O conceito de Offshoring: benefícios e desvantagens Carlos Daniel da Silva1
Resumo Este pequeno artigo aborda, em linhas gerais, a questão do Offshoring, seus benefícios e desvantagens, para países emergentes e países desenvolvidos, respectivamente. Primeiramente conceitua-se o que é Offshoring e em seguida faz-se uma análise comparativa entre países. A concepção de fronteira já não é mais a mesma, quando observado a dinâmica da economia globalizada e suas repercussões. Fato que coloca a prática do Offshoring em destaque no mundo globalizado atual.
Résumé Cet article discute court en termes généraux, la question des délocalisations, les avantages et les inconvénients pour les pays émergents et développés respectivement. Première conceptualise ce qui est délocalisation et fait ensuite une analyse comparative entre les pays. La notion de frontière n'est plus la même, quand l'observe la dynamique de l'économie mondialisée et de ses répercussions. Fait que les endroits de la pratique de la délocalisation en surbrillance dans le monde globalisé d'aujourd'hui.
Introdução A globalização é um processo que mudou o mundo e toda a forma de pensar as fronteiras. As linhas imaginárias da divisão dos Estados ficarão para sempre nas mentes dos saudosistas e não mais representarão toda a forma de lugar ou delimitação do espaço econômico e social. Os limites agora são outros, muito mais embasados por vias econômicas, sociais e principalmente pela força dos mercados e das alterações de hábitos que a humanidade demonstra adquirir a cada dia. 1
Economista, Pós-Graduando em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV, Especialista em Docência do Ensino Superior e Professor do Centro Universitário do Distrito Federal – UDF.
1
Offshoring O processo de globalização parece recente, mas recente é o termo e sua definição, pois antes houve uma fase, defendida por estudiosos do assunto, chamada de mundialização, que “era o processo de aproximação dos homens de diferentes espaços geográficos, caracterizada por dinâmicas fortemente condicionadas pela economia.” (AMIN, 2000). Apesar de a globalização não ser apenas um processo econômico, mas também, social, político e cultural, a força do capital se impõe a todas as outras forças, sendo o processo econômico, inclusive, indutor do processo de globalização como um todo. A Globalização é um movimento silencioso, porém persistente e sem volta. Desde a mais remota antiguidade, o Homem desbrava fronteiras e avança por territórios, promovendo, a profusão cultural, econômica e social, alterando a cada dia hábitos, costumes, crenças, e principalmente a forma de se comercializar. A partir de então, o mundo começou a ficar cada vez menor e com uma mistura cultural sem precedentes na história da humanidade, o mundo passou a ficar mais próximo. As transações econômicas mundo afora, aumentou exponencialmente nos últimos 20 anos, países que até um quarto de século eram considerados de economia modesta passaram a ter participação decisiva no mercado internacional, com produtos e serviços de toda ordem. O avanço tecnológico unido à propagação do conhecimento através de políticas multilaterais (entre vários países), proporcionou a concretização de ideias, antes consideradas absurdas. A fibra ótica, os processadores, os satélites, a telefonia móvel, a informática com seus hardwares e softwares e principalmente a Internet, encurtou, ainda mais as distâncias e diferenças lingüísticas entre os seres humanos.
2
Enfim o processo de globalização faz com que pessoas possam conviver com realidades antes impossíveis. Consumir produtos e serviços de qualquer lugar do planeta sem precisar ir até o país de origem, basta querer, pagar e pronto, terá. Mas dentro de todo o universo que é o processo de globalização, existem as nuances que normalmente aparecem, em qualquer processo quando iniciado. Apenas comercializar produtos entre países, foi uma fase da globalização chamada inicial, onde o Brasil exportava para a China o minério de ferro, que processava essa matéria-prima em chapas de aço para exportar aos Estados Unidos que por sua vez utilizava na construção de carros que exporta para o Brasil. Esse processo avançou muito nas últimas décadas, ampliando o conceito de globalização, acrescentando o conceito de terceirização de serviços, onde muitos profissionais de países emergentes, mas muito bem preparados, aportavam em terras distantes para trabalhar em áreas antes dominadas por europeus e americanos. Além disso, linhas inteiras de produção de parte de componentes com menor grau estratégico para o produto, eram transferidos para países como a China. Na produção de um carro, por exemplo, partes secundárias das peças, como lanternas e faróis, eram produzidas em países asiáticos e os componentes principais mantinham sua produção nos países de origem, como o motor e câmbio. Oliveira, (2007) afirma que essa prática tem sido utilizada por muitas empresas há várias décadas (...). Seu principal objetivo é permitir que a empresa se detenha preferencialmente em suas competências centrais, transferindo atividades secundárias para subsidiárias ou parceiros externos. Ainda, segundo Oliveira, (2007) nos anos 1970 e 1980, o foco das terceirizações eram as áreas de produção ou de serviços auxiliares, tais como limpeza ou segurança. A terceirização das partes secundárias de produção das empresas tinha como ponto principal redução de custos operacionais, aproveitar da flexibilidade da capacidade de expansão, conseguir ampliar a concentração na competitividade frente a concorrentes e deter o domínio de tecnologias mais rapidamente.
3
Com essa prática os países chamados emergentes avançaram em suas plantas de produção, chegando até mesmo a competir com países desenvolvidos em vários setores do mercado internacional. Com a migração de trabalhadores muito bem treinados dos países em desenvolvimento para os países mais ricos os “donos da casa” passaram a perder seus empregos e esse fato provocou mudanças na legislação desses países, provocando o endurecendo das exigências à migração de trabalhadores estrangeiros nos países desenvolvidos. A partir de então, uma nova fase da globalização inicia-se, é quando algumas empresas como a GE, American Express e British Airways, passaram a terceirizar os serviços, mas, sem a importação da mão de obra, ou seja, os serviços seriam produzidos integralmente na empresa contratada de países em desenvolvimento como Índia, Chiana, Brasil, e muitos outros países, que oferecessem alguma vantagem profissional ou técnica para as empresas de países desenvolvidos. Essa prática ficou conhecida como offshoring de serviços, que se por um lado proporciona ganhos de escala para as empresas, quando reduzem seus custos com mão de obra ou mesmo tributos, por outro provoca a perda de empregos nos países ricos, problema sentido, atualmente, em toda a Europa e Estados Unidos, pois os valores da mão de obra na Índia são infinitamente menores que nos Estados Unidos. (ver tabela). Tabela 1.
Se anteriormente apenas as áreas secundárias eram transferidas para países periféricos, com o offshoring as partes consideradas primordiais do negócio (...) também passaram a migrar para outros países, assim como áreas específicas, tais como finanças, engenharia, pesquisa e desenvolvimento, recursos humanos, marketing e call centers. (OLIVEIRA, 2007).
4
O conceito de offshoring abriu possibilidades e oportunidades, principalmente para países que estão em processo de desenvolvimento de suas economias e necessitam de criar mercado interno a partir da geração de empregos. Esses empregos podem ser, boa parte deles, oriundos da infra-estrutura que oferecem, utilizada em boa parte pelas empresas internacionais. Um estudo da The McKinsey Quarterly de 2007, faz um comparativo dos principais países que oferecem condições reais de aproveitar os benefícios que o offshoring pode proporcionar, posicionando o Brasil à frente da Índia em alguns aspectos. (ver gráfico 1). Gráfico 1.
Porém o mesmo estudo aponta as deficiências do Brasil em relação a outros fatores importantes para atrair empresas que queiram estabelecer seus negócios com o conceito de offshoring no país. O nível de educação é um deles, pois segundo o estudo, de 8 a 13% dos profissionais apenas estão preparados para corresponderem às demandas dessas empresas. Fato que na China e na Índia essa relação é muito superior, devido ao nível dos profissionais com educação superior ser alto e que dominam mais de um idioma. (ver gráfico 2).
5
Gráfico 2.
Conclusão A globalização apresenta silhuetas diferentes a cada momento e os países precisam adaptar-se rapidamente, pois do contrário, ficarão de fora dos avanços tecnológicos, econômicos e, assim, perderem a possibilidade de proporcionar avanços sociais como a geração de emprego. Fica claro que existem os benefícios do offshoring para quem recebe as empresas que queiram operar no país dessa forma, mas de outro ângulo, para os países que perdem seus postos de trabalho a realidade pode ser outra muito perversa. Sem dúvida que a redução dos custos em escala, conseguido principalmente pela redução do valor real da mão de obra, faz com que muitos indivíduos possam desfrutar de serviços e produtos, uma vez que os preços estão em queda a cada dia, fato que proporciona maior consumo, portanto maior venda para as empresas.
6
Mas a dinâmica é no mínimo intrigante, pois para oferecer produtos baratos as companhias buscam mercados que ofertem mão de obra barata, para com seu ganho de produtividade, oferecer esses produtos nos centros de consumo (países ricos na maior parte), porém esses países estão perdendo parte de sua massa salarial com o desaparecimento dos empregos, consequentemente deixarão, coeteris paribus, de consumir ao nível que consomem atualmente, provocando, assim, a necessidade de mais uma mudanças na globalização.
Referências Farell, Diana. et al. Avaliando o potencial de offshoring do Brasil. The Mckinsey Quarterly, 2007. Disponível em: http://download.mckinseyquarterly.com/LA-. Acesso em: 24 de novembro de 2010. Friedman, Thomas L. O mundo é plano: o mundo globalizado do século XXI. 3 ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006. Oliveira Jr., Moacir; Gião, Paulo. Estratégia de offshoring. Revista de Administração de Empresas, RJ, Vol.6, Nº 4, Jul./Ago. 2007. Disponível em http://www16.fgv.br/rae/artigos/4923.pdf. Acesso em: 23 de novembro de 2010.
7