N
S.JOAO DE
SOBRADO
A LEN DA- DA BUG/ADA E MOUR/SCADA
S. JOAO DE SOBRADO (Valongo) Sobrado, e uma freguesia do concelho de Valongo, situada a 17 Km do Porto e a 6 km da. sede do concelho. Sendo uma das maiores freguesias do concelho, tem uma populaf;8o de cerca de 9 mil habitanfes. Topograficamente, encontra-se situada num vale com grandes planfcies, cercadas de montanhas, ricas em madeiras, sendo atravessada pelas aguas Ifmpidas do Rio Ferreira, que nas suas margens propicia .bons e alegres piqueniques nas tardes Primaveris e Estivais. Rio este, com tradif;oes muito antigas, dado que nele ainda seconservam para apreciaf;8o dos visitantes, as belas pontes de origem romana, tais como a ponte da Balsa, Af;ude e St~. Andre. Pode apreciar-se a Igreja Paroquial datada do seculo XVII, cujo altar-mor e de uma riqueza artfstica excepcionare ainda revestida a azulejos da epoca de grande apreciaf;8o artfstica nos nossos dias. Economicamente, situa-se nos ultimos anos, a nfvel de franco progresso, devida as industrias mobiliarias. a sector agrfcola ocupa a menor parte da sua populaf;8o, sendo ainda no entanto razoavel a sua produf;8o. Falando a nfvel de transportes, este sector esta razoavelmente servido par carreiras diarias de e para o Porto e ainda de Paf;os de Ferreira. Sobrado e uma das freguesias In/ClaIS da Terra Medieval de Aguiar de Sousa, sendo Abadia de Apresentaf;8o da Famflia Baldaia do Porto e posteriormente
dos seus descendentes Condes da Beira e famflia Pamplona. Terra de tradi90es caracteristicas, como foi a Feira das Abelhas nos dias 24 e 25 de Julho da cada ana e que durante muitos anos fez deslocar ao lugar de Sobrado de Cima muitos agricultores de todo 0 pais. Conserva com grande bairrismo uma das maiores manifesta90es folcl6ricas de todos os tempos, Bugiada e Mouriscada, que se exibem no dia de S. Joao, cor:n. a participa9ao de mais de 600 figurantes e que e das mais velhas tradi90es portuguesas, largamente documentadas nas inquiri90es de 1258 ordenadas por O. Afonso III, cuja origem e do tempo em que os Mouros povoavam a Serra de Cuca Macuca, hoje Serra de Santa Justa, sobranceira a cidade de Valongo, quando ali exploravam ouro e outros minerais.
Nos tempos em que os Mouros povoavam a Serra de Cuca Macuca, hoje de Santa Justa, em Valongo, e Serra da Pia na encosta entre Valongo e terras de Aguiar de Sousa, 0 Rei dessa tribo tinha uma filha primogenita que ao fazer os seus 16 anos de idade, adoeceu gravemente.
o Rei muito poderoso e abastadi::>,ao ver a princesa desfalecer, tentou por todos os meios ao seu alcance curar a· nobre e bonita descendente, procurando os melhores cientistas e curandeiros para obter a cura da idolatrada princesa, mas, nada fazia suster 0 mal
e sofrimento da grave doenc;:a. Perto do seu reinado, havia um povo de rac;:avisigoda que se dedicava aos trabalhos agrfcolas e professavam a religiao crista, tendo como seu padroeiro S. Joao Baptista a quem recorriam nas suas aflic;:6es e pelo qual eram sempre atendidos.
o
Rei mouro, embora incredulo, ao ouvir falar desses milagres concedidos aos Cristaos, procurou 0 velho Rei cristao e pediu-Ihe para interceder junto do Santo por sua filha princesa, tudo prometendo para conseguir os seus desejos. Os Cristaos acederam ao pedido, recorrendo ao seu venerando santo orago e perante a grande admirac;:ao da tribo mourisca, a princesinha retomava a saude tao desejada e volta va mais bonita que nunca ao seio da sua tribo para alegria do seu povo e gl6ria de S. Joao . . 0 Rei ufanoso e cheio de autoridade, ordenou grandes festas em honra de S. Joao, reunindo toda a tribo, convidou os Cristaos a participar nas festas, mandando confeccionar um lauto banquete e no fim o Santo levado em majestosa procissao com 0 andor conduzido pelos Mouros. Convencido que daf em diante toda a forc;:a e caprichos das suas resoluc;:6es estariam na veneranda imagem, comec;:ou a pensar em apoderar-se da mesma chegando a reivindicar essa posse, mas os Cristaos nao estavam por essa disposic;:ao, logo fazendo ver que nao cederiam a Santo milagroso.
Ao iniciar 0 grande banquete, 0 Rei mouro fez pedido formal aos Cristaos que foi logo recusado.
0
o
acampamento
cristao
havia outra
tribo
dum povo
visigodo denominado Bugios, que por certas artimanhas e usos macabros, sempre tinham dominado os
Rei mouro enraivecido e orgulhoso, ordenou que durante 0 animado banquete os Cristaos fossem humiIhados e assim deu ordem aos servidores para eles serem servidos em mesa separada.
conseguir
Os Cristaos entristecidos e atemorizados sujeitaram-se as humilha<;:6es, mastomaram parte na festa.
rando-se com mascaras hediondas, objectos macabros
Terminada a grande manifesta<;:ao, 0 Rei mouro voltou a exigir em tom autoritario e amea<;:ador, a imediata entrega do Santo sem qualquer reserva e condi<;:ao, mas os Cristaos contestaram fortemente essa atitude 0 que levou 0 Rei mouro a ordenar aos seus apaniguados a tomarem pela for<;:a a veneranda imagem milagrosa. Os cristaos embora reconhecessem 0 grande poder ffsico e guerreiro dos seus adversarios e opressores, organizaram-se' e prepararam-se para qualquer ataque trai<;:oeiro e firmes na sua cren<;:ainabalavel ao Santo protector, pediram a S. Joao mais um milagre em tao afrontosa situa<;:ao pois sem essa imagem nao poderiam sobreviver nas suas vicissitudes. Invocando do Santo a. protec<;:ao para os com bates ferozes que teriam de travar com os seus insaciaveis inimigos, logo foram incentivados por forte vontade de lutar ate a derrota total dos seus ferozes inimigos. Os Mouros embora valentes guerreiros, eram supersticiosos e portanto havia que pensar em certas artimanhas que os pudessem atormentar para os desanimar. Perto do seu
Mouros e por isso logo pensaram em imita-Ios para 0
triunfo.
Os Cristaos intitulando-se Bugios, logo se armaram com utensflios do seu trabalho de camponeses masca,guisos, entoando slogans barulhentos e empunhando as poucas armas que possuiam, dirigiram-se com 0 seu Rei para a ermida do seu Santo protector, implorando auxflio e aspergindo-se com agua-benta. 0 troar dos canh6es mouriscos come<;:ou a ouvir-se e logo os Cristaos, agora Bugios, sobem ao seu castelo e procuram defender-se
e intransigentemente
resistir
ao
ataque valente e feroz dos inimigos.
o
'Rei mouro numa ultima tentativa
manda um
embaixador a cavalo junto do castelo cristao propondo mais uma alternativa, mas nao sendo aceite a proposta pelos Bugios, aparecem entao os sabios doutores da lei a dar as suas opini6es a favor dos Cristaos, que em nada susteve a ferocidade mourisca. A luta continua e os Bugios nao podendo resistir a furia adversaria, violenta e destruidora dos Mouros, e os seus emissarios e doutores nada podendo fazer para melhorar a situa<;:ao, foram assim for<;:adosos Bugios a capitula<;:ao.
o
imperialista Rei Mouro, com todos os seus apa-
niguados, lan<;:am-sesobre de
0
0
castelo cristao e depois
despojar dos bens, prende
0
Rei dos Bugios, nao
valendo sequer 0 pedido de c1emencia pelos vencidos' que de joelhos chorando' amargamente a sua derrota, pediam a liberta<;:ao de seu velho Rei, enquanto os doutores da lei, tentavam por todos os meios convencer o orgulhoso vencedor Mouro, da razao de direito dos oprimidos Cristaos.
o
velho Rei Cristao e ·Ievado sob forte escolta para lugar segura reinado mouro, enquanto os Cristaos se reorganizavam e imploravam a S. Joao mais um milagre, a liberta<;:aodo seu chefe. lIuminados e assistidos pelo seu patrono, logo pensaram veneer os mouros pelo medo, e assim construi,ram uma figura de enorme serpente, denominado SERPE, empunhando essa hedionda inven<;:ao,no meio da maior algazarra lanc;;aram-se, loucarriente para 0 acampamento mourisco onde estava prisioneiro Rei da Bugiada.
0
velho '
Os Mouros ao presenciar tao ruidoso e macabro cortejo, nao mais se lembraram do prisioneiro; fugindo' espavoridos, deixaram em paz e liberdade
0
velho Rei
dos Bugios, que logo no meio da maior alegri,a se juntou
a
aos seuslibertadores,
correndo em direcc;;ao
ermida de S. Joao, entoando
0
slogan: 0 SANTO
E NOSSO... 0 SANTO E NOSSO... dan<;:ando em agradecimento pelo novo milagre obtido. Terminada
esta
grande
contenda,
os Mouros
desistiram de todas as persegui<;:6es aos Cristaos, continuando na faina de exploradores de ouroe outras riquezas.