Editores Helder I. Chaminé Maria Eugénia Lopes José Filinto Castro Trigo Maria João Dias Costa
As
minas de
Tibães:
um património hidrogeológico, geomineiro e
monástico
The
mines of
Tibães:
a hydrogeological, geomining and monastic
heritage
Las
minas de
Tibães:
un patrimonio hidrogeológico, geominero y
monástico
Les
mines de
monastique
Tibães:
un héritage hydrogéologique, géominier et
|i
Aਓ ਉਁਓ ਅ Tਉਂਥਅਓ: ਕ ਐਁਔਉਲ਼ਉਏ ਈਉਏਇਅਏਲ਼ਇਉਃਏ, ਇਅਏਉਅਉਏ ਅ ਏਣਓਔਉਃਏ Tਈਅ Tਉਂਥਅਓ ਉਅਓ: ਁ ਈਙਏਇਅਏਏਇਉਃਁ, ਇਅਏਉਉਇ ਁ ਏਁਓਔਉਃ ਈਅਉਔਁਇਅ Lਁਓ ਉਁਓ ਅ Tਉਂਥਅਓ: ਕ ਐਁਔਉਏਉਏ ਈਉਏਇਅਏਲ਼ਇਉਃਏ, ਇਅਏਉਅਏ ਙ ਏਣਓਔਉਃਏ Lਅਓ ਉਅਓ ਅ Tਉਂਥਅਓ: ਕ ਈਪਉਔਁਇਅ ਈਙਏਇਪਏਏਇਉਕਅ, ਇਪਏਉਉਅ ਅਔ ਏਁਓਔਉਕਅ
Editores: Helder I. Chaminé1, Maria Eugénia Lopes1, José Filinto Castro Trigo1, Maria João Dias Costa2 1 2
M
I
S T
E |D
P
| P.P
C
N
Laboratório de Cartografia e Geologia Aplicada | Departamento de Engenharia Geotécnica Instituto Superior de Engenharia do Porto
|ii
As minas de Tibães: um património hidrogeológico, geomineiro e monástico / The Tibães mines: a hydrogeological, geomining and monastic heritage / Las minas de Tibães: un patrimonio hidrogeológico, geominero y monástico / Les mines de Tibães: un héritage hydrogéologique, géominier et monastique -
Valorização do património hidrogeológico e geomineiro de espaços subterrâneos antigos: as minas de água do Mosteiro de Tibães
Helder I. Chaminé, Maria Eugénia Lopes, José Filinto Castro Trigo, Maria João Dias Costa ISEP (H.I. Chaminé, M.E. Lopes, J.F. Trigo, J.P. Meixedo, M.J. Afonso, H. Almeida, A. Pires, L. Freitas), MT|DRCN (M.J. Dias Costa), Museu do ISEP (P. Costa), Irnas|CSIC (A. Miller, V. Jurado, A.M. García-Sánchez, B. Hermosin, C. Saiz-Jimenez), Mncn|CSIC (A. Fernandez-Cortés, E. GarciaAnton, S. Cuezva, S. Sanchez-Moral), Geomnia (E. Sanz-Rubio, A. Sánchez-Malo), Cerena|IST (A. Dionísio), Cegot|FLUP (J. Teixeira, A. Gomes), Ciimar|UP (J.F. Teixeira), FCTUC (L.C. Gama Pereira, A.J.S.C. Pereira), GeoBioTec|UA (F. Rocha) © 2017, L
|ISEP. Todos os direitos reservados
Laboratório de Cartografia e Geologia Aplicada | Instituto Superior de Engenharia do Porto L -
-G
|3
labcarga@isep.ipp.pt L. Freitas -
A. Pires
H.I. Chaminé R.L. Nagano (inglês), R. Fernández-Rubio (castelhano), N.F. Devy-Vareta (francês) T. Paulino 978-989-99324-2-5 446339/18 SerSilito — Empresa Gráfica Lda (Maia) C
D
Interior da mina das Aveleiras (ou mina de Tibais), galeria G2, onde se observa o primitivo sustimento de madeira (1940–1962). Fotos: E. Pais Neto & H.I. Chaminé (Janeiro de 2007). “Monge de Tibães”, desenho da autoria de Bernardo Sarmento (todos os direitos reservados). [In: Ferreira do Amaral A.J. (1992) Viagem no tempo ao Mosteiro de Tibães. Museu do Mosteiro de São Martinho de Tibães, Braga] 2017
300 Exemplares Todos os créditos reservados aos autores das imagens e/ou vídeos, em particular, ao: Mosteiro de Tibães, Museu do ISEP, P. Costa, M.E. Lopes, J. Teixeira, M.J. Afonso e H.I. Chaminé. Este trabalho insere-se na colaboração Labcarga|ISEP — Mosteiro de Tibães e no projecto de reequipamento ISEP-IPP|PADInv’2007/2008. Os editores e autores seguem o antigo acordo ortográfico.
|iii
Índice
v
Linhas de Abertura
vi
Palavras Prévias
vii
As minas de Tibães: um património hidrogeológico, geomineiro e monástico
ix
The Tibães waters: a hydrogeological, geomining and monastic heritage
xi
Las minas de Tibães: un patrimonio hidrogeológico, geominero y monástico
xiii
Les mines de Tibães: un héritage hydrogéologique, géominier et monastique
xv
Bibliografia seleccionada / Selected bibliography / Bibliografía seleccionada / Bibliographie sélectionné
Anexo: Valorização do património hidrogeológico e geomineiro de espaços subterrâneos antigos: as minas de água de Tibães. LABCARGA & ISEP|P.Porto (Porto) – Mosteiro de S. Martinho de Tibães (Braga). [DVD-Rom; in portuguese, with an english abstract]
|iv
Aos Monges Beneditinos de Tibães pelo domínio das Artes das Águas... Aos Engenheiros Civis e Minas do Instituto Industrial do Porto Augusto Maria Lagoa, Renato Vieira Pousada e Augusto Nascimento da Fonseca Júnior pelos estudos pioneiros sobre a “Mina de Tibais”...
|v
Linhas de Abertura Uma colaboração, desde sempre, em torno das Minas de Tibães Este guia de divulgação constitui um curtíssimo resumo do vasto trabalho de investigação, multi e transdisciplinar, que o L |ISEP (em associação a outras instituições) tem vindo a desenvolver no interior da Cerca do Mosteiro de Tibães e área envolvente — antiga Casa-Mãe da Ordem Beneditina, em Portugal —, nos domínios da geologia aplicada, cartografia geotécnica, hidrogeomecânica mineira, recursos hídricos e património geomineiro. A Mina das Aveleiras — escavada, pelos monges de vestes negras, em meados do séc. XVII com o intuito do aproveitamento de uma importante nascente de água subterrânea — é, posteriormente, já no dealbar do séc. XX, com o deflagrar de cada uma das duas grandes guerras, explorada como mina de volfrâmio. Com a ilusão do lucro fácil e rápido, de outras paragens demandaram ao Norte de Portugal pesquisadores e aventureiros esventrando o subsolo um pouco por todo o lado, na esperança de encontrar volfrâmio que, por se tratar de um minério fundamental ao fabrico de armamento, assume um papel determinante ao esforço de guerra, atingindo nesse contexto cotações excepcionais. A abordagem metodológica, do ponto de vista da geoconservação, enfatiza a importância dos processos de recuperação dos testemunhos da hidro-geodiversidade e do património mineiro abandonado, como um exemplo do processo transformador de uma organização, no sentido da promoção de um segundo ciclo de vida, traduzido, neste caso particular, no estabelecimento de um geossítio, com consequente definição de um roteiro hidrogeológico e geomineiro, com fins didácticos e de investigação técnico-científica, no âmbito das actividades de promoção cultural do Mosteiro de Tibães, que permita ao visitante, de qualquer idade, entrar em contacto com este tipo de património natural, paisagístico e arquitectónico singular. Além disso, tem servido como um campo experimental de treino científico-pedagógico dos nossos alunos de engenharia geotécnica e geoambiente do ISEP. Em rigor, a pegada do ISEP fez-se sentir muito antes, de 1941 a 1947, em que os planos de lavra da mina das Aveleiras são da autoria dos engenheiros civis e minas A.M. Lagoa e R.V. Pousada e do professor engenheiro A.N. Fonseca Júnior do Instituto Industrial do Porto. Mais recentemente, destacamos a defesa pública de dissertação de mestrado do ISEP, em Julho de 2012, na Sala das Cavalariças e que nas palavras do “Correio do Minho” [1]: “Protagonizou-se, desta forma, a abertura da Academia à Sociedade, materializando-se, de forma simbólica, um dos objectivos determinantes do actual modelo de desenvolvimento do Ensino Superior. O Mosteiro de Tibães, por seu turno, demonstrou uma vez mais a sua universalidade, acolhendo uma cerimónia tradicionalmente realizada nas Escolas de Ensino Superior.”. Além disso, o L |ISEP e o Mosteiro de Tibães orientaram visitas guiadas, desde 2008, sobre o tema das Minas de Água a mais de 450 participantes, incluídos nos programas da Ciência Viva no Verão, da Casa das Ciências, do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico, de Associações e de grupos de cidadãos. É este o espírito em saber receber de Tibães, que flui neste livro de divulgação. Por iniciativa do Mosteiro de Tibães, em parceria com o ISEP|P.Porto, pretende-se que esta antiga mina seja reconvertida, parcialmente, num geossítio e, num futuro próximo, num espaço museológico geomineiro. Porto, Dezembro de 2017 João Paulo Meixedo,GEng,MEng(Hons),MSc,PhD Director do Departamento de Engenharia Geotécnica Instituto Superior de Engenharia do Porto, P.Porto
__________________________________________________________________________________________________________________________________
[1] https://correiodominho.pt/noticias/acrescentando-historia-a-historia-de-tibaes/63360
Mosteiro de Tibães: a dimensão ética da arte das nascentes Na história milenar do Mosteiro de Tibães encontra-se espelhado o saber-fazer dos monges Beneditinos na gestão aplicada do ciclo da água, em usos humanos e agrícolas, para honra de Deus e satisfação das necessidades humanas. É notável o acervo de estruturas hidráulicas reconhecidas em Tibães desde a captação de águas subterrâneas, a adução, o armazenamento, a distribuição e a própria restituição dos efluentes à natureza. Além disso, os Beneditinos dinamizaram na região, a partir do Condado Portucalense, o aproveitamento da força da água dos rios e ribeiros que faziam movimentar as azenhas, as serrações e os lagares de azeite. Esta experiência da hidráulica monástica Beneditina teve reflexo na sua difusão pelo mundo, durante a expansão Ibérica, nos locais improváveis de instalação de muitos cenóbios, onde havia gente para converter… e água, quase sempre água subterrânea. Os Beneditinos praticavam a arte de descobrir as nascentes e a circulação da água subterrânea, e cultivaram a sua aplicação sábia aos usos humanos. Eram “Hidrogeólogos e Engenheiros dos Recursos Hídricos” avant la lettre. Fez bem o L |ISEP em agarrar esta experiência multi-secular dos monges Beneditinos e associar-lhe investigação multifacetada, desde a hidrogeologia e recursos de água subterrânea à geomicrobiologia, da cartografia geotécnica à geologia de engenharia, da microclimatologia subterrânea à biodiversidade e da actividade mineira à geoconservação patrimonial e, assim, promover a sua divulgação, em colaboração com o Mosteiro de Tibães. Logo, a hidrogeologia e a engenharia de águas subterrâneas, neste contexto, ganham a dimensão ética da satisfação das necessidades humanas na sua plenitude. Está de parabéns o ISEP|P.Porto por dar ao prelo este breve guia para o grande público e por todo o labor que lhe está subjacente, ficando toda a comunidade a aguardar novos desenvolvimentos da actividade no lugar mágico que é o Mosteiro de Tibães. Sacavém, Dezembro de 2017 José Martins Carvalho,EurGeol,Geol,PhD,DSc Hidrogeólogo, Professor Emérito Instituto Superior de Engenharia do Porto, P.Porto
|vi
Palavras Prévias “Tibães ficará, na história de Portugal, como um caso exemplar para o bem que agora se faz, e para o mal que outrora se fez (...)” Frei Geraldo J.A. Coelho Dias, OSB [2010]
Tal como aconteceu um pouco por todo o Noroeste Peninsular, também Mire de Tibães acolheu uma efémera, porém marcante experiência de exploração mineira, quando, nos alvores das duas grandes guerras mundiais, um punhado de aventureiros e pesquisadores Nortenhos se deu conta de que a fertilidade dos solos do vale do Cávado não era a única riqueza que poderia ser extraída do seu subsolo. Neste caso, trataram-se de explorações de pequena dimensão, algumas delas mesmo furtivas ou ocasionais, que se ocupavam da pesquisa do “minério negro”. A nascente das Aveleiras brota através da sua mina, escavada, por volta de 1626, para o abastecimento de água subterrânea ao Mosteiro de S. Martinho de Tibães, para usos diversos e irrigação dos terrenos da Cerca. A mina das Aveleiras foi objecto de exploração de volframite (pelo menos, desde 1916), sendo também conhecida por mina de Tibais. O imaginário subterrâneo em Tibães esteve sempre presente. Relembre-se o episódio “A fuga”, eternizado na obra “A bruxa do Monte Cordova” (1867), de Camilo Castello Branco, em que, em certo trecho, pode ler-se: “Um donato, que feitorisava a cerca de Tibães, alvitrou o acerto de se abrir um alçapão no lagêdo do segundo cárcere principiado, e procurar-se um aqueducto que em eras remotas levava agua ao primitivo mosteiro simado n’uma baixa do monte de S. Gens […]. O encanamento delongava-se por extensão de quatrocentos passos, e rematava n’um pedregal imaranhado de silvedos e estevas, por onde o ar filtrava escassamente ao subterrâneo”. Já para não falar do romance “Volfrâmio” (1943), de Aquilino Ribeiro, que retratou de forma sublime o ambiente da pesquisa e exploração do minério negro pelas gentes galaico-nortenhas. Por certo, foi este o ambiente vivenciado nos montes de Tibães. Ainda hoje, ao calcorrearmos os trilhos envolventes da Cerca de Tibães, somos surpreendidos em vários sítios por antigos poços e chaminés de ventilação, galerias e escombreiras que testemunham uma intensa actividade de pesquisa e exploração. Foram encetados em Tibães estudos multidisciplinares para a definição de uma proposta de reabilitação e de valorização deste património geomineiro, tendo em linha de conta os aspectos científicos, técnicos, patrimoniais, históricos, ambientais e educacionais que contextualizam a tentativa de contribuir para um novo ciclo de sustentabilidade. Tendo resultado, assim, da articulação de diversos pontos de vista, por vezes dificilmente conciliáveis, esta experiência de projecto de geoengenharia reveste-se de um carácter e de uma importância singulares em termos de multi e transdisciplinaridade, conjugando temas geológico-mineiros, hidrogeomecânicos, geotécnicos, hidrogeológicos, geomicrobiológicos, histórico-patrimoniais e de biodiversidade. Na actualidade, as investigações prosseguem na mina das Aveleiras com o intuito de uma caracterização geoambiental de todo o espaço subterrâneo, bem assim como a sua cartografia geológico-mineira, envolvendo também estudos de modelação geotécnica e hidrogeomecânica, de hidrogeologia, de geomicrobiologia e de microclimatologia subterrânea, para além de constituir, presentemente, um campo experimental subterrâneo, em termos científicos, técnicos e pedagógicos para os alunos do curso de engenharia geotécnica e geoambiente do Instituto Superior de Engenharia do Porto. Os editores estão gratos: i) à Coordenadora do Mosteiro de Tibães (DRCN), Maria de Lurdes Rufino, pela total disponibilidade no apoio e partilha de informação relativa ao sistema hidráulico monástico, pela permissão de acesso à mina das Aveleiras/Tibais e a todos os elementos patrimoniais, arqueológicos e culturais; ii) a Bernardo Sarmento pela gentileza na partilha do original desenho do “Monge de Tibães” (1992); iii) aos antigos alunos dos cursos de mestrado em “engenharia geotécnica e geoambiente” do ISEP|P.Porto e em “minerais e rochas industriais” da U.Aveiro pelo enquadramento das dissertações de E.P. Neto (UA), T. Ramos (ISEP), S.F. Pereira (ISEP), R. Pinheiro (ISEP) e R. Pereira (ISEP), bem como ao departamento de ciências da terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra pelo enquadramento da tese de doutoramento (engenharia geológica – especialidade de geologia do ambiente e ordenamento) de M.E. Lopes; iv) a Paulo Coelho (M.Tibães) pela disponibilidade no apoio nas amostragens de campo e a todos os funcionários do Mosteiro de Tibães pelo sempre gentil acolhimento; v) a Robin Lee Nagano, Rafael Fernández-Rubio e Nicole Françoise Devy-Vareta que muito enriqueceram esta obra com as suas pormenorizadas revisões da língua inglesa, castelhana e francesa, respectivamente; vi) a Teresa Paulino pelo gentil apoio no design da capa; vii) a Ana Pires pela paciente formatação dos conteúdos do DVD e a Liliana Freitas pela formatação do volume; viii) aos colegas J.P. Meixedo e J.M. Carvalho pelas singelas linhas de abertura; ix) a todos os colegas e suas instituições que se têm envolvido nas investigações das Minas de Tibães (ISEP, M.Tibães|DRCN, Museu do ISEP, FCTUC, Irnas|CSIC, Mncn|CSIC, Geomnia, Cerena|IST, GeoBioTec|UA, Cegot|UP, Ciimar|UP, entre outros); x) às presidências do Instituto Superior de Engenharia do Porto, do Politécnico do Porto, do Mosteiro de Tibães, da Direcção Regional de Cultura do Norte, da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica (Ciência Viva) e da Casa das Ciências (Edulog) pelo total apoio institucional a este projecto editorial. Desejamos a todos os interessados boas leituras e que este pequeno guia contribua para um despertar de consciência das inúmeras facetas do espaço de Tibães a valorizar e que este poderá ainda oferecer aos seus visitantes, de todas as idades. Porto e Mire de Tibães, Dezembro de 2017 Os Editores, Helder I. Chaminé Maria Eugénia Lopes José Filinto Castro Trigo Maria João Dias Costa
|vii
A
,
T
:
1. “Mosteiro de Tibães”: breve enquadramento histórico Durante mais de 700 anos habitou no Mosteiro de Tibães uma comunidade de monges que vestia de negro e que vivia segundo regulamentos, a chamada Regra, criados em época muito anterior por S. Bento de Núrsia (480– 547). A vivência dos monges de Tibães chega até nós através dos escritos que deixaram. Aí podemos aproximar-nos dos rituais que seguiam, das práticas de cumprimento da Regra, o que compravam, que obras fizeram ou os livros que liam. O mosteiro foi fundado em finais do século XI e recebeu, logo no início do século seguinte, o território formado pelas terras que se estendiam à sua volta e que são doadas pelo conde D. Henrique e Condessa D. Teresa. A doação incluía a outorga da Carta de Couto o que significa que ao mosteiro, na pessoa do seu abade, era concedida a autoridade necessária para governar esse território. O mosteiro cresceu em posses e poderio até ao século XIV, ao que se seguiu um período de decadência. Mas uns séculos mais tarde irá recuperar e atingir o seu máximo esplendor. Em 1569 é elevado ao estatuto de Casa-Mãe da Congregação de S. Bento de Portugal e do Brasil. A partir de então adquire a importância e os meios que irão permitir um amplo conjunto de reformas e de obras de ampliação, levadas a cabo durante os séculos XVII e XVIII. O mosteiro transformou-se num dos grandes conjuntos monásticos de Portugal e converteu-se num importante centro produtor e difusor das artes e da cultura. Em 1834 o mosteiro é encerrado, na sequência do decreto que extinguiu as ordens religiosas. Os bens são confiscados e vão sendo colocados em hasta pública, à excepção da igreja e de uma pequena área que ficam em uso da Paróquia. Comprado em 1864, sofre 30 anos depois um incêndio que destrói o claustro do refeitório. Mas durante um século funcionou como casa e quinta de recreio de uma abastada família de Braga. Em 1986, perante a delapidação e estado de degradação a que o mosteiro chegara nas últimas décadas, o Estado da 2ª República Portuguesa compra os edifícios e a quinta que a Coroa havia vendido há mais de um século. São iniciados estudos, registos e limpezas que viabilizaram os projectos e obras que se seguiram. Mantendo os usos da Paróquia de Tibães, foram instaladas duas novas valências: a cultural, que permite ao visitante percorrer os espaços e o ajuda a ver e a sentir a temporalidade dos mesmos; e a de acolhimento, onde pode tomar um café, uma refeição ou ficar por uns dias. Hoje chamamos mosteiro ao património classificado do qual faz parte o terreiro, a Igreja, os edifícios conventuais e o espaço exterior que, enclausurado por um muro alto, se designa Cerca. 2. Uma rede de hidráulica monástica: locais seleccionados Jardim de São João e a rede de aquedutos O jardim de São João Baptista com a imagem do santo, em terracota, foi construído entre 1733/34 pelo Mestre Manuel Fernandes da Silva (1693-1751). Neste local, o grande desnível do terreiro acolheu o jardim alto, artifício que permitiu, por um lado, a passagem discreta dos carros de bois que se dirigiam para os palheiros, a poente, e, por outro lado, a construção de uma plataforma octogonal elevada, onde foi implantado o jardim, com a função de aparato pois era para ser visto de cima pelos hóspedes e abades. Ladeado por alegretes,
o jardim tem oito canteiros contidos numa “sebe” de cantaria de granito e, no meio, um chafariz de pedra lavrada, outrora pintado e dourado. Por baixo passa um aqueduto que, encaminhando as águas de escoamento e de rega, permitia a lavagem da cavalariça e a rega do laranjal. Os espaços como este, assim como os claustros, o jardim da capelinha de S. Bento e o jardim do Abade Geral eram considerados pelos monges como os jardins do mosteiro e eram trabalhados pelo hortelão que, sob ordens do monge mordomo, cuidava também dos alegretes e dos vasos existentes. Os canteiros dos vários jardins eram contidos por sebes de buxo ou por cantaria de granito. A indispensável água para o abastecimento do mosteiro, a irrigação dos jardins e a alimentação dos fontanários barrocos, vinha de diversas minas de água subterrânea (e.g., S. Bento, Aveleiras, Cabrita, Preguiça, Anjo, etc.) e chegava até estes locais por uma intricada rede de alcatruzes de barro, caleiros de pedra e canos de chumbo. Fonte de São Bento e Fonte do Galo Para a comunidade beneditina a Cerca era o local de oração, recreação e inspiração. No mosteiro era o sítio mais próximo do Paraíso Celeste. Conhecedores das correntes artísticas da Europa, os monges, em 1725, iniciam a execução de um programa de linguagem barroca e começam-no com a criação de um caminho que separava as hortas dos pomares, pontuado com as fontes graníticas de São Bento, a poente e de São Beda a nascente. Esse caminho foi cruzado dez anos mais tarde com a construção da rua das fontes ou Escadório. A fonte de São Bento está enquadrada por um pátio com assentos de pedra lavrada e um tanque ou viveiro de peixes. Para alimentar com abundância a fonte de São Bento, a fonte de São Pedro, a da Cozinha, os esguichos do Refeitório, e o chafariz do Jardim de São João os monges tiveram de reforçar o caudal de água. Assim, observa-se, atrás do fontanário, uma pequena construção de pedra que dá acesso à nascente de S. Bento, de onde brota a água fresca que, depois, segue em aqueduto até ao fontanário de São Pedro. Na fonte de São Bento como o nicho perdera a imagem de São Bento que lhe dava o sentido, foi pedido ao escultor bracarense Alberto Vieira que colmatasse a sua ausência. Agora o Santo reocupou o seu lugar. A fonte do Venerável São Beda construída em 1728 foi vendida em 1967 a um colecionador bracarense. No local remanesceram as escadas de pedra que davam acesso à fonte. O pátio do Galo trata-se de um átrio de pedra com bancos, alegretes e fonte de granito alimentada pelo aqueduto que vem da nascente de São Bento. Apresenta um nicho que acolhe uma imagem em terracota de São Pedro que, com o galo em relevo da fonte, alude à profecia de Cristo pela qual Pedro “O negaria três vezes seguidas do cantar do galo”. Escadório Registaram os monges nos Estados de 1734: “Fizeramse cinco fontes na rua que desce da Capella de São Bento em direitura da sacada das Mentiras, todas de esquadria com varias molduras e figuras. Lajeou-se a rua toda com suas paredes das bandas, e corrimões e pirâmides. No fim da rua se fês hum galante chafariz, com os assentos e latada com seus alegretes”. De facto, é aqui, nesta subida do escadório, que à luz da estética barroca, a simbólica da Água Viva do cristianismo atinge o seu esplendor. Os monges encenaram o percurso até ao reino de Deus, aqui representado pelo jardim e capela de São Bento, que será alcançado através duma caminhada de vida virtuosa alimentada pela água pura das fontes. Em cima de cada fonte existiu uma imagem simbolizando uma virtude: Prudência, Justiça, Fortaleza, Temperança, Fé, Esperança e Caridade.
|viii Lago O lago, de forma elíptica, foi construído entre 1795 e 1798 no local onde existia a fonte das Aveleiras e era rodeado por socalcos agrícolas. A sua água fornecia a energia hidráulica necessária para mover os moinhos de pão, de azeite e o engenho de serrar madeira. Há a referência à execução de uma figura de Neptuno para a cascata do lago e da colocação de 2 pináculos e de 5 assentos de pedra lavrada que servem de ornato ao lago. Do tempo dos monges chegou também até nós um magnífico pinheiro bravo que, juntamente com os 2 Cedros dos Himalaias, estes plantados nos inícios do século XX, estão classificados como árvores notáveis de Portugal. Casa do volfrâmio O nome desta casa vem da sua última utilização na altura da II Guerra Mundial. A exploração do tungsténio foi uma actividade que ajudou a viver muitos habitantes da freguesia de Mire de Tibães. Era aqui que era lavado, pesado e preparado para ser enviado o minério de volframite. Este minério era explorado em vários locais do monte de S. Gens. Dentro da Cerca foi aproveitada a mina das Aveleiras que alimentava o lago; nela podemos ainda visitar as galerias da exploração. Por outro lado, esta exploração destruiu muitos dos socalcos construídos pelos monges. Este local de lavagem foi escolhido, porque para aqui tinham sido conduzidas, por um grande aqueduto feito de pedra em finais século XVIII, as águas do lago, pois acharam os monges necessário pôr a funcionar um engenho de serrar madeira, de modo a “obviar as grandes despesas que se faziam nas serragens das madeiras necessárias para a conservação e fábrica do Mosteiro “. Hoje em dia é o local de apoio às actividades e aos visitantes do mosteiro. 3. Mosteiro de Tibães: enquadramento geológico, hidrogeológico e mineiro A área de S. Martinho de Tibães está localizada na proximidade de zonas de cisalhamento. A estrutura regional compreende um substrato muito fracturado e deformado composto essencialmente por rochas metassedimentares. Este quadro é ainda definido por lineamentos tectónicos regionais, com orientação NWSE e NE-SW. As unidades geológicas que afloram na área de estudo são, principalmente, filitos argilomicáceos, metagrauvaques intercalados com metassiltitos, metapelitos e corneanas quartzosas, e rochas graníticas. A presença de possantes filões de quartzo com volframite na região levou que no primeiro quartel do século XX, à pesquisa, prospecção e exploração destes depósitos hidrotermais. A mina de Aveleiras é uma das antigas minas de água (escavada, por volta de 1626) que abasteceram o mosteiro durante os últimos três séculos até que foi convertida numa mina de volfrâmio em 1940-62 (conhecida por “mina de Tibais” ou “mina das Aveleiras”) e, posteriormente, voltou à sua função inicial. O mosteiro foi abastecido, durante muitos séculos, por um complexo sistema de minas de água associadas a nascentes de águas subterrâneas. Nesta área foram relatadas várias nascentes, como por exemplo as nascentes de S. Bento, de Aveleiras, da Cabrita e da Preguiça. Em particular, a mina de Aveleiras possui um especial valor geomineiro e científico devido, por exemplo, à presença de interessantes associações mineralógicas associadas a comunidades microbianas em ambientes subterrâneos resultado de processos geomicrobiológicos e à biodiversidade aquática e faunística. As análises hidroquímicas revelaram que as águas subterrâneas de Tibães apresentam baixa condutividade eléctrica e mineralização, são ácidas e apresentam baixas concentrações de nitratos. As
concentrações de arsénio apenas ultrapassam o valor paramétrico das águas subterrâneas para consumo humano na mina de Aveleiras. A fácies hidrogeoquímica dominante é a cloretada a cloretada‐sulfatada sódica. As águas subterrâneas de Tibães são principalmente controladas por constrangimentos lito-estruturais, e estas águas têm uma origem meteórica, com um circuito relativamente curto e superficial. 4. Trilhos de hidro-geodiversidade e geoconservação mineira Investigações recentes levaram a propor algumas actividades geo-científicas e culturais, especialmente, um itinerário no interior da Cerca do Mosteiro de Tibães, onde foram destacados alguns aspectos da geoconservação mineira e hidro-geodiversidade, particularmente uma visita subterrânea às minas abandonadas de volfrâmio de Aveleiras. Estas actividades de campo foram incluídas, desde 2008, na "Geologia no Verão" dos programas "Ciência Viva no Verão" e “Ciência Viva no Verão em Rede” (http:// www.cienciaviva.pt/) da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, promovendo a disseminação da geoarqueologia, geociências de engenharia, geomecânica mineira e hidrogeologia aplicada a um público alargado. Pormenores adicionais sobre estas iniciativas poderão ser consultados no DVDRom, em anexo. 5. Perspectivas futuras As actividades culturais, em torno de antigos sistemas de abastecimento de águas subterrâneas e de áreas abandonadas relacionadas com a mineração, têm um grande potencial para o turismo geocientífico. Deverá destacar-se que estes locais podem constituir um fórum privilegiado e desempenhar um papel-chave em termos educacionais. O valor do legado do património geológico pode ser transformado, por exemplo, em museus, parques ou áreas naturais protegidas para fins recreativos, educacionais e/ou científicos. A oportunidade de recuperar a actividade e o interesse nesses locais abandonados proporciona-lhes um segundo ciclo de vida. Tais intervenções encerram o potencial para o desenvolvimento sustentável, quer da organização quer do ambiente circundante. Ao nível socioeconómico, a principal vantagem é a promoção de regiões onde a economia dependia, fortemente, da exploração dos recursos naturais. Em resumo, há um triplo objectivo a ser alcançado: (i) recuperar uma área degradada com um valor patrimonial importante; (ii) reabilitar, social e economicamente, uma comunidade específica, e (iii) oferecer ao público a possibilidade de entrar em contacto com as antigas actividades de mineração e da valorização dos recursos geológicos.
|ix
T
T
:
,
1. Monastery of Tibães: a brief historical overview For more than 700 hundred years, monks dressed in black lived in the Tibães Monastery, followers of the Rule created by Saint Benedict of Norcia (480-547). We know about their daily life through the writings they left us. By reading them, we can get closer to the rituals they were following, the practices of the Rule, what they were buying, what artwork they were creating or what books they were reading. The Benedictine monastery was founded at the end of the 11th century, and in the beginning of the 12th century it received the territory made by the lands adjacent to the monastery donated by Count D. Henrique and Countess D. Teresa. The donation included important privileges, which means that the Abbot had powers given by the king to rule this territory. The monastery grew in privileges and power until the 14th century, but this was followed by a period of decline. A few centuries later, however, the monastery recovered and reached its maximum splendour. In 1569 the monastery was selected as the Mother-House of the Congregation of Saint Benedict for Portugal and Brazil. With this, it received the importance and the means to carry out a wide range of renovations and expansion works during the 17th and 18th centuries. During this time, it became one of the major monastic buildings in Portugal and an important centre for the production and dissemination of culture and aesthetics, an exceptional place for intellectual thought and the production of works of art. In 1834, the monastery was closed due to liberal policies which led to the dissolution of the religious orders. Its assets were confiscated and put up for auction, aside from the church and a part of the monastery that continued to be used for parish purposes. The monastery was bought in 1864, but 30 years later a fire destroyed part of the refectory cloister. Nevertheless, for more than one century it was the house and farm of a wealthy family from Braga. In 1986 the Government of the 2nd Portuguese Republic acquired the building and the farm sold by the Crown a century ago and began studies and repairs in order to recover its heritage and implement restoration projects. In addition to the monastery’s earlier religious role, new functions have been added: a cultural one, which allows the visitors to walk through the monastery and to see and feel its past; and hospitality, where the visitors can have a coffee, a meal, or even stay for a few days. Today the monastery is a classified heritage site that includes the forecourt, the church, the monastic buildings and the outdoor area enclosed by a high wall called Enclosure.
2. A hydraulic monastic network: selected sites Saint John’s garden and aqueduct network The garden of Saint John the Baptist, with a terracotta statue of the saint, was created in 1733/1734 by Master Manuel Fernandes da Silva (1693-1751). The significant terrain slope was used for the upper garden, permitting the oxcarts to pass discreetly on their way to the haystacks. In addition, an elevated octagonal platform was constructed, as the garden was intended to be seen from above by the guests and abbots. Surrounded by planters, the platform has eight flowerbeds within a granite masonry wall and, in the middle a sculpted stone fountain, once painted and gilded. Beneath it runs an
aqueduct that, by channelling drainage water, facilitated the cleaning of the stables and watering of the orange grove. The monks considered areas like this, the cloisters, the garden around Saint Benedict’s chapel and the General Abbot’s garden as the monastery’s gardens and they were cared for by the gardener who, under the guidance of the chamberlain monk, also tended to the planters and pots. In Tibães the flowerbeds in the various gardens were enclosed within box hedges or granite masonry. The essential fresh water, which came from several groundwater mines (e.g., S. Bento, Aveleiras, Cabrita, Preguiça, Anjo, etc.), was channelled through a complex network of clay and lead pipes and stone gutters that supplied the monastery and gardens for irrigation and to feed the Baroque fountains. Saint Benedict’s Fountain and Saint Peter’s Fountain For the Benedictine community, the Enclosure was a place of prayer, recreation and inspiration. In the monastery it was the closest place to Celestial Paradise. Well acquainted with Europe’s artistic trends, in 1725 the monks began a Baroque-inspired project by creating a path between the vegetable gardens and the orchards, with the granite fountain of Saint Benedict to the west and that of Saint Bede to the east. Ten years later this path was intersected when the Fountain Street or Stairway was built. The Saint Benedict fountain is set in a patio with sculpted stone benches and a tank that was formerly a fish nursery. To adequately supply the fountains of Saint Benedict, Saint Peter and Saint John, as well as the kitchen and the refectory taps, the monks had to increase the water flow. Behind the fountain, there is a small stone construction that provides access to the spring from which this fresh water originates, which then flows through an aqueduct to Saint Peter’s fountain. The fountains of Saint Benedict and Saint Peter were restored at the end of the 20th century. This restoration revealed, on the left side, the remains of the paint that would have covered the entire fountain. Since the niche had lost the image of Saint Benedict that gave it its name, Braga-born sculptor Alberto Vieira was commissioned to replace it, and the saint has returned to his rightful place. The fountain of the Venerable Saint Bede was built in 1728 and sold in 1967 to a collector in Braga. In its place remain the stone steps that provide access to the fountain. The Rooster’s Patio is a stone terrace with benches, planters and a granite fountain, whose water is supplied via the aqueduct from Saint Benedict’s spring. It has a niche that houses a terracotta image of Saint Peter that, along with the fountain’s prominent rooster, alludes to Christ’s prophecy in which Peter “denied him three times before the rooster crowed”. The Stairway It is stated in the monks’ records of 1734: “Five fountains were built on the street leading down from the Chapel of Saint Benedict, aligned with the Balcony of Lies, all perfect and with differing designs and figures. The whole street was paved, had walls and pyramids. At the end of the street a gallant drinking fountain was built, with benches, planters and a trellis”. In fact, it is climbing up this stairway that, from the perspective of baroque aesthetics, the symbolism of Christianity’s Living Water reaches its apogee. The monks staged the ascent to the kingdom of God, represented here by the garden and chapel of Saint Benedict, which can be reached through walking a virtuous life, fed by the pure water from the fountains. So climbing these stairs, the walker arrives at fountains that symbolise the virtues: Prudence, Justice, Fortitude, Temperance, Faith, Hope and Charity.
|x Lake At the time of its construction, the lake was surrounded by agricultural terraces. The elliptical-shaped lake takes us to the late Baroque period. It was constructed between 1795 and 1798 on the site of the former Aveleiras Fountain. Its water provided the necessary hydraulic energy to work the flour and olive oil mills and the sawmill. There is mention of a figure of Neptune created for the lake’s waterfall, together with the construction of two columns and five stone benches to decorate this lake. Another legacy from the monk’s period is a magnificent pine tree. In addition, two Himalaya cedars were planted at the beginning of the 20th century and are classified as notable trees of Portugal. Wolfram House This house’s name comes from its last use during World War II. Tungsten mining was an activity that provided a living for many persons in the parish of Mire de Tibães. This is where the wolfram (tungsten) ore was washed, weighed and prepared for shipping. This ore was mined in several sites of the St. Gens hillside and within the Enclosure, using the Aveleiras Mine that earlier supplied the lake with water. Nowadays, it is still possible to visit the galleries of the Aveleiras mine. The disadvantage of the mining was that it destroyed many of the terraces built by the monks. This place was chosen for washing the ore because this is where the lake waters ended up after being led through a large 18th century stone aqueduct. It was used to operate the sawmill in order to “reduce the considerable expenses of cutting the wood required for the Monastery’s conservation and construction”. Nowadays, the wolfram house is a support for the activities of the museum and for the visitors. 3. Monastery of Tibães: geological, hydrogeological and mining framework The area of Mire de Tibães is located in the vicinity of regional shear zones. The regional tectonic framework comprises a Palaeozoic metasedimentary highly fractured and folded basement rock. It defines a regional framework with tectonic lineaments trending NW-SE and NE-SW. The geological units that outcrop in the study area are mainly micaceous clayish phyllites, metagraywackes interbedded with metasiltites, metapelites and quartz hornfels, and granitic rocks. The presence of thick wolfram-bearing quartz sheared veins in the region led to the exploration and exploitation of these hydrothermal deposits in the first quarter of the 20th century. The Aveleiras mine is one of the old water mines (excavated circa 1626) that supplied the monastery for three centuries before being converted into a wolfram mine operating 1940-62 (known as “Tibais mine” or “Aveleiras” mine). Nowadays it has returned to its original function. The monastery was supplied for many centuries – and still is today – by a complex water mine system. In this area several natural springs were reported, such as S. Bento, Aveleiras, Cabrita and Preguiça springs. Particularly, the Aveleiras mine has a special geomining and scientific value due, for example, to the presence of unusual mineral formations associated with microbial communities in underground environments resulting from geomicrobiological processes, as well as its fauna and aquatic biodiversity. Hydrochemical analyses show that Aveleiras groundwater has low electrical conductivity and mineralisation, is acidic, and contains low concentrations of nitrates. Arsenic concentrations exceed the parametric value for groundwater for human consumption. The dominant hydrogeochemical facies is sodium-chloride to sodium-chloride-sulphate. Tibães groundwaters are mainly controlled by litho-structural
constraints, and these waters are of meteoric origin (from precipitation), with a relatively short and shallow circuit. 4. Hydro-geodiversity and mining geoconservation trails Recent investigations led to proposing some geoscientific and cultural activities, namely an itinerary inside the Tibães Monastery enclosure where some aspects of the hydro-geodiversity and mining geoconservation are highlighted, particularly an underground visit to an abandoned wolfram mine site (Aveleiras mine). These field activities have been included since 2008 in the “Geology in the Summer” by the “Ciência Viva no Verão” and “Ciência Viva no Verão em Rede” programmes (http:// www.cienciaviva.pt/) supported by the Portuguese Agency for Scientific and Technological Culture, promoting geoarchaeology, engineering geosciences, mining geomechanics and applied hydrogeology dissemination to a wide public. See details in the enclosed DVD-ROM. 5. Outlook The cultural activity around ancient groundwater supply systems and former mining-related areas has great potential for geoscientific tourism. It should be highlighted that such sites can act as a forum for a key educational role. This geoheritage legacy can be transformed, for example, into museums, parks or protected natural areas for recreational, educational and/ or scientific purposes. The opportunity to recover the activity and interest in these abandoned sites provides a second cycle of life. Such interventions offer the potential for sustainable development, as management level and the surrounding environment. At a socio-economic level, the main advantage is the promotion of regions where the economy used to depend heavily on the exploitation of natural resources. In summary, there is a triple goal to achieve: (i) to recover a degraded area with important heritage value; (ii) to rehabilitate, both socially and economically, a specific community; and (iii) to offer the public the possibility to come into contact with former geomining activities and to enhance the value of geological resources.
|xi
L
,
T
:
1. “Monasterio de Tibães”: breve reseña histórica Durante más de 700 años habitó en el Monasterio de Tibães una comunidad de monjes que vestía de negro y que vivía según reglamentos, la llamada Regla, creados en época muy anterior por San Benito de Nursia (480547). Las vivencias de los monjes de Tibães llegaron hasta nosotros a través de sus escritos. Así podemos acercarnos a: los rituales que seguían, las prácticas de cumplimiento de la Regla, lo que compraban, las obras hicieron o los libros que leían. El monasterio fue fundado a finales del siglo XI y recibió, a principios del siglo siguiente, el territorio formado por las tierras que se extendían a su alrededor, donadas por el conde D. Henrique y la condesa Dª. Teresa. La donación incluía el otorgamiento de la Carta de Couto, lo que significa que, al monasterio, en la persona de su abad, se le concedía la autoridad necesaria para gobernar ese territorio. El monasterio creció en posesiones y poderío hasta el siglo XIV, al que siguió un período de decadencia. Pero siglos más tarde se recuperará y alcanzará su máximo esplendor. En 1569 es elevado al rango de Casa Madre de la Congregación de S. Benito de Portugal y Brasil. A partir de entonces adquiere la relevancia y los medios que van a permitir un amplio conjunto de reformas y de obras de ampliación, llevadas a cabo durante los siglos XVII y XVIII. El monasterio se convirtió en uno de los grandes conjuntos monásticos de Portugal, y en un importante centro de producción y difusión de las artes y la cultura. En 1834 el monasterio se cierra, tras el decreto que extinguió las órdenes religiosas. Los bienes son confiscados y van siendo colocados en subasta pública, a excepción de la iglesia y de una pequeña área que queda para uso de la Parroquia. Comprado en 1864, sufre 30 años después un incendio que destruye el claustro del comedor. Durante un siglo funcionó como casa y quinta de recreo de una rica familia de Braga. En 1986, ante el estado de degradación al que había llegado el monasterio en las últimas décadas, el Estado de la 2ª República Portuguesa compra los edificios y la quinta que la Corona había vendido hacía más de un siglo. Se inician estudios, registros y limpiezas que viabilizaron los proyectos y obras que siguieron. Manteniendo los usos de la Parroquia de Tibães, se instalaron dos nuevas valencias: la cultural, que permite al visitante recorrer los espacios y le ayuda a ver y sentir la temporalidad de estos; y la de acogida, donde puede tomar un café, una comida o quedarse por unos días. Hoy llamamos monasterio al patrimonio clasificado del que forma parte el terrero, la Iglesia, los edificios conventuales y el espacio exterior que, encerrado en un alto muro, se designa Cercado. 2. Una red seleccionados
hidráulica
monástica:
lugares
Jardín de San Juan y red de acueductos El jardín de San Juan Bautista con la imagen del santo, en terracota, se construyó en 1733/1734 por el Maestre Manuel Fernandes da Silva (1693-1751). En este lugar, el gran desnivel del patio acogió el jardín elevado, un recurso que, por un lado, permitió el paso discreto de los carros de bueyes. que se dirigían a los pajares situados al oeste, y, por otro, la construcción de una plataforma octogonal elevada, en la que se implantó el jardín ornamental, pensado para ser disfrutado desde arriba por huéspedes y abades. El jardín, flanqueado por arriates, tiene ocho parterres delimitados por un “seto” de cantería de granito y, en el medio, un chafariz de piedra labrada,
que antaño fue pintado y dorado. Por debajo pasa un acueducto que encauzaba las aguas de escorrentía y de riego, posibilitando el lavado de las caballerizas y el riego del naranjal. Los monjes consideraban esta estancia, así bien como los claustros, el jardín de la capilla de San Benito y el jardín del abad general como jardines del monasterio. Estaban asignados al cuidado del hortelano que, bajo las órdenes del monje mayordomo, también cuidaba los arriates y las macetas existentes. Los canteros de los varios jardines estaban rodeados por setos de boj o por cantería de granito. La indispensable agua para el abastecimiento del monasterio, el riego de los jardines y la alimentación de las fuentes barrocas venía de diversas minas de agua subterránea (por ejemplo, S. Bento, Aveleiras, Cabrita, Preguiça, Anjo, etc.) y llegaba hasta estos lugares por una intrincada red de alcatruces de barro, canaletas de piedra y caños de plomo. Fuente de San Benito y Fuente del Gallo Para la comunidad benedictina la Cerca era el lugar de oración, recreo e inspiración y, el monasterio, el sitio más cercano al paraíso celestial. Conocedores de las corrientes artísticas europeas, en 1725, los monjes ponen en marcha un programa de lenguaje barroco a partir de la creación de un camino que separaba las huertas de los terrenos de árboles frutales, marcado por las fuentes de granito de San Benito, del lado poniente, y de San Beda, del naciente. Diez años más tarde se cruzó ese camino con la construcción de la calle de las fuentes o de la Escalinata. La fuente de San Benito está enmarcada por un patio con asientos de piedra labrada y un estanque o vivero de peces. Para alimentar con abundancia las fuentes de San Benito, de San Pedro, de la cocina, los surtidores del refectorio y el chafariz de San Juan, los monjes tuvieron que reforzar el caudal de agua. Así puede observarse. por detrás de la fuente, una pequeña construcción de piedra que da acceso a la mina de donde procede esta agua, que sigue por un acueducto hasta la fuente de San Pedro. Como el nicho había perdido la imagen de San Benito que le daba nombre, se le pidió al escultor bracarense Alberto Vieira que supliese esta ausencia. Tras ello el santo vuelve a ocupar su puesto. La fuente del Venerable San Beda, construida en 1728, fue vendida a un coleccionista bracarense en 1967. En el local permanecerán las escaleras de piedra que daban acceso a la fuente. El patio del Gallo se trata de un atrio de piedra con bancos y fuente de granito alimentada por el acueducto que viene del nacimiento de San Benito. Presenta un nicho con una imagen en terracota de San Pedro y un gallo en relieve que, aquí alude a la profecía de Jesucristo según la cual Pedro “lo renegaría tres veces seguidas antes de que cantase el gallo”. Escalinata En los Estados de 1734 relatan los monjes: “Se hicieron cinco fuentes en la calle que desciende desde la capilla de San Benito, alineada con el balcón de las Mentiras, todas en cantería de piedra, con varias molduras y figuras. Se enlosó toda la calle con sus paredes laterales y pasamanos y pirámides. Al final de la calle se hizo un elegante chafariz, con los asientos y una pérgola con sus arriates”. Es aquí, en esta subida de la escalinata, que a la luz de la estética barroca el simbolismo del Agua Viva del cristianismo alcanza su esplendor. Los monjes escenificaron el recorrido hasta el reino de Dios, aquí representado por el jardín y la capilla de San Benito, el cual se alcanzará a través de un trayecto de vida virtuosa, alimentada por el agua pura de las fuentes. Sobre cada fuente existió una imagen simbolizando una virtud: Prudencia, Justicia, Fortaleza, Templanza, Fe, Esperanza y Caridad.
|xii Lago El lago, de forma elíptica, fue construido entre 1795 y 1798 en el lugar donde existía la fuente de las “Aveleiras” (Avellanos) y estaba rodeado por terrazas agrícolas. Su agua suministraba la energía hidráulica necesaria para mover los molinos de pan y de aceite y la maquinaria para aserrar madera. Tenemos referencia de la ejecución de una figura de Neptuno para la cascada del lago, y de la colocación de dos pináculos y de cinco asientos de piedra bien labrada que sirven de adorno al mismo lago. De la época de los monjes llegaron también hasta nosotros un magnífico pino bravío, que, junto a dos cedros del Himalaya, plantados a inicios del siglo XX, se encuentran catalogados como árboles notables de Portugal. Casa del volframio El nombre de esta casa proviene de su último uso durante la II Guerra Mundial. La explotación del volframio fue una actividad que ayudó a sobrevivir a muchos hombres y mujeres de la parroquia de Mire de Tibães. Aquí se lavaba, pesaba y preparaba para el transporte este mineral de volframita. Este mineral se explotaba en varios lugares del monte de S. Gens. Dentro del Cercado se aprovechó la mina de agua de los avellaneros (Mina das Aveleiras) que alimenta el lago; en ella podemos aun visitar las galerías de la explotación. Por otra parte, esta explotación destruyó muchas de las terrazas construidas por los monjes. La elección de este local para el lavado se debe a que, a finales del siglo XVIII, las aguas del lago se habían conducido hacia aquí mediante un gran acueducto construido em piedra. Para poner en marcha la maquinaria de serrar madera con el fin de “aliviar los grandes gastos que se producían por el aserrado de la madera necesaria a la conservación y fabrica del Monasterio”. Hoy en día constituye local de apoyo a las actividades y visitantes del monasterio. 3. Monasterio de Tibães: encuadramiento geológico, hidrogeológico y minero El área de S. Martinho de Tibães está ubicada en la proximidad de zonas de cizallamiento. La estructura regional comprende un sustrato muy fracturado y deformado compuesto esencialmente por rocas metasedimentarias. Este encuadramiento sigue siendo definido por lineamientos tectónicos regionales, con orientación NW-SE y NE-SW. Las unidades geológicas que afloran en el área de estudio están constituidas principalmente por filitas arcillo-micáceas, metagrauvacas intercaladas con metasiltitos, metapelitos y corneanas cuarzosas, y rocas graníticas. La presencia en la región de potentes filones de cuarzo con volframita llevó, en el primer cuarto del siglo XX, a la investigación, prospección y explotación de estos depósitos hidrotermales. La mina de Aveleiras es una de las antiguas minas de agua (excavada, alrededor de 1626) que abastecieron el monasterio durante los últimos tres siglos, hasta que fue convertida en una mina de volframio en 1940-62 (conocida por “mina de Tibais” o “mina das Aveleiras”) y, posteriormente, volvió a su función inicial. El monasterio fue abastecido, durante muchos siglos, por un complejo sistema de minas de agua asociadas a manantiales de aguas subterráneas. En esta área se han reportado varios nacimientos, como por ejemplo los de S. Benito, de las Aveleiras, de la Cabrita y de la Pereza. En particular, la mina de Aveleiras posee un especial valor geominero y científico debido, por ejemplo, a la presencia de interesantes asociaciones mineralógicas asociadas a comunidades microbianas en ambientes subterráneos, resultado de procesos geomicrobiológicos y la biodiversidad acuática y faunística. Los análisis hidroquímicos revelaron que las aguas subterráneas de
Tibães presentan baja conductividad eléctrica y mineralización, son ácidas y presentan bajas concentraciones de nitratos. Las concentraciones de arsénico sólo superan el valor paramétrico de las aguas subterráneas para el consumo humano en la mina de las Aveleiras. La hidrogeoquímica dominante es la clorurada y la clorurada-sulfatada sódica. Las aguas subterráneas de Tibães están principalmente controladas por condicionantes lito-estructurales, y estas aguas tienen un origen meteórico, con un circuito relativamente corto y superficial. 4. Sendas de hidro-geodiversidad y geo-conservación minera Las investigaciones recientes llevaron a proponer algunas actividades geo-científicas y culturales, especialmente, un itinerario en el interior del Cercado del Monasterio de Tibães, donde se destacaron algunos aspectos de la geo-conservación minera e hidrogeodiversidad, particularmente una visita subterránea a las minas abandonadas de volframio de Aveleiras. Estas actividades de campo se incluyeron desde 2008 en la “Geología en Verano” de los programas “Ciencia Viva en Verano” y “Ciencia Viva en Verano en Red” (http:// www.cienciaviva.pt/) de la Agencia Nacional para la Cultura Científica y Tecnológica, promoviendo la diseminación de la geo-arqueología, geociencias de ingeniería, geomecánica minera e hidrogeología aplicada al público en general. Los detalles adicionales sobre estas iniciativas podrán consultarse en el DVD-Rom adjunto. 5. Perspectivas futuras Las actividades culturales, en torno a antiguos sistemas de abastecimiento de aguas subterráneas y a zonas abandonadas relacionadas con la minería, tienen gran potencial para el turismo geocientífico. Debe destacarse que estos lugares pueden constituir un enclave privilegiado y desempeñar un papel relevante en términos educativos. El valor del legado del patrimonio geológico puede transformarse, por ejemplo, en museos, parques o áreas naturales protegidas para fines recreativos, educativos y/o científicos. La oportunidad de recuperar la actividad y el interés en estos lugares abandonados les proporciona un segundo ciclo de vida. Tales intervenciones encierran un potencial para el desarrollo sostenible, a nivel de gestión del entorno circundante. A nivel socioeconómico, la principal ventaja es la promoción de regiones donde la economía dependía fuertemente de la explotación de los recursos naturales. En resumen, hay un triple objetivo a ser alcanzado: (i) recuperar un área degradada con un valor patrimonial importante; (ii) rehabilitar, social y económicamente, una comunidad específica, y (iii) ofrecer al público la posibilidad de entrar en contacto con las antiguas actividades mineras y la valorización de los recursos geológicos.
|xiii
L
,
T
:
1.“Monastère de Tibães”: un bref aperçu historique Pendant plus de 700 ans le monastère de Tibães a abrité une communauté de moines vêtus de noir, qui vivaient selon les prescriptions contenues dans la Règle, créée beaucoup plus tôt par Saint Benoît de Nursie (480-547). L'expérience des moines de Tibães nous est parvenue à travers les écrits qu'ils nous ont laissés. Nous pouvons ainsi prendre connaissance de leurs rituels, des pratiques de l’application de la Règle, de leurs achats, des travaux qu'ils ont réalisés, ou des livres qu'ils lisaient. Le monastère a été fondé à la fin du XIe siècle et a reçu, dès le début du siècle suivant, le territoire formé par les terres qui l’entourent, à la suite d’un don concédé par le comte Henri et la comtesse Thérèse. La donation comprenait l'octroi de la Charte de Couto (“domaine réservé”), ce qui signifiait que le monastère, en la personne de son abbé, avait reçu l'autorité nécessaire pour gouverner ce territoire. Le monastère s’est agrandi, par de nouvelles possessions et son pouvoir, jusqu'au XIVe siècle, puis a souffert une période de décadence. Mais quelques siècles plus tard, il va récupérer et atteindre sa plus grande splendeur. En 1569, il a été élevé au statut de Maison Mère de la Congrégation de Saint Benoît du Portugal et du Brésil. Dès lors il acquiert l'importance et les moyens qui permettront de nombreuses réformes et des travaux d'agrandissements, réalisés aux XVIIe et XVIIIe siècles. Le monastère est devenu l'un des grands ensembles monastiques du Portugal et s’est transformé en un important producteur et centre de diffusion des arts et de la culture. En 1834, le monastère est fermé, à la suite du décret de l’extinction des ordres religieux. Les biens sont confisqués et sont mis en vente aux enchères publiques, à l'exception de l'église et d'un petit espace qui est utilisé par la paroisse. Le monastère est acheté en 1864, il souffre 30 ans plus tard un incendie qui détruit le cloître du réfectoire. Mais pendant un siècle, il a fonctionné comme résidence et ferme de loisirs pour une famille fortunée de Braga. En 1986, face à la dévastation et à l'état de dégradation que le monastère avait subi au cours des dernières décennies, le gouvernement de la 2e République portugaise a acheté les bâtiments et la ferme que la Couronne avait vendus il y a plus d'un siècle. Quelques études et la constitution de dossiers sont entrepris, ainsi que les premiers ravalements, ce qui a permis les projets et les travaux qui ont suivi. On a maintenu les usages de la Paroisse de Tibães sur le site, et deux nouvelles valences ont été installées: la valence culturelle, qui permet au visiteur de parcourir les espaces et l’aide à voir et sentir leur temporalité; et les structures d’accueil, où il peut prendre un café, un repas ou rester quelques jours. Aujourd'hui, ce que nous appelons monastère, c’est le patrimoine classé, qui comprend la cour d’entrée, l'église, les bâtiments conventuels et l'espace extérieur qui, entouré d'un haut mur, correspond à la Clôture. 2. Réseau de l’hydraulique monastique: les sites sélectionnés Jardin de Saint Jean et le réseau d'aqueducs Le jardin de Saint Jean-Baptiste avec l'image du saint, en terre cuite, a été construit entre 1733 et 1734 par le Maître Manuel Fernandes da Silva (1693-1751). A cet endroit, il y a une grande dénivellation du terrain qui justifie l’élévation du jardin, un artifice qui a permis, d'une part, le passage discret des charrettes à bœufs en direction des granges situées à l'ouest, et d'autre part, la construction d'une plate-forme octogonale élevée, où le
jardin a été implanté. Il avait une fonction d'apparat, parce qu'il devait être vu d'en haut par les invités et les abbés. Entouré de jardinières, le jardin dispose de huit parterres encerclés par une bordure de granite, avec au milieu une fontaine en pierre taillée, autrefois peinte et dorée. En dessous se trouve un aqueduc des eaux de drainage et d'irrigation, qui permettaient le nettoyage des écuries et l'arrosage de l'orangeraie. Tous ces espaces, ainsi que les cloîtres, le jardin de la chapelle Saint-Benoît et de l'Abbé Général, étaient considérés par les moines comme les jardins du monastère. Ils étaient entretenus par le jardinier qui, sous les ordres du moine “majordome” du couvent, prenait aussi soin des vases et des jardinières. Les parterres des différents jardins étaient bordés par des haies de buis ou des pierres de granite. L'approvisionnement en eau nécessaire au couvent, l'irrigation des jardins et l’eau des fontaines baroques provenaient de diverses mines d’eau souterraine (par exemple, S. Bento, Aveleiras, Cabrita, Preguiça, Anjo, etc.) et arrivaient à ces endroits par un réseau complexe de norias avec ses pots en argile, de rigoles en pierre et de tuyaux en plomb. Fontaine de Saint Benoît et Fontaine du Coq Pour la communauté bénédictine la Clôture était un lieu de prière, de récréation et d'inspiration. Dans le monastère, c'était l'endroit le plus proche du Paradis céleste. Comme les moines connaissaient bien les courants artistiques de l'Europe, ils commencent, en 1725, l'exécution d'un projet de style baroque. D’abord, c’est la création d'un chemin qui sépare les jardins potagers des vergers, ponctué par la fontaine granitique de Saint Benoît à l'ouest et de Saint Bède à l'est. Puis, dix ans plus tard, ce chemin a été croisé par la construction de la rue des fontaines ou Escalier. La fontaine de Saint Benoît est insérée dans un patio avec des sièges en pierre taillée et un bassin ou vivier de poissons. Pour alimenter abondamment la fontaine de Saint-Benoît, celle de SaintPierre, celle de la cuisine, les buses du réfectoire et la fontaine du jardin de Saint-Jean, les moines durent renforcer le débit de l'eau. C’est pourquoi, derrière la fontaine, il y a une petite construction en pierre qui donne accès à la source de S. Bento, d'où jaillit de l'eau douce, qui est ensuite acheminée par un aqueduc jusqu'à la fontaine de Saint-Pierre. Sur la fontaine de SaintBenoît, l'image du saint qui lui donnait son nom avait disparu de sa niche; un sculpteur de Braga, Alberto Vieira, fut alors invité à la remplacer. Maintenant, le saint a retrouvé sa place. La fontaine du Vénérable SaintBeda, construite en 1728, fut vendue en 1967 à un collectionneur de Braga. Au même endroit subsiste l'escalier de pierre qui donnait accès à la fontaine. Le patio du Coq est un atrium en pierre avec des bancs, des jardinières et une fontaine en granite alimentée par l'aqueduc qui provient de la fontaine de Saint Benoît. On y trouve une niche qui accueille une image en terre cuite de Saint Pierre; le coq en relief de la fontaine fait allusion à la prophétie du Christ annonçant que Pierre “Le renierait trois fois de suite avant le chant du coq”. Escalier Dans les Livres de 1734, les moines ont consigné: “Cinq fontaines ont été construites dans la ruelle qui descend de la chapelle de Saint Benoît, alignée avec le balcon des Mensonges, toutes en pierre de taille et avec des dessins et des figures différentes. Toute la ruelle a été pavée, avec des murets sur les bords, des rampes et des pyramides. Au bout de la ruelle, une élégante fontaine a été construite, avec des bancs, un treillage et ses jardinières”. En effet, c'est ici, dans cette montée de l'escalier, qu'à la lumière de l'esthétique baroque, la symbolique de l'Eau Vivante du christianisme atteint sa splendeur. Les moines ont mis en scène le parcours vers le royaume de Dieu, représenté ici par le jardin et la
|xiv chapelle de Saint-Benoît, qui sera atteint en suivant le chemin d’une vie vertueuse alimentée par l'eau pure des fontaines. Au sommet de chaque fontaine, il y avait une image symbolisant chaque vertu: Prudence, Justice, Force, Tempérance, Foi, Espérance et Charité. Lac Le lac, elliptique, a été construit entre 1795 et 1798, à l'endroit où se trouvait la source d’Aveleiras (Noisettes), et était entouré de terrasses agricoles. Son eau fournissait l'énergie hydraulique nécessaire pour faire tourner les moulins à grains, les moulins à huile et le moulin à eau pour scier le bois. Il y a une référence à l'exécution d'une figure de Neptune pour la cascade du lac et à l’installation de 2 pinacles et de 5 sièges de pierre taillée pour embellir le lac. De l'époque des moines, il nous reste aussi un magnifique pin maritime qui, avec les 2 Cèdres de l'Himalaya plantés au début du XXe siècle, sont classés comme arbres remarquables du Portugal. Maison de la wolframite Le nom de cette maison vient de son utilisation pendant la Seconde Guerre mondiale. L'exploitation du tungstène a fourni à de nombreux habitants de Mire de Tibães des revenus qui les ont aidés à vivre. C'est ici que le minéral de wolframite était lavé, pesé et préparé avant d’être expédié. Le tungstène a été exploité sur plusieurs sites du mont S. Gens. Dans la clôture du monastère, il s’agit de la mine d’Aveleiras dont la source alimentait le lac. De nos jours, il est encore possible de visiter les galeries de cette mine. Mais cette exploitation a détruit de nombreuses terrasses construites par les moines. Pourquoi avoir choisi cet endroit pour le lavage? C'est là que les eaux du lac avaient été acheminées par un grand aqueduc en pierre, construit à la fin du XVIIIe siècle. Car les moines avaient jugé nécessaire de faire fonctionner un dispositif pour couper le bois bois, afin de “réduire les dépenses considérables de coupe du bois nécessaire à la conservation et à la construction du monastère”. De nos jours, la maison est un support pour les activités du musée et pour les visiteurs. 3. Monastère de Tibães: hydrogéologique et minier
cadre
géologique,
L’espace de S. Martinho de Tibães est situé à proximité de bandes de cisaillement. La structure régionale comprend un socle très fracturé et déformé composé essentiellement de roches métasédimentaires. Ce cadre est encore défini par des linéaments tectoniques régionaux orientés NW-SE et NE-SW. Les unités géologiques qui affleurent dans la zone d’étude sont surtout des phyllites argilo-micacées, des métagrauwackes interstratifiés avec méta-siltites, des métapélites et des cornéennes quartzeuses, et des roches granitiques. La présence de gros filons de quartz porteurs de wolframite dans la région a conduit, au cours du premier quart du XXe siècle, à la prospection et à l'exploitation de ces gisements hydrothermaux. La mine d’Aveleiras (creusée vers 1626) est l'une des anciennes mines d’eau qui ont alimenté le monastère au cours des trois derniers siècles, jusqu'à ce qu'elle soit convertie en une mine de tungstène dans les années 1940-1962 (“mine de Tibais” ou “mine d’Aveleiras”). Plus tard, elle est revenue à sa fonction initiale. Pendant de nombreux siècles, le monastère a été alimenté par un système complexe de mines d'eau associées à des sources d'eau souterraine. Plusieurs sources ont été signalées dans cette zone, telles que les sources de S. Bento, Aveleiras, Cabrita et Preguiça. En particulier, la mine d'Aveleiras a une valeur géominière et scientifique spécifique en raison, par exemple, de la présence de remarquables associations minérales agrégées à des communautés microbiennes des milieux souterrains,
résultant des processus géomicrobiologiques, ou encore en raison de la biodiversité aquatique et faunistique. Les analyses hydrochimiques ont révélé que les eaux souterraines de Tibães présentent une conductivité électrique et une minéralisation faible; elles sont acides et ont de faibles concentrations de nitrates. Les concentrations d'arsenic ne dépassent la valeur paramétrique des eaux souterraines pour la consommation humaine que pour la mine d'Aveleiras. Le faciès hydrogéochimique dominant est chloruré et chloruré-sulfaté sodique. Les eaux souterraines de Tibães sont principalement contrôlées par des contraintes lithostructurales, et ces eaux ont une origine météorique, avec un circuit relativement court et superficiel. 4. Sentiers d'hydro-géodiversité et de géoconservation minière Des études récentes ont conduit à proposer quelques activités géo-scientifiques et culturelles, notamment un itinéraire à l'intérieur de la Clôture du monastère de Tibães, où certains aspects de la géoconservation minière et de l'hydro-géodiversité ont été mis en évidence, en particulier une visite souterraine des mines de tungstène abandonnées d'Aveleiras. Depuis 2008, ces activités de terrain ont été intégrées dans “Géologie en Eté” des programmes “Ciência Viva no Verão” (Science Vivante dans l'Été) et “Ciência Viva no Verão em Rede” (Science Vivante dans l'Été en Réseau ) (http:// www.cienciaviva.pt/) de l'Agence Nationale pour la Culture Scientifique et Technologique. C’est une occasion de promouvoir la diffusion de la géoarchéologie, des géosciences de l'ingénieur, de la géo -mécanique minière et de l'hydrogéologie appliquée à un large public. De plus amples détails sur ces initiatives peuvent être trouvés dans le DVD-Rom annexé. 5. Perspectives d'avenir Les activités culturelles concernant les anciens systèmes d'approvisionnement en eau souterraine et des zones minières abandonnées présentent un grand potentiel pour le tourisme géo-scientifique. Il est à noter que ces sites peuvent constituer un forum privilégié et jouer un rôle éducatif clé. La valeur de l'héritage du patrimoine géologique peut être transformée, par exemple, en musées, parcs ou espaces naturels protégés à des fins récréatives, éducatives et /ou scientifiques. Pour ces sites abandonnés, l'opportunité de regagner une activité et un intérêt leur donne un second cycle de vie. De telles interventions ont un potentiel de développement durable, à la fois en ce qui concerne la gestion et l'environnement. Au niveau socioéconomique, le principal avantage est la promotion des régions où l'économie dépendait fortement de l'exploitation des ressources naturelles. En résumé, il y a un triple objectif à atteindre: (i) récupérer une zone dégradée avec une valeur patrimoniale importante; (ii) réhabiliter socialement et économiquement une communauté spécifique, et (iii) offrir au public la possibilité d'entrer en contact avec les anciennes activités minières et la valorisation des ressources géologiques.
|xv + info Chaminé HI [coord.] (2017) Valorização do património hidrogeológico e geomineiro de espaços subterrâneos antigos: as minas de água de Tibães. LABCARGA & ISEP|P.Porto (Porto) – Mosteiro de S. Martinho de Tibães (Braga). [DVD-Rom; in portuguese, with an english abstract] Bibliografia seleccionada / Selected bibliography / Bibliografía seleccionada / Bibliographie sélectionné Geral / General/ Général Brilha J (2005) Património geológico e geoconservação: a conservação da natureza na sua vertente geológica. Palimage Editores, Viseu, 190 p. Brilha J (2016) Inventory and quantitative assessment of geosites and geodiversity sites: a review. Geoheritage, 8(2):119-134. Chaminé HI, Afonso MJ, Freitas L (2014) From historical hydrogeological inventories, through GIS mapping to problem solving in urban groundwater systems. European Geologist Journal, 38:33-39. De Feo G, Angelakis AN, Antoniou GP, El-Gohary F, Haut B, Passchier CW, Zheng XY (2013) Historical and technical notes on aqueducts from prehistoric to medieval times. Water, 5(4):1996-2025. Fundação Frédéric Velge – Museu Mineiro do Lousal (2006) Modelos de minas do séc. XIX: engenhos de exploração mineira. Museu Mineiro do Lousal & Instituto Superior Técnico, 394 p. Garofano M, Govoni D (2012) Underground geotourism: a historic and economic overview of show caves and show mines in Italy. Geoheritage, 4(1):79-92. Gray M (2013) Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. 2nd edition, Wiley-Blackwell, 508 p. Lima F, Leal Gomes C (1999) Locais de interesse para a arqueologia mineira do Alto Minho (N de Portugal). Estado actual: métodos de caracterização e estratégias de aproveitamento. Cadernos do Laboratório Xeolóxico de Laxe, 23:89-99. Lopes ME (2012) Geoconservação e valorização do património geológico-mineiro de espaços subterrâneos antigos. Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de Coimbra. (tese de doutoramento). López-García JA, Oyarzun R, Andrés SA, Martínez JIM (2011) Scientific, educational, and environmental considerations regarding mine sites and geoheritage: a perspective from SE Spain. Geoheritage, 3(4):267-275. Martins M, Freitas IV, Val Valdivieso MI [coords.] (2012) Caminhos da água: paisagens e usos na longa duração. CITCEM, Braga, 293 p. T (2011) Catálogo de manantiales termales del espacio SUDOE GALICIA / Catálogo de nascentes termais do espaço SUDOE GALIZA / Catalogue des sources thermales de l’espace SUDOE GALICE. Programa de Cooperação Territorial do Espaço Sudoeste Europeu (SUDOE), Xunta de Galicia, Santiago de Compostela. 135 p. Wittfogel KA (1956) The hydraulic civilizations. In WL Thomas (ed.), Man’s role in changing the face of the Earth, The University of Chicago Press, Illinois, p. 152 -164. Mosteiro de Tibães / Monastery of Tibães / Monasterio de Tibães / Monastère de Tibães Afonso MJ, Lopes ME, Chaminé HI (2017) Hydrogeochemical assessment of Tibães waters (NW Portugal). Procedia Earth and Planetary Science, 17:790-793. Coelho Dias GJA (2010) Tibães: o encanto da Cerca, o silêncio dos monges e os últimos abades gerais dos beneditinos. Museu de S. Martinho de Tibães & Mosteiro de S. Bento da Vitória. 116 p. Coelho Dias GJA (2011) Quando os monges eram uma civilização... Beneditinos: espírito, alma e corpo. CITCEM, FLUP e Edições Afrontamento. 333 p.
Dias Costa MJ (2002) A cerca do mosteiro de São Martinho de Tibães. Património e Estudos, IPPAR, Lisboa, 2:86‐95. Ferreira do Amaral AJ (1992) Viagem no tempo ao Mosteiro de Tibães. Museu do Mosteiro de São Martinho de Tibães, Braga. 62 p. Fontes L (2005) São Martinho de Tibães: um sítio onde se fez um mosteiro: ensaio em arqueologia da paisagem e da arquitectura. Instituto Português do Património Arquitectónico, 215 p. Lopes ME, Afonso MJ, Teixeira J, Meixedo JP, Trigo JF, Dias Costa MJ, Gama Pereira LC, Chaminé HI (2015) Recovery of ancient groundwater supply systems and old abandoned mines: coupling engineering geosciences and geoheritage management. In G Lollino et al. (eds.), Engineering Geology for Society and Territory – Preservation of Cultural Heritage, IAEG, Springer, 8:227-230. Mata AMR (2002) Fragmentos do mosteiro de São Martinho de Tibães. Património e Estudos, IPPAR, Lisboa, 2:80‐85. Mata AMR, Dias Costa MJ (1998) Natureza, memória, vida nova na Cerca do Mosteiro de Tibães. In Prémio Internacional Carlo Scarpa para o Jardim. Instituto Português do Património Arquitectónico, Mosteiro S. Martinho de Tibães, p. 8‐25. Meixedo JP, Lopes ME, Dias Costa MJ, Trigo JF, Chaminé HI (2011) Geological and mining heritage in NW Portugal (Mire de Tibães): threats and opportunities for a sustainable second life-cycle. In P Claughton, C Mills (eds.), Mining Perspectives: Proceedings of the 8th International Mining History Congress 2009. Cornwall and West Devon Mining Landscape World Heritage Site, Cornwall Council, Truro, p. 110-116. Miller AZ, Dionísio A, Lopes ME, Afonso MJ, Chaminé HI (2014) Microbe-mineral interactions in a Portuguese geoarchaeological site. In C Saiz-Jimenez (ed.), The Conservation of Subterranean Cultural Heritage. CRC Press, Taylor & Francis Group, London, p. 103-111. Mosteiro de Tibães (s/d) As águas da cerca do Mosteiro de São Martinho de Tibães, em Braga. Mosteiro de São Martinho de Tibães, Braga. (Inédito). Mosteiro de Tibães (2013) Áudio-guias: Mosteiro de São Martinho de Tibães [versões portuguesa, inglesa e castelhana] (Marta Santos & Paulo Arbiol, com revisões e actualizações de Aida Mata, Virginia Henry Martins, Belém Paiva & Maria João Dias Costa). Mosteiro de São Martinho de Tibães, Braga. Oliveira AA (1974) A abadia de Tibães e o seu domínio (1630‐1680): estudo social e económico. Publicações da Faculdade de Letras do Porto, Universidade do Porto, Porto, 406 p. Oliveira PCJ (2005) A congregação Beneditina portuguesa no percurso para a extinção (1800‐1834). Palimagem Editores, 344 p. Terroso SDF (2015) Mosteiro de São Martinho de Tibães: a obra da arquiteta paisagista Maria João Dias Costa. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, 166 p. + 10 anexos. (dissertação de mestrado). Trigo JF, Chaminé HI, Afonso MJ, Almeida H, Lopes ME, Teixeira J, Pereira R, Pinheiro R, Meixedo JP, Gomes A, Teixeira JFA, Dias Costa MJ (2012) A antiga mina de volfrâmio das Aveleiras (Mosteiro de Tibães, NW Portugal): estudos interdisciplinares para a valorização do património geomineiro. Boletim de Minas, DGEG, Lisboa, 47(2):139-156. Trigo JF, Chaminé HI, Afonso MJ, Almeida H, Lopes ME, Meixedo JP, Teixeira J, Gomes A, Teixeira JFA, Dias Costa MJ (2013) Valorização do património geológico-mineiro: a antiga mina das Aveleiras (Mosteiro de Tibães). Ingenium, Revista da Ordem dos Engenheiros, Lisboa, 137 (II Série, Set/Out):78-81.
Tal como aconteceu um pouco por todo o Noroeste Peninsular, também Mire de Tibães acolheu uma efémera, porém marcante experiência de exploração mineira, quando, nos alvores das duas grandes guerras mundiais, um punhado de aventureiros e pesquisadores Nortenhos se deu conta de que a fertilidade dos solos do vale do Cávado não era a única riqueza que poderia ser extraída do seu subsolo. Neste caso, trataram-se de explorações de pequena dimensão, algumas delas mesmo furtivas ou ocasionais, que se ocupavam da pesquisa do “minério negro”. A nascente das Aveleiras brota através da sua mina, escavada, por volta de 1626, para o abastecimento de água subterrânea ao Mosteiro de S. Martinho de Tibães, para usos diversos e irrigação dos terrenos da Cerca. A mina das Aveleiras foi objecto de exploração de volframite (pelo menos, desde 1916), sendo conhecida por mina de Tibais. O imaginário subterrâneo em Tibães esteve sempre presente. Relembre-se o episódio “A fuga”, eternizado na obra “A bruxa do Monte Cordova” (1867), de Camilo Castello Branco, e em que, em certo trecho, pode ler-se: “Um donato, que feitorisava a cerca de Tibães, alvitrou o acerto de se abrirum alçapão no lagêdo do segundo cárcere principiado, e procurar-se um aqueducto que em eras remotas levava agua ao primitivo mosteiro simado n’uma baixa do monte de S. Gens (...). O encanamento delongava-se por extensão de quatrocentos passos, e rematava n’um pedregal imaranhado de silvedos e estevas, por onde o ar filtrava escassamente ao subterrâneo”. Já para não falar do romance “Volfrâmio” (1943), de Aquilino Ribeiro, que retratou de forma sublime o ambiente da pesquisa e exploração do “minério negro” pelas gentes galaico-nortenhas. Por certo, foi este o ambiente vivenciado nos montes de Tibães. Ainda hoje, ao calcorrearmos os trilhos envolventes da Cerca de Tibães, somos surpreendidos em vários sítios por antigos poços e chaminés de ventilação, galerias e escombreiras que testemunham uma intensa actividade de pesquisa e exploração. Foram encetados em Tibães estudos multidisciplinares para a definição de uma proposta de reabilitação e de valorização deste património geomineiro, tendo em linha de conta os aspectos científicos, técnicos, patrimoniais, históricos, ambientais e educacionais que contextualizam a tentativa de contribuir para um novo ciclo de sustentabilidade. Tendo resultado, assim, da articulação de diversos pontos de vista, por vezes dificilmente conciliáveis, esta experiência de projecto de geoengenharia reveste-se de um carácter e de uma importância singulares em termos de multi e transdisciplinaridade, conjugando temas geológico-mineiros, hidrogeomecânicos, geotécnicos, hidrogeológicos, geomicrobiológicos, histórico-patrimoniais e de biodiversidade. Na actualidade, as investigações prosseguem na mina das Aveleiras com o intuito de uma caracterização geoambiental de todo o espaço subterrâneo, bem assim como a sua cartografia geológico-mineira, envolvendo também estudos de modelação geotécnica e hidrogeomecânica, de hidrogeologia, de geomicrobiologia e de microclimatologia subterrânea, para além de constituir, presentemente, um campo experimental subterrâneo, em termos científicos, técnicos e pedagógicos para os alunos do curso de engenharia geotécnica e geoambiente do Instituto Superior de Engenharia do Porto. Curiosamente, o envolvimento do ISEP|P.Porto remonta aos anos 40, do séc. XX, através do professor engenheiro Augusto Nascimento da Fonseca Júnior e dos engenheiros civis e minas Augusto M. Lagoa e Renato V. Pousada, do Instituto Industrial do Porto, na elaboração do plano de lavra da Mina das Aveleiras. Estes trabalhos foram realizados, desde 2006, no espírito da estreita cooperação científico-patrimonial entre o Labcarga|ISEP e o Mosteiro de Tibães|DRCN (ainda com o enquadramento do IPPAR), no âmbito de um protocolo celebrado para o desenvolvimento de estudos geotécnicos e de estabilidade estrutural da antiga mina das Aveleiras, de geoconservação do património geomineiro, de investigações hidrogeológicas e de avaliação dos recursos hídricos subterrâneos na Cerca de Tibães e área envolvente. O volume Labcarga-Geo|3 divulga para o grande público a essência das investigações desenvolvidas nas minas de Tibães, destacando-se: i) a valorização da geoconservação do património hidrogeológico e geomineiro; ii) a importância na preservação da intricada rede hidráulica monástica; iii) a apresentação do campo experimental na prática científico-pedagógica de alunos de engenharia geotécnica e geoambiente do ISEP (cartografias geológica e geotécnica, geociências de engenharia, hidrogeomecânica, geotecnia mineira, hidrogeologia, etc.); iv) as actividades de divulgação ao grande público — em colaboração com o Mosteiro de Tibães, a Ciência Viva e a Casa das Ciências — das temáticas de geologia mineira, das geociências de engenharia, da hidrogeologia aplicada, da geotecnia e da geoconservação do património geomineiro. Por outro, constitui um fantástico exemplo do papel das geociências (em particular, da geologia mineira, da hidrogeologia e da geologia de engenharia), da engenharia, do património e da história na domínio da pesquisa da “Arte das Águas” pelos monges de vestes negras e, muito mais tarde, pelos engenheiros civis e minas que exploraram nas entranhas de Tibães, o minério negro. Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) tem como raiz a Escola Industrial do Porto, criada no reinado de D. Pedro V pelo ministro Engenheiro Fontes Pereira de Melo, em 1852. No âmbito da reforma e expansão do ensino industrial, em 1864, a Escola Industrial passa a Instituto Industrial do Porto. Em 1988, o ISEP integra a estrutura do Politécnico do Porto (P.Porto) e, actualmente, conta com mais de 6600 alunos e 24 cursos de licenciatura e mestrado em engenharia. O Labcarga|ISEP tem como objectivos e competências a dinamização de projectos de consultadoria especializada e I&D, em ambiente académico, empresarial e/ou misto, nas áreas das geociências e cartografia aplicada (cartografia SIG, hidrogeologia, geologia de engenharia, geologia mineira, riscos geológicos), dos georrecursos (prospecção, pesquisa e gestão de recursos geológicos e de recursos hidrominerais; de hidrogeologia e de recursos hídricos subterrâneos), da geotecnia em meios urbanos, da hidrogeomecânica, da geotecnia de taludes, da geotecnia costeira e portuária e da geoconservação do património geomineiro.