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Brasil de Fato PR - Edição 7

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Opinião | p. 02

Direitos trabalhistas ameaçados

“Impeachment de Dilma é golpe encoberto”

26 projetos podem destruir conquistas históricas

Confira a entrevista com o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel

PARANÁ

04 a 11 de maio de 2016

Camilla Hoshino / Brasil de Fato

Entrevista | p. 04

distribuição gratuita

Ano 01 | Edição 07

Ednubia Ghisi / Brasil de Fato

Massacre do Centro Cívico completa um ano No dia 29 de abril, 25 mil pessoas foram às ruas de Curitiba para denunciar a violência do Governo Beto Richa (PSDB) contra os trabalhadores. Professores, estudantes e servidores estaduais participaram do ato que contou com apresentações musicais, teatrais e intervenções políticas. Além da memória do massacre, a denúncia do golpe institucional em curso no Brasil foi lembrada

Cidades | p. 05 Esportes | p. 08

Quem vai levar o título do Campeonato Paranaense? Joka Madruga / Brasil de Fato

Hip Hop e periferia “Temos manos da periferia que estão fazendo faculdade, que estão numa realidade diferente. Isso não existia em governos anteriores”, garante Jamaica, integrante da AHHEMP. Grupos de rap e hip hop participaram de ato em defesa da democracia no 1º de maio em Cultura | p. 07 Curitiba


2 | Editorial

Brasil de Fato PR

Paraná, 04 a 11 de maio de 2016

EDITORIAL Leandro Taques/Brasil de Fato

A

data do dia 29 de Abril entra para a História como uma das maiores agressões contra professores e trabalhadores, no Paraná e no Brasil. A Semana de Lutas, organizada quando o massacre completou um ano, mostra que o fato marcou não só os servidores estaduais, mas toda a sociedade civil do Paraná: advogados, comunicadores, artistas e diversos sindicatos participaram de debates e atos de rua para dizer que nunca mais se repita a violência vista no Centro Cívico. Algumas lições podem ser aprendidas daquele episódio. A primei-

Massacre do Centro Cívico: retrato de nossas elites

ra é que, em períodos de crise, as elites fazem de tudo para cortar direitos dos trabalhadores, inclusive se for preciso usar a repressão. O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), não teve pudor em manter a votação para mudar o Fundo de Previdência dos servidores enquanto, do lado de fora, mais de 200 pessoas eram feridas pela ação da Polícia Militar, sob comando do secretário estadual de Segurança à época, Fernando Francischini (Partido Solidariedade). Interesses Outra questão é que a classe política está desgastada, atrelada ao financiamento empresarial de campanha e não aos interesses

dos trabalhadores, nem de seus eleitores. No Paraná, o governador Beto Richa (PSDB) controla a maioria dos deputados, que sequer abriram um canal de diálogo com os trabalhadores para debater um tema importante como a Previdência. Isso também foi visto no dia 17 de abril, em Brasília, dia da votação pela abertura do processo de impeachment da presidente Dilma, na Câmara dos Deputados, quando o país conheceu um parlamento no qual a maioria dos deputados está preocupada com seus interesses pessoais. Depois da repressão, porém, os trabalhadores fortaleceram sua organização, levando 25 mil pessoas às ruas no último dia 29 de abril. Foi inútil a tentativa desesperada de Francischini e de Valdir Rossoni, chefe da Casa Civil de Richa, de vincular o ato “com a defesa de Dilma e

OPINIÃO

Direitos trabalhistas na corda bamba Paula Cozero e Guilherme Uchimura

T

ramitam no Congresso Nacional ao menos 26 projetos de lei com o objetivo de derrubar direitos trabalhistas. A crise econômica e política, agravada pelo golpe em curso, ameaça as populações historicamente exploradas e oprimidas a continuarem pagando pela manutenção dos privilégios dos mais ricos. A lista de ataques é longa: terceirização ampla e irrestrita, prevalência do negociado sobre o legislado, restrição do conceito de trabalho escravo, obstrução do acesso à Justiça do Trabalho, redução de jorna-

da com redução de salário, suspensão do contrato de trabalho em tempos de crise, fragilização das garantias referentes à jornada de trabalho, redução da idade para início da atividade laboral para 14 anos, entre outros. Enfrentar o retrocesso É tarefa urgente do povo conhecer e enfrentar esses projetos, com os quais deputados e senadores, alia-

dos ao capital, pretendem desmoronar a legislação trabalhista. Não há exagero em dizer que as consequências materiais da retirada de direitos são duramente reais: com a aprovação de qualquer uma dessas ameaças, os trabalhadores sentiriam na pele o aprofundamento da exploração no dia a dia. Todos esses projetos ainda precisam passar por diferentes sessões de votação no Congresso Nacional para se tornarem lei. Mas devemos, especialmente agora, ficar mais alertas contra todos eles: o golpe em curso aumenta decisivamente as pos-

sibilidades de aprovação dos ataques em pauta. A solução, portanto, também passa por lutar contra a ruptura institucional em trânsito, que só aproveitará aos ricos e colocará uma podridão daninha na cadeira presidencial. Em qualquer cenário, devemos continuar lutando contra os retrocessos almejados pelos patrões. Para não dizermos adeus aos nossos direitos trabalhistas, duramente conquistados, não há opção senão seguirmos resistindo às armadilhas postas. Fortalecer a organização e a formação política de base do povo trabalhador é o único movimento, de baixo para cima, capaz de fazer ruir o sistema desigual em que vivemos.

do PT”. O ato foi organizado pelos professores e funcionários estaduais, que receberam a solidariedade das organizações e partidos de esquerda. Por outro lado, os responsáveis pelo massacre não tiveram sequer a humildade de pedir desculpas. Ou, ao menos, que tivessem ficado calados.

EXPEDIENTE Desde fevereiro de 2016

Brasil de Fato PR

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Paraná. Esta é a edição nº6 do Brasil de Fato PR, que circulará nas quintasfeiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais. JORNALISTA RESPONSÁVEL Ednubia Ghisi (MTB-0008997/PR) EDIÇÃO Camilla Hoshino REPORTAGEM Carolina Goetten COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Paula Cozero, Guilherme Uchimura, R.U.A FotoColetivo ARTICULISTAS Gibran Mendes, Roger Pereira, Manolo Ramires, Cesar Caldas REVISÃO Paula Zarth Padilha, Maurini Souza FOTOGRAFIA Joka Madruga, Leandro Taques ADMINISTRAÇÃO Clara Lume DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Gustavo Erwin Kuss, Daniel Mittelbach, Luiz Fernando Rodrigues, Pedro Carrano TIRAGEM SEMANAL 6 mil exemplares REDES SOCIAIS facebook.com/bdfpr ANUNCIE administracaopr@brasildefato.com.br

Escreva para redacaopr@brasildefato.com.br


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Paraná, 04 a 11 de maio de 2016

bem

“Únicos derrotados são os que deixam de lutar”,

Divulgação

mandou

FRASE DA SEMANA

Divulgação

disse o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica. Ele participou de uma entrevista coletiva no Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé. O cantor Dani Black mandou bem com a nova composição chamada “Faxina Geral”, dedicada a Eduardo Cunha. “Qual é o truque que das mãos do Cunha sai/ Que o maldito só balança e balança mas não cai?” diz o refrão. Dani Black foi autor da canção “trono de estudar”, escrita durante as ocupações de escolas em São Paulo.

mandou

mal

EBC Memória

O senador Antonio Anastasia (PSDB/ MG) será o relator do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff (PT) no Senado. Só que ele é acusado pelo Ministério Público Federal de praticar “pedaladas fiscais” enquanto foi governador de Minas Gerais. As “pedaladas” são a justificativa para o impeachment.

População ocupa as ruas, no 1º de maio, contra o corte de direitos Fórum 29 de Abril

Por Carolina Goetten de Curitiba (PR) O dia 1º de maio, data que celebra o Dia do Trabalhador, foi marcado por diversas atividades e manifestações em Curitiba. No atual momento político do país, cujo cenário é de desemprego, redução de direitos e agressão à democracia, as ações se voltaram à denúncia desta situação e a demonstrar a importância do enfrentamento coletivo. Logo pela manhã, o bairro Alto Boqueirão sediou mobilizações organizadas pela Arquidiocese de Curitiba e pela Pastoral Operária. Com o tema “Qual o valor do seu trabalho?”, as entidades promoveram café da manhã coleti-

vo, celebração religiosa e roda de conversa sobre a política nacional. “O evento foi surpreendente e superou as nossas expectativas”, avaliou o integrante da Pastoral Operária, Jardel Lopes. A roda de conversa teve a participação de Roberto Baggio, da Direção Estadual do MST. “Ele trouxe uma análise da conjuntura em que vivemos e ressaltou que os tra-

1º DE MAIO Em discurso no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, no ato do Dia do Trabalhador, a presidenta Dilma Rousseff anunciou um aumento de 9% para o Bolsa Família e a construção de 25 mil moradias em parceria do governo federal e movimentos populares. Durante ato também houve anúncio de uma paralisação unificada de setores públicos e privados para 10 de maio.

balhadores e trabalhadoras é que sofrem as consequências da crise. A fala foi esclarecedora ao expor o que está por trás desse processo golpista. Muitos dos participantes saíram motivados e se comprometeram a reproduzir a análise em outros espaços”, explicou Lopes. Na parte da tarde, um ato organizado por sindicatos e movimentos sociais ocorreu na Praça Rui Barbosa e também buscou fazer um enfrentamento. Ocupar as ruas, na atual conjuntura, mostra a força da classe trabalhadora contra o avanço do conservadorismo. Mídia Ninja

3 | Geral SINDICAL | Por Paula Zarth Padilha

Negociações coletivas Na terça-feira (03), o Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese) realizou em Curitiba a 12ª Jornada Nacional de Debates. Com o tema “Desafios da Negociação Coletiva em cenário de crise”, o evento reuniu dirigentes de sindicatos de trabalhadores. A conjuntura econômica do país está em desaceleração com relação ao PIB e ao desemprego, mas muito acima dos dados anteriores ao ano de 2003. A estimativa é de retomada do crescimento a partir de 2017.

Reajuste do Salário Mínimo Regional Anunciado por Richa como “demonstração de respeito a quem trabalha e produz”, o reajuste de 11,08% no valor do salário mínimo regional do Paraná foi divulgado às vésperas do 1º de maio. Ocorre que o reajuste é definido em negociação duríssima entre governo, trabalhadores e patrões. De acordo com Sandro Silva, do Dieese, o patronal ofereceu um reajuste de reposição menor do que a inflação. Já o governo, queria pagar a projeção para a data-base de maio, em percentual menor que o índice aplicado. O reajuste de 11,08% é referente à inflação acumulada até março de 2016 e as novas faixas salariais mínimas em vigor no Paraná variam de R$ 1.148,40 a R$ 1.326,60.


4 | Entrevista

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Paraná, 04 a 11 de maio de 2016

Impeachment é “golpe encoberto”, diz Prêmio Nobel da Paz A

luta contra o golpe institucional em curso no Brasil e apoio ao fortalecimento democrático foram os principais motivos que trouxeram o Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, ao país na última semana. Em sua visita a Curitiba na sexta-feira (29), o argentino participou de um ato organizado por juristas do Paraná em defesa da democracia e passou pela manifestação que marcou um ano do “Massacre do Centro Cívico”. Confira a entrevista coletiva:

Quais os motivos de sua visita ao Brasil? Trazer apoio e solidariedade ao fortalecimento democrático no Brasil. Venho representando organizações como o Prêmio Nobel da Paz. Estamos preocupados com os chamados “golpes encobertos” ou “golpes brandos” na América Latina, que já foram experimentados em outros países, como no caso de Honduras, com a destituição de Manuel Zelaya, e do Paraguai, com Fernando Lugo. Outras tentativas de golpe de Estado fracassaram no Equador, na Bolívia e na Venezuela. É importante afirmar as instituições do Estado e a continuidade constitucional. Se isso não acontecer, será perigoso para a saúde do nosso povo. O senhor falou sobre a possibilidade de um ‘golpe’. O que, em sua opinião, não está sendo respeitado pela

Constituição? Não estamos falando de o Sistema utilizar as forças armadas. Hoje, o mecanismo do que chamamos de ‘golpe de Estado brando ou encoberto’ se dá primeiro com um desprestígio sobre os governos pelos meios de comunicação. Depois pelo apoio de setores políticos, empresariais e do Judiciário para derrubar o governo. Os golpes querem acelerar as privatizações das empresas estatais e outras, por controle sobre os movimentos sociais. São mecanismos repressivos. Então, onde fica a decisão de um povo frente a isso? Eu sou sempre um ‘pessimista esperançoso’, porque acredito que quando os povos se unem e se põem de pé, eles podem modificar isso. Aqui no Brasil acreditamos que um dos responsáveis pelo golpe seja a própria mídia corporativa. Qual é a relação entre o monopólio da mídia na Argentina e o monopólio aqui no Brasil? Nenhum veículo de comunicação é neutro. Todos têm suas ideologias, seus interesses políticos e econômicos. Porém, os monopólios são dominantes, porque têm a possibilidade de levantar ou tirar qualquer governante, de acordo com os interesses que tenham. O monopólio no Brasil é exercido, fundamentalmente, pela Rede Globo. Na Argentina, a rede do Clarín e La Nación era a que monopolizava todos os meios. O parlamento sancionou [durante o governo de Cristina Kirchner] a Lei de Meios para gerar diversidade informativa. Mas creio que o

Pérez Esquivel concedeu entrevista coletiva a jornalistas, no Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge)

governo promoveu a concentração de meios estatais, o que não é superar os monopólios. O que vemos na Argentina e também no Brasil, com programa de Michel Temer, é a tentativa de restauração neoliberal na América Latina. Como o senhor avalia esse processo? O que está acontecendo é uma de-

Os golpes querem acelerar as privatizações das empresas estatais e outras, por controle sobre os movimentos sociais

sintegração de avanços de unidade regional, como o Mercosul, Unasul e Celac, assim como o esquecimento de políticas de direitos humanos e culturais. Hoje, os países latino-americanos não têm decisões próprias. Por exemplo, quem define os preços dos nossos produtos no mercado internacional? Não são os latino-americanos, são os grandes centros do poder. E isso sempre será uma forma de colonização. Os comentários sobre a votação pela admissão do impeachment na Câmara dos Deputados são de que não houve argumentos técnicos. O que o senhor pensa sobre isso? Não estive com os deputados, mas o que sei é que a presidenta Dilma aplicou um procedimento que outros governos anteriores haviam aplicado. Não é uma coisa que ela inventou. Isso [o golpe] não se faz porque não se gosta da presidenta, mas porque há intenções políticas e econômicas, como as privatizações das empresas estatais.

APOIADORES

Por Camilla Hoshino e Pedro Carrano de Curitiba (PR)

Leandro Taques / Brasil de Fato

Para Adolfo Pérez Esquivel, mídia corporativa, empresas e Poder Judiciário são atores do golpe


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Grande ato marca um ano do “Massacre do Centro Cívico” 25 mil pessoas foram às ruas contra a violência do Estado sobre trabalhadores Leandro Taques / Brasil de Fato

Por Camilla Hoshino e Ednubia Ghisi de Curitiba (PR)

O

da educação ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE. Professores das 29 regionais da APP-Sindicato participaram do ato. A pala-

vra de ordem “Fora Beto Richa” se intercalava aos pronunciamentos e às músicas dos carros de som. “Para nós, a palavra luto é verbo, é resistência, e por

Memórias do massacre “Estamos aqui para relembrar esta data, para que ela não caia no esquecimento. […] Para que a gente se mantenha unido contra todo e qualquer tipo de governo truculento”, garante Gizele Cristiana, professora da Rede Estadual de Educação, que viveu na pele a violência do dia 29 de abril de 2015. Mais de 230 pessoas, em sua maioria professores e servidores, ficaram feridas naquele dia pela chuva de bala de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo promovida pela Polícia Militar, com a conivência do Governo Beto Richa (PSDB). Na ocasião, os manifestantes tentavam barrar a aprovação do Projeto de Lei

“Fui bombardeada durante três horas”, relata a professora de artes, Vanessa Cristina Collere

que ficou conhecido como “Confisco da Previdência”, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Vanessa Cristina Collere também estava na Praça Nossa Senhora de Salete há um ano. “Fui bombardeada durante três horas”, relata a professora de artes do Colégio Estadual Deputado Arnaldo Faivro Busati. Para Pedro Eloi Rech, professor aposentado da Rede Estadual, o “Massacre do Centro Cívico” é o ato de “maior violência, em tempos de absoluta paz, democracia e plenas negociações abertas”. Ele estava entre os atingidos pela truculência policial: “Não tinha como fugir. Eles literalmente cercaram e fizeram um ato de violência proposital. Atiraram inclusive dentro dos tubos de ônibus”. Além da violência física, Rech vê como marca principal do Massacre o ferimento simbólico da autoridade dos professores, que pode refletir no cotidiano da sala de aula. “Se o Estado tem o direito de agredir o professor, como é que o aluno vai ter respeito por aquele que é agredido, que foi chamado de black bloc”, questiona.

Joka Madruga / Brasil de Fato

aniversário de um ano do “Massacre do Centro Cívico” levou 25 mil pessoas às ruas de Curitiba na última sexta-feira (29), de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), um dos organizadores do ato. Dez estados estavam representados na manifestação, por meio de integrantes de sindicatos estaduais

isso estamos fazendo a denúncia do que aconteceu, mas também seguimos lutando por nossos direitos”, garante Walkiria Olegário Mazeto, integrante da diretoria da APP-Sindicato. Ela explica que a manifestação, na parte da manhã, teve como foco a memória e a denúncia da violência ocorrida há um ano por parte do governo estadual, e à tarde, ganhou espaço o posicionamento contra o golpe institucional em curso no Brasil, via tentativa de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Segundo o relatório apresentado pelo próprio governo Richa, 2.500 policiais dispararam 2.323 balas de borracha e 1.413 bombas de efeito moral

5 | Cidades

EM DISPUTA Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais, presente na manifestação, avalia que o ato em memória ao massacre no Paraná é fundamental para que seja feita a disputa da narrativa do fato, como forma de apresentar a versão daqueles que sofreram a violência. “Governadores que fazem o que Beto Richa fez deveriam estar na cadeia, e não ainda como governadores do estado”, afirma Cerqueira. Durante os governos do PSDB em Minas Gerais, de 2003 a 2014, com Aécio Neves e Antônio Anastasia, as entidades sindicais sofreram um processo de criminalização das lutas, judicialização das pautas de reivindicação e enfrentamento com as forças repressivas do Estado. Na avaliação da dirigente da CUT, o fundamental para os trabalhadores organizados em Minas e no Paraná é lutar contra o projeto político do PSDB. “Sem fazer isso, nós continuaremos perdendo e reféns de uma política que não tem a educação pública como prioridade e que vai continuar retirando direitos dos seus servidores”, garante. Leandro Taques / Brasil de Fato

DIVERSIDADE Diversidade e cultura foram algumas características da manifestação, que contou com intervenções musicais e teatrais. O show da banda Detonautas encerrou a atividade com canções críticas e posicionamentos contrários ao golpe no país. A presença do músico mineiro Pereira da Viola e do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel também marcou o ato


6 | Cidades

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Direto do produtor para o consumidor

CAÇA-PALAVRAS

Feiras da agricultura familiar estão nos bairros e são mais baratas Lely Ferreira

Por Ednubia Ghisi, de Curitiba (PR)

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fila para comprar na feira de frutas, verduras e hortaliças contornava metade da Praça 29 de Dezembro, Centro de Curitiba, na noite fria desta segunda-feira (2). O preço fixo de R$ 1,99 está entre os principais motivos da grande procura. “A gente tem que correr atrás do preço”, confirma a manicure Roseli Maciel de Oliveira, que, junto das duas filhas, aguardava a sua vez de entrar na tenda de exposição dos alimentos. O ponto de venda está em funcionamento desde o final de fevereiro, toda segunda-feira, e faz parte do Programa Nossa Feira, da prefeitura de Curitiba. São 16 feiras espalhadas pela cidade, com o mesmo preço, em dias alternados. O programa teve início em março de 2014 e representava 47% de economia para o consumidor em janeiro deste ano,

APOIADORES

de acordo com a prefeitura. “A gente vê que é fresco. Parece que vem direto de quem produz”. A suspeita da manicure é a mesma de Ralse Lima, que estava um pouco mais atrás na fila: “A impressão que dá de que veio do quintal direto para a feira. Talvez por isso é mais barato, por não ter atravessadores no meio”. O olhar atento das consumidoras se confirma no relato de Lucas Strapasson, um dos funcionários da Cooperativa da Agrícola Familiar de Colombo - Cooacol. Ele e outros 11 colegas chegam na Praça sempre às 14h e montam a estrutura até às 17h, quando começam as vendas. “Nós já pegamos o jeito, em três horas está tudo pronto para abrir”. Ao comparar com os outras quatro feiras que realizam pelo

Programa, Strapasson garante que o ponto do Centro é o de maior movimentação, com filas constantes. A cada segunda-feira, cerca de mil pessoas passam pela feira e em média 10 mil quilos de hortifruti são vendidos. Além dos alimentos a R$ 1,99, há uma banca de produtos diferenciados, com preços variados. Agricultura familiar A Cooacol e a Cooperativa de Processamento Alimentar e Solidária de São José dos Pinhais - Copasol são as suas cooperativas que venceram licitação da prefeitura para operacionalizar as feiras e abastecer com os produtos. A Secretaria Municipal do Abastecimento é responsável pela regulação e a política de articulação com fornecedores. Lucas Strapasson relata que o Programa possibilitou o aumento no número de cooperados. “A expectativa é de crescer e ter mais pontos de venda em parceria com a prefeitura”.

ENCONTRE AS FEIRAS PÚBLICAS Sempre das 17h às 21h SEGUNDAS Capão da Imbuia: R. Dra. Juracy Riquelme, ao lado da Escola Municipal Eva da Silva Sítio Cercado: R. Joaquim de Melo, em frente ao Terminal do Sítio Cercado Centro Pça. 19 de Dezembro, lateral com a R. Paula Gomes TERÇAS Caiuá: R. Hilda Cadilhe de Oli-

veira, perto do Terminal Caiuá Cajuru: (Conjunto Mercúrio) Av. Jornalista Aderbal Gaertner Stresser, próximo a Escola Municipal Irati São Braz: R. Brasílio José Betezek, entre a R. Antonio Escorsin e Juruaçú QUARTAS Alto Boqueirão: R. Ayrton Leal da Silva, junto ao eixo de lazer, a uma quadra da Igreja São José Operário

Bairro Alto: R. Epaminondas Santos, ao lado da Escola Municipal Araucária Barreirinha: Av. Anita Garibaldi, no estacionamento do Parque da Barreirinha QUINTAS Pilarzinho: R. José Morais, ao lado do Centro Municipal de Educação Infantil Cinderela Tatuquara: R. Pero Vaz de Caminha, entre a Enette Dubart e Ieda Cristina Ribeiro

Vila Lindóia: R. Conde dos Arcos, entre Av. Santa Bernadete e a R. Galileu Galilei SEXTAS CIC: R. Jair Coelho, ao lado do Colégio Eurides Brandão Uberaba: R. Soldado Vicente Pereira Miranda, ao lado da Escola Municipal Marumbi Capão Raso: R. José Zaleski, entre a R. Laudelino Ferreira Lopes e Francisco Biscardi


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7 | 7Cultura | Cultura

AGENDA DA SEMANA

Vamos dançar tango?

O quê: Casarios, paisagens e um jogo criativo de grafismos e formas compõem a exposição da artista Cristina Gusmão sobre a cidade de Almirante Tamandaré Onde: Centro de Criatividade de Curitiba, Parque São Lourenço Quando: Até 15 de maio, de segunda a sexta das 9h às 20h30 e aos sábados das 13h às 16h Quanto: 0800

O quê: Leitura e bate-papo sobre a obra “Lavoura Arcaica”, de Raduan Nassar, especialmente para os vestibulandos. Com facilitação de Samuel Teixeira Onde: Espaço da Leitura Jardim Eucaliptos, Rua Pastor Antônio Polito, 2200 - Alto Boqueirão Quando: 18 de maio, às 14h30 Quanto: 0800

O quê: A intenção do tango CWB é popularizar a dança como manifestação cultural. A atividade envolverá práticas de dança, workshops e Divulgação intervenções urbanas Onde: Casa Hoffmann Centro de Estudos do Movimento - São Francisco Quando: 21/04, 18/06, 16/07, 20/08, 17/09, 22/10, 19/11 e 17/12. Das 17h30 às 21h30. Quanto: 0800

Samba do Compositor Paranaense

Divulgação

Leituras de vestibular

Divulgação

Tamandaré em exposição

O Saci e a Pipa

Divulgação

O quê: É um encontro de samba de roda autoral, realizado há cinco anos em Curitiba. Referência no Paraná, o evento acontece toda terçafeira. Aberto à comunidade. Onde: Teatro Universitário de Curitiba – TUC, Travessa Nestor de Castro, s/nº, Gal. Júlio Moreira, Centro Quando: 10, 17, 24 e 31 de maio, das 20h às 21h30 Quanto: 0800

O quê: É um espetáculo infantil de fantoches que conta as aventuras do Saci. As travessuras Divulgação e brincadeiras resgatam um dos mitos do folclore nacional e do brinquedo tradicional e artesanal Onde: Teatro do Piá, Praça Garibaldi, 7, Palacete Wolf - São Francisco Quando: 8 de maio, às 11h Quanto: 0800

O Hip Hop e a periferia não têm voz sem democracia na organização das apresentações de Rap perderam as contas de quantos MCs soltaram a voz, mas garantem que vieram grupos e artistas solo de todas as regiões de Curitiba e de municípios da Região Metropolitana. “O Hip Hop não funciona sem a democracia. Não tem como um MC cantar sem ter democracia. O Hip Hop trata da realidade e é cultura da periferia. E a periferia nunca vai ter voz sem democracia, e por isso é necessáTem mano em uma rio que o movimento Hip realidade diferente. Hop seja contra o golpe”. Isso não existia em É o que diz Vato 413, 20 anos, morador do Ubegovernos anteriores raba, integrante da Asso-

As vozes ecoaram no microfone e o público levou as mãos para o alto, na batida do Rap. O som que ocupou a praça Rui Barbosa no último domingo marcou o Dia do Trabalhador e as mobilizações em defesa da democracia, contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Os jovens que estavam

ciação Hip Hop e Movimentos Periféricos – AHHEMP e um dos organizadores do ato cultural. Para Célio Jamaica, também membro da AHHEMP, o objetivo do movimento Hip Hop no contexto atual “é fazer com que a juventude entenda qual o papel dela, e dizer que a periferia deve, sim, se organizar”. Ele garante que o golpe em curso vai resultar em redução de direitos e conquistas que a população mais excluída teve na última década: “Nós temos manos da periferia que estão fazendo faculdade, que estão na pós graduação, que estão numa realidade diferente. Isso não

Ednubia Ghisi

CULTURA PERIFÉRICA | Ednubia Ghisi

existia em governos anteriores”. Na avaliação de Jamaica, estas conquistas incomodam as elites brasileiras. Hip Hop tem lado “Sempre que a Globo, a Veja, a Folha, a polícia e todos esses filhos da ditadura estiverem de um lado, pode acreditar, nós estaremos do outro lado, do seu lado”. Esta é a primeira frase da Carta Aberta em defesa da democracia e contra o golpe, assinada por mais 50 entidades e lideres do movimento Hip Hop na-

cional. O documento foi lançado no início de maio e expressa a posição nítida os ativistas e artistas a respeito do cenário político atual. Apesar de não ser unanimidade no Hip Hop, Vato avalia que a defesa da democracia é opção da maioria dos adeptos, pelo caráter politizado do movimento. “A gente faz as nossas reivindicações, fala o que acontece na quebrada, denuncia a repressão policial. Sem democracia a gente não vai fazer isso nunca mais”, garante.


8 | Esportes

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Paraná, 04 a 11 de maio de 2016

Atlético abre 3x0 e coloca as duas mãos na taça do Paranaense Furacão só precisou de 16 minutos para praticamente garantir o título do campeonato estadual

A

pós sete anos na fila, o Atlético Paranaense está muito próximo de garantir o título de Campeão Paranaense. O Furacão goleou, no último domingo (1), o Coritiba na Arena

O Atlético Paranaense deve ir completo à decisão no Couto Pereira, onde, salvo um desastre, levantará o troféu na casa do principal rival

da Baixada. Com o resultado goleiro Elisson e amdo de 3 a 0 o Furacão pode pliar. Quatro minutos deperder por até dois gols de pois Hernani cobrou falta diferença que levará o trono canto do goleiro e finaféu. O Coxa, por sua vez, lizou o placar. precisa vencer por uma diO resultado poderia ter ferença de três gols para lesido ainda mais elástico, var a disputa para os pêuma vez que o ímpeto do naltis no próximo dia 8 de Furacão só foi freado após maio. a expulsão de Hernani. O time rubro-negro foi Sete minutos após marcar melhor durante toda a parseu gol de falta, ele cometida. Mostrou mais orgateu falta por trás e levou o nização tática, mas princisegundo cartão amarelo, palmente, mais disposição equilibrando um pouco a O Furacão não ganha o título há sete anos e terá o time para vencer o jogo. Dispupartida. completo para a decisão do Paranaense tou como se fosse a partida Para o jogo da volta, o de sua vida e é assim que se joga um Coritiba aguarda o retorno do latenecessários apenas 16 minutos para AtleTiba. ral direito Ceará e do meia Juan, dois assegurar o placar. destaques da equipe no CampeonaThiago Heleno, após jogada de to Paranaense. Segundo tempo Após pressionar falta ensaiada, abriu o placar de caJá o Atlético deve ir completo à durante todo o primeiro tempo, foi beça aos 7 minutos. Doze minutos decisão no Couto Pereira, onde, salna segunda etapa que o Atlético endepois, após uma falha bisonha da vo um desastre, levantará o troféu caminhou a vitória que deverá gazaga Alviverde, Ewandro surgiu nas na casa do principal rival. rantir o título paranaense. Foram costas da zaga para tocar na saída Joka Madruga/Brasil de Fato

Por Gibran Mendes da Redação (PR)

CORITIBA | Por Cesar Caldas

ATLÉTICO | Por Roger Pereira

Esperança e expectativas

Alma lavada

O Coxa decide no domingo (8) o título do Campeonato Estadual contra o Atlético, no Alto da Glória, ciente de que reverter um placar de 0x3 dependerá de recomposição tática e certa dose de sorte. Após jornada infeliz no Atletiba do Dia do Trabalhador, o time alviverde conta com o provável retorno de Juan ao meio-campo e precisa recompor o lado direito da defesa, no qual o lateral Reginaldo demonstrou inaptidão para jogo de tamanha responsabilidade. Na semana seguinte, as atenções estarão voltadas à Copa do Brasil e à estreia no Brasileiro (diante de Juventude e Cruzeiro, respectivamente), quando os atletas estrangeiros contratados para reforçar o elenco poderão estrear. A novidade que antecede as competições será o lançamento da camisa de sua nova fornecedora (Adidas), em evento “vip” agendado para a noite de terça-feira (10), no Hard Rock Cafe curitibano.

O campeonato ainda não acabou. A história do futebol ensina que comemorar antes da hora pode custar muito caro. Mas a vitória do Atlético, no último domingo, sobre o Coritiba, na primeira partida da final do Campeonato Paranaense, foi para lavar a alma. Foi a primeira atuação convincente do Furacão e a primeira vitória no clássico dentro da nova Baixada. E foi na hora certa. O 3 a 0 feito de forma incontestável, com amplo domínio atleticano durante todo o jogo, fez o Furacão derrubar, em grande estilo, a sina de se complicar nos clássicos, mesmo em seus domínios, independente da qualidade das equipes e da fase que elas atravessam no momento do confronto. Independente do que vier a acontecer na partida do Couto Pereira, a vitória serviu para lavar a alma do torcedor atleticano. E quem menospreza a rivalidade local, defendendo que o time precisa focar em competições maiores, precisa ver a alegria no rosto de quem deixava o estádio neste dia 1º.

PARANÁ | Por Manolo Ramires

Suar e vestir a camisa Após a eliminação do Campeonato Paranaense, o Paraná Clube já retornou aos treinos. O elenco, comandado por Claudinei Oliveira, tem pelo menos uma semana intensa de treinos para suar a camisa e ajustar os erros antes do próximo compromisso no dia 11 de maio, pela Copa do Brasil. Rapidinho, dois dias após, começa a maior missão dos paranistas: disputar uma boa Série B e retornar à elite do Brasileirão. Além de físicos, técnicos e táticos, o tricolor da Vila precisa de novos atletas vestindo a camisa. O retorno de Zé Roberto é fundamental, contudo, o Paraná precisa de atacantes para ajudar Lúcio Flávio. E isso deve ocorrer para ‘ontem’, afinal, largar bem na reta inicial não tem sido uma prática do tricolor nesses anos de série B.


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