INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Apresentação
Apresentação Um conteúdo objetivo, conciso, didático e que atenda às expectativas de quem leva a vida em constante movimento: este parece ser o sonho de todo leitor que enxerga o estudo como fonte inesgotável de conhecimento. Pensando na imensa necessidade de atender o desejo desse exigente leitor é que este produto foi criado, voltado para os anseios de quem busca informação e conhecimento com o dinamismo dos dias atuais. Com esses ideais em mente, nasceram os livros eletrônicos da Cengage Learning, com conteúdos de qualidade, dentro de uma roupagem criativa e arrojada. Em cada título é possível encontrar a abordagem de temas de forma abrangente, associada à uma leitura agradável e organizada, visando facilitar o aprendizado e a memorização de cada disciplina. A linguagem dialógica aproxima o estudante dos temas explorados, promovendo a interação com o assunto tratado. Ao longo do conteúdo, o leitor terá acesso a recursos inovadores, como os tópicos “Atenção”, que o alertam sobre a importância do assunto abordado, e o “Para saber mais”, que apresenta dicas interessantíssimas de leitura complementar e curiosidades bem bacanas, para aprofundar a apreensão do assunto, além de recursos ilustrativos, que permitem a associação de cada ponto a ser estudado. Ao clicar nas palavras-chave em negrito, o leitor será levado ao Glossário, para ter acesso à definição da palavra. Para voltar ao texto, no ponto em que parou, o leitor deve clicar na própria palavra-chave do Glossário, em negrito. Esperamos que você encontre neste livro a materialização de um desejo: o alcance do conhecimento de maneira objetiva, concisa, didática e eficaz. Boa leitura!
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Prefácio
Prefácio Os recursos ofertados pela tecnologia são diversos e, a cada dia, ocupam espaços variados da vida do ser humano. A essencialidade da tecnologia é a facilitação do nosso cotidiano. Não seria diferente na área da educação. Estamos falando da Educação a Distância (EaD) cuja existência somente se consolida através das ferramentas tecnológicas. O acesso ao conhecimento e ao aprendizado se expande ao longo do tempo a medida que tais ferramentas se aprimoram. Quem poderia imaginar que o indivíduo pudesse ter acesso ao conhecimento, ou otimizar a sua formação, as suas habilidades profissionais no tempo e local que lhe conviesse? Trata-se de uma realidade perene, que faz parte, naturalmente, do nosso contexto. Para delinear melhor a importância da Educação a Distância na nossa vida e no nosso cenário atual é que o Cengage apresenta um conteúdo próprio e dinâmico para tratar do tema: INTRODUÇÃO À EaD. Na Unidade 1 do conteúdo, o leitor vai aprender um pouco sobre as bases históricas do processo de ensino e entenderá como a questão da Educação a Distância foi recepcionada legalmente no nosso país. Através da Unidade 2, o leitor fará uma viagem no tempo, recordando as primeiras formas de comunicação entre os seres até os dias de hoje. Além disso, serão tratadas as questões concernentes aos ambientes virtuais de aprendizagem. A Unidade 3 voltará na questão pertinente à legislação, desde o marco regulatório até a legislação existente atualmente sobre o EaD. Finalmente, na Unidade 4, os personagens que fomentam a ampliação do Ensino a Distância serão estudados: o perfil do professor pesquisador, do tutor, dos gestos e alguns perfis profissionais. A tecnologia é uma realidade em constante mutação e evolução, do mesmo modo que o conhecimento e a aprendizagem. As facilidades que são ofertadas merecem ser plenamente aproveitadas. Desejamos a todos uma excelente leitura.
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Unidade 1 – Epistemologia, filosofia da educação a distância e as novas tecnologias
UNIDADE 1
EPISTEMOLOGIA, FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E AS NOVAS TECNOLOGIAS Capítulo 1 Contextualizando, 10 Capítulo 2 Epistemologia e filosofia do ensino a distância, 10 Capítulo 3 Educação a distância: conceitos e características, 14
Glossário, 24
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1. Contextualizando Nesta Unidade, consolidaremos a epistemologia, conhecida como teoria do conhecimento, e a Filosofia da Educação a Distância, para que possamos compreender porque esse processo ainda está em construção e para que seja possível relacioná-lo à realidade educacional e às novas tecnologias. Esse primeiro passo é importante para entender e analisar a realidade, associando-a ao cotidiano do ensino a distância, desenvolvendo a competência de atrelar as teorias pré-existentes ao desenvolvimento tecnológico e as características da EaD à epistemologia e filosofia da área.
2. Epistemologia e filosofia do ensino a distância Sabemos que a Grécia é o berço da Filosofia. Os sofistas – que usavam de argumentos capciosos para convencer de que algo falso era verdadeiro – foram relevantes na profissionalização da educação. A democracia grega apresentava características importantes para o futuro da Filosofia. Primeiramente, a democracia afirmava a igualdade de todos os homens adultos perante as leis e o direito de todos em participar diretamente do governo da cidade, antiga polis. Em segundo lugar, e como consequência, a democracia, sendo direta e não por eleição de representantes no governo, garantia a todos a participação no governo e os que nele atuavam tinham o direito de exprimir, discutir e defender em público suas opiniões sobre as decisões que a cidade deveria tomar. Surgia assim, a figura do cidadão. (CHAUÍ, 2000).
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Esse poder de interação gerado pela Filosofia, criava uma rede de informações, discursos, registros, debates e possibilitava aos sujeitos pensar a realidade de forma precisa, reconhecendo e desenvolvendo saberes. De modo que, pensar na Filosofia relacionada ao ensino é, de certo modo, repensar as relações humanas e os processos interacionais dentro do sistema democrático e, consequentemente, educacional.
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ARA SABER MAIS! Uma boa dica de filme é “A Odisseia” (The Odissey EUA, 1997), dirigido por Andrei Konchalovsky. Trata-se da epopeia mitológica baseada na obra de Homero. “A Odisseia” mostra o modo de vida dos gregos antigos e aborda o ideal grego de educação presente no modelo homérico do herói-orador.
Quando falamos de Filosofia e Epistemologia do Ensino a Distância, no entanto, o que pretendemos dizer exatamente? Para a compreensão desse significado é importante que sejam feitas as seguintes perguntas: 1. O que é epistemologia? Epistemologia é um termo que vem do grego, mais especificamente de episteme (ciência, conhecimento) + logos (razão, estudo, discurso) e significa, grosso modo, o estudo da ciência ou teoria do conhecimento; e 2. O que é filosofia? A filosofia é a ciência do saber, é uma atitude de racionalidade diante de determinada realidade. Surge também na Grécia Antiga com o propósito de compreender o mundo sob um prisma mais racional, ou seja, a própria filosofia é uma atitude epistêmica. Alguns estudiosos, como Damásio (2008), consideram que a presença do ensino a distância remonta ao Velho Testamento. Contudo, a EaD, como é concebido na atualidade, ainda é um procedimento novo e em constante mutação. Logo, a ciência que envolve essa prática é também nova e está em construção. Há, no mínimo, dois aspectos a serem considerados quando falamos de epistemologia e filosofia da EaD: o primeiro é que a EaD é uma prática educativa, assim sendo, a epistemologia educacional pré-existente, bem como a Filosofia da Educação, relacionam-se intimamente a essa prática; o segundo é o fato da EaD interligar educação e tecnologia, o que a insere em um universo interdisciplinar que caminha para a transdisciplinaridade. Como ação educativa relacionada ao âmbito pedagógico em geral, a Filosofia da Educação tem como princípio analisar as relações humanas no que diz respeito aos processos educativos. Com o conhecimento, verifica a forma como a educação transforma a realidade e como a sociedade transforma a educação. Atua na busca da compreensão do pensamento filosófico para entender a educação
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e não somente limitá-la ao âmbito da filosofia. Saviani (1980) considera que a Filosofia da Educação é um movimento de radicalidade racional que serve para indagar sobre a realidade humana, o ser humano e o sentido da educação na sociedade. Gadotti (1979) pensa nessa questão a partir da análise do sentido da educação na vida humana e Gallo (2007) propõe a ampliação do olhar da filosofia, a partir do próprio conhecimento filosófico. Assim, a Filosofia voltada para a Educação se incumbe de analisar o ser humano inserido em contextos sócio históricos para teorizar práticas e transformá-las em teoria. Em face dessas concepções e da revolução tecnológica, a sociedade contemporânea altera e cria novos contextos e novos comportamentos sociais. O termo interagir adquire novos valores e a Educação a Distância surge cada vez mais com maiores recursos, fomentando mais pesquisas, instigando a Filosofia da Educação e constituindo uma nova epistemologia de estudo do homem e sua relação com contextos (virtuais) e com as ferramentas tecnológicas. São muitos os estudiosos que formam parte dessa construção de conhecimentos. Dentre eles, destacamos as perspectivas dos seguintes autores: Quadro 1 – Autores
Autores
Preceitos epistemológicos
Alonso (2005)
Considera que a EaD não é apenas uma partícula inserida na Educação geral, porque está relacionada à ideologia de democratização do ensino e do acesso à formação escolarizada, e não é um sistema provisório ou uma mera suplementação ao ensino formal e regular.
Belloni (1999)
Ressalta a EaD como necessária e desejável na sociedade contemporânea, como uma modalidade educacional que surge graças à economia mundial e à reconfiguração global tecnológica para atender às necessidades imanentes.
Damásio (2008)
Estuda a EaD como uma prática que surge consolidada e atrelada ao desenvolvimento tecnológico historicamente situado.
Lobo Neto (2001)
Afirma que a EaD deve ser estudada e fundamentada de forma crítica, a partir da Educação como um todo.
Moran (2011)
Considera a EaD o grande desafio da atualidade e analisa as intervenções necessárias para adequar a utilização tecnológica e os processos de mediação à realidade acadêmica.
Preti (1996)
Nega a EaD como algo instrumental ou complementar, assumindo-a como modus operandi particular, com características próprias no fazer e educacionais.
Pretto (2003)
Defende que a EaD e a Educação presencial têm o desafio em comum de construir políticas públicas que favoreçam a Democratização do ensino e permitam discussões teóricas reais.
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Essas perspectivas, somadas às transformações sociais que provocaram a interligação entre educação e tecnologia, imprimem ao universo de ensino a distância uma interdisciplinaridade/transdisciplinaridade necessária e específica. Tanto no ensino regular quanto na EaD, essa concepção que entrelaça universos teóricos e disciplinas é atualmente discutida e organizada de diferentes modos. Zabala (1998 apud CARREIRA, 2013) apresenta essa classificação de acordo com os diferentes graus de relação entre as áreas de conhecimento: • a multidisciplinaridade: é a organização tradicional de conteúdos, sem relação necessária entre eles; • a interdisciplinaridade: é a inter-relação entre duas ou mais disciplinas, permitindo a simples comutação de ideias ou a integração de conceitos, teorias, metodologias e dados de pesquisa; • a transdisciplinaridade: pressupõe uma inter-relação profunda, é a “integração global dentro do sistema totalizador”. De fato, utilizando o termo interdisciplinar ou transdisciplinar, a Educação a Distância sempre estará atrelada a esses conceitos como uma necessidade ímpar, pois reúne profissionais de cursos de licenciatura e pedagogia, engenharias, informática, designer e outros. Esta necessidade também é gerada pelas transformações sociais que procuram estabelecer novos paradigmas de ensino na sociedade de informação. Essa ruptura de paradigmas relacionada à presença maciça de computadores apresenta tecnologias inimagináveis que geram a cibercultura, comum alcance profundo na sociedade e sua relação com os dispositivos, revolucionando não só máquinas, mas também as relações humanas. (MACHADO, 2009) Por isso, se por um lado a EaD herda a riqueza de estudos educacionais focados no processo de ensino e aprendizagem como um todo, por outro, traz à tona novas inquietações e novos conceitos. Isso leva Machado (2009), em pleno século XXI, a ainda lançar a pergunta sobre quais seriam as bases epistemológicas que deram origem a essa verdadeira revolução nos processos educacionais, didático-pedagógicos e que fez surgir transformações não apenas na modalidade presencial de ensino, mas também, a distância, denominada como educação on-line ou virtual? A Revolução Industrial contribuiu para a mecanização mundial, fomentou a pesquisa tecnológica e trouxe a ciência tecnológica necessária para a revolução tecnológica que gera a “sociedade do conhecimento”, como a concebemos. Simultaneamente a isso, o homem passa a analisar a realidade de outro modo em diferentes áreas do conhecimento. A Psicologia analisa o inconsciente, o sujeito, as interações e os aspectos sociocognitivos, a Filosofia estuda as rela-
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ções de poder, a História verifica a assistematicidade dos acontecimentos, a Antropologia estuda as identidades e a Sociologia pesquisa a nova configuração mundial. Como exemplo de pensadores da época temos: Freud, Lacan, Saussure, Chomsky, Foucault e Hall. Essa evolução gera uma necessidade de especialização e informatização da sociedade e gera uma nova categoria de agentes: os que detêm o saber técnico e científico. (MACHADO, 2009) A sociedade moderna transforma informação em virtualidade e a única coisa palpável são disquetes, CD-Roms, DVD-Roms ou Pen Drives, onde estão armazenadas as informações de usuários, desenvolvedores e programas que circulam socialmente em diferentes ferramentas, instituições e objetos que fazem parte do dia a dia. (MACHADO, 2009) É o surgimento dessas ferramentas e da internet – como fato imprescindível para a vida em sociedade criando redes sociais de comunicação – que intensifica a pluralização dos ambiente virtuais de aprendizagem (AVA), não somente como elemento de acesso à educação ou como recurso, mas também como prática educacional específica. A elaboração desses ambientes cria uma dinâmica incessante de possibilidades de acesso e potencializa o trabalho pedagógico inovador e a pesquisa.
3. Educação a distância: conceitos e características No Brasil, as bases legais para a modalidade de educação a distância foram estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996), que foi regulamentada pelo Decreto n. 5.622, publicado no D.O.U. de 20/12/05 (que revogou o Decreto n. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, e o Decreto n. 2.561, de 27 de abril de 1998) com normatização definida na Portaria Ministerial n. 4.361, de 2004 (que revogou a Portaria Ministerial n. 301, de 07 de abril de 1998). Conforme definição presente no Decreto 5.622, de 19.12.2005 (que revoga o Decreto 2.494/98), que regulamenta o Art. 80 da Lei 9394/96 (LDBEN), a Educação a Distância é a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. A legislação acompanhou o desenvolvimento da EaD e da tecnologia no país. Do mesmo modo, a Educação a distância acompanha o desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC´s) e também as teorias educacionais vigentes. Logo, se por um lado, no passado do cotidiano escolar, o ensino era tra-
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dicional, estruturalista, pautado na relação “estímulo-resposta”, inicialmente na EaD essas tendências foram transferidas para o ambiente on-line. Por outro lado, as tendências sócio-cognitivo-interacionistas atuais que emprestam seus conceitos para a coaprendizagem também fazem parte do desenvolvimento dos AVA. As salas de aulas tradicionais, aos poucos, vão adquirindo novas feições com o desenvolvimento de tecnologia móvel e, as salas de aula virtuais vão sendo inovadas. Se na Antiguidade o ensino era centralizado na figura do professor/ tutor ou preceptor, agora, há a descentralização e todos os participantes são coaprendizes no processo. A princípio, a EaD foi criado com o objetivo de oferecer educação a áreas remotas pelo sistema convencional, mas hoje essa é apenas uma das funções da modalidade. No Brasil, há um forte investimento nessa área a partir da década de 90, quando a EaD adquire algumas das características hoje conhecidas e deixa de lado a questão do acesso ao ensino regular, buscando qualidade, agilidade, expansão e inclusão global. Com base na tecnologia e na ampliação teórico-metodológica, é possível observar a aplicação de diferentes modelos educacionais no Brasil e no mundo: • Teleducação via satélite: une teleaulas, impressos, tutoria presencial e on-line e AVA (modelo originado no PEC-SEE-SP); • Ênfase no Polo de Apoio Presencial: une aulas e tutoria presenciais, tutoria on-line, impressos e AVA (utilizado inicialmente pelo MEC e UAB); • E-learning ou universidade virtual: conjuga conteúdo na web, tablet, impressos, tutoria on-line, AVA e avaliações presenciais (utilizado por muitas universidades virtuais) • Semipresencial: muito utilizado pelas instituições mais tradicionais. Possui aulas presenciais, DVD, impressos, tutoria presencial e on-line. Percebe-se que as instituições mais tradicionais ainda transferem os modelos de aulas tradicionais para o AVA e rejeitam também a ideia já consagrada de conteúdo aberto, partilha global e irrestrita de conhecimento e coaprendizagem contínua em plataforma aberta. Contudo, seja EaD ou seja presencial, em que consiste o ato de educar?
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Como vimos a princípio, em algumas civilizações, o ato de educar era restrito e relacionado diretamente com a função social e as castas. Tratava-se de um processo limitado a uma pequena parcela da população, era uma atividade linear e hierarquizada. Com a popularização da educação escolar e a sua instituição formal, o educar permaneceu linear, sistemático e hierarquizado até o início do séc. XX. Contudo, a tecnologia e a EaD possibilitaram a ampliação de referências, a partilha e novos olhares para essa antiga questão sobre “o educar”. Para Maturana (2009) o educar é um processo que mobiliza a convivência e transforma espontaneamente os sujeitos, de forma que seu modo de (con)viver se faz gradativamente com o outro no espaço de convivência. O educar é um processo que ocorre todo o tempo e de maneira recíproca, porque o educador que leciona também se educa. O mundo do educar, segundo o autor, sofre mudanças, mas o sistema de formação tem efeitos de longa duração que não mudam facilmente. Se for verdade que a educação é um movimento contínuo, podemos assumir que o conservadorismo no qual vivemos está em descompasso com o ritmo da sociedade. Quando analisamos a sociedade moderna líquida, como chama Bauman (2009), na qual tudo é ágil e efêmero, os educadores teriam de se preparar melhor para enfrentar transformações, mas para isso é preciso que estejam abertos e receptivos à mudança, à autonomia e ao diálogo. Um dos fatores predominantes para que ensino e aprendizagem ocorram é a extensão e qualidade da mediação, bem como a flexibilidade dos objetivos estru-
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turais da comunicação no diálogo, que deve ser de qualidade. Assim, o sucesso da educação a distância depende do modo como o diálogo é instituído, da escolha adequada do modelo, do engajamento de todos e do funcionamento das ferramentas. O processo de interação não pode ser uma mera recriação do ambiente tradicional de sala de aula, mas uma nova maneira de conceber o diálogo e o ambiente de ensino e aprendizagem. As TIC´s são ferramentas à disposição da educação para gerar um padrão curricular de qualidade, em que a utilização de televisão, vídeo, rádio, computadores e internet tornam-se aliados de um processo muito maior. As tecnologias educacionais constituem um enorme potencial para ampliar a qualidade do ensino e da aprendizagem, consubstanciando-se um grande investimento, não somente orçamentário, mas também pessoal. Docentes precisam investir na comunicação e na cocriação de um modelo que envolva a totalidade, pois a relação não será mais professor x aluno, mas será de uma rede de interações entre professores/tutores/conteudistas/alunos, ou seja, há a interface de todos-todos. Todos cocriando e colaborando para a ampliação da rede de conhecimentos, em que o papel e a função do professor/tutor torna-se fundamentais para criar muitas possibilidades de interação potencializadas pelas ferramentas on-line: Facebook, Google, bibliotecas virtuais, Whatsapp etc. Essa rede precisa mobilizar os sujeitos para tirá-los do silêncio e trazê-los para o centro da cena. A mediação é, assim, o cerne do processo, pois é ela que proporciona os momentos de interação de qualidade e pode também servir de elemento para análise do processo de ensino e aprendizagem. Inicialmente, o que ocorria no Brasil era a simples transferência do sistema formal de ensino para o AVA, modelo que ainda segue em algumas instituições. Nem sempre o professor criador do curso acompanha seu desenvolvimento e nem sempre há equipes ou empresas responsáveis pelas diferentes etapas de desenvolvimento de cursos on-line, que envolvem desenvolvedores, tutores e outros professores que se encarregam da função. Ou seja, em algumas instituições a situação dos sujeitos é hierarquizada entre professores e alunos.
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Circulação ampla
Interação conectividade conexão
Sujeitos
Informações
Registros amplos
Há muitas possibilidades de educação on-line, educação híbrida e modelos colaborativos, os quais possibilitam também que a educação de um modo geral seja revista, e, felizmente, mesmo os modelo mais tradicionais no Brasil e no mundo vêm mudando. Ambientes de trabalho abertos, por exemplo, surgem na web e, quando bem elaborados, a partir de parcerias adequadas, podem ser, em princípio, uma solução para os hiatos comunicacionais existentes nas redes educacionais interativas. Entretanto, diversas regiões do Brasil e do mundo ainda enfrentam problemas relacionados não somente à adequação e à verba, mas também à acessibilidade e disposição de conteúdos da internet. Para solucionar o problema das diversas regiões, seria preciso a instituição de políticas públicas globais que favorecessem a manutenção e o desenvolvimento das TIC´s em pé de igualdade, solucionando problemas técnicos, problemas de formação e adaptações de modelos educacionais que atendessem à diversidade populacional. Em quase todos os países seria importante que os interesses educacionais se sobrepusessem aos financeiros. Talvez, uma rede colaborativa internacional pudesse resolver e contribuir para metodologias coparticipativas adequadas a cada uma das regiões. A criação de redes que propiciassem formação global talvez atendesse à demandas importantes e contribuísse para a verdadeira aplicação da web. Além disso, a partilha de atitudes pode quebrar parâmetros e delinear novos paradigmas.
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A renovação de paradigmas requer a compreensão de que a utilização de multimeios em Educação é variada. Na atualidade, há inúmeras possibilidades de interação e comunicação com a utilização de recursos como Internet, computador, TV, materiais impressos, rádio, programas televisivos, tele/videoconferências, etc. Contudo, em atividades educacionais, o potencial dessa utilização somente será incorporado com planejamento pedagógico adequado, objetivos específicos e estratégias precisas. Os conteúdos sofrem alterações significativas de acordo com os objetivos e os recursos planejados para seu desenvolvimento. Para Kenski (2005), o mesmo conteúdo reage de forma diferente de acordo com o suporte, cujo papel é potencializar a mediação adequada, mas poderá beneficiar ou prejudicar o processo de ensino e de aprendizado, caso não seja adequadamente planejado e propício à situação comunicativa. Na educação, as tecnologias funcionam como meio e não como fim, são recursos didático-pedagógicos que devem contribuir para práticas educacionais eficientes. Esses recursos sempre existiram, mas seguiram a lógica sócio histórica e modernizaram-se, isto é, antigamente tínhamos como recursos lousa, giz, mimeógrafos, retroprojetores. Atualmente, a expansão tecnológica permite também a utilização dos recursos disponíveis socialmente como: aparelhos telefônicos móveis, tablet, drones, impressoras 3D, relógios, óculos etc. As mídias propiciam infinitas possibilidades de uso e aplicações, podendo ser combinadas ou inter-relacionadas. Impressos, áudio, vídeo podem servir de suporte a outros elementos como TV e internet, porque é importante que os elementos que compõem a EaD sejam dialógicos e hipertextuais. Os vídeos e teleconferências aproximam os interlocutores e compõem uma encenação real que facilita a interação. Quando o curso é composto por vídeos, aulas e conferências ao vivo ou gravadas, parece haver uma motivação maior por parte de cursistas e usuários, mas na realidade isso vai depender dos objetivos pedagógicos impostos pelo curso, criando uma rede interacional eficiente. A globalização e a utilização maciça das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) por toda sociedade se reflete na educação como parte integrante do cotidiano acadêmico-escolar. Não somente televisores, rádios e projetores, mas os próprios celulares, ipads, ipods e demais instrumentos que se integraram ao cotidiano possibilitam novas experiências educacionais, seja na EaD, seja no ensino convencional ou híbrido. Essas novas experiências tornaram-se possíveis porque, junto com os avanços dos recursos tecnológicos, ocorreu também uma maior acessibilidade à Internet. Dessa forma, foram surgindo novos espaços na web, capazes de propiciar dife-
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rentes maneiras de interação e comunicação, possibilitando, assim, um avanço significativo na oferta de cursos na modalidade a distância. Se a revolução industrial ressignificou a utilização do papel e massificou a indústria editorial, a revolução tecnológica ressignificou a utilização das máquinas como meio de comunicação e revolucionou o processo de interação, chegando ao conectivismo, o qual está à disposição das instituições educacionais e dos modelos de EaD possíveis. Essa mediação ressignificada trouxe também novos meios e processos de formação. Hoje, além de escolas e universidades, a EaD é utilizada também pelo universo corporativo para formação adequada dos profissionais, com flexibilidade de horário para a melhor qualificação dos prestadores de serviços e das empresas. Essa inovação possibilita a EaD via internet e, segundo Machado (2009), reúne vantagens para os educandos e educadores, tais como: • flexibilidade de horário e locais de acesso; • atividades simultâneas ou gravadas; • arquitetura dinâmica do curso e dos métodos didático- pedagógicos; • maior contato entre os atores do processo educacional; • armazenamento de materiais digitais; • acesso à pesquisas e a websites; • alcance a pessoas de qualquer parte do mundo; • ambientes simples de aulas; • interação, criando a presença social entre alunos, professores e tutores; • aumento da quantidade de pesquisadores na área; • cursos mais interativos; • facilidade de utilização de ferramentas computacionais; • variedade de cursos: graduação, extensão, pós-graduação, ensino de idiomas etc. Esses tópicos tornam-se ainda mais inovadores, se os comparamos às primeiras comunicações via computador, que ocorreram nas décadas de 60 e 70, em que a conexão era feita via linhas telefônicas. As conexões para essa configuração nova só começam na década de 90, tornando a internet mais popular. (MOORE e KEARSLEY, 2007)
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Aos poucos, a web evolui e com ela o desenvolvimento da EaD, como observamos no quadro abaixo: Quadro 2 – A evolução da web e EaD
(Com base em: http://pt.slideshare.net/VitorGonalves9/educao-para-a-sociedade-digital-in-seminrio-literacias-leitura-e-digital-rede-de-bibliotecas-de-vizela. Acesso em: 21 mai. 2015.)
O progresso tecnológico levou computadores e softwares gradativamente à posição essencial na vida dos cidadãos, criando espaços para aprendizado autônomo, discussão, ensino e diversão. Entretanto, na Web 1.0, o ensino era feito como reprodução do ensino tradicional. Na Web 2.0, os conteúdos tornam-se mais flexíveis, os processos interativos mais dinâmicos e as plataformas de aprendizagem começam a utilizar jogos e interações síncronas como videoconferências, por exemplo. A Web 3.0, ainda em processo de absorção pela EaD, além de utilizar todos os multimeios, também faz uso de redes sociais e simuladores sociais como “Second Life”, criando sistemas semânticos e redes de comunicação mais complexas e dinâmicas com a utilização de ferramentas como Facebook, Whatsapp, Hangout etc. Logo, as interações síncronas, quando há comunicação em tempo real, além de ocorrerem via teleconferência e chats, ocorrem também por meio de redes
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Unidade 4 – Perfil dos profissionais de EaD
INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Esta obra analisa a filosofia e epistemologia da educação a distância, apresentando seus conceitos e características. O leitor será convidado a entender a relação entre educação e educação a distância no contexto das novas tecnologias. O campo da educação a distância tem ganhado mais e mais destaque ao longo dos anos, e, portanto, é tratada ainda a correspondência aos ambientes virtuais de aprendizagem, além do marco regulatório do EaD no Brasil e do perfil profissional do educador a distância.
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