DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO ESPECIAL – A RELAÇÃO ESCOLA, FAMÍLIA E ALUNO
DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO ESPECIAL – A RELAÇÃO ESCOLA, FAMÍLIA E ALUNO
Desenvolvimento da Aprendizagem Apresentação na Educação Especial II
Apresentação Um conteúdo objetivo, conciso, didático e que atenda às expectativas de quem leva a vida em constante movimento: este parece ser o sonho de todo leitor que enxerga o estudo como fonte inesgotável de conhecimento. Pensando na imensa necessidade de atender o desejo desse exigente leitor, a Cengage Learning criou este produto voltado para os anseios de quem busca informação e conhecimento com o dinamismo dos dias atuais. Com esses ideais em mente nasceram os livros eletrônicos da Cengage Learning, com conteúdos de qualidade, dentro de uma roupagem criativa e arrojada. Em cada título é possível encontrar uma abordagem abrangente de temas, associada a uma leitura agradável e organizada, o que visa facilitar o aprendizado e a memorização de cada disciplina. A linguagem dialógica aproxima o estudante dos temas explorados, promovendo a interação com o assunto tratado. Ao longo do conteúdo, o leitor terá acesso a recursos inovadores, como os tópicos Atenção, que o alertam sobre a importância do assunto abordado, e Para saber mais, que apresenta dicas interessantíssimas de leitura complementar e curiosidades bem bacanas, que aprofundam a apreensão do assunto, além de recursos ilustrativos que permitem a associação de cada ponto a ser estudado. Ao clicar nas palavras-chave em negrito, o leitor será levado ao Glossário, para obter acesso à definição da palavra. Para voltar ao texto, no ponto em que parou, o leitor deve clicar na própria palavra-chave do Glossário, em negrito. Esperamos que você encontre neste livro a materialização de um desejo: o alcance do conhecimento de maneira objetiva, concisa, didática e eficaz. Boa leitura!
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Desenvolvimento da Aprendizagem Prefácio na Educação Especial II
Prefácio Sabemos que o processo de desenvolvimento e de aprendizagem das pessoas portadoras de necessidades especiais foi tortuoso ao longo do tempo, em razão das dificuldades relacionadas ao acesso e inclusão. Lutas foram travadas e muito se suportou para que algum avanço fosse identificado. Apesar de haver ainda muito o que aprimorar, podemos dizer que a sociedade evoluiu na outorga de direitos e garantias às pessoas portadoras de deficiência. A adaptação para a otimização das conquistas ainda está em curso. No setor da educação, por exemplo, fala-se sobre a profissionalização específica dos docentes e de ambientes devidamente preparados, que facilitem a aprendizagem dos indivíduos pertencentes a este grupo. A disciplina Desenvolvimento da Aprendizagem na Educação Especial visa apresentar uma abordagem didática para tratar da questão. Na Unidade 1, vamos explorar um pouco sobre a participação da família e estudar assuntos como a definição dessa instituição, da relação escola-família e das famílias de estudantes público-alvo da educação especial. Por meio da Unidade 2, vamos falar um pouco sobre o papel do professor, o seu perfil no contexto da escola inclusiva e o conceito de educação inclusiva. Já na Unidade 3, vamos tratar sobre um tema importante: a formação do professor. Um debate interessante sobre a formação do docente na atuação da educação inclusiva. Por fim, na Unidade 4, a abordagem se volta para a profissão docente e a sua relação com o processo de ensino-aprendizagem e a aquisição de novas possibilidades de reconstrução da prática pedagógica. Bons estudos.
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Unidade 1 – Aprendizagem e a relação escola, família e aluno
UNIDADE 1 APRENDIZAGEM E A RELAÇÃO ESCOLA, FAMÍLIA E ALUNO Capítulo 1
Introdução, 10
Capítulo 2 Definição de família, 11 Capítulo 3
A relação escola-família, 15
Famílias de estudantes público-alvo da educação especial e a relação com a escola, 20
Capítulo 4
Capítulo 5
Conclusão, 24
Glossário, 26
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Desenvolvimento da Aprendizagem na Educação Especial II
1. Introdução Para iniciarmos os estudos sobre Desenvolvimento da Aprendizagem na Educação Especial, vamos pensar em uma tríade bastante importante e que está intimamente relacionada à escola: trata-se da relação escola, família e aluno. família
aprendizagem escola
aluno
A família desempenha papel importante no desenvolvimento da aprendizagem dos estudantes. Pesquisas realizadas indicam que algumas dificuldades que estudantes enfrentam, como atraso na aprendizagem de alguns conteúdos, podem ter ligação com as relações parentais e a escola. Muitos acreditam que os pais ou responsáveis não têm responsabilidade ou condições de auxiliar os filhos, ou que a intervenção deles não auxilia na aprendizagem, o que não é verdade. Além disso, é importante pensar que alguns problemas, como chegar atrasado na escola, excesso de faltas etc., nem sempre são contratempos somente da criança, mas podem também estar relacionadas a família, o que acaba por interferir na aprendizagem do aluno. Buscaglia (1997) afirma que a família tem um papel muito importante na definição e formação da personalidade, na moral e na evolução social, estando intimamente ligada ao desenvolvimento da personalidade e do comportamento humano.
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ARA SABER MAIS! Você já parou para pensar em quem é a família dos seus estudantes? Qual seria a importância da relação entre escola, aluno e família? E quanto à família de uma criança com deficiência? E de uma criança com transtornos globais do desenvolvimento (TGD) ou altas habilidades ou superdotação? Qual seria a importância de conhecer a família desse estudante? Quais implicações isso traria para o desenvolvimento da aprendizagem? Faça uma pesquisa na internet e reflita sobre as respostas a estas perguntas.
Ao longo deste conteúdo vamos, igualmente, desenvolver essas e algumas outras reflexões.
Unidade 1 – Aprendizagem e a relação escola, família e aluno
2. Definição de família Observe as imagens a seguir:
O que essas imagens têm em comum? E o que difere entre elas? Todas ilustram famílias. A partir dessas figuras, como é possível definir “família”? A família nuclear, “tradicional”, composta por pai, mãe e filhos ainda é um modelo bastante encontrado. De acordo com Martins e Szymanski (2004), esse modelo, em grande parte das sociedades industrializadas, caracteriza-se pela atribuição de papéis a cada um dos membros: aos homens cabe prover o sustento; as mulheres se incumbem dos afazeres domésticos e da educação dos filhos; e os filhos devem obedecer aos pais. Assim, outros costumes se deram em decorrência desse modelo de família:
• mudanças no hábito alimentar; • inserção da mulher no mercado de trabalho; • ida das crianças para a escola, creches ou outros tipos de instituições mais precocemente. Contudo, o conceito de família não pode tomar esse modelo como base, visto que outras estruturas também podem ser definidas como família, conforme ilustram as figuras.
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Atualmente, as relações são diferentes de como eram há algum tempo, o que implica configurações de família que não são características do perfil tradicional, ou seja, composta por pai, mãe e filhos. Ainda, tais relações variam de família para família e envolvem outras diferenças, tais como estrutura, variação de localidade, região, classe econômica, entre outros fatores. Ainda nessa perspectiva, Szymanski (2002, apud MELCHIORI; RODRIGUES; MAIA, 2014) define que, para ser considerada “família”, não é necessário aplicar os “laços de sangue” como critério. A família pode ser caracterizada como um conjunto de pessoas que convivem e cuidam mutuamente dos membros desse grupo. Melchiori, Rodrigues e Maia (2014) pontuam ainda que, independentemente da configuração, a família é essencial para o ser humano. Assim, as autoras, ao citar Szymanski (2002 apud MELCHIORI; RODRIGUES; MAIA, 2014), destacam alguns tipos de família:
• família nuclear com filhos biológicos; • família extensa, com várias gerações; • família adotiva; • casal heterossexual sem filhos; • família monoparental; • família de casal homossexual (com ou sem filhos); • família reconstituída depois de divórcio; • pessoas que vivem juntas, sem laços legais, independentemente de parentesco, mas com cuidados mútuos entre os membros. Há também a família simultânea, que acontece quando uma pessoa mantém mais de uma família. Além desses tipos de família, a sua caracterização é influenciada por outras variáveis, como os laços legais, dependência ou independência econômica, entre outras. Assim, há uma diversidade de fatores que podem distinguir a formação da família e que podem ser a realidade dos estudantes. Levando-se em conta a pesquisa realizada com crianças internas na Fundação Casa, em estado de abandono, Martins e Szymanski (2004) analisaram a concepção que essas crianças têm de família. Com a observação que as pesquisadoras realizaram no desenvolvimento da pesquisa, constataram que, nas brincadeiras de faz de conta, as crianças apresentaram o modelo de família nuclear, apontando papéis de pai, mãe, filhos e rotina organizada, mesmo não sendo essa a realidade de vida delas. As autoras ainda realçam que, mesmo advindas de famílias conturbadas e, muitas vezes, convivendo com pessoas que não têm nenhum grau de
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parentesco ou aspectos consanguíneos, essas crianças apresentaram, em suas brincadeiras, uma família harmoniosa. Por fim, Martins e Szymanski (2004) concluem que esse modelo de família que as crianças trouxeram em suas representações é o modelo veiculado pela mídia, desde desenhos animados até novelas, propagandas na televisão, outdoors, revistas etc. Assim, pode-se dizer que o padrão de família “margarina”, da família feliz, composta por pai, mãe e filhos, com papéis bem delineados, é marcante na sociedade atual, mesmo que existam outras estruturas familiares e nem todos tenham essa família, que, conforme já vimos, pode se constituir de diversas formas. É importante ter em vista que a família influencia o desenvolvimento e a aprendizagem dos estudantes, e o trabalho em parceria com a escola pode ser positivo para esse desenvolvimento. Bronfenbrenner propõe um modelo ecológico de desenvolvimento humano, em que um novo olhar é dado à pessoa em desenvolvimento. Esse modelo é chamado de bioecológico e considera a interação entre organismo e ambiente, bem como as características biopsicológicas da pessoa em desenvolvimento. Assim, Bronfenbrenner apresenta quatro aspectos desse modelo que estão interligados e estes são: pessoa, processo, contexto e tempo. O aspecto pessoa está relacionado basicamente às mudanças que acontecem na vida do indivíduo em desenvolvimento. Por sua vez, o aspecto processo diz respeito às interações e relações dos papéis e atividades da pessoa em desenvolvimento. O aspecto contexto se refere ao local onde acontecem os processos desenvolvedores e ao local em que a pessoa em desenvolvimento está inserida. Finalmente, o aspecto tempo está relacionado à questão do desenvolvimento histórico. Tais acontecimentos podem ter influência direta no desenvolvimento de uma pessoa. Por exemplo, fatos que acontecem na família, como mudanças, nascimento de uma criança, divórcio, entre outros, afetam o desenvolvimento do indivíduo.
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De acordo com Bronfenbrenner, as ações que acontecem na família, como o brincar com as crianças, interagir com outras crianças da família e praticar exercícios são exemplos de atitudes que envolvem processos proximais e que interferem no desenvolvimento humano. Além disso, as práticas educativas que ocorrem na família podem favorecer positivamente o desenvolvimento da criança (MARTINS; SZYMANSKI, 2004b). Em um estudo realizado por Martins e Szymanski (2004b), as pesquisadoras constataram que as relações entre o ambientes onde as famílias estão presentes, como creches e escolas, interferem-se mutuamente. Esses locais fazem parte de um sistema, definido por Bronfenbrenner como macrossistema, e que acabam por influenciar no desenvolvimento humano. Em outro estudo realizado por Szymanski (2006), a pesquisadora observou que alguns fatores, tais como a baixa escolaridade, especialmente presente nas famílias de baixa renda, influenciam nas práticas educativas com os filhos e nas relações familiares. Atrelado a isso, está o fato de esses pais adotarem práticas de cunho violento com seus filhos, o que influencia no desenvolvimento social, cognitivo e afetivo dessas crianças. Assim, é possível constatar que a família tem grande participação na questão do desenvolvimento humano e formação da criança como sujeito, tendo em vista os aspectos do desenvolvimento cognitivo, social, emocional e afetivo. Ainda, a família influencia e sofre influência de outras instâncias, como a escola e as relações travadas em seu ambiente. É importante, portanto, para o desenvolvimento da criança, que família e escola dialoguem, sejam parceiras, a fim de promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes e corroborar a aprendizagem desses estudantes.
Unidade 1 – Aprendizagem e a relação escola, família e aluno
Nessa perspectiva, na próxima seção, vamos refletir sobre a relação escolafamília. É importante ter em vista que a escola absorve estudantes provenientes de diferentes famílias, com estruturas, organizações e relações diferenciadas entre si, relacionadas à formação do estudante. Se na minha sala de aula há 30 alunos, é preciso ter consciência de que essas crianças são provenientes de famílias diferentes, com práticas educativas e relações afetivas diversas, o que não pode ser “dissipado” na escola.
3. A relação escola-família Antes de iniciar este tópico, convém indagar: você já se perguntou sobre essa relação, entre a escola e a família? Qual o impacto de uma boa relação entre a escola e a família na aprendizagem do aluno? E se o aluno for público-alvo da educação especial? O que é necessário considerar? A relação escola-família tem sido bastante discutida no cenário brasileiro, tanto no sistema escolar, em si, quanto no meio acadêmico. Tais estudos se fazem necessários, pois, conforme pontuam Montandon e Perrenoud (1987), a escola está presente na vida cotidiana de cada família, seja de forma mais presente ou mais tímida. Assim, tendo em vista que as famílias diferem, como já pontuado, tais relações também são diferentes, sendo influenciadas por fatores como classe social, número de filhos, ocupação dos pais, estrutura, entre outros. Nos dias de hoje, tem-se constatado a necessidade de estabelecer um diálogo entre a família e a escola, já que elas podem trabalhar juntas para que a aprendizagem dos alunos, portadores ou não de deficiência, se desenvolva, sendo público-alvo da educação especial ou não. A configuração, a estrutura e a relação da escola com a família mudaram com o tempo; hoje, a escola acaba se responsabilizando pela formação do estudante em sua totalidade, pois alguns valores que poderiam ser trabalhados pela família são transferidas para o âmbito escolar. Faz-se necessário um trabalho de colaboração e cooperação entre a escola e a família, a fim de se atingir o objetivo maior, que é promover o desenvolvimento do estudante. Embora existam diferenças entre os objetivos de cada uma dessas instituições, as duas devem trabalhar de forma complementar, visto que ambas influenciam a vida e o desenvolvimento das crianças.
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É importante conhecer as diferentes estruturas familiares, pois a escola absorve alunos oriundos de famílias com formações completamente diferentes; se em uma sala de aula há x alunos, existem ali x famílias diferentes, com peculiaridades e características próprias. Às vezes, a estrutura até pode ser igual, em termos de formação, mas as relações entre os membros dessa família são únicas. Vale retomar a definição de família proposta por Szymanski (2002) como um grupo de pessoas que vivem juntas, tendo cuidado mútuo uns com os outros, por razões afetivas. A parceria escola-família é importante para que os estudantes se desenvolvam, visto que ambas as instituições não são isoladas, mas, sim, há influência de uma sobre a outra. As relações existentes na escola acabam refletindo na família e vice-versa. Além disso, a família pode ser considerada um elemento que tem forte influência na questão da obtenção de resultados na escola e também nas relacionadas ao comportamento (BHERING; SIRAJ-BLATCHFORD, 1999). A família é considerada como um elemento importante que está relacionado ao desenvolvimento e ao sucesso escolar, visto que é o primeiro grupo em que o indivíduo é inserido (FIAMENGUI JUNIOR; MESSA, 2007). Nesse sentido, é importante que se estabeleça a parceria entre ambas as instituições. Szymanski (2011) esclarece que a escola, assim como a família, desempenha um papel fundamental na formação do indivíduo enquanto futuro cidadão, preparando esse estudante para estar inserido na sociedade, exercendo seus deveres e direitos. A autora ainda ressalta que essas duas instituições são os primeiros espelhos e primeiros mundos com os quais temos contato; aprendemos tanto na escola, quanto na família, comportamentos que são socialmente aceitos, posturas etc. Porém, o ensino dos conteúdos relacionados às áreas do saber, como Matemática, Ciências etc. é de responsabilidade da escola. Szymanski (2011) esclarece que tanto a escola como a família precisam acolher essa criança e passar respeito, confiança e amor. Contudo, nem sempre as famílias conseguem, tendo em vista as inter-relações que acontecem em seu âmbito (por razões econômicas, sociais, emocionais etc.). A escola pode ser o local onde as crianças têm acesso a um ambiente diferente do familiar, que muitas vezes tem problemas. A escola permite que esses estudantes tenham acesso a relações interpessoais humanas, estáveis e amorosas (SZYMANSKI, 2011), visto que a ação educativa de ambas as instituições é diferente – tanto em “conteúdos” quanto nos métodos utilizados, nas relações e nos laços entre as pessoas.
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Szymanski (2011) afirma que as estratégias de socialização familiar, por sua vez, dependem da classe social a que a família pertence, visto que tais práticas podem ser complementares àquelas praticadas na escola ou não, auxiliando e corroborando o processo de ensino e aprendizagem. Por exemplo, pode ser prática em algumas famílias estimular a leitura, fomentar a alfabetização, incentivar a prática de atividades físicas, entre outras atividades. A autora, citando Bouchard (1988), pontua que além das diferenças nas estruturas, há também diferença no modelo educativo, que pode se dar de três formas: racional, humanista ou simbiosinérgico. A forma racional é aquele modelo em que os pais decidem pelos filhos; são geralmente autoritários e fazem uso da submissão e da ordem. No modelo humanista, os pais não são autoritários; eles dão à criança o direito de escolha, de decisão. Conforme Szymanski (2011) pontua, nesse modelo educativo, a família reconhece as potencialidades e habilidades das crianças e as estimula, encoraja. O simbiosinérgico é um modelo caracterizado por existir uma “cogestão”, sendo os membros da família (pais e filhos) parceiros. Aqui, pais e filhos reconhecem seus erros; as crianças são educadas de forma a ter consciência do que as ações realizadas geram; pais e filhos trocam experiências, vivências, emoções. Szymanski ressalta que esses modelos não são puros; ou seja, um desses modelos educativos pode predominar, mas coexistir como os outros. Assim, uma família pode ter o modelo humanista como predominante, mas com traços do simbiosinérgico ou do racional. Outro ponto para o qual ela chama a atenção é que esses modelos não estão presentes somente na instituição família; estão também na instituição escola, no que se refere ao tratamento que a escola dá aos pais ou responsáveis pelos alunos, quanto à abertura e possibilidades de participação da vida escolar e das atividades inerentes a essa instituição. Nesse sentido, a escola também pode ter como predominante o modelo educativo racional, humanista ou simbiosinérgico.
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TENÇÃO! Nas escolas, os traços desses modelos são: Racional: são as escolas mais fechadas, que tomam as decisões por si só, sem levar em consideração a opinião dos pais ou responsáveis pelos alunos e comunidade; Humanista: as famílias podem participar das decisões da escola; há empatia entre as duas instituições – família e escola; Simbiosinérgica: nesse modelo, as escolas reconhecem e valorizam as famílias; há uma relação de interdependência entre ambas.
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Assim, é possível pensar que, se uma família possui um modelo educativo predominante e a escola outro, diferente, podem haver entraves entre pais ou responsáveis e a escola. Os entraves e conflitos entre as duas instituições podem ser originados das diferenças de modelo predominante, valores que possuem, classe social, entre outros fatores que podem interferir nessa relação. É importante realçar que famílias de classes sociais mais altas, que têm a possibilidade de escolha, podem decidir em manter ou não os filhos em uma escola cujo modelo educativo seja diferente daquele predominante na família. Porém, isso não é possível para famílias de classes sociais mais baixas (SZYMANSKI, 2011). No caso dos professores, é muito importante que conheçam esses modelos, visto que na sala de aula, há x alunos, provenientes de x famílias diferentes. Assim, é relevante que conheçam tanto os modelos nos quais a escola pauta a sua visão e forma de tomar decisões quanto os da família, já que saber lidar com as visões diferentes pode vir a corroborar o processo de ensino e aprendizagem das crianças e adolescentes matriculados na escola, a fim de minimizar o fracasso e o insucesso escolar. Nesse sentido, antes de fazer prejulgamentos de que a criança não aprende ou não se desenvolve por ter a família desestruturada, ou por ter pais autoritários, ou por outros motivos, é preciso conhecer as formas de organização dessa família e o modelo educativo adotado, a fim de buscar os melhores meios de firmar uma parceria entre ambas as instituições. Afirmar que o insucesso ou fracasso escolar de um estudante é causado pela forma como essa família se estrutura nem sempre é correto; o fator “estrutura familiar” pode não ser o determinante do fracasso e da indisciplina. Além disso, se a família age de forma violenta com a escola, é preciso perceber e reconhecer que as crianças apenas agem da forma como são tratadas (com violência, por exemplo). No que se refere ao acompanhamento dos filhos, nem sempre é feito “de perto” pelas famílias, visto que os pais e responsáveis podem ter várias horas do dia ocupadas no trabalho, ou ainda, a baixa escolaridade. Szymanski (2011), com base em várias pesquisas na área, constatou que algumas famílias de baixa renda veem o “estudo” como sinônimo de aprender a ler e a escrever para se inserir no mercado de trabalho. Muitos também não compreendem prazos dados pela escola, como matrícula, recebimento de material didático etc. Ainda, essas famílias, às vezes, podem não ser tão presentes na escola pelo fato de as reuniões pedagógicas, reuniões de pais e mestres acontecerem no mesmo período que seu expediente. A participação das famílias corrobora o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes; contudo, é necessário traçar estratégias a fim de trazer essas famílias para a escola e permitir que ambas as instituições sejam parceiras. Da parte da escola, é importante que esta não veja a instituição família com preconceito, ou que faça julgamentos prévios. É preciso estudar, pesquisar e tentar adequar a
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melhor forma de trazer e aproximar essa família para a escola. Ainda, é preciso educar o “olhar” da família perante a escola, colocando a importância desta, da necessidade do cumprimento de prazos e também dos aspectos burocráticos. Por exemplo, se o aluno se atrasa para chegar à escola, a família deve ser notificada e um trabalho de conscientização da importância de cumprir os horários realizado. O respeito entre ambas instituições (escola e família) deve ser criado, de forma a garantir a parceria e corroborar a aprendizagem. De acordo com Bhering e Siraj-Blatchford (1999), um pesquisador (Epstein) criou um diagrama que representa a relação escola-família. Este diagrama é composto por três forças: A, B e C. Família e escola podem, juntas, atuar em prol do desenvolvimento dos estudantes. A força A está relacionada à faixa etária e à série em que a criança se encontra. A força B, por sua vez, está ligada às questões da contribuição dos pais. Já a força C, tem relação com os professores e suas filosofias, vivências, experiências e métodos. Tais forças são, para o autor, consideradas interdependentes. Além dos modelos educativos já pontuados, os pais podem se envolver com a escola de cinco formas diferentes (BRANDT, 1989; BHERING; SIRAJ-BLATCHFORD, 1999), que podem ir desde a garantia de segurança e saúde, perpassando pelo voluntarismo dos pais em relação à escola; do envolvimento dos pais frente às questões de rendimento escolar, até as questões de tomada de decisões, como participação em associações de pais e mestres, por exemplo. É possível concluir, a partir das pesquisas realizadas na área, que a participação dos pais ou responsáveis na vida escolar dos filhos é muito importante para o desenvolvimento deles; tal participação pode se dar no comparecimento às reuniões, atendendo às comunicações de ambas as instituições, acompanhamento dos deveres e participação nas atividades da escola, bem como decisões. Porém, conforme foi pontuado anteriormente, há vários outros fatores que interferem nessa relação. Carvalho (2004) esclarece que essa relação depende tanto do consenso de ambas as instituições sobre filosofia e currículo, objetivos e práticas escolares quanto da satisfação ou insatisfação dos pais frente ao rendimento escolar dos filhos. Carvalho afirma que é uma relação permeada por conflitos e tensões, visto que, ao mesmo tempo que se almeja que os pais participem, professores podem não gostar quando essa relação adentra o trabalho pedagógico ou a atividade profissional deles; ainda, há famílias que participam mais que outras. Assim, é preciso fomentar essa relação de participação, a fim de propiciar o desenvolvimento da aprendizagem dos estudantes matriculados na escola (CARVALHO, 2004; OLIVEIRA, 2010). E nas relações entre famílias e estudantes público-alvo da educação especial? Vamos discutir essas relações no próximo item.
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4. Famílias de estudantes público-alvo da educação especial e a relação com a escola De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), esses estudantes são aqueles com:
• Deficiências; • Transtornos globais do desenvolvimento; • Altas habilidades ou superdotação. É importante termos sempre em mente quem são esses alunos, visto que iremos discutir a relação entre a família desses estudantes e a escola em que estudam. A chegada de uma criança muda a rotina e o cotidiano da família, podendo gerar mudanças na estrutura familiar como um todo. Alguns autores, como Brandt, definem que, para a família nuclear, o nascimento de uma criança tem consequências profundas no sistema familiar, desde mudanças na rotina até emoções, sentimentos etc. Essa mudança para a parentalidade tem relação com a mudança de identidade de marido e mulher para pai e mãe. Há alteração também em relação aos outros membros da família (pais se tornam avós; irmãos, tios etc.). Além disso, há ligação entre a personalidade da criança e a relação dos pais. Por exemplo, as atitudes que os pais ou responsáveis tomam no âmbito familiar podem gerar percepções diversas nas crianças, tornando, muitas vezes, crianças da mesma família diferentes entre si. Essa chegada de uma nova criança à família pode ser planejada ou não, e pesquisadores esclarecem que os filhos podem ser planejados, de acordo com o cotidiano dos pais, ou não, gerados devido a crises no casal, para substituir alguma expectativa ou outros motivos (FIAMENGHI JUNIOR; MESSA, 2007; GLAT, 1997; SÁ; RABINOVICH, 2006). Geralmente, há expectativas sobre o nascimento de uma criança: pensa-se no sexo do bebê, em como será fisicamente, características da personalidade, enfim.
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É comum fantasiar sobre essa criança que está por vir, havendo já alterações na rotina, pensando-se em como garantir os cuidados a essa criança. No caso de uma criança com deficiência, pesquisadores pontuam que há um confronto com a expectativa dos pais, sendo essa situação, para a família, muitas vezes uma surpresa implicando mudanças de planos, alteração de rotina e de significado dessa parentalidade antes imaginada de uma forma e, agora, modificada, visto que a presença de uma criança com deficiência demanda cuidados e organização para que suas necessidades sejam atendidas. Esse processo não é igual para todas as famílias; algumas aceitam em menos tempo, outras, podem levar vários anos. Glat (1997) ressalta que, ao descobrir que a criança possui alguma deficiência, instaura-se na família uma crise, devido a essas mudanças de planos e, ainda, os sentimentos podem ser polarizados (euforia/depressão, aceitação/rejeição etc.) (GLAT, 1997). Ao saber que uma criança com deficiência está por vir, a família pode vivenciar algumas fases: a negação, a adaptação e a aceitação. A negação consiste, como o próprio nome já diz, em não aceitar, em negar a condição dada pelo diagnóstico. Nessa fase, a família não se encontra preparada para receber essa criança com deficiência. Após superar esse período, passam pela fase chamada de adaptação. Esse momento consiste em buscar caminhos para entender a deficiência, buscando apoio de profissionais e de outras famílias. A fase subsequente é a chamada fase de aceitação, em que a família aceita a deficiência e tem uma visão mais realista de suas limitações e potencialidades. Observa-se que muitas famílias ainda mantêm uma postura de proteção exacerbada em relação a essas crianças (BATISTA; FRANÇA, 2007). Vários pesquisadores realizaram estudos tendo em vista a presença de uma criança com deficiência na família. Há vários aspectos decorrentes dessas pesquisas, tanto positivos quanto negativos. Alguns constataram que essas crianças não apresentam comportamentos vistos como “problemas”, como vício em drogas e gravidez na adolescência; contudo, desencadeiam na família preocupações quanto a cuidados médicos e complicações de saúde. O relacionamento com irmãos com deficiência nem sempre é pautado na deficiência; esta pode ficar em segundo plano, dependendo da forma como são as relações entre os membros dessa família. Além disso, os outros membros da família podem desenvolver a maturidade, a responsabilidade, o sentimento de cuidado em relação ao outro, entre outras características. No caso de famílias com crianças com autismo, irmãos podem apresentar mais comprometimento na qualidade de vida, se comparados a irmãos de crianças que apresentam problemas na fala. Alguns autores pontuam a necessidade de acompanhamento com profissionais como psicólogos, visto que pode ser uma experiência tida como conflitiva (HANSON, 2003; LOBATO; FAUST; SPIRITO, 1988; CATE; LOOTS, 2000; MARCIANO; SCHEUER, 2005
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DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO ESPECIAL – – A RELAÇÃO ESCOLA, FAMÍLIA E ALUNO
O objetivo principal desta obra é tratar a aprendizagem de uma forma ampla: sua relação com a escola, a família e o aluno. A obra conta ainda como é o professor no contexto da escola inclusiva – reflexões sobre sua formação e suas implicações na aquisição do conhecimento, por meio de sua identidade profissional, seu conhecimento sobre o desenvolvimento organizacional e gestão escolar. O leitor entenderá melhor a relação do processo ensino e aprendizagem e como a aquisição de novas possibilidades de reconstrução permanente afetam sua prática pedagógica.