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Tunísia Trabalhadores colocam o presidente pra correr{pág 09}

GOG - O poeta da periferia {pág 13}

Agricultura Familiar alimentos saudáveis e mais baratos {pág 06} Habitação: As aparências enganam em Hortolândia {pág 20}

1ª quinzena de Fevereiro de 2011 Edição Nº 7

R$ 0,50 solidário: R$ 1,00

Chuvas deixam Sumaré submersa População de Sumaré não aguenta mais o descaso da prefeitura {pág 04}

Condições precárias de trabalho nos canaviais de SP {pág 17} www.jornalatencao.org.br


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/opinião

Carta do leitor

onde estava vindo tanta água que entreva na nossa Vila e fomos muito prejudicado, ficamos Até quando vamos representantes e sofre- dias ilhados com a água conviver com a situa- mos muito com a chu- por toda a parte. ção de impunidade so- varada no final do ano O problema vinha cial. Somos cidadãos de 2010 e começo do do Bandeirantes I e II. sumareenses e preci- ano de 2011. Fizemos Por isso nós resolvemos samos de respeito. A reclamações para nos- divulgar nos jornais e nossa Vila estava es- sos senhores vereadores com entrevista, e nós quecida pelos nossos e nada. Mostramos de não tínhamos nada o

Assine

Queremos que o nosso jornal seja também seu, que ele seja NOSSO. Por isso convidamos você leitor a participar. Pretendemos que esse jornal seja quinzenal, por isso sua ajuda é muito importante. Assine o jornal Atenção. Procure um de nossos colaboradores ou entre em contato pelo e-mail jornal@fabricasocupadas.org.br

que fazer. E por fim chamamos a defesa civil, onde eles mostraram um interesse imenso de resolver a nossa situação. Que seria melhoria da erosão, assim graças a Deus e a luta dos moradores da Vila operária a situação está sendo resolvida. Mas não podemos aceitar que conti-

nue este empurra com a barriga, precisamos de nossos hidrômetros em cada casa, por isso precisamos de nosso documento, de nossa casa regularizada. Alessandro Rodrigues, Vice Presidente da Associação de Moradores da Vila Operária.

Nesta edição abrimos o espaço para você leitor opiniar e comentar os assuntos da nossa região. Para isso basta enviar sua carta ou email para os endereços abaixo:

O Jornal Atenção

contamos com o apoio de cada um dos nossos leitores. Este será um ano de fimuita luta. O mundo está cou um mês parado, em se sacudindo. O Brasil função do final de ano e também é bomba relógio. de reorganização. Somos Em cada fábrica, em cada um jornal independente, bairro, em cada escola a construído pelos movicada dia fica mais claro mentos da classe trabaque a situação dos trabalhadora da cidade e do lhadores ainda é muito campo e independente precária. Os ricos cada financeiramente, por isso vez mais ricos e a classe

trabalhadora com a corda no pescoço. Por isso queremos ampliar nosso jornal. Queremos garantir sua periodicidade quinzenal. Contribuía assinando o jornal, contribuía participando do jornal.

Preço do busão O reajustes das passagens dos ônibus municipais em cerca de 17 cidades brasileiras têm gerado protestos em todo o país. Estudantes e militantes de organizações estão mobilizados e protestando!

TV Flaskô O comitê de mobilização da Flaskô está constituindo uma TV na Internet. Com notícias diárias sobre o movimento das fábricas e outras. Acompanhem no site: www.fabricasocupadas.org.br

Jornal Atenção – Publicação da Associação Centro de Memória Operária e Popular - Tiragem: 5.000 exemplares Edição Coletiva Redação: Carolina Chmielewski, Josiane Lombardi, Alexandre Mandl, Fernando Martins, Bruno Rampone, Luciano Claudino, Ana Elisa, João da Silva, Luana Raposo, Batata, Pedro Santinho, Letícia Teixeira Mendonça, Cristina Alvares, Rafaela Camargo, Daniela Morais e Fátima da Silva.. Colaboração: Coletivo Comunicadores Populares, Carlos Latuff, Coletivo Miséria, MTST Acampamento Zumbi dos Palmares, MST Regional Campinas, Grupo de Teatro Cassandras, Trabalhadores Fábrica Ocupada Flaskô, Universidade Popular e Comitê pelo direito de Lutar. Fotografias: Neander Heringer, Fernando Martins, João da Silva, Luciano Claudino, Mauricio Azevedo, Nelson (Inveval) e Filipi Jordão Jesus - Telefone: (19) 3854 7798 / 3832 8831 / 3864 2624 - contato@fabricasocupadas.org.br - fabricasocupadas.org.br


/cidades 03

Setor de saúde está doente A situação da saúde em Sumaré e Hortolândia está muito precária! Em Sumaré temos um Hospital Estadual com ótimas condições para atender a população, no entanto não deixam os pacientes irem lá se tratar. É preciso primeiro

ir ao Hospital Municipal, que está sem estrutura nenhuma de atender as pessoas, e só os casos muito graves são encaminhados para o estadual. Na semana do dia 22 uma comissão de saúde irá para São Paulo pressionar o governador para que

essa situação mude. Precisamos romper com essa barreira: o hospital estadual tem que abrir suas portas à população! A mesma comissão também vai começar um processo de fiscalização nas farmácias dos postos de saúde. Muitas estão com

Campinas confirma caso de leptospirose

uma grande quantidade de remédios vencidos. Além disso, temos que combater a terceirização do setor de saúde de Hortolândia, assunto que já vem sido discutido há algum tempo e corre bastante risco de acontecer. Campinas confirmou em janeiro a primeira morte por leptospirose esse ano. A vítima é um homem de 37 anos que residia na região norte da cidade. De acordo com a secretaria, o homem havia se exposto à situação de risco a doença, transmitida pela urina do rato, pois frequentou locais atingidos pelas enchentes dos rios. Desde o início de janeiro, Campinas sofre com o aumento de chuvas, que provocaram alagamentos em diversas localidades. Pelo menos 30 famílias continuavam desabrigadas e sem a ajuda necessária da prefeitura de Campinas, já foram interdi-

tadas 161 casas, porém o problema da moradia não é sanado de forma eficiente. Neste ano Campinas já notificou 38 casos suspeitos de leptospirose, sendo que oito foram descartados e 29 aguardam resultados dos laboratórios. A Vigilância em Saúde (Visa) divulgou documento aos profissionais de saúde para que fiquem atentos aos diagnósticos precoces da doença. Em 2010 foram notificados 324 casos suspeitos de leptspirose, sendo 19 confirmados e quatro mortos. Em 2009 foram 322 notificações, com 46 confirmados e 5 vítimas fatais pela doença.


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/brasil

Chuvas fortes e descaso da prefeitura deixam Sumaré embaixo d’agua

Julia Chequer

As fortes chuvas que castigaram Sumaré no inicio do ano e a negligência da prefeitura da cidade foram os fatores para mais um caos nos bairros. Quem sofreu foi a população que mora nas margens do Córrego Pinheirinho no Jardim Alvorada e Jardim Franceschini. Já na Chácara Três Pontes, algumas residências foram invadidas pela cheia do Ribeirão Quilombo. Foram duas enchentes em menos de 15 dias, desolados os moradores protestaram e pediam as casas prometidas pelo prefeito José Antonio Bacchim (PT) durante a campanha eleitoral. Muitos ficaram ilhados dentro das residências e alguns subiam nos telhados, buscando proteção diante do nível da água e forte correnteza. Eles alegavam que a água subiu muito porque a pre-

feitura teria aberto a comporta da Represa do Marcelo. No total foram mais de 4.000 pessoas afetadas pelas chuvas e quem pediu tentou pedir ajuda nos 13 postos de atendimento de assistência social da prefeitura deu com a cara na porta. As chuvas levaram a cidade a decretar, no dia 7 de janeiro, estado de emergência. De acordo com o relatório de avaliação de danos e riscos elaborado pela Defesa Civil e secretarias municipais, as chuvas provocaram prejuízos de R$ 7,5 milhões para a cidade, onde 750 casas foram danificadas e cinco foram destruídas, três pontes sofreram danos, 6 km de via públicas ficaram avariados e foram verificados focos de erosão e Família ocupa estacionamento da Câmara de Vereadores para se proteger das chuvas problemas na rede de esgoto. As pessoas que estavam nos sem ter o problema sanado. A das. A população dos 37 bairros abrigos foram obrigados a aban- prefeitura e a Câmara dos Vere- afetados, se viu sem a quem pedonar e voltar para suas casas adores ficaram de portas tranca- dir ajuda.

NO BRASIL

A temporada de chuvas começou em 2011 e no Brasil muitas vítimas de 2010 ainda continuam sem auxilio. Em São Paulo as enchentes são diárias e o

NO MUNDO

governo estadual iniciou o teste de alerta de enchentes somente durante os temporais, o que não serviu para nada. O Estado do Rio de Janeiro voltou a sofrer

com as chuvas no mês de janeiro. A região serrana foi castigada. Os municípios de Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis já contabilizam mais de 800 mortos.

gência do Estado recebe o alerta da meteorologia quatro dias antes das enchentes. Além de anúncio em rádio e TV, eles usam até torpedo de celular para alertar a população a sair das áreas de risco. Um senhor diz que Na Austrália volume ferente por lá? foi avisado por mensade água foi quase o doMais de 50 radares ao gem de texto. E deixou bro do registrado no Rio redor da Austrália criam a casa 40 minutos ande Janeiro. Mas apenas uma espécie de anel de tes de ela ser inundada. 20 pessoas morreram. proteção para detectar Agora, aguarda que as O que as autoridades e a mudanças climáticas. águas baixem para repopulação fazem de diO Serviço de Emer- tornar.


/brasil

O que o povo ganha com a Copa 2014? Está chegando a copa do mundo no Brasil! Muita euforia, já que o país do futebol pode conseguir o hexacampeonato mundial. Haja coração pra aturar o chato do Galvão Bueno!! Mas, falando sério: quem é que ganha num evento como a Copa ou as Olimpíadas? Será que o Brasil ganha como um todo ou só alguns privilegiados é que faturam com essas coisas? Em qualquer lugar (seja rico ou pobre) uma Copa do Mundo gera uma grande movimentação da economia, pois são necessárias muitas e grandes obras como estádios, hotéis, avenidas, aeroportos, ferrovias, metrôs, etc. Aparentemente todos ganham: muitas obras = muitos empregos. Mas não é bem assim. Estudos mostram que praticamente todas as cidades que sediaram jogos nos últimos anos saíram com dívidas imensas, pagas sempre pelo povão logo depois dos eventos. E os problemas começam antes mesmo da bola rolar!

Abrindo passagem para as grandes obras estão previstos milhares de despejos nas cidades-sede e também em regiões que abrigarão as delegações e treinamentos, como é o caso de Campinas. É claro que não vão despejar ninguém em Barão Geraldo ou no Cambuí. É o povo mais pobre que paga essa conta. Quer um exemplo? Em 1988, nas Olimpíadas de Seul (Coréia do Sul), 48 mil prédios foram destruídos e 15% da população da cidade ficou desabrigada. Imagina só o que vem por aí... Outra conta que os pobres vão pagar é a da reforma de estádios. Ao todo o governo, através do BNDES, irá dar de mão beijada 4 bilhões e 800 milhões de reais para os clubes. E nós ganhando R$ 510. Vergonha! Iremos acompanhar os (d)efeitos da Copa e das Olimpíadas no Brasil. Mas uma coisa já da pra adiantar: nenhuma vantagem pros trabalhadores. Haja coração!!

Protestos contra o aumento da passagen de ônibus Muitas manifestações acontecem em todo o Brasil contra o aumento das passagens de ônibus. Na cidade de São Paulo o aumento é vigente desde o dia 5 de janeiro. A ação é organizada pelo Movimento Passe Livre de São Paulp (MPL-SP), com apoio de entidades, sindicatos e organizações políticas. A MPL defende uma concepção de transporte público baseada na participação popular na tomada de decisões e na universalidade do acesso, através da

gratuidade. Neste início de 2011, o MPL já realizou duas manifestações: O protesto do dia 13 foi violentamente reprimido pela Polícia e resultou em 10 feridos e 30 militantes presos. Em Campinas o aumento foi de 9,62% saltando de R$ 2,60 para R$ 2,85. O passe escolar passa de R$ 1,06 para R$ 1,14. A cidade de Sumaré não ficou de fora, também reajustou a passagem este ano. O valor subiu de R$ 2,20 a R$ 2,50.

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Brasileiros consomem mais bebidas e menos arroz e feijão O brasileiro está comprando menos arroz e feijão. A aquisição média anual per capita dos produtos, tradicionais na alimentação nacional, teve queda entre os anos de 2003 e 2009. O arroz caiu 40,5%, tendo passado da média de 24,5 para 14,6 quilos por pessoa ao longo de um ano. Já o feijão, teve redução de 26,4%, passando de 12,4 para 9,1 quilos. A aquisição de açúcar refinado também diminuiu 48,3% (de 6,1 para 3,2 quilos) no período. Por outro lado, houve aumento na compra de refrigerante de cola (39,3%, de 9,1 para 12,7 quilos), água mineral (27,5%, de 10,9 para 13,9 quilos) e cerveja (23,2%, de 4,6 para 5,6 quilos). O levantamento revela que o arroz e o feijão também perderam participação relativa entre os itens tradicio-

nais na composição do total médio diário de calorias consumido pelo brasileiro. No caso do arroz, a contribuição passou de 17,4% para 16,2%; já o feijão reduziu sua participação no prato do brasileiro de 6,6% para 5,4%. De acordo com a nutricionista clínica Vânia Barberan, o problema do consumo excessivo de produtos industrializados está diretamente relacionado à maior ingestão de açúcares e gorduras. “Há todo um mito de que o arroz engorda, então muita gente deixa o prato de lado e acaba substituindo por outros alimentos que engordam muito mais. Com isso, a associação arroz e feijão é desfeita e o brasileiro acaba comendo menos feijão também, já que não tem o hábito de ingerir o alimento puro ou com pão, por exemplo”, explicou.


06

/campo

Agricultura Familiar garante alimentos saudáveis e baratos para a população

A falta de alimentos na mesa dos brasileiros é um problema deixado de lado pelos governantes. No país, a fome é ainda um grande problema social: cerca de 30 % dos domicílios sofre com a falta de alimentos.O problema aumenta na medida que o governo financia o agronegócio para a exportação de matéria-prima a países do mundo inteiro, ao

invés de investir na produção de interna de alimentos. A agricultura familiar se apresenta como uma solução pra a questão alimentar, com a produção de alimentos de qualidade e mais baratos para o padrão de vida dos brasileiros, além de gerar empregos e renda no campo. Segundo censo agropecuário realizado em

Durante a primeira quinzena de janeiro de 2011, cerca de 1000 pessoas se mobilizaram em ocupações de terras no estado de São Paulo. Estas ocupações ocorreram nos municípios de Castilho, Cafelândia e Serrana e exigiam agilidade na desapropriação de terras improdutivas e cujos donos devem impostos ao Estado. O MST afirma que essas ações são necessárias, pois a Reforma Agrária está paralisada. Enquanto isso, a terra permanece 2006 pelo IBGE (Instituconcentrada nas mãos do agronegócio to Brasileiro de Geografia e Esta- e dos latifundiários. Isso é parte de um tística), a agricultura fa- modelo agrícola que mata pessoas de miliar representa 84,4% da agricultura brasileira, ocupando 24,3% das terras cultivadas no Brasil. Atualmente 75% da produção dessa área cultivável vão para as mesas dos brasileiros, garantindo alimentos mais baratos, com qualidade e sem agrotóxicos.

Assentamentos do MST produzem alimentos para as cidades da região Os assentamentos do MST produzem grande quantidade de alimentos para o abastecimento da cidade. Existe um Programa de Aquisição de Alimentos chamado Doação Simultânea. Esse programa do governo compra alimentos produzidos em assentamentos de Reforma Agrária e os distribui para entidades assistenciais. Os assentamentos Elizabeth Tei-

Reforma Agrária paralisada

xeira em Limeira e Milton Santos em Americana entregam alimentos para esse programa que garante a alimentação da população local. São hoje beneficiados pelo projeto 99 produtores e 11080 consumidores, organizados por 17 entidades assistenciais. Logo, mais assentamentos na região significam mais alimentos na mesa do trabalhador da cidade.

tanto trabalhar nos canaviais, envenena os alimentos tornando o Brasil o principal consumidor de agrotóxicos do mundo, destrói as áreas de reservas legais e áreas de preservação permanente. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, fazer a Reforma Agrária no Brasil não significa somente resolver o problema social das famílias sem terra, mas também a mudança do atual modelo de desenvolvimento do campo - insustentável ambientalmente, com intensa exploração dos trabalhadores e dependente economicamente do capital internacional.

Família Sem-Terra ocupam fazenda de usina caloteira

Na madrugada de 05 de janeiro de 2011 cerca de 250 integrantes do MST ocuparam a Fazenda Martinópolis, que pertence à Usina Nova União situada no município de Serrana – SP, na região de Ribeirão Preto. Participaram da ocupação famílias sem terra das regiões de Campinas, Grande São Paulo, Vale do Paraíba e ribeirão Preto. A ocupação reivindica o

assentamento das famílias do Acampamento Alexandra Kollontai, que existe desde 22 de maio de 2008. A Usina Nova União tem uma dívida de cerca de 300 milhões de reais por sonegação de impostos. Além de sofrer processos trabalhistas e multas ambientais. Até hoje, a Usina ainda não pagou os salários e os direitos trabalhistas do ano de 2010 de mais de 600 funcionários.


/direitos 07

Juiz diz que fator previdenciário é inconstitucional A 1ª Vara Federal Previdenciária em São Paulo considerou o fator previdenciário inconstitucional. A decisão, tomada pelo Juiz federal Marcus Orione Gonçalves Correia, se deu por conta de uma ação movida por um segurado contra o INSS. Na opinião do juiz que analisou o assunto, o fator previdenciário utilizado na obtenção de benefícios, como a aposentadoria por tempo de contribuição, exige requisitos que dificultam o acesso ao próprio direito do benefício. O Juiz entende que se a Constituição Federal não limitou a idade para

os trabalhadores se aposentarem por tempo de contribuição, não pode uma lei inferior à ela prejudicar o trabalhador. Entendeu também o Juiz que o fator previdenciário é um retrocesso social, o que não é admitido pela Constituição. Parabéns ao Juiz pela importante decisão! A decisão serve apenas para a parte que entrou com a ação. Mas é um importante precedente para os trabalhadores. Se a ação chegar ao STF e esse também entender inconstitucional o fator previdenciário pode se estender a todos os trabalhadores.

O que é o fator previdenciário O Fator Previdenciário é uma equação utilizada pelo governo para calcular o valor da aposentadoria dos segurados do INSS. Ele leva em consideração o tempo de contribuição, a idade e a expectativa de vida do aposentado ao definir o valor da aposentadoria. Aprovado pelo governo FHC, o Fator Previdenciário reintroduziu a aposentadoria por idade, mas de acordo com a idade estipulada pelo governo. Na letra da lei, para evitar a redução no valor da aposentadoria, o trabalhador precisa trabalhar mais tempo. Continuaremos lutando pelo fim do Fator Previdenciário, para que o trabalhador receba integralmente sua aposentadoria.

Lançado o “Relatório Direitos Humanos no Brasil - 2010”

as ações afirmativas para afrodescendentes no sistema de ensino brasileiro, as violações cometidas pela ex-estatal e hoje transnacional Vale, a atuação do Banco Mundial e o tema da migração. Na última semana foi lançado pela Os 26 artigos que compõem a obra Há, ainda, um balanço sobre a situação “Rede Social de Justiça e Direitos Hu- dão um panorama abrangente dos di- dos direitos reprodutivos em 2010 e manos” a 11ª edição do relatório Direi- reitos humanos no país ao longo dos úl- uma avaliação dos quatro anos da imtos Humanos no Brasil, em São Paulo. timos anos, e, principalmente em rela- plementação da Lei Maria da Penha. O livro, publicado anualmente, apre- ção à situação de 2010. Política agrária, Questões relacionadas à segurança púsenta um amplo panorama dos direitos direito ao trabalho, à infância, questão blica também são tratadas na publicahumanos no país e conta com a contri- GLBT, indígena, quilombola e trabalho ção, como em artigo que defende uma buição de cerca de 30 organizações so- escravo estão entre os temas tratados política de segurança fluminense penciais. pelos autores. A obra também aborda sada para além das Olimpíadas de 2016

e texto que analisa a bomba-relógio que é o sistema prisional brasileiro. Além da radiografia e balanço das violações, a obra traz um artigo de Aton Fon Filho, advogado e diretor da Rede Social, sobre a vitória da mobilização e da advocacia popular em dois casos emblemáticos de violações de direitos humanos - o assassinato da irmã Dorothy Stang, no Pará, e a explosão em uma fábrica de fogos de artifício em Santo Antônio de Jesus, na Bahia. Para acessar e baixar o relatório veja em: www.social.org.br


08

/mundo

Grécia volta a pegar fogo!

Trabalhadores voltam a parar as ruas na Grécia. O governo anunciou que vai cortar a verba que garantem muitos direitos públicos por lá. O governo começou quer aprovar um corte nos salários dos trabalhadores das

empresas estatais. Também querem aumentar a força dos patrões nas negociações com os trabalhadores. Quem vai se ferrar? Os trabalhadores. Contra essas medidas os trabalhadores param os ônibus públi-

cos em todo o país. O metrô ficou parado por seis horas. Os funcionários da emissora estatal ERT participaram da greve. Os trabalhadores do banco estatal ATEbank fizeram 24 horas de paralisações.

O Estado de Israel começa a destruir casas de pobres na Palestina

Depois de mas- tado de Israel comesacrar os pobres na ça a destruir as casas faixa de Gaza, o Es- de palestinos pobres.

Primeiro começaram a arrancar as terras de palestinos pobres na faixa de Gaza. Depois começaram a avançar para tirar palestinos de todo o território. Por causa disso começaram a destruir as casas. Um fazendeiro palestino observa um prédio demolido pelo Exército israelense na aldeia de Jiftlik, norte de Jericó

Ataques contra o WikiLeaks

Dia 28 de novembro o site WikiLeaks começou a publicar documentos confidenciais de embaixadas americanas de todo o mundo. Como ele era hospedado em um provedor americano, dia 03 de dezembro o site foi tirado do ar. 6 horas depois conseguiram voltar ao ar hospedando o site em um provedor suíço. Quatro dias depois (7 de dezembro) o criador do site, Julian Assange, foi preso em Londres acusado por crimes sexuais. Ele nega as acusações de ter feito sexo sem o consentimento da parceira, mas assume a acusação de ter feito sexo sem camisinha - o que é crime na Suécia. No entanto, ativistas que defendem o WikiLeaks afirmam que a prisão está diretamente ligada ao vazamento dos documentos. Uma das evidências é o recente boicote das empresas Mastercard e

Visa. Depois que o site começou a pedir doações on-line para continuar suas atividades, as operadoras de cartão de crédito anunciaram a suspensão dos pagamentos feitos ao WikiLeaks. Além disso, o banco suíço Postfinance fechou a conta de Assange. Como resposta a esse boicote um grupo de hackers conseguiu deixar os sites da Mastercard, do banco Postfinance e do escritório de advogados que acusam Assange fora do ar por alguns períodos. O grupo alega estar lutando pela "liberdade na internet" e contra a censura. Dia 16 de dezembro o tribunal de Londres tomou a decisão de permitir que Assange aguarde o processo em liberdade. Para isso teve que pagar uma fiança de R$ 200 mil libras (aproximadamente 532 mil reais).

O que é o WikiLeaks? WIKI = palavra havaiana que significa “muito rápido” LEAKS = palavra em inglês que significa “vazamentos” WikiLeaks é um site sem fins lucrativos criado por Julian Assange em 2007. Sua meta é trazer notícias e informações importantes à público. Seu princípio mais amplo é a defesa da liberdade de expressão e de publicação, a melhoria do nosso registro histórico comum e o apoio aos direitos de todas as pessoas criarem uma nova história. O site recebe informações anônimas, investiga sua veracidade e publica. Ficou famosa por revelar documentos confidências de diversos países.

O que diz o fundador? “Há a questão sobre que tipo de informação é importante para o mundo, que tipo de informação pode gerar uma reforma. E há muita informação. Então as informações que organizações estão fazendo um esforço econômico para esconder, isso é um bom sinal de que quando essa informação estiver disponível, há uma esperança dela fazer algo bom.” – Julian Assange ASSINE A PETIÇÃO PELO FIM DOS ATAQUES AO WIKILEAKS: http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?vl


/mundo

Trabalhadores da Tunísia botam o presidente pra correr O presidente-ditador da Tunísia, Ben Ali, estava a 23 anos no poder. Apesar da maioria das pessoas acharem que as coisas estavam erradas e que os políticos eram corruptos, elas não viam como podiam mudara situação. No ano de 2009 a crise econômica pegou feio no país e muita gente foi demitida . Os patrões avançaram pra tirar direitos dos trabalhadores e os salários ficaram ainda mais baixos . O povo começou a sair na rua e a polícia desceu a borrachada. A situação ficou ainda pior

depois que um jovem de 26 anos, que trabalhava de ambulante, tacou fogo em si mesmo porque a polícia tinha tomado a sua barraquinha. As pessoas começaram a ter mais medo da miséria do que da morte. Foram pra cima da polícia. O presidente-ditador mandou o exército matar a população, mas o exército disse “não” e ficaram do lado do povo. Nesse dia, 14 de janeiro de 2011, Ben Ali foi obrigado a sair fugido do país. A população está tentando se libertar desses parasitas e construir na prática um mundo melhor.

O sistema de saúde nos EUA consegue ser pior que o do Brasil Congresso dos EUA querem tirar a proposta da reforma da Saúde. A proposta era universalizar a saúde para os americanos. A Saúde nos EUA é ainda pior que no Brasil, quem não tem dinheiro pra pagar, morre e quem tem algum dinheiro é enganado pelos convênios médicos que fazem de tudo

para não gastar um tostão. Os congressistas tiveram a cara de pau de dizer que o problema das dívidas do Estado Americano é este projeto de reforma da Saúde. Mas em dois mil e nove o congresso aprovou dar de mão beijada 1,45 trilhões de dólares pra salvar os banqueiros.

O povo se levanta contra a fome e o desemprego

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/juventude

Novela Malhação: Quais seus verdadeiros objetivos Malhação é a novela de fim de tarde da Rede Globo. Seus produtores têm como público principal os adolescentes e jovens, e a novela aborda geralmente temas relacionados a esse público. Porém o que a Rede Globo não expõe de fato é o caráter elitista dessa novela, já que o seu principal objetivo é criar na juventude

que assiste ao programa uma mentalidade que favorece medidas conservadoras, além de vender estilos que estão na moda. Malhação serve para convencer o jovem brasileiro de como ele deve se vestir, se comportar, se relacionar, em resumo, a lógica que impera é a da ditadura da beleza. A periferia nunca é mostrada na novela,

COMO TRATA SEUS TEMAS? Geralmente temas polêmicos são abordados. Nas últimas semanas pôde-se ver alcoolismo, eleições e homossexualismo, porém esses temas são explorados de maneira superficial e se colocam como coisas passageiras de fácil solução. O problema com o consumo de bebidas alcoólicas é resolvido simplesmente com a total negação do consumo, não com a estratégia de um consumo consciente, e a

grande propaganda que incentiva esse consumo é deixada de lado. No caso dos relacionamentos homossexuais, o que se mostra é o problema do preconceito no cotidiano, que para o programa pode ser combativo com a participação das pessoas em passeatas contra a homofobia, mas as grandes lutas dos homossexuais pelos seus direitos e as pequenas ações do dia a dia que podem ser encaradas

não existem pobres trabalhadores que sofrem diariamente com a exploração dos patrões, não existem estudantes que pegam ônibus lotados todos os dias para irem à escola, ou seja, as verdadeiras relações de opressão não aparecem na tela da televisão, e a imagem de juventude que é mostrada todos os dias não confere com a realidade das ruas. como homofóbicas, como piadinhas e apelidos não são levados em consideração. No caso da corrupção em eleições, o problema é mais fundo, pois o corrupto ganha as eleições e resta à personagem pobre da novela apenas lamentar, ao invés de mostrar atitudes de revolta que seriam importantes nesse tipo de caso. A novela global Malhação serve então como um instrumento de reafirmação da classe rica, passando todos os dias na televisão e vendendo a imagem de novela jovem que serve para conscientizar a juventude.


suplemento Infantil

Jornal

Que nome deve ter a parte infantil do jornal atenção? Mande sua sugestão de nome para revistamiseria@yahoo.com.br com o título sugestão de nome.


fazendo arte

Quadrinho coletivo feito por todos os participantes do curso de Hist贸ria em Quadrinho que acontece todas as quintas-feiras, as 15h, na F谩brica de Esporte e Cultura da Flask么


LIGUE OS PONTOS

`

o que e, o que e? `

1-Que tem rabo de porco, mas não é porco. Pé de porco mas não é porco. Costela de porco, mas não é porco? 2-Quando dizemos o seu nome, ele deixa de existir? 3-Que é pequeno como rato mas cuida da casa como um leão? 4-Que quando anda vai deixando uma trilha para trás? RESPOSTAS: 1. Feijoada - 2.O silêncio 3. Cadeado 4. Agulha

Jaime de Endereço: Av. Engº 55 - Pq. Ulhoa Cintra, nº 23 Bandeirantes @hotmail. Contato: joaomsm 3864-3491 com - 3832-8831 (Carolina)


fazendo arte Resposta: 1- óculos do segurança; 2 - placa na vitrine; 3 - pé da menina; 4 - orelha do Papai Noel; 5 - botão da camisa do segurança; 6 - costas do menino; 7 - gravata do homem.

sete erros


/fábrica de esporte e cultura

11 09

Encontro em defesa da classe trabalhadora Nos dias 11 e 12 de dezembro aconteceu o “Encontro em defesa da classe trabalhadora” na fábrica ocupada Flaskô. Sábado houve a apresentação da peça “A Exceção e a Regra” (veja a matéria) e da banda “Somo Black”. Diversão e sucesso total! E no domingo foi discutida a importância dos grupos que pensam comunicação, educação e cultura e dos movimentos sociais caminharem juntos para que possamos crescer em termos de discussão e atividades de

melhor qualidade. A partir do ano que vem serão marcadas reuniões mensais de um comitê de mobilização permanente para que possamos estar juntos de uma forma mais contínua. Além disso foi discutida a desapropriação do espaço da Fábrica de Esportes e Cultura, para que ele tenha autonomia e receba mais ajuda da Secretaria de Esportes e Cultura. Os presentes no encontro manifestaram apoio a esta posição.

Há mais de sete anos, depois de abandonada pelos antigos proprietários, a fábrica de embalagens plásticas Flaskô, em Sumaré, no interior de São Paulo, foi ocupada pelos trabalhadores, como forma de garantir seus postos de trabalho. O livro-reportagem relata as histórias de vida desses que, lutando para pagar as dívidas da antiga administração - que somam mais de 110 milhões de reais – reivindicam a estatização da fábrica pelo Governo Federal. Para concretizar esse sonho, organizam protestos e estabelecem alianças com outros movimentos sociais. Na tentativa de equilibrar pendências financeiras e o pagamento dos próprios salários, enfrentam o Estado, a Justiça e a opinião pública.

ADQUIRA O LIVRO flaskô: fábrica ocupada Entre em contato e saiba como adquiri seu exemplar Telefone: (19) 3854 7798 / 3832 8831 / 3864 2624 - contato@fabricasocupadas.org.br ou compre pelo site: www.livrariamarxista.com.br


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/artes Coletivo Miséria: Para ler mais charges entre em miseriahq.blogspot.com Para ler mais tirinhas entre em tirasdamiseria.blogspot.com

Peão Eu sou peão Peão de fábrica De mão calejada E de sapatão Eu sou peão Peão da máquina Que suja de graxa A produção Eu sou peão Peão que rala Por horas diárias Batendo cartão Mas antes de nada Eu sou peão Peão da fábrica Que a peãozada Fez ocupação Eu sou peão Peão que fala E que acha graça Do fim do patrão Eu sou peão Peão que marca O fim da desgraça Da exploração Eu sou peão E antes de nada Sou filho das massas Da revolução

Autor: um trabalhador da Flaskô


/mundo

Agenda Cultural

07 de Fevereiro Exposição “Exclusões sociais: massas humanas em êxodo” “Reproduções de 60 fotos do fotógrafo Sebastião Salgado, retratando pessoas de todos os continentes em êxodo”. Na biblioteca setorial do Campus I da Puccamp segunda à sexta, das 8h às 22h grátis! GRÁTIS Fotografia Digital Para Esportes De Ação POSTADO POR TICO QUINTA-FEIRA, 6 DE JANEIRO DE 2011 Este é um evento bimestral no SESC, que junta artes visuais, tecnologia e literatura: Exposição do Espaço Arte-Mídia de 8/jan a 28/fev - terça a sexta, das 14h às 21h30min; sábado e domingo, das 10h às 18h Neste edição apresentaremos os trabalhos de RENATO GONÇALVES e PAULA PEDROSA, fotógrafos de esportes radicais que utilizam equipamentos digitais para criarem seus trabalhos. Inscrições para os grupos artísticos da PUCCAMP POSTADO POR TICO QUARTA-FEIRA, 5 DE JANEIRO DE 2011

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GOG – o poeta da periferia Genival Oliveira Gonçalves, ou apenas GOG é raper e escritor do Distrito Federal. Com uma carreira de mais de 20 anos, participou do início do movimento Hip Hop brasileiro, quando junto com a dupla paulistana, Thaíde e DJ Hum, estabeleceu uma conexão com vários estados, com o objetivo de integrar o RAP nacional. Morador da cidade satélite de Guará, GOG sempre se preocupou nas suas letras em falar do cotidiano de jovens que têm que enfrentar até 60 km em ônibus lotados para irem trabalhar, da influencia dos “gringos” no Brasil, da corrupção no planalto e da periferia, que para o raper tem que estar sempre unida. A

aproximação com a literatura marginal e os movimentos culturais são essenciais para a sobrevivência do texto e do teor evolutivo do Hip Hop, segundo Gog, que estreita alianças com vários ativistas: Sérgio Vaz, Cooperifa, Férrez, 1daSul, Nelson Maka, Coletivo Blackitude, Alessandro Buzo, Suburbano Convicto e Sacolinha Graduado, entre vários outros. Os movimentos sociais também se aproximam, como MST, MSTL, Ação Educativa passam a ser parceiros de seu trabalho. Em setembro de 2010 lançou o seu primeiro livro, intitulado A Rima Denuncia, que traz 48 letras de rap de diversas fases de sua carreira

Já estão abertas as inscrições para os grupos da PUCCAMP, que “oferece(m) atividades de dança, coral, teatro, música de câmara e big band. As inscrições são abertas para pessoas da PUCCampinas ou da comunidade externa”. Pegue mais informações no site do Centro de Cultura e Arte (CCA). O período de inscrição vai até dia 18 de março e a participação é gratuita.

Trabalho feito em uma moto

”Comeceu a fazer pinturas depois que conheci o graffit. E aí tava difícil arranjar trampo, queria arranjar um jeito de ganhar um dinheiro e comecei fazer. Fui fazendo um trampo pra um mano aqui outro ali e fui me aperfeiçoando do graffit a aerografia, e fui fazendo os trampos por aí, crescer e fazer uma imagem melhor, quanto melhor a arte for mostrada, melhor será o futuro”. Vacon art


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/fábricas ocupadas

2011: Preparar a Luta para levar a Flaskô a vitória Os trabalhadores da Flaskô realizaram em dezembro um importante encontro discutindo as perspectivas para a classe trabalhadora e os caminhos para a vitória. Com a presença de companheiros do MST, do MTST, do Sindicato dos Químicos, do Sintusp, de estudantes, trabalhadores de diversas fábricas. Foi discutida a luta contra a criminalização dos movimentos Sociais. O companheiro Gegê explicou a necessi-

dade de ampliar a unidade na construção dos comitês pelo direito de lutar. Membro da Comissão de Fábrica da Cipla, Serge Goulart explicou a necessidade de retomarmos a luta contra a intervenção na Cipla e Interfibra. No domingo uma comissão de estudantes, artistas e trabalhadores discutiram a ampliação da luta na Fábrica de Cultura e Esporte além de organizarem para planejamento para o ano de 2011.

As ameaças continuam contra a Flaskô

Gegê explicou a necessidade de ampliar a unidade na construção dos comitês pelo direito de lutar

Fábricas Ocupadas realiza seminário na Flaskô

Por iniciativa da Flaskô foi realizado um seminário em 15/01 para discutir a formação dos militantes e a cons-

O inicio do ano foi marcado por um série de informações judiciais que colocam os trabalhadores da Flaskô em alerta. Há rumores de que os antigos patrões passam a pensar como retomar sua fábrica, inclusive aqueles ligados ao Grupo Tigre, além de medidas de criminaliação contra os dirigentes da Flaskô. Assim foi discutida a organização de uma Caravana a Brasília para debater com a Presidente Dilma

Rousset a luta do movimento das fábricas ocupadas. Este ano é necessário avançar em conquistas, Pedro Santinho, do conselho da Flaskô, afirmou: “Precisamos unificados os movimentos com uma pauta mais ativa. Neste ano precisamos impor a estatização da Flaskô. Precisamos impor uma lei de anistia a todos os trabalhadores e militantes dos movimentos que retirem todos os processos de criminalização.”

trução da unidade das lutas dos movimentos sociais, do sindical ao estudantil, passando pelo MST e MTST, e outros movimento de moradia, além do Movimento dos Trabalhadores Desempregados. A atividade decidiu

uma séria de encaminhamentos. O primeiro deles foi a ampliação do comitê de mobilização da Flaskô com reuniões mensais. O jornal atenção publicará no próximo jornal um encarte especial com as decisões.

Estatização da Flaskô através da desapropriação municipal Foi também informado e discutido a necessidade de se amplicar a luta pela declaração de interesse social da Flaskô, da Vila Operária e da Fábrica de Esporte e Cultura. Principalmente porque o próprio prefeito de Sumaré Bachim afirmou que é viavél, mesmo que não tenha tido ”coragem” de adotar a medida. Por isso foi decidido amplificar a pressão.

A declaração de interesse social é a forma da prefeitura da o primeiro passo para salvar a Flasko e os empregos dos trabalhadores. E também iniciar o processso de regularização da Vila Operária e Popular, além é claro de transformar a Fábrica de Cultura num verdadeiro centro cultural municipal controlado pelos trabalhadores.


/vila operária

Água uma necessidade básica Há cinco anos a Vila Operária se ergue com o suor dos seus moradores. Mas pouco, ou quase nada é feito pela prefeitura de Sumaré. Em junho do ano passado foi aprovado a implementação da rede de água e esgoto, mas até o momento o DAE se

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Prefeitura precisa canalizar córrego na Vila Operária Durante este período de chuvas diversas casas foram ameaçadas por conta da chuva e da falta de redes pluviais na região. A secretaria de obras iniciou um trabalho com aterro e diminuição do assoreamento do córrego. Mas os moradores entendem que é necessário mais. Por isso esta luta está em pauta.

esconde e nada faz. Por isso, na semana do dia 12 de fevereiro os moradores estão se organizando para cobrar providencias. Já se ouve por ai. “O prefeito que se cuide. Por não podemos mais esperar.”

Regularização pode ser feita por desapropriação Muito se tem por fazer, de acordo com Neusa, moradora da Vila Operária. O Prefeito Bacchim prometeu uma solução. Nós sabemos que a regularização pode se feita imediatamente com o prefeito aprovando um decreto de interesse social para

Moradores da Vila Operária devem lutar e reivindicar a regularização do bairro

a posterior desapropriação. Queremos que o prefeito escute, nós não vamos desis-

tir e ele não pode se esconder, porque nos conhecemos as leis e nossos direitos


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/trabalho

Operários estão sendo Trabalhadores Químicos maltratados em Sumaré de Campinas e região querem luta

Existe uma fábrica chamada ACR que produz componentes para eletrodomésticos, com cerca de 150 trabalhadores na sua grande maioria mulheres. O Jornal Atenção tem acompanhado bem de perto o dia a dia ali. Há pouco tempo atrás as operárias tiveram a iniciativa de realizar uma greve por melhores condições de trabalho, os colaboradores do Jornal estavam lá e ficaram indignados com o que está acontecendo. Aqueles que ainda estão em experiência não recebem vale transporte nos três primeiros meses, os vestiários e ba-

nheiros não suportam a quantidade de trabalhadores, não há um espaço para que eles possam se alimentar na hora do almoço, quem não faz horas extras convivem com a ameaça de demissão, constrangimentos, algumas mulheres já desmaiaram algumas vezes por falta de ventilação nos dias de calor e várias outras coisas. Nessa greve as exigências foram: o pagamento mais justo de PLR, a construção de vestiários e banheiros, ventilação no galpão e estabilidade de emprego por 3 meses, ninguém poderia ser demitido nesse período,

um acordo foi assinado com tudo isso e a greve foi vitoriosa. Mas os patrões da ACR já descumpriram o acordo que assinaram com sindicato dos metalúrgicos, já demitiram 2 trabalhadores. O Jornal entrou em contato com o sindicato, e a única coisa que fez foi dizer para os operários demitidos irem ao setor jurídico para ver quanto tem pra receber de direitos trabalhistas, enquanto os trabalhadores e trabalhadoras pedem uma nova greve, afinal, há muita demissão lá e amanhã ou depois mais cabeças vão rolar.

Diversos trabalhadores do ramo químico da região de campinas têm discutido a importância de se iniciar agora mesmo uma campanha na base pelas 40 horas semanais. Esta pauta foi discutida na última assembléia da campanha salarial em novembro. No ano passado a categoria teve avanços. Mas o crescimento para os patrões foi muito maior. Por isso a categoria que iniciar no mês de março a luta pelas 40 horas, sem redução da jornada.

Eleição da diretoria neste ano Os trabalhadores da Flaskô estão propondo uma reunião ampliada com todos os trabalhadores para discutirem as necessidades de nossa categoria. Carlos Donizeti disse “Na Flaskô trabalhamos 30 horas. Acho que todo o patrão tem que aceitar pelo menos 40 horas. É o mínimo do direito com o sábado livre”. Tam-

bém foi dito que é necessária muita luta, não aceitar conversinha de patrão e nem dinheiro deles, pois assim nossa luta fica amarrada. A categoria precisa se unificada por 40 horas, por aumento real. Por estabilidade no emprego. Afirmou Pedro Santinho, da comissão de fábrica da Flaskô.


/trabalho

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Estudo mostra condições precárias de trabalho nos canaviais paulistas Um estudo feito pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostra que as condições de trabalho nas lavouras paulistas de cana-de-açúcar são precárias. A pesquisa tomou como base as inspeções coordenadas pela Vigilância Sanitária Estadual. De acordo com o levantamento, o trabalho de corte na maioria das lavouras de cana-de-açúcar ainda é feito manualmente, repetitivo e exaustivo. O trabalhador é submetido, a cada um minuto trabalhado, a 17 flexões de tronco, e tem de aplicar 54 golpes de facão. O estudo mostra também que não há sombra nos canaviais e o trabalhador não se hidrata adequadamente. Por dia, são cortadas e carregadas, por empregado, em média, 12 toneladas de cana, e percorrido um percurso de quase 9 quilômetros. O levantamento constatou que, no fim de um dia de trabalho, o cortador perde 8 litros de água. Quanto à alimentação, os empregados não

dispõem de local adequado para as refeições, que são acondicionadas e servidas em recipientes inadequados. Segundo a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), que representa os usineiros, já houve me-

Empresas fechadas e são a cemitérios de postos de trabalho Assim como uma fazenda improdutiva, abandonada, tem que ser tomada do dono e passada a trabalhadores através da reforma

agrária, as empresas abandonadas também devem ser tomadas e algo de útil deve ser feito. Deve ser feito por quem? Pelo po-

der público, prefeitos, governadores ou presidente! Fazendo reformas urbanas, desapropriando, tirando dos donos e passando para quem vai trabalhar, e até mesmo criar moradias populares. Imagine se cada empresa que ficar abandonada for trans-

lhorias no setor, o índice de corte sem fogo cresce a cada ano, como determina um protocolo agroambiental, assinado em 2007 pelo setor sucroenergético e o governo do estado de São Paulo.

formada em associações, cooperativas, espaços culturais, espaços esportivos, áreas de lazer, escolas, creches, hospitais, etc. Algo que seja realmente útil para população e não ruínas e abandono que causa insegurança e ocasionam assassinatos, depósitos

“O Protocolo prevê o fim da queima, e consequentemente do corte manual de cana em São Paulo, até 2014”, completou representante da instituição. (Fonte: Agência Brasil)

de produtos roubados, estupros, consumo de drogas. O pior que as leis estão aí e governos podem fazer essas reformas urbanas. O problema é que elas continuam fechando suas portas e os governos não fazem nada, só aqui na nossa re-

gião podemos apontar várias empresas que estão abandonadas há muito tempo como: Adere, Minasa, Granja Ito, Soma, Tema Terra e outras milhares espalhadas pelo Brasil. Quando andar por aí repare quantas empresas você vê abandonada.


14 /galeria LUTA - TUNÍSIA 2011

A juventude se revoltou contra a situação lutando por uma vida digna

A população passou a temer mais a miséria do que a morte

O presidente-ditador Ben Ali. Ele não lembra os


O jovem trabalhador que tacou fogo em si mesmo. O presidente ditador teve a cara de pau de visitĂĄ-lo

polĂ­ticos brasileiros??


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/Moradia

Hortolândia: as aparências enganam

Big Brother da Unicamp Durante o ano de 2010 a Unicamp instalou centenas de câmeras filmadoras pelo seu campus, o objetivo segundo a reitoria é melhorar a segurança. Porém alguns pontos da universidade continuam pouco iluminados e sem seguranças, como a região próxima à Casa do Lago, um dos principais acessos a Cidade Universitária II. Neste

ano a política de vigilância continua, a reitoria começou a reformar a Praça Henfil, praça que dá acesso ao restaurante universitário (bandejão) pela Avenida Dois. A reforma consiste no desvio da ciclovia que antes passava pelo meio da praça, para que agora passe ao seu redor. Para quem não sabe, a ciclovia da Unicamp data do início de 2007, ou seja a Unicamp

Hortolândia aparece como uma das quatro cidades do Brasil que melhor implantaram o Plano Municipal de Habitação de Interesse Social. Mas calma lá: quer dizer que as casas de cerca de 30m² que estão sendo construídas para os moradores do Jardim Estrela são exemplo? Algo deve estar errado... E mais: o prefeito Ângelo Perugini, conhecido como um cara do povo, promete milhares de casas populares através do programa “Minha Casa, Minha Vida”, mas até agora só um projeto está em andamento, no Jardim Minda. Hortolândia é uma das cidades que mais crescem no estado de São Paulo, o que não quer dizer que o povão viva bem. A falta de moradia é um dos

maiores problemas. Segundo a prefeitura cerca de 17 mil famílias não tem casa ou vivem em área de risco, o que significa mais de 30% da população hortolandense!! Um verdadeiro absurdo! Promessas demais: A prefeitura de Hortolândia se comprometeu com uma parte das famílias da comunidade Zumbi dos Palmares organizada pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) mas até agora o acordo não passou de palavras. O MTST fez uma manifestação na prefeitura de Hortolândia cobrando o acordo. É o que toda a população pobre de Hortolândia terá que fazer, quando se der conta de que quem muito fala (e promete) pouco faz.

esta refazendo uma obra que mal completou quatro anos, e a reforma nem é para consertar, é para desfazer e fazer de novo, uma mostra clara do descaso da universidade com o dinheiro público. Os comerciantes da área relatam que a nova ciclovia já está causando alguns transtornos, por ser muito larga, muitos carros confundem com uma via para automóveis e “entram com tudo”, o que poderá trazer algum acidente. Além do mais, esse tipo de obra fora do campus demonstra também vários acordos realizados entre a subprefeitura de Barão Geraldo e outras entidades, onde o distrito passa o controle e manutenção dessas áreas para terceiros, se

livrando de preocupações futuras. Quem sofre com isso são os moradores, pois se algum acidente acontecer, a burocracia fica ainda mais complicada, já que fica difícil de saber quem é o “dono” daquele lugar. Além disso a Unicamp instalou uma câmera na Praça Henfil, mais um gasto público sem necessidade aparente, enquanto isso, o campus da universidade em Limeira cai aos pedaços devido as chuvas de janeiro. Resta saber se com a volta às aulas e a possibilidade de manifestações por parte dos estudantes, o reitor manterá seu posicionamento de repressão e punição, ou começará a, no mínimo, explicar algumas coisas.


Jornal Atenção - Edição 7