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Boletim Informativo Semestral - Outubro de 2026 - CBH do Rio Pará

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Publicação semestral do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará – nº10

Coletivo pela Ecologia Integral Seminário reúne instituições para discutir ecologia integral e gestão das águas no Alto São Francisco

Comitê aprova pedidos de outorga em Divinópolis e Cláudio Págs. 4 e 5

Entrevista: Alexandre Tofeti (MMA) explica os R$ 40 milhões para recuperação da bacia Págs. 8 e 9

CBH do Rio Pará levará experiências de mobilização e saneamento ao 27º Encob Pág. 12

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EDITORIAL Estar em Sete Lagoas, na Gruta Rei do Mato e na Serra de Santa Helena, para participar do 1º Seminário do Coletivo pela Ecologia Integral das Bacias Hidrográficas do Alto São Francisco, foi uma oportunidade importante para o CBH do Rio Pará. Não apenas pela qualidade das discussões, mas principalmente pela possibilidade de reunir pessoas e instituições que, a partir de diferentes lugares e conhecimentos, compartilham uma preocupação comum: o cuidado com os nossos rios e com os territórios onde eles estão inseridos. A iniciativa da Diocese de Sete Lagoas, por meio da Cáritas Diocesana, do Núcleo Eclesial de Ecologia Integral e da Comissão Episcopal para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB Leste 2, conseguiu aproximar os Comitês das Bacias do Pará e das Velhas, o IEF, instituições de pesquisa e extensão, organizações sociais, comunidades e jovens que estão começando a se aproximar dessa discussão. É justamente essa diversidade que dá força a uma articulação como essa. Durante o seminário, falamos de conservação ambiental, gestão das águas, educação ambiental, cultura, território, pertencimento e participação social. Falamos também de povos originários, comunidades ribeirinhas e agricultura familiar, reconhecendo que a proteção dos rios passa necessariamente pelas pessoas que vivem nesses territórios e constroem, todos os dias, suas relações com as águas. Para mim, uma das coisas mais importantes desse encontro foi perceber que temos muito a aprender uns com os outros. Os Comitês têm uma experiência acumulada na gestão participativa dos recursos hídricos, mas sabemos que a defesa das águas não se faz apenas dentro dos espaços formais de governança. Precisamos ampliar o diálogo, aproximar novos públicos e construir uma rede cada vez maior de pessoas dispostas a cuidar dos rios. Por isso, considero este primeiro seminário um começo. A expectativa é que o Coletivo possa continuar promovendo encontros, trocas e ações, fortalecendo a integração entre os territórios do Alto São Francisco. Quanto mais gente compreender que a qualidade dos rios diz respeito a todos nós, maior será a nossa capacidade de enfrentar os desafios que temos pela frente. E o CBH do Rio Pará segue fazendo a sua parte. Enquanto ampliamos essas articulações, continuam a todo vapor iniciativas como o Programa de Saneamento Rural e o Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água, que levam ações concretas para diferentes territórios da bacia. São frentes de trabalho que se somam à mobilização, ao diálogo e à participação social na construção de uma bacia mais protegida e de rios com melhores condições para todos. Seguimos juntos, fortalecendo essa rede e abrindo novos caminhos para o cuidado com as águas.

José Hermano Franco Presidente do CBH do Rio Pará

Diretoria do CBH do Rio Pará Presidente: José Hermano Franco Vice-presidente: Beatriz Alves Ferreira Secretário: José Augusto Dutra Bueno Secretária-adjunta: Jéssica Bolina

cbhriopara.org.br @cbhriopara

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Produzido pela Assessoria de Comunicação do CBH do Rio Pará comunicacao@cbhriopara.org.br Direitos reservados. Permitido o uso das informações desde que citada a fonte.

COMITÊ DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PARÁ Rua Waldemar de Oliveira, nº 606, Santos Dumont. Pará de Minas – MG - 35.660-359 0800-031-1608 - comitedoriopara@gmail.com

Comunicação: TantoExpresso (Tanto Design LTDA) Direção: Paulo Vilela / Pedro Vilela / Rodrigo de Angelis Coordenação de Jornalismo: Luiz Ribeiro Redação e Reportagem: Henrique Ribeiro, Luiza Baggio e Luiz Ribeiro Revisão: Ísis Ribeiro Pinto Fotografia: Agrinatus, Léo Boi, Rogerio Alves, Udner Rios Diagramação e Finalização: Sérgio Freitas


SETE PROJETOS AVANÇAM EM NOVA ETAPA DO PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO E PRODUÇÃO DE ÁGUA Iniciativa do CBH do Rio Pará selecionou propostas para intervenções em microbacias de oito municípios O CBH do Rio Pará concluiu uma nova etapa do Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água, iniciativa voltada à preservação dos recursos hídricos e ao fortalecimento da segurança hídrica na bacia. O resultado do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) nº 01/2026 classificou sete das oito propostas apresentadas para receber investimentos destinados a ações de conservação ambiental e produção de água em microbacias. A avaliação considerou os critérios técnicos previstos no edital e contou com a participação técnica do Comitê e parecer da Agência Peixe Vivo. Dois projetos da Prefeitura de Carmo do Cajuru ficaram nas primeiras colocações. Em terceiro lugar, foi classificado o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Itaúna. Resende Costa e Passa Tempo empataram na quarta posição, seguidos por Pompéu, Pará de Minas e Desterro de Entre Rios. Em Carmo do Cajuru, os projetos contemplam a continuidade das ações na sub-bacia do Ribeirão do Sapé e uma nova frente na região do Capão Escuro, onde está a nascente do Ribeirão do Empanturrado, considerado o maior afluente do município. “Essa continuidade permitirá fortalecer as ações de conservação de solo e água, proteção e recuperação de áreas de preservação permanente”, explica Jéssica Bolina, superintendente de Meio Ambiente da Prefeitura e secretária-adjunta do CBH do Rio Pará.

Cercamento ajuda a proteger nascentes e áreas de preservação permanente, favorecendo a recuperação da vegetação e a conservação da água no território.

Área rural beneficiada por intervenções do Programa. Ações contribuem para a conservação do solo, proteção dos recursos hídricos e melhoria das condições ambientais das microbacias.

CONSERVAÇÃO NO TERRITÓRIO Iniciado em 2022, o Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água já atua em três microbacias prioritárias: Ribeirão dos Custódios, em Cláudio; Ribeirão do Sapé, em Carmo do Cajuru; e Ribeirão Pari, em Pompéu. Na primeira etapa, 29 dos 35 municípios da bacia apresentaram propostas. As intervenções combinam práticas de conservação do solo e da água, proteção de nascentes, recuperação de áreas ambientalmente sensíveis e controle de processos erosivos. O objetivo é contribuir para a infiltração da água no solo, reduzir o carreamento de sedimentos e melhorar as condições de quantidade e qualidade dos recursos hídricos. A nova etapa já avança para o planejamento das intervenções. Em Carmo do Cajuru, visitas confirmatórias foram realizadas para verificar as áreas indicadas nas propostas e as condições encontradas no território. O próximo passo é a elaboração dos projetos executivos, que vão detalhar os locais e tipos de intervenção, especificações técnicas, quantitativos e demais elementos necessários para a contratação e execução das ações nos municípios selecionados.

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OUTORGA EM ANÁLISE Em processos de grande porte, CBH do Rio Pará avalia pedidos em diferentes etapas, com análise técnica, visita em campo e deliberação do Plenário

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A análise de pedidos de outorga de grande porte é uma das atribuições dos Comitês de Bacia Hidrográfica em Minas Gerais. No CBH do Rio Pará, esse trabalho envolve diferentes etapas até que o colegiado delibere sobre cada processo: a avaliação inicial pela Câmara Técnica Consultiva (CTC), a realização de visitas técnicas, quando necessárias, e a decisão final pelo Plenário. Recentemente, dois processos passaram por esse percurso no CBH do Rio Pará. Os pedidos envolviam intervenções em Divinópolis e Cláudio e foram analisados inicialmente pela CTC, que avaliou as informações apresentadas e levantou questionamentos sobre as intervenções propostas. A Câmara Técnica é responsável por subsidiar tecnicamente as decisões do Comitê. Na primeira análise dos processos, os membros podem solicitar esclarecimentos, avaliar os documentos apresentados e identificar a necessidade de informações complementares. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o processo relacionado à expansão do Parque Jardim Capitão Silva, em Divinópolis. O pedido previa intervenção em cursos hídricos superficiais para a implantação de um loteamento. A CTC considerou o pedido passível de aprovação, mas definiu que seria importante conhecer o local antes de concluir a análise.

Durante a vistoria, os conselheiros receberam informações sobre as características das obras, fizeram perguntas aos responsáveis e verificaram presencialmente as condições da área. As informações levantadas em campo foram incorporadas à análise da Câmara Técnica. A análise do Comitê, contudo, se restringe aos aspectos relacionados ao pedido de outorga. No caso da intervenção relacionada à Lagoa do Sidil, por exemplo, o CBH do Rio Pará avaliou especificamente a canalização das águas. Questões urbanísticas, a revitalização da lagoa e a implantação do parque não faziam parte do objeto de avaliação do colegiado. DECISÃO DO PLENÁRIO Depois da análise técnica e da vistoria em campo, os processos seguem para a deliberação do Plenário do CBH do Rio Pará, instância responsável pela decisão final do Comitê. Na reunião plenária de setembro, os conselheiros aprovaram o pedido referente à implantação de desvio em corpo de água para o loteamento em Divinópolis, e também o processo relacionado à canalização de um córrego para a ampliação de uma rua em Cláudio.

DO PROCESSO AO CAMPO Quando a análise documental não é suficiente para esclarecer aspectos do pedido, a visita técnica permite que os conselheiros conheçam diretamente a área onde a intervenção será realizada. Foi assim que, em agosto, integrantes da CTC, acompanhados por representantes da Agência Peixe Vivo, da Prefeitura de Divinópolis e das empresas responsáveis pelas intervenções, visitaram o local. Integrantes da CTC do CBH do Rio Pará durante visita técnica em Divinópolis: informações sobre a área e as intervenções propostas foram verificadas diretamente em campo.

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UM OLHAR INTEGRAL SOBRE AS ÁGUAS Seminário reúne Comitês de Bacia, instituições e comunidades para aproximar gestão das águas, conservação e Ecologia Integral no Alto São Francisco 6

O 1º Seminário do Coletivo pela Ecologia Integral das Bacias Hidrográficas do Alto São Francisco reuniu, nos dias 19 e 20 de setembro, representantes de instituições ambientais, religiosas, sociais e de gestão das águas em Sete Lagoas (MG). Realizado na Gruta Rei do Mato e na Serra de Santa Helena, o encontro promoveu debates sobre território, cultura, conservação ambiental, recursos hídricos e responsabilidade coletiva no cuidado com a natureza. O seminário foi uma realização da Diocese de Sete Lagoas, por meio da Cáritas Diocesana, do Núcleo Eclesial de Ecologia Integral e da Comissão Episcopal para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB Leste 2, em parceria com os Comitês das Bacias Hidrográficas dos rios Pará e das Velhas, o IEF, o Monumento Natural Estadual Gruta Rei do Mato, a Urbanes Parques e outras instituições. A programação começou com a Oficina Memória das Águas e, ao longo do sábado, reuniu cinco painéis sobre temas como território, pertencimento, direito cultural, conservação dos recursos hídricos, unidades de conservação, recuperação ambiental, educação, participação social e Ecologia Integral. O CBH do Rio Pará participou da programação com seu presidente, José Hermano Franco, que integrou a mesa de abertura e foi um dos palestrantes do segundo painel. O secretário do Comitê, José


Representantes de instituições ambientais, religiosas, sociais e de gestão das águas participaram dos debates sobre território, conservação e Ecologia Integral no Alto São Francisco.

Augusto Dutra Bueno, também participou das discussões sobre território, pertencimento e direito cultural. “A gestão das águas necessita dialogar com os diferentes conhecimentos e as várias formas de relação que as comunidades estabelecem em seus territórios. Uma atividade como esta ajuda a aproximar essas perspectivas e mostra que cuidar das bacias hidrográficas também envolve cultura, memória, educação e pertencimento”, destacou José Augusto. O encontro também contou com apresentações culturais e exposições de artesanato, gastronomia e materiais educativos, incluindo uma mostra dos Comitês dos rios Pará e das Velhas. À tarde, os debates trataram de conservação dos recursos hídricos, recuperação ambiental, tecnologias sociais, unidades de conservação e do Programa de Regularização Ambiental (PRA). O sábado foi encerrado com apresentação musical e confraternização no Centro Pastoral Nossa Senhora do Carmo. No domingo, o seminário teve sua programação encerrada na Serra de Santa Helena, com uma celebração religiosa realizada pela manhã.

José Augusto Dutra Bueno, secretário do CBH do Rio Pará, participou das discussões sobre território, pertencimento e direito cultural.

INTEGRAÇÃO ENTRE BACIAS A presença dos Comitês dos rios Pará e das Velhas reforçou a integração entre diferentes territórios do Alto São Francisco e aproximou a gestão dos recursos hídricos de outras agendas, como conservação ambiental, educação e participação social. Para o CBH do Rio Pará, o seminário também abriu espaço para ampliar a interlocução com instituições e segmentos que atuam na bacia, fortalecendo a construção coletiva de iniciativas voltadas ao cuidado com as águas e os territórios. 7


ENTREVISTA:

R$ 40 MILHÕES PARA RECUPERAR O RIO PARÁ “Queremos que os recursos não apenas recuperem áreas, mas deixem uma estrutura capaz de sustentar novas ações na bacia.” Alexandre Tofeti, MMA

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Alexandre Tofeti, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), explica os critérios, as estratégias e os resultados esperados para a aplicação dos R$ 40 milhões na bacia do Rio Pará.

Projeto apoiado pelo MMA prevê ações em seis municípios e busca ampliar a recuperação ambiental, fortalecer a segurança hídrica e gerar renda na bacia Um investimento de R$ 40 milhões coloca a recuperação ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Pará no centro de uma iniciativa que pretende produzir efeitos para além das áreas diretamente atendidas. Os recursos advêm do Comitê Gestor da Conta do Programa de Revitalização dos Recursos Hídricos da Eletrobras (hoje denominada Axia Energia) e serão destinados a ações de recuperação ambiental. Mas a proposta vai além de recuperar áreas degradadas. O desafio é aproveitar o investimento para fortalecer iniciativas que já existem, envolver diferentes instituições e criar condições para que a restauração ambiental continue gerando resultados depois do encerramento do projeto. Para entender como o projeto foi construído e o que os R$ 40 milhões podem representar para a bacia, o CBH do Rio Pará conversou com Alexandre Tofeti, que atua no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), onde trabalha com iniciativas relacionadas à revitalização de bacias hidrográficas e à recuperação ambiental. Ele explica os critérios que levaram à escolha do território, como os recursos deverão ser aplicados, a articulação com iniciativas que já acontecem e os resultados esperados.


Por que a bacia do Rio Pará foi escolhida e quais critérios definiram os seis municípios contemplados? O Serviço Florestal Brasileiro ajudou o MMA a definir as áreas a partir de dois critérios principais: a concentração de passivos de APPs [Áreas de Preservação Permanente], segundo dados do CAR [Cadastro Ambiental Rural], e a presença de propriedades de até quatro módulos fiscais, nosso público-alvo, formado principalmente por pequenos produtores rurais. A partir desses critérios, foram analisadas as bacias dos Rios São Francisco e Parnaíba, e a bacia do Rio Pará se destacou pela concentração desses passivos ambientais e de pequenas propriedades. Inicialmente, havíamos selecionado 20 municípios, mas percebemos que trabalhar em uma área tão extensa poderia pulverizar os recursos. Consultamos então o CBH do Rio Pará para definir onde a atuação poderia ter maior impacto. A definição das áreas prioritárias está em construção com o olhar do CBH, juntamente com os órgãos estaduais de apoio à regularização ambiental e também com o olhar das prefeituras. Como os R$ 40 milhões serão aplicados e quais são as principais entregas previstas? Esse montante corresponde a uma primeira fase. Queremos executá-la muito bem para que seja possível buscar novos recursos para etapas futuras. O objetivo principal é promover a recuperação ambiental nos municípios selecionados, priorizando as áreas mais críticas. Um grupo de trabalho está definindo onde serão realizadas as intervenções e quais ações serão adotadas. Não queremos apenas recuperar APPs em propriedades rurais. A proposta é desenvolver também ações estruturantes, fortalecer a cadeia da restauração ambiental e criar condições para que esse trabalho continue depois do encerramento do projeto. Queremos melhorar a qualidade e a quantidade de água, mas também fortalecer a recuperação ambiental como uma atividade capaz de gerar renda no território. Qual é o cronograma do projeto e quando as primeiras intervenções devem começar?

esforços para ganhar escala e ampliar os resultados. Qual será o papel dos produtores rurais na recuperação ambiental prevista pelo projeto? O papel dos produtores é fundamental. Uma parcela importante da recuperação de uma bacia hidrográfica depende da adesão dos proprietários. Precisamos identificar os pontos críticos da paisagem, mas, para que as intervenções aconteçam, eles precisam abrir as porteiras, aderir e permanecer engajados no projeto. Também estamos avaliando ações mais estruturantes, que permitam ampliar esse trabalho depois da conclusão do projeto, alcançando outros produtores e novas áreas da bacia. Os R$ 40 milhões podem parecer um valor elevado, mas, diante da dimensão da bacia do Rio Pará e dos problemas de degradação da terra, os recursos são limitados. Por isso, estamos discutindo com os órgãos estaduais e o CBH do Rio Pará quais intervenções podem gerar melhores resultados, aproveitando a mobilização e o engajamento que já existem no território em torno da agenda de recursos hídricos. Como o projeto será articulado às ações que o CBH do Rio Pará já desenvolve na bacia? O grupo de trabalho conta com a participação do IGAM [Instituto Mineiro de Gestão das Águas], do IEF [Instituto Estadual de Florestas], da Agência Peixe Vivo e de representantes do CBH do Rio Pará. Estamos buscando alinhar as ações do projeto ao Plano Diretor da Bacia e às iniciativas que já vêm sendo desenvolvidas no território. A ideia é aproveitar ao máximo essas sinergias e, sempre que possível, ampliar a escala das intervenções. Diante dos desafios de recuperação ambiental da bacia, precisamos potencializar os recursos disponíveis. Somar esforços e aproveitar ações que já estão em andamento é uma maneira de multiplicar os resultados desse investimento. Como os resultados serão monitorados e o que será considerado sucesso para o MMA? O monitoramento será uma das linhas de atuação do projeto. Pretendemos construir, junto com o CBH do Rio Pará e a Agência Peixe Vivo, uma estratégia com indicadores capazes de mostrar os impactos das ações realizadas. Nossa expectativa é recuperar a maior área possível, melhorar a qualidade e a quantidade de água e contribuir para a redução do assoreamento e dos processos erosivos. Ao mesmo tempo, queremos gerar renda e fortalecer a cadeia da recuperação ambiental. O desafio é fazer com que os recursos disponíveis produzam o maior impacto possível e, principalmente, que o projeto deixe ações estruturantes e resultados que permaneçam na bacia.

O cronograma inicial é de 36 meses. A previsão é de aproximadamente dois anos para as intervenções e mais um ano para o monitoramento dos resultados, com possibilidade de prorrogação. Nossa expectativa é iniciar as ações no começo do próximo ano. Neste momento, estamos definindo as áreas prioritárias e buscando locais onde já exista mobilização social, atuação do Estado de Minas Gerais e envolvimento das prefeituras em projetos ambientais. Queremos integrar esses

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CONHECENDO A BACIA DO RIO PARÁ:

UMA NOVA JANELA PARA O MUNDO 10

Livros, brinquedos e recursos tecnológicos convivem em um espaço pensado para aproximar diferentes públicos da leitura e da cultura.

Primeira Mundoteca de MG chega a Divinópolis com livros, tecnologia e atividades culturais Imagine entrar em uma biblioteca e encontrar muito mais do que estantes de livros. Um lugar para ler, brincar, descobrir histórias, participar de oficinas, ouvir contos e trocar ideias. É essa experiência que Divinópolis ganhou recentemente com a chegada da Mundoteca, instalada na Biblioteca Pública Municipal Ataliba Lago. Inaugurada em julho deste ano, a unidade é a primeira do projeto em Minas Gerais e transforma parte da tradicional biblioteca do município em um ambiente mais moderno, acolhedor e interativo. O espaço reúne mais de 800 novos títulos, literatura infantil, juvenil e adulta, clássicos, best-sellers e obras premiadas, além de livros em braile, audiolivros e recursos tecnológicos. A proposta vai além de ampliar o acervo. Criada em 2019, a Mundoteca nasceu com a ideia de transformar bibliotecas em espaços de convivência cultural. Ao longo dos primeiros seis meses, a iniciativa promove uma programação gratuita com contação de histórias, clubes de leitura, oficinas, saraus e atividades artísticas para diferentes faixas etárias. “A Mundoteca é uma iniciativa de incentivo à leitura que leva aos municípios brasileiros um conceito de biblioteca comunitária viva”, explica Fabiana Maugé, responsável pelo projeto. Segundo ela, a intenção é fazer com que a literatura dialogue com outras manifestações culturais e esteja presente no cotidiano das comunidades.


UM ESPAÇO PARA DESCOBRIR

UM PRESENTE QUE FICA

Quem chega à Mundoteca encontra um ambiente pensado para despertar a curiosidade. Para as crianças, os livros dividem espaço com brinquedos e recursos digitais. Para adolescentes e adultos, o acervo reúne desde literatura contemporânea até clássicos e obras que podem acompanhar estudos e preparação para vestibulares. A acessibilidade também faz parte da proposta, com obras em braile e audiolivros.

A Mundoteca é uma iniciativa viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, com realização da FGM Produções, apoio do Ministério da Cultura, patrocínio da Vibra e parceria da Prefeitura de Divinópolis. A administração municipal disponibilizou o espaço e ficará responsável pela continuidade da unidade após o período inicial de acompanhamento.

A programação da Biblioteca Ataliba Lago ajuda a transformar a visita em experiência. Em agosto, por exemplo, houve contação de histórias, o projeto Leiturinha, passeio guiado pelo acervo e atividades para toda a família. “A proposta é fazer da biblioteca um espaço vivo, onde a literatura dialoga com a música, a poesia, as artes e outras manifestações culturais”, resume Fabiana. Os livros e as atividades também abordam temas como sustentabilidade, preservação ambiental, diversidade cultural, equidade de gênero, cidadania, respeito, empatia e responsabilidade social. A ideia é que, além de descobrir histórias, as crianças encontrem situações que ajudem a compreender melhor o mundo ao redor.

Ao fim dos seis primeiros meses, toda a estrutura e o acervo serão deixados como legado para o município, passando a integrar permanentemente a vida cultural da cidade. E a resposta do público, segundo Fabiana, já surpreendeu positivamente. “A unidade superou a expectativa e o espaço tem sido bastante frequentado e aproveitado pela população local”, conta. Para quem ainda não conhece, fica o convite: escolha um livro, leve as crianças, participe de uma atividade ou simplesmente entre para conhecer. Às vezes, uma boa história é motivo suficiente. A Mundoteca de Divinópolis fica dentro da Biblioteca Pública Municipal Ataliba Lago, na Avenida Coronel Júlio Ribeiro Gontijo, 420, bairro Esplanada. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 19h, e também no segundo sábado de cada mês, das 8h às 13h. A entrada é gratuita.

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Expedição Rio Pará Vivo percorreu diferentes territórios da bacia em 2026, aproximando o Comitê das comunidades e fortalecendo a mobilização em torno das águas.

RIO PARÁ ENTRA EM CENA Comitê leva experiências de mobilização e saneamento ao 27º Encob Depois de anos participando de encontros nacionais para conhecer experiências desenvolvidas por outros colegiados, o CBH do Rio Pará chega a uma nova etapa de sua trajetória. Em dezembro, a entidade estará entre os participantes do 27º Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (Encob), desta vez também como protagonista, levando projetos e experiências desenvolvidos na própria bacia para compartilhar com representantes de outras regiões do país.

O Encob é considerado o principal espaço nacional de diálogo, articulação e construção coletiva sobre a gestão das águas. O encontro reúne representantes de Comitês de Bacias, poder público, instituições de ensino, setor produtivo, sociedade civil e especialistas para discutir desafios, apresentar iniciativas e buscar soluções para a gestão dos recursos hídricos. Em 2026, a 27ª edição será realizada em Fortaleza (CE), entre 7 e 12 de dezembro. É nesse espaço que o CBH do Rio Pará pretende apresentar pelo menos dois projetos: a ‘Expedição Rio Pará Vivo: mobilização social, educação ambiental e governança participativa como estratégia de fortalecimento da gestão dos recursos hídricos’ e o ‘Programa de Saneamento Rural da Bacia do Rio Pará’. DE APRENDIZ À REFERÊNCIA

Soluções de saneamento rural integram as ações do CBH do Rio Pará para ampliar o acesso ao tratamento de esgoto e contribuir para a proteção dos recursos hídricos na bacia.

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É justamente a combinação dessas experiências que dá um significado especial à participação do CBH do Rio Pará no Encob. Para o presidente José Hermano Franco, o momento representa uma mudança na trajetória da instituição. “Há cerca de oito anos, quando começou o processo de estruturação do Comitê, a realida-

de era muito diferente. Não havia um conjunto consolidado de projetos e experiências próprias para apresentar”, lembra. Hoje, segundo ele, o cenário mudou: “O Comitê passou a acumular iniciativas concretas, resultados e também aprendizados sobre os desafios encontrados no caminho”. Hermano reconhece que ainda há muito a avançar, mas considera que a possibilidade de compartilhar experiências já demonstra um amadurecimento institucional. “Não conseguimos tudo, está longe ainda, mas já temos como mostrar experiências, inclusive para compartilhar problemas. As soluções e o que a gente fez mostram que a gente subiu muito de nível”, afirma. A participação no Encob também reforça a importância da atuação integrada com a Agência Peixe Vivo, responsável pelo apoio técnico e operacional à execução de projetos e ações. Para Hermano, essa parceria é fundamental para transformar planejamento em ações concretas. “Não existe o Comitê do Rio Pará e a Agência Peixe Vivo. É tudo uma coisa só. A gente trabalha junto pela mesma coisa. Isso muda a perspectiva toda, vira uma grande equipe”, afirma.


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