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TFG Conjunto Santa Cecília | Caroline Sampel

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1. INTRODUÇÃO

“Acredito que as coisas podem ser feitas de outra maneira, Que a arquitetura pode mudar a vida das pessoas e que vale a pena tentar.” Zaha Hadid


1. INTRODUÇÃO

CONJUNTO SANTA CECÍLIA HABITAÇÃO, EDUCAÇÃO E CULTURA

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Trabalho Final de Graduação Caroline Sampel Orientador: Prof. Me. Luís Felipe Xavier

São Paulo Junho de 2019


AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus. À todos os professores que fizeram parte do meu aprendizado durante os cinco anos, e principalmente ao meu orientador Prof. Me. Luís Felipe Xavier, por ter sido fundamental no desenvolvimento do trabalho, sendo sempre muito atencioso e dedicado para me passar conhecimento. Agradeço ao Centro Universitário Belas Artes por ter me oferecido a chance e as ferramentas necessárias que permitiram que eu chegasse até aqui com ensino de qualidade. Agradeço à minha família por todo amor e paciência, ao meu irmão, Rafael, e especialmente ao meu pai e à minha mãe, Rui e Cecília, que tornaram tudo isso possível e se dedicaram ao máximo para me proporcionar as melhores coisas. À todos meus amigos e a todos que passaram direta ou indiretamente pela minha vida durante esse período e contribuíram para o meu crescimento.


RESUMO Esta pesquisa buscou primeiramente analisar os problemas de moradia precária e da periferia na cidade de São Paulo, além de compreender, através de autores importantes, como esse fator surgiu, quais são os reflexos causados e como o plano urbano interfere nas dificuldades enfrentadas pela população de baixa renda. É defendido que uma moradia digna não deve ser localizada em áreas periféricas, e sim onde há infraestrutura para a demanda, portanto, na área central da cidade. Disserta sobre quem seria o maior culpado pela ausência de moradia digna, apontando o Estado e o mercado como os principais e aborda conceitos que evidenciam o que seria uma Habitação de Interesse Social com qualidade. O trabalho faz o estudo de caso de cada questão a ser tratada no projeto, analisando conjuntos habitacionais, creches, espaços comerciais e culturais. Faz a leitura do local de intervenção e do seu entorno, analisando a legislação, mobilidade, uso e ocupação do solo, áreas permeáveis, habitações, gabarito e equipamentos. E por fim, faz a proposta de um projeto que pretende se contrapor às ideias de programas habitacionais como Minha Casa Minha Vida (MCMV), levando a habitação para a região central da cidade, a fim de combater a segregação social e de oferecer à população de baixa renda mais do que uma habitação, mas uma moradia

digna, com direito a educação, cultura, lazer, esporte, oportunidades de ser autossuficiente e de se capacitar através de cursos, além de provocar a quebra de barreira social e física, causada principalmente pelo Elevado João Goulart, permitindo que o pedestre entre na quadra e tenha um passeio mais interessante, com novos usos e sensações.


ABSTRACT This research first analyzes the problems of precarious housing and the periphery in São Paulo city, besides understanding, through important authors, how this factor emerged, what are the reflexes caused and how the urban plan interferes in the difficulties faced by the population of low income.It is argued that a decent housing should not be located in peripheral areas, but rather where there is infrastructure for the demand, therefore, in the central area of ​the city.It explains who would be the main culprit for the absence of decent housing, pointing out the State and the market as the main ones and approaches concepts that demonstrate what would be a Social Interest Housing with quality.The work makes the case study of each question to be managed in this project, analyzing housing complexes, day care centers, commercial and cultural spaces.It analyzes the place of intervention and its surroundings, studing the legislation, mobility, use and occupation of the soil, permeable areas, housing, feedback and equipments.And finally, it proposes a project that intends to oppose the ideas of housing programs like Minha Casa Minha Vida (MCMV), leading the housing in the central region of the city, in order to combat social segregation and offer the population more than a housing, but a decent dwelling, with education, culture, leisure, sports, opportunities to be self-sufficient and to qualify through courses, in addition to provoking the breakdown of social and physical barriers, mainly caused by by the Elevado

JoĂŁo Goulart, allowing the pedestrian to enter the court and have a more interesting tour with new uses and sensations.


SUMÁRIO

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APRESENTAÇÃO Introdução............................................................................................................................................................................. 14 Justificativa........................................................................................................................................................................... 15 Objetivos............................................................................................................................................................................... 17 Materiais e Métodos............................................................................................................................. ................................ 18

CONCEITOS Mercado e Estado como principais culpados pelos problemas de moradia.......................................................................... 22 Problemas e reflexos de uma moradia precária.................................................................................................................... 24 Arquitetura de qualidade para as Habitações de Interesse Social........................................................................................ 26

CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESPAÇO Apresentação do local.......................................................................................................................................................... 30 Área de intervenção............................................................................................................................. ................................ 31 Mobilidade............................................................................................................................................................................ 32 Uso e ocupação do solo....................................................................................................................................................... 33 Áreas permeáveis................................................................................................................................................................. 33


Habitações............................................................................................................................. ........................................... 34 SUMÁRIO

Gabarito............................................................................................................................................................................ 34 Equipamentos............................................................................................................................. ...................................... 35 Legislação............................................................................................................................. ............................................ 35 Rios canalizados............................................................................................................................. .................................. 37 Entorno............................................................................................................................................................................. 37

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ESTUDO DE CASO HABITAÇÃO Introdução.......................................................................................................................................................................... 42 Residencial Diogo Pires..................................................................................................................................................... 42 Conjunto Jardim Edite........................................................................................................................................................ 50 Parque Novo Santo Amaro V............................................................................................................................................. 58 Considerações................................................................................................................................................................... 63

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ESTUDO DE CASO CRECHE Introdução.......................................................................................................................................................................... 66 CESA Jardim Santo André................................................................................................................................................. 66 CEI Jardim Edite................................................................................................................................................................ 70 Escola Montessoriana Waalsdorp............................................................................................................................. ......... 74 Considerações................................................................................................................................................................... 78

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ESTUDO DE CASO COMÉRCIO Introdução.......................................................................................................................................................................... 84 Unidades Comerciais Residencial Diogo Pires.................................................................................................................. 86 Galeria Metrópole................................................................................................................................................................88 Edifício Copan............................................................................................................................. ........................................91 Considerações....................................................................................................................................................................93


ESTUDO DE CASO TEATRO SUMÁRIO

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Introdução............................................................................................................................................................................. 96 Teatro Oficina........................................................................................................................................................................ 96 Centro Cultural São Paulo..................................................................................................................................................... 98 Considerações....................................................................................................................................................................... 99

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO Introdução........................................................................................................................................................................... 102 Programa de necessidades............................................................................................................................. .................... 102 Partido aplicado............................................................................................................................. ...................................... 104 Implantação............................................................................................................................. ........................................... 106 Cortes gerais............................................................................................................................. .......................................... 108 Áreas Comuns............................................................................................................................. ........................................ 110 1º Pavimento....................................................................................................................................................................... 114 2º Pavimento....................................................................................................................................................................... 116 Educação............................................................................................................................. ............................................... 118 Cultura................................................................................................................................................................................. 122 Comércio e serviço.............................................................................................................................................................. 130 Pavimento tipo e unidades habitacionais............................................................................................................................. 134

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RESULTADOS.................................................................................................................................................................... 142

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CONCLUSÕES....................................................................................................................................................................146

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................................................................... 150


1.

APRESENTAÇÃO


INTRODUÇÃO Bairros sofisticados se destacam com seus nomes elegantes, seus edifícios imponentes, porém apertados e cada vez mais caros. Enquanto na região periférica da cidade de São Paulo, há um amontoado de gente vivendo em condições precárias, em um universo que se estende e parece não ter fim, assim como as dificuldades, que gritam no meio de uma cidade com tantos problemas. Programas habitacionais, como Minha Casa Minha Vida (MCMV), com seu caráter padronizado e comandado pelos interesses de proprietários imobiliários, incorporadores e empreiteiras, não visam o melhoramento da cidade e muito menos levam em conta a questão social, prejudicando cada vez mais a cidade e as pessoas, já que são projetadas longes do centro urbano, além de agravar o déficit habitacional. "Esse investimento gigantesco, aliado a uma especulação de terras ciclópica, tornou as cidades ainda mais inviáveis no Brasil” (MARICATO, 2018). Diante desse cenário e do não cumprimento da Constituição Federal de 1988 e a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), no que se refere a moradia digna, pretende-se estudar as problemáticas da habitação de interesse social do século XXI na cidade de São Paulo, qual a sua relação com o espaço urbano e, a partir de um projeto em ampla dimensão, mostrar como a arquitetura pode dar mais qualidade de vida aos cidadãos. A discussão sobre as ideias aplicadas atualmente nos programas foi extremamente importante para a escolha do terreno, que se contrapõe a realidade atual, onde a maioria das implantações são feitas em áreas periféricas. Localizada em São Paulo, no bairro de Santa Cecília, em dois terrenos subutilizados delimitados como ZEIS-3 (Zona Especial de Interesse Social), o projeto pretende não apenas trazer a moradia à área central, mas apresentar soluções que melhorem as questões urbanas, sociais, habitacionais, econômicas e educacionais.

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JUSTIFICATIVA

Mapa 1.0: Mapa de São Paulo e manchas dos aglomerados urbanos Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

A análise da situação econômica e social da população paulistana de baixa renda, das moradias precárias e sem infraestrutura e de sua inserção na periferia da cidade de São Paulo, levou ao interesse da pesquisa. Segundo o IBGE, apenas no estado de São Paulo há 2.715.067 de habitantes ocupando 2.087 aglomerados subnormais, sendo dois terços localizados na capital. Suas moradias irregulares, que são 23% dos domicílios do país, são construídas em locais com características específicas, como áreas de pequeno porte, na qual 69,5% são aglomerados com menos de 1.000 domicílios espalhados pela zona periférica da cidade, fazendo com que 37% dos moradores periféricos levem mais de uma hora para chegar ao seu trabalho. Além de moradias aglomeradas não regulamentadas, aglomerados subnormais apresentam outras problemáticas, como ausência de esgotamento sanitário (cerca de 68,4% apresentam esse serviço adequadamente), de energia elétrica (apenas 65,9% dos domicílios tem seu fornecimento adequado de energia) e suas vias de circulação e tamanho e forma dos lotes, que são irregulares (IBGE, 2010). Os aglomerados urbanos estão localizados, em sua maior parte, na periferia (mapa 1), o que resulta numa intensa segregação social e física na cidade. Isso é decorrente de todo um processo histórico, em que o mercado e o Estado, sempre com foco lucrativo, direcionaram os gastos com a finalidade de modernizar São Paulo, melhorando sua aparência estética e paisagística, e consequentemente aumentando o custo do m² das áreas centrais e proximidades (figura 1). Esse e diversos outros fatores levaram a população de baixa renda a construir em locais impróprios para moradia, como em encostas e colinas (figura 1.1). Desses moradores, 3 a cada 10 ganham menos que meio salário mínimo (IBGE, 2010).

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Entretanto, segundo Maricato (2018), se engana quem pensa que esses problemas de moradia precária podem ser solucionados apenas com a construção de habitações sociais. A ideia de programas habitacionais não devem andar sozinhas. É importante não ignorar os problemas dos aglomerados subnormais e destinar investimentos significativos para a urbanização das favelas, o que não foi feito. "Tem que fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Construir sem regular as áreas já ocupadas gera uma demanda fora da cidade consolidada" (MARICATO, 2018). Além disso, outro erro grave nesse meio, que prejudicou ainda mais a situação de muitos, é a construção das residências em áreas distantes dos centros urbanos, medida que atrai as incorporadoras imobiliárias e empreiteiras. Mantendo a população longe das cidades e dos empregos, os bairros periféricos acabam sendo mais vulneráveis ao crime organizado, já que uma cidade segura é aquela que tem moradia e trabalho. Apesar do programa ter criado um mercado imobiliário para classes média-média e média-baixa, o fato dessas habitações serem implantadas nas áreas periféricas,

afastou ainda mais essas pessoas da cidade, já que o preço da terra subiu. Esses problemas relatados e discutidos como argumento das soluções implementadas no projeto, foram fundamentais para a escolha do terreno na Avenida São João e na Rua Ana Cintra. Tomando como solução aproximar a população de baixa renda de todas a infraestrutura que a cidade oferece, o local, atualmente ausente de áreas livres e verdes, subutilizado, em área de ZEIS-3, com mobilidade disponível e mais oportunidades de empregos próximos, terá o objetivo de cumprir a sua função social, não só a partir da implantação de unidades habitacionais, mas também da consolidação desse setor com outros setores importantes para a cidade e para o cidadão, como equipamentos de educação e cultura, áreas comercias e espaços públicos que tragam melhorias para o plano urbano.

Figura 1.0: Gráfico com o valor máximo do m² Fonte: IBGE (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Figura 1.1: Localização das moradias precárias em cada região Fonte: IBGE (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

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• Fazer a leitura do terreno e entorno; • Elaborar estudos de caso; • Projetar o espaço levando em consideração todo o conhecimento adquirido com a pesquisa, aplicando soluções positivas encontradas e se contrapondo às medidas não satisfatórias; • Criar uma habitação unindo equipamentos de educação e cultura, unidades comerciais, espaços públicos e condominiais para convívio, esporte e lazer; • Projetar uma arquitetura que se integre com a cidade e não crie barreiras físicas e sociais. Uma habitação de interesse social que, além de moradia digna, tenha continuidade com as estruturas já existentes e ofereça novos usos, como comércio, serviços, educação e lazer; • Cumprir função social;

OBJETIVOS GERAIS A pesquisa tem como objetivo reconhecer as dificuldades enfrentadas pelas pessoas que moram em condições precárias, entender o porquê isso acontece, e buscar maneiras, a partir da arquitetura e urbanismo, que possa reverter essa realidade e melhorar a cidade e a vida dessa população. O trabalho pretende dar conta dos problemas numa dimensão mais ampla, unindo questões sociais, culturais, econômicas e ambientais e promover a integração entre as classes, destruindo barreiras físicas e sociais, oferendo usos e oportunidades para diferentes perfis.

ESPECÍFICOS • Analisar as dificuldades de moradia encontradas na cidade de São Paulo; • Estudar os motivos históricos que levaram a esses problemas; • Estudar o cenário atual que agrava ainda mais a situação de moradia; • Conceituar três temas relacionados ao assunto, referenciando importantes autores na área de arquitetura e urbanismo; • Determinar soluções que possam mudar esse cenário, se contrapondo às medidas falhas tomadas atualmente;

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MATERIAIS E MÉTODOS

ocupação, áreas verdes e livres, córregos canalizados, macrozona e macroárea; • Apresentar a área de intervenção e suas características; • Analisar as características singulares do local, determinando seus pontos negativos e positivos;

Fundamentação da escolha do tema • Adquirir informações concretas sobre questões sociais, aglomerados subnormais, periferia, moradias precárias no IBGE, em reportagens e mapas do Geosampa; • Desenvolver uma linha de raciocínio e entender as questões estudadas a partir de entrevistas, reportagens, artigos e publicações de autores como Raquel Rolnik e Erminia Maricato;

Estudo de caso • Habitação: Residencial Diogo Pires, Conjunto Habitacional Jardim Edite e Residencial Parque Novo Santo Amaro V; • Creche: CESA Jardim Santo André, CEI Jardim Edite e Escola Montessoriana Waalsdorp; • Comércio: Unidade comercial do Residencial Diogo Pires, Galeria Metrópole e Edifício Copan; • Teatro: Teatro Oficina;

Referencial teórico • Juntar argumentos que procurem justificar os problemas de moradia enfrentados atualmente, pesquisando autores como João Sette e Raquel Rolnik; • Analisar os problemas e reflexos de uma moradia precária, referenciando Erminia Maricato, Chalfun e João Sette; • Trazer a discussão do que seria uma arquitetura de qualidade para as habitações sociais, relacionando com leitura de Nabil Bonduki;

Leitura do local • Estudar características do entorno relacionadas a legislação, habitação, educação, esporte, lazer, cultura; • Fazer a análise do local: gabarito, estado de conservação, equipamentos, mobilidade, uso e

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Desenvolvimento do projeto • Decidir o programa de necessidades; • Definir o partido a ser aplicado; • Pensar no projeto em escala urbana; • Delimitar ligações, fluxos e caminhos; • Estudar o conforto ambiental e a insolação; • Definir soluções estruturais; • Resolver acessos e circulações verticais e horizontais; • Elaborar planta tipo; • Definir espaços sociais, educacionais, culturais e comerciais; • Fazer os layouts dos demais ambientes; • Definir usos para os espaços comuns com áreas de convívio, lazer e esporte; • Elaborar estética e fachada da arquitetura;

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2.

CONCEITOS


mais interessado em fins lucrativos do que em garantir moradia digna a todos, o que envolve não só a construção civil, mas também um bom planejamento urbano, pensando em toda sociedade. Investimentos públicos são claramente direcionados aos planejamentos que privilegiam as classes mais altas, como por exemplo, o privilégio das políticas públicas de automóveis individuais ao invés do transporte público. É por conta desse descaso do Estado e por sua falta de fiscalização, que a autoconstrução é a alternativa aderida pelos habitantes jogados à periferia. A respeito à infraestrutura urbana, cabe ao Estado assumir a culpa, já que é ele que autoriza obras em tais locais. Porém, o mercado também tem culpa nesse quesito, pois seus interesses de construção civil estão sempre mirados em locais mais baratos, sem infraestrutura, serviços urbanos, acessibilidade e fluidez (SETTE, 2012).

Mercado e Estado como principais culpados pelos problemas de moradia Em relação ao que se refere ao respeito do direito à moradia, garantido no artigo 6º da Constituição, a maior responsabilidade está na falta de alternativas de habitação oferecidas pelo mercado e Estado, que, como já se afirmou, empurram esse grupo social para os assentamentos precários das periferias, justamente as áreas menos valorizadas (SETTE, 2012, p. 27). Desde a II Conferência sobre Assentamentos Humanos, se discute o que é considerado uma habitação digna, que vai além de um teto, incluindo também conforto, estrutura, luminosidade e dimensionamento adequado. Um ambiente arejado e aquecido, que ofereça intimidade, deve ter também uma boa localidade, acessível ao trabalho e serviços básicos (MARQUES, 2012 apud SANCHES, 2017). Visto que é garantido o direito de moradia na Constituição e são discutidas suas características na Conferência sobre Assentamentos Humanos, o autor levanta uma questão para analisar de quem é a responsabilidade por toda a problemática de moradia precária, que não condiz com a habitação digna descrita. Certamente, seria errado individualizá-la, já que envolve diversos agentes, mas segundo João Sette (2012), o descaso pelo grupo social de baixa renda toma conta do Estado e mercado, que está

Ninguém decide morar numa favela porque quer. A favela é o que mercado imobiliário disponibiliza para quem tem pouca renda, em geral em áreas que o mercado formal não pode ou não quer ocupar (ROLNIK, 2009, p. 01) Raquel Rolnik (2009) reforça ainda mais quem são os grandes culpados pela moradia precária. A favela é o espaço que sobra na cidade e os únicos que o ocupam são aqueles na qual não possuem outra opção de moradia. Não é uma opção morar em locais afastados,

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sem infraestrutura, serviços, equipamentos. As pessoas se arriscam ao morar em locais que muitas vezes estão em áreas de risco para ter o que chamar de moradia. E muitas vezes, mais uma vez por fins lucrativos, mesmo acontecendo urbanização nessas áreas, ocorrem remoções de famílias, por conta de interesses do mercado no local e projetos de infraestrutura. Além da culpa do Estado e mercado, parcela dela também deve ser dirigida à arquitetura, que está cada dia menos presente na construção civil (SETTE, 2012). A real atuação dos arquitetos é substituída pela produção em alta escala, padronizada, que visa o lucro e que não leva em consideração o fato de que a boa arquitetura e os valores urbanos e construtivos seria o que garantiria moradia digna, qualidade de vida e desenvolvimento humano. Mas que na realidade, é garantido apenas um “abrigo”, sem desempenho e eficiência, dimensionamento adequado e conforto. A ganância por obter lucros cada vez maiores, faz com que construtoras utilizem projetos padrões, que acabam não tendo uma relação com o meio inserido, com o terreno, com a urbanização ao seu redor e com os moradores. A arquiteta Débora Sanches (2015), em sua tese para mestrado, disserta sobre o projeto participativo, que ajuda a definir as reais necessidades de cada cliente e diz ser o caminho para a conquista da moradia digna. Nele, o morador é ouvido e suas necessidades não são generalizadas e transformadas em carimbos, e sim tratadas individualmente, inserindo no desenho da moradia a identidade de cada cliente.

O projeto participativo é o projeto arquitetônico onde o usuário final participa do processo de projeto em suas diversas fases. Ou seja, as decisões, que são tomadas durante o processo do projeto, são compartilhadas pelo arquiteto – ou a equipe de arquitetos – e o usuário final (LANA, 2007 apud SANCHES, 2015, p. 143). Portanto, enquanto não tiver uma mudança de pensamento por parte dos lados que possuem mais poder, como Estado, mercado, construtoras, não haverá bons resultados no planejamento urbano e na arquitetura de habitação, já que se deixa de construir cidades para as pessoas, focando apenas embelezamento delas, tornando-as um produto atrativo para se alcançar valores lucrativos altos.

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É o que acontece, por exemplo, desde 1976, em Interlagos, na cidade de São Paulo. Viver em um local afastado do centro, mais barato, exigia desde então força de vontade, pois com a precariedade do transporte público, excesso de pessoas e longo percurso, chegar ao trabalho era algo que muitos dias nem acontecia. Mas quem arca com os problemas ao comprar uma moradia em uma área ilegal não é só o próprio morador, ainda em Interlagos, região entre duas represas de água, o meio ambiente também sofre com a falta de opção da classe social menos favorecida. Na represa do Guarapiranga, a qualidade da sua água está sendo comprometida, graças às moradias precárias de alta densidade de ocupação (MARICATO, 1997).

Problemas e reflexos de uma moradia precária Quando alguém compra uma casa, está comprando também as oportunidades de acesso aos serviços coletivos, equipamentos e infraestrutura. Está comprando a localização da moradia, além do imóvel propriamente dito (MARICATO, 1997, p. 43)

Maricato (1997) afirma que uma moradia não é composta somente da edificação, é também integrada com a inserção urbana, que deve oferecer fluidez urbana, localização, acessibilidade, infraestrutura e serviços urbanos; e com a implantação, uma escala mais reduzida, que deve apresentar adequação à topografia do terreno, áreas comuns, formas de ocupação, paisagismo e lazer. Além desses fatores físicos, ao se comprar uma casa ou um terreno, compra-se a legislação urbana, isto é, as normas que regulam como o solo pode ser ocupado, o que pode valorizar ou desvalorizar o local. Os diversos fatores vistos no parágrafo anterior que influenciam em um terreno, influenciam também no seu custo, na vida dos moradores, na cidade e no meio ambiente. Por exemplo, se alguém compra uma casa em uma área ilegal da periferia, esse morador vai pagar um valor muito menor, porém terá infinitos problemas de moradia, como falta de infraestrutura, equipamentos, a locomoção para o emprego, que será longa, entre outros.

O desenho inadequado dos loteamentos – o traçado das ruas não respeita a topografia do terreno -, o desmatamento total, a ausência de infraestrutura de drenagem, água e esgotos, o parcelamento excessivo em pequenos lotes que resultam em alta densidade, são algumas das características que têm como consequência o carregamento de lixo sólido, material de erosão e águas servidas para dentro da represa (MARICATO, 1997, p. 63). Portanto, supervalorizar locais centrais, recheados de oportunidades, infraestrutura, equipamentos e esquecer a periferia, não sai caro apenas para os compradores, mas

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também para o resto da cidade, para os menos favorecidos e para a natureza. Na procura de moradias acessíveis economicamente, moradores de classe baixa procuram somente abrigos, sem a possibilidade de adquirirem todo o seu conjunto urbano, que ofereceria melhores condições de vida.

regiões mais ricas das cidades fossem naturalmente bem resolvidas. Nada mais falso: os bairros abastados nem sempre apresentam situação urbanística melhor, mesmo com todos os investimentos, serviços e equipamentos que recebem. Ao contrário, muitas vezes as soluções urbanas e arquitetônicas que adotam resultam em áreas de péssima qualidade, pela forma com que se isolam do restante da cidade e pelos prejuízos ambientais que causam (SETTE, 2012, p. 13).

A deterioração ambiental, seja da cidade ou do campo, é problema antigo e sempre existiu na história da humanidade. O que é novo, neste final de século, é a intensidade dos processos de degradação ambiental que acompanham a urbanização, resultando em crescente vulnerabilidade das cidades (CHAFFUN, 1996, p. 28).

Podemos ver que não é só a classe baixa que causa danos à cidade. A utilização do automóvel, por exemplo, acabou sendo um meio privilegiado pelo Estado, que investiu na estrutura da cidade para recebê-los cada vez mais, causando um grande impacto na poluição do ar. Canalizam-se rios e córregos. Criam-se bairros exclusivos e isolados, sem diversidade de uso, sem urbanização, sem vida (SETTE, 2012). Um imóvel ou terreno seja ele com baixo custo ou alto, legal ou ilegal, grande ou pequeno, no centro ou na periferia, estará sempre relacionado com o espaço urbano inserido, te oferecerá oportunidades ou dificuldades, ganhos ou perdas, benefícios ou prejuízos ambientais.

A urbanização acelerada, a concentração populacional, a ocupação indevida no meio ambiente e os padrões tecnológicos têm causado problemas ambientais graves, como a poluição da água e do ar e a diminuição da cobertura vegetal, além da deterioração da qualidade de vida, como enchentes, deslizamentos e erosões. São esses os principais problemas, que gerados na maior parte em cidades com importância econômica, que a Segunda Conferência das Nações Unidas tem o desafio de enfrentar (CHAFFUN, 1996). Porém, a discussão sobre os problemas urbanos não se resume a observar apenas a trágica situação dos assentamentos precários como se, em contrapartida, as

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elétrica (IAPs, 1940 apud BONDUKI, 2013). A missão de compatibilizar a economia, técnica, prática e estética foi aderida por muitos dos arquitetos das IAPs, já que existia a necessidade de construir para muitos, gastando pouco, mas sem perder a essência da arquitetura. Um deles é o arquiteto Carlos Frederico Ferreira, um dos mais importantes do instituto. Ferreira buscava garantir a boa arquitetura, a qualidade de vida dos moradores, permitindo, ainda sim, ser viável para os trabalhadores de baixa renda. O arquiteto não só aderiu e defendeu essas diretrizes, como as colocou em prática. Tornou da necessidade uma oportunidade e inovação (BONDUKI, 2013). Aproveitou a necessidade do barateamento para inovar nos materiais, como, por exemplo, o uso dos blocos prensados de concreto, até então pouco utilizados. Para vencer a alta taxa de habitantes que necessitavam de uma boa moradia, se dispôs a projetar um conjunto de duas mil habitações, em Realengo, no Rio de Janeiro, algo jamais sido financiado pelo governo, que só tornava possível, normalmente, no máximo 200 habitações. Junto com o instituto, investigou técnicas construtivas alternativas, novas tecnologias e tipologias. Defendeu a socialização da terra, com áreas coletivas para utilização comum (BONDUKI, 2013). Todos esses fatores históricos são provas de que para ser feita uma edificação popular, com o menor custo possível, não é necessário aplicar a padronização, a redução do dimensionamento, afetando a qualidade de vida dos moradores e deixando de lado a arquitetura, como tem sido feito nos dias atuais. Baixo custo não é sinônimo de

Arquitetura de qualidade para as Habitações de Interesse Social Prova evidente da existência no país de capacidade para enfrentar o problema habitacional no período são os conjuntos construídos pelos Institutos de Aposentadorias e Pensões. É certo que não se pode generalizar, pois a produção é desigual, com projetos de grande qualidade ao lado de empreendimentos vulgares e tradicionais. Entretanto, uma análise qualitativa de alguns dos mais importantes conjuntos revela inovações importantes nos projetos arquitetônicos e na implantação urbanística (BONDUKI, 2013, p. 133). Apesar de terem obras de grande importância nos anos de 1937 a 1950, pouco se estuda sobre o papel dos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs) nos conjuntos habitacionais. Cobertas de diretrizes e propostas, esse foi o instituto que mais aderiu às propostas do movimento moderno, seguindo a linha de raciocínio estudada até agora, também defendiam o pensamento de que arquitetura e urbanismo andam juntos (BONDUKI, 2013). As IAPs afirmavam que é necessário fazer urbanismo ao mesmo tempo em que se constroem habitações econômicas, prevendo o planejamento de equipamentos educacionais, de saúde, entretenimento, lazer, serviços urbanos, esgotamento sanitário e de

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uma arquitetura pobre ou inexistente. É apenas uma oportunidade para descobrir novas maneiras de se construir, pois fazer arquitetura é projetar a partir das necessidades do cliente, e aderir a uma padronização, seria ignorá-las.

individualismo e segrega ainda mais a cidade, faz-se acreditar que boas soluções arquitetônicas e urbanísticas possuem alto custo, o que é um engano (SETTE, 2012). Arquitetura rica, portanto, é aquela que pensa nas necessidades do cliente, soluciona o espaço, é inserida corretamente no meio urbano, possui suas próprias técnicas construtivas, muitas vezes com a finalidade de baratear a construção, respeitam as variações bioclimáticas, garante o conforto ambiental, durabilidade, dimensionamento, sustentabilidade e baixo custo (SETTE, 2012).

Apesar da predominância da alvenaria estrutural nas construções para o segmento econômico – por vários motivos, como custo, produtividade, durabilidade, baixa manutenção, farta oferta, entre outros –, a necessidade de ampliação de escala, com aquecimento do mercado econômico, é determinante ao desenvolvimento de novas tecnologias. Da forma de organização de logística ao canteiro de obras, novos sistemas de informações e técnicas construtivas são introduzidos, sempre visando à redução de custos e prazos (SETTE, 2012, p. 92).

Existem nítidas vantagens em termos de conforto ambiental, quando se realizam projetos inspirados em princípios da arquitetura sustentável. Porém, em termos da avaliação econômica do uso dos recursos prescinde-se de uma análise mais acurada (NUNES, CARREIRA e RODRIGUES, 2009, p. 32).

João Sette (2012) reforça que a busca por custos mais acessíveis leva ao desenvolvimento de novas tecnologias. O que muitas vezes torna uma arquitetura cara é o seu embelezamento, o status que é imposto e não suas técnicas, soluções e elementos de uma boa arquitetura. O que seria uma arquitetura rica? Para muitos, uma arquitetura de alto nível seria aquela que demonstra elegância, status e luxo, com o uso de materiais monumentais, equipamentos sofisticados. Porém, esse tipo de projeto, que favorece as aparências, foca no

Em uma análise econômico-ambiental feita sobre arquitetura sustentável, foram analisados dois edifícios, um considerado sustentável e o outro representando a arquitetura convencional. A arquitetura sustentável apresentou menos consumo de energia, porém seu projeto possuiu um valor bem mais elevado do que o convencional. O retorno financeiro é baixo, mas a sua importância está relacionada à integração da sociedade ao meio ambiente, a fim de minimizar os impactos ambientais.

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3.

CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESPAÇO


Entre os distritos apresentados, está o de Santa Cecília, bairro onde se localiza a área trabalhada, privilegiada com seus terrenos grandiosos, era visado pelos fazendeiros que possuíam ali suas mansões. O entorno da área (mapa 2.1), objeto de estudo e intervenção, apresenta aspectos importantes que influenciaram na escolha e no processo de desenvolvimento do projeto, como o Elevado Presidente João Goulart, um importante eixo que liga a zona leste com a oeste (que impõe uma barreira física relevante ao local); a Avenida São João, que remonta a fundação da cidade e possui um grande fluxo de veículos e pedestres; a presença da estação de metrô Santa Cecília (que garante uma excelente mobilidade e acesso a várias áreas da cidade) a apenas 110 metros de distância, de um terminal de ônibus abaixo do Elevado; um ponto de ônibus logo em frente ao terreno na Avenida São João (com destino ao Centro, à Zona Oeste de São Paulo e à integração CPTM na Barra Funda); transportes alternativos para integração modal, como bicicleta pela ciclofaixa; edifícios com características singulares no entorno do terreno, na Avenida São João. Além deste contexto no local, o terreno merece sua devida importância para a realização do projeto devido a sua atual situação, que o caracteriza como subutilizado, não cumprindo sua função social, exigida tanto pelo Estatuto da Cidade, quanto pelo Plano Diretor Estratégico de São Paulo. Com uma área total de 8.584,64 m², os dois terrenos possuem 6.131,46m² de estacionamento e apenas 2.453,18m² de área construída, composta por três unidades comerciais, quatro construções residenciais, um

Apresentação do local São Paulo (mapa 2), com uma área total de 1.521,11km² e 8.005,25 habitantes/km², é a cidade brasileira mais influente no cenário global, com uma maior presença de indústrias e diversidade em atividades produtivas. Possui um PIB de 687.035.889, composto por atividade industrial, comércio, serviços e agropecuária. Apresenta um centro urbano que corresponde a aproximadamente 1,72% do município e que é composto por 8 distritos, habitados por 431.106 pessoas até 2016.

Mapa 2.0: Mapa de São Paulo e área central Fonte: prefeitura.sp.gov.br (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

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Área de Intervenção

edifício não utilizado e um galpão cultural, usos que serão reinseridos e priorizados no projeto. Diante desse cenário atual, é preciso unir a necessidade de aproveitar a alta demanda de habitação social no centro com a necessidade de requalificar o espaço urbano para que melhoremos os indicadores sociais, urbanos, ambientais e territoriais no local, entendendo que a abrangência do projeto se desdobra para uma importância de âmbito territorial.

A área do projeto é composta por duas quadras (mapa 2.2 e 2.3), a primeira, localizada entre o Elevado João Goulart e a Rua Dr. Frederico Steidel, apresenta uma área de 5.021m², apresentando uma área verde de, aproximadamente 792m², degradada e isolada com muros, um estacionamento de 2.130m², um galpão cultural de 400m², uma pequena área comercial de 113,50m², duas áreas subutilizadas e não utilizadas com um total de 885,35m² e duas residências de dois pavimentos, com 299,52m². A segunda quadra, que se localiza entre a Rua Dr. Frederico Steidel e a Avenida São João, apresenta 3.563,64m². Assim como a primeira quadra, tem a maior parte da área ocupada por um estacionamento, nesse totalizando 2692,97m², mais duas construções comerciais, uma de um pavimento e outra de dois, com área total de 434,04m² e uma residência dentro do estacionamento, com 437,29m².

Área de intervenção

Área de intervenção

Mapa 2.1: Localização do terreno Fonte: geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019 Mapa 2.2: Localização do terreno Fonte: Google Earth (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

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Subutilizado

recebeu inúmeras críticas até levá-lo a sua desativação que acontecerá ainda no ano de 2019, com um projeto de parque, previsto para ser iniciado ainda esse ano. Vias como a Rua Ana Cintra e a Avenida São João, também transformam o local, que ganha um maior fluxo de pessoas e veículos, já que a primeira conecta o metrô com a avenida, uma via arterial, que conecta o Anhangabaú com a Rua Marechal Deodoro (mapa 2.5), o que aumenta a passagem de pessoas, necessitando de um espaço urbano com mais planejamento, que ofereça espaços de convívio e comércio.

Cultura Comércio Habitação Área verde Estacionamento

Área de intervenção Terminal de ônibus Mapa 2.3: Mapa de intervenção Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Estação de metrô

Ponto de ônibus

Mobilidade A área do projeto é privilegiada em relação aos meios de transporte, com a estação de metrô Santa Cecília logo ao lado e terminal de ônibus, além da estação de trem Júlio Prestes, de pontos de ônibus e ciclovia (mapa 2.4). Está inserido ao lado da via expressa Elevado Presidente João Goulart, que liga a região da Praça Roosevelt, no centro, com o Largo Padre Péricles, na Barra Funda. Popularmente conhecido como “Minhocão”, o elevado

Mapa 2.4: Mobilidade Fonte:. Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

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Sem predominâncias Resid. vertical baixo padrão Resid. vertical médio/alto padrão Comércio e serviços Residencial e comércio/serviços Comércio/serviços e ind./armazéns Equipamentos públicos Terrenos vagos

Rua Ana Cintra Rua Dr. Frederico Steidel Av. São João Elev. Presidente João Goulart Mapa 2.5: Fluxo das principais vias Fonte: Geosampa e Google Maps (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Mapa 2.6: Uso e ocupação do solo Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Uso e ocupação do solo

Áreas permeáveis

O local possui um caráter de uso misto, onde prevalece o uso residencial (mapa 2.6), mas acompanhado de comércio e serviço no térreo, o que torna o espaço urbano ativo. Apesar disso, áreas subutilizadas ou não utilizadas, como estacionamentos, também aparecem, assim como nos dois terrenos trabalhados, em que a maior área é ocupada por estacionamento de automóveis, tornando o local pouco adensado, já que ao todo são apenas três residências horizontais, um edifício de 3 pavimentos não utilizado, três comércios de pequeno porte e um equipamento cultural, que será realocado.

Nas proximidades da área, verifica-se poucas áreas permeáveis (mapa 2.7). Observou apenas uma área verde degradada cercada por muros na área do projeto (1), uma praça do outro lado do elevado (2), que atualmente está cercada por grades e em partes funciona como estacionamento de veículos e o Largo do Arouche (3).

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Área de

Área de intervenção Cortiços

intervenção Áreas permeáveis

Mapa 2.7: Áreas Permeáveis Fonte: Google Earth (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Mapa 2.8: Cortiços Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Habitações

Gabarito

Apesar de não serem encontrados aglomerados subnormais no local, as habitações precárias estão presentes através dos cortiços (mapa 2.8), muito comuns na região central. Ocupados de maneira irregular, sem infraestrutura, os cortiços é a alternativa de muitos dos brasileiros, que, muitas vezes, optam viver no centro com a finalidade de morar perto do trabalho e evitar o deslocamento para a periferia. Essa realidade confirma ainda mais a necessidade de projetos habitacionais no centro, que, como já visto, possui infraestrutura, mobilidade e oportunidades suficientes para receber residências.

A altura dos prédios do entorno imediato variam de 4 a 18 pavimentos, sendo os mais altos localizados na Av. São João e as edificações horizontais nas vias de menor fluxo (figura 2 e mapa 2.9).

Figura 2.0: Vista 3D do entorno Fonte: Google Earth (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

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Área de

não atenderia a nova demanda trazida da habitação social.

intervenção

Área de

intervenção Eq. Cultural Eq. Saúde Eq. Educacional

Mapa 2.10: Equipamentos Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Mapa 2.9: Gabarito Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Legislação

Equipamentos

Zoneamento O centro de São Paulo é escasso de moradia, o que faz com que o zoneamento crie áreas que incentivem esse uso. Nas quadras do projeto, a maior parte é determinada como ZEIS-3 (mapa 2.11), o que normatiza o uso e ocupação do solo para HIS (sendo 40% destinado a esse fim), voltando-o para o interesse social de famílias com renda familiar mensal de até R$ 2.640,00 (dois mil seiscentos e

O local da Santa Cecília apresenta uma riqueza de equipamentos culturais (mapa 2.10), como biblioteca, teatros, shows, entre outros espaços culturais, assim como o Galpão do Folias, que será implantado no projeto, como intuito de promover ainda mais a cultura e a diversidade do local. Apesar dessa abundância cultural, a região apresenta uma certa carência na área de educação, com apenas uma CEI (Centro de Educação Infantil) da prefeitura, que

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Julho de 2014, o plano normatiza e cria instrumentos para que as ideias e princípios sejam respeitados, sendo algumas delas: • Áreas comerciais no térreo; • Áreas verdes e espaços livres; • Rede de equipamentos urbanos e sociais; • Adensamento habitacional e de atividades urbanas ao longo do sistema de transporte público; • Fruição pública; • Calçadas largas;

quarenta reais), e HMP (com 40% destinado a esse fim ou para HIS), para famílias com renda familiar mensal superior a R$ 2.640,00 (dois mil seiscentos e quarenta reais) e igual ou inferior a R$ 5.280,00 (cinco mil duzentos e oitenta reais). Além disso, o projeto de interesse social deve conter até 20% da sua área construída destinada a outros usos, como comércio, equipamento de cultura, lazer ou saúde, o que torna a quadra multifuncional. ZEIS 3 ZEM ZEU ZC

Macrozona e Macroárea A área do projeto está localizada na Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana, que tem como um dos seus objetivos a reestruturação urbana, para adensar as áreas com poucos moradores e atender as necessidades sociais. Se insere também na Área de Estruturação Metropolitana, que promove a mescla de moradias para diferentes classes sociais, o aumento da densidade demográfica, a renovação dos padrões de uso do solo, a requalificação e reabilitação de locais subutilizados e a produção de HIS, afim de aproximar a moradia da população de baixa renda do trabalho.

Mapa 2.11: Zoneamento Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Plano Diretor Estratégico de São Paulo O Plano Diretor reúne medidas, diretrizes e estratégias para transformar a cidade e melhorar a qualidade de vida da população. De acordo com a Lei nº 16.050, de 31 de

Tombamentos Nas quadras do projeto não foram encontrados nenhum bem tombando. Esses presentes no entorno, como na Avenida São João (mapa 2.12).

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Como pode ser observado (mapa 2.13), o córrego canalizado Anhanguera passa no meio da quadra de intervenção da Rua Ana Cintra.

Bens tombados

Áreas tombadas

Entorno O entorno é composto por um número significativo de prédios de relevância patrimonial, sendo que um deles, localizado na Avenida São João (figura 2.1), apresenta uma arquitetura singular. Já na quadra da Rua Ana Cintra, o que se destaca é o Elevado Presidente João Goulart (figura 2.2) e a área verde cercada por muros ao lado. Mapa 2.12: Bens tombados Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Rios canalizados Rios canalizados

Mapa 2.13: Rios canalizados Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Figura 2.1: Edifício Racy Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019

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Figura 2.2: Elevado Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019


Ainda na Rua Ana Cintra, encontra-se o Galpão do Folias (figura 2.3) ao lado da entrada para o estacionamento (figura 2.4), com um pequeno comércio de esquina. Prédios antigos também estão presentes nessa rua, em sua maioria, com gabarito baixo (figura 2.5), mas com alturas mais elevadas quando próximo à Avenida São João (figura 2.6); este com um certo valor arquitetônico. Já na Rua Dr. Frederico Steidel, muros tomam conta do trajeto (figura 2.7 e 2.8), o que torna o local sem vida e inseguro.

Figura 2.3: Rua Ana Cintra Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019

Figura 2.4: Rua Ana Cintra Fonte: Street View; fev. 2019

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Figura 2.5: Rua Ana Cintra Fonte: Street View; fev. 2019

Figura 2.6: Rua Ana Cintra Fonte: Street View; fev. 2019

Figura 2.7: Rua Dr. Frederico Steidel Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019

Figura 2.8: Rua Dr. Frederico Steidel Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019


Seguindo na Rua Dr. Frederico Steidel, há uma estreita travessa (figura 2.9) que contorna a quadra de intervenção e que possui apenas duas casas. Do outro lado, encontra-se uma vila (2.10), também estreita e com casas de dois pavimentos. Já na Avenida São João, os prédios tem altura mais elevada (figura 2.11 e 2.12) e até mesmo prédios mais modernos (figura 2.13). Apesar disso, na famosa avenida também estão presentes pequenas edificações comerciais, como as duas encontradas no terreno do projeto (figura 2.14). Figura 2.9: Tv. dos Desenhista Fonte: Street View; fev. 2019

Figura 2.10: Vila Adelaide Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019

Figura 2.11: Av. São João Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019

Figura 2.12: Av. São João Fonte: Street View; fev. 2019

Figura 2.13: Av. São João Fonte: Street View; fev. 2019

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Figura 2.14: Av. São João Fonte: Street View; fev. 2019


4.

ESTUDO DE CASO: HABITAÇÃO


Introdução

Residencial Diogo Pires

O estudo das habitações sociais tem como objetivo adquirir referências de boas soluções projetuais. Fazer uma análise urbana, de implantação, acessos, programa de necessidades, volumetria, sistema construtivo, layout, entre outros fatores, ajuda a criar fundamentação na hora da elaboração do projeto, que terá mais qualidade com todos os conhecimentos adquirido após os estudos. A primeira habitação, o Residencial Diogo Pires, foi selecionada para estudo porque possui uma semelhança em seu programa de necessidades com o projeto a ser elaborado. Usos comunitários e comércio, além dos espaços comuns que exploram o público e privado, foram fatores que chamaram a atenção. Na segunda análise, foi escolhido o Conjunto Habitacional Jardim Edite, que foi bem rico para o estudo, já que possui interessantes soluções de projeto, além de conter três equipamentos públicos. Já na última escolha, o que mais chamou a atenção foram os espaços comuns de uso público. O parque linear projetado no Residencial Parque Novo Santo Amaro V pode servir de referência para a elaboração dos espaços de convívio públicos do projeto.

Local: Jaguaré, SP - Brasil Ano: 2011 Área: 19.069m² Arquitetos: Marcos Boldarini e Lucas Nobre O projeto residencial está inserido na Favela Nova Jaguaré (mapa 3.0), em São Paulo, na divisa com Osasco e beirando o rio Pinheiros. Localizado em um terreno plano, com uma área total de 7.950m², a habitação se encontra em um local com habitações precárias, sem condições dignas de moradia e com ausência de outros serviços e comércio.

Residencial Diogo Pires

Mapa 3.0: Residencial Diogo Pires Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

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Como alternativas de mobilidade, seu entorno oferece rede cicloviária na marginal Pinheiros e em outros pontos, ligando ao transporte público; pontos de ônibus e as estações de trem Ceasa e Presidente Altino (mapa 3.2).

O bairro de Jaguaré possui habitações precárias, como favelas e loteamentos irregulares (mapa 3.1), sendo esse projeto uma tentativa de trazer moradia digna às pessoas que ali residem.

Favela

Rede cicloviária

Núcleo

Ponto de ônibus

Loteamento

Estação de trem

Irregular

Mapa 3.1: Habitação/Edificação Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Mapa 3.2: Mobilidade Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

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O local do projeto, que está demarcado como ZEIS-1 (Zona Especial de Interesse Social), engloba favelas, loteamentos irregulares e conjuntos habitacionais de interesse social, podendo haver regularização fundiária, intervenções de recuperação urbanística, produção e manutenção de habitações de interesse social (mapa 3.3).

Em seu entorno, prevalece as indústrias, armazéns e as áreas residenciais (mapa 3.4), com carência comercial.

Mapa 3.3: Zoneamento Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

Mapa 3.4: Uso e ocupação do solo Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

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O projeto Residencial Diogo Pires apresenta 240 unidades habitacionais divididas em duas lâminas com 6 e 8 pavimentos, 14 unidades comerciais, 1 sala de leitura e espaços de lazer e recreação. As lâminas possuem unidades lado a lado e se posicionam de uma maneira que se encontram e criam um pátio interno para uso dos moradores, sendo um espaço de lazer e convivência (figura 3). A circulação horizontal dos pavimentos é aberta, com intervalos protegidos por brises (figura 3.1). As unidades habitacionais são todas iguais, compostas por uma sala, cozinha, área de serviço, sanitário e dois dormitórios com tamanhos iguais, possuem variação apenas para modelos acessíveis PNE.

Figura 3.1: Perspectiva Pátio Fonte: Boldarini Arquitetos Associados; mar. 2019

O desenvolvimento projetual (figura 3.2) foi dando forma a um desenho de cheios e vazios, que permite a utilização do espaço pelos moradores a partir de um pátio cercado pelas lâminas, dando à área de convívio um caráter privativo e seguro. Os fluxos e caminhos também foram levados em conta, de maneira que conectassem as ruas e criassem caminhos no plano urbano para os pedestres. Os volumes, além de criarem uma praça central para os moradores, também criaram uma área de convívio de uso público, fato que foi determinante na escolha da localização das unidades comerciais, que foram inseridas no local de maior fluxo de pessoas, por conta também do espaço público, que acaba provocando passagem e permanência de pessoas.

Figura 3.0: Perspectiva Pátio Fonte: Boldarini Arquitetos Associados; mar. 2019

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A evolução do desenho permitiu mais qualidade de conforto ambiental, antes formando um triângulo, teria algumas unidades habitacionais comprometidas, já que o encontro das lâminas impossibilitaria o recebimento de luz solar e ventilação. Já após a evolução, o desmembramento delas favoreceu essas questões. Além de todos esses fatores citados acima, a concepção projetual foi sempre tendo o cuidado de não comprometer as unidades com a insolação, evitando assim a virada de fachadas para o sul.

Na Rua Diogo Pires, as lâminas foram dispostas de tal maneira que abrissem espaço para uso público (figura 3.3), tornando o passeio mais agradável e convidativo, e consequentemente, atraindo pessoas para o comércio que se encontra no local.

Figura 3.3: Espaço Público Fonte: Boldarini Arquitetos Associados; mar. 2019

No pavimento térreo (figura 3.4), fica claro como o projeto explora as relações entre público e privado ao propor espaços e usos variados. O espaço público, junto com as unidades comerciais, serviços e atividades comunitárias, assim como os espaços de convivência, lazer e recreação dos moradores, valoriza a vida coletiva. Essa mistura de usos e o programa diversificado, incorpora novas demandas na vida cotidiana, espaços antes que não existiam na região, acabam dando suporte

Figura 3.2: Concepção Projetual Fonte: Boldarini Arquitetos Associados; mar. 2019

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para as atividades que melhoram a qualidade de vida dos moradores. Um espaço comunitário foi implantado entre a praça pública e a praça dos moradores, exercendo a função de transição entre o “dentro e fora”, tornando o local ainda mais convidativo para o entorno.

Na planta tipo (figura 3.5), pode-se observar que a disposição lado a lado das unidades habitacionais na lâmina permite que todas elas tenham duas fachadas, possibilitando a ventilação cruzada e maior recebimento de luz natural. A localização dos quartos também leva em consideração a insolação, inserindo-os sempre no melhor lado possível, evitando o sul. A circulação horizontal da planta tipo é localizada no lado contrário dos dormitórios, solução essa que garante a privacidade do morador. A circulação vertical foi resolvida de maneira funcional, localizada na própria lâminas, na maioria, no meio delas, para se obter uma distância aceitável até o último apartamento.

Unidades habitacionais Comércio Centro comunitário Circulação vertical

Figura 3.4: Planta Pavimento Térreo Fonte: Boldarini Arquitetos Associados; mar. 2019

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O projeto explora os cheios e vazios não só no térreo, mas também entre os pavimentos, como pode ser visto no 5º pavimento (figura 3.6), onde foi feito um espaço de convívio para moradores, como uma praça elevada, com vista para o pátio, para a praça e para a cidade. A unidade habitacional (figura 3.7) possui uma excelente solução devido ao fato de apresentar uma planta quadrada, característica essa que permite a localização central da circulação, e consequentemente, o acesso à todos os cômodos, necessitando de pouca área para a circulação. Essa circulação central

também acaba criando espaço entre o banheiro e os dormitórios, dando mais privacidade para quem se desloca de um cômodo para o outro. Apesar da boa circulação, da dimensão da sala e do conforto ambiental, o espaço apresenta algumas questões não satisfatórias. A sala, que possui boas dimensões e comporta dois sofás de dois lugares (o que favorece o espaço para a convivência dos moradores da unidade habitacional), fica separado da cozinha por conta de uma parede, o que acaba isolando os dois ambientes.

Figura 3.5: Planta Pavimento Tipo Fonte: Boldarini Arquitetos Associados; mar. 2019

Figura 3.6: Planta 5º Pavimento Fonte: Boldarini Arquitetos Associados; mar. 2019

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Se os dois cômodos se integrassem, com a substituição da parede por uma bancada, o espaço de convivência seria mais amplo, já que conectaria a sala e cozinha. O formato da unidade, a disposição dos ambientes e as duas fachadas, permite a ventilação cruzada, maior incidência de luz natural e a possibilidade de todos os cômodos estarem virados para uma fachada e terem ventilação. Outro fator analisado foram as dimensões da área de serviço, com largura de aproximadamente 0,66 metros, as atividades exercidas no local apresentarão dificuldades,

como o simples ato de lavar uma roupa, o espaço será pequeno para o movimento necessário. Camas embaixo de janelas, dimensionamentos reduzidos nos dormitórios, cama encostada na parede e portas voltadas para dentro na unidade PNE, são outras inadequações detectadas com a análise crítica. A sala de leitura (figura 3.8), possui uma excelente área de convívio, ampla e livre, que permite o convívio, estudo e flexibilidade para diferentes atividades. A ventilação cruzada e a iluminação natural é garantida com as aberturas nas duas maiores fachadas paralelas.

Figura 3.7: Planta unidade habitacional Fonte: Boldarini Arquitetos Associados; mar. 2019

Figura 3.8: Planta sala de leitura Fonte: Boldarini Arquitetos Associados; mar. 2019

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habitacionais, uma creche e UBS (Unidade Básica de Saúde), que foram demandas iniciais, e um restaurante escola, demanda posterior da comunidade. A região contrasta um abismo entre as diferenças socioeconômicas, já que é encontrado prédios de alto padrão próximos ao conjunto habitacional. Outra evidência dessas duas realidades lado a lado é a proximidade com a Ponte Estaiada (figura 3.9), que privilegia classes econômicas mais altas, já que é exclusiva para automóveis, sem ter acesso a ciclistas e pedestres.

Conjunto Habitacional Jardim Edite Ficha Técnica Local: Brooklin, SP - Brasil Ano: 2010 Área: 25714m² Arquitetos: H+F Arquitetos e MMBB Arquitetos Localizado próximo ao cruzamento das avenidas Engenheiro Luís Carlos Berrini e Jornalista Roberto Marinho (mapa 3.5), junto à Ponte Estaiada e beirando o rio Pinheiros, o projeto fica em um dos pontos mais importantes para o crescimento financeiro e de serviços da cidade de São Paulo e é composto por três lâminas com unidades

Conjunto Jardim Edite

Mapa 3.5: Localização Conjunto Jardim Edite Fonte: Google Maps (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 3.9: Conjunto Jardim Edite e Ponte Estaiada Fonte: Archdaily; fev. 2019

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O projeto tomou lugar de uma antiga favela (mapa 3.6) de mesmo nome que se situava nesse local, e que possuía moradias precárias no meio de tantos edifícios comerciais e de serviço de alto padrão.

A região é valorizada pela sua mobilidade (mapa 3.7), já que possui pontos de ônibus, rede cicloviária na marginal Pinheiros que dá acesso às estações de trem Morumbi e Berrini.

Favela

Rede cicloviária

Núcleo

Ponto de ônibus

Loteamento

Estação de trem

Irregular

Mapa 3.6: Habitação e Edificação Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Mapa 3.7: Habitação e Edificação Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Determinado como ZEIS-3 (Zona Especial de Interesse Social), propõe a produção e reforma de moradias para habitação de interesse social (mapa 3.8).

Os usos que predomina no entorno é o comércio e serviços e residências de médio e alto padrão (mapa 3.9), ficando claro que a região não está estruturada para atender a classe baixa que também reside no local.

Mapa 3.8: Habitação e Edificação Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Mapa 3.9: Habitação e Edificação Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Nas primeiras duas evoluções projetuais (figuras 3.10 e 3.11), a disposição das lâminas paralelas possui boa solução em relação a insolação, já que as faces se voltam para o leste e oeste. Porém, as lâminas acabam ficando muito sedimentadas, isoladas entre si. Já nas outras duas evoluções posteriores (figuras 3.12 e 3.13), com a mudança na disposição das lâminas, acabou sendo

criado uma conexão entre elas, dando a ideia de um conjunto e não de prédios separados. Isso não comprometeu a insolação, já que os prédios continuam recebendo insolação de leste e oeste. Essas mudanças também favoreceu os outros usos do local, pois abriu mais espaço no térreo para a implantação dos três equipamentos.

Figura 3.10: Evolução Projetual Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 3.12: Evolução Projetual Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 3.11: Evolução Projetual Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 3.13: Evolução Projetual Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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A arquitetura do conjunto tem um tratamento bastante gráfico nas fachadas (figura 3.18), sem a utilização de recursos muito caros, é marcado por sombras, faixas e circulação por trás das janelas de grade, que criam texturas fortes, estabelecendo uma espécie de matriz coletiva do conjunto, capaz de trazer a privacidade sem esconder a vida de cada um. Prezou-se também por uma construção fácil de manter depois de finalizada e bastante resistente, por isso a escolha de concreto moldado em loco e estruturas e fechamentos em alvenaria revestida. Além disso, a construção também apresenta um detalhe, a saliências de 50 cm para fora na fachada, é um armário para a casa e que cria uma proteção necessária para os caixilhos contra a chuva (figura 3.19).

O pavimento de cobertura da UBS e do Restaurante Escola se interligam, oferecendo aos moradores um térreo elevado para desfrutarem de uma área de convívio mais reservada (figuras 3.14 e 3.15). As áreas de uso comum foram pensadas para serem também áreas de convívio entre os morados, não apenas circulação. Com elementos vazados, os espaços do conjunto valorizam a relação do meio interior com o exterior, mantendo uma boa relação com a cidade (figuras 3.16 e 3.17).

Figura 3.14: Imagem externa Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 3.15: Imagem externa Fonte: Caroline Sampel

Figura 3.16: Imagem interna Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 3.17: Imagem interna Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 3.18: Fachada Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Figura 3.19: Fachada Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019


“O trabalho mais fundamental no projeto foi essa sobreposição de usos, dos equipamentos poderem compartilhar o mesmo lote, a mesma área com as habitações, porque a gente sabe que existe uma demanda enorme por terrenos na cidade de São Paulo. Então, sempre é uma dificuldade” (Marta Moreira).

Mesclar o uso privado com uso público também foi um dos desafios, como os estacionamentos que de dia podem ser utilizados por visitantes, mas de noite tem preferência para os moradores. Pela diferença socioeconômica bem reforçada na região, o desafio foi desenhar uma arquitetura que fizesse parte da situação urbana, tornar o lugar convidativo e que não afastasse as pessoas de lá, por isso foi usado textura e morfologia semelhante ao entorno. No nível da rua (figura 3.20), é nítido um generoso recuo de 20 metros que incorpora a calçada ao passeio público, uma ótima solução para aproximar ainda mais a relação do espaço com o pedestre, tornando o passeio mais agradável e consequentemente aumentando o fluxo de pessoas e a segurança.

O projeto buscou, a partir de seus usos, a integração social entre as habitações construídas e a rica vizinhança. O restaurante-escola com 850m², a UBS com 1300m² e a creche com 1400m² foram fundamentais para atender a demanda e para proporcionar o encontro de diversas populações: da comunidade que está se formando e se profissionalizando com o público que utiliza esse serviço.

Figura 3.20: Implantação Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Restaurante Escola

CEI

UBS

Unidades Habitacionais


As circulações verticais e horizontais que dão acesso às unidades habitacionais (figura 3.21) são bem privativas, cada uma delas leva a apenas duas unidades, dando um caráter mais íntimo ao ambiente, sendo uma transição das áreas de convívio de moradores para uma área totalmente privada. Esse espaço (figura 3.22) acaba se tornando mais do que uma circulação, mas também uma área de convívio entre as duas moradias. Com vista para a cidade e com a privacidade aumentada, o ambiente fica acolhedor e confortável, além de transmitir para o morador que ele é o responsável pela preservação do local, já é como uma extensão do interior da habitação. Figura 3.22: Unidade habitacional Fonte: Vitruvius Circulação vertical Unidades Habitacionais

Figura 3.21: Planta Tipo Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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O conjunto possui três tipologias de unidade habitacional, a tipologia tipo A (figura 3.23) apresenta questões positivas, como ventilação cruzada, boa isolação, áreas molhadas juntas (dispensando a necessidade de mais de um shaft), integração da cozinha com a sala de jantar. Porém, há falhas em relação à sala, que acaba ficando isolada do resto da área de convivência, a dimensão entre as camas de solteiro e entre a cama de casal, e o guarda roupa também se comprometem. Já na planta tipo B (figura 3.24), as áreas molhadas estão separadas, criando a necessidade da existência de dois shafts. A cozinha e a área de serviço possuem dimensões muito pequenas, comprometendo as atividades que serão

exercidas pelos morados, além de estarem isoladas da área de convivência. O layout também apresenta problemas, como camas uma em frente a outra e dimensões reduzidas. Enfim, a unidade tipo C (figura 3.25) pode ser considerada a melhor solução, com uma circulação central que dá acesso a todos os cômodos, ventilação cruzada, boa iluminação natural, áreas molhadas juntas, cozinha integrada com a sala, que é ampla e permite flexibilidade para comportar mais pessoas, dormitórios com dimensões satisfatórias e ainda uma área de serviço que acaba se tornando uma varanda, valorizando ainda mais o conforto do local.

Sala Dormitório Banheiro Cozinha Área de serviço Varanda

Figura 3.23: Planta Tipo Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 3.24: Planta Tipo Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Figura 3.25: Planta Tipo Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019


Residencial Parque Novo Santo Amaro V

projetada sobre ele, e as residências de 200 famílias desapropriadas para a construção do conjunto habitacional. O entorno do local apresenta um número significativo de habitações precárias, com predomínio de loteamentos irregulares e favelas (mapa 3.11), em construções de baixa densidade localizadas em locais sem infraestrutura urbana. Habitada pela população de baixa renda, a região periférica do extremo sul possui poucas opções de mobilidade, presentes em seu entorno apenas pontos de ônibus (mapa 3.12).

Local: São Paulo, SP - Brasil Ano: 2012 Área: 13500m² Arquitetos: Vigliecca e Associados Localizado na área de proteção dos mananciais da represa Guarapiranga (mapa 3.10), em Santo Amaro, no extremo sudoeste da cidade de São Paulo, a região foi tomada por moradias precárias que poluíam a água com esgoto e lixo. Sempre sujeito de enchentes e desabamentos, teve o córrego canalizado, uma rua

Favela Núcleo Loteamento Irregular

Residencial Parque Novo Santo Amaro V

Mapa 3.11: Habitação/Edificação Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Mapa 3.10: Localização Conjunto Jardim Edite Fonte: Google Maps (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Ponto de ônibus

Mapa 3.13: Usos Predominantes Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Mapa 3.12: Mobilidade Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Em um contexto urbano onde o uso residencial predomina, junto com o uso comercial (mapa 3.13), a zona mista (mapa 3.14) pretende promover ainda mais os usos residenciais e não residenciais e a predominância de uso residencial e densidade construtiva e demográfica baixas e médias.

Mapa 3.14: Zoneamento Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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O projeto buscou inserir o conjunto habitacional na paisagem urbana real ao invés de criar uma realidade. Com isso, utilizou-se dos recursos presentes para criar um eixo verde ao longo do curso d’água, preservando as características do local. Para valorizar a identidade hídrica, foi implantado espelhos d’água no parque linear (figura 3.23), com água de várias nascentes que abastece a região atualmente. O parque linear recuperou o verde da região que já havia sido perdido e trouxe vida para o local ao longo do seu percurso através de áreas de convívio, playground, pista de skate (figura 3.24) e campo de futebol, além da presença de do clube e da escola.

Figura 3.24: Pista de Skate Fonte: Arcoweb (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 3.25: Croqui corte Fonte: Arcoweb (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 3.23: Parque linear Fonte: Vigliecca (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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O projeto cria acessos ao parque linear, garantindo que o local tenha vida e animação e evitando o isolamento do interior com o entorno. As passarelas metálicas conectam dois lados e passam por cima do parque (figuras 3.25 e 3.26), facilitando, por exemplo, o caminho das crianças para a escola, que antes precisavam atravessar o córrego ou fazer um longo caminho contornando a quadra.

Figura 3.26: Croqui implantação Fonte: Arcoweb (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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As unidades habitacionais apresentam 11 tipologias Outro problema relatado pelos moradores é o barulho diferentes, que variam de 52,5 a 76,5 m², sendo sua devido ao uso da pista de skate, onde o horário não é maioria com 50m², composta por dois dormitórios, uma respeitado, causando incômodo durante a noite e a sala, um banheiro, cozinha e área de serviço. madrugada. Apresentam um pavimento ou duplex e um total de 201 O desrespeito nas áreas de convívio não se resume em unidades habitacionais e variação de alturas de três a barulhos, mas também em relação aos carros e motos em sete pavimentos, de acordo com o desnível (figura 3.27) alta velocidade que acabam com a liberdade das crianças O conjunto 1 do Residencial é composto por quatro de descerem e brincarem no playground, já que houve blocos com 92 unidades habitacionais, enquanto o relatos de atropelamento de uma criança e um idoso. As conjunto 2 possui três blocos de 84 unidades e o conjunto motos invadiam até os corredores das unidades 3, o menor, apresenta somente um bloco, com 24 habitacionais, sendo necessário a instalação, logo na unidades, que cruza o parque ao lado do campo de primeira semana de inauguração, de portões. futebol. Esse cenário de “invasão” do lugar é uma demonstração Nos conjuntos 1 e 2, foi implantado 22 unidades da fraqueza de infraestrutura urbana, que não atende à habitacionais de 64 m², com três dormitórios, demanda da cidade, assim como a infraestrutura aproveitando uma área acima das lavanderias. Já o térreo projetada para o conjunto habitacional não dá conta da do conjunto apresenta 4 unidades, 41 vagas de demanda que tem recebido. estacionamento, duas áreas comerciais e uma área Com isso, os moradores desejam fechar o local, comum. transformando-o em um condomínio fechado, o que, para O projeto, por estar inserido em uma região carente de Vigliecca, é criar uma “anti-cidade”, uma “exclusão da lazer, áreas verdes e infraestrutura em geral, acaba exclusão”. atraindo moradores de muitos lugares, tornando aquele espaço mais do que nunca um espaço para a cidade, não apenas para os moradores da habitação social. No entanto, esse fato acaba se tornando um problema, já que recebe muito uso e pouco cuidado. O espelho d’água, que antes recebia água direto de nascentes, apresentava uma água limpa e dava vida ao percurso criado, atualmente está seco e virou local de Figura 3.27: Elevações despejo de esgoto e lixo de moradores de fora do Fonte: Arcoweb (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019 conjunto.

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Considerações dos estudos de caso de habitação refletir diretamente no funcionamento do espaço. Criar fluxos e caminhos que conectam pontos relevantes, que tragam melhorias para o passeio do pedestre é uma das medidas adotadas que oferecem oportunidades muito benéficas para o espaço, como trajetos mais interessantes, agradáveis e seguros. Para esse tipo de mudança, é importante aproveitar a paisagem urbana real, explorá-la de forma que sua identidade seja mantida, como acontece no Residencial Parque Novo Santo Amaro V, onde o parque linear ganha espelhos d’água graças a presença de um antigo córrego na região. Como foi estudado no Conjunto Habitacional Jardim Edite, a diversidade de usos é de extrema importância para alcançar um projeto de uma moradia digna de qualidade. A inserção de equipamentos públicos como creche, restaurante-escola e UBS (Unidade Básica de Saúde), ajudam a suprir as necessidades não só das famílias do local, mas de outras pessoas, já que o local é privilegiado por transportes públicos. Já no Residencial Diogo Pires, podemos citar, entre outras coisas, a qualidade das unidades habitacionais, que apresenta uma circulação com metragem reduzida, já que oferece acesso a todos os cômodos por estar localizada no centro do apartamento.

Com base nas análises feita das habitações de interesse social e levando em conta a quantidade de fatores que as envolve, pode-se concluir que moradia digna não se resume em habitação. Morar com qualidade envolve inúmeros fatores, entre eles: bem-estar, saúde, liberdade, diretos iguais, interação social, privacidade, infraestrutura urbana, segurança, educação, cultura, lazer, esporte, oportunidades, flexibilidade nos espaços e possibilidade de ser autossuficiente. As necessidades e vontades do ser humano vai muito além da necessidade de ter um espaço íntimo de conforto para descansar, se alimentar e realizar suas higienes. Sem espaços de convivência, as pessoas se isolariam em suas residências e não explorariam a cidade, o que prejudicaria sua saúde e bem-estar. Visto isso, pode-se entender a importância de criar, a partir de cheios e vazios, pátios internos, praças, espaços públicos que ofereçam a interação social. Levar em consideração o entorno também pode ser considerado uma das lições mais importantes tiradas dos estudos de caso. O espaço que o cerca influencia no projeto e vice-versa. Analisar o que o espaço urbano oferece de pontos negativos e positivos podem decidir o ponto de partida do projeto, já que as decisões tomadas, por mais que não alterem todo o plano urbano, podem

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5.

ESTUDO DE CASO: CRECHE


Introdução

CESA Jardim Santo André

O estudo das creches escolhidas tem como objetivo principal a análise urbana, projetual, funcional e ambiental a fim de desenvolver o entendimento de como funciona esse tipo de edificação. Questões como implantações, acessos, programas de necessidades, conexões, materiais, soluções estruturais, entre outras, servirão de guia na hora do desenvolvimento do projeto arquitetônico. A primeira creche, a CESA Jardim Santo André, foi escolhida porque possui boas soluções arquitetônicas, mas também porque mostra a realidade brasileira. São encontrados nesse edifício muitas inadequações e adaptações necessárias que foram sendo feitas de acordo com as dificuldades encontradas. Com isso, pretende-se criar uma aproximação com a realidade desse ambiente estudantil e um amadurecimento em relação do que realmente seria funcional para quem usa o local. Já a segunda creche escolhida, a CEI Jardim Edite, foi selecionada pela sua semelhança com o projeto a ser desenvolvido, já que está inserida em um conjunto habitacional. Seu programa de necessidades e soluções também serão materiais ricos para agregar ao projeto. Como pretende-se projetar uma creche com ensino Montessoriano, foi interessante a escolha de uma escola com o mesmo método. A Escola Montessoriana Waalsdorp, situada na Holanda, possui particularidades que servirão de ótimas referências para que a arquitetura acompanhe a metodologia.

Ficha Técnica Local: Santo André, SP - Brasil Ano: 2003 Área: 5.500 m² Arquitetos: Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Bruno Levy Implantado na zona sudeste de Santo André (mapa 4), a 8,0 Km do centro do município, está construída ao lado de um conjunto habitacional, em uma área carente de conforto, segurança, oportunidades, serviços públicos. O terreno, que só fica plano na faixa de proteção de um córrego canalizado, é excessivamente inclinado, fazendo com que o edifício acompanhe esse desnível, com acessos direto aos seus três pisos através de rampas.

CESA Jardim Santo André

Mapa 4.0: CESA Jardim Santo André Fonte: Google Maps (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

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A escola, projetada para receber 100 crianças de 4 a 10 anos, também disponibiliza seu espaço para o uso da comunidade no período noturno e nos finais de semana, com cursos e atividades extracurriculares. Em seu pavimento térreo (figura 4.0 e 4.1), foram aproveitadas as áreas mais planas para a implantação da quadra, do teatro, e da rampa que leva ao primeiro pavimento. Ainda na área externa, encontra-se o jardim de pedras, a arquibancada, o playground e o

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estacionamento. Em sua parte interna, localiza-se o teatro, palco e camarins, além de sanitários masculinos e femininos, refeitório com acesso à área externa, cozinha, despensa, vestiário para funcionários e câmara fria. O projeto possui uma interação visual entre o ambiente interno e externo a partir das aberturas de vidro presentes no pátio coberto, além da interação do refeitório, que permite a passagem para a área externa e da conexão de usos interno e externo do local.

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Figura 4.1: Planta Pavimento Térreo Fonte: Brasil Arquitetura (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 4.0: Implantação Fonte: Brasil Arquitetura (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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No primeiro pavimento (figura 4.2)), que possui acesso a partir da escada, elevador e rampa que contorna o teatro, encontram-se 16 salas de aula (4 para ensino infantil e 12 para ensino fundamental), que apresentam grandes caixilhos, permitindo a entrada abundante de luz e ventilação. No norte e sul, as fachadas são protegidas por elementos vazados, do sol e vandalismo, respectivamente. Ainda no primeiro pavimento, foram projetados ambientes para cabine de projeção, sala de vídeo e sanitários para alunos, incluindo sanitário acessível PNE. O segundo pavimento (figura 4.3) tem acesso através das escadas, elevador e rampa a partir da rua de cima. Nele, projetou-se 4 salas de aula destinadas ao uso da comunidade, sala de informática, biblioteca, secretaria, sala dos professores, coordenação e direção, sanitários para funcionários e sanitários para público. A interação desse ambiente com o meio externo é garantida graças ao acesso à laje-jardim, onde poderiam ser realizadas atividades de plantio como parte do processo educativo e ao terraço jardim. A estrutura da creche é formada por uma malha com vãos longitudinais de 6 m e transversais de 7 m (vãos laterais) e 5 m (vão central), fechados por lajes invertidas de concreto aparente, que os ambientes internos não sejam definidos a partir da estrutura e que salas tenham formatos diferentes.

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Figura 4.2: Planta 1º Pavimento Fonte: Brasil Arquitetura (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Figura 4.3: Planta 2º Pavimento Fonte: Brasil Arquitetura (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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O espaço da CESA tem um caráter multifuncional, que pretende atender diversas idades da comunidade, sendo eles, público do ensino infantil, ensino fundamental e do centro comunitário. Com isso, a arquitetura teve uma grande missão de comportar todos esses usuários de forma funcional, de modo que as atividades pudessem fruir independente do funcionamento da escola. Para alcançar essa independência de usos, o 2º pavimento foi destinado para atender as 3 atividades, podendo haver o fechamento dos pavimentos inferiores sem afetar o resto. Apesar de existir essa preocupação em adaptar o espaço para todos os públicos, Luis Felipe Xavier (2012), relata que faltam espaços para as atividades extracurriculares, administração, depósito para limpeza e almoxarifado,

comprometendo o ambiente destinado à biblioteca, que passou a ser uma sala multiuso, depósito e almoxarifado. Com isso, a biblioteca foi transferida para o refeitório, o que impossibilitou a vista, iluminação e ventilação do local, além de causar problemas de fluxo por conta da redução do acesso. Outras inadequações também foram detectadas, como ausência de estacionamento para funcionários e problemas de acesso na sala de “expurgo” e no local de descarga, que não possui local apropriado. Já iluminação natural é valorizada a partir das aberturas zenitais (figura 4.4) e de vidro. O conforto garantido com elementos vazados na fachada, que filtra a entrada de luz solar (figura 4.5).

Figura 4.4: Ambiente interno Fonte: Brasil Arquitetura (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 4.5: Ambiente externo Fonte: Brasil Arquitetura (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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CEI Jardim Edite Local: São Paulo, SP - Brasil Ano: 2010 Área:1.400 m² Autores: Arquitetos MMBB e Arquitetos H+F Localizado no bairro do Brooklin Novo (mapa 4.1), ao lado do Conjunto Habitacional Jardim Edite, que ocupa o espaço de uma antiga favela, em uma das regiões mais valorizadas da cidade que é tomada por edifícios corporativos de alto padrão. A creche se localiza onde o fluxo de veículos é menor, na Rua Charles Coulomb e está em frente à Praça Arlindo Rossi. Possui uma localização privilegiada em relação à mobilidade, se encontra ao lado a marginal Pinheiros, possui pontos de ônibus e está a 20 minutos a pé da estação de metrô Morumbi ou da estação de trem Berrini.

Conjunto Jardim Edite

Mapa 4.1: Localização Conjunto Jardim Edite Fonte: Google Maps (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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O pavimento térreo (figura 4.6) da creche possui uma solução bem funcional e interativa. As áreas de administração juntas são situadas logo após o vestíbulo e as áreas de manutenção são dispostas em locais estratégicos para garantir a funcionalidade e o bom fluxo, já que possui acesso externo pelo abrigo, além de estarem próximo à cozinha, dando o apoio necessário. A cozinha se conecta com o refeitório, garantindo praticidade e autonomia das crianças. Ainda na área interna, se localiza as salas de aula, sanitários, brinquedoteca e sala dos professores. O espaço externo conecta os ambientes administrativos e o refeitório com a área pedagógica, além de garantir a convivência e lazer.

O pavimento superior (figura 4.7), acessado por escada, pela área externa, ou por rampa, pelo refeitório, possui na sua área interna os berçários, banho/troca, o lactário e a cozinha de apoio. Na área externa, localiza-se um pátio que serve de solário e área de lazer. 1- Acesso 2- Vestíbulo 3- Secretaria 4- Pátio coberto 5- Reservatório 6- Tanque de areia 7- Jardim 8- Brinquedoteca 9- Sala dos professores 10- Almoxarifado

11- Sala minigrupo 12- Sanitário infantil 13- Sanitário acessível 14- Depósito 15- Circulação coberta 16- Refeitório 17- Cozinha 18- Despensa 19- DML 20- Lavanderia

Figura 4.7: Planta 1º Pavimento Fonte: Archdaily; fev. 2019

Figura 4.6: Planta Pavimento Térreo Fonte: Archdaily; fev. 2019

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21- Abrigos 22- Vestiários de funcionários 23- Sanitários 24- Diretoria 25- Coordenador pedagógico 26- Rampa 27- Escada


O vestíbulo não só recebe quem está entrando na creche, como também permite o contato direto de visitantes ou pais com a secretaria através de uma abertura. O ambiente funciona como um espaço de transição entre o público e privado, garantindo a segurança através de portões e elementos vasados, que permitem o contato visual mesmo com os fechamentos (figura 4.8). No refeitório, apesar das dimensões adequadas para as próprias crianças se servirem no almoço (figura 7.9, 7.10 e 7.11), são as professoras que levam os pratos até as mesas, o que contradiz a ideia de estimular a autonomia da criança.

Figura 4.8: Vestíbulo Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019

Ainda no térreo, o espaço de lazer é inteiramente descoberto, o que muitas vezes impossibilita o uso por conta da chuva. O ambiente foi cercado com lâminas de vidro (figura 4.12), facilitando o controle das crianças quando estão brincando, para que permaneçam naquele local, e garantindo também que a circulação não seja prejudicada pela chuva. No pavimento superior, o lactário oferece contato direto com a cozinha (figura 4.13), o que facilita na hora da alimentação.

Figura 4.9: Refeitório Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019

Figura 4.10: Refeitório Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019

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Figura 4.11: Refeitório Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019


Os elementos vazados permitem a entrada de luz e a conexão do meio interno com o externo. Na rampa, sua iluminação é garantida (figura 7.9). No pavimento superior, o espaço de lazer externo possui cobertura, o que traz conforto às crianças em dias de sol ou chuva. A escada possui poucas aberturas (figura 7.11), o que limita a entrada de luz, que poderia ser maior se tivessem optado também por elementos vazados. O terraço que serve de solário para o berçário tem uma boa insolação recebida do leste e oeste.

Conversando com funcionários, foi possível concluir que a creche tem boas soluções e alcançou a funcionabilidade. Não há a necessidade de mudanças no local e os ambientes exercem a função dos usos originais dado no projeto, já que os mesmos suprem as necessidades. O recebimento de iluminação natural é bem resolvido graças ao pátio central que distribui luz para os ambientes do pavimento térreo. O conforto término, garantido a partir dos fechamentos de vidro do ambiente externo, protegendo as crianças das intemperes.

Figura 4.12: Área de lazer Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019

Figura 4.13 Lactário Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019

Figura 4.14: Rampa Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019

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Figura 4.15: Escada Fonte: Caroline Sampel; fev. 2019


Escola Montessoriana Waalsdorp

O pavimento térreo (figura 4.16) possui sete acessos possíveis para o ambiente interno, sendo que o acesso principal, localizado na face leste do edifício, recepciona os alunos com um pátio central. Ainda nesta face, encontram-se mais dois acessos, que leva diretamente para o pavimento superior através da escada. A face norte da fachada, a primeira que se encontra ao chegar no terreno, dispõe de 3 acessos diretamente para as cozinhas. Já na face sul, a última com acessos, conecta o meio externo com a sala de artes. Com a predominância de ambientes de convivência, recreação e do setor administrativo, o pavimento térreo conta com duas cozinhas que se conectam, uma sala de jogos, uma sala de atividades extracurriculares, seis salas administrativas, quatro salas de aula, uma sala de artes e cinco sanitários. Já no pavimento superior (figura 4.17), o setor pedagógico predomina, mas sempre sendo intercalado com ambientes interativos para as crianças. O pavimento possui oito salas de aula, duas salas multiuso, uma quadra poliesportiva, uma enfermaria e sanitários disponíveis em todos os ambientes. A escola é cercada por muros (figura 4.18) que garantem a transição entre o meio público e o privado, criando uma praça semipública para as crianças. Esses muros são baixos, não chegam a ter um metro de altura, com a intenção de conectar a praça e o edifício com o entorno.

Local: Haia, Holanda Ano: 2014 Área: 2.480m² Autores: De Zwarte Hond O edifício está localizado em um terreno plano, com um entorno predominantemente residencial e com ruas arborizadas, estreitas e com fluxo baixo de veículos. A posição de sua implantação (mapa 4.2) foi pensada a partir da existência de duas árvores históricas e pela solução de entrada, que deveria oferecer dois playgrounds, um convidativo na frente da escola e um privativo nos fundos. A materialidade utilizada na fachada, com tijolos característicos do local, dialoga com o entorno.

Escola Montessoriana Waaslsdorp

Mapa 4.2: Localização Escola Waalsdrop Fonte: DeZwarteHond; fev.2019

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1- Pátio 2- Sala de aula 3- Sala de jogos 4- Administração 5- Setor esportivo

6- Enfermaria 7- Cozinha 8- Atividades extracurriculares 9- Sala de artes 10- Sala multiuso

Ainda com o objetivo de integrar o meio interno com o externo e também os ambientes internos entre si, adotouse o uso constante de vidro (figuras 4.19 e 4.20), o que dá a escola um caráter aberto e transparente, conectando ambientes e permitindo a interação entre as crianças que estão em ambientes com usos diferentes. O desenho específico de ambas as salas de aula e do ginásio esportivo aprimora suas relações com as outras áreas, e intensifica a sensação de amplitude do espaço (BRAKKEE, 2014).

Figura 4.16 Planta Pavimento Térreo Escola Waalsdrop Fonte: DeZwarteHond; fev.2019

Figura 4.17: Planta Pavimento Superior Escola Waalsdrop Fonte: DeZwarteHond; fev.2019

Figura 4.18: Fachada Escola Waalsdrop Fonte: DeZwarteHond; fev.2019

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Projetado com base o ensino Montessoriano, o seu interior deve ser um ambiente espaçoso e flexível. O espaço, que deve ser dividido por faixa etária, é composto três unidades, que possuem suas próprias salas de aula, circulações e entrada. O grupo de maior idade e de idade mediana ficam em lados opostos no ginásio no pavimento térreo. A circulação funciona como espaço multiuso (figura 4.21), promovendo o encontro e interação das crianças de salas diferentes, para que juntas elas trabalhem e brinquem.

Figura 4.19: Fachada Fonte: DeZwarteHond; fev.2019

Os mobiliários são todos projetados com medidas específicas para as crianças, a fim de promover a autonomia das mesmas (figura 4.22). A qualidade dos materiais recebeu atenção necessária para garantir o método Montessoriano, sendo a madeira o material para a produção de estantes, ganchos e estações de trabalho. Os tijolos da fachada possuem proporções incomuns (figura 4.23). As esquadrias são em alumínio com um perfil distintivamente profundo, e os sombreamentos estão ocultos por trás da maçonaria.

Figura 4.20: Ambiente interno Fonte: DeZwarteHond; fev.2019

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Figura 4.21: Espaço Multiuso Fonte: DeZwarteHond; fev.2019


Os ambientes internos recebem grande quantidade de luz natural vinda das grandes malhas de vidro das fachadas. Além disso, os dois pavimentos se conectam por três vazios, que permite ainda mais a entrada de luz (figura 4.24). Os dutos de ventilação de grande escala e a altura de 3,40m de pé direito garantem aos ambientes um ar fresco de qualidade.

Figura 4.23: Espaço Multiuso Fonte: DeZwarteHond; fev.2019

Figura 4.22: Espaço Multiuso Fonte: DeZwarteHond; fev.2019

Figura 4.24: Corte Fonte: DeZwarteHond; fev.2019

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informado o número de alunos, na metodologia Montessoriana a lotação em sala de aula é maior que 1m² por aluno. Fica claro então que esse ensino preza por um espaço mais amplo e flexível, com uma diversidade maior de ambientes, como sala de artes, sala multiuso, que não foram encontradas nas brasileiras.

Considerações dos Estudos de Caso de Creche Após a análise das instituições estudantis, pode-se concluir que a arquitetura é reflexo da metodologia de ensino desde a construção do programa de necessidades, até a elaboração do layout e escolhas dos materiais. Tudo envolve a metodologia que será utilizada para educar as crianças. Para que elas consigam explorar o espaço da melhor forma e para que a arquitetura ajude no seu desenvolvimento, é necessário que se adeque ao espaço e ao ensino. Entretanto, um projeto de qualidade não é o bastante para se obter sucesso na arquitetura, levar em consideração a situação socioeconômica do local onde está inserido é indispensável, pois muitas vezes não há condições de manutenção ou existe a necessidade de aumento de alunos, por exemplo. Isso acaba resultando em adaptações e, consequentemente, em inadequações dos espaços. Na tabela comparativa (figura 9), apesar da diferença de tamanho entre as duas instituições brasileiras analisadas, há uma semelhança no programa de necessidades e na lotação em sala de aula, as duas com aproximadamente 1m² por aluno. Os ambientes presentes nas duas não fogem do padrão de uma metodologia tradicional. Já na escola da Holanda que foi analisada, conseguimos, ao comparar, ver a diferença não só do programa de necessidades, mas também nas dimensões. Os ambientes são mais amplos, e apesar de não ter sido

Figura 4.25: Tabela comparativa Fonte: Caroline Sampel; fev.2019

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boa iluminação (com soluções para a entrada de luz natural) são algumas das medidas que tornam o local mais acolhedor. • Utilização de materiais ecológicos e soluções que causem menos impacto no ambiente;

Um ambiente físico de aprendizado favorável para se conquistar um bom nível de educação deve ser acolhedor e convidativo, para que a criança se expresse, se relacione e seja estimulada a aprender, se movimentar e brincar. A escola, sendo um disseminador de conhecimento, deve ser um local confortável e interativo, que inspira e dialoga de acordo com a educação proposta. Para que o local de aprendizagem tenha toda a infraestrutura necessária para o desenvolvimento do aluno, é importante que o(a) arquiteto(a) entenda quais são os objetivos a se alcançar, que seria transformar todas as alocações comuns em ambientes mais vívidos, inspiradores e produtivos para os usuários – alunos e funcionários. Deixá-los mais confortáveis, bem ventilados, iluminados e sustentáveis, de tal forma que utilize materiais que causam menos impacto ambiental e utilize fontes naturais de luz e energia, por exemplo. Para que a arquitetura possa fazer parte do processo de educação e desenvolvimento da criança, são necessários alguns cuidados mínimos ao se projetar, sendo eles: •

Conforto ambiental, garantindo melhor qualidade de rendimento acadêmico. Conforto acústico, térmico, lumínico e a ventilação são primordiais para tornar o ambiente agradável e melhorar o desempenho do ser humano. Portanto, optar por materiais absorventes para diminuir os ruídos, garantir que os ambientes sejam frescos e bem arejados e ter uma

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•

Dimensões adequadas, de acordo com a pedagogia aplicada, para alcançar um ambiente prático e funcional para as atividades do local;

•

Localização dos ambientes, divididos em setor administrativo, de apoio, técnico, público, restrito, de convivência e pedagógico, devem ser dispostos de tal maneira que garanta a funcionalidade, o bom fluxo, a relação entre os espaços e suas conexões. A área pedagógica deve ter conexão com a área de convivência e com o setor administrativo; a área de apoio deve-se conectar à área técnica e restrita, com acesso exclusivo longe da entrada de alunos; áreas de convivência, como pátios, são boas circulações horizontais, que conectam os espaços, mas se não bem solucionadas, podem causar conflitos de fluxo;

•

Aproximação com a natureza, como atividades de plantio;

•

Psicologia das cores, que cria um ambiente estimulante e mexe com as percepções e sentimentos. Cores frias reduzem a pressão arterial


e a atividade muscular, cores quentes aumentam, e as cores da natureza garantem um ambiente mais confortável e descontraído; •

materiais naturais, reciclagem, reutilização, racionalização construtiva, etc.; • Área de refeição integrada à área de convivência para envolver a todos no processo, a objetivar a autonomia; • Elementos da construção também pode ser um convite ao exercício da criatividade e expressão, auxiliando no processo pedagógico, como paredes lousa; • Integrar o interior com o exterior é importante para que a criança não se sinta confinada e possa apreciar a paisagem de fora da escola a partir de grandes aberturas em vidro; • Espaços amplos e interligados faz com que a criança interaja mais; • Criar espaços e soluções que estimule a atividade física, como correr e se movimentar, são essenciais para o desenvolvimento das funções motoras; • Integrar o ambiente infantil à natureza, ampliando o conhecimento de novas texturas, cheiros, cores e sons através da questão sensorial da criança, fazendo com que ela desenvolva seus sentidos e sua capacidade de reconhecer novos elementos; • Soluções para garantir que os ambientes sejam frescos e bem iluminados naturalmente também são formas de conscientizá-los; • Ambiente harmônico, simples, leve e agradável, que represente um local para viver; • Abundância de luz natural com grandes aberturas que permitam também a ventilação dos ambientes; • Aberturas até quase a altura do piso para ambientes com crianças de 0 a 3 anos, para que elas possam

Design de mobiliário, fornecendo sensação de bemestar. Deve ser proporcional à criança, para que ela se sinta com autonomia e livre para se desenvolver;

Com esses cuidados apontados anteriormente, se bem solucionados, trará vantagens para a escola, como por exemplo: • Melhor relação pessoal e integração dos alunos; • Redução do bullying¹; • Melhor rendimento acadêmico; • Menor custo de manutenção com instalações físicas; • Layout funcional; • Menos impacto ambiental e otimização dos recursos humanos, minerais, sociais e ambientais; Outras soluções arquitetônicas na escola: • Formas diferentes de circulação horizontal, de caminho para chegar à sala de aula contribuem para a tomada de decisão da criança e para o desenvolvimento social, como por exemplo, montanhas, pontes e escaladas presentes na escola de Bali, Green School. • Espaços abertos e obstáculos tornam o processo de aprendizagem uma descoberta; • Soluções sustentáveis ajudam na sensibilização dos alunos, como luz natural, captação de água, jardinagem (sintropia e PANCs), ventilação natural,

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apreciar a vista externa; • Diversidade de mobiliário, a fim de atender todas as idades, tamanhos, necessidades e ocasiões; • Além da preocupação com o contato visual com o meio externo, é necessário também o seu acesso, permitindo que a criança passe livremente dos ambientes internos para a área externa, de forma que os alunos possam ter contato com o ambiente natural, fator bem solucionado na Green School, em Bali, que opta pela ausência de paredes nas salas de jardim de infância, conectando o ambiente escolar com o mundo exterior;

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6.

ESTUDO DE CASO: COMÉRCIO


espaço mais restrito; uma praça em frente uma creche utilizada pelas crianças, mesmo que seja de caráter público, através do seu uso, cria um vínculo com os usuários do local que o torna privado aos cuidados da instituição de ensino, mesmo que seja de livre acesso. Toda essa definição é necessária para que ao se projetar um térreo de usos comuns, a sensação desejada seja transmitida da maneira correta, seja ela convidativa, para espaços comerciais; de acolhimento, para ambientes de convivência, como uma praça; ou restritiva, em áreas para moradores. A inserção de unidades comerciais no térreo de um edifício residencial, que tende transmitir uma excessiva sensação de privacidade, é uma solução boa para atrair o público, convidá-los a caminhar pela quadra e consequentemente explorar os outros usos que o local tem a oferecer. Dessa mesma forma que o comércio pode ser uma “isca” para atrair pessoas no local, também acontece o contrário. Planejar caminhos agradáveis, arborizados, locais de convivência e ambientes de lazer, aumenta ainda mais o fluxo, atraindo mais pessoas para o local e favorecendo o comércio, pois a pessoa que estava apenas de passagem se sentirá acolhida com o trajeto e irá ser conquistada pelas vitrines. Mesmo que o arquiteto tenha o poder de definição do uso dos espaços a serem projetados, é importante que ele tenha cautela e garanta a liberdade de função, seja em ambientes de uso privado ou de uso comum. Para Hertzberger, nem sempre a função que o arquiteto dá ao elemento construído será a mesma que os usuários

Introdução Segundo Herman Hertzberger, o conceito de “público”, visto como um lugar que pode ser acessado a todos a qualquer momento, e “privado”, como um lugar de acesso restrito, é uma oposição extrema que deve ser evitada, pois generaliza as definições dos espaços. Para liberar o nível da rua e projetá-lo de tal forma que esse espaço seja usufruído por todos, é necessário explorar as demarcações territoriais e a diversidade de usos. Para que o térreo seja convidativo ao pedestre e para que a quadra se integre com a cidade, não é necessário que toda a sua área seja 100% de uso coletivo, mas sim que os usos dos espaços e seus elementos definam o grau de privacidade. “Onde quer que indivíduos ou grupos tenham a oportunidade de usar partes do espaço público para seus próprios interesses, e apenas indiretamente nos interesses dos outros, o caráter público do espaço é temporária ou permanentemente colocado em questão por meio do uso.” (HERTZBERGER, 1996) Portanto, é a partir do uso, dos acessos e dos elementos, que o arquiteto consegue provocar a sensação de público, semipúblico ou privado. Elementos de vidro, por exemplo, criam uma conexão entre os ambientes, mas torna o

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darão, portanto, é necessário criar espaços polivalentes, que segue a função inicial mas pode servir para outros usos. Um exemplo para isso pode ser o ambiente da unidade comercial, que deve ter uma planta o mais livre possível, para que diversos tipos de comerciantes possam usufruir e adaptar o local, criando seu próprio layout conforme suas necessidades e interesses. O mesmo serve para escalas maiores, como uma praça, que podemos definir seu caráter enquanto ambiente de convivência e acolhimento, mas o seu verdadeiro uso, serão as pessoas que irão definir. Essa reflexão nos faz concluir que os espaços não devem ser repetidos mecanicamente, mas sim incentivados a libertar criatividade do usuário. Permitir que a pessoa se sinta livre para mudar é essencial, pois ninguém é o mesmo e faz a mesmas coisas para sempre. As pessoas, e suas vidas, mudam, se transformam, e desenhar um espaço que acompanhe todo esse processo é importante ao se projetar. Os estudos de caso a seguir foram selecionados justamente por demonstrarem essas características de transição entre o espaço público e privado. Em diferentes situações, o casos analisados se aproveitam das áreas comerciais para trazer o público para dentro da quadra. Primeiro foi escolhida a unidade comercial do Residencial Diogo Pires, que tem uma compatibilidade com o programa de necessidades do projeto desenvolvido. Já a Galeria Metrópole, apresenta uma diversidade maior de usos e possui soluções interessantes que conectam o espaço da galeria com a cidade, sendo uma extensão da calçada.

No Edifício Copan, o térreo também funciona como uma extensão da rua, trazendo o pedestre para dentro da quadra e oferecendo diversos usos.

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Unidade Comercial do Residencial Diogo Pires O espaço comercial, que tem como técnica construtiva o bloco estrutural, ocupa uma área de 630 m² no terreno, sendo que dentro das 14 unidades possuem duas tipologias diferentes. A tipologia tipo A (figura 5) apresenta uma dimensão de aproximadamente 6,66 x 6,66 e área total de 45 m², possui dois ambientes, o ambiente comercial, com 42,23 m² de área e um único sanitário unissex e acessível PNE, com dimensão aproximada de 1,66 x 1,66 e área de 2,77 m². Já a tipologia tipo B (figura 5.1) é basicamente uma planta tipo A dividida ao meio, para comerciantes que não necessitam de muito espaço. O ambiente é composto também pela área comercial e por um sanitário (não acessível), área apresenta um total de 22,5 m², sendo 19,73 m² de área comercial e 2,77 m² de sanitário, com dimensão de 1,66 x 1,66. Todas as tipologias possuem abertura para entrada na mesma face e janelas nas faces opostas. O projeto, por apresentar duas tipologias de unidade comercial, oferece a possibilidade de diferentes tipos de comerciantes se apropriarem do espaço. Sua planta livre dá liberdade para a criação do layout desejado, que melhor se adapte ao uso do comerciante. A ventilação e o conforto lumínico são resolvidos graças às aberturas na fachada comercial e no fundo, que apresenta duas janelas, criando uma boa ventilação cruzada e iluminação natural; além da janela do sanitário,

Local: Jaguaré, São Paulo, SP - Brasil Ano: 2011 Área unidade comercial: 45 m² (cada) Arquitetos: Boldarini Arquitetos Associados

Residencial

Diogo Pires

Mapa 5.0: Unidade Comercial Diogo Pires Fonte: Geosampa (adaptada por Caroline Sampel); mar. 2019

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que também garante uma boa ventilação e iluminação natural. Porém, há um problema e um dos sanitários da tipologia B, por não estar virado para a face externa, não possui janela, tendo problemas com a ventilação e ausência de iluminação natural. O conforto térmico e acústico é garantido com alvenaria estrutural.

Figura 5.0: Planta tipo A Fonte: Boldarini (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 5.1: Planta tipo B Fonte: Boldarini (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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0

1

2


ampla de usos como lojas, cinema, restaurantes, agências bancárias, bares, escritórios e estacionamento. A grande novidade foi a maneira como o local articulou os programas e deu diversidade aos usos, conectando-os com o plano urbano e, com as outras galerias do quadrilátero, além de tomar o cuidado em separar os acessos, dando uma certa autonomia para as partes que os constituem. O segundo subsolo apresenta uma área toda destinada a estacionamento de automóveis, algo que foi revolucionário. Já no primeiro subsolo (figura 5.2), no térreo (figura 5.3) e nos 3 primeiros pavimentos superiores (figura 5.4, 5.5 e 5.6), encontram-se um total de 180 lojas, que variam sua

Galeria Metrópole Local: São Paulo, SP - Brasil Ano: 1964 Arquitetos: Salvador Candia e Gian Carlo Gasperini

Galeria Metrópole

Mapa 5.1: Localização Galeria Metrópole Fonte: Google Maps (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Inserido em um terreno com muitos vizinhos e pouca abertura para o meio urbano, a galeria se localiza em uma região com um rico entorno, como Praça Dom José Gaspar, Galeria Nova Barão, Conde Silvio Penteado, Copan, Eiffel, Terraço Itália e Praça da República (mapa 5.1). A Galeria buscou algo que era novidade na época dos anos 60, a multifuncionalidade, isto é, uma diversidade

Figura 5.2: Planta 1º Subsolo Fonte: Debora Bonetto (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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metragem de acordo com a sua localização e que contornam um vazio central, aberto e tomado por vegetação, que cria uma paisagem interna do prédio. Essa circulação ao redor do vazio central é completamente aberta para a cidade e possui um fluxo muito claro, isto é, que conecta, no nível da rua, o Beco Basílico da Gama com a Praça Dom José Gaspar, ou que leva para a circulação vertical, não confundindo os pedestres, como acontece nos shoppings na intenção favorecer os comércios. O projeto resolve a circulação vertical da galeria a partir das escadas rolantes em “X”. Os pontos comerciais são abertos em vidro para o passeio público pela galeria. As luzes das lojas e as

vitrines participam do espaço da praça, integrando os ambientes e convidando o pedestre a caminhar pelo local. O edifício teve como solução estrutural a modulação (presente também nos elementos de vedação e de proteção), de modo que permitisse a extensão dos ambientes comerciais. A torre foi ancorada pelas extremidades, distribuindo os pilares no perímetro do edifício e as linhas verticais marcadas pelos perfis de aço que estruturam a caixilharia da torre e se prolongam até o embasamento. A área da galeria está implantada em uma situação que possui poucas frentes urbanas, com muitas divisas com vizinhos, problema que foi solucionado com a abertura no miolo do interior do edifício.

Figura 5.3: Planta 1º Subsolo Fonte: Debora Bonetto (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 5.4: Planta 1º Subsolo Fonte: Debora Bonetto (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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A conexão entre os dois acessos no térreo e a circulação horizontal clara e funcional, permitiram uma maior circulação no espaço interno, convidando o pedestre não só para o passeio, mas para os comércios e outros usos. As conexões e relações do edifício com a cidade é muito presente no projeto. O desdobramento das ruas, dobrando a esquina para dentro do edifício multiplica a área destinada ao comércio, além de oferecer novos caminhos no plano urbano. Os corredores de circulação possuem largura suficiente para os diversos usos, é possível caminhar tranquilamente enquanto pessoas param em frente a

vitrine ou então sentam em uma mesa na parte externa do restaurante. A área verde conecta ainda mais o interior com o exterior, eliminando a sensação de confinamento. A galeria trouxe uma variedade e liberdade de uso para o comerciante, nunca visto em um conjunto comercial padrão. O projeto possui um conforto luminico bem solucionado graças ao vão central, que além de abrir espaço para a entrada de luz, colabora com a boa ventilação do espaço. A circulação é toda desprotegida, o que faz com que o ambiente interno esteja exposto a intempérie.

Figura 5.5: Planta 1º Subsolo Fonte: Debora Bonetto (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 5.6: Planta 1º Subsolo Fonte: Debora Bonetto (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Edifício Copan Local: São Paulo, SP - Brasil Ano: 1966 Área: 6.006,35 m² Arquiteto: Oscar Niemeyer

O primeiro e segundo subsolo (figura 5.7 e 5.8) abrigam a garagem, almoxarifado, depósito de reciclagem, reservatório de água, sanitários, vestiários e refeitório, além do volume de quatro lojas do térreo que se prolongam para o primeiro subsolo e dos acessos para os 6 blocos do edifício.

Galeria Metrópole

Mapa 5.2: Localização Edfício Copan Fonte: Google Maps (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Implantado em um terreno na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua Araújo (mapa 5.2), dos 10.572m2, 6.006,35m² foram destinados ao Edifício Copan, que apresenta uma única lâmica. O Edifício Copan também explora o térreo para um programa de comércio e serviços, unindo os usos privados e públicos, através dos pilotis, que libera o térreo.

Figura 5.7: Planta subsolo 2 Fonte: Carolina Oukawa (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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variedade de desenho de esquadrias de ferro e soluções de abertura. Todas as entradas das lojas apresentam degrau, já que a circulação de toda a galeria possui um declive graças a sua topografia acentuada. Atualmente, parte das lojas encontram-se desocupadas. O piso do térreo, em seu projeto original, deveria ser revestido de pedra portuguesa, para causar a sensação de continuidade com a calçada, mas acabou sendo trocado pelo granilite, que não apresenta emendas, ainda na tentativa de integrar o exterior com o interior.

Figura 5.8: Planta subsolo 1 Fonte: Carolina Oukawa (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

O pavimento térreo (figura 5.9) funciona como uma extensão da rua, composto por 73 unidades comerciais, com dimensões que variam de acordo com o desenho. Nesse nível também estão presentes os acessos para todos os blocos, as portarias acompanham o alinhamento da fachada das lojas até o saguão dos elevadores. Dos blocos, 4 tem entradas voltadas para a frente da galeria, próximo à rua, enquanto 2 deles se localizam mais ao fundo do lote. As lojas possuem escadas caracol para acesso ao seu depósito particular, espaço independente para cada uma das lojas, o pavimento sobreloja, que apresenta uma

Figura 5.9: Planta térreo Fonte: Carolina Oukawa (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Considerações dos Estudos de Caso de Comércio A partir da análise dos três pontos comerciais, pode-se destacar uma semelhança importante, o contato direto com a rua, que permite resgatar o valor do espaço público para o pedestre. O espaço, que se torna uma extensão da rua e oferece uma maior aproximação com o pedestre, garante uma transição entre o público e privado, tornando a quadra um ambiente convidativo, que faz parte da cidade. Além disso, as unidades comerciais com plantas livres permitem mais flexibilidade de uso, atraindo diferentes perfis de comerciantes e, consequentemente, diferentes públicos. No Residencial Diogo Pires, a unidade comercial, que garante essa liberdade para o comerciante, também teve a preocupação na hora da escolha da inserção das unidades no terreno. O projeto levou em consideração a praça pública, que atrai um maior número de pedestre, e concluiu que os comércios seriam beneficiados ali. Portanto, utiliza-se do espaço para a sua implantação comercial. Já o Edificio Copan e na Galeria Metrópole fazem o próprio espaço e o fluxo de pedestre acontecer, convidando-os para as áreas comerciais.

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7.

ESTUDO DE CASO TEATRO


Introdução Os estudos de caso de teatro tem o objetivo de buscar soluções para a criação de um espaço que não seja de um teatro convencional. Buscar, através da pesquisa, medidas projetuais que ofereçam espaços livres, com flexibilidade de uso, alternativos. A escolha do Teatro Oficina como estudo de caso se justifica por ser um outro formato de teatro, onde a plateia e o palco não seguem o padrão. Já o auditório do Centro Cultural São Paulo foi selecionado pela sua arquibancada superior, que faz contato com o andar inferior, conectando os ambientes.

Teatro Oficina Mapa 6.0: Localização Teatro Oficina Fonte: Google Maps (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Teatro Oficina Local: São Paulo, SP - Brasil Ano: 1958 Arquiteto: Lina Bo Bardi e Edson Elito Localizado no centro da cidade de São Paulo, no bairro da Bela Vista, na Rua Jaceguai, paralela com o Viaduto Júlio Mesquita Filho, está a 700m da estação Liberdade (mapa 6). Fundado como um manifesto na década de 1960, com apresentações de música, dança, teatro e performances, o teatro possui características não convencionais, com plateia frente a frente e com um palco central no meio (figura 6).

Figura 6.0: Palco e plateia Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Projetado com a finalidade de transmitir a sensação de que a rua invade o espaço cênico, o palco, que vai do acesso frontal até o acesso dos fundos, possui uma faixa de “terra” de 1,5m de largura como passarela, o que limita os espaços entre o espaço de apresentações e a plateia, mas ao mesmo tempo não causa a sensação de barreira física, aproximando quem está assistindo de quem está apresentando (figura 6.1).

As paredes laterais originalmente de concreto que ajudam no travamento das paredes de tijolos, foram sobrepostas às novas estruturas metálicas, que suporta as cargas da cobertura e dos mezaninos (figura 6.2). Com o intuito de quebrar os limites entre o espaço interno e externo, um pano de vidro foi implantado em uma das fachadas laterais, conectando os ambientes, que recebe ainda mais essa quebra de limites com a vegetação no ambiente interno (figura 6.3).

Figura 6.1: Palco e passarela Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 6.3: Palco e passarela Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Figura 6.2: Fachada Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Os fluxos e as circulações são distribuídas a partir de uma espécie de “rua interna” (figura 6.2), que garante maior funcionabilidade do espaço e integração entre eles. Outra solução que integra os ambientes são as divisórias transparentes, que proporciona uma visão entre os espaços e conexão entre eles.

Centro Cultural São Paulo Local: São Paulo, SP - Brasil Ano: 1979 Arquitetos: Eurico Prado Lopes e Luiz Telles Área: 46.500m² Integrada à paisagem, o Centro Cultural São Paulo, localizado na Rua Vergueiro e Avenida 23 de Maio (mapa 6.1), conta com um programa extenso que conta com espaços de exposições, cinema, teatro e restaurante. Em seu auditório (figura 6.4), a arquibancada superior permite a ampliação do espaço e interação entre os dois pavimentos, já que é possível assistir de cima a uma apresentação.

Mapa 6.1: Arquibancada auditório Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Centro Cultural

São Paulo

Mapa 6.1: Localização Centro Cultural São Paulo Fonte: Google Maps (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

Mapa 6.2: Rampas Fonte: Archdaily (adaptada por Caroline Sampel); fev. 2019

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Considerações dos Estudos de Caso de Teatro O Teatro Oficina e o Centro Cultural São Paulo exploram, a partir dos seus elementos e soluções arquitetônicas, a integração entres os espaços, de forma que a pessoa seja conduzida, através da circulação ou até mesmo visualmente, para outros ambientes. Essa preocupação com a conexão dos espaços se torna ainda mais importante quando tem um elemento que abriga funções de diversos usos. As soluções tomadas no Centro Cultural São Paulo, por exemplo, traz a sensação de um espaço único e “quebra” a separação causada pela multifuncionalidade do local.

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8.

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO


Introdução uma área a ser explorada para lazer, esporte e convívio, além da vegetação, que oferece uma sensação agradável ao passeio do pedestre. As unidades comerciais visam ofertar oportunidades de trabalho e renda aos moradores do local e do entorno. As salas de cursos abrangem desde oficinas até aulas técnicas. Visam oferecer espaços de formação social, educacional e técnica, para possibilitar o cruzamento de políticas públicas. A creche atende a demanda não apenas do conjunto habitacional, mas a uma demanda externa, já que o entorno oferece transporte público. Também dá à mãe, moradora do conjunto, certa autonomia, por ter aonde deixar o seu filho pequeno para ir trabalhar. Salão de jogos e de festas oferecem aos moradores a oportunidade de convívio e lazer, e também podem disponibilizar o espaço para uso externo, arrecadando recursos para a manutenção das áreas comuns e para o alvará dos elevadores. O teatro se preocupa em reinserir ao local um galpão cultural já existente e importante na região, despertando no cidadão o interesse pela cultura. Como se localiza na Av. São João, área de intensa mobilidade, permite uma inserção urbana maior, o que favorece a mistura de classes – fundamental para romper o preconceito de classe, gênero, cor e de raça e promover a empatia. As unidades habitacionais visam garantir conforto ao morador, se contrapondo com

O desenvolvimento do projeto levou em consideração as referências estudadas, de modo que o enriqueceu com boas soluções e se contrapôs com as soluções discutidas e não concordadas, sempre em busca de alternativas coerentes com as propostas para um resultado de qualidade. Leva em consideração também todas as questões citadas, como o problema de moradia periférica, tomando como proposta inicial a habitação na área central. Usa a empatia para tratar do assunto pensando em elevar a qualidade de vida do cidadão. A fim de promover moradia digna, e não apenas uma habitação, o projeto envolve usos de diversos setores como comércio, serviço, lazer, esporte, cultura e educação. E por fim, se preocupa com o plano urbano, já que toda mudança feita nas quadras de intervenção podem ser refletidas no que está envolta.

Programa de Necessidades O programa de necessidades foi elaborado para atender a demanda não apenas do público morador da habitação, mas também de quem frequenta o entorno ou de quem está apenas de passagem. A diversidade de usos tem o intuito de suprir necessidades de diferentes perfis de público. Equipamentos urbanos tendem a tornar o espaço público

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modelos como Minha Casa Minha Vida (MCMV), com padrões entre 42m² e 48m² que desrespeitam as necessidades básicas do ser humano. A proposta é apresentar unidades que ofereçam conforto e diversidade para diferentes perfis.

Área comum Área comum condominial Cafeteria Unidade comercial Creche Teatro Salão de jogos Salão de festas Serviço Sala de cursos Unidades habitacionais

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Partido Aplicado tornou-se inspiração e deu uma forma curva às lâminas, que, a partir disso, conseguiram ter melhor aproveitamento do espaço e alcançaram maior número de unidades habitacionais. Por fim, a localização, volume e gabarito foi totalmente pensado junto com a insolação. A altura das lâminas, além de respeitar o entorno, também levou em consideração as áreas livres, de forma que os prédios não prejudicassem na incidência solar.

O ponto de partida do projeto foi a nova alternativa de percurso criada, que liga a estação Santa Cecília à Avenida São João (mapa 7), com a premissa de tornar o trajeto mais interessante, desenvolvendo novos usos e atendendo às diversas demandas ao longo de um percurso que oferece diferentes cenários e sensações. Os acessos das quadras são baseados no trajeto e no fluxo de pedestres. O acesso condominial na quadra da Rua Ana Cintra, localizado em dois pontos no meio da quadra e entre o trajeto, permite que o morador também faça parte do percurso proposto. Já na quadra da Avenida São João, o acesso feito pela vila, atualmente estreita e com um fluxo baixo, leva vida e aproximação com a cidade, além de um espaço mais amplo. A arquitetura marcada como singular no Edifício Racy, Arquitetura singular Área comum pública

Área comum condominial Edifícios projetados Gabarito Acessos à quadra

Acesso à área condominial Trajeto Trajeto metrô Estação de metrô Ciclovia

Mapa 7.0: Diretrizes Fonte: Caroline Sampel; abr. 2019

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Computável referente ao CA

Computável referente ao TO

Área comum

Não

Não

Área comum condominial

Não

Cafeteria

Sim

Espaços

Unidades comerciais Creche Teatro Salão de Jogos Salão de Festas Serviço Sala de Cursos Unidades Habitacionais

Sim

Não Não Sim Sim Sim Sim

Sim

Setores

Área total

Legislação

Lazer, esporte e social

2.722m²

Macrozona

Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana

Não

Lazer, esporte e social

839m²

Macroárea

Macroárea de Estruturação Metropolitana

Sim

Alimentaçã o

214m²

Perímetro de qualificação ambiental consorciada

PA1

Sim

Comércio

1.842m²

Zoneamento

ZEIS-3

Não

Educação

1.032m²

Área do terreno

8.584,64m²

Não

Cultura

1.611m²

Sim

Lazer

208m²

Sim

Social

290m²

Sim

Serviço

1.343m²

Sim

Educação

428m²

Sim

Habitação

15.198m²

Circulação

Sim

Sim

Passarelas/ corredores

Marquise

Não

Sim

Social

3.870m²

148

Área Construída

26.036m²

Total de área computável referente ao CA

23.193m²

Total de área computável referente ao TO

2.571m²

Taxa de Ocupação (TO) Área de projeção Coeficiente de Aproveitamento (CA) Área referente ao CA

Permitido

Utilizado

70%

30%

6.009,24m²

2.571m²

4

2,7

34.338,56m²

23.193m²


Implantação O primeiro quesito a ser analisado na implantação é o trajeto da estação Santa Cecília à Avenida São João tido como ponto de partida, que convida o pedestre a entrar na quadra e explorar os diversos usos. Ao lado do Elevado João Goulart, mais conhecido como Minhocão, as áreas de convivência, lazer e esporte dão mais vida ao local - atualmente monótono e sem segurança. As áreas de paisagismo, além de enriquecer o local com vegetação, indica, pelo seu desenho, o caminho a ser seguido, que leva o pedestre ao acesso à creche, propositalmente localizada nesse ponto para proporcionar fácil acesso para quem vem da região do metrô, além de possuir a opção de acesso de pedestres pela Rua Dr. Frederico Steidel e de veículos pela Travessa dos Desenhistas, reservada para carga e descarga e funcionários. Seguindo o caminho em direção à Avenida São João, o percurso oferece espaços urbanos com diversos usos, vencendo o desnível e conectando o público com as áreas comerciais e com o Teatro, localizado em um dos pontos com maior fluxo do dois terrenos, o que acaba atraindo o público de fora da quadra, convidando-o para passear nesse espaço, que também oferece áreas comerciais e um café de esquina, com uma vista privilegiada. Como o Teatro se posiciona em um eixo estruturante, permite que seja apropriado pelos transeuntes da cidade e, pois, favorece a mistura de classes, a troca de saberes, o envolvimento e a empatia.

COMÉRCIO SALÃO DE JOGOS SALÃO DE FESTAS CAFETERIA CRECHE TEATRO HABITAÇÃO SERVIÇO SALA PARA CURSOS

IMPLANTAÇÃO PAVIMENTO TÉRREO Esc.: 1:750

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COMÉRCIO SALÃO DE JOGOS SALÃO DE FESTAS CAFETERIA CRECHE TEATRO HABITAÇÃO SERVIÇO SALA PARA CURSOS

CORTE AA Esc.: 1:750

CORTE BB Esc.: 1:750

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Av. São João – Rua Ana Cintra

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Áreas Comuns O trajeto da Avenida São João para a Rua Dr. Frederico Steidel é mais do que apenas uma passagem, é uma solução para abrir a quadra para a cidade e assim integrar os espaços. Com ambientes arborizados e o desnível solucionado a partir de escadas e rampas acessíveis, o caminho se torna agradável para o passeio. Com direito a bicicletário próximo à Av. São João, mesas e bancos e academia ao ar livre, o local da acesso ao teatro e às áreas comerciais.

COMÉRCIO SALÃO DE JOGOS SALÃO DE FESTAS CAFETERIA CRECHE TEATRO HABITAÇÃO SERVIÇO SALA PARA CURSOS

Área comum condominial e pública Rua Ana Cintra Esc.: 1:500

Área comum condominal Vila Adelaide Esc.: 1:500

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Seguindo o trajeto em direção à estação Santa Cecília, na travessia da Rua Dr. Frederico Steidel, as lombofaixas auxiliam os pedestres, tornando o caminho mais seguro. Chegando na quadra da Rua Ana Cintra, o miolo da quadra é aberto ao público e oferece uma quadra poliesportiva para esporte e lazer, além de ponto de leitura, playground, academia ao ar livre e mesas instaladas no vão livre do edifício. A importância desses usos nessa quadra se dão pelo fato do elevado causar uma séria barreira física e social, que torna o local inseguro e desagradável. Portanto, a intenção é que a abertura das quadras garanta uma vivência maior na cidade e consequentemente mais segurança. Além das áreas públicas, também foi reservado um espaço para uso dos moradores na quadra da Av. São João. O local de uso comum totalmente arborizado, conta com quiosque com churrasqueira, playground, área de leitura, academia ao ar livre e cesta de basquete, garantindo aos moradores o convívio, lazer e esporte com segurança e mais privacidade.

Área comum pública Av. São João – Rua Dr. Frederico Steidel Esc.: 1:500

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Área comum pública próxima à Rua Dr. Frederico Steidel

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Área comum condominial quadra Av. São João – Vila Adelaide

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1º Pavimento O primeiro pavimento do conjunto em sua maior parte é destinado ao mezanino das unidades comerciais, que podem servir como estoque ou como área de trabalho, por exemplo. Outro uso que oferece um mezanino nesse pavimento é o salão de jogos na área condominial da quadra da Rua Ana Cintra. Na creche, o espaço é ocupado por uma horta, que pretende trazer aproximação das crianças com a natureza a partir de atividades de plantio. No teatro, o pavimento, além de conter a arquibancada para a plateia observar apresentações que acontecem no pavimento inferior, conta com um café, privilegiado com sua vista para a Av. São João, oferece mesas disponíveis para diversos fins. Já na lâmina da direita na Av. São João, o pavimento já apresenta unidades habitacionais, com disponibilidade de apartamentos acessíveis.

COMÉRCIO SALÃO DE JOGOS SALÃO DE FESTAS CAFETERIA CRECHE TEATRO HABITAÇÃO SERVIÇO SALA PARA CURSOS

PLANTA 1º PAVIMENTO Esc.: 1:750

114


2º Pavimento No segundo pavimento do conjunto, encontram-se as áreas de serviço, a cima das unidades comerciais, que podem servir como uma sala de escritório, por exemplo, e que possuem acesso pela calçada, onde cada circulação vertical levará a duas unidades. Entre as quatro áreas destinadas a serviço na Rua Ana Cintra, se encontra a sala de cursos, esta voltada para dentro do conjunto, sendo seu acesso feito pela área condominial, já que as atividades ali realizadas são direcionadas para os moradores. Esse espaço disponibiliza mesas, mas não limita o ambiente a um determinado uso, trazendo flexibilidade ao local, que tem uma planta ampla e livre. Neste pavimento do teatro, o espaço também é destinado a aulas, treinamentos, estudos, oficinas ou ensaios, sempre se preocupando com a interação entre os ambientes através do vidro, havendo uma interação visual com o que acontece no auditório. Já na lâmina ao lado do Elevado Presidente João Goulart, as unidades também já estão presentes nessa cota, esta com acesso pela área condominial no meio da quadra, ao lado da creche.

COMÉRCIO SALÃO DE JOGOS SALÃO DE FESTAS CAFETERIA CRECHE TEATRO HABITAÇÃO SERVIÇO SALA PARA CURSOS

PLANTA 2º PAVIMENTO Esc.: 1:750

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com base na evolução da criança, sempre considerando o que há de individual em cada um. Neste método, a aprendizagem não é padronizada, englobando o desenvolvimento holístico da criança e dando a ela autonomia de escolha e manuseio. Para que a metodologia consiga alcançar os objetivos, é necessário que o ambiente seja adequado ao modelo Montessori. Para a educadora, os espaços devem ser interativos, com locais para atividades em grupo e individuais. As prateleiras devem ser baixas, para que a criança seja estimulada e desenvolva a sua autoeducação. Os materiais devem ser sensoriais, para que, a partir do toque, cor, textura, peso, som, a criança estimule suas funções cerebrais. O espaço pedagógico Montessoriano, que será utilizado no projeto da creche, apresenta simplicidade, limpeza e harmonia de linha e cor. Os materiais devem ter leveza, e sem exageros de quantidade, organizados em categorias, para que a criança aprenda a onde pegar e devolver. Os mobiliários, com tamanhos proporcionais, oferecem liberdade. A iluminação natural deve ser abundante. O número de alunos por sala de aula não pode ser muito alto, pois as atividades atendem individualmente ou a um grupo pequeno. Os ambientes devem proporcionar o desenvolvimento de autonomia da criança. E espaços para propor atividades de arte, música e ciência são importantes para o ensino.

Educação A decisão de adicionar uma creche ao local se dá por conta da preocupação em atender não apenas a demanda local, mas também externa, pelo seu fácil acesso aos meios de transporte de massa, como o metrô. Com um programa de quatro salas de aula com um total de 160 alunos, a creche apresenta espaços de lazer, aprendizagem, horta e solário. O(a) aluno(a) pode se envolver em atividades complementares de ações pedagógicas que valorizem o brincar, a autonomia, o compartilhamento de atividades e o envolvimento - tanto nos espaços internos da creche como nas áreas externas como praças, quadra e teatro. Além da educação infantil, o projeto se preocupou em oferecer salas de aula nos pavimentos 2 e 6 do conjunto, que contribuem para a formação de jovens e adultos, com programas voltados para ações como EJA, oficinas de música, pintura, artes e de formação educacional. Nestes espaços também podem funcionar programas transversais às políticas públicas de Educação, como ações para a Saúde (da criança, jovem e idoso), Nutrição e Segurança Alimentar, casadas com as ações de uso e manutenção dos canteiros das praças e da creche - com Agricultura Sintrópica (nas hortas) e PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais). Pedagogia Montessoriana - Creche O método de ensino Montessoriano, criado pela italiana psiquiatra e educadora Maria Montessori, no início do século 20, tem como foco o desenvolvimento da educação

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PLANTA PAVIMENTO TÉRREO CRECHE Esc.: 1:250

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PLANTA 1ยบ PAVIMENTO CRECHE - HORTA Esc.: 1:250

120


DET. 1 - TELHADO VERDE Esc.: 1:25

PLANTA 2ยบ E 6ยบ PAVIMENTO SALA DE CURSOS Esc.: 1:250

DET. 1

Corte CC - Creche Esc.: 1:100

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Cultura um vão livre no auditório, substituiu-se os pilares por paredes autoportantes. A transparência do vidro é explorada em todo projeto do teatro, buscando a conexão visual entre os ambientes, tanto entre o espaço público e privado, quanto entre os três pavimentos, principalmente com a preocupação de mostrar aos demais ambientes as apresentações que acontecem no auditório. A fachada marcante de vidro, não só oferece uma vista da cidade para quem disfruta do ambiente interno e permite a iluminação natural, como também conecta o pedestre da Avenida São João com o espaço interno, convidando-o a entrar no local. Protegida com brises metálicos marcantes, a fachada lateral e frontal não são as duas únicas fontes de luz natural. O projeto também tornou possível a entrada de luz zenital por um ponto do lounge, pelas salas laterais e pelos sanitários. Além de apresentar uma cobertura translúcida retrátil no auditório, que pode ser aberta, oferecendo diferentes sensações nas apresentações e espetáculos.

Inaugurado nos anos 2000 e localizado na Rua Ana Cintra, o atual Galpão Folias possui as mais diversas linguagens: espetáculos teatrais, performáticos, de música, ensaios e encontros de formação e reflexão. Com o cuidado de manter as características singulares do grupo, o novo espaço foi projetado tendo como partido o seu uso flexível. A diversidade de atividades que são exploradas merece um ambiente que pode se adaptar às necessidades de quem o frequentará, e é por isso que o local conta com espaços amplos e livres no seu 2º pavimento. O novo espaço cultural não se preocupou apenas com o seu interior, que conta com auditório, lounge, café, espaços para oficinas e aulas, mas também levou em conta as apresentações que são realizadas frequentemente na Rua Ana Cintra. No projeto, localizada na Avenida São João, o local dispõe de uma praça que pode servir como uso de suas apresentações, sendo um ambiente mais agradável e atraindo mais público, já que se insere em uma avenida com um fluxo muito maior. Portanto, o desenvolvimento do projeto cultural não só teve o objetivo de reinserir algo já existente, mas como melhorar e valorizar o espaço, para que essa mudança desperte o interesse cultural das pessoas de diferentes grupos sociais, sempre buscando reduzir a segregação social. A estrutura segue a linguagem de todo o projeto, sendo, portanto, metálica com viga em “i”. Entretanto, para melhor aproveitamento do espaço e pela necessidade de

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Av. São João

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PLANTA TEATRO PAVIMENTO TÉRREO Esc.: 1:250

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DET. 3 DET. 4

DET. 2

PLANTA TEATRO 1ยบ PAVIMENTO Esc.: 1:250

125


PLANTA TEATRO 1ยบ PAVIMENTO Esc.: 1:250

126


CORTE DD Esc.: 1:100

127


CORTE EE Esc.: 1:250

CORTE FF Esc.: 1:250

128


DET. 3 - BALCÃO Esc.: 1:100

DET. 2 - ARQUIBANCADA Esc.: 1:100

DET. 4 - DUTO Esc.: 1:100

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Comércio, serviço e cafeteria O comércio (no térreo e primeiro pavimento) e serviços, voltados para as ruas do entorno - Rua Dr. Frederico Steiddel e Ana Cintra - e o comércio e serviço com acesso pela praça que liga a Rua Dr. Frederico Steiddel à Av. São João, atendem a demanda local e territorial, sendo uma opção de geração de trabalho e de renda para o morador e para os transeuntes do local.

A generosa fachada de vidro da área comercial permite a conexão do espaço interno com a calçada, aproximando o comércio do pedestre, além de permitir a entrada de luz natural. No 1º e segundo pavimento, as fachadas voltadas para a quadra interna ganham brises, para garantir mais privacidade, além de filtrar a entrada de luz solar, o que também foi necessário na fachada para a rua das áreas de serviço.

PLANTA PAVIMENTO TÉRREO UNIDADE COMERCIAL Esc.: 1:250

PLANTA PAVIMENTO TÉRREO - CAFETERIA Esc.: 1:250

130


PLANTA 1º PAVIMENTO – MEZANINO COMÉRCIO Esc.: 1:250

PLANTA 2º PAVIMENTO – SERVIÇO Esc.: 1:250

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VENTILAÇÃO

ILUMINAÇÃO

DET. 6

DET. 5

CORTE GG – UNIDADE COMERCIAL E SERVIÇO Esc.: 1:100

132


DET 5 – ENTRADA DE LUZ Esc.: 1:25

DET. 6 - BRISE

133


Pavimento tipo e unidades habitacionais O conjunto habitacional tem o objetivo de oferecer ao cidadão conforto e flexibilidade, de modo que atenda a diferentes perfis de moradores. Com um total de 286 unidades habitacionais, as tipologias variam de acordo com a insolação, perfil e variação de público. Os ambientes formam uma maior área de convívio, eliminando áreas de circulação e tornando o espaço mais proveitoso. Como sistema construtivo, foi utilizado a estrutura metálica, com viga em “i” aparente. Os brises metálicos coloridos dão vida à facada das lâminas, além de filtrar a luz do sol que incide sobre as aberturas dos apartamentos. Telas metálicas com vegetação foram dispostas sobre as passarelas também para proteção de insolação, além de trazer um pouco de natureza para cima do concreto.

PLANTA PAVIMENTO TIPO Esc.: 1:750

134


TIPOLOGIA esc.:1:125

LEGENDA:

CIRCULAÇÃO

ÍNTIMO

UNIDADE HABITACIONAL A Área: 58m²

UNIDADE HABITACIONAL B1 Área: 57m²

UNIDADE HABITACIONAL B2 Área: 63m²

UNIDADE HABITACIONAL B2 – B2 Área: 63m²

UNIDADE HABITACIONAL C1 Área: 58m²

UNIDADE HABITACIONAL C2 Área: 58m²

136

SOCIAL

SERVIÇO


UNIDADE HABITACIONAL D Área: 57m²

UNIDADE HABITACIONAL F Área: 56m²

UNIDADE HABITACIONAL E Área: 40m²

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UNIDADE HABITACIONAL E - PNE Área: 40m²

UNIDADE HABITACIONAL G Área: 57m²


CORTE AA - ESCADA Esc.: 1:100

CORTE AA - PAVIMENTO TIPO Esc.: 1:100

138


Quadra Rua Ana Cintra

139


9.

RESULTADOS


Resultados Residencial Parque Novo Santo Amaro, que realiza o projeto em escala urbana, se preocupando com o entorno, e o Residencial Diogo Pires, que insere unidades comerciais a fim de promover a oportunidade de os moradores conseguirem sua renda.

No estado de São Paulo, 23% das moradias são consideradas irregulares. Com cerca de 2.087 aglomerados subnormais, a população de baixa renda é jogada cada vez mais para as áreas periféricas, devido ao alto custo da terra na região central ou mais próxima à ela; valorização causada até mesmo pelos programas habitacionais, que, por ter sua inserção na periferia, acaba valorizando a região e afastando ainda mais a classe baixa da cidade. Essa expulsão gera uma segregação de classes, que resulta em vários problemas sociais e urbanos, como de mobilidade, que não da conta de transportar a população em distâncias tão grandes de casa para o trabalho, e vice-versa; de segurança, já que as áreas distantes ficam difíceis de se policiar, acabam sendo vulneráveis ao crime; além de não receberem infraestrutura urbana adequada, muitas vezes nem saneamento básico. Já nos estudos de caso, pôde-se observar algumas soluções singulares que se contrapõem às habitações como Minha Casa Minha Vida (MCMV) e se destacam no meio dessa realidade. O Conjunto Jardim Edite teve a intenção de aproximar a população de baixa renda da cidade, já que é inserido em um dos locais mais importante para a economia de São Paulo, com infraestrutura urbana e mobilidade, o projeto ainda trouxe três equipamentos para suprir as necessidades da população de baixa renda. Outras soluções também são importantes de ser citadas, como o parque linear do

Com esses estudos, foi possível absorver todas as soluções que levaram à bons resultados, como a inserção do projeto na área central da cidade, em um local que não cumpre a função social, projetando em uma dimensão mais ampla, com a preocupação de fazer caminhos e conexões, dando ao longo do espaço público, uso social, de lazer e esporte, além de oferecer equipamentos de educação e cultura, o que garante a integração na quadra e a quebra de barreiras físicas e sociais, já que o projeto convida o pedestre de diferentes classes sociais a entrar na quadra e desfrutar do que é oferecido, gerando um fluxo maior e consequentemente favorecendo o comércio. Com um total de 286 unidades habitacionais e 5 lâminas, o projeto foi além da preocupação em disponibilizar moradia. Se preocupou com conforto, insolação e em atender os diferentes perfis que podem habitar uma residência. Teve também o respeito com o entorno na hora de decidir o gabarito, não elevando muito a altura de lâminas que estão ao lado de prédios considerados baixos. A elaboração de estudos de caso das creches também foi de extrema importância para o desenvolvimento de um

142


projeto que atendesse as expectativas impostas. A CEI Jardim Edite foi uma base importante para a elaboração do programa de necessidades e para as dimensões dos espaços; o CESA Jardim Santo André mostrou soluções de integração de usos diversos que atendem diferentes perfis de variadas faixas etárias; a Escola Montessoriana Waalsdorp apresentou espaços projetados para o método de ensino, estimulando desenvolvimento e interação das crianças. Com essas análises, foi possível projetar uma creche que promove atividades complementares e que fornece para as crianças espaços que contribuem para o lazer, a autonomia e a interação. A horta, presente no pavimento superior da creche, os aproxima da natureza e promove a conscientização.

Esses usos e os demais presentes no projeto, como as unidades comerciais, que dá a chance do morador adquirir sua renda; as salas para curso, que oferece conhecimento e capacitação; o teatro, que desperta o interesse por cultura e disponibiliza espaços livres para diversos usos; os espaços urbanos públicos que dão vida ao local com seus equipamentos para esporte, lazer e convívio quebra a ideia de que um conjunto habitacional é apenas um local de moradia, provando que para trazer moradia digna e para que a área cumpra sua função social, é necessário mesclar os usos a fim de tentar suprir as necessidades de diferentes perfis de moradores.

143


10.

CONCLUSÕES


Conclusões Após todo o processo do trabalho, é possível concluir primeiramente que a maior parte da culpa pela moradia periférica está nas mãos do mercado e do Estado, que é mais interessado em fins lucrativos do que em garantir moradia digna a todos. Essa segregação de classes e afastamento de grande parte da população para áreas distantes da cidade, é ainda mais reforçada pelos programas habitacionais, que também visam ao lucro. Portanto, não basta apenas fazer habitação para resolver os problemas de moradia da cidade. Uma cidade que funciona bem, é uma cidade que possui a integração de moradia e trabalho, onde tudo anda junto e onde é inserido diversos usos no mesmo espaço, o que dá vida ao local e faz com que ele funcione de dia e de noite. Para isso, podemos concluir que é necessário integrar habitações sociais, principalmente se aproveitando de espaços subutilizados, nas áreas centrais, que disponham de infraestrutura urbana e promova a integração entre classes, que supra as necessidades da população e então cumpra a sua função social. As cidades, os espaços públicos, os equipamentos, as habitações, isto é, as diferentes escalas de projeto, tem que serem pensadas juntas, já que tudo está interligado e cada solução tomada irá refletir no que está envolta.

146


147


11.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Referências Bibliográficas

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