Cover Photo: Olivier Anquier
EDITORIAL
Olivier Anquier’s relationship with photography began in childhood, shaped by the memories of his father, a military doctor during the Algerian War (1954-1962). On the front lines, Olivier’s father became close friends with a French Army war photographer, from whom he learned framing, light metering, developing and printing. Upon returning to Paris, he set up a darkroom at home. By the age of six, Olivier was already accompanying him into the enchanted world of the darkroom, mastering the chemical process of image-making. The knowledge passed down by his father became a practical and visual legacy that would accompany him throughout his life.
At the age of 16, after leaving home, Olivier began working in a supermarket on the famous Champs-Élysées. There, he befriended the projectionist of “Boite À Films,” a traditional arthouse cinema. Driven by curiosity, he learned how to handle and project 35mm motion picture film. The work in the projection booth — repairing prints and changing reels by following the marks on the screen — proved to be a direct extension of his photographic background. The tactile handling in the dark, previously confined to developing tanks, translated perfectly into the mechanics of cinema.
Olivier never abandoned the camera. In his youth, he worked as a pigiste (freelance photographer), producing independent photo essays and offering them to Parisian newsrooms. In 1978, he covered the ecological disaster caused by the Amoco Cadiz oil tanker in Brittany, selling his photographs to the newspaper “Le Matin”. At that time, his permanent darkroom operated improvisationally in the bathroom of his apartment. He developed an eye rigorously devoted to black-and-white photography, using medium-format (6x6) cameras inherited from his father. His visual signature values natural light and a tonal softness that seeks to record reality while rejecting harsh contrasts.
On December 15, 1979, at the age of 20, he arrived in Rio de Janeiro for a one-month holiday and ultimately settled in Brazil. In order to regularize his status in the country, he became close to fashion photographer Paschoal Rodriguez in São Paulo, which paved the way for a successful modeling career between 1980 and 1984. Despite working with the leading names in advertising at the time, Olivier remained distant from studio aesthetics, saturated colors, and artificial lighting. His interest remained focused on the instinctive capture of the moment. Over the decades, he built a vast and secret body of personal work documenting, particularly the invisible characters of everyday Brazilian life throughout his countless journeys across the country. A country that shaped his gentle gaze toward its people and its immense and diverse culture.
Paulo Marcos de Mendonça Lima
Olivier Anquier
Uncle Vanya, by Anton Chekhov Parque Lage, Rio de Janeiro, Brazil 2003
Rogério Fréoes and Suzana Faini
Rogério Fréoes and Suzana Faini
Débora Bloch, Diogo Vilela, Bel Kutner and Aderbal Freire-Filho
Diogo Vilela, Bel Kutner and Aderbal Freire-Filho
Débora Bloch and Diogo Vilela
Daniel Dantas and Ida Gomes
Suzana Faini
Bel Kutner and Aderbal Freire-Filho
Rogério Fréoes and Suzana Faini
Débora Bloch and Diogo Vilela
Cast of “Uncle Vanya”
Daniel Dantas and Bel Kutner
Débora Bloch and Diogo Vilela
Débora Bloch
Débora Bloch and Bel Kutner
Bel Kutner
Débora Bloch and Bel Kutner
Débora Bloch
Ida Gomes
Daniel Dantas
Débora Bloch
Débora Bloch and Júlia Anquier
Débora Bloch and Diogo Vilela
Daniel Dantas, Diogo Vilela, Débora Bloch and Alby Ramos
Alby Ramos
Daniel Dantas, Débora Bloch and Bel Kutner
Daniel Dantas and Ida Gomes
Débora Bloch and Diogo Vilela
Débora Bloch and Júlia Anquier
Daniel Dantas
Bel Kutner and Ida Gomes
Diogo Vilela and Suzana Faini
Débora Bloch
Débora Bloch
Daniel Dantas and Diogo Vilela
Débora Bloch, Daniel Dantas, Daniela Thomas and Aderbal Freire-Filho
Daniela Thomas and Ida Gomes
Daniela Thomas and Aderbal Freire-Filho
Daniel Dantas, Daniela Thomas and Aderbal Freire-Filho
Débora Bloch and Daniel Dantas
Débora Bloch and Daniela Thomas
Cast of “Uncle Vanya”
Débora Bloch and Daniela Thomas
Daniela Thomas
Daniel Dantas, Débora Bloch and Daniela Thomas
Daniela Thomas
Daniela Thomas
Débora Bloch, Daniel Dantas, Daniela Thomas and Aderbal Freire-Filho
Débora Bloch
Daniel Dantas
Bel Kutner and Rogério Fróes
Daniel Dantas
Débora Bloch
Daniel Dantas
Rogério Fróes
Débora Bloch
Diogo Vilela
Débora Bloch and Diogo Vilela
Bel Kutner and Rogério Fróes
Alby Ramos, Suzana Faini and Daniel Dantas
Daniel Dantas, Suzana Faini and Débora Bloch
The Marginal Tire Repairman São Paulo 2000
Débora Bloch with Cuban photographer
Liborio Noval
Rio de Janeiro 2004
Elza Soares
Teatro Rival
“Piaçabeiras” Bahia
2002
EDITORIAL
A relação de Olivier Anquier com a fotografia começou na infância, moldada pelas memórias de seu pai, um médico militar na Guerra da Argélia (1954-1962). No front, o pai de Olivier tornou-se amigo íntimo de um fotógrafo de guerra do exército francês, com quem aprendeu enquadramento, medição de luz, revelação e ampliação. Ao retornar a Paris, montou um laboratório em casa. Aos seis anos, Olivier já o acompanhava no mundo encantado do quarto escuro e mágico, dominando o processo químico da imagem. O conhecimento transmitido pelo pai tornou-se uma herança prática e visual que o acompanharia por toda a vida.
Aos 16 anos, após sair de casa, Olivier começou a trabalhar em um supermercado na famosa Champs-Élysées. Lá, fez amizade com o projecionista do “Boite À Films”, um tradicional cinema de arte. Movido pela curiosidade, aprendeu a manusear e a projetar as películas cinematográficas de 35mm. O trabalho na cabine de projeção — remendar cópias e alternar bobinas guiando-se pelas marcas na tela — revelou-se uma extensão direta de sua bagagem fotográfica. O manuseio tátil no escuro, antes restrito aos tanques de revelação, mimetizou-se perfeitamente na engrenagem do cinema.
Olivier nunca abandonou a câmera. Na juventude, atuou como pigiste (fotógrafo free-lancer), produzindo ensaios de forma independente e oferecendo-os às redações parisienses. Em 1978, cobriu o desastre ecológico do petroleiro Amoco Cadiz, na Bretanha, vendendo suas imagens para o jornal “Le Matin”. Nessa época, seu laboratório definitivo funcionava improvisado no banheiro de seu apartamento. Desenvolveu um olhar rigorosamente voltado para o preto-e-branco, utilizando câmeras de médio formato (6x6) herdadas do pai. Sua assinatura visual preza pela luz natural e por uma suavidade tonal que busca registrar o real, rejeitando os contrastes agressivos. Em 15 de dezembro de 1979, aos 20 anos, desembarcou no Rio
de Janeiro para um mês de férias e acabou fixando residência no Brasil. Para se regularizar no país, aproximou-se do fotógrafo de moda Paschoal Rodriguez, em São Paulo, o que abriu caminho para uma bem-sucedida carreira como modelo entre 1980 e 1984. Apesar de trabalhar com os grandes nomes da publicidade da época, Olivier manteve-se distante da estética de estúdio, das cores saturadas e da iluminação artificial. Seu interesse permaneceu voltado para a captação instintiva do momento. Ao longo das décadas, construiu um vasto acervo autoral secreto, que documenta, em especial, personagens invisíveis do cotidiano brasileiro nas suas inúmeras viagens Brasil adentro. Um país que forjou o seu olhar doce para com o povo e sua imensa e diversa cultura.
Marcos de Mendonça Lima
Paulo
Credits
Publisher: Carlo Cirenza
Editor: Carlo Cirenza
Graphic Project: Marcelo Pallotta
Designer Assistant: Katharina Pinheiro
Text and Research: Paulo Marcos de Mendonça Lima
Translation: Bruna Martins Fontes
Acknowledgements: Carlos Leal and Barléu Edições.
1 - Suggestions, complaints and praises should be sent by email to: contact@carcaraphotoart.com
2 - Portfolios should be submitted in the following format: JPG ( 20 x 30 cm ), RGB, 300 dpi, by email to: contact@carcaraphotoart.com
ISSN 2596-3066
www.carcaraphotoart.com.br