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Travessia nº82 - Janeiro de 2026

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Interligação da rede de esgoto do centro histórico de Penedo é concluída

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Membros do CBHSF definem agenda em última plenária de 2025

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Veja os destaques dos primeiros cem dias da nova gestão do CBHSF

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EDITORIAL

2026: Compromisso renovado com o Velho Chico e com a vida

Iniciamos um novo ano reafirmando um compromisso que atravessa gerações: cuidar do Rio São Francisco e de toda a vida que dele depende. Que 2026 chegue como um tempo de esperança, responsabilidade e ação concreta em favor da preservação da natureza, da água e dos territórios que formam a bacia do Velho Chico.

Os temas que compõem esta edição do Travessia refletem um momento decisivo para a gestão dos recursos hídricos no Brasil e, especialmente, para o Rio São Francisco. Vivemos uma etapa em que planejamento, integração institucional e execução de projetos caminham juntos, fortalecendo uma governança que se mostra cada vez mais madura e conectada com os desafios ambientais, sociais e climáticos do nosso tempo.

O diálogo permanente com instituições federais aponta para a aceleração de projetos hidroambientais estratégicos e para a inserção da bacia do São Francisco no contexto do Novo PAC, ampliando oportunidades de investimento e fortalecendo ações estruturantes de revitalização. Ao mesmo tempo, a conclusão de obras fundamentais, como a interligação da rede de esgotamento sanitário no Centro Histórico de Penedo (AL), demonstra que decisões bem conduzidas se transformam em benefícios reais para a população e para o rio, com impacto direto na melhoria da qualidade das águas.

Outro destaque desta edição é a aproximação com organismos internacionais, como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/ONU), que pode se tornar um importante aliado na construção de soluções inovadoras e sustentáveis para a revitalização do Velho Chico,

Cobrança pelo uso da água no São Francisco:

reforça orientações aos usuários da bacia

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) reforça as orientações sobre a cobrança pelo uso de recursos hídricos de domínio da União na bacia do Rio São Francisco. A medida está em vigor desde 2010 e segue as normas do CBHSF. Usuários com outorga devem ficar atentos aos prazos e procedimentos para 2026.

Mais informações:

ANA | CBHSF | Agência Peixe Vivo

conectando a bacia às agendas globais de desenvolvimento sustentável e enfrentamento das mudanças climáticas.

A 52ª Reunião Plenária do CBHSF marcou um momento simbólico e estratégico: a definição dos rumos para 2026. O fortalecimento da gestão das águas, com foco em projetos, resultados e transparência, reflete o amadurecimento do Comitê e o empenho coletivo de seus membros em garantir que cada decisão esteja alinhada ao interesse público e à sustentabilidade da bacia.

Completamos também os primeiros 100 dias desta nova gestão, um período marcado por escuta, organização interna, retomada de agendas prioritárias e construção de bases sólidas para os próximos anos. A entrevista desta edição, ao tratar do tema da desertificação, nos lembra que os desafios são urgentes e complexos, exigindo ação integrada, conhecimento técnico e sensibilidade social.

Que este novo ano seja guiado pela defesa da água como bem comum, pela valorização da ciência, pelo diálogo entre instituições e pela participação ativa da sociedade. Preservar o São Francisco é preservar a vida, a cultura e o futuro de milhões de brasileiros.

Feliz 2026. Que seja um ano de equilíbrio entre desenvolvimento e natureza, de respeito aos rios e de compromisso permanente com o Velho Chico.

Cláudio Ademar Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco

SERVIÇO | FIQUE ATENTO

DURH 2026

Até 31 de janeiro de 2026

Plataforma Águas Brasil

aguasbrasil.snirh.gov.br

Cobrança 2026

Boletos a partir de 30 de abril de 2026

Boleto Online – boletoonline.ana.gov.br

IMPORTANTE

• Mesmo sem uso da água, a DURH deve ser preenchida

• Outorgas vigentes geram cobrança

• Débitos podem ser parcelados em até 60x

• Inadimplência impede renovação ou transferência da outorga

CBHSF ARTICULA COM CASA CIVIL PROJETOS PARA O NOVO PAC

Texto: Juciana Cavalcante/Fotos: Imagens cedidas

A convite da Casa Civil, o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Cláudio Ademar, acompanhado do Coordenador da Câmara Consultiva Regional do Médio São Francisco, Cláudio Pereira estiveram, no dia 04 de dezembro do ano passado, em Brasília para uma reunião estratégica visando discutir e agilizar a execução dos projetos hidroambientais selecionados pelos editais do Comitê. O foco principal do encontro foi o alinhamento sobre os recursos provenientes do Fundo da Eletrobras, essenciais para o financiamento dessas ações de revitalização.

Durante a agenda, ficou definido que, embora o Comitê Gestor (composto pelos ministros) tenha a decisão política sobre a aprovação dos projetos, a execução prática das obras fica a cargo da Eletrobras. Nesse sentido, o Comitê já articula uma próxima reunião técnica diretamente com a Eletrobras para intensificar os trâmites e garantir celeridade no início das intervenções.

INTEGRAÇÃO COM O PAC

Outro ponto alto do encontro foi o diálogo com a equipe que coordena as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em conversa com Maurício Muniz, responsável pela gestão do programa na Casa Civil, foi

discutida a necessidade de aproximar as iniciativas do Comitê com as políticas públicas do governo federal. “Aproveitamos para falar sobre a necessidade de aproximação do Comitê com a política pública do PAC. Eles viram a iniciativa com bons olhos e frutos surgirão a partir dessa conversa”, destacou o Presidente do Comitê.

APOIO MINISTERIAL E PRÓXIMOS PASSOS

A reunião também serviu para agradecer o apoio decisivo dos ministros Rui Costa (Casa Civil), Marina Silva (Meio Ambiente) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), fundamentais para a aprovação de mais de 53 projetos voltados para a bacia do São Francisco.

A expectativa é que a Ordem de Serviço para os primeiros projetos seja assinada em janeiro de 2026. O objetivo é realizar um grande evento com a presença dos três ministros para marcar o início das obras. O local da cerimônia (estado e cidade) será definido em breve, dependendo da confirmação da agenda com a Eletrobras e o Governo Federal.

UM NOVO CANAL DE DIÁLOGO

O encontro marca um momento histórico de

aproximação institucional. “Hoje serviu como um momento importante para o Comitê e para o Governo. Começamos a abrir uma caixa de diálogo. Daqui para frente, o Rio São Francisco que está entre as prioridades do governo federal tem o Comitê como parceiro na construção de políticas públicas de revitalização”, concluiu o Presidente do Comitê.

Participaram da reunião o Secretário Especial do PAC da Casa Civil, Maurício Muniz; o Coordenador-Geral de Gestão de Bacias Hidrográficas, Alexandre Tofeti; Carlos Perdigão, assessor do Ministro Rui Costa; Cláudio Ademar, Presidente do CBHSF; e Cláudio Pereira, coordenador da CCR Médio São Francisco

CONCLUÍDA INTERLIGAÇÃO DA REDE DE ESGOTO DO CENTRO HISTÓRICO DE PENEDO (AL)

Texto: Deisy Nascimento | Fotos: Cedidas

O município de Penedo, em Alagoas, foi contemplado com a obra de interligação da rede de esgotamento sanitário do seu Centro Histórico com a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) existente. A obra, concluída recentemente, foi financiada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), que investiu aproximadamente R$ 2 mi. Foram construídos 2,1 km de rede de esgoto interligada, e a obra foi executada pela RGA Engenharia.

O coordenador técnico da Agência Peixe Vivo, Thiago Lana, acompanhou todo o processo e, de acordo com ele, “foram feitas as ligações individuais, uma rede própria, levando o efluente para a estação de tratamento, como também foi recomposto o pavimento das ruas para preservar a rede instalada. Como próxima etapa desse processo é necessário que a concessionária Conasa Águas do Sertão faça a separação da água pluvial, da rede de drenagem, da rede de esgotamento para que a rede do restante do Centro Histórico possa ser interligada na rede do nosso projeto”, explicou.

Lana acrescentou que, no âmbito do projeto, foram realizadas interligações entre as ruas e corrigidas redes onde se identificou a ausência de abastecimento adequado. Durante a execução, constatou-se a existência de ligações irregulares, com esgoto direcionado para a rede de drenagem pluvial e, em alguns casos, o inverso. Diante disso, a equipe promoveu a interligação correta das residências e das redes, a fim de evitar prejuízos ao sistema. “Cabe agora à Conasa Águas do Sertão, na próxima fase do projeto, realizar as intervenções necessárias para garantir o pleno funcionamento e evitar a sobrecarga do sistema”, destacou.

A rede implantada foi dimensionada para atender a cidade de Penedo (AL) nos próximos 20 anos, seguindo o projeto elaborado pelo Comitê.

Segundo o coordenador da Câmara Consultiva do Baixo São Francisco (CCR Baixo SF), Maciel Oliveira, a obra já deveria ter sido concluída, uma vez que foi definida pelo Comitê como prioridade. O empreendimento permitirá o tratamento do esgoto de uma cidade de grande importância histórica e ambiental como Penedo, devolvendo ao Rio São Francisco efluentes devidamente tratados.

“Contratamos inicialmente uma empresa que, infelizmente, não apresentou os resultados esperados, deixando diversos problemas e gerando

insatisfação entre os moradores do município. Após um período difícil, marcado por reivindicações da comunidade, realizamos um novo chamamento e a segunda empresa conseguiu dar andamento ao projeto. Os ajustes finais foram realizados, as dificuldades superadas e hoje entregamos essa obra com muito orgulho — um sonho antigo do SAAE, que agora será repassado à Conasa Águas do Sertão”, afirmou Oliveira.

“Agora, precisamos que a Conasa Águas do Sertão entregue a segunda parte da obra que consiste em separar as águas pluviais do esgoto. A nossa parte enquanto Comitê nós fizemos, nós cumprimos o Acordo de Cooperação Técnica com a Prefeitura de Penedo (AL) e a Águas do Sertão, mas agora esperamos que as outras partes cumpram com o que foi estabelecido”, reforçou Maciel Oliveira.

Para o presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, essa é uma obra significativa para a sociedade de Penedo (AL), uma obra centralizada. “O Centro Histórico deste município foi revitalizado do ponto de vista do esgotamento pelo Comitê, e por ser uma parceria, cabe à companhia de saneamento responsável dar continuidade, viabilizando a ligação de rede e a condução desse processo”.

O presidente do CBHSF ratificou que o Comitê cumpriu sua parte e está fazendo a entrega da obra agora. “Agora é o momento de celebração e festividade para o povo de Penedo (AL) que vai ter ali o Centro Histórico da cidade com saneamento. Importante informar que o saneamento traz diversas vantagens como a saúde pública, bem como do ponto de vista hídrico e ambiental, com isso todos saem ganhando, seja o rio São Francisco, a sociedade de Penedo, a gestão pública municipal. Então, são essas parcerias que a gente vai construindo pouco a pouco com as intervenções que ajudam na revitalização do Velho Chico”, finalizou.

Nesse projeto houve todo o acompanhamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) com emissão de laudos pré e pós intervenções, relatórios de acompanhamentos arqueológicos e também houve achados de artefatos de cerâmicas. Foi emitido o termo de recebimento provisório dessa obra, abrindo o prazo para a Prefeitura de Penedo poder verificar a funcionalidade e de outras medidas coletivas que, porventura, sejam necessárias. A expectativa de entrega do termo de recebimento definitivo e a doação está prevista para este mês.

CBHSF DIALOGA COM PNUD/ONU SOBRE APOIO À REVITALIZAÇÃO DO VELHO CHICO

Texto e fotos: Walberto Maciel

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Cláudio Ademar, esteve em Brasília no início de dezembro do ano passado, para uma visita ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/Brasil), onde foi recebido pelo representante residente do programa no Brasil, Cláudio Providas, que prometeu se empenhar para incluir a revitalização da Bacia do Rio São Francisco em projetos do PNUD que já estão em andamento no nordeste.

Em sua peregrinação por Brasília, Cláudio Ademar esteve na Casa Civil da Presidência da República, onde discutiu questões relacionadas ao PAC, além de reuniões na Eletrobrás e na Codevasf.

Segundo o presidente, é importante trazer o Comitê para ser conhecido nacional e internacionalmente, pois “hoje existe uma ferida aberta na Bacia do São Francisco, que se não for tratada agora, a humanidade se arrependerá”. Também participaram Maristela Marques Baloni, assistente residente e Maria Teresa Amaral Fontes, do Programa Oficial de Inclusão Socioeconômica do PNUD.

REVITALIZAÇÃO

Após uma breve apresentação e um diagnóstico atualizado sobre a situação do Velho Chico, Cláudio Ademar ressaltou que o Comitê tem buscado todos os órgãos dispostos a colaborar, pois a revitalização do rio é urgente e indispensável. Ele destacou que esse processo será construído junto às comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, garantindo que as ações atendam às necessidades reais do território.

“Qualquer iniciativa conduzida em nível estadual sem a participação do Comitê pode resultar em gastos elevados sem, contudo, responder às demandas concretas dessas comunidades”, afirmou.

Como resposta, o representante do PNUD no Brasil disse que sempre tem interesse em ajudar questões como a do Rio São Francisco, e que inicialmente irá tentar incluir o pedido do Comitê nos projetos que já estão em andamento junto à Agência Nacional de Águas (ANA), Consórcio do Nordeste e ao Fundo Internacional do Desenvolvimento Agrícola (Fida).

Cláudio Ademar destacou que, embora a atenção mundial esteja voltada para a Bacia Amazônica, igualmente essencial, é urgente que o mundo também volte os olhos para o sofrimento do Rio São Francisco. “O Velho Chico vem sendo pressionado pelo avanço do agro e por diversos impactos ao longo de suas margens. Sem um programa de saneamento básico que atenda adequadamente às comunidades, o rio enfrenta a degradação de suas matas ciliares, processos de erosão e até áreas em desertificação”, afirmou.

O presidente do CBHSF participou de reunião com o PNUD/ONU para dialogar sobre parcerias estratégicas que podem impulsionar a revitalização do Velho Chico. Cooperação internacional em favor do rio da integração.

CBHSF DEFINE AGENDA 2026 DURANTE A 52 a REUNIÃO PLENÁRIA

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), em sua nova composição eleita em setembro do ano passado, realizou sua 52ª Reunião Plenária Ordinária no dia 15 de dezembro de 2025, por meio de videoconferência. O encontro marcou o encerramento das atividades do ano e definiu as diretrizes para uma gestão de recursos hídricos mais articulada e transparente em 2026.

FINANCIAMENTO DE PROJETOS E CELERIDADE NAS OBRAS

Uma excelente notícia para a Bacia é a confirmação de que projetos apresentados pelo CBHSF serão financiados pela Axia Energia, anteriormente chamada de Eletrobras. A perspectiva é que a ordem de serviço seja emitida já no início de 2026. O objetivo é a sensibilização dos atores locais para garantir maior celeridade na execução das obras e projetos em toda a bacia.

“Este é um passo importante que o Comitê do São Francisco dá no sentido de, junto a novos parceiros, garantir mais recursos para a revitalização de fato da bacia do São Francisco. Temos realizado um intenso trabalho desde setembro para garantir uma gestão forte em defesa da bacia hidrográfica”, afirmou o presidente Ademar.

PLANEJAMENTO: PLANO INTEGRADO DE RECURSOS HÍDRICOS (PIRH)

João Paulo Coimbra, coordenador técnico da Agência Peixe Vivo, informou sobre a finalização da minuta do PIRH, que se encontra em fase de consolidação de dados. O plano vai trabalhar com 34 unidades de planejamento, considerando todos os Comitês Afluentes do São Francisco. Para isso, a contratação que está prevista para o primeiro semestre de 2026 deve realizar diversas reuniões, oficinas e consultas em todas as etapas. A elaboração terá um prazo de três anos.

NOVO CONTRATO DE GESTÃO E INDICADORES DE DESEMPENHO

Rúbia Mansur, Diretora-Geral da Agência Peixe Vivo, abordou as melhorias e mudanças no novo contrato de gestão a ser firmado entre a APV, CBHSF e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), visando aprimorar a administração dos recursos hídricos.

A DELIBERAÇÃO CBHSF Ad referendum nº 159, de 10 de novembro de 2025, aprovou a minuta do novo Contrato de Gestão que terá vigência até dezembro de 2030, e estabelece indicadores de desempenho rigorosos para:

• Avaliação da capacidade de planejamento e atendimento às demandas do CBH.

• Atuação na promoção e execução do Programa de Efetivação do Enquadramento (PEE).

• Medição da execução financeira e do grau de implementação das ações do PAP.

• Dimensionamento e indução à redução do custo operacional da Entidade Delegatária.

• Avaliação da facilidade de acesso à informação para o acompanhamento e fiscalização social.

COBRANÇA, DOAÇÃO E APLICAÇÃO

PLURIANUAL DE RECURSOS

O plenário autorizou a doação de bens adquiridos com recursos da cobrança pelo uso de recursos hídricos da bacia. A doação, consistente em materiais eletrônicos, destinada ao SERVAS, em conformidade com a Portaria ANA nº 389/2022, que rege a doação de bens patrimoniais inservíveis mediante autorização prévia do Comitê.

A gerente de projetos da Agência Peixe Vivo, Jaqueline Fonseca, apresentou o PAP (Plano de Aplicação Plurianual), com a meta de

executar o equivalente à arrecadação do ano, mantendo reservas para garantir a segurança financeira. O PAP, proposto para um horizonte de cinco anos, é elaborado pela Agência Peixe Vivo a partir dos componentes e programas do Plano de Recursos Hídricos do São Francisco. Aprovado pela Plenária do Comitê, ele compatibiliza as ações com os recursos da cobrança e com as metas do PRH-SF.

O Plano prevê investimentos com as seguintes finalidades:

• Gestão de Recursos Hídricos

• Agenda Setorial

• Apoio ao Comitê de Bacia Hidrográfica

• Manutenção do Comitê de Bacia Hidrográfica e da Entidade Delegatária

Entre os destaques de investimentos para o próximo ano, o PAP inclui o Avanço no Plano Integrado de Recursos Hídricos (PIRH) e Enquadramento; Apoio ao cadastro de usos de recursos hídricos; Aprimoramento da plataforma SIGA SF para SIGA Integrado; Estudo de vulnerabilidade da bacia a eventos climáticos extremos e elaboração do Plano de Adaptação às Mudanças Climáticas; Sustentabilidade hídrica no semiárido (PMI Unificado + Seleção 2029/2030) e Atualização da metodologia de cobrança pelo uso dos recursos hídricos.

Texto: Juciana Cavalcante | Foto: Edson Oliveira

Da esquerda para a direita: Rosa Cecília, secretária do CBHSF, Cláudio Ademar, presidente e Altino Rodrigues, vice-presidente

NOVA GESTÃO DO CBHSF COMPLETA 100 DIAS COM FOCO EM PARCERIAS E REVITALIZAÇÃO

Os primeiros 100 dias da nova gestão do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), sob a presidência de Cláudio Ademar, foram marcados por uma intensa agenda de “pé na estrada” e diplomacia institucional. O objetivo central é claro: tirar a revitalização do papel e integrar todos os atores que compõem a bacia, desde os comitês de afluentes até organismos internacionais.

Para Cláudio Ademar, os primeiros 100 dias da nova gestão foram dedicados a estreitar laços com quem já atua na bacia e abrir portas onde o Comitê ainda não tinha voz. “Essa nova gestão buscou cumprir nos 100 primeiros dias um calendário de visita técnica, estreitando os laços com as instituições que são ou poderão ser parceiros nas ações de proteção e de revitalização do São Francisco. E quando falo São Francisco, falo de toda a bacia: com seus afluentes, seus povos, suas culturas, tradições e explorações econômicas”, destaca o presidente.

ARTICULAÇÃO DE ALTO NÍVEL: DO GOVERNO FEDERAL À ONU

A nova gestão conseguiu avanços significativos no diálogo com o Governo Federal e instituições de fomento, buscando destravar recursos e acelerar obras:

• Casa Civil e Fundo Eletrobras: Aproximação estratégica com o ministro Rui Costa para dar celeridade à execução das ações de revitalização com os recursos oriundos da privatização da Eletrobras, agora Axia.

• Parceria inédita com o PNUD: Pela primeira vez, o Comitê foi recebido pelas Nações Unidas (PNUD), criando canais para projetos de cooperação internacional.

• Aproximação com o BNDES: O presidente destaca como “promissora” a nova relação com o banco, um parceiro histórico que se volta para as necessidades do Velho Chico.

• Diálogo Ministerial: Reuniões com a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e o presidente da Codevasf reforçaram a integração política necessária para a saúde do rio.

PROTAGONISMO NA COP30

A participação do CBHSF na Cúpula do Clima em Belém foi um divisor de águas. O Comitê não apenas esteve presente, mas ofereceu um espaço democrático para seus membros. “Tivemos uma participação na COP que considero bastante efetiva e produtiva. O São Francisco ofereceu um estande para parceiros e membros, sem distinção, dando

oportunidade a todos de mostrarem seus trabalhos”, afirma Ademar.

O estande do CBHSF funcionou durante os 10 dias de evento na Green Zone, e possibilitou diálogos importantes com entidades nacionais e internacionais, além de abrir portas com bancos nacionais, Governo Federal e entidades diversas com a Associação de Produtores de Crédito de Carbono e o Fórum Brasileiro de Mudanças do Clima com a parceria firmada do Mutirão pelo São Francisco.

OLHAR PARA OS AFLUENTES E A NASCENTE

A gestão reforçou que o São Francisco não é apenas a sua calha principal. Visitas à nascente e encontros com comitês afluentes em Minas Gerais marcaram a estratégia de integração sistêmica. Ademar enfatiza que trabalhar em conjunto com os afluentes é vital para a sobrevivência do rio principal.

O QUE VEM POR AÍ: PLANEJAMENTO 2026

Com o encerramento dos primeiros 100 dias, o foco agora se volta para o futuro imediato com a realização já em Janeiro de 2026 de uma reunião de planejamento estratégico, prevista para a segunda quinzena do mês. Além disso, com foco permanente em resultados, o Comitê busca, agora, a transição da fase de diálogo para a fase de execução concreta. “Estamos buscando promover uma integração do São Francisco com os parceiros para revitalização. Eu acho que esse é o grande norte agora para essa gestão”, finaliza o presidente.

Texto: Juciana Cavalcante | Fotos: Fernando Piancastelli e Juciana Cavalcante
O presidente do CBHSF conversa com a ministra Marina Silva durante a COP 30, em Belém do Pará

Alexandre Pires

Entrevista: Juciana Cavalcante

Foto: João Alves

Em dezembro de 2025, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançou o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil). A iniciativa estabelece 38 objetivos estratégicos e 175 ações, acompanhados por indicadores de monitoramento que nortearão os esforços do Governo Federal até 2045. O foco é a prevenção da desertificação e a recuperação de terras degradadas em todos os biomas brasileiros.

As medidas devem beneficiar cerca de 39 milhões de pessoas em mais de 1,6 mil municípios situados em Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD), que representam 18% do território nacional. Uma das metas centrais é a recuperação de 10 milhões de hectares na Caatinga — área equivalente ao estado de Pernambuco — por meio do Programa Recaatingar, instituído pelo PAB.

Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação do MMA, detalha os impactos previstos.

DOIS DEDOS DE PROSA

Qual a atual situação da Caatinga? Quais são os dados mais recentes em relação às áreas degradadas?

O Ministério do Meio Ambiente realizou um processo de atualização das áreas suscetíveis à desertificação no Brasil em 2023, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN). Os dados mostraram um crescimento da área de clima semiárido sobre áreas que antes eram subúmidas secas, uma expansão da ordem de 140 mil km². Isso indica que estamos perdendo umidade em nosso semiárido, uma região que já possui, por natureza, baixa disponibilidade hídrica. Essa situação é preocupante porque esse território abriga a Caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro com uma biodiversidade enorme. São 860 mil km² onde vivem aproximadamente 28 milhões de pessoas, incluindo 42 povos indígenas e quase metade das comunidades quilombolas do Brasil. Essas populações dependem diretamente dos serviços ecossistêmicos do bioma, como a água e a fertilidade do solo. Recentemente, entre 2024 e 2025, dados da Embrapa Solos, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Observatório da Caatinga mostraram que temos cerca de 107 mil km² (aproximadamente 10 milhões de hectares) de terras degradadas em níveis graves e severos. Para se ter uma ideia, é uma área maior que o estado de Pernambuco.

Quais são os principais fatores que estão acelerando esse processo de degradação e o que está sendo planejado no âmbito do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima para reverter esse cenário?

É uma combinação de fatores: o desmatamento, o uso indevido do solo e da água e, claro, as mudanças climáticas, que alteram o regime de chuvas. O aquecimento global está fragilizando os solos, acelerando a desertificação. Para enfrentar isso, elaboramos o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. Também estamos construindo o Recatingar, um programa de restauração com a meta de recuperar esses 10 milhões de hectares degradados. Além disso, por meio da Secretaria de Combate ao Desmatamento, foi criado o PPCDCaatinga (Plano de

Prevenção e Controle do Desmatamento da Caatinga), seguindo o modelo já aplicado em outros biomas. Existem outras ações em desenvolvimento que podem agregar ao processo de combate à desertificação?

A Secretaria de Biodiversidade também possui três grandes projetos para fortalecer e ampliar as Unidades de Conservação no bioma: o GEF Caatinga, o ARCA e o Conecta Caatinga; projetos para fortalecer a gestão e ampliar as unidades de conservação. Sabemos que tudo isso é importante, embora ainda insuficiente, mas estamos no caminho para conquistar mais recursos e colocar esses instrumentos em prática.

No quesito recursos e parcerias, como se dá a articulação com outros órgãos, a exemplo do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco?

Tivemos recentemente o anúncio do BNB (Banco do Nordeste) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), onde cada um, investirá em torno R$ 50 milhões em 2026 na restauração da Caatinga, via Floresta Viva e editais específicos. Também esperamos atrair projetos da sociedade civil que tenham capilaridade para executar essas ações na ponta. Além disso, criamos em 2023 um Grupo de Trabalho com o Comitê da Bacia do Rio São Francisco (CBHSF) para alinhar a agenda da desertificação à dos recursos hídricos. Grande parte da área degradada da Caatinga está encravada na bacia do São Francisco. Portanto, não avançaremos nessas iniciativas; sobretudo no plano de combate a desertificação, no “Recatingar” sem uma construção conjunta com o Comitê. Precisamos conectar esforços entre o MMA, o Comitê e atores como a Sudene, o Banco do Nordeste, a Codevasf, universidades e institutos federais. O alinhamento entre atores públicos, sociedade civil e governos estaduais e municipais é a chave para o sucesso dessa iniciativa.

Ouça a entrevista em: bit.ly/PodTrav214

Presidente: Cláudio Ademar da Silva

Vice-presidente: Altino Rodrigues Neto

Secretária: Rosa Cecília Lima Santos

Secretaria do Comitê: Rua Carijós, 166, 5º andar, Centro - Belo Horizonte - MG - CEP: 30120-060 (31) 3207-8500 - secretaria@cbhsaofrancisco.org.br - www.cbhsaofrancisco.org.br Atendimento aos usuários de recursos hídricos na bacia do Rio São Francisco: 0800-031-1607

Produzido pela Assessoria de Comunicação do CBHSF – Tanto Expresso comunicacao@cbhsaofrancisco.org.br

Coordenação Geral: Paulo Vilela, Pedro Vilela, Rodrigo de Angelis

Edição e Assessoria de Comunicação: Mariana Martins

Textos: Deisy Nascimento, Juciana Cavalcante e Walberto Maciela

Fotos: Fernando Piancastelli, João Alves, Juciana Cavalcante, Léo Boi e Walberto Maciel

Diagramação: Sérgio Freitas

Impressão: ARW Gráfica e Editora

Tiragem: 4.000 exemplares

Direitos Reservados. Permitido o uso das informações desde que citada a fonte.

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