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Jornal de Saúde Pública, Fevereiro de 2012

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Portugal precisa de mais reumatologistas

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Este Jornal é parte integrante da edição do Expresso n.º 2102, de 9 de fevereiro de 2013. Venda interdita.

Oncologia com tratamentos mais eficazes e menos tóxicos Pág. 2

DIABETES: USO ADEQUADO DA INSULINA REDUZ COMPLICAÇÕES Pág. 3

Portugueses passam um terço da vida a

Osteoartrose não é uma fatalidade

dormir

No âmbito das celebrações do 30.º aniversário da Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN), é de salientar que a patologia do sono foi uma nova área que, segundo Vítor Oliveira, seu presidente, “surgiu e tem vindo a ganhar uma dimensão relevante”. Mas, para além desta, nos últimos anos, ocorreram grandes avanços ligados à epilepsia e à doença de Parkinson.

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2 | Jornal de Saúde Pública | 9 de fevereiro 2013

DR. JOAQUIM ABREU DE SOUSA, PRESIDENTE DA SPO, FALA EM “ESPETACULAR DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO”

Oncologia com tratamentos mais eficazes e menos tóxicos A Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) acaba de completar 30 anos de “vida”. Ao longo destas três décadas, foram dados “passos” muito significativos do ponto de vista clínico e científico. O Dr. Joaquim Abreu de Sousa, presidente da SPO, fala sobre os avanços, os receios e os desafios.

“A

No entanto, este momento de extraorOncologia sofreu, ao longo dos últimos 30 anos, um espedinários avanços científicos coincide com um cenário de exiguidade económica e tacular desenvolvimento ciencom o aumento de restrições orçamentífico, com uma mudança qualitativa na compreensão da biologia do cancro e tais da medicina em geral e da oncologia no desenho de novas terapêuticas, com em particular. benefícios evidentes para os doentes.” Na verdade, nesta nova era de teA afirmação é do Dr. Joarapêuticas mais eficazes contra o cancro, “o custo quim Abreu de Sousa, predo tratamento compete disidente da SPO, no âmbito da celebração do aniversáretamente com a sua disporio da Sociedade. nibilidade, como um fator Como resultado da acelimitante na nossa guerra contra o cancro”. Aparenteleração do progresso do conhecimento, assistiu-se mente, este progresso pode a uma rápida expansão de ser transformado num preotratamentos, mais eficazes cupante paradoxo: “Quanto e menos tóxicos. mais avançarmos cientifiNa opinião do responcamente mais constrangisável, “estes ganhos fomentos económicos vamos ram conquistados a um Dr. Joaquim Abreu de Sousa enfrentar.” Controlar as despesas de saúde tem preço elevado, porque a investigação sido, nos últimos anos, e parece destie o desenvolvimento são onerosos e, atualmente, os doentes são tratados nado a permanecer, o centro do debate com algoritmos terapêuticos cada vez das políticas de saúde. mais complexos, o que inclui não só a A título de exemplo, o aumento do terapêutica, mas também uma vigilânpreço dos novos medicamentos oncocia imagiológica e laboratorial mais inlógicos é alvo de um enorme escrutínio. “A taxa de aumento dos gastos com metensiva, para monitorizar a resposta e a toxicidade”. dicamentos de oncologia parece estar

a aumentar mais rapidamente do que noutras áreas da saúde, no entanto, o desenvolvimento de novos medicamentos é condição sine qua non para o progresso na área da oncologia médica”, alerta, divulgando ainda que, “devido a um processo científico cada vez mais robusto, podemos esperar, nos próximos anos, dezenas de novas terapêuticas contra o cancro. O benefício de qualquer terapêutica oncológica é frequentemente visto como marginal relativamente ao seu custo”. Algumas teorias comportamentais têm proporcionado modelos para perceber o que pode ser mais relevante para os doentes com cancro. Uma destas teorias sustenta que, “habitualmente, as pessoas tomam decisões com base no valor potencial de perdas e ganhos, em vez do resultado final, e que o valor absoluto de um resultado não é determinante das decisões de saúde de um indivíduo”. Na opinião de Joaquim Abreu de Sousa, “a definição genérica do valor de um tratamento pode levar a erros e estes erros podem ocorrer facilmente em oncologia, porque tratamos grupos de doentes que são muito heterogéneos e com situações clínicas frequentemente únicas”. Embora os médicos incluam com frequência considerações de custo-efetividade nas suas decisões, estas poderão não ser uniformes e os doentes não devem ser submetidos a graus variáveis de acesso em função de decisões individuais.

Desafios que se colocam… Atualmente, os oncologistas trabalham num ambiente complexo, em que “muitos fatores estruturais e operacionais de saúde estão fora do seu controlo”, afirma, de forma perentória, Joaquim Abreu de Sousa, sustentando ainda que “os médicos não têm controlo sobre o preço das terapêuticas. Embora possam considerar o custo de um determinado tratamento excessivo, eles podem sentir menos responsabilidade para as implicações dos custos, desde que o tratamento beneficie os doentes”. Todos estes assuntos obrigam a enfrentar várias questões essenciais sobre o custo do tratamento do cancro: Qual é o custo adequado para o tratamento do cancro? Quais são as principais causas do aumento dos custos? Quem ou que mecanismos devem determinar o custo? Até que ponto os doentes devem ser convidados a partilhar o custo de seu próprio tratamento e o que fazer quando não puderem? O que podemos fazer para reduzir o custo do tratamento? Segundo o presidente da SPO, “as medidas que podem ser tomadas para reduzir os custos, evitando as disparidades de acesso e mantendo a qualidade e a inovação, deverão ser incluídas em programas de ação abrangentes, do ponto de vista conceptual, técnico e ético, e nunca como medidas isoladas”. A comunidade científica continua a desenvolver uma enorme inovação para o tratamento de cancro. “Mas o desafio atual passa por introduzir a inovação nos processos de prestação de cuidados, com a utilização eficaz e eficiente dos recursos existentes”, finaliza.

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9 de fevereiro 2013 | Jornal de Saúde Pública | 3

Uso adequado da insulina reduz complicações da diabetes Em Portugal, estima-se que mais de um milhão de pessoas tenham diabetes. A introdução precoce da insulina na diabetes tipo 2, que muitos julgam ser utilizada apenas na diabetes tipo 1, pode diminuir as complicações da doença.

S

gravidez) ou simplesmente nos casos em egundo os dados de 2010, do Relaque se verifica um mau controlo da diabetório Anual do Observatório Nacional da Diabetes, a pretes com outros fármacos. Por seu lado, o Dr. José valência total da doença foi Manuel Boavida, diretor do de 12,4% e da diabetes não Programa Nacional para diagnosticada de 5,4%, núa Diabetes, lembra que as meros que têm vindo a aucomplicações da diabetes mentar nos últimos anos. Os profissionais de saúde devem educar os doentes acerca das complicações da diabetes representam os maiores “A prevenção da doença é custos com a doença. Por fundamental”, alerta o Prof. truturas de saúde e não têm noção da netido, contribuirá para evitar as complicaisso, aconselha, “quando a José Luís Medina, presidente cessidade absoluta de serem médicas de si ções”, admite. compensação não é atingida Sociedade Portuguesa de próprias, de saberem cuidar-se e de terem Diabetologia (SPD), referinuma educação de acordo com as suas neda por qualquer forma de A MULTIDISCIPLINARIDADE DA DIABETES medicamento introduzida, é cessidades”, afirma, concluindo que “a diado que a Direção-Geral da necessário começar rapidaSaúde criou o Programa Na- Prof. José Luís Medina betes não se trata apenas nas consultas, “A complexidade do tratamento da mas ao longo das 24 horas de cada dia, da cional para a Diabetes (PND), mente com a insulina”. diabetes exige um conjunto de profissiosua vida com diabetes”. sendo um dos seus objetivos implemenNa sua opinião, “é preciso afastar os nais (médico, enfermeiro, dietista, podo‘fantasmas’ que a insulina ainda transportar a prevenção da diabetes. logista, professor de educação física) que Nas suas palavras, “o aparecimento de sejam capazes de colaborar uns com os ta consigo”, designadamente “que cria uma diabetes tipo 2 em indivíduos genetioutros para poderem ajudar as pessoas dependência, que é igual a uma droga, ou com diabetes a cuidar-se melhor e a atinque pode provocar um agravamento das camente predispostos – filhos de pessoas complicações da diabetes”. com diabetes, por exemplo – implica na gir os objetivos de um bom Segundo José Manuel maioria dos casos, a associação de insulicontrolo”, afirma José MaBoavida, a insulina ainda não norresistência (favorecida pela obesidade) nuel Boavida. é bem aceite em Portugal, com a deficiência de insulina precoce”. De acordo com o responSPD é uma instituição que tem uma situação que também Para combater estes mecanismos, José como obrigação garantir atualisável, “infelizmente, as compliacontece porque os médiLuís Medina explica que é necessário impezação científica através de reuniões, cações ainda surgem por um congressos e publicações, promover a diagnóstico tardio da própria dir o excesso de peso e a vida sedentária. “A cos, nomeadamente nos cuiinvestigação e colaborar com instidiabetes”, sendo muitas vezes alimentação e a atividade física, a desenvoldados primários, têm poua diabetes tipo 2 diagnosticatuições públicas e outras sociedades ver no dia-a-dia, são tão importantes como cas pessoas a fazer insulina científicas e associações. os medicamentos. A terapêutica deve incie, portanto, não conseguem da apenas ao fim de 5-10 anos O Fórum da Diabetes reúne anualmenter uma grande experiência da sua existência. “Não é raro dir sobre o controlo da glicose no sangue, da sua utilização. ainda haver pessoas em que a mas também nos casos de hipertensão te 1800 a 2000 pessoas com diabetes, O responsável acredita Dr. José Manuel Boavida doença é diagnosticada apearterial e de aumento das gorduras do sanpara debater problemas relacionados que, com o tempo, essa reacom a sua doença e procurar ajudar gue”, menciona, advertindo para a necessinas quando aparece uma comlidade mudará. “Se os médicos se orgaa encontrar soluções. “A SPD está dade de dar atenção particular aos pés. plicação”, indica. empenhada em desenvolver atividaTambém podem surgir complicações nizarem entre si, se tiverem enfermeiros porque não há uma adesão à terapêutica des de informação a toda a população, que os possam ajudar no controlo e no O TRATAMENTO e um acompanhamento à medida das neprocurando apoios para esta ação tão benefício dessa insulina e, ao mesmo importante que visa, conforme desejo tempo, se partilharem as pessoas com cessidades de cada um. Na opinião de José “A pessoa com diabetes tipo 2 não está do PND, um Portugal sem diabetes”, diabetes entre o hospital e o centro de Manuel Boavida, este é “claramente” um livre de ter que tomar insulina”, alerta José garante José Luís Medina. saúde, a insulina ganhará seguramente dos grandes problemas. Luís Medina. Isso pode acontecer se surgir um papel mais importante e, neste sen“As pessoas confiam demasiado nas esuma intercorrência (pneumonia, cirurgia,

SPD desenvolve atividades de informação

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4 | Jornal de Saúde Pública | 9 de fevereiro 2013

SOCIEDADE PORTUGUESA DE NEUROLOGIA CELEBRA 30 ANOS

Epilepsia, patologia do sono e doença de Parkinson registaram grandes avanços

A área das Neurociências sofreu uma grande evolução ao longo dos últimos anos. A Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN), que assinala agora 30 anos de existência, acompanhou este desenvolvimento. O Prof. Doutor Vítor Oliveira, presidente da SPN, além de destacar alguns avanços relacionados com a epilepsia, com a patologia do sono e com a doença de Parkinson, afirma que, para benefício dos doentes, a SPN deve ser cada vez mais ativa e atuante em Portugal.

As áreas de investigação básica em Neurociências têm-se de

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epilepsia conheceu avanços extraordinários, não só com as novas terapêuticas medicamentosas, incomparavelmente mais eficazes do que na época da constituição da SPN, como enveredou por caminhos então insuspeitáveis, como as terapêuticas cirúrgicas e as estimulações elétricas.” A explicação é dada pelo Prof. Vítor Oliveira, presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN), afirmando que tais progressos só foram possíveis num contexto de interligação com outras áreas científicas e tecnológicas, de que “salientamos a imagem (pri-

meiro a TAC e depois a ressonância magnética e a tomografia de emissão de positrões)”. A eletroencefalografia, instrumento inseparável da prática neurológica, teve igualmente um papel fundamental no conhecimento dos mecanismos da epilepsia e permitiu identificar, com grande precisão, os focos epiléticos quer com registos sobre o escalpe, quer ainda, diretamente, sobre o próprio cérebro, durante as cirurgias. A monitorização das crises com vídeo-EEG constituiu também uma mais-valia importante. A patologia do sono foi uma nova área que, segundo Vítor Oliveira, “surgiu e que

Missão da SPN

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À SPN cabe também uma missão de grande relevância (talvez a mais importante), que é a de promover a formação dos médicos mais novos, que dão os seus primeiros passos na especialidade de Neurologia. A vitalidade da SPN mantém-se, enfrentando novos desafios, com vista a satisfazer os sócios no que eles poderão esperar de uma sociedade científica que é a sua. Assim, de acordo com Vítor Oliveira, “no nosso congresso anual, procuramos trazer colegas nacionais e estrangeiros que estejam a desenvolver trabalhos da maior qualidade e interesse para a nossa prática. Incentivamos o caminho dos mais novos com a atribuição de prémios para os melhores trabalhos apresentados nas nossas reuniões, bem como apoiamos a investigação com a atribuição de bolsas, após escrutínio rigoroso pelos pares”. Temos sentido o reconhecimento de outras sociedades médicas em Portugal, bem como o apoio da indústria farmacêutica e de equipamentos médicos, que “veem na nossa Sociedade o meio privilegiado quando querem contactar a comunidade da Neurologia Portuguesa. Ao finalizar, o presidente da SPN diz: “Queremos uma SPN cada vez mais ativa e atuante no nosso país, de modo a melhor servir a valorização profissional dos seus membros e a contribuir para melhorar a saúde dos cidadãos.”

tem vindo a ganhar uma dimensão imporAs doenças desmielinizantes, de que a tante. Estranho é que situações tão relevanmais comum é a esclerose múltipla, particutes que ocorrem em um terço larmente importante e dramáda nossa vida que passamos a tica ao atingir pessoas na força dormir não tenham despertadas suas vidas, “têm beneficiado interesse há mais tempo”. do de um progresso extraordiE acrescenta: “Aqui, também, nário, através de medicação ino progresso da engenharia comparavelmente mais eficaz no âmbito da eletromedicina do que existia há alguns anos”. foi fundamental, ao desenA área do estudo das cevolver instrumentos de regisfaleias constitui também um to prolongado do sono com componente importante da eletroencefalografia, associaNeurologia, com trabalhos pudos ao registo simultâneo em blicados em revistas científicas vídeo, e os equipamentos de Prof. Vítor Oliveira internacionais. monitorização cardíaca, venAs doenças vasculares cetilatória e muscular.” rebrais, nessa época, área órfã da Medicina, dada a escassez de meios de diagnóstico e de terapêuticas, não obstante o trabalho de EVOLUÇÃO TERAPÊUTICA AJUDA DOENTES Egas Moniz e colaboradores, foram conquistadas para a Neurologia. A sua expressão As doenças associadas ao envelhecimento mais paradigmática traduziu-se na via verde ganharam uma nova expressão não só devido do AVC e nas unidades de AVC, desenvolviao aumento da longevidade da população e a das nos últimos anos por todo o país. maior exigência com a saúde, como ao aparecimento de terapêuticas mais eficazes. UM PASSADO QUE MERECE REFLEXÃO “A doença de Parkinson, por exemplo, beneficia atualmente de tratamentos que revolucionaram a qualidade de vida dos seus porNas palavras de Vítor Oliveira, ao olhar tadores”, informa o neurologista, enfatizando para trás, “todos os neurologistas portuainda que “na doença de Alzheimer e noutras gueses certamente se sentem orgulhosos demências também se verificaram progresdo contributo da Neurologia Portuguesa sos notáveis, com repercussão direta na quapara o progresso da especialidade”. lidade de vida não só dos seus portadores, O especialista salienta ainda, “naturalcomo dos seus cuidadores e familiares”. mente, a obra e a figura de Corino de Andra-


9 de fevereiro 2013 | Jornal de Saúde Pública | 5

Alguns dos momentos mais marcantes da Sociedade No dia 20 de Abril deste ano são aprovados os estatutos da Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria (SPNP).

Mais um marco histórico na vida longa da SPN. No dia 28 de Junho, assinalou-se o 25.º aniversário da primeira angiografia cerebral, com uma homenagem ao Prof. Doutor Egas Moniz. Esta sessão comemorativa decorreu no Hospital Miguel Bombarda, na altura a sede da SPN (com a designação de SPNP).

de e colaboradores, no Porto, com a identificação da paramiloidose familiar (PAF) ou “doença dos pezinhos”, para a qual surgiu agora uma terapêutica medicamentosa para que todos olhamos com esperança”. A Unidade de Estudos das Funções Nervosas Superiores (Laboratório de Estudos de Linguagem), em Lisboa, fundada por António Damásio, hoje um cientista de reputação mundial a dirigir uma unidade numa prestigiada universidade dos Estados Unidos, a par de Alexandre Castro-Caldas, mantém hoje um laboratório em atividade que lhe assegura uma reputação internacional. As áreas de investigação básica em Neurociências têm-se desenvolvido com considerável pujança, existindo atualmente vários centros de investigação espalhados pelo país. “Vemos, hoje, que proliferam em Portugal unidades de Neurologia, as quais, não obstante os condicionalismos que o país atravessa, vão lutando incansavelmente por prestar às populações que servem um serviço da maior qualidade, tendo em vista os padrões internacionais”, revela. É com justificado regozijo que “vemos os neurologistas portugueses e estrangeiros a exercer em Portugal, bem como neurocientistas oriundos de várias áreas, juntarem-se sob a égide da SPN, para partilharem os seus conhecimentos e discutirem os assuntos que lhes dizem respeito”.

SPN seguiu o progresso das Neurociências Três décadas da Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN) são motivo de regozijo para todos os neurologistas que nela participam e também para um momento de reflexão. A SPN surgiu da separação entre os neurologistas e os psiquiatras que integravam a anterior Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria. Tratou-se de uma separação natural, feita de comum acordo, pois as respetivas especialidades estavam a ganhar um desenvolvimento científico de tal ordem específico e vasto que passava a ser muito difícil, se não impossível, aos seus membros interessarem-se e abarcarem todos os conhecimentos que iam surgindo. Por isso, “os seus membros optaram por abraçar uma das duas áreas que se constituíam e seguir os seus caminhos. Esta separação era a resultante natural da separação já ocorrida da especialidade de Neuropsiquiatra em Neurologia e Psiquiatria”, explica Vítor Oliveira, presidente da SPN. Sendo assim, a vida da novel SPN começava com a eleição dos seus órgãos sociais, pela primeira vez, em 1982. Olhando o percurso percorrido, vemos que “a SPN acompanhou, nestas três décadas, o progresso fascinante das Neurociências”.

Discute-se o anteprojecto que poderá conduzir à revisão dos estatutos da SPNP, que pretende separar as secções de Neurologia e Psiquiatria, o que se concretiza, oficialmente, dois anos mais tarde. É eleita a última direção da SPNP (com esta designação), presidida pelo Dr. António Fernandes da Fonseca. No dia 11 de Dezembro, é elaborada a acta inaugural da SPN, sobre a reunião do dia anterior, que juntou os 18 sócios fundadores da recém-criada Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN).

1950 1951 1952

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A sessão inaugural, que decorreu no dia 21 de Janeiro, é presidida pelos Drs. Trigo de Negreiros e Veiga de Macedo. Na mesma sessão, o Prof. Doutor Egas Moniz proferiu a oração "Conceitos neurológicos em Psiquiatria". Neste ano, toma posse a primeira direção da SPNP, cuja duração do mandato era de dois anos. A segunda direção da SPNP toma posse neste ano, sob a presidência do Prof. Doutor Barahona Fernandes. Pela primeira vez, as reuniões da SPNP decorrem fora da capital portuguesa. A 17 de Dezembro, a reunião anual é organizada na cidade do Porto, «cumprindo-se o estabelecido» nos estatutos da SPNP.

É debatida a cisão da SPNP, com o objectivo de se criarem duas sociedades científicas independentes: Psiquiatria e Neurologia. Esta divisão acontece em 1979. A SPNP é extinta neste ano, mas surge, entretanto, a Sociedade Portuguesa de Neurologia. Uma comissão instaladora, presidida pelo Prof. Doutor João Alfredo Lobo Antunes, elaborou os estatutos, que acabaram por ser aprovados no dia 28 de Julho de 1981.

1982

SPN 30 anos depois A SPN foi fundada em 1982, tendo resultado da antiga Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria, criada em 1975. Sem fins lucrativos, é constituída por neurologistas e por outros especialistas dedicados às ciências neurológicas. A Sociedade tem como principal finalidade a promoção do desenvolvimento da Neurologia ao serviço da população portuguesa, através do fomento do ensino, da investigação científica, do intercâmbio e divulgação de conhecimentos sobre as ciências neurológicas e da promoção de melhores condições de prestação de cuidados médicos e assistência aos cidadãos com doenças neurológicas. É filiada na World Federation of Neurology e na European Federation of Neurological Societies.

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se desenvolvido com considerável pujança

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6 | Jornal de Saúde Pública | 9 de fevereiro 2013

ALERTA A DR.ª EUGÉNIA SIMÕES, PRESIDENTE DO IPR:

“Número de reumatologistas não é o recomendável” Numa altura em que se fala de cortes na Saúde, a Dr.ª Eugénia Simões, atual presidente do Instituto Português de Reumatologia (IPR), está preocupada com as consequências. Neste momento, existem muitos doentes, por exemplo, do Alentejo, que não estão a ser referenciados, nem o seu transporte para o IPR para receberem tratamento é facilitado.

IPR: uma instituição com 64 anos de vida

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pecialidades, nomeadamente Medicina Instituto Português de ReumatoInterna”. logia (IPR) recebe sobretudo doentes da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo que VALÊNCIAS CLÍNICAS DO IPR são referenciados pelos centros de saúde. Atualmente, o Instituto constitui o De acordo com a Dr.ª Eugénia Simões, maior serviço de Reumatologia do País, presidente do IPR, “houve uma altura com o maior número de consultas presem que o Instituto recebia tadas e com o internamento doentes de todo o País”. mais alargado. Segundo a médica, apesar Existem diversas consulde ainda serem referenciatas no IPR, nomeadamente, dos alguns doentes da zona Reumatologia Geral, Espondo Alentejo, o número tem dilite Anquilosante, Reumabaixado substancialmente, tismo Psoriásico, Síndrome uma situação que acontece de Sjögren, Esclerose Sispor “variadíssimos fatores”. témica, Doença de Behçet, “Deixou de haver pagaLúpus, Artrite Reumatoide, mento de transportes e as Artrite Recente, Doenças próprias sub-regiões da ARS Ósseas Metabólicas, Postudo Alentejo não querem re- Dr.ª Eugénia Simões ra, Cardiologia Preventiva, ferenciar os doentes para o Reumatologia Pediátrica, IPR”, relata. Médico-cirúrgica (Ortopedia e Cirurgia Um dos objetivos passa por “manter e da Mão), Fisiatria e Nutrição. até aumentar a visibilidade e reputação Os serviços clínicos estão distribuídos do Instituto, quer entre os profissionais por três localizações. A “principal” situade saúde, como junto do público em ge-se na Rua da Beneficência, onde está todo ral”. o setor de Internamento, a maior parte da Neste sentido, avança, “pretendemos continuar uma política de visibilidade, mas também de viabilidade económica, uma vez que, neste momento, estamos quase completamente dependentes do acordo que temos com a ARS de Lisboa e Vale do Tejo, que é uma situação que nos deixa bastante ‘desconfortáveis’ perante o quadro geral do País”. Relativamente ao panorama nacional da especialidade, Eugénia Simões comenta que o número de reumatologistas “ainda não é o recomendável”. Segundo refere, este deve rondar as duas centenas e, atualmente, situa-se nos 120. “Considero que ainda há falta de reumatologistas, sobretudo em certas zonas do País.” A responsável avança ainda que, “neste momento, não há sequer um reumatologista em todo o Alentejo” e que “os médicos de família da região estão a ser pressionados para enviar os doentes Parte da equipa de profissionais do IPR reumáticos para consultas de outras es-

“O Consulta Externa, nomeadamente a Consulta de Reumatologia Geral, um setor de Fisiatria, Hospital de Dia e Podologia. Há um segundo edifício (as primeiras instalações do Instituto) na Rua Dona Estefânia n.º 187, onde existe um setor de Fisiatria e um ginásio, com a maioria da fisioterapia de ambulatório. Neste espaço realizam-se, ainda, algumas consultas privadas (subsistemas de Reumatologia) e é onde se encontra a sala de Direção. Há ainda um terceiro edifício, na Avenida Praia da Vitória, onde funcionam as consultas de Doenças Ósseas e Metabólicas e de Reumatologia Pediátrica e onde se encontra o Densitómetro. Na opinião de Eugénia Simões, o grande ponto forte da instituição são os trabalhadores, que proporcionam um tratamento global, multidisciplinar e integrado do doente reumático, “um aspeto que nos distingue em relação a outros serviços de Reumatologia do País”.

IPR foi criado com a finalidade do tratamento do doente reumático, quer numa vertente médica – à luz do que havia na altura –, quer social”, avança Eugénia Simões, recordando que, nesta época, já era reconhecida a importância das doenças reumáticas e do sofrimento que estas causam. “O objetivo era tentar tratar o maior número possível de doentes reumáticos, independentemente da sua proveniência, da sua condição social, fazer esse tratamento numa perspetiva integrada e, se possível, complementado com a vertente social”, desenvolve. No País, o Internato de Reumatologia iniciou-se em 1981, sendo que o IPR recebeu os primeiros internos em 1982. Depois, indica, “a partir de 1989, entrou uma nova vaga de internos, dos quais eu e o Dr. Augusto Faustino fomos os primeiros a entrar e, posteriormente, uma série de outros especialistas”. Vários médicos de outras instituições fizeram a sua formação no IPR, entre os quais os Profs. Doutores Viana de Queirós (fundador do Núcleo e, mais tarde, do Serviço de Reumatologia do Hospital de Santa Maria) e Lopes Vaz (fundador do Serviço de Reumatologia do Hospital de São João, no Porto).

Recursos humanos: Reumatologistas: 20 (35 h) e 3 (tempo parcial) Internos de Reumatologia: 3 Fisiatras: 3 (tempo parcial) Cardiologista: 1 Cirurgia Plástica: 2 Psicóloga: 2 estagiários Nutricionista: 3 Estagiários de Nutrição: 2 Fisioterapeutas: 7 Terapeutas ocupacionais: 1 Podologista: 1 Massagista: 3 Osteopata: 1 Enfermeiros: 8 Farmacêutico: 2 Assistentes sociais: 1 Secretárias clínicas: 2 Documentalista: 1 Auxiliares de ação médica: 13 Gestor hospitalar: 1 Administrativos: 19 Técnico de Informática: 1


9 de fevereiro 2013 | Jornal de Saúde Pública | 7

Saúde: Conhecer o risco

USF Valongo – Uma equipa centrada na saúde da pessoa.

Esta época do ano, propícia a erros alimentares e à diminuição de atividade física, contribui para aumentar o risco cardiovascular. Mais de 30% da mortalidade em Portugal deve-se às Doenças Cardiovasculares (DCV), como AVC e enfarte do miocárdio. O que pode influenciar a ocorrência destas doenças? A ocorrência da maioria destas doenças está relacionada com os estilos de vida, fatores fisiológicos e bioquímicos – em suma, os Fatores de Risco Cardiovasculares –, muitos dos quais modificáveis.

Os Fatores de Risco Cardiovascular (FRCV) facilitam e tornam mais rápido o desenvolvimento de aterosclerose, que precede por muitos anos o aparecimento de DCV evidente. Estes FRCV contribuem para o cálculo do Risco Cardiovascular Global do indivíduo. Se conseguirmos detetar e modificar precocemente estes fatores iremos reduzir substancialmente as hipóteses de desenvolvimento da doença. Quais os FRCV de maior prevalência? O principal, e mais prevalente, é a Hipertensão Arterial, seguido da Dislipidemias (“colesterol elevado”), o Tabaco, a Obesidade, a Diabetes, o Stress, o Sedentarismo, Idade e Sexo (mais prevalente no sexo masculino) e Hereditariedade. Dados recentes concluem que cerca de 50% da população adulta tem obesidade ou excesso de peso. As doenças cardiovasculares são uma área prioritária de intervenção na prevenção primária (antes da ocorrência de doença). O que fazer para reduzir o Risco Cardiovascular Global? Não fumar, fazer escolhas alimentares

saudáveis, praticar atividade física regular, manter ou adquirir peso adequado, ter a tensão arterial controlada < 140/90 mmHg, ter o Colesterol Total < 190 mg/ /dL e Colesterol LDL < 115 mg/dL, ter Glicemia < 110 mg/dL. Os FRCV, frequentemente, são vários por indivíduo e, por vezes, interagem de forma exponencial. De que forma o peso corporal influencia os níveis de LDL e HDL? O que fazer para conseguir minimizar este FRCV? Relativamente ao Peso corporal, sabemos que uma redução de 5 a 10% do peso inicial pode conduzir a diminuições de 15% para o colesterol LDL “mau colesterol”, 20 a 30% dos triglicerídeos e a um acréscimo de 8 a 10% do colesterol HDL “bom colesterol”. A adoção da Dieta Mediterrânica, rica em gordura monoinsaturada e hidratos de carbono provenientes dos frutos, legumes, cereais completos e porções moderadas de laticínios, é benéfica na redução da dislipidemia aterogénica (níveis elevados de triglicéridos e de colesterol LDL e baixos de HDL).

E o exercício físico ajuda? Trinta minutos por dia de caminhada vigorosa podem contribuir para a redução da pressão arterial, do colesterol e do peso. Veja a alimentação saudável e a atividade física como um investimento, a médio prazo, em si e na sua família. Tente juntar prazer à mesa com equilíbrio nutricional. Exigirá tempo, paciência e aprendizagem, como tudo o que realmente vale a pena na vida. Aconselhe-se com o seu médico de família e procure ser um elemento interveniente na sua saúde. Toda a pessoa tem o direito à saúde e tem igualmente o dever de a promover e a defender.

Artigo com a colaboração:

partilhamos o gosto pela Vida

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Dr.ª Margarida Abreu Aguiar Coordenadora da Unidade de Saúde Familiar de Valongo


8 | Jornal de Saúde Pública | 9 de fevereiro 2013

DR. AUGUSTO FAUSTINO:

Novas perspectivas no tratamento da osteoartrose

“A osteoartrose não é uma fatalidade, é um desafio” O Afeta cerca de 80% dos indivíduos com mais de 70 anos e é, provavelmente, a doença crónica mais prevalente no adulto idoso. A osteoartrose caracteriza-se por uma degradação lenta das articulações, cujo desfecho poderá ser a necessidade de substituição cirúrgica da articulação por uma prótese. Sabe-se hoje que esse processo, quando identificado e tratado nas fases iniciais, pode ser travado, evitando a evolução da doença para lesões irreversíveis.

FATORES DE RISCO

Cátia Jorge

O

utrora descrita como uma fase final da degradação de uma articulação, muitas vezes confundida com o processo natural de envelhecimento, a osteoartrose é hoje reconhecida como uma doença “mais transversal, mais evolutiva e com um início muito mais precoce do que se pensava”, explica o Dr. Augusto Faustino, em declarações ao Jornal de Saúde Pública.

como uma doença mecânica, mas sim como um processo metabólico e inflamatório evolutivo que, se não for controlado, acaba por levar a uma degradação da estrutura articular e a manifestações mais avançadas da doença. Até dispormos destes conhecimentos fisiopatológicos da osteoartrose, o tratamento passava, essencialmente, pelo alívio da dor, pela manutenção da função e pela cirurgia para substituição da articulação”, sublinha Augusto Faustino. DIAGNÓSTICO DA OSTEOARTROSE Hoje em dia, sem necessitar de grandes exames de diagnóstico, apenas com as queixas do doente e com manifestações radiológicas da osteoartrose, é possível iniciar uma intervenção para evitar que

Dr. Augusto Faustino

Na opinião do especialista do Instituto Português de Reumatologia e da Clínica de Reumatologia de Lisboa, têm ocorrido grandes evoluções na área do conhecimento sobre a patogenia da osteoartrose que levam a uma melhor compreensão dos mecanismos mais precoces responsáveis pelas alterações da cartilagem. Por outras palavras, “a artrose não é um simples desgaste da articulação causado pela idade, na medida em que todas as estruturas intracartilares estão implicadas, muito em especial o osso subcondral e a membrana sinovial. Começamos a perceber que a doença começa muito mais cedo do que pensávamos de forma quase assintomática”, esclarece o reumatologista. “Com estas descobertas, a osteoartrose passou a ser encarada não como um desgaste terminal da articulação, não

o doente chegue aos últimos estádios da patologia, pois, “parece evidente que, se intervirmos nessas fases mais precoces, conseguimos evitar ou atrasar a evolução para as fases mais avançadas, só tratáveis adequadamente com recurso a cirurgia ortopédica para substituição da articulação por uma prótese”.

s doentes que sofrem de osteoartrose poderão vir a ter, num futuro próximo, novas “armas” terapêuticas para combater eficazmente uma patologia como a osteoartrose, que é tão dolorosa como incapacitante.

Os principais fatores de predisposição para o desenvolvimento da osteoartrose não são modificáveis, nomeadamente a idade, o sexo e as condicionantes genéticas inerentes a cada indivíduo. Porém, há fatores que contribuem para o agravamento da artrose que podem ser minimizados, como qualquer fator mecânico que incida numa articulação que esteja num processo de artrose “É o caso do excesso de peso, bem como o excesso de atividade física, o desalinhamento articular e todos os fatores que causem sobrecarga numa articulação”, descreve Augusto Faustino. “O controlo do peso, não só para alívio da sobrecarga, mas também para a redução dos indicadores inflamatórios, assume uma enorme importância, independentemente do tratamento farmacológico”, concluiu o reumatologista.

Prof. J. Y. Reginster

Estas foram as palavras iniciais do Prof. Jean-Yves Reginster, presidente da Sociedade Europeia para os Aspetos Económicos e Clínicos da Osteoporose e da Osteoartrose (ESCEO), na sessão “Repensar a osteoartrose”, que decorreu nas XX Jornadas Internacionais do Instituto Português de Reumatologia, no passado mês de novembro. O orador destacou os resultados de um estudo que demonstrou que o ranelato de estrôncio – um medicamento que está aprovado atualmente para o tratamento da osteoporose, na prevenção das fraturas vertebrais e da anca – tem também efeitos benéficos no tratamento da osteoartrose, atrasando a progressão da doença e melhorando a sintomatologia associada. Os resultados do estudo, realizado em mais de 1600 doentes com osteoartrose do joelho e que seguiu uma metodologia rigorosa, de acordo com os critérios de avaliação definidos pelas Agências do Medicamento Europeia e Norte-americana (EMA e FDA), vêm demonstrar em termos clínicos que “três anos de tratamento com o fármaco equivalem a um atraso de cerca de um ano na progressão da osteoartrose”. Como referiu J. Y. Reginster, o tratamento com ranelato de estrôncio demonstrou retardar a evolução da doença, cuja consequência mais grave é a necessidade de cirurgia de substituição da articulação do joelho. Além disso, o orador sublinhou que os efeitos do ranelato de estrôncio a nível estrutural da articulação foram acompanhados de uma melhoria significativa da sintomatologia. Jean-Yves Reginster concluiu que “estes dados, obtidos com o ranelato de estrôncio, representam uma nova esperança para os médicos e doentes que procuram uma gestão mais eficaz e global da osteoartrose”.


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