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Informativo do Cabanga Iate Clube de Pernambuco - Gaivotas OnLine nº 29 - Out/2014

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Informativo do Cabanga Iate Clube de Pernambuco Nº 29 - ANO 3 - OUT/2014

CAMIRANGA BRILHA E CONQUISTA FITA AZUL DA REFENO 2014 Embarcação do Rio Grande do Sul concluiu percurso em 22h40min43 (Pág 2)

Cabanga apoia ICMBio nas ações durante a Refeno 2014 (Pág 10) Festa no Porto Santo Antônio premia os melhores da Refeno 2014 (Pág 3) Ação social: Cabanga doa parque para creche que atende 250 crianças em Noronha (Pág 3)

ial Confira um Especial sobre o acidente com a embarcação Nativo, c pe que naufragou no primeiro dia da 26ª edição da Refeno nas s E imediações da cidade de Cabedelo, na Paraíba. Você ficará sabendo dos detalhes do capotamento e, principalmente, como uma exigência da regata salvou a vida de seis velejadores. (Pág 4 à 9)


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GAIVOTAS ONLINE | Nº 29 - ANO 3 - OUT/2014

CAMIRANGA VENCE E CONQUISTA FITA AZUL DA REFENO 2014

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pós a largada da 26ª Edição da Refeno - Regata Internacional Recife/Fernando de Noronha, no Marco Zero do Recife, no dia 27 de setembro, a embarcação Camiranga, do Rio Grande do Sul, roubou a cena ao assumir a liderança do seu grupo de partida minutos depois da sirene anunciar o início da competição. Não demorou muito foram necessários 22h40min43 para a embarcação gaúcha cruzar a linha de chegada na praia do Boldró, em Noronha, e com todos os méritos conquistar o troféu Fita Azul da Refeno 2014 “Muitos amigos que já tinham disputado a Refeno falaram sobre a recepção dos golfinhos na chegada. E, realmente, é algo fantástico. Vencer uma regata como a

Camiranga tinha 14 tripulantes

Refeno na primeira prova do Camiranga já foi incrível e com a presença dos golfinhos não tinha como ser melhor”, vibrou o comandante do Camiranga, Samuel Albrecht. Segundo Samuel, os 14 tripulantes da embarcação não velejaram a Refeno deste ano com o intuito de ser Fita Azul. “Fazer a estreia do Camiranga na Refeno era o sonho de

muitos tripulantes, que já participaram da regata em outras edições. Não velejamos com a intenção de ser Fita Azul, velejamos até com certa insegurança, pois o barco é completamente novo e fomos conhecendo durante o trajeto. Estamos surpresos e muito felizes com o resultado”, complementou o comandante Albrecht.

CABANGA COMEMORA SUCESSO DA REFENO 2014

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oram exatos 520 tripulantes de 11 estados brasileiros e três países e 67 embarcações inscritas. Depois de 298 milhas náuticas percorridas do Recife até a ilha de Fernando de Noronha, a comissão organizadora da Refeno avaliou a 26ª Edição da Refeno como excelente. De acordo com o coordenador geral da regata, João Jungmann, os velejadores elogiaram a organização da prova. "Os barcos que chegaram elogiaram a

velejada, com algumas ressalvas para a noite do primeiro dia. No mais, velejada boa, sem problemas. Não tivemos nenhum problema com a regata, a exceção da ocorrência do Nativo", finalizou o coordenador geral da Refeno. Ao fim da disputa, o Cabanga anunciou que a 27ª edição da Regata Recife/Fernando de Noronha será realizada no dia 26 de setembro de 2015. O trajeto, com a primeira boia no início da praia de Boa Viagem, continuará em 2015. As

inscrições para Refeno 2015 começam dia 15 de abril do próximo ano. A REFENO EM NÚMEROS: - 67 embarcações participantes - 520 tripulantes inscritos - 9 barcos partiram, mas desistiram da prova - 2 chegaram ligando o motor - 1 não largou - 11 estados - 3 países - 298 milhas de percurso, equivalente 545 km


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FESTA PREMIA OS MELHORES DA REFENO 2014

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s tripulantes de todas as embarcações que participaram da 26ª edição da Regata Recife/Fernando de Noronha (Refeno) se reuniram no Porto

de Santo Antônio, na paradisíaca ilha pernambucana para festejar o sucesso da regata. Além do agradável clima de confraternização, os organizadores da competição premiaram os três primeiros colocados de cada classe. Ao final, velejadores e alguns moradores do arquipélago se divertiram ao som de uma banda local. Foram Gaúchos do Camiranga levaram a melhor e faturaram o troféu Fita Azul premiados

também os vencedores inusitados, como o Troféu Tartaruga Marinha (penúltimo colocado no geral), que foi destinado ao argentino Jamaica III. O comandante do Vento Real, de Santos/SP, Almerindo Sérgio, foi premiado com o Troféu Aventura. O holandês Gaucho também recebeu menção por ser o barco procedente de local mais distante. O Sogno foi premiado como o "barco à velho", por ter a maior média de idade entre os participantes (54,5 anos). A classificação final da Refeno 2014 por classes pode ser acessada no site www.refeno.com.br.

AÇÃO SOCIAL: CABANGA DOA PARQUE PARA CRECHE EM FERNANDO DE NORONHA

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lém de ajudar com o setor turístico de Fernando de Noronha, a Refeno tem uma função social. Este ano, o clube pernambucano cumpriu mais uma promessa: fez a doação de um parquinho para o Centro de Integração de Educação Infantil Bem-Me-Quer, que abriga 250 crianças de 0 a 5 anos de idade e conta com o apoio de 23 professores, além de 27 auxiliares. É o segundo ano consecutivo que o Bem-MeQuer é presenteada pelo Cabanga através da Refeno. Em 2013, o local recebeu a doação de materiais pedagógicos. O comodoro do Cabanga, Marcos Medeiros, se mostrou satisfeito com o resultado. "Precisamos ajudar essas crianças de alguma forma. É muito gratificante para nós, que todo ano estamos aqui na ilha", disse ele.

Centro de Integração de Educação Infantil Bem-Me-Quer abriga 250 crianças de 0 a 5 anos de idade e conta com o apoio de 23 professores, além de 27 auxiliares


GAIVOTAS ONLINE | l cia e p Es No último dia 16, a parte da tripulação da Nativo, que naufragou na 26ª edição da Refeno, Nº 29 - ANO 3 - OUT/2014

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nas imediações de Cabedelo (PB), reuniu, no Palhoção do Cabanga Iate Clube, amigos e amantes da vela para um bate papo onde para agradecer a rede de solidariedade que se formou após o fatídico acontecimento. Durante mais de duas horas, os velejadores que partiram com o objetivo de chegar a Fernando de Noronha em 27 de setembro, detalharam tudo que aconteceu – desde a largada – até o resgate pelo navio mercante de bandeira liberiana, dois dias após a capotagem. Nas próximas páginas mostraremos um pouco dessa aventura, as curiosidades e como uma exigência da Refeno salvou a vida de seis pessoas.

TRANQUILIDADE DA TRIPULAÇÃO FOI FUNDAMENTAL PARA O RESGATE DOS TRIPULANTES

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oram aproximadamente 35 horas à deriva no alto mar. Só mesmo a experiência que os seis tripulantes da embarcação possuem pode explicar tamanho sucesso para um resgate onde tudo deu certo. “A maior lição que tiro disso tudo é que o importante é a gente ficar calmo independente da situação”, resumiu o comandante do Nativo, Jorge Neves, após um bate papo com amigos realizado no último dia 16 de outubro, no Palhoção do Cabanga. Tudo começou quando aproximadamente às 23h do dia 27 de setembro, horas depois da largada da 26ª edição da Refeno, um dos cabos de sustentação do barco pernambucano rompeu. Foi o suficiente para o Nativo capotar a cerca de 50 milhas da costa de Natal (RN), em um mar completamente agitado. Experientes, os velejadores mantiveram a calma e acabaram sendo todos resgatados pelo Navio Mercante “Krasnodar”, de bandeira liberiana, que transportava óleo. "Não entramos em pânico. Largamos às 14h e durante a noite estávamos com uma velocidade muito alta, perto de 20 nós, o que

Maior lição que tiro disso tudo é que o importante é a gente ficar calmo independente da situação”, disse comandante do Nativo.

é muito para o veleiro. O vento também estava muito forte. Depois de bater em muitas ondas, o crossbeam (viga de sustentação do barco) quebrou. O barco capotou e ficou emborcado", relatou ao portal G1 do rio Grande do Norte Jorge Neves. Após o acidente, os tripulantes ficaram em cima do barco (emborcado) esperando o sol nascer para depois partir na balsa salva-vidas rumo a Natal, com a ajuda da corrente

Navio, de bandeira liberiana e tripulação russa, transportava óleo

marítima. "Estávamos sem os equipamentos de navegação e solicitação de socorro. Pelas estrelas e sol, sabíamos que a balsa estava no caminho do continente", complementou Jorge. Os tripulantes foram resgatados no fim da manhã do dia 29 de setembro. A melhor notícia: todos com saúde e muitas histórias e aprendizados para contar. CARACTERÍSTICAS DA NATIVO: Tipo da embarcação: Trimarã Modelo: Trimarã 33 Comprimento: 10,00m País: Brasil Estado: PE Classe: Mocra Comandante: Jorge Neves Tripulação: Alvaro Gonçalves da Fonte Neto, Antonio Roberto Borges da Fonseca Neves, Jorge Alberto Silvestrini, Marcos Vittorazzo e René Ribeiro Hutzler


GAIVOTAS ONLINE | l cia e p ÚNICA PREOCUPAÇÃO ERA RENÊ HUTZLER Es Nº 29 - ANO 3 - OUT/2014

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maior preocupação do comandante da embarcação Nativo, após o naufrágio em alto mar, era com Renê Hutzler, deficiente auditivo que havia perdido o aparelho por conta do contato com a água. “Ele não entendia o que estávamos conversando, então entrou um pouco em desespero. O pai dele, quando chegamos em terra, até perguntou se ele tinha dado trabalho, mas a gente sabia como lidar com ele. Segurava a sua mão e falava: 'Renê, daqui a pouco vai passar um navio'. Aí, pronto, ele entendia. Era só

Renê (destacado) tem deficiência auditiva

leitura labial. De noite tínhamos que ligar a luz para ele ver o

nosso rosto e poder entender”, relatou Jorge.

“PEDI AJUDA PARA MINHA MÃE”, CONTA RENÊ

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pós a capotagem, sem aparelho, sem óculos, sem luz, Spot perdido, sem Lua, fui o primeiro a sair da água. Logo que subi no casco, os demais companheiros apareceram. Celebrei que estavam todos vivos. Às 3h30 do domingo (28 de setembro), pedi a minha mãe Celina Hutlzer (falecida em maio deste ano) que me desse uma resposta para nos salvar. Meia hora depois, a balsa apareceu entre a rede sem ajuda de ninguém. Antes de amanhecer, peguei no sono e acabei caindo na água, fui direto para o flutuante. Depois que abrimos a balsa, lemos o manual, subimos e organizamos as pernas para que todos ficassem bem. Passamos a

manhã e a tarde com muito calor, porém fechamos a balsa por causa das grandes ondas. No final da tarde, depois de um pequeno chuvisco, aproveitamos um pouco de água. À noite, comecei a ficar com hipotermia, frio, por causa do molhado que eu estava e a troca térmica entre dia e noite, mas meus amigos me aqueceram. Às 20h do

domingo quase 24 horas depois - tomamos os primeiros goles de água, todo mundo igual, 50 mililitros para cada um. Jorge fez regra e anunciou que todos tomariam essa mesma quantidade de seis em seis horas. Até o resgate avistamos duas embarcações, tentamos fazer sinal, mas ambas sem sucesso. Na manha da segunda-feira (30), às 10h, vimos um navio muito longe, pegamos meu Ipad para fazer reflexo da luz do sol para chamar atenção. Nessa hora, mais uma vez, até pedi para minha mãe que avisasse ao navio para vir nos buscar. Para nossa felicidade, funcionou! Não sou muito de religião, mas acredito na alma familiar” - Renê "Não sou muito de religião, mas acredito na alma familiar”, disse Hutzler


l a i ec p Curiosidades: Es

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O IPAD E A PRANCHA DE KITSURF

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esmo com a vida em perigo, Renê Hutlzer, um dos tripulantes da embarcação Nativo, não soltou seu Ipad e sua prancha de kitesurfe. “O barco já estava virado, mesmo assim peguei meu Ipad, que fazia Mapa de Navions para navegação a Noronha, e guardei no meu casaco”, explicou. “O engraçado é que o Ipad todo molhado e ele não soltava de jeito nenhum”, brin-

cou Álvaro da Fonte, outro tripulante. Mesmo molhado e sem funcionar, Renê sabia que seu amuleto serviria para algo. “Às 10h da segunda-feira (30/09), vimos um navio muito longe, peguei meu Ipad e comecei a fazer reflexo com a luz do sol e ele nos enxergar. O navio demorou cerca de duas horas para terminar as manobras de aproximação até chegar a 20 centí-

metros da balsa a proa era enorme, de assustar. No final, deu tudo certo, ainda consegui salvei minha prancha de kitsurfe”, relatou.

COMIDA E ÁGUA

A comida a gente viu que não tinha, né? Meu irmão de São Paulo, Roberto, disse que certa vez um prisioneiro político da Irlanda fez greve de fome e só foi morrer após 37 dias. Foi verdade mesmo. No treinamento para capitão amador estudamos que a pessoa pode sobreviver 15 dias sem comer, mas tem que ter água. Nas primeiras 24 horas, não se bebe nada. Depois, 500ml para cada um. A gente tinha um saquinho, na balsa, onde está escrito em várias línguas, que nas primeiras 24 horas não se bebe água. Eu imaginava que cada saquinho desse tinha 500 ml, mas só tinham 125. Pensei: “Se é 500 ml, cada pessoa vai tomar um saquinho desse por dia. Era eu quem distribuía a água. Eu dava para todo mundo e no final eu bebia. Cada um bebia 50 ml de manhã e mais 50 de noite. Teve um dia que choveu e a gente captou água”, detalhou Jorge Neves.

O PEIXE E O 'NÚMERO 2'

Os peixes vieram seguindo a gente desde que entramos na balsa. Eles ficavam embaixo do inflável nos beliscando. Ficamos brincando e tentando pegá-los. Até que um dos tripulantes fez o 'número 2' e os peixes não pensaram duas vezes e comeram tudo. Depois desse episódio ninguém queria mais pescar e comer os peixes (risos)”, relembrou Jorge Neves. Já pra urinar era bem complicado. A gente pegava o balde que vem no kit e depois lavava”, explicou Jorge Neves.

IML

Eu estava me preparando para ir a Natal, pois havia recebido a informação de que eles já haviam sido resgatados. Mas ainda não tinha falado com Álvaro, diferentemente dos outros tripulantes. Eu estava muito angustiada em relação à integridade física dele. Eu já estava ao caminho com meu cunhado, quando uma amiga me ligou para agilizar o processo de liberação dele, me pedindo seu CPF e o RG. Como eu havia saído da DHPP, estava de plantão, pensei: quando pedem essa documentação é para liberar um corpo. Pensei: 'Meu Deus, vou ter que liberar o corpo dele no IML'. Fiquei muito angustiada, mas depois passou. Ficamos sabendo que realmente estava tudo bem com todos. Ficou só no susto mesmo”, narrou Verônica Azevedo, esposa de Álvaro.


GAIVOTAS ONLINE | l cia e p CADÊ MEUS ÓCULOS!? Es

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lvaro da Fonte é uma figura bastante conhecida no Cabanga por comercializar todo tipo de óculos. Esperto, não perdeu tempo e enxergou a possibilidade de ampliar suas vendas no paradisíaco Arquipélago de Fernando de Noronha. “Levei 18 óculos para vender em Noronha. Na hora do naufrágio até pensei nos meus óculos e no prejuízo que teria com aquele acontecimento”, brincou Álvaro. “O mais importante foram todos terem sido salvos com saúde”, complementou.

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POR ONDE ANDA?

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barco Nativo foi visto dois dias após o resgate da tripulação, 2 de outubro, na frente da praia de Touros, no Rio Grande do Norte. Oito dias depois, recebi a informação que a embarcação havia sido vista em Fortaleza/CE. “Estou esperando ele chegar no Caribe para eu ir busca-lo lá”, avisou o comandante Jorge Neves. “O custo de ir atrás da embarcação é mais alto do que as coisas que você vai salvar dele, mas existe a curiosidade de saber o que sobrou”, complementou.

NATIVO II

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projeto do Nativo II já está pronto e nas mãos de Jorge Neves. “Por enquanto é só a ideia, porque são cerca de três anos para fazer um barco desse. É um trimarã mais moderno, pois o Nativo antigo já tinha mais de 20 anos”, explicou.

A LANTERNA E O ANZOL

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om fome e sem comida, Renê era o mais inquieto do grupo. Estava ávido por algum alimento até que encontrou um saco dentro da balsa. “Tomamos água e todos estavam com fome. Perdi a paciência e acabei tentando descobrir o que tinha dentro desse saquinho. Tinha certeza que era o anzol. Na hora me veio a ideia de pescar alguma coisa e comer. Mas, com medo do anzol furar a balsa, Jorge achou melhor não abrirmos. Fiquei com o saco na mão e depois de tanta insistência ele deixou abrir”, relembra Renê. Todos ficaram frustrados ao saber que não se tratava do anzol, mas sim, de uma lâmpada para lanterna, e que, para piorar ainda mais a situação, não funcionava de jeito algum, comentou.


GAIVOTAS ONLINE | l cia e p EXIGÊNCIA DA REFENO SALVA TRIPULANTES DO NATIVO Es Nº 29 - ANO 3 - OUT/2014

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ois dias antes da largada da Refeno, o Cabanga Iate Clube de Pernambuco realizou uma simulação de acionamento de uma balsa salva-vidas. Com a supervisão do técnico de segurança do trabalho, Emmanuel Lima, os funcionários do clube simularam o acionamento de uma balsa de seis lugares. “O pessoal gostou. Além do acionamento da balsa, mostramos os equipamentos de emergência que se encontram na balsa e como devem ser utilizados”, resumiu o técnico de segurança do Cabanga. Foi graças a essa exigência do Cabanga que os seis tripulantes do Nativo foram salvos com vida. Este ano, a dotação da balsa de

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Além do acionamento da balsa, Cabanga mostrou em simulação como os equipamentos de emergência que se encontram na balsa devem ser utilizados

salvamento tornou-se obrigatória e não mais os infláveis adaptados para tal. “Foi um grande ponto positivo,

em termos de segurança para os participantes, durante a regata”, resumiu o diretor geral da Refeno, João Jungmann.

MESMO NOVA, BALSA DEVE SER VISTORIADA

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ssim que a tripulação do Nativo conseguiu inflar a balsa de salvamento veio a surpresa: muitos itens de emergência como espelho, fogos, comida, localizador e bússola não estavam na balsa, como previa no manual. O

comandante da embarcação, Jorge Neves, garantiu que a balsa era nova. Após a experiência, a recomendação é que, a partir de agora, todas as balsas, mesmo novas, sejam inspecionadas regularmente. “Toda balsa, mesmo

"Se não tivéssemos ela (balsa), nós ficaríamos em cima do barco, pois ele não afundou, mas teríamos o problema com o sol”, disse Neves.

nova, deve passar pela vistoria. Inclusive eu dei essa sugestão na Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte, após o nosso salvamento. Se tivéssemos feito essa vistoria neste ano, a gente teria todo esse material que nos faltou”, explicou Jorge, que ainda apontou outro problema. “Na balsa tem um captador de água, só que não funcionou. Mas do outro lado da balsa encheu de água e a gente aproveitou”, complementou. “Desde o ano passado que tenho essa balsa, nem era um item exigido. Eu achava que era necessário ter, tive a oportunidade de comprar e comprei. Foi o que nos salvou. Se não tivéssemos ela, nós ficaríamos em cima do barco, pois ele não afundou, mas teríamos o problema com o sol”, finalizou Neves.


GAIVOTAS ONLINE | 9 l cia e p REFENO AUMENTA EXIGÊNCIA DE SEGURANÇA PARA 2015 Es Nº 29 - ANO 3 - OUT/2014

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iante do ocorrido com a embarcação Nativo, o Cabanga Iate Clube de Pernambuco e a Capitania dos Portos de Pernambuco anunciaram outras exigências para garantir ainda mais segurança às embarcações e tripulantes que disputarão as próximas edições da Refeno. A partir de 2015, todos os barcos participantes terão que possuir o Epirb 406Mhz. Até então, essa obrigatoriedade estava prevista apenas para a Refeno de 2016. É importante lembrar que mesmo com o Epirb, o veleiro terá, obrigatoriamente, que portar um Spot. O Epirb é um dispositivo eletrônico via satélite que pode

ser acionado manualmente ou automaticamente quando entra na água. "Se o barco virar ou capotar, ele automaticamente vai emitir o sinal da posição correta onde está o barco. Esse sinal continuará a ser emitido por mais 48 horas. Após acionado, todos, não só a Refeno, ficarão sabendo da posição. É um dispositivo de socorro", explicou o coordenador geral da Refeno, João Jungmann. O comodoro do Cabanga, Marcos Medeiros, lembrou que a Refeno sempre trabalha em contato direto com a Marinha. Este ano, 100% das embarcações que disputaram a Refeno foram, antes da larga-

da, inspecionadas pela Marinha no clube. "A Marinha checou todos os itens obrigatórios para a realização deste tipo de navegação, tais como equipamentos de navegação, cartas náuticas, dispositivos de salvatagem entre outros”, relembrou Marcos Medeiros. EXIGÊNCIAS DA REFENO 2014: - Uso do colete - Classe 2 adaptado - Balsa salva-vidas - Habilitação de capitão amador para o comandante da embarcação - Cartas Náuticas modificadas.

LARS GRAEL DESTACA SEGURANÇA DA REFENO “Nós ficamos muitos felizes com a vitória do Tangará II na classe RGS, a mais numerosa da regata. Nós velejamos dando nosso melhor o tempo todo", comemorou Lars.

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ampeão da Refeno 2014 nas classes RGS Geral e RGS B com o seu barco Tangará II, o velejador Lars Grael elogiou os procedimentos de seguranças exigidos pelo Cabanga Iate Clube de Pernambuco para travessia entre o Recife e o Arquipélago. Na última quartafeira (1º/10), durante a cerimônia de premiação, o campeão olímpico também

falou do prazer de disputar uma regata como a Refeno. "A Refeno 2014 foi uma regata sensacional. Ventos favoráveis, bastante mar, levando muitos barcos ao limite. Infelizmente 11 barcos com avarias, sendo que um deles soçobrou. Mas, o importante é que os procedimentos de segurança,

que a regata passa a exigir, garantem um cuidado maior aos navegadores. É uma regata sensacional, organização impecável. O Cabanga Iate Clube de Pernambuco e os patrocinadores estão de parabéns pela organização", finalizou.


GAIVOTAS ONLINE | 10 l cia e p CABANGA APOIA ICMBio NAS AÇÕES DURANTE A REFENO Es Nº 29 - ANO 3 - OUT/2014

Cabanga Iate Clube de Pernambuco faz questão de reforçar as exigências necessárias para a participação na Regata Recife/Fernando de Noronha (Refeno). Na edição deste ano, duas embarcações inscritas cometeram infrações e foram punidas de acordo com as leis do arquipélago. Os barcos Inaê e Chegado V infringiram as regras ao navegarem em locais proibidos na ilha, que foram,

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Cabanga realizou uma reunião com todos os comandantes, na véspera respectivada largada, que serviu para que os tripulantes ficassem cientes das regras necessárias para a entrada ao arquipélago mente, a Baía dos Golfinhos e a Baía do Sancho. O Cabanga concorda e apoia a aplicação das leis para ambos os infratores, que foram advertidos pelo com todos os comandantes, Instituto Chico Mendes de que serviu para que os Conservação da tripulantes ficassem cientes Biodiversidade (ICMBio). das regras necessárias para a Com base nesse exementrada ao arquipélago. plo, o Cabanga vem frisar a Apesar da infração, o importância das exigências Cabanga desconhece que tais que são sempre divulgadas embarcações tenham exercido nos eventos que antecedem a prática da pesca, o que não é a Refeno. Um dia antes da permitido para os participantes largada, por exemplo, o da Refeno. clube realizou uma reunião

TRIPULAÇÃO DO NATIVO E REFENO AGRADECEM EMPENHO DA MARINHA DO BRASIL s tripulantes do Nativo e a organização da Refeno agradeceram a Marinha do Brasil pelo apoio e pelas ações recebidas durante o resgate e transporte dos tripulantes do Nativo para o continente. "A Refeno perderia seu brilho se algo pior tivesse acontecido com os velejadores do Nativo. Nestes momentos é que se percebe a importância de termos na Refeno, o acompanhamento da Marinha do Brasil com a sua experiência

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em lidar com situações desta natureza", salientou João Jungmann, coordenador geral da Refeno. Não é a primeira vez que a Marinha foi acionada para tal situação envolvendo veleiros que participaram da Refeno. Há alguns anos, os tripulantes do veleiro Acauã foram resgatados depois de várias horas à deriva no mar, sobre um trimaran capotado, quando voltando

CABANGA IATE CLUBE Av. Engenheiro José Estelita, FONE: (81) 3428.4277 São José Recife/PE; 50.090040 www.cabanga.com.br

EXPEDIENTE: EDITOR EXECUTIVO Marcos Medeiros João Jungmann

Empenho da Marinha foi fundamental para resgate dos tripulantes do Nativo

da ilha para o continente. Fica aqui registrado o agradecimento de todos à Marinha do Brasil.

JORNALISTA: Maurício Júnior Tatiane Cybelle Góes

ESTAGIÁRIO: Ramon Andrade


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