época em que o desejo de aprender a ler e escrever implicava incorrer em um dos pecados capitais, imputado às poucas mulheres que se lançavam em tal aventura. Isto porque, embora hoje se propague que estamos na era do conhecimento, há muito se sabia que o saber era o passaporte para a liberdade... A autora recria, com detalhes, a trajetória docente que vai das aulas à lamparina, em que o recurso didático eram a lousa e o giz, até os dias atuais, mostrando como a história de escolarização pode influenciar a formação e a prática docentes. Discute, entre outros assuntos, a lógica das letras em ambientes iletrados e a contribuição da escola primária na formação docente; a força que a escola tem na sociedade; o papel dos professores das quatro primeiras séries do ensino fundamental na formação das representações que os alunos constroem sobre a escola, o conhecimento, a profissão docente e o professor como sujeito social; e as particularidades dos diferentes modos da prática docente.
Aplicações Destina-se a alunos e profissionais da área de Educação.
ISBN 13 978-85-221-1398-9 ISBN 10 85-221-1398-X
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