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CreativeLab_Sci&Math | Entrevista a Octávio Mateus

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Ficha de trabalho “Entrevista a Octávio Mateus” Turma: 7.º____ Nomes

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Lê, atentamente, a seguinte entrevista, feita a um dos mais reputados paleontólogos mundiais, Octávio Mateus, e responde às questões. Entrevista A. O despertar para a paleontologia Entrevistador – Podemos iniciar esta entrevista por alguns aspetos da sua biografia. É sabido que nasceu na Lourinhã e que a sua família foi muito importante para o despertar do seu interesse pela ciência. O que nos pode contar sobre a sua infância? Octávio Mateus – Os meus pais foram os fundadores do museu da Lourinhã e eram arqueólogos amadores. Desde muito cedo acompanhei-os na procura de fósseis, em escavações de arqueologia ou na prospeção de grutas. Portanto, estou ligado a essas áreas desde muito novo. Fiz a minha primeira expedição científica com três/quatro anos de idade, ao lado dos meus pais! A minha primeira escavação ocorreu quando eu tinha sete anos. Tratou-se de uma escavação de arqueologia. A primeira descoberta significativa que fiz foi um dente de um dinossauro carnívoro que mais tarde batizei como uma nova espécie: o Torvosaurus gurneyi (figura 1). Trata-se de um dente relativamente grande e descobri-o com nove anos. Depois, participei também nas numerosas escavações que o museu fez na região da Lourinhã.

Figura 1. Octávio Mateus descobriu um dente de dinossauro quando tinha nove anos. Mais tarde, batizou-o como uma nova espécie, o Torvosaurus gurneyi (fotografia cedida por Octávio Mateus).

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B. A preparação de uma expedição Entrevistador – Que preparativos realiza um paleontólogo antes de partir para uma expedição científica? Octávio Mateus – A preparação de uma expedição científica é muito importante. É essencial conhecer cientificamente o local que vamos visitar, como por exemplo, o tipo e a idade das rochas que existem nesse local. Devemos também identificar as dificuldades técnicas que vamos enfrentar quando estivermos a escavar o terreno, assim como conhecer as suas particularidades em termos de segurança e bem-estar para os paleontólogos. Para isso, é necessário, por exemplo, conhecer as condições climatéricas do local e averiguar a existência de animais perigosos, assim como planificar os aspetos logísticos da alimentação e da hidratação dos investigadores. É necessário, também, obter a autorização das autoridades locais para retirar os fósseis, planear a melhor forma de os retirar, saber com que colegas vamos trabalhar no local, etc. Toda essa preparação é específica para cada expedição científica e pode ser bastante elaborada. Por exemplo, nós também fazemos escavações em Angola, o que é bem mais complicado do que efetuar uma escavação na Lourinhã. Entrevistador – Quais são os materiais que os paleontólogos normalmente levam para o campo? Octávio Mateus – Os materiais essenciais são umas boas botas, um bom chapéu e uma mochila com um martelo, um martelo/picareta, um escopro, sacos de amostras, cola, um caderno de campo e um lápis. Também ajuda ter um sistema de localização geográfico (GPS) e uma máquina fotográfica para registar tudo o que estamos a fazer. Os restantes materiais dependem do local. Há sítios que exigem equipamentos mais pesados (figura 2).

Figura 2. Trabalho de campo realizado em Shine UsKhuduk, na Mongólia, em 2007, utilizando diferentes materiais (fotografia cedida por Octávio Mateus).

C. O trabalho de campo Entrevistador – Quando os paleontólogos chegam ao local da expedição, como iniciam o trabalho? Octávio Mateus – À partida, nós já sabemos quais são os locais mais propícios a conterem vestígios de dinossauros ou outros fósseis. Antes de irmos para o campo, estudamos as cartas geológicas relativas ao local da expedição, identificando zonas que contêm rochas sedimentares com as características pretendidas (por exemplo, rochas com uma determinada idade). Um local onde já ocorreram descobertas

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científicas é um local com potencial para novas descobertas. A partir daí, fazemos um pouco de prospeção, ou seja, caminhamos com os olhos postos no chão, à procura dos primeiros vestígios. Os primeiros vestígios, às vezes, não são nada importantes, mas, outras vezes, um pequeno osso pode levar a localizar um esqueleto inteiro! Nesses casos, é a partir de uma extremidade de um osso que está exposta que vamos começar a escavar (figura 3). Entrevistador – Como é que, no terreno, se distingue um osso fossilizado das rochas envolventes? Que tipo de indícios os paleontólogos procuram? Octávio Mateus – Os ossos distinguem-se normalmente pela sua cor, pela textura e pela forma. Habitualmente são diferentes das rochas em redor. Portanto, a partir daí, com um olho treinado e alguma experiência de campo consegue-se descobrir um fóssil, para a seguir o escavar. Isso também depende das rochas… há rochas que são muito brandas e basicamente precisamos de um pincel para afastar a areia. Contudo, há outras que são bastante duras e precisamos de um martelo pneumático, ou mesmo uma retroescavadora para escavar a rocha que rodeia o fóssil. Quando o osso está completamente limpo, retirado da rocha, cobrimo-lo com gesso. O procedimento é semelhante ao que se faz quando temos um braço partido: coloca-se gaze engessada em redor do fóssil. De seguida é transportado para o laboratório, onde é preparado, limpo e estudado.

Figura 3. As escavações paleontológicas são, frequentemente, um trabalho em equipa (fotografia cedida por Octávio Mateus).

Entrevistador – O trabalho de um paleontólogo assemelha-se ao trabalho de um detetive. A partir de vestígios do presente, é possível reconstituir a história da vida na Terra. Concorda? Octávio Mateus – Exatamente. É um trabalho científico. O que um bom paleontólogo deve fazer é descobrir as novidades que as rochas e os fósseis trazem. O termo “detetive” é muito adequado a esta situação. Em muitos casos, o detetive investiga um crime no qual a vítima já não pode falar, pelo que vai ter que descobrir as pistas para identificar o criminoso. Os paleontólogos trabalham de forma semelhante. Os animais estão mortos há milhões de anos e os fósseis não falam, pelo que temos de investigar como é que esse ser animal viveu, como evoluiu, como se reproduziu e morreu. Para tal, utilizamos o contexto geológico do local, a química, a anatomia e a forma como os ossos estão dispostos. Questões

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1. Indica o que faz um paleontólogo. 2. Refere que episódios da infância de Octávio Mateus fizeram despertar o seu interesse para a paleontologia. 3. Descreve os preparativos que os paleontólogos realizam antes de partirem para uma expedição no campo. 4. Identifica os materiais que os paleontólogos usam no terreno (utiliza para o efeito a informação presente na entrevista e nas figuras 2 e 3). 5. Descreve como é que os paleontólogos iniciam o trabalho no terreno. 6. Explica como é que os paleontólogos usam os fósseis para reconstituir a história da Terra.

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