JORNAL DO COMITÊ DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO SÃO FRANCISCO / MAIO 2026
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Manifesto pela integração da bacia marca encontro de comitês afluentes
Sistema inovador transforma abastecimento em comunidade quilombola
Confira a entrevista com Erik Cavalcanti sobre o PIRH
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Notícias do São Francisco 02
EDITORIAL Um rio. Muitas mãos. Um compromisso coletivo. Defender o Rio São Francisco é uma tarefa que exige união, diálogo e compromisso permanente. Em uma bacia marcada por desafios históricos e, ao mesmo tempo, por uma imensa riqueza ambiental, cultural e humana, cada ação realizada em defesa das águas representa também um investimento no futuro das pessoas que vivem e dependem do Velho Chico. Nesta edição do Travessia, apresentamos iniciativas que refletem esse compromisso coletivo. São obras de saneamento rural que levam dignidade e saúde para comunidades ribeirinhas da Bahia; sistemas de abastecimento que garantem água de qualidade para populações quilombolas; projetos de revitalização ambiental que fortalecem a segurança hídrica; e avanços importantes na construção de um Plano Integrado de Recursos Hídricos para toda a bacia do São Francisco. Mais do que obras e projetos, essas ações representam cuidado com a vida. Representam o esforço conjunto de comunidades, instituições, poder público, usuários de água e sociedade civil organizada para preservar um
03 de junho:
Uma corrente em defesa do Velho Chico
No dia 03 de junho, Dia Nacional em Defesa do Velho Chico, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco promove mais uma edição da campanha Eu Viro Carranca para Defender o Velho Chico, que neste ano traz o tema: “Velho Chico. Um rio. Muitas mãos.” A mobilização acontece simultaneamente nas cidades de Paracatu (MG), Érico Cardoso (BA), Juazeiro (BA) e Canindé de São Francisco (SE), reunindo cultura, educação ambiental, arte, conscientização e participação popular em uma grande corrente de cuidado e pertencimento. Serão apresentações culturais, oficinas, atividades educativas e ações ambientais que reforçam a importância de preservar um rio essencial para milhões de brasileiros. As programações completas de cada cidade já estão disponíveis no site do CBHSF. Acesse, confira e participe dessa grande mobilização em defesa do São Francisco. Vire carranca. Defenda o Velho Chico. Acesse todas as informações em virecarranca.com.br
dos rios mais importantes do Brasil. E é justamente esse espírito de união que inspira mais uma edição da campanha Eu Viro Carranca para Defender o Velho Chico, que neste ano traz como tema: “Velho Chico. Um rio. Muitas mãos.” No dia 03 de junho, Dia Nacional em Defesa do Velho Chico, estaremos mobilizados em diferentes cidades da bacia, promovendo cultura, educação ambiental, conscientização e participação popular. Mais do que um evento, a campanha é um chamado para que cada pessoa reconheça seu papel na preservação do rio da integração nacional. Convido todos vocês a participarem dessa corrente em defesa do São Francisco. Porque cuidar do Velho Chico é cuidar da nossa história, das nossas comunidades e das futuras gerações. Cláudio Ademar
Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco
Notícias do São Francisco 03
CBHSF ENTREGA SISTEMAS DE SANEAMENTO RURAL E TRANSFORMA A REALIDADE DE COMUNIDADES RIBEIRINHAS NA BAHIA
Texto e fotos: Tamiris Batista
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) entregou, no final do mês de abril, obras de saneamento rural que beneficiam 235 famílias dos municípios de Gentio do Ouro e Xique-Xique, no médio São Francisco. A iniciativa integra um programa voltado à melhoria da saúde, da segurança alimentar e da preservação ambiental nas comunidades ribeirinhas. Ao todo, 12 localidades foram atendidas: Pedra Vermelha e Buriti, em Gentio do Ouro, além de Lagoa do Gomes, Malhadinha, No Bento, Morro das Cobras, Sacos do Boi, Alto do Amparo, Bom Viver, Estreito, Alto do Grande e Mata Boi, em Xique-Xique. Os sistemas implantados incluem módulos sanitários completos e fossas sépticas ecológicas, que permitem o tratamento adequado do esgoto doméstico, evitando a contaminação do solo e protegendo os recursos hídricos. Mais de R$ 4,9 milhões foram investidos nas ações. O presidente do CBHSF destacou a importância do envolvimento das comunidades na conservação das estruturas implantadas e na continuidade das ações de saneamento rural. “Estamos falando de obras que beneficiam mais de 200 famílias, com um investimento de R$ 4,9 milhões em saneamento ecológico. É uma iniciativa que protege os lençóis freáticos, promove
dignidade, saúde e bem-estar para as comunidades e ainda fortalece a segurança alimentar, por meio da produção de banana possibilitada pelo sistema. O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco segue trazendo investimentos importantes para a Bahia e para toda a bacia. Mas é fundamental que a comunidade cuide desse patrimônio, porque ele agora pertence a vocês. É um investimento que melhora a vida das pessoas e, ao mesmo tempo, contribui para a preservação do meio ambiente. Sem cuidado e preservação, corremos o risco de perder tudo”, afirmou Cláudio Ademar. As entregas ocorreram nas comunidades de Pedra Vermelha e Alto do Grande, com a presença de representantes do CBHSF, membros de comitês de bacia, gestores públicos e moradores. Para o coordenador da CCR Médio São Francisco, Cláudio Pereira, as ações representam muito mais do que obras de saneamento, impactando diretamente a saúde, a dignidade e a qualidade de vida das famílias beneficiadas. “Essas iniciativas transformam a realidade das comunidades. As famílias passam a contar com banheiro equipado, caixa d’água, sistema de esgotamento e toda a infraestrutura necessária para garantir mais saúde, segurança e dignidade. Além disso, as fossas sépticas ecológicas permitem o reaproveitamento da
água em um processo sustentável, contribuindo para a produção de banana e outros alimentos, fortalecendo inclusive a segurança alimentar dessas famílias. A felicidade das pessoas ao receber esse benefício mostra a importância desse trabalho. Esse é um compromisso do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco com a preservação dos recursos hídricos, com o meio ambiente e, principalmente, com as populações da bacia, que têm um papel fundamental na conservação do Velho Chico”, afirmou. Além de promover dignidade e qualidade de vida, os sistemas também contribuem para a produção de alimentos. Mais de 6 mil bananeiras foram plantadas nas áreas atendidas, fortalecendo a segurança alimentar das famílias beneficiadas. As ações têm gestão técnica e administrativa da Agência Peixe Vivo, responsável pela execução dos recursos da cobrança pelo uso da água.
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CBHSF, COMITÊS AFLUENTES E ÓRGÃOS GESTORES FIRMAM MANIFESTO POR INTEGRAÇÃO DA BACIA DO SÃO FRANCISCO Texto e fotos: João Alves
Com ampla participação de representantes de diferentes regiões da bacia, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) realizou, no final de março, em Belo Horizonte, o VII Encontro de Comitês Afluentes do Rio São Francisco. Com o tema “Juntos pelo PIRH-SF”, o evento fortaleceu o diálogo em torno da construção do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia do São Francisco. A programação reuniu representantes dos comitês afluentes, Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), Agência Peixe Vivo, órgãos gestores estaduais e integrantes do poder público, consolidando o encontro como espaço de articulação institucional e construção coletiva. Durante o encontro, especialistas destacaram a importância da integração entre os diferentes territórios da bacia, desde as nascentes em Minas Gerais até a foz entre Alagoas e Sergipe. Para Erik Cavalcanti e Silva, da ANA, a diversidade da bacia exige diálogo e pactuação permanentes, reforçando a necessidade de um plano construído de forma participativa. Representantes dos estados e coordenadores das Câmaras Consultivas Regionais também apontaram desafios e oportunidades para fortalecer a gestão integrada das águas. Para Cláudio Pereira, da CCR Médio São Francisco, a sustentabilidade do rio depende diretamente da preservação dos afluentes. Já Maciel de Oliveira, da CCR Baixo São Francisco, destacou o PIRH-SF como uma oportunidade concreta de avanço na gestão hídrica regional. O presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, avaliou o encontro como um marco para o fortalecimento do diálogo entre os diferentes atores da bacia. “Esse primeiro momento representa um avanço importante ao garantir espaço para escuta, troca de experiências e construção coletiva. O plano integrado seguirá sendo construído de forma participativa, envolvendo comitês, sociedade civil, usuários e poder público”, afirmou. Ouça o podcast com Cláudio Ademar, sobre o assunto: bit.ly/VIIEncontroAfluentesSF
MANIFESTO PELA INTEGRAÇÃO DA BACIA Durante o encontro, foi apresentada a Carta Manifesto pela Integração e Cooperação na elaboração do PIRH-SF, reafirmando o compromisso dos comitês afluentes, do CBHSF, da Agência Nacional de Águas e Saneamento e dos órgãos gestores com uma atuação articulada, transparente e colaborativa ao longo de todo o processo. O documento reconhece a bacia do Rio São Francisco como um território diverso e interdependente, que exige coordenação entre diferentes esferas e o fortalecimento da governança no âmbito do sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos. O manifesto destaca o PIRH-SF como uma oportunidade estratégica para alinhar os instrumentos de planejamento entre a calha do rio e suas bacias afluentes, integrar dados e conhecimentos técnicos, fortalecer processos participativos e ampliar a segurança hídrica frente aos desafios climáticos. Também reforça o compromisso político com o aprimoramento da gestão hídrica entre os estados da bacia, além de apontar a necessidade de promover justiça socioambiental e desenvolvimento sustentável por meio de soluções construídas de forma cooperativa. Para o presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, o manifesto simboliza uma manifestação voluntária de interesse dos atores em participar da construção do plano integrado, evidenciando o avanço na articulação institucional e o engajamento em torno do processo. Ele ressaltou que a iniciativa é transparente e não impositiva, aberta a todos que desejarem contribuir. Nesse sentido, reforçou que a integração da bacia, envolvendo a calha principal e seus afluentes, depende da participação conjunta da sociedade civil, do poder público e dos usuários, consolidando um caminho mais eficiente e colaborativo para a gestão das águas. Ao formalizar esse compromisso, os signatários reafirmam que a integração vai além de uma diretriz técnica, consolidando-se como um pacto político e institucional em favor do futuro da bacia do São Francisco e das populações que dela dependem.
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CBHSF ENTREGA SISTEMA INOVADOR DE ABASTECIMENTO E BENEFICIA COMUNIDADE QUILOMBOLA EM SÃO GABRIEL (BA) Texto e fotos: Tamiris Batista No final de março, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) realizou a entrega de um sistema de abastecimento de água na comunidade de Curralinho, no município de São Gabriel (BA). A obra beneficia aproximadamente 350 famílias, o equivalente a cerca de 1,5 mil pessoas, e recebeu investimento superior a R$ 6 milhões, entre projeto e execução. Esta é a primeira obra com esse tipo de tecnologia implantada pelo Comitê. O sistema utiliza captação subterrânea, por meio de três poços que abastecem uma estação de tratamento. A água passa por etapas físico-químicas e microbiológicas, incluindo cloração, decantação, microfiltração e troca iônica. Esse último processo é responsável pela deionização da água, reduzindo a concentração de sais e ajustando parâmetros comuns nas águas subterrâneas da região. Após o tratamento, a água ainda recebe desinfecção com hipoclorito de sódio, garantindo segurança para o consumo humano. A estrutura possui capacidade para produzir até 10 metros cúbicos de água por hora, operando atualmente com vazão média de 8 metros cúbicos por hora, suficiente para atender à demanda da comunidade. Relatórios técnicos e análises laboratoriais confirmam que a água distribuída está dentro dos padrões estabelecidos pela legislação vigente.
Segundo Thiago Lana, coordenador técnico da Agência Peixe Vivo, os recursos aplicados demonstram o compromisso com a melhoria das condições de vida da população atendida. “Aproximadamente 350 famílias e entre 1.000 e 1.500 pessoas estão sendo beneficiadas com esses recursos”, afirmou. Para o prefeito de São Gabriel, Mateus Machado, a obra representa um avanço histórico para a comunidade. “Quero agradecer toda a equipe do Comitê da Bacia do São Francisco, que abraçou essa causa e trouxe essa inovação pra gente. É um sistema de deionização da água, onde a gente vai diminuindo a carga de sais e ofertando água de boa qualidade para a comunidade de Curralinho”, destacou. O presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, reforçou o papel social das ações desenvolvidas pelo Comitê. “A gente tem que olhar para a bacia olhando para as comunidades. A bacia tem quilombolas, pescadores artesanais. É o Comitê cuidando do meio ambiente, mas também das pessoas. As pessoas são valiosas para a Bacia do São Francisco”, afirmou. O coordenador da Câmara Consultiva Regional do Médio São Francisco, Cláudio Pereira, também destacou a importância da preservação dos afluentes. “A cidade de São Gabriel tem o rio Jacaré, afluente do São Francisco. As
águas que saem desses mananciais chegam à calha do São Francisco e hoje seguem até o Ceará”, disse. Antes da implantação do sistema, o abastecimento era feito de forma precária, com caminhões-pipa e soluções emergenciais. A nova estrutura amplia a segurança hídrica e melhora as condições de saúde da população atendida. “A comunidade só tem a agradecer ao Comitê do Rio São Francisco. A gente sofria com a seca, transportando água em carro-pipa de muito longe. Hoje receber água na torneira é algo sem palavras, só gratidão”, relatou o morador Ricardo Cavalcante. A entrega integra as ações do CBHSF voltadas à promoção da segurança hídrica, saúde pública e desenvolvimento sustentável nas comunidades da bacia do rio São Francisco.
Membros do CBHSF e da APV participaram da solenidade de entrega
Sistema inovador de abastecimento implantado pelo CBHSF beneficia cerca de 350 famílias em São Gabriel (BA), levando água tratada e mais segurança hídrica para a comunidade
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PROJETO FINANCIADO PELO FUNDO DE PRIVATIZAÇÃO ELETROBRAS IMPULSIONA REVITALIZAÇÃO AMBIENTAL EM CAETANÓPOLIS Texto: Luíza Baggio / Fotos: Léo Boi
A preservação da água e a recuperação ambiental ganharam um novo impulso em Caetanópolis com o lançamento do Projeto de Conservação e Recuperação Hidroambiental nas microbacias dos córregos Vargem da Serra e São Bentinho. A iniciativa foi apresentada no dia 23 de abril, na Casa de Cultura Clara Nunes, reunindo autoridades, instituições parceiras e moradores da região em um encontro que marcou o início de uma ação estratégica para o futuro hídrico local. O projeto é conduzido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e será executado com recursos do Fundo de Privatização Eletrobras, atualmente administrado pela Axia Energia. O investimento representa o atendimento a uma demanda histórica do Comitê e reforça a capacidade de articulação institucional voltada à captação de recursos para revitalização da bacia e fortalecimento da segurança hídrica. Durante a cerimônia, a gerente de Suporte Integrado à Implantação de Fundos Regionais da Axia Energia, Daphne Mendes, destacou o caráter estruturante da iniciativa. “O projeto representa a união de diferentes atores em torno de um propósito comum: restaurar ambientes degradados, reduzir os impactos de eventos extremos e fortalecer a segurança hídrica no longo prazo”, afirmou.
A importância das parcerias também foi ressaltada pelo coordenador-geral de Revitalização de Bacias Hidrográficas e Acesso à Água do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Alexandre Tofeti. “Temos aqui pessoas que dedicam suas vidas à água, e isso é motivo de grande satisfação. Só conseguimos mudar a realidade com boas parcerias”, declarou. Segundo ele, a integração entre instituições como o Ministério do Meio Ambiente, Axia Energia, CBHSF e Agência Peixe Vivo, aliada à participação das comunidades locais, é fundamental para alcançar resultados efetivos. “Integrar a gestão ambiental com os recursos hídricos é o caminho para promover mudanças reais e duradouras”, completou. O presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, reforçou a importância do envolvimento da população local para garantir a continuidade das ações. “Para um projeto desse tipo dar certo, o proprietário precisa ter senso de pertencimento e entender que as intervenções exigem manutenção contínua. Essas ações pertencem ao município e ao povo da bacia”, destacou. Segundo ele, iniciativas financiadas por editais como esse são fundamentais para ampliar os resultados concretos de revitalização no território da bacia do São Francisco.
Representando o município, o prefeito João Procópio Filho ampliou o olhar sobre a importância da iniciativa para além dos limites locais. “O Rio São Francisco, com quase 3 mil quilômetros de extensão, vai muito além do nosso território. Quando consideramos toda a área de drenagem da bacia, estamos falando de milhões de pessoas que dependem dessas águas. A revitalização do córrego São Bentinho, aqui em Caetanópolis, contribui diretamente para essa rede hídrica e beneficia toda essa população ao longo do rio”, afirmou. Encerrando a solenidade, o Congado Nossa Senhora do Rosário de Caetanópolis emocionou o público com uma apresentação cultural que atravessa gerações desde 1945. O momento reforçou a relação entre preservação ambiental, identidade cultural e o sentimento de pertencimento da comunidade em relação ao território e às águas da bacia do São Francisco.
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CBHSF LANÇA CAMPANHA “EU VIRO CARRANCA” EM SALVADOR COM AMPLA PARTICIPAÇÃO DA IMPRENSA DA BACIA DO SÃO FRANCISCO Texto: Mariana Martins/Fotos: Manuela Cavadas
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) realizou, nesta quarta-feira (06), na Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, em Salvador (BA), a coletiva de imprensa de lançamento da campanha “Eu Viro Carranca para Defender o Velho Chico” 2026. O encontro reuniu jornalistas de diferentes regiões da bacia hidrográfica do São Francisco e contou com a presença de membros da Diretoria Colegiada do Comitê, que apresentaram os objetivos da campanha e responderam às perguntas da imprensa.
A coletiva contou com ampla participação da imprensa, reunindo veículos de comunicação de diferentes estados da bacia. Estiveram presentes representantes do Jornal Estado de Minas, Rádio Inconfidência (MG), TV Integração Paracatu, TV Gazeta de Alagoas, TV Sergipe, TV Grande Rio, de Petrolina, Rádio Tomba FM, de Paratinga (BA), Blog do Carlos Brito, de Petrolina, Rádio Sociedade da Bahia, de Salvador, Portal Lapa Capital, de Bom Jesus da Lapa (BA), entre outros.
Com o tema “Velho Chico. Um rio, muitas mãos”, a campanha deste ano reforça a importância da mobilização coletiva em defesa do Rio São Francisco, destacando a integração entre os comitês afluentes, gestores públicos, sociedade civil, instituições e população na construção de soluções para a revitalização da bacia.
O CBHSF agradece à imprensa pelo apoio e pela parceria na divulgação de temas relacionados à preservação do Velho Chico e à gestão participativa dos recursos hídricos, reconhecendo o papel fundamental dos meios de comunicação na mobilização da sociedade em defesa do rio.
Durante a coletiva, o presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, destacou que a campanha vai além da conscientização ambiental e busca ampliar o diálogo e a participação social em torno da gestão das águas. Também foram apresentados detalhes sobre a programação da campanha, que terá seu ponto alto no dia 03 de junho, com eventos simultâneos nas cidades de Paracatu (MG), Érico Cardoso (BA), Juazeiro (BA) e Canindé de São Francisco (SE), representando as quatro regiões fisiográficas da bacia.
MEDIA TRAINING Como parte da preparação para o diálogo com os veículos de comunicação, os membros da Diretoria Colegiada do CBHSF participaram, no dia anterior (05/05), de um media training realizado também em Salvador. A capacitação foi ministrada pela empresa Fala Bela e abordou técnicas de entrevista, relacionamento com a imprensa, comunicação institucional e postura diante dos meios de comunicação.
Cláudio Ademar concede entrevista à TV Grande Rio, de Petrolina
Mesa composta pelos membros da Direc durante a coletiva
Ouça o podcast com Cláudio Ademar, sobre o assunto: bit.ly/4wD9G73
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DOIS DEDOS DE PROSA
Erik Cavalcanti Entrevista: Luiza Baggio Foto: João Alves As mudanças climáticas, a seca e o aumento da demanda por água tornam a gestão hídrica um dos grandes desafios do país, especialmente na bacia do Rio São Francisco. Nesse cenário, o Plano Integrado de Recursos Hídricos (PIRH) surge como instrumento estratégico para construir uma gestão articulada e sustentável para toda a bacia. Nesta edição do “Dois Dedos de Prosa”, o especialista da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Erik Cavalcanti, fala sobre os desafios, prioridades e a importância da construção coletiva para garantir o futuro do Velho Chico.
Ouça o podcast com Erik Cavalcanti: bit.ly/PodTrav204
Quais são os principais objetivos do Plano Integrado de Recursos Hídricos e quais resultados a ANA espera alcançar com esse planejamento? Os Planos de Recursos Hídricos são um dos instrumentos de gestão previstos na nossa política de recursos hídricos. Neles são analisadas as variáveis que impactam ou são impactadas pelos recursos hídricos e são realizadas projeções dessas variáveis em cenários futuros plausíveis. A partir desse levantamento são pensadas ações que, uma vez executadas, nos levem a um cenário de gestão em que nossos objetivos tenham sido atingidos, ou seja, a adequada disponibilidade de água em quantidade e qualidade para o momento e para o futuro. Com o conceito de Plano Integrado de Recursos Hídricos busca-se ter uma visão global da bacia do Rio São Francisco e realizar um planejamento para a bacia de forma integral, considerando e incorporando especificidades locais dos afluentes, que participarão de todo o processo. O território da bacia hidrográfica do Rio São Francisco é formado pelo território de seus afluentes. O que se planeja e se executa nos afluentes tem impacto direto na saúde do rio São Francisco como um todo. Como o Plano Integrado considera os desafios e as especificidades da bacia do Rio São Francisco, uma das mais estratégicas e complexas do país? O Rio São Francisco é o maior rio 100% nacional. Passa por vários estados e conecta biomas. É, talvez, a bacia mais complexa em termos de gestão devido justamente a essas características. A premissa fundamental do Plano Integrado é a participação incondicional dos Comitês Afluentes e dos Estados durante todo o processo. É indispensável que todos os atores que influenciam a gestão de recursos hídricos dentro do território da bacia participem desse planejamento, trazendo pontos de vista e demandas específicas de seu território e enxergando como isso conversa com o planejamento amplo e sistêmico da bacia do São Francisco. O Plano Integrado deve ainda, de acordo com o determinado no Plano Nacional de Recursos Hídricos - PNRH, articular com outros setores, propondo ações que deem suporte a estas agendas setoriais que dependem diretamente dos recursos hídricos. Desta forma, seguindo o modelo de gestão descentralizada e participativa, com representação da sociedade civil, usuários, gestores de recursos hídricos e com articulação setorial, espera-se que o Plano Integrado atue como um documento norteador e, de fato, resultante da pactuação e visão sistêmica do que se espera com a gestão das águas na bacia do Rio São Francisco, atendendo à premissa básica de atendimento aos usos múltiplos dos recursos hídricos.
Presidente: Cláudio Ademar da Silva Vice-presidente: Altino Rodrigues Neto Secretária: Rosa Cecília Lima Santos
Notícias do São Francisco
Realização
Quais são as prioridades da ANA para garantir segurança hídrica e sustentabilidade na bacia do São Francisco diante das mudanças climáticas e do aumento da demanda por água? A bacia do Rio São Francisco está em situação de atenção diante das mudanças climáticas e do avanço da seca. Atualmente, quase 80% do território da bacia já está inserido no semiárido, com áreas classificadas como áridas. Nesse cenário, torna-se fundamental atualizar estudos sobre disponibilidade hídrica, já que as séries históricas deixam de refletir a nova realidade climática. Por isso, a ANA trata a bacia do São Francisco como prioridade máxima no Plano Nacional de Recursos Hídricos, fortalecendo a implementação dos instrumentos de gestão e a integração de dados sobre demanda, outorgas e disponibilidade de água. Como o Plano Integrado busca equilibrar abastecimento, geração de energia, irrigação e preservação ambiental sem comprometer a sustentabilidade da bacia? A Política Nacional de Recursos Hídricos prioriza a gestão participativa e os usos múltiplos da água, garantindo prioridade ao abastecimento humano e à dessedentação animal. O equilíbrio entre os demais usos é definido pelos Planos de Recursos Hídricos e pelos Comitês de Bacia, que reúnem usuários, sociedade civil e poder público para discutir demandas, resolver conflitos e planejar o uso sustentável das águas. Nesse contexto, o PIRH e os comitês têm papel central para garantir disponibilidade hídrica em quantidade e qualidade para as atuais e futuras gerações.
Produzido pela Assessoria de Comunicação do CBHSF – Tanto Expresso comunicacao@cbhsaofrancisco.org.br
Secretaria do Comitê: Rua Carijós, 166, 5º andar, Centro - Belo Horizonte - MG - CEP: 30120-060 (31) 3207-8500 - secretaria@cbhsaofrancisco.org.br - www.cbhsaofrancisco.org.br Atendimento aos usuários de recursos hídricos na bacia do Rio São Francisco: 0800-031-1607
Apoio Técnico
Como o Plano Integrado pretende fortalecer a articulação entre ANA, comitês de bacia, estados e usuários de água na gestão hídrica? Uma vez que a política de recursos hídricos define dominialidade, escopo de atuação e recorte territorial para a gestão, é necessário que haja comunicação e cooperação entre todos esses atores. Cada ator definido no desenho do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos tem seu papel, e esse papel não é isolado dos demais atores nem há atribuições sobrepostas. Comitês de bacias, Entidades Delegatárias, Órgãos Gestores Estaduais, Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, ANA, todos esses entes têm papel definido no processo de planejamento. Por definição um Plano Integrado cria relações mais fortes entre todas estas entidades, uma vez que o processo de elaboração do Plano é um processo de planejamento e pactuação conjunta, em que, uma vez concluída essa fase, ações de responsabilidade compartilhada são executadas e monitoradas, criando um vínculo muito mais forte e duradouro.
Coordenação Geral: Paulo Vilela, Pedro Vilela, Rodrigo de Angelis Edição e Assessoria de Comunicação: Mariana Martins Textos: João Alves, Luiza Baggio, Mariana Martins, Tamiris Batista Fotos: João Alves, Léo Boi, Manuela Cavadas e Tamiris Batista Diagramação: Sérgio Freitas Impressão: ARW Gráfica e Editora Tiragem: 4.000 exemplares Direitos Reservados. Permitido o uso das informações desde que citada a fonte. DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Acompanhe as ações e os projetos do CBHSF por meio do nosso portal e redes sociais
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