O SISTEMA TUTORIAL PARA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
O SISTEMA TUTORIAL PARA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Apresentação
Apresentação Um conteúdo objetivo, conciso, didático e que atenda às expectativas de quem leva a vida em constante movimento: este parece ser o sonho de todo leitor que enxerga o estudo como fonte inesgotável de conhecimento. Pensando na imensa necessidade de atender o desejo desse exigente leitor é que foi criado este produto voltado para os anseios de quem busca informação e conhecimento com o dinamismo dos dias atuais. Com esses ideais em mente, nasceram os livros eletrônicos da Cengage Learning, com conteúdos de qualidade, dentro de uma roupagem criativa e arrojada. Em cada título é possível encontrar a abordagem de temas de forma abrangente, associada a uma leitura agradável e organizada, visando facilitar o aprendizado e a memorização de cada disciplina. A linguagem dialógica aproxima o estudante dos temas explorados, promovendo a interação com o assunto tratado. Ao longo do conteúdo, o leitor terá acesso a recursos inovadores, como os tópicos “Atenção”, que o alertam sobre a importância do assunto abordado, e o “Para saber mais”, que apresenta dicas interessantíssimas de leitura complementar e curiosidades bem bacanas, para aprofundar a apreensão do assunto, além de recursos ilustrativos, que permitem a associação de cada ponto a ser estudado. Ao clicar nas palavras-chave em negrito, o leitor será levado ao Glossário, para ter acesso à definição da palavra. Para voltar ao texto, no ponto em que parou, o leitor deve clicar na própria palavra-chave do Glossário, em negrito. Esperamos que você encontre neste livro a materialização de um desejo: o alcance do conhecimento de maneira objetiva, concisa, didática e eficaz. Boa leitura!
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Prefácio
Prefácio A educação a distância (EAD) é uma importante ferramenta utilizada para se levar o processo de aprendizagem a um número cada vez maior de pessoas interessadas em aprimorar suas habilidades e conhecimentos. Diversas são as vantagens identificadas na utilização dos tutoriais e materiais didáticos dos cursos de EAD. Além de inovação, esse tipo de ensino vem proporcionando diversas vantagens desde que passou a ser amplamente explorado. Os meios de interação também chamam muito a atenção daqueles que já aderiram a esse método de ensino, bem como dos que pretendem usufruir de seus benefícios. Os modos de interação, a assimilação do conhecimento, a autonomia na exploração do material posto à disposição...são diversas as vantagens oferecidas. Para tratar um pouco mais de tais prerrogativas, apresentamos o material destinado ao Sistema Tutorial em EAD. Por meio dele, o leitor aprenderá sobre os mecanismos utilizados para transmissão do conhecimento no âmbito da educação a distância, como anuncia a Unidade 1 do conteúdo. A Unidade 2 vai tratar dos meios de interação entre alunos e professores e do modo como podem ser realizados. Na Unidade 3, o leitor vai saber como usufruir melhor das ferramentas de ajuda para tirar o máximo proveito do material e, finalmente, na Unidade 4, vai compreender o papel exercido pelo tutor, pelo professor e pelos monitores, assimilando, assim, a importância de cada um desses personagens no processo de aprendizado. Aproveite o seu estudo por meio da EAD, conhecendo o que existe à sua disposição para o aprimoramento do seu conhecimento. Boa leitura e bons estudos.
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Unidade 1 – Modelos e sistemas tutoriais em EaD
UNIDADE 1
MODELOS E SISTEMAS TUTORIAIS EM EAD
Capítulo 1 Introdução, 10 Capítulo 2 A tutoria em EaD: funções, 10 Capítulo 3 Reflexões sobre modelos e sistemas tutoriais em EaD, 14 Capítulo 4 Alguns modelos e sistema de tutoria, 16 Capítulo 5 A prática da tutoria, 22
Glossário, 28
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1. Introdução A Educação a Distância (EaD), como uma perspectiva de ampliação dos tempos e espaços do ensino-aprendizagem, vem ganhando notoriedade nos últimos tempos e, em consequência disso, abrem-se novas possibilidades de oferta de cursos, principalmente por integrar as tecnologias digitais de informação e de comunicação. Considerando esse contexto, observem-se para as opiniões de Litwin (2001) quando destaca que, na EaD, faz-se necessária a criação de condições que possibilitem que a aprendizagem ocorra em outras situações distintas da forma presencial. Dessa forma, destaque-se que na EaD o tutor não pode agir como se fosse um professor de cursos presenciais, nos quais predomina, por exemplo, a aula expositiva. A função do professor toma rumos bem diferentes do que está acostumado a desenvolver no ensino convencional. A atuação da tutoria se dá no acompanhamento do aluno durante todo o processo de aprendizagem, fazendo a mediação pedagógica. Para esse fim, a equipe de tutores deve saber utilizar as tecnologias de informação e de comunicação na prática pedagógica, mas não apenas isso: a construção das relações afetivas com os alunos representa uma ação indispensável à tutoria, pois é a partir dessas relações que a comunicação e a interação vão favorecer o processo de aprendizagem na EaD. Nesse contexto, a ênfase não se dá apenas nas possibilidades de oferta de cursos, mas também nos modos pelos quais se dá assistência aos alunos, ou seja, traz consigo formas diferentes de proporcionar apoio aos alunos. Assim, ao longo dos anos de desenvolvimento da EaD, diferentes modelos de tutoria foram sendo adotados sem, necessariamente, excluir o anterior. Ao se tratar dos sistemas e modelos de tutoria, o foco estará sendo direcionado para diferentes concepções de EaD que se tem adotado. Em tese, a referência será quanto aos modos pelos quais a assistência aos alunos é oferecida durante o processo ensino-aprendizagem da EaD. Nos últimos anos, a contribuição da internet para o aprimoramento dessa modalidade de ensino faz emergir novos caminhos para apoiar o aluno em seu processo de aprendizagem a distância, especialmente, por ampliar as possibilidades de interação.
2. A tutoria em EaD: funções O termo “tutoria” foi utilizado pela primeira vez na universidade no século XV, com o propósito de orientação de caráter religioso dos alunos na perspectiva de infundir a fé e a conduta moral. Somente no século XX, a tutoria se volta para a orientação e o acompanhamento de trabalhos acadêmicos. Porém a função do tutor como guia é a que mais se destaca no meio acadêmico.
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Durante algum tempo, o professor/tutor era visto como um profissional que dirigia/orientava a aprendizagem do aluno, mas não ensinava, revelando uma concepção tradicional de Educação a Distância. O ensino, nesse caso, ficava a cargo dos materiais didáticos, considerados pacotes autossuficientes que finalizavam com uma avaliação do tipo “prova”. O ensino era tido como transmissão de informação, por isso o papel do tutor se constituía em assegurar que os objetivos fossem cumpridos, ou seja, ele servia de apoio ao programa de ensino (Litwin, 2001). Essa autora, por outro lado, defende que a essência do trabalho do professor/tutor traz outra conotação, pois na prática sua responsabilidade contempla contribuir para a realização de atividades e não se volta para apontar soluções. Em tese, o tutor deve apresentar novas fontes de informação que levem os alunos a buscar as soluções para suas dúvidas. Para colaborar no processo de aprendizagem dos alunos, exige-se do professor/ tutor conhecimentos fundamentais para que eles deem conta efetivamente de sua função na tutoria de um curso. Em outras palavras, ele precisa entender como o ensino se estrutura, sendo imprescindível saber como ocorrem os processos de aprendizagem e os princípios que norteiam a construção do conhecimento na área sob sua responsabilidade na tutoria. Para dar conta dessa realidade, é necessário ter formação em práticas de tutoria de cursos a distância, formação essa que proporcione o embasamento teórico. Essa necessidade se justifica principalmente para se evitar trazer para o ensino a distância, a reprodução de um sistema tradicional e também presencial, no qual o professor/ tutor se limita a auxiliar a aprendizagem. A postura de transmissão do conhecimento precisa ser superada por práticas que realcem a construção do conhecimento do aluno. Tal contexto contempla os processos de interação entre os alunos-alunos e alunos-professor/tutor e a valorização de diferentes linguagens nas situações pedagógicas, a partir do uso variado de mídias necessárias para o ensino e aprendizagem de cursos a distância. Você sabe quais são os conhecimentos necessários que um profissional deve ter para assumir a função de tutor? No atual contexto da EaD, a estruturação da tutoria exige do profissional alguns conhecimentos necessários à função de tutor, tais como: concepção de
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educação, educação a distância, teorias da aprendizagem, do processo ensino-aprendizagem e interdisciplinaridade. É necessário também dispor de habilidades relacionadas ao ensino a distância on-line, ter conhecimento do perfil dos alunos, do ambiente virtual de aprendizagem do curso, compreender como se dão os processos de interação na educação a distância, de modo a estabelecer relacionamentos pessoais, entre outros. Percebe-se que as especificidades exigidas desse profissional prescindem de formação adequada, sem a qual seria impossível corresponder às necessidades do aluno. Ao se pensar em um modelo de tutoria para a EaD, é preciso considerar a proposta de Collins e Berge (1996, apud Palloff; Pratt, 2002), que define quatro funções para professor/tutor de um curso a distância on-line detalhadas a seguir:
Função pedagógica A atuação do tutor em um ambiente virtual de aprendizagem é voltada para favorecer o processo de aprendizagem dos alunos. Para que essa tarefa seja possível, esse ambiente deve estar organizado de uma forma simples, dinâmica e de fácil navegação. O tutor tem liberdade de conduzir os alunos, deixando-os explorar o material do curso, podendo sugerir outros materiais, caso identifique a necessidade para isso. Uma situação como essa pode ocorrer quando, ao abordar um tema complexo, no material, o professor/tutor percebe que os alunos necessitam de outros textos, vídeos etc. para compreender, de fato, o tema em estudo. Sob essa perspectiva, os materiais apresentados devem sempre favorecer a criticidade e a criatividade. Em relação às atividades específicas do curso, para a condução do fórum de discussão, por exemplo, a presença constante de um tutor se faz necessária, sendo ele o responsável por mediar o fórum. O tutor pode também comentar outras atividades realizadas pelos alunos com intuito de fazê-los compreender o que aprenderam e o que precisa ser revisto.
Função gerencial O professor/tutor de um curso a distância é também responsável por administrar o curso. Assim sendo, é ele quem familiariza os alunos quanto ao funcionamento do curso, no que diz respeito ao calendário, à definição de regras, e a como será o trabalho da tutoria e a como os alunos devem recorrer ao apoio do tutor, entre outras questões. Ele pode ainda enviar aos alunos as normas de funcionamento da instituição de ensino, o plano do curso etc. A tutoria também exerce essa função em muitas instituições, principalmente devido à proximidade que mantém com os alunos, mas também porque as re-
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lações afetivas construídas ao longo do curso estimulam os alunos a se dirigir com mais frequência ao tutor do que à coordenação do curso.
Função técnica Com a prática de uso dos ambientes virtuais de aprendizagem na educação on-line, é necessário que o professor/tutor tenha domínio do funcionamento do ambiente virtual de aprendizagem para que possa tanto orientar os alunos em seu uso quanto, principalmente, saber utilizar didaticamente todas as ferramentas que vão dinamizar o processo ensino-aprendizagem. Ao obter o domínio técnico, o responsável pela tutoria tem mais condições de contribuir com a aprendizagem dos alunos, uma vez que pode aproveitar as potencialidades de cada ferramenta do ambiente virtual de aprendizagem, bem como está ciente das limitações inerentes a elas. Porém ressaltamos que, muito mais importante do que conhecer a tecnologia, é saber utilizá-la em prol do processo de aprendizagem dos alunos. Assim, quando um profissional se propõe a assumir a função de tutor e tem profundo domínio do software educacional, mas poucas habilidades em relação ao acompanhamento pedagógico, a tutoria apresentará fragilidades.
Função social O tutor é responsável por promover os aspectos pessoais e sociais no ambiente virtual de aprendizagem de um curso a distância. Ele mantém boas relações com os alunos, constrói laços afetivos e incentiva o estabelecimento dessas relações entre os alunos. O professor/tutor procura evitar os conflitos ou, quando surgem, ele os resolve, orientando os alunos a trabalhar em grupo, a compreender a importância de se trabalhar em equipe e de contribuir com a aprendizagem uns dos outros. Um bom exemplo é o seguinte: no início de um curso a distância, o professor/tutor abre um fórum para que todos os alunos se apresentem, possibilitando que todos se conheçam. Outra estratégia simples, mas que pode contribuir para a organização do grupo de alunos, é solicitar que, no ambiente virtual do curso, os alunos coloquem uma foto para identificá-los. O ideal é que em todo ambiente virtual de aprendizagem de cursos a distância haja um espaço para que os alunos possam conversar e relaxar. Para Gutiérrez e Prieto (1994), a tutoria exige um profissional que seja capaz de primar pela boa comunicação, que defenda uma concepção de aprendizagem, que tenha domínio do conteúdo do curso ou da disciplina, que facilite o processo de construção de conhecimento e que estabeleça boas relações com os alunos, entre outras características. Todas as atividades que são de competência da tutoria devem estar voltadas para interferir no processo de aprendizagem.
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Percebe-se que, nos últimos anos, o trabalho de tutoria passa a ter maior destaque nos espaços acadêmicos, porém tem recebido muitas críticas, o que revela a necessidade de se rever o seu papel nos cursos a distância. É preciso analisar as práticas de tutoria vigente, verificar criticamente como vêm acontecendo e construir novas competências, visando a desenvolver novas propostas para a tutoria na EaD. Optar por um modelo ou sistema de tutoria na EaD é uma tarefa bastante complexa, porque nem sempre um determinado modelo atende às características do perfil dos alunos. Assim, as funções da tutoria devem ser entendidas como uma prática contextualizada do modelo e do programa do curso (PERREIRA, 2007).
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ara saber mais: Para aprofundamento da discussão, leia o texto “A tutoria na Educação a Distância”. Disponível em: <http://suporte.nutead.org/suporte/wpcontent/uploads/2013/02/Tutoria.pdf>. Acesso em: 17 abr. 2015.
3. Reflexões sobre modelos e sistemas tutoriais em EaD Este tópico aborda os principais modelos de tutoria utilizados na EaD ao longo dos tempos. Você conhece algum modelo de tutoria adotado nas universidades? Caso conheça, o que você considera relevante nele? E o que precisa ser revisto? Segundo Preti (2003), logo que a figura do tutor surgiu, era responsabilidade dele dar assistência a grupos de alunos ou individualmente, sob a coordenação de um professor. O tutor cuidava dos estudos desses alunos, mas também de seu comportamento. Esse modelo de tutoria acontecia de forma presencial e deu um resultado tão bom que a função do tutor foi institucionalizada nas grandes universidades do mundo. A primeira universidade a distância a incorporar esse modelo de tutoria foi a Open University (1969), da Inglaterra, seguida por outras grandes universidades como a UNED, da Espanha (1972), a University of South, África (1972), Anadolu University, da Turquia (1978), entre outras. No modelo de tutoria da Open University, o professor/tutor era responsável por verificar o que o aluno aprendia por disciplina e se sabia argumentar a respeito; tirar as dúvidas e corrigir as atividades; incentivar outras leituras e a realização de atividades práticas; orientar os estudos que deveriam ser elaborados durante a semana; realizar avaliações com a intenção de verificar o que os alunos aprenderam e quais as dificuldades encontradas. Na UNED, segundo Mediano (1988, apud PRETI, 2003), o sistema tutorial define o papel do professor/tutor como aquele que auxilia os alunos nos estudos, tirando suas dúvidas, dando explicações ou ajudando na realização das atividades de aprendizagem. Ele é responsável por motivar os alunos a aprofundar os estudos, mas também realizar a avaliação – tanto a inicial quanto a que se
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realiza durante os encontros presenciais. Para finalizar, ele corrige uma espécie de diário que o aluno elabora durante o curso. Assim, a tutoria na UNED se dá em seções por semana, tanto por grupo de alunos quanto individualmente. O acompanhamento dos alunos a distância é feito por meio de correio, correio eletrônico, telefone e rádio, entre outros. Nessa instituição, o tutor não participa da elaboração do material didático para o curso, apenas faz uso dele enquanto trabalha com os alunos. Portanto, a ênfase, neste caso, recai sobre o conteúdo de cada unidade do curso. Diferentemente do modelo inglês e do espanhol, a Téle-Université do Québec (TELUQ) se destacou por oferecer oficinas dinamizadas por um animador e, depois, por utilizar uma espécie de monitoria quando eram poucos alunos. Esse sistema de tutoria foi adotado em 1977, porém, em 1998, quase todos os cursos dessa universidade já utilizavam esse sistema. A contratação dos professores/tutores ocorre de acordo com a sua formação na disciplina. O trabalho do professor/tutor é apenas o de fazer contato com os alunos, individualmente, atuando como um guia de sua aprendizagem. Ele apresenta aos alunos como devem estudar para poder aprender, ele os auxilia a resolver as dúvidas relacionadas ao conteúdo, bem como a esclarecer questões administrativas relacionadas ao curso, e ainda atua como motivador do aluno durante a disciplina e/ou o curso. Como vemos, nesse modelo de tutoria, o papel do professor/tutor está mais voltado para os aspectos ligados à organização e à motivação do que ao aspecto cognitivo. Seu papel está mais ligado à tarefa de aconselhar do que à de ensinar. Nessa universidade, esse profissional não é responsável pela avaliação da aprendizagem e sua principal função é acompanhar os alunos no processo de aprendizagem. Porém, é necessário que o professor/tutor tenha conhecimento do conteúdo para orientar a aprendizagem e ajudar os alunos; que proponha métodos de estudo aos alunos; que os ajude nas dificuldades; além de exercer funções administrativas, entre outras. Afinal, a tutoria nas universidades brasileiras é muito diferente das universidades já citadas aqui? Você tem algum conhecimento a respeito desse tema?
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A realidade brasileira não difere muito do modelo UNED e da Téle-Université. Algumas universidades preferem o modelo espanhol, outras, o modelo de Québec. Como se pode perceber, o sistema de tutoria é fundamental em um curso a distância, especialmente pelo fato de não haver uma relação face a face. Os alunos se sentem assistidos quando a tutoria é atuante, a partir do momento que o tutor apoia, ajuda, incentiva, mobiliza e dinamiza o processo de aprendizagem dos alunos. Um sistema de tutoria bem organizado, estruturado e dinâmico influencia diretamente em resultados positivos nos cursos a distância. No processo ensino-aprendizagem na EaD, quando se faz referência a tutoria, considera-se mais importante, não o modelo em si, mas a contribuição dada ao processo de aprendizagem.
4. Alguns modelos e sistemas de tutoria O sistema de tutoria de uma instituição de ensino que oferece cursos a distância está diretamente relacionado à concepção de EaD que a defende. Assim, desde quando as universidades passaram a oferecer cursos na modalidade a distância, alguns modelos de tutoria vêm se configurando. É importante que você não se esqueça de que uma das principais características da EaD diz respeito à organização de um sistema de apoio pedagógico (e até mesmo administrativo). Somente os materiais didáticos, por mais bem elaborados que estejam, não dão conta de levar os alunos a construírem conhecimento com base nos temas propostos para determinado curso. A tutoria é considerada indispensável nesse processo.
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Oliveira (2008) apresenta quatro modelos de tutoria, que têm se constituído a partir de referenciais teóricos e pedagógicos que subsidiam a educação a distância nos últimos anos, que serão detalhados a seguir:
A tutoria em uma concepção fordista de ensino Inicialmente, é importante que se compreenda a relação entre o sistema de produção fordista (ou industrial) e a concepção fordista de ensino. O modelo fordista se configurava em uma produção em massa para mercados de massa. No entendimento de Belloni (2001), o modelo de produção fordista, desenvolvido no século XX, se enfraqueceu com o avanço tecnológico, exigindo reestruturação. Três princípios norteavam o modelo fordista: a baixa inovação de produtos, a variabilidade de processos e a responsabilidade do trabalho. Ao se trazer essa realidade para a EaD, parecia mais viável aplicar tal modelo industrial ou fordista na educação: atender muitos alunos ao mesmo tempo (mas não no mesmo espaço). Naquela época, por volta de 1971 e 1973, Otto Peters, da Universidade Aberta de Hagen (Alemanha), escreveu dois artigos que deram origem à Teoria da Industrialização, a qual representa uma tentativa de formular uma teoria para dar suporte ao campo da EaD. Como se pode perceber, a ênfase estava nas “massas”, visando-se a oferecer a educação para grandes contingentes educacionais. Nesse contexto é que começam a surgir as megauniversidades a distância do mundo, como a Open University, da Inglaterra (1969), seguida pela Universidad Nacional a Distância, da Espanha (UNED, 1971). Ambas adotaram o modelo industrial de ensino, cujo foco era a oferta de “massas” e organização do processo educacional. Esse modelo era organizado da seguinte forma: planejamento centralizado, otimização de recursos, utilização de tecnologias de comunicação e produção de material didático em grande escala (Oliveira, 2008). Desde o seu surgimento, esse modelo recebeu severas críticas, uma vez que a estandartização prejudica o processo ensino-aprendizagem, pois não são levadas em conta a individualidade e a diversidade contextual e cultural do estudante. A relação entre o ensino a distância e os procedimentos industriais se concretiza na produção de muitos materiais de ensino para grande número de estudantes, além da coordenação de um número elevado de alunos distribuídos geograficamente. A organização do ensino a distância, dessa forma, possibilitava que todos tivessem acesso igual à educação (PRETI, 2003). Depreende-se que, nesse modelo, as diferenças individuais não são levadas em consideração. A grande preocupação não era com a aprendizagem, mas com o processo de ensino. Nesse caso, a instituição de ensino é que deveria se preocupar com a aprendizagem. Ao enfatizar o material didático em grande escala,
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desconsidera não só as diferenças individuais, mas também as afetivas, contextuais etc., e os alunos são considerados sujeitos passivos. Para Oliveira (2008), no modelo fordista, o material didático é o principal recurso para o aluno aprender. A atuação do tutor limita-se a verificar se os alunos realizam as atividades solicitadas, a identificar se eles têm dúvidas a respeito do material didático e se compreenderam os objetivos das atividades de aprendizagem. Importante destacar que essa situação, no que diz respeito ao sistema de tutoria, é preocupante nos dias de hoje, pois muitas universidades ou outras instituições que ofertam cursos a distância, ainda vêm adotando a centralidade no material didático, negligenciando o papel principal do tutor que é o de contribuir no processo de aprendizagem dos alunos.
A tutoria baseada no autodidatismo Esse modelo de tutoria é concebido a partir da Teoria da Autonomia e Independência Intelectual proposta pelo pesquisador norte-americano Michael Moore, apoiada e mantida por Charles A. Wedemeyer. Essa teoria enfatiza o fato de que, na EaD, os alunos são praticamente adultos e trabalhadores, significando, portanto, que eles são independentes e com capacidade para tomar decisões a respeito de como estudar e se querem estudar, sem precisar necessariamente de um professor. A instituição de ensino, no caso, não se preocupa em dar apoio ao estudante, por isso incentiva o autodidatismo. Nesse modelo, o processo ensino-aprendizagem é totalmente centrado nos alunos, considerados sujeitos com condições suficientes de elaborar seus horários
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de estudo, realizar os estudos com desenvoltura e realizar atividades sozinhos (PRETI, 2003; OLIVEIRA, 2008). Esse modelo de tutoria leva em consideração que a atuação do professor/tutor está mais voltada para facilitar o processo de aprendizagem dos alunos, sendo responsável por indicar os meios pelos quais os alunos podem se apropriar para construir o conhecimento. Pode-se apontar, como exemplo, quando o tutor informa ao aluno um site de busca para que realize pesquisas, nesse momento está indicando quais materiais o estudante deve ter em mãos para realizar determinada atividade. Nesse modelo, não é o tutor quem procura o aluno, mas espera ser procurado por ele. Essa comodidade na atuação do tutor pode gerar desânimo nos alunos por sentirem a tutoria ausente.
A tutoria como conversação dialógica Para Oliveira (2008), esse modelo de tutoria se constitui a partir da Teoria da Interação e da Comunicação que, especificamente na EaD, é tida como conversação dialógica guiada, proposta por Börje Holmberg (1970-1980). A ênfase dessa teoria está na motivação dos alunos para os estudos. Assim sendo, quando a comunicação não pode ser presencial, o clima de conversação pode ser estabelecido para desenvolver a ação educativa, em outras palavras, o diálogo pode ser estabelecido pelo tutor na ação educativa. Nesse contexto, a elaboração do material didático para determinado curso deve ser concebido de forma que favoreça a compreensão e a motivação dos alunos para a leitura e a realização das atividades. Com base no material didático, o diálogo deve ser estabelecido entre professor/tutor e alunos com o propósito de favorecer o processo de aprendizagem. Quando o aluno sente que uma relação pessoal foi estabelecida com o professor/tutor, sua motivação para aprender aumenta. Essa motivação se deve também à boa estruturação do material didático. Assim, na EaD, a comunicação é tida como diálogo, as mensagens trocadas são compreendidas com facilidade. O diálogo é a base de sustentação da EaD. Tendo esse preceito como base, entende-se que, para a elaboração do material didático de um curso a distância, o conteudista deve ter em mente quem são os seus interlocutores para poder decidir quais são estraté-
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gias a serem utilizadas para que, a partir do referido material, o diálogo possa ser estabelecido. Como se pode constatar, nesse contexto, o diálogo representa o elo entre o professor/tutor e os alunos, estabelecido com o fim de construir conhecimentos. Considerando-se que a comunicação na EaD é mediatizada por recursos didáticos e por suporte tecnológico, com a sofisticação das tecnologias nos últimos anos, a possibilidade de que a relação dialógica seja estabelecida é notória. Logicamente é o tutor quem conduz o processo ensino-aprendizagem em cursos a distância, por essa razão, a relação dialógica a ser construída na EaD, em grande parte, vai depender dele. Preti (2003) e Oliveira (2008) destacam que, para se repensar um modelo de tutoria cuja ênfase seja o diálogo, é necessário levar em consideração a Teoria da Ação Comunicativa de Habermas, a qual preconiza que as relações sociais são construídas a partir da técnica e dos meios de comunicação de massa e, também, do conceito de Dialogismo defendido por Bakhtin, pois ambos são fundamentais para a construção de um modelo de tutoria em que predomine o diálogo nas relações a serem construídas entre professor/tutor e alunos. Mediante esse cenário, pode-se inferir que, mesmo os alunos se encontrando em espaços e tempos diferentes, não se sentem sozinhos em seu processo de aprendizagem, uma vez que a instituição garante condições para que o diálogo se estabeleça. É evidente que a Teoria da Interação e Comunicação contribui para que o sistema de tutoria na EaD seja visto de forma humanizada ao propor o diálogo como o elemento principal para o processo ensino-aprendizagem. Por meio do diálogo, abre-se espaço para que o sistema de tutoria se torne mais humanizado, permitindo que o tutor atue na EaD como mediador de aprendizagem.
A tutoria como mediação De acordo com Gutierrez e Prieto (1994), no processo ensino-aprendizagem, a mediação pedagógica é indispensável. Na EaD, é o professor/tutor quem deve exercer o papel de mediador pedagógico entre as informações contidas em um texto, por exemplo, e a aprendizagem, por parte dos alunos. Para isso, o material didático dos cursos a distância deve estar organizado pedagogicamente, de forma diferente dos cursos presenciais. O tratamento dado aos conteúdos necessita levar em conta que os alunos da EaD não estão em uma relação face a face, então, a informação precisa ser mediada pedagogicamente. Nesse contexto, a concepção de educação adotada enfatiza, como elementos principais do processo educativo, a participação, a criatividade, a expressividade e a relacionalidade. A construção do conhecimento ocorre tanto na interação entre o sujeito e o objeto quanto, e essencialmente, por intermédio da interação sujeito-objeto e sujeito-
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-sujeito. Observa-se que, no modelo de tutoria no qual se enfatiza a mediação, o professor/tutor deve, primeiramente, ter domínio do conteúdo a ser proposto aos alunos para poder construir o conhecimento antes de se propor a fazer a mediação. Segundo os autores, para fazer a mediação na EaD, o tutor precisa se apropriar das bases epistemológicas e metodológicas que embasam o conceito de mediação. Esse alerta se justifica para que o tutor não caia no erro de achar que, pelo simples fato de tirar uma dúvida de um aluno, a respeito de uma atividade de aprendizagem presente no material didático do curso, por exemplo, ele estaria realizando a mediação pedagógica (OLIVEIRA, 2008). Gutierrez e Prieto (1994) apontam três fases da mediação pedagógica: o tratamento com base no tema, o tratamento com base na aprendizagem e o tratamento com base na forma. Constata-se que a mediação pedagógica vai se iniciar no conteúdo, pois, na EaD, o professor conteudista é o responsável pelo texto-base do material didático, ele lança mão de recursos pedagógicos para fazer com que as informações estejam organizadas a ponto de facilitar que o aluno compreenda o conteúdo com prontidão e por conta própria. Na segunda fase, a de tratamento com base na aprendizagem, realizam-se os procedimentos mais favoráveis para que aquilo que o aluno aprendeu sozinho (a autoaprendizagem) seja transformado em um ato educativo. Neste ponto são
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Ao longo desta obra, o leitor será convidado a compreender os modelos e sistemas tutorias em EaD, conhecendo a diferença entre interação e interatividade, a importância do acompanhamento e suporte on-line. É discutido ainda qual é o papel dos professores, tutores e monitores na docência a distância.