a revista da rede juรงara - volume 1 de 3 - set de 2011
REJU
Comunidade
Este volume "Comunidade" da REJU, a Revista da Rede Juçara, é o primeiro de três, que tem o objetivo de apresentar o que vem sendo realizado nas comunidades envolvidas pelo bioma Mata Atlântica no que tange ações com a Euterpe edulis, a nossa Palmeira Juçara. Esta árvore que é característica de uma região que abrange vários estados do sul e sudeste e "beliscando" o nordeste do Brasil e que, pela sua exploração descontrolada por anos para o comércio do palmito, veio a integrar a lista de espécies ameaçadas de extinção. Quem está na cidade, nos grandes centros, consumindo essa deliciosa iguaria, talvez não tenha sequer consciência do que isso significa para este bioma - dos mais importantes em diversidade de fauna e flora do mundo. E toda essa problemática acaba, então, tendo suas causas e consequências atingindo diretamente aqueles que subsistem nos locais de mata ou arredores, que há muitos anos vivem de sistemas agroflorestais, mas que sofrem constantemente a pressão da sustentabilidade e do suprimento de uma demanda a um mercado que muitas vezes não lhes pertence. Com a proposta, portanto, de levantar alternativas que possam diversificar tanto a exploração da Palmeira Juçara como também permitir um sustento efetivo na "ponta" dessa cadeia produtiva, é que a Rede Juçara vem apontando a produção de polpa dos frutos da Juçara como importante elemento de geração de trabalho e renda e, inclusive, preservação. A formula parece muito simples e fácil de ser replicável em todo o bioma, mas, na prática, quando se fala em manejo sustentável e regularização de um novo produto, a realidade torna-se um quadro complexo e de inúmeras dificuldades. O que você vai ver nesta edição são os trabalhos realizados em diferentes realidades sociais, econômicas, culturais e ambientais que agricultores familiares e comunidades tradicionais desenvolvem para tornar a polpa de Juçara um produto sustentável e economicamente viável. Da colheita do fruto à comercialização do produto processado, são inúmeras restrições impostas pelas legislações ambiental e sanitária, dificuldades de crédito e financiamento para desenvolvimento da produção, falta de políticas públicas de apoio ao desenvolvimento do uso sustentável das frutas nativas, luta pela manutenção dos territórios comunitários, conflitos territoriais com Unidades de Conservação, conflitos com o avanço da especulação imobiliária, enfim. Mesmo assim, nem tudo são problemas, podendo-se perceber, ao passar-se os olhos por esta revista, a existência de muita força de vontade e criatividade para que as soluções a todos esses empecilhos surjam, de uma maneira ou outra, e que as expectativas de melhora das condições de vida com a produção de um rico alimento possa contribuir também de sobremaneira com a conservação do próprio bioma, tornando essa interação homemnatureza uma realidade possível e um caminho para um futuro próspero a todas as comunidades envolvidas.
Ação Nascente Maquiné - ANAMA; Associação de Desenvolvimento Comunitário do Bairro do Rio Preto; Associação de Economia Solidária e Desenvolvimento Sustentável Guapiruvu - AGUA; Associação de Moradores do Quilombo do Campinho - AMOQC; Associação dos Colonos Ecologistas do Vale do Mampituba - ACEVAM; Associação Papa-Mel de Apicultores de Rolante; Associação para Cultura Meio Ambiente e Cidadania - AKARUI; Centro de Motivação Ecológica e Alternativas Rurais - CEMEAR; Centro Ecológico; Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo - ESALQ/USP; Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo - FF; Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica - IPEMA; Instituto Socioambiental - ISA; Núcleo de Estudos em Desenvolvimento Rural Sustentável e Mata Atlântica - DESMA/UFRGS. 2 - reju
Expediente
Realização REDE JUÇARA - www.redejucara.org.br
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Componente do Projeto 437 MA – Chamada 5: Projetos em Rede - Programa PDA Mata Atlântica/Ministério do Meio Ambiente
Coordenação geral: Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica - IPEMA Coordenação regional sul: Ação Nascente Maquiné - ANAMA
Assessoria de Comunicação: Catarse - Coletivo de Comunicação
www.coletivocatarse.com.br Fotos: Gustavo Türck e Têmis Nicolaidis Foto da Capa: Fernanda Chinelato (AKARUI) Textos e Correção: Gustavo Türck Projeto Gráfico e Diagramação: Têmis Nicolaidis Impressão: Ideograf Tiragem: 3.000 exemplares Jornalista Responsável: Têmis Nicolaidis (Mtb: 13612)
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questao quilombola
Queremos usar a nossa terra como sempre a usamos. As populações quilombolas estão inseridas em praticamente toda a extensão do bioma Mata Atlântica. Na região sudeste do país, destaca-se o Vale do Ribeira, onde o Instituto Socioambiental (ISA) realizou o projeto Semeando Sustentabilidade, juntamente com 12 comunidades quilombolas, resultando em processos de formação, recuperação de mata e geração de trabalho e renda. Em 3 anos, 15 toneladas de sementes foram vendidas a R$ 3,00 o quilo, ocorrendo ainda 43 repovoamentos que cobriram uma área de quase 600 hectares, além da construção de viveiros e da distribuição de mais de 15 mil mudas para os quintais das próprias famílias dos lugares.
Assista à entrevista completa: http://www.redejucara.org.br/site/pagina?id=13
Em Paraty, já no Estado do Rio de Janeiro, há o Quilombo do Campinho, que foi forjado na luta de 3 mulheres, 3 "vozinhas", como as chamam seus descendentes. Mulheres escravizadas que fincaram seus pés na terra quando da época da abolição da escravatura em 1888. Terra esta que foi cortada no meio pela BR-101, trazendo consigo as agruras de um novo mundo, que reinventou as maneiras de se explorar o ser humano e que foi reduzindo pouco a pouco uma área que já foi de muita diversidade em fauna e flora e que servia para a sustentabilidade de quem a tinha como lar. O quilombo hoje conta com 120 famílias e cerca de 500 pessoas morando e se relacionando com o que resta da Mata Atlântica no local. VAGNER NASCIMENTO, líder comunitário - Nossa luta começou quando as primeiras pessoas chegaram aqui pra trabalhar como escravas em uma das fazendas. A região teve, então, um declínio econômico. Paraty foi o caminho do ouro, que vinha de Minas Gerais, mas isso tudo quebrou. No período depois da abolição, acabaram por doar pra três mulheres esta região, pra Vó Tonica, Vovó Marcelina e Tia Camila. Estamos hoje na quinta geração e temos os nossos princípios de povo quilombola na agricultura de subsistência, de resistência mesmo, de manejo e de uso sustentável, plantando pra sobreviver e pra viver com dignidade. E a luta pelo território está junto.
mutirão tanto pelos agricultores daqui como pelos da região - de assentamentos de reforma agrária, outras comunidades tradicionais e outros que também estão inseridos nessa proposta de desenvolvimento local baseado nos princípios da agroecologia. Este viveiro é o berçário, é daqui que saem várias mudas que estão enriquecendo os quintais e os sistemas agroflorestais, as agroflorestas das comunidades. A safra tem sido focada bastante na produção das palmeiras - tanto a pupunha, que, por mais que não seja uma espécie da Mata Atlântica, cumpre um papel muito importante dentro dos agroecossistemas, que é a produção do palmito, e a Palmeira Juçara, dentro da perspectiva de repovoamento e o manejo pra produção do fruto.
REJU - Hoje a gente vê que o quilombo está entre Trindade, uma praia REJU - O enfoque é a produção de polpa? bacana, e Paraty. Sofre pressão de especulação? FÁBIO REIS - Inicialmente é a produção de polpa, mas a gente reconhece o uso VAGNER - A gente está entre as duas maiores metrópoles do país, numa área múltiplo a partir do manejo. A gente espera ter futuramente também o palmito de que tem uma Mata Atlântica conservada, onde a montanha crava no mar. E Juçara, mas dentro de uma dinâmica que, se a gente plantar 10 mil pés, fiquem 7 isso é muito bonito, desperta muito interesse. Então, é a luta do movimento mil para a produção de fruto e 3 mil para que a gente possa em ciclos temporais das comunidades tradicionais contra essa força que é a especulação cortar para ter o palmito. imobiliária, a força que é o capital. E a gente vem batalhando em favor do direito dessas populações permanecerem em suas terras. Tem também a REJU - E como é que tem sido o envolvimento da comunidade? luta com as unidades de conservação pra se poder usar o território da forma como sempre usamos, com manejo e uso sustentável, pro nosso próprio FÁBIO REIS - Bem bacana. Mobilizar a comunidade possibilita o encontro de artesanato e pra usar algumas áreas pra plantio tradicional, pra gerações. Os mais velhos, que sempre viram a Juçara como palmito, começam a reconhecer outra possibilidade no fruto. E isso já garante a palmeira em pé. Já a agroecologia e agrofloresta. juventude sobe e faz a coleta, as crianças, com o Clube do Juçarinha, vêm aqui Os chamados SAFs (Sistemas Agroflorestais) são uma realidade incentivada plantar. Agregam-se 3 gerações, e está todo mundo plantando, não se fala mais em no Quilombo do Campinho. Fábio Reis, assessor técnico na atividade, cortar indiscriminadamente. Vamos cortar daqui a alguns anos, quando tiver descreve como está sendo reinserida a Palmeira Juçara nessa realidade de bastante, mas a princípio vamos coletar o fruto pra fazer a polpa, tomar a polpa. E já começa a entrar na cultura, com música de jongo que fala da Juçara... Então, já resistência. começou a internalizar de uma forma bem dinâmica, que não é só o plantio pelo FÁBIO - Há aqui um viveiro que veio com a proposta de fomentar e ampliar a plantio, nem só o alimento pelo alimento. Se está dentro de um contexto cultural que interage e dialoga com outras atividades dentro da comunidade. agroecologia na região. Tem 6 anos e hoje em dia é tocado em regime de
Se encontraram a mata preservada, nós é que estávamos preservando. No Quilombo da Fazenda, cerca de 20 quilômetros ao sul do Quilombo do Campinho, em uma área de 790 hectares, dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, o conflito é comum. A luta pelo território na questão quilombola só se diferencia pelas especificidades regionais e pelos interesses envolvidos. Neste caso, em Ubatuba, numa área de preservação, o Estado e os remanescentes brigam pra definir quais os limites físicos das áreas e também quais seriam os limites de utilização dos recursos naturais locais. Pra quem passou a vida toda ouvindo as histórias dos parentes mais antigos, que traçam na oralidade as características de seu povo, usufruir da mata sempre foi muito natural dentro de limites sustentáveis - um conhecimento inerente, passado de pai pra filho, colocado, agora, em cheque pelas fronteiras legais de um poder público que antigamente os tinha como escravos e que hoje os toma por destruidores. REJU - E vocês estavam aqui antes da chegada do parque? LAURA DE JESUS BRAGA, líder comunitária - Nossa! Muito antes do parque. E quando ele chegou, dificultou muito. Perdemos a nossa cultura, não se podia mais plantar, pescar. A gente não podia mais construir, muitos jovens foram embora, muitas pessoas saíram do seu
local, mas aqueles que continuaram resistindo e lutando descobriram que eram remanescentes de quilombo. Aí começou toda uma luta que hoje é pela titulação. REJU - Vocês historicamente já trabalhavam a exploração da área, o uso sustentável? LAURA - Sim, porque, na verdade, se eles encontraram uma mata preservada, nós é que estávamos aqui preservando, se não não tinha nada. Os antigos, os mais velhos, meus avós, meus pais, eles já tinham toda esta prática de manejo, eles conheciam tudo, apesar de serem analfabetos, eles tinham uma sabedoria incrível, tudo eles faziam com manejo. Se eles iam caçar, não matavam a caça na época da cria, o peixe a mesma coisa. Se iam pegar cipó pra fazer o artesanato, eles manejavam. Eles tinham essa sabedoria. E aí o parque chegou e colocou a gente como destruidores. Nós não somos destruidores, de maneira nenhuma. A gente é que preservava mesmo. E, agora que temos essa visão de que não se precisa mais cortar a palmeira, vai ter cada vez mais Juçara no quilombo. Vamos usar o fruto, a polpa, e reflorestar a Mata Atlântica cada vez mais. Confira a receita de Peixe com Juçara feita pela Laura na contra-capa e a entrevista na íntegra: http://www.redejucara.org.br/site/pagina?id=13
imigrantes
Com manejo sustentável, a floresta nunca se acaba. A paisagem que se vê é interessante. Uma urbanização às margens de rios e morros, onde cidades florescem com uma dinâmica um tanto bagunçada, com carros para todos os lados. É o caminho de Blumenau a Presidente Getúlio - a primeira, uma das maiores cidades do estado de Santa Catarina. E, à medida que seu conurbado se dilui em propriedades com quintais, elas aparecem. Não em unidades, mas em dúzias. Em alguns jardins, são mais de 50, 100 palmeiras. O carro, então, para, faz o contorno, entra em uma rua de chão, ao pé de um morro, de onde se vê uma casa com uma "linha" de palmeiras à frente e um capão aos fundos. A imagem vale algumas fotos. - Olá, estamos em um projeto sobre essas palmeiras que você tem aqui na frente. Será que a gente poderia tirar... - Não! Não pode tirar nada! Isso é para os pássaros, para os tucanos! - Não, minha senhora. A gente quer é tirar fotos... A estética e a companhia de pássaros é a resposta mais frequente que se encontra quando se vai conversar com os donos de quintais recheados de Juçara. E é nesse contexto, também de densa imigração européia, que a CEMEAR, instituição integrante da Rede Juçara, procura trabalhar a conscientização local, informando e colhendo - não tudo - os frutos daquelas árvores para transformar bagas em polpa de fruta com alto valor nutricional. "Nos quintais é mais fácil" - afirma Jaciel Folmer, um dos técnicos da instituição. Já nas áreas rurais do entorno da sede de Presidente Getúlio, trabalha-se o manejo agroflorestal, que vai desde a plantação de áreas de Juçara mesclada com outras espécies nativas até o consórcio com espécies de abelhas também nativas, agente fundamental para a polinização da flora local. Na propriedade do Seu Lindomar Spredemann já são centenas de palmeiras plantadas e dezenas de caixas de abelhas, onde já se pode ver pelo chão a quantidade de novas árvores que vêm surgindo e que povoarão de maneira sustentável aquela área - gerando trabalho e renda para sua família, sem a necessidade de que eles assumam a cultura tradicional local do fumo. LINDOMAR - Estamos em uma área de manejo. Aqui a gente está limpando o mato pra ficar menos sufocado. Esta área aqui já está cheia de palmeiras, a gente não precisa nem reintroduzir. A própria natureza se encarrega disso. Como tem plantas adultas, a gente está vendo que a natureza se encarrega de fazer o ressemeio. Se a gente fizer levantamento, vai passar de 2 ou 3 mil plantas aqui. REJU - Este manejo serve pra entrar mais luz? E isso favorece a planta? Ela amadurece antes? LINDOMAR - É, ela se desenvolve com mais qualidade. Fica verde, cresce mais rápido e frutifica mais cedo. Fora isso, a gente também desenvolve o sistema da própria natureza, das árvores nativas, que conseguem se sobressair das florestas novas. A regeneração florestal acontece mais rápido. REJU - Quanto tempo as abelhas aqui estão consorciadas com a palmeira? LINDOMAR - A primeira colmeia tem dois anos e vai bem aqui, muito bem. As mirins e jataí vão com a palmeira. Já a guaraipo, mandassaia, essas maiores, não consegui ver ainda nos cachos das palmeiras na época da floração. REJU - Desde muito tempo tem Juçara aqui? O palmiteiro? LINDOMAR - O palmito Juçara é nativo daqui, sempre existiu. Desde que me conheço por gente, eu conheço o palmito. REJU - Mas vocês extraíam o palmito? Foto: Cemear
LINDOMAR - Extraía. Às vezes a gente ainda extrai pra fazer uma salada. Isso eu não nego. Faz alguns anos, o pessoal entrou aqui e fez um saque meio grande, roubaram um monte de palmeira. Eu fiquei indignado, vim aqui e cortei todas as que estavam maduras e vendi. De tão aborrecido que fiquei. Hoje já estou vendo que se recuperou bem de novo, então, se não houver novo saque, a gente vai ver daqui uns anos isso aqui forrado de palmeira adulta. JACIEL - Mas a ideia sempre foi só fazer o corte das palmeiras e não a retirada do fruto? LINDOMAR - Exatamente. A retirada do fruto faz uns 4 ou 5 anos que estamos fazendo pra despolpa. É uma ideia nova, uma coisa que está engatinhando ainda. A longo prazo, calculo que vai dar coisa boa ainda. Eu vejo que isso aí tem futuro. JACIEL - Pra ti, qual que é o mais rentável? Colher o fruto ou tirar a cabeça do palmito? LINDOMAR - Se fosse fazer hoje, tirar a cabeça do palmito ainda é mais rentável, que é a coisa de imediato. Agora, se, no futuro achar um mercado bom, tirar o fruto e despolpar vai ser muito mais rentável. Em vez de eu tirar uma cabeça de palmito, que leva 10 anos para se formar uma planta adulta, vamos considerar que se tire uns 2,5 quilo de polpa por ano, a 6 reais, são 15 reais de polpa por ano por palmeira. Se eu cortar o palmito, considero tirar dele uns 5 reais por palmeira em 10 anos. Então, se a gente fizer o cálculo, a diferença é enorme. REJU - E preserva a planta, preserva a fauna...
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LINDOMAR - Tudo isso é uma coisa que a gente tem que pensar. Tirando a palmeira, pode fazer ela entrar em extinção, e se a gente deixar a palmeira, tirar os frutos... E mesmo que tire todos os cachos bem maduros, alguns frutos os passarinhos já conseguiram consumir e dispersar. Então, você nunca consegue erradicar. Isso é manejo sustentável. Não é só da palmeira que se faz o manejo sustentável, de toda a floresta a gente pode fazer. Com manejo sustentável, a floresta nunca se acaba. Nenhuma árvore, nenhuma espécie.
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Tem banana, Juçara, tem bergamota. Onde a palmeira deu lugar às bananas nas encostas quase até o topo dos morros, no litoral norte do Rio Grande do Sul, em Morrinhos, há a propriedade de Elias Strege, que ele toca ajudando seu pai. Lá eles são considerados loucos, relaxados até. Isso tudo porque resolveram plantar no meio do seu bananal Juçaras e outras árvores nativas, dando uma visão "suja" perto daquela monotonia dos bananais monocultivados, com seus cachos ensacados recheados de veneno. Ali a lógica é outra. ELIAS - A gente trabalha em sistema agroflorestal. Tem banana, Juçara, tem bergamota. Estamos plantando abacaxi no meio da banana e da Juçara. REJU - E desde quando vocês estão trabalhando com a Juçara? ELIAS - Desde antes de trabalhar com orgânico. É uma ideia que o pai tinha, porque todo mundo falava que a banana iria acabar por causa das doenças, daí ele começou a implantar a Juçara por causa do palmito. Isso já faz uns quinze anos. REJU - Mas era pro palmito ou pro fruto? ELIAS - Palmito. A gente nem tinha noção do valor comercial que o fruto está tendo hoje. REJU - Na feira tu vendes a polpa processada. Tem uma aceitação boa? ELIAS - Na feira tem. O pessoal que não conhece pede informação, eu explico como é feito, eles levam pra casa, fazem, gostam e voltam pra levar mais. REJU - Aonde mais vai a produção de vocês? ELIAS - Na merenda escolar. Principalmente nos municípios mais pertos. Agora estamos fechando contrato com Tramandaí...
Nem só de trabalho vive o homem Os povos imigrantes são comumente identificados no Brasil meridional como pioneiros e muito trabalhadores. Italianos e alemães fortificam-se nessa ideia e desenvolvem as regiões onde se instalaram há mais de século. Mas também são gente muito festeira, alegre e agregadora. De sotaque bastante carregado de gringo, como diriam os gaúchos da capital -, Décio Tramontim idealizou, junto com alguns amigos, a Festa da Juçara no município de Maquiné, situado aos pés da Serra Geral, no Rio Grande do Sul, próximo ao litoral norte, numa região de muitas lagoas e vales. REJU - Como surgiu a ideia da Festa da Juçara em Maquiné? DÉCIO - Surgiu por 3 motivos: o primeiro foi pra não terminar com a ripeira do mato, o palmito, né, a Juçara. O povo está vendo que a palmeira tem valor em vários aspectos, além da alimentação dá pra fazer até festa! Segundo, eu sempre pensei bastante em ter aqui um espaço pro turismo, pra se conhecer o povo. Na verdade eu queria fazer um outro evento, mas como estava trabalhando com a Juçara e nos inticaram... Em outro aspecto foi pra juntar o pessoal que não gosta de ficar muito no movimento de carnaval, que gosta de pouco barulho. Se na nossa festa tiver um gaiteiro no canto, é sem caixa de som, é sem barulho alto! Então, é praquele que quer vir pra festa pra descansar, não pra fazer folia, pra fazer uma receita nova, pra trocar ideia. REJU - E tu acha que a festa cumpre a função de passar informação pras pessoas? DÉCIO - Bastante. Além de ser uma coisa do lugar, mostra o produto, incentiva os agricultores a plantar. Eu dei muita semente em punhadinho, e tudo vai plantado. Foram 2 edições até agora da Festa da Juçara em Maquiné. Ambas foram tocadas em regime de mutirão, envolvendo, entre outras pessoas, o apoio da Anama, instituição integrante da Rede Juçara, e da Içara, uma associação local de produtores de Juçara. Mais de mil pessoas passaram pelos 4 dias de cada festa, consumindo a polpa e aprendendo, entre outras coisas, todo o caminho de sua produção em oficinas realizadas para demonstrar a experiência de se apanhar o fruto no mato e de se fazer a polpa em casa.
Feira agroecológica em Torres - RS. REJU - Vocês estão conseguindo notar incremento na renda de vocês? ELIAS - Com certeza! A partir do que a gente vai se aprimorando nas técnicas de colheita e na organização da propriedade, com certeza se vai tirar mais lucro dessas áreas. Antes a gente tirava só banana - o que colhia de banana era o dinheiro. Agora, a gente está tirando a Juçara, as bergamotas que estão plantadas no meio e por aí vai.
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Roça de pai para filho
No município de Ubatuba, recortado pelo relevo da montanha encontrando o mar, que faz a linha costeira multiplicar-se em dezenas de praias, para o lado da serra, há o Sertão do Ubatumirim. Uma área que fica em grande parte dentro do Parque Estadual da Serra do Mar. Por consequência, uma zona conflituosa, de muitas histórias de confrontos entre o poder público e a população tradicional caiçara que habita a região há muito tempo - antes, inclusive, da chegada das fronteiras conservacionistas do Estado. Enquanto não existe uma ação definitiva que acabe ou flexibilize as permissões do uso daquele território, aquelas pessoas que viveram a sua vida inteira da roça na montanha, tendo seu conhecimento - e sua propriedade - passado de pai para filho, seguem produzindo em sistemas tecnicamente reconhecidos como Sistemas Agroflorestais (SAFs) - à parte daqueles que veem nessa indefinição uma oportunidade para grilar terras, desmatar ou explorar a área até sua exaustão tirando o máximo de lucro dela, sem a preocupação de uma sustentabilidade que possa gerar trabalho e renda para uma família por algumas gerações. "Nem quero que chegue a luz até aqui em cima, porque senão tem gente que vai destruir tudo!", afirma Manuel Alves dos Santos, o Manecão, que se sustenta em uma área onde planta banana, mandioca e Juçara, mas que também percebem-se outras plantas literalmente brotando de seu SAF, como o mamão e a Ora-pro-nobis, por exemplo, um vegetal rico em proteína e ferro que pode substituir o alface em saladas ou sanduíches. MANECÃO - Esta área era do meu pai, que já produzia nela, mas nessa quantidade que tem hoje. Ele está com setenta e alguma coisa e sempre viveu da roça. Hoje, nós também pegamos o ramo dele e continuamos. REJU - Antigamente se fazia a roça e se derrubava a Juçara? Pra extração do palmito? MANECÃO - Muita gente nem fazia a extração do palmito, porque já era um preço insignificante. Muitos cortavam porque diziam que ressecava a terra - como tem hoje muita gente que ainda fala. REJU - Quanto tempo faz que vocês estão envolvidos na produção de polpa de Juçara? MANECÃO - Há mais ou menos 4 anos. E isso tem nos dado outra renda. A palmeira não ocupa muito espaço na roça, eu consigo diversificar. Tem várias outras plantas que se pode por junto nessa área de 8 hectares que fazemos a colheita. Manecão já envolveu sua família na produção de polpa, começando a passar, como pai, seu conhecimento adquirido recentemente ao seu filho: "Palmeira que nem essa aqui, menorzinha, ele já sobe fácil fácil pra colher". E o ciclo se completa.
protagonismo
Me emociono muito falando dessa agroindústria, porque são anos de luta. Na região do litoral norte do Rio Grande do Sul algo acontece. Nas beiradas de uma lagoa, não tão distante da linha do mar, mais próximo das encostas da Serra Geral, que depois vai se ligar à Serra do Mar, há muito mais acontecendo do que duplicações de estradas e obras de planos de desenvolvimento nacional. No pequeno município de Três Forquilhas, depois de se cruzar um rio em um pontilhão, que a cada chuvarada precisa ser reparado, em um pequeno terreno doado, uma agroindústria se constitui com o objetivo de trabalhar a despolpa dos frutos da Palmeira Juçara intercalando-se com um pequeno panifício. Estamos na sede da Associação de Mulheres Agricultoras para o Desenvolvimento Comunitário de Três Forquilhas, a AMADECOM, conversando com Celi Aguiar Machado, uma de suas fundadoras. Celi se emociona e traça, juntamente com outras mulheres, um novo caminho em sua vida. Um caminho de protagonismo, de luta, rompendo com a lógica tradicional da família nuclear baseada no patriarcado típico de regiões assim no Rio Grande do Sul -, em que o papel feminino restringe-se ao lar, ao trato com os filhos e ao atendimento das necessidades do provedor da família - o homem.
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CELI - A AMADECOM surgiu da vontade das mulheres de se organizarem juridicamente e da necessidade da formalização para produção. A gente precisava ter a associação, ter um cnpj. Isso tudo vinha de um anseio muito grande de geração de renda, até para ajudar nas despesas familiares, porque tem sido muito ruim, se está sempre pedindo dinheiro para o marido... REJU - E no que vocês começaram trabalhando? CELI - O começo foi com plantas medicinais. A gente fazia pomadas e elixires para as próprias famílias. Tínhamos, então, somente uma parte de madeira pra nos reunir, mas sabíamos que deveríamos ter uma estrutura melhor. E o Centro Ecológico, sabendo da nossa angústia, nos colocou dentro de um projeto em que fomos beneficiadas com a construção desta agroindústria. O carro-chefe aqui vai ser a polpa do açaí da nossa Palmeira Juçara! REJU - Vocês aprenderam a colher? CELI - Tivemos curso de boas práticas, e uma das oficinas foi de como cortar o cacho da fruta no mato, explicando que a gente não poderia retirar tudo e teria que deixar também para a natureza. Nós queremos preservar, queremos cuidar do meio ambiente, mas queremos também fazer parte dele, não ficar de fora. REJU - Quer dizer que, através da Juçara, vocês mulheres estão trabalhando também um processo de auto-estima, de protagonismo?
CELI - Eu sempre lutei pela independência da mulher. Sempre ia nas reuniões de formação e dizia que precisávamos da nossa independência financeira. Não é por nada, mas o machismo aqui na área rural impera. É muito difícil trabalhar. Tem muitas mulheres que têm vontade de vir e não vêm porque os maridos não permitem, dizendo que vamos fazer lavagem cerebral na cabeça delas. REJU - É aquela coisa da mulher ter que estar em casa fazendo comida para o marido...
CELI - Com certeza! A nossa auto-estima está lá em cima. Com a perspectiva de geração de renda, a própria comunidade começa a ver com outros olhos. É uma forma até de agregar, de se buscar mais mulheres para o grupo.
CELI - Isso. Lugar de mulher é esquentando a barriga no fogão e esfriando no tanque. É isso que eles dizem. Então, isso aqui é um sonho. Me emociono muito de falar desta agroindústria, porque são anos de luta...
REJU - Neste caso, Celi, o interessante é que aqui é um local rural, meio tradicional, onde normalmente a mulher fica em casa... E vocês estão tocando isso tudo.
Algumas lágrimas caem pelo rosto, tocando os lábios que agora formam um grande sorriso. Celi encerra a entrevista assim, para depois nos mostrar toda a estrutura de como está sendo montada a agroindústria.
Plantei a Palmeira Juçara A planta da nova esperança Vamos fazer da sua polpa Suco pra nossas crianças Fazer pão e bolinho E também a sobremesa Pois a Palmeira Juçara É filha da mãe natureza Eu já estou muito velha Mas ainda posso plantar Sei que não posso colher Só se meus netos ajudar Sei que não posso colher Nós vamos te ajudar
Rafaela (Praia do Sono - Paraty, RJ)
Dona Alzira e suas netas. Riozinho - RS. Assista ao clipe: http://www.redejucara.org.br/site/pagina?id=15
Ter a Juçara por perto faz sentir uma grande diferença. Você vai ver muitos outros passarinhos, você vai ver tucano chegando perto da sua casa, as sementes germinando, você vai ter um carinho a mais vendo as sementes germinando.
Juçara em família Dona Lourdes é mãe de Sebastiana, irmã de Daniel, que é marido de Francisca, irmã de Maria Arizangela, que é casada com José, filho de Dona Lourdes, tia de João, casado com Benedita... Uma família unida, do município de Natividade da Serra, Estado de São Paulo, lá em cima, na beirada da Serra do Mar, próximo a Ubatuba. Tem geração de trabalho e renda para todos - são dois viveiros em constituição, iniciando grande produção de mudas de Juçara, juntamente com algumas outras espécies nativas da Mata Atlântica, que se somam ao protagonismo da maioria feminina, que sobe na palmeira, colhe os cachos, arrasta-os pela mata e faz acontecer a transformação de uma "baguinha" em uma polpa riquíssima em nutrientes e antioxidantes. Dona Lourdes Maria dos Santos Alves, no alto dos seus 55 anos, como boa matriarca que é, envolve a todos em todos os processos de produção. Ela mesma, inclusive, já subiu e colheu o fruto que alimenta não só os pássaros, mas também a esperança de sustentabilidade de sua família e da própria Mata Atlântica. No distrito de Vargem Grande, são em torno de 800 moradores, e na escola da comunidade, já se faz a merenda com a Juçara processada pelo grupo de que participa a família de Dona Lourdes. E não é só a polpa para suco, se está fazendo bolo também, que, segundo a nora Francisca Arinilse Freires da Silva, as crianças adoram. Outra demanda crescente é com relação as mudas da palmeira, que estão sendo compradas na região pelas empresas que trabalham a compensação ambiental em virtude de obras com um gasoduto entre as cidades de Taubaté e Caraguatatuba. Já foram vendidas cerca de 30 mil, o que permitiu à esposa do sobrinho de Dona Lourdes, Benedita da Luz, melhorar a sua casa e participar na constituição da renda familiar. Aliás, João Domingos Alves também está nessa - Dona Lourdes conseguiu envolver a todos, e parece que vem mais por aí...
Foto: Fernanda Chinelato - Akarui
REJU - E, Dona Lourdes, quais são os planos para o futuro? DONA LOURDES - O nosso plano é de continuar. Aumentar, registrar o viveiro, aumentar o galpão e trabalhar, porque foi bom pra nós. E tenho um outro neto que diz que quando crescer vai ser coletor também. Ele já sobe em qualquer arvorezinha. REJU - E quantos anos ele tem? DONA LOURDES - 7 anos. E pode ter certeza que quando ele tiver 10 ou 12 anos já vai subir na Juçara! Se a gente deixar, é claro.
Assista à entrevista: http://www.redejucara.org.br/site/pagina?id=15
A semente da Juçara Lá na mata da Jurema Eu vi uma capivara Ela tava bem comendo A semente da Juçara Perguntei pra capivara Que semente é essa aí? Ela então me respondeu É o tal juçaraí
Assista à entrevista: http://www.redejucara.org.br/site/pagina?id=15
O povo africano, escravizado em terras estranhas ao seu lar, tem uma relação milenar com a natureza, tendo em suas representações mitológicas os chamados orixás, que relacionam-se cada qual com um aspecto natural - o mar, o vento, a mata... No Quilombo do Campinho, em Paraty, Laura Maria dos Santos trabalha incessantemente com a juventude do lugar para completar uma conexão entre o trabalho em sistemas agroflorestais e essa cultura hoje já tão distante, mas não acabada, das raízes do que restam na matriz africana do povo negro brasileiro. Junto com outros moradores do quilombo, ela toca o ponto de cultura da associação local, promovendo oficinas, que vão desde a construção de tambores e a percussão até a dança do jongo e a produção de músicas que passam a retratar a contemporaneidade naquela comunidade, para que eles possam, então, a partir de agora, deixar registrada a sua própria história.
LAURA - O nosso grande desafio é fazer com que as crianças e os jovens consigam entender todo este processo, toda esta vivência que eles participam. Essa coisa da criança enxergar a comunidade dela, o valor que sente numa roda de jongo, em outras rodas, de capoeira, de samba... Estamos há muito tempo trabalhando a cultura afrobrasileira. Em 1998, os meninos criaram o Encontro da Cultura Negra, que hoje já está na 12ª edição. A gente resgatou com isso algumas atividades, como a dança afro, por exemplo. E o ponto de cultura nos norteou pro nosso processo educacional, fazendo a gente enxergar por onde deveríamos caminhar, e é assim que a gente está construindo nosso modelo de educação. Porque é a cultura que forma, a cultura é a prática. A criança vai pra agrofloresta, e isso faz a gente se considerar um campus de estudo. Porque a criança está aqui e, em todos os processos, está aprendendo. Isso aqui é deles, isso aqui é comunitário. Um dia eles que vão gerir isso tudo. REJU - Qual é o papel que tu enxerga da ancestralidade no futuro aqui do quilombo e de outros quilombos? LAURA - É passado e é presente. E está o tempo todo junto com a gente. Eu acredito que eles estão o tempo todo nos apoiando, nos fortalecendo, dando energia. A gente enxerga o que eles criaram. Tudo isso que está aqui, que a gente está fazendo - capoeira, jongo, samba -, foram eles que criaram. E são eles que nos dão a força através da energia, da espiritualidade. Eu acredito que o tempo todo a gente cohabita. O mundo invisível cohabita com o visível. REJU - Não existe coincidência? LAURA - Não. Existe sinergia. A gente vai buscar e encontra... Você quer aquilo e aquilo vem!
na cozinha
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peixe com jucara i uma receita quilombola Ingredientes: 1 kg de peixe (sororoca, olhudo, anchova, garoupa, carapau, tainha, robalo e outros) 1 copo de suco de juçara ou até cobrir o peixe 2 cebolas 3 tomates 1 pimentão vermelho (metade) 1 pimentão amarelo (metade) salsinha e coentro a gosto 2 colheres de azeite de dende meio vidro de leite de côco sal a gosto
Modo de preparo: Temperar o peixe com limão e sal meia hora antes do preparo. Em uma panela colocar 2 colheres de azeite ou óleo, cebola em rodela, rodelas de tomate e rodelas de pimentão, acrescentar o peixe formando camadas como se fosse uma moqueca, acrescentar o suco de Juçara, quando começar ferver, colocar o azeite de dendê, o coentro e a salsinha, depois de 2 minutos, colocar leite de côco e sal a gosto, deixar ferver por aproximadamente 3 minutos, com o caldo, fazer o pirão com farinha de mandioca.
REJU - E vocês já estão incorporando a Juçara na cultura alimentícia do quilombo? LAURA - Com certeza. Isso agregou um valor maravilhoso às comidas, à gastronomia, que a gente hoje faz com a Juçara. A gente está fazendo peixe, muqueca com Juçara, que está fazendo o maior sucesso. Agora, ultimamente, inventei o risoto de lula, camarão e Juçara. O povo está amando!
Criada por Laura de Jesus Braga, do Quilombo da Fazenda
Batidas com jucara i
Juçara com Banana
Batida de Iogurte com Juçara e Granola
- 100 g de polpa de Juçara congelada - 1 banana - 1 fruta cítrica (limão, cambuci, maracujá) - adoçar a gosto (com mel, açúcar mascavo ou açúcar cristal)
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Preparo: Misture todos os ingredientes acrescentando um pouco de água e bata no liquidificador. Rende um copo grande.
Preparo: Bata bem no liquidificador a banana com a polpa de Juçara, o iogurte e o mel. Despeje a mistura em 4 copos, distribua a granola e sirva em seguida.
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colher de sopa de mel banana copo de iogurte natural colheres de sopa de granola xícaras de chá de polpa de Juçara