Nilmar Lage
Massacre de Ipatinga
Valter Campanato / Agência Brasil
Direito de brincar
55 anos do conflito entre Usiminas, trabalhadores e PM
Ocupações urbanas têm programação especial para o Dia das Crianças
MINAS 5
CULTURA 14
MG
Minas Gerais
Belo Horizonte, 11 a 18 outubro de 2018 • edição 255 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita
MUITA FAKE PRA POUCA PROPOSTA
Direita e direita se enfrentam no governo de Minas Zema e Anastasia: dois candidatos do mesmo campo no segundo turno ELEIÇÕES 8
Mais mulheres na ALMG Presença feminina aumentou, mas ainda são poucas as deputadas estaduais ELEIÇÕES 7
Diferentes programas para o Planalto
Discurso desconexo do canditado do PSL se embasa em notícias falsas, propagadas no WhatsApp. Ele se esquiva de debater suas propostas para o país, que são ainda piores que as de Temer
Um prega privatizações e desmonte do Estado. O outro, mais políticas públicas ELEIÇÕES 10
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OPINIÃO
Belo Horizonte, 11 a 18 de outubro 2018
Editorial | Brasil
Bolsonaro aprofundará medidas de Temer O resultado do primeiro turno das eleições causou, sobretudo no que diz respeito à disputa da Presidência da República, uma profunda tristeza em grande parte da população. O que leva um candidato que carrega tanto ódio receber quase metade dos votos do eleitorado brasileiro? Ódio que tem amedrontado LGBTs, negros e negras, mulheres e quem defende a democracia e os direitos sociais. Pessoas que sabem
ESPAÇO DOS LEITORES
“Que vergonha ter que vivenciar isso em pleno século XXI. Triste” Jennifer Barbosa comenta a notícia “Eleitor de Bolsonaro mata mestre de capoeira por declarar voto no PT”, publicada no site do Brasil de Fato “Ele vota tudo contra a população. Mas para perdoar dívidas de bilionários sonegadores ele é sempre a favor. #EleNão” Cleuza Nascimento escreve sobre a matéria “Bolsonaro, o candidato do sistema” “Que legal, amei” Nelsi Pase comenta a entrevista com Joênia Wapichana, primeira mulher indígena eleita deputada, pelo estado de Roraima “#HaddadEManuela pela Democracia” Maria Silva comenta a matéria do site: “PSOL oficializa apoio a Haddad e Manuela d’Ávila”
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Ex-capitão votou a favor de todas medidas que retiraram direitos como é viver em uma sociedade no qual há tortura e sumiço de pessoas. Práticas ditatoriais que são defendidas sem nenhum pudor pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL). O ex-capitão é a continuidade do Temer. Suas propostas atendem aos interesses dos mais ricos. O partido dele, o PSL, votou a favor do governo e das reformas que retiraram direitos em todas as situações. O povo está sendo manipulado por mentiras, e não é de hoje. A Rede Globo, por exemplo, espalhou aos quatro ventos a necessidade de uma terceira via que fosse fora da política. Bolsonaro seria esse sujeito. Argumento absurdo, uma vez que ele está há quase 30 anos ocupando mandatos políticos. Como combater tantas notícias falsas em um contexto de ausência total de educação para a mídia? Em um país em que os principais meios de comunicação estão nas mãos de seis famílias endinheiradas? E o an-
O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.
tipetismo, neste momento, aparece como o grande escudo para eleger Bolsonaro. Um antipetismo cego, construído pelas forças golpistas, inclusive a Rede Globo. Quem não se lembra do cano de esgoto escoando dinheiro enquanto os âncoras do Jornal Nacional davam as notícias sobre a Lava Jato? Alternativa A candidatura de Fernando Haddad (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB), por outro lado, discute um projeto capaz de reduzir as desigualdades sociais históricas existentes no Brasil. Eles falam em fazer a reforma tributária, a bancária, e na revogação da Emenda Constitucional 95 que congela os investimentos em áreas sociais. Haddad, ao contrário de Bolsonaro, propõe mais escolas, mais empregos e mais saúde, medidas básicas que podem fazer o Brasil feliz de novo, construindo uma pos-
Prioridade de Haddad é reduzir desigualdades e retomar desenvolvimento sibilidade concreta de retomada do crescimento e superação da crise. É preciso acreditar em um projeto de Brasil que seja para além das eleições. É preciso pensar na segurança, no cuidado e na unidade da esquerda. O inimigo tem ganhado força e tem conquistado os eleitores. Não há espaço para o fascismo e para o ódio no Brasil. Há espaço para mais direitos, para soberania e para mais democracia.
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? PERGUNTA DA SEMANA
O segundo turno vem aí e muitas pessoas já definiram seu candidato. Cerca de um terço dos eleitores não votou em ninguém (nulos, brancos e abstenções). Com o bombardeio de informações nem sempre verdadeiras, na mídia comercial e também nas redes sociais, fica cada vez mais difícil definir o voto e a chance de errar só aumenta.
O Brasil de Fato foi às ruas perguntar: alguma vez na sua vida você já se arrependeu de ter votado em alguém?
Eu nunca me arrependi, porque eu sempre voto naqueles que eu quero. Se o candidato ganha ou não, isso é outra conversa, mas eu votei certo. Agora, nunca votei em quem eu não queria, em que eu não achava capaz, ganhando ou não ganhando. Maria Efigênia Neto, advogada e professora
Não me arrependi, mas estou com muito medo do nosso futuro. É necessária a esperança, mas ela é muito pequena. Me assusta muito a postura das pessoas com relação às eleições. Acredito que ninguém votou com esperança de mudança, votou contra alguém.
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GERAL
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Declaração da Semana A Bahia amanhece de luto e o Brasil deveria estar de luto. Mestre Moa espalhava o mais belo das nossas artes e era o melhor no que fazia. Espalhava pelo mundo a nossa dança, a capoeira, a percussão e o que de fato foi a nossa história. A história do povo preto!”
Disse a atriz Letícia Colin em homenagem ao mestre de capoeira Moa do Katendê, morto a facadas por um eleitor de Bolsonaro ao declarar voto no PT. Leia mais em: www.brasildefato.com.br.
BH vai ganhar 22 novas feiras de artesanato, plantas e comidas
Divino Advincula
Renata Alves, pedagoga
A ideia é que as feiras aconteçam em todas as nove regiões da cidade. Para se tornar um expositor, é preciso obter licenciamento via edital. São 825 vagas para trabalhadores que moram em BH, sendo 5% para pessoas com deficiência. Os interessados devem entregar a documentação em envelope lacrado entre os dias 12 e 27 de novembro, na avenida Álvares Cabral, 217, no Centro. A escolha das vagas se dará por sorteio. Acesse o edital: www. prefeitura.pbh.gov.br/politica-urbana/feiras.
O que é voto em trânsito? Mídia Ninja
O voto em trânsito é uma possibilidade oferecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que eleitores que não residem em seu domicílio eleitoral possam votar. No 2º turno das eleições presidenciais de 2018, apenas as pessoas que solicitaram a mudança entre 17 de julho e 23 de agosto poderão votar longe da sua cidade. Se você realizou o pedido, é possível conferir o local da votação no endereço www.goo.gl/iSrf7L.
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MINAS
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Mercado das Flores está parado há mais de um ano
Pessoas em situação de rua exigem respeito e direitos
BELO HORIZONTE No local, funcionava uma floricultura, um centro da Belotur e um posto de ingressos de teatro
ALEXANDRE KALIL Em resposta a ações higienistas, 200 pessoas protestam esta semana Livia Bacelete
Antônio Rodrigues / PBH
Lívia Bacelete
P Wallace Oliveira
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uem passou pela esquina da rua da Bahia com Afonso Pena deve ter sentido falta do Mercado das Flores. Durante anos, o espaço abrigou um posto de venda de ingressos de teatro do Sinparc, uma floricultura, a Flora Rosa, e um centro de atendimento a turistas da Belotur, também responsável pela gestão do imóvel. Em agosto de 2017, o local teve todas as atividades suspensas para uma reforma. E até agora não reabriu. Paralisação e obras O imóvel pertence à Subsecretaria de Administração e Logística, que o cedeu à Belotur, empresa responsável por divulgar o turismo em BH. Segundo a Belotur, o objetivo das obras é melhorar a estrutura, acessibilida-
de, parte elétrica e hidráulica do imóvel. Segundo a PBH, após a revitalização, o centro de atendimento a turistas deve retomar suas atividades com nova modelagem, informações mais dinâmicas e serviços. O Sinparc mantinha com a Belotur um convênio de cessão de uso, que não foi renovado. Já a floricultura utilizava o espaço por meio de aluguel. No início da reforma, as atividades foram
Há dois processos na Justiça questionando a remoção da floricultura, que funcionava 24h no local
suspensas. Na época, a Prefeitura deu um prazo à floricultura para desocupar e demolir suas edificações, sujeita a multa diária de R$ 1.585,55. Floricultura A Flora Rosa funcionou no local por 42 anos e tornou-se ponto turístico da cidade. O espaço ficava aberto 24 horas e era frequentado diariamente por dezenas de pessoas, especialmente nos fins de semana e feriados. Na época da desativação, a floricultura demitiu funcionários e teve que se transferir para um local menor, pouco abaixo do antigo endereço, na rua da Bahia. Procurada pela reportagem, a empresa informou que não poderia comentar o assunto, pois há dois processos judiciais questionando a remoção.
essoas em situação de rua, catadores de materiais recicláveis e apoiadores da luta dessa população estão indignados com atuais ações e declarações do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS). Depois de uma ação de retirada violenta de quem trabalhava e morava na avenida Bernardo Monteiro, na região central da capital, o prefeito se indispôs novamente com esse público no começo deste mês, quando criticou pastorais sociais, especialmente as que atuam com pessoas em situação de rua. Em resposta às declarações e ações truculentas, cerca de 200 pessoas manifestaram seu desagravo em frente à Prefeitura, na terça (9). A manifestação, chamada de “Café com respeito, Sr. Prefeito”, teve início no viaduto Santa Tereza. Os manifestantes caminharam até a porta da prefeitura, onde reivindicaram respeito e
dignidade. Durante o ato, foi servido um grande café público e protocolado um requerimento para reunião com Kalil, visando discutir a política de moradia do município, garantir a imediata inserção das famílias da Av. Bernardo Monteiro no programa Bolsa Moradia e cobrar um pedido de retratação do prefeito sobre as declarações. “Nós estamos indignados. Não queremos briga, queremos direitos e respeito”, conclui Maria das Graças Marçal, conhecida como Dona Geralda, integrante da Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis). “A pastoral foi o primeiro órgão que enxergou morador de rua e catador com dignidade”, disse. D. Geralda lembra que criou seus 9 filhos catando papel. Ela, que já morou na rua, agradece à pastoral por hoje ter uma casa, onde pode criar seus filhos.
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MINAS
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55 anos depois, massacre de Ipatinga segue tabu HISTÓRIA Oito mortes, 102 feridos e pelo menos três desaparecidos é saldo de conflito entre seguranças da Usiminas, trabalhadores e PM Nilmar Lage
Nilmar Lage* Especial para o BdF
A
constituição da cidade de Ipatinga está ligada à história da Usiminas. No final dos anos de 1950, com planos de metas do presidente Juscelino Kubistchek, começou a implantação das Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), no então distrito, que estava ligado a Coronel Fabriciano. A cidade foi se consolidando a partir da chegada das si-
No dia 5 de outubro de 1963, um vigilante atirou no lanche de um operário: foi a gota d’água
derúrgicas. Com um planejamento para que os trabalhadores não se organizassem na região, as empresas foram instaladas em áreas isoladas, onde não havia estrutura. Essa situação, aliada às más condições de trabalho,
fazia com que os operários vivessem em situação de estresse. Morando amontoados em alojamentos ou em pequenos cômodos de madeira que abrigavam a família inteira, a tensão era constante na região.
Os problemas financeiros eram generalizados, fazendo com que muitos operários levassem para casa, como complementação da alimentação familiar, parte do lanche que recebiam no horário de trabalho. Semana sangrenta No dia 5 de outubro de 1963, na saída do turno da tarde, quando fazia a revista na saída dos trabalhadores, um vigilante sacou a arma e atirou no saco de leite de um operário. Foi a gota d’àgua em uma situação de humilhação que já vinha crescendo nas portarias. Assim, o conflito se estendeu para os alojamentos, para onde foi enviada a Polícia Militar. A resistência operária na região fez com que à noite houvesse nova investi-
da, mais uma vez contida na parte alta do bairro. No entanto, nos alojamentos mais precários, que pertenciam às empreiteiras que prestavam serviço, o ataque foi consumado: cerca de 300 trabalhadores sofreram maus tratos a noite toda. A manhã do dia 7 começou com uma greve dos operários, que pediam principalmente a troca da PM da Usiminas. A situação não foi devidamente controlada e em um dado momento veio a ordem para que um policial atirasse. “Eles disseram que estava atirando para o alto, mas de vez em quando a gente via um cair, crivado de bala”, relata Adil Albano que mesmo após mais de 50 anos tentando esquecer o acontecido, não consegue.
Oficialmente, foram oito mortos. Mas podem ter sido mais de 40 A
realidade da época era essa: muitos trabalhadores vindos de diversas regiões do país em busca de um lugar que prometia ser próspero. Em alguns casos, vinham emendando uma obra na outra. Essa é uma das hipóteses sobre as dúvidas acerca do número total de mortos pelo massacre, pois as famílias não sabiam do paradeiro e não teriam como reclamar o corpo desaparecido. Os números oficiais falam de sete vítimas fatais no dia, uma no decorrer da semana. Não são consideradas as 59 dispensas por abandono
Nilmar Lage
de trabalho, feita pela Usiminas, nos meses seguintes, ou os desaparecidos, como os três nomes trazidos pelo relatório da Comissão da Verdade em Minas Gerais. A dúvida sobre o número total de mortos é reforçada também por ou-
Motorista teria buscado 50 caixões em BH e levado para o almoxarifado da Usiminas
tros discursos, como o do motorista Larte Abelha. Ele diz que chegou em Ipatinga no dia 8 para descarregar mantimentos para o bandejão da empresa. “Na sequência fui mandado de volta para Belo Horizonte, para buscar 50 caixões e quatro tambores de sangue que deixei no almoxarifado da Usiminas”. Onde estariam esses caixões? Para quem eles serviram? Poucas pessoas poderiam afirmar o destino dos mesmos, mas, no que diz respeito a Usiminas, o silêncio sempre foi a resposta favorita.
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OPINIÃO
Belo Horizonte, 11 a 18 de outubro 2018
Opinião
O lado escuro da lua
Como a fala desconexa de Bolsonaro cria unidade contra um suposto inimigo comum Rafael Tatemoto
H João Paulo expressa pelo comportamento do líder do “moviatual presidente do Su- mento” que toma conta do premo Tribunal Fede- país. Bolsonaro desconral, Dias Toffoli, chamou a fia do processo democráditatura militar de “movi- tico, recusa gestos de civimento”. O resultado do pri- lidade com grosseria, não meiro turno da eleição dei- condena as ações violentas xou a sociedade brasileira de seus eleitores, reafirma na iminência de conviver, seus preconceitos a cada nos próximos quatro anos, dia: machismo, misogicom uma leva de militares nia, homofobia e racismo. que fizeram questão de os- Não só preconceitos, mas tentar a patente em suas também crimes explícitos, como defesa da tortura e candidaturas. O golpe militar, com re- de ações policiais além dos forço do ativismo do Judi- contornos da lei. Foge do ciário, deixou de ser uma debate direto se escorando ameaça para habitar sem nas redes sociais articulamáscaras o cotidiano. Mais das por batalhões de soldado que isso, é vendido como dos da mentira e se manium alerta em caso de derrota de Bolsonaro no segundo turno. Como o vice do candidato já é general, tem a desfaçatez de falar em au- Quem compra togolpe. Essa naturalização o moralismo, a do arbítrio é uma conse- retórica quência do clima que se estabeleceu no país e que tem antissistema, como o mais triste exemplo leva junto o as manifestações de ódio, desemprego, a violência e até mesmo mordestruição do te perpetradas pelos que são incapazes de conviver SUS, a entrega do com a diferença. patrimônio A banalidade do mal se público alimenta da autorização
O
festa numa linguagem imatura e anti-intelectual. Kinder ovo monstruoso Mais do que comparar duas propostas, o desafio é mostrar que, no caso de Bolsonaro, há dois projetos embutidos numa mesma embalagem, como um kinder ovo monstruoso. Quem compra (enganado) o moralismo, o combate a corrupção, a retórica antissistema e a sensação de segurança pelas armas, leva junto o desemprego, a destruição do SUS, a mercantilização da educação, a entrega do patrimônio público, a desistência da aposentadoria justa e o autoritarismo. Para implantar uma pauta antipopular, pode se apelar para a mentira, para a manipulação dos meios de comunicação, para o golpe parlamentar, para o ativismo judicial, para a criação de uma atmosfera de insegurança e medo ou para a ditadura militar pura e simples. No caso de Bolsonaro, vem tudo no mesmo pacote. Ainda é possível desarmar essa bomba. A contagem regressiva já começou.
á perguntas que inquietam o eleitorado que rechaça Jair Bolsonaro: como uma campanha baseada em notícias falsas e com um candidato que discursa de forma tão desconexa é capaz de atrair uma parcela significativa da população? O segredo do presidenciável do PSL é justamente esse: ninguém aderiu ao pacote completo. Seu discurso não é linear
Para os bolsonaristas, os oprimidos são responsabilizados pelos próprios males que denunciam em termos racionais tradicionais. Não apresenta encadeamento de fatos e análises. O modelo de discurso bolsonarista simplesmente elenca uma séria de temas, permitindo que boa parte do eleitorado tenha ao menos uma preocupação com sua plataforma. Os outros tópicos são absorvidos de forma secundarizada. Bolsonaro, que se ampara no medo e no ressentimento social e os estimula, foi
capaz de juntar diversos setores sob o signo de um inimigo comum. Apesar das significativas melhoras pelas quais o país vem passando desde a redemocratização, em especial nos governos do PT em relação à justiça social, é óbvio que nem todas as mazelas foram resolvidas. Para os bolsonaristas, é preciso identificar os responsáveis por isso. O primeiro culpado é o PT. Os outros são as feministas, os sindicatos, os sem-terra, o movimento negro e os LGBTs. Para os bolsonaristas, os historicamente oprimidos são responsabilizados pelos próprios males que denunciam. Os movimentos de negritude, por exemplo, são os responsáveis por criar a divisão racial no país. Os sindicatos, por estabelecer uma cisão entre trabalhadores e patrões. Assim, ao se encontrar culpados pelo que ainda se falta ajustar em nossa democracia, criam-se também um passado e um presente ideais: a ditadura militar e o governo do próprio Bolsonaro que fala em “eliminar ativismos”. Neste segundo turno, para os e as interessadas em superar sua plataforma eleitoral, é preciso identificar aquilo que pode afastar parcela de seu eleitorado de sua candidatura. Uma dica: ele não costuma divulgar propostas para a economia, exceto para desautorizar seus assessores.
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ELEIÇÕES
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Número de mulheres aumenta, mas elas são minoria no legislativo estadual REPRESENTAÇÃO Em toda a história, apenas 30 mulheres conseguiram ocupar uma cadeira na ALMG Wallace Oliveira
E
m comparação com 2014, as eleições de 2018 registraram um aumento de seis para dez deputadas estaduais por Minas: as educadoras Beatriz Cerqueira e Leninha (PT), a psicóloga Marília Campos (PT), a advogada popular Andreia de Jesus (PSOL), a
assistente social Ana Paula Siqueira (Rede), a advogada Celise Laviola (MDB), a pedagoga Rosângela Reis (Podemos), a empresária Ione Pinheiro (DEM), a economista Laura Serrano (Novo) e a policial Sheila Pedrosa (PSL). Atualmente, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) possui 77 cadeiras.
Em toda a história da casa, apenas 30 mulheres ocuparam uma vaga. Para a cientista política Larissa Peixoto, as regras do jogo eleitoral favorecem os homens. “O foco em candidaturas individuais beneficia quem já tem redes formadas, patrimônio, dinheiro para investir, e isso não se aplica a mulheres. As poucas que são
eleitas já têm algum apoio. Elas vêm de um movimento social muito forte ou de uma tradição familiar ou são pessoas de alta renda”, explica. Por outro lado, acrescenta Larissa, na distribuição dos recursos de campanha pelos partidos, as mulheres também são prejudicadas. A estudiosa também aponta
que, embora o aumento da bancada feminina seja em si mesmo um avanço, isso não é suficiente. “Temos que ver o que elas vão fazer, quais pautas elas vão defender e o que conseguirão fazer com os homens que estarão ali”, conclui. Veja os perfis de algumas candidatas vitoriosas: Agencia Brasil
Marília Campos
Beatriz Cerqueira
A eleição ainda não terminou. Nós, felizmente, conseguimos uma vitória política e a garantia do segundo turno nas eleições presidenciais”
Candidata pela primeira vez, a educadora Beatriz Cerqueira foi a mais votada da coligação Unidos com o Povo, com 96.824 votos. Filha de garçom e manicure, é formada em magistério pelo Instituto de Educação de Minas Gerais e direito pela PUC Minas. Trabalhou na rede pública com alfabetização de crianças, jovens e adultos. Iniciou sua militância na Pastoral da Juventude. Depois, tornou-se sindicalista e coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG). Foi presidenta da CUT Minas, entre 2012 e 2018. Veja entrevista com Beatriz na página 11.
(PT)
A psicóloga Marília Campos vai para seu segundo mandato. Iniciou a militância no movimento estudantil nos anos 80. Entre 1990 e 1995, presidiu o Sindicato dos Bancários. Em 2004 e 2008, venceu as eleições para a Prefeitura de Contagem. Concluiu o mandato com 80% de aprovação. Eleita deputada estadual em 2014, ajudou a criar a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
(PT)
Leninha
Andréia de Jesus
“Essa vitória representa uma esperança de que nem tudo está perdido. Ainda há uma gente miúda, como a gente diz aqui, que acredita no bem comum para todos”.
“Mulher negra, periférica, chefe de família: é desse lugar que a gente vai construir a política institucional”.
(PT)
A educadora Marilene Alves também iniciará seu primeiro mandato. Natural de Montes Claros, ela é mestre em Desenvolvimento Social. Foi professora da rede pública, diretora do Sind-UTE/MG e presidenta regional da CUT. Coordena o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas e foi diretora-secretária da Cáritas Brasileira.
(Psol)
Eleita em sua primeira candidatura, a advogada Andreia de Jesus trabalhou como empregada doméstica. Sua militância começou nas Comunidades Eclesiais de Base. Em Ribeirão das Neves, ajudou a fundar o pré-vestibular comunitário Guep, mantido pelos estudantes. Foi a primeira de sua família com curso superior. Milita no movimento Brigadas Populares e no mandato das vereadoras Áurea Carolina e Cida Falabela (Psol).
Minas elegeu apenas quatro deputadas federais, uma a menos que em 2014. São elas: a cientista política Áurea Carolina (Psol), a linguista Margarida Salomão (PT) e as advogadas Greyce Elias (Avante) e Alê Silva (PSL). Áurea, que há dois anos tornou-se a vereadora mais votada de Belo Horizonte, agora foi a 5ª deputada federal com mais votos por Minas: cerca de 160 mil.
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ELEIÇÕES
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Dois planos de Minas terá privatização disputam bancada mais o governo de Minas fragmentada
Guilherme Dardanhan /ALMG
DIREITA Com 42% dos votos, Romeu Zema tem semelhanças com Anastasia, que obteve 29% Marcos Oliveira Agência Senado / Agência Brasil
Reprodução
A Rafaella Dotta e processo de cidadania italiaWallace Oliveira na. Autoridades italianas divulgaram, em fevereiro dessegundo turno para o go- te ano, uma lista com mais de verno de Minas Gerais vai mil brasileiros que estariam ser entre dois políticos con- enganando os órgãos do país. siderados de direita. Romeu Aparecem os nomes de RoZema (NOVO) saiu do pri- meu Zema, Catharina Zema meiro turno com 42% dos vo- e Domenico Zema. Romeu se tos, enquanto seu adversário, disse vítima da agência que Antonio Anastasia (PSDB), ele mesmo contratou para angariou 29%. Logo depois da realizar o serviço. vitória, especialistas se abstiPropostas polêmicas veram de fazer comparações O programa de governo de das propostas, mas, agora, di- Romeu Zema é consideraferenças entre os candidatos do agressivamente privatista. começam a aparecer. Ele defende medidas como Quem é Romeu Zema? diminuir excessivamente os Nascido em Araxá, no funcionários administrativos Triângulo Mineiro, Zema se do governo (em 80%), assim formou em administração e como a venda das empresas sempre trabalhou nos negó- estatais. Para educação, decios da família. É filho de Ri- fende o incentivo a escolas cardo Zema e neto de ou- privadas e a parceria público tro Romeu, os dois empresá- privada nas escolas públicas. rios e que deixaram as empre- Na saúde, propõe planos de sas como herança. Hoje, lide- saúde privados. ra as Lojas Zema, de eletrodomésticos, móveis, combustí- Quem é Antonio Anastasia? veis, veículos e serviços finanO candidato do PSDB é ceiros. atualmente senador e já exerSegundo o jornal Valor Eco- ceu por quatro anos o cargo nômico, o candidato foi con- de governador de Minas Gesiderado suspeito de fraudar o rais. É formado em direito e é
O
professor em direito administrativo na UFMG. Dedicou seus estudos e sua carreira à gestão pública, sendo secretário do governo estadual e de Ministérios do Trabalho e da Justiça. Em Minas Gerais, construiu-se como sucessor e braço direito de Aécio Neves (PSDB). De 2003 a 2006, foi secretário de Planejamento e Gestão e de Defesa Social. Em 2006 elegeu-se vice-governador de Aécio, em 2010 elegeu-se governador e em 2014 venceu a eleição para senador. Ele foi relator e votou favorável, em 2015, ao impeachment de Dilma Rousseff. Propostas do PSDB Anastasia se concentra, em seu plano de governo, a traçar caminhos gerais para investimentos na economia mineira. Para o candidato, a crise financeira do estado é o maior problema e pode ser enfrentado mediante a volta de investimentos. O PSDB também segue a linha privatista, porém, sem muitos detalhamentos.
pós as eleições de 2018, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) termina ainda mais fragmentada que na eleição anterior. O número de partidos na Assembleia passou de 21 para 28. O PSL, que não tinha nenhuma cadeira, ganhou seis; PHS e o Novo ficaram com três representantes cada; o Solidariedade (SD), dois; PRTB, PRP, Rede e Psol, ficaram com um cada. Os partidos que mais perderam foram o MDB, que caiu de 14 para 7 parlamentares, e o PSB, que tinha 4 e agora ficou com apenas 1. A maior bancada na próxima legislatura será a do PT, que passou de 8 para 10 parlamentares. Por outro lado, a renovação da Assembleia mineira foi mais alta que o esperado. Cerca de 40% dos deputados e deputadas vão exercer o mandato pela primeira vez. Para a cientista política Larissa Peixoto, ser novo não significa ser bom. “Precisa avaliar, olhando para os grupos que entraram e as bancadas partidárias. Tem uma bancada da bala?
Quem são os grupos que vão coordenar? E a gente precisa saber quem vai ser o governador”, explica. Deputados federais mineiros A renovação dos deputados federais por Minas foi ainda maior. Dos 53 eleitos, 26 já eram deputados federais e 27 são novos. Os partidos com maior número de eleitos tiveram influência da campanha para presidente da República. O PT, partido de Fernando Haddad, elegeu oito deputados federais, enquanto o PSL, partido de Jair Bolsonaro, elegeu seis. Na sequência, PSDB elegeu cinco e MDB elegeu quatro deputados federais. No total, 21 partidos ocupam a Câmara Federal representando Minas Gerais. Senadores mineiros Para o Senado, os eleitores mineiros elegeram Rodrigo Pacheco (DEM) com 20,4% e o jornalista Carlos Viana (PHS) com 20,2% dos votos. Caso o senador Antonio Anastasia ganhe a eleição para o governo, quem assume é Alexandre Silveira (PSD), seu primeiro suplente.
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OPINIÃO
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Tita Carneiro
Por um Brasil feliz de novo
A fake news do WhatsApp de Bolsonaro pode ser combatida A distribuição profissional, sistemática e frenética de notícias falsas em grupos e linhas de transmissão de WhatsApp tem sido um dos fatores da largada de Bolsonaro à frente na corrida eleitoral e seu crescimento. Faz uma semana que estou em dois desses grupos para poder escrever este artigo. Os grupos são lotados de participantes de todo o Brasil. São, basicamente, centrais de distribuição de notícias – a maioria falsas -, agressões, orientações legais sobre campanha, frases de efeito e muita mobilização. Existe um sistema de distribuição das mensagens que chegam por meio de perfis desconhecidos. Provavelmente, pessoas das agências de publicidade. Após isso, sucede-se uma frenética repetição daquele mesmo conteúdo. É um terreno sem lei, sem regras, sem ordem no qual impera a desinformação. É nesse ambiente que Bolsonaro está ganhando eleitores. Apesar de tudo isso, não é impossível combater essa estratégia, ou ao menos, equiparar-se a ela. A militância digital de esquerda é mais cuidadosa e honesta em seus con- É possível teúdos. O tal “Zap de Lula” para combater as fake news combater as é interessante e funciona como essas agências de checanotícias falsas gem: servem para fazer justiça com a informação. Acredito que é preciso ser frenético, constante e eficaz com na distribuição de conteúdos. Esqueçam aquela angústia informação em “desmentir” todas as mensagens. Fale de economia, das críticas do vice de Bolsonaro ao 13º salário, do aumento do imposto de renda, dos votos do extremista em favor das políticas de Michel Temer. Fale de paz. A paz não é monopólio das religiões. Não merecemos uma longa noite fria de um governo de Bolsonaro. Jonatas Campos é jornalista
Tita Carneiro é militante da Marcha Mundial das Mulheres
ACOMPANHANDO
Jonatas Campos
A história do Brasil guarda resquícios de muita violência e abuso. Fomos o último país da América Latina a fazer o acordo formal de abolição da escravidão. E como herança temos uma sociedade segmentada em desigualdades sociais brutais entre mulheres e homens, negros e brancos. Estamos no ranking entre os dez primeiros países no quesito assassinato de mulheres, negros e LGBTs. No que se refere ao aspecto conjuntural, os 13 anos de governos petistas provocaram muitas e significativas mudanças na vida da classe trabalhadora. A profissão de trabalhadora doméstica só em 2013, com Dilma, teve formalizados seus direitos. Houve ainda o aumento de postos formais de trabalho, com carteira assinada, a redução da desigualdade salarial entre mulheres e homens e entre negros e brancos, o acesso a um maior nível de escolaridade, acesso da população mais pobre às universidades e profissionalização em cursos técnicos, a redução da pobreza e a diminuição das horas gastas pelas mulheres no trabalho doméstico devido ao acesso a políticas públicas. Abria-se um caminho de construção de políticas que combatiam as históricas de desigualdades que conhecemos bem em nosso país. Desde a farsa monta- Precisamos da para retirar a presidenta derrotar nas Dilma, sem qualquer com- urnas quem provação de desvio, os dias retirou direitos são de luta pela sobrevivência. O governo golpista que assumiu contou com a votação de vários de seus pares para aprovar as retiradas de direitos, entre eles Bolsonaro. Para que consigamos ter avanços nas condições de vida do nosso povo precisamos estancar o golpe nas urnas. O nosso esforço agora é propagar aos quatro cantos do país a esperança de construirmos um Brasil feliz de novo.
Na edição 251 ... Mulheres realizam ato cultural contra o fascismo de Bolsonaro E agora... Sábado, dia 20, tem #EleNão em BH Acontece em todo o Brasil, no sábado (20), mais um ato cultural contra o fascismo e o ódio representados na candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). Em Belo Horizonte, a ação está agendada para as 12h na Praça Sete, no Centro. Organizada por movimentos populares, a programação conta com apresentações culturais, shows e intervenções artísticas.
10 ELEIÇÕES
Belo Horizonte, 11 a 18 de outubro 2018 Reprodução
Conheça as principais diferenças programáticas entre Bolsonaro e Haddad Ricardo Stuckert
Cristiane Sampaio
O
Brasil enfrentará no dia 28 a segunda etapa da corrida presidencial. Frente a frente, o ex-ministro da educação de Lula, Fernando Haddad (PT), e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). As duas chapas se situam em espectros distintos: Haddad é progressista; Bolsonaro, da extrema direita. Veja, a seguir, algumas diferenças entre eles, disponíveis em seus planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Economia e emprego Haddad quer abolir a Emenda 95, que limita por 20 anos os investimentos nas áreas sociais, e a reforma trabalhista, ambas de iniciativa do governo Temer (MDB). Além disso, defende o fim do atual processo de privatizações, equilíbrio das contas da Previdência com geração de empregos e combate à sonegação; uma reforma tributária com isenção de Imposto de Renda para quem ganhar menos que cinco salários mínimos (cerca de R$ 4.770).
Não caia nas fakes news! Confira algumas mensagens falsas que estão circulando por aí nos grupos do WhatsApp: O petista também defende a criação de postos de trabalho, por meio do programa Meu Emprego Novo, além do retorno imediato de 2.800 grandes obras paradas em todo o país e do Minha Casa, Minha Vida, além do fortalecimento da Petrobras. Bolsonaro quer aprovar a reforma da Previdência, a independência do Banco Central, privatização de estatais, concessões e venda de imóveis da União. Além disso, promete acabar com o monopólio da Petrobras no gás natural e criar uma tabela de preços dos combustíveis baseada no mercado internacional, como já ocorre no gover-
no Temer. Bolsonaro propõepropõe criar uma nova carteira de trabalho, com contrato individual prevalecendo sobre as normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Segurança Bolsonaro quer flexibilizar as leis sobre o porte de armas, reduzir a maioridade penal e tratar ocupações de terras e imóveis como terrorismo. Haddad defende mudanças na política de drogas, com aproveitamento das experiências internacionais de regulação do comércio de entorpecentes, aprimoramento da política de controle de armas e integração dos serviços de inteligência.
Mestre Moa, vítima do ódio O mestre de capoeira Moa do Katendê foi assassinado com 12 facadas nas costas em um bar em Salvador (BA), na segunda (8). O homicídio foi cometido por um apoiador do candidato de extrema-direita, Jair Bolsona-
1. Haddad distribuiu “kit gay” nas escolas quando era ministro: MENTIRA
Você já deve ter ouvido falar por aí que Haddad lançou um livro pelo MEC e distribuiu nas escolas. Bolsonaro, inclusive, mostrou a publicação no Jornal Nacional e disse que fazia parte do tal “kit gay”. O livro “Aparelho Sexual e Cia” nunca foi distribuído em escolas pelo MEC.
2. Manuela usou uma camiseta com a frase “Jesus é tra-
vesti”: MENTIRA Uma fotografia de Manuela D’Ávila usando uma camiseta estampada com a frase “Jesus é travesti” chegou em praticamente todos os grupos de zap, além de ter sido compartilhada 16 mil vezes no Facebook. Na camiseta de Manu estava escrito, originalmente, “rebele-se”.
3.
Haddad foi condenado em vários processos:
MENTIRA
É muito comum ações por improbidade serem abertas contra prefeitos e ex-prefeitos. Assim, existem processos em andamento contra Haddad, mas nenhum deles foi concluído. Ele já venceu duas ações no Tribunal de Justiça de São Paulo, que o considerou inocente.
4. PT tem plano de dominação comunista: MENTIRA
O Partido dos Trabalhadores nasceu e cresceu na democracia, tendo como princípio a construção plural de ideias. As resoluções do 5° Congresso Nacional, realizado em 2015, podem ser consultadas na internet, no site www.pt.org.br.
Informe-se! ro (PSL) após uma discussão sobre as eleições. Com 63 anos, Mestre Moa era educador, compositor, artesão e liderança do movimento negro e da cultura no estado da Bahia. Em 1977, consagrou-se campeão do Festival
da Canção Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil. Em repúdio ao assassinato, capoeiristas e apoiadores de vários movimentos organizam homenagens e atos públicos ao mestre. Em BH, a Praça Sete recebe o ato na quinta (11), às 17h.
Cheque as informações em mídias populares, como o Brasil de Fato, a Carta Capital e a Revista Fórum. E fique atento aos materiais de campanha e combata as “fake news”. E, qualquer dúvida, acesse o brasilfelizdenovo.com/fakenews e confira informações que contrapõem as notícias falsas que circulam sobre Haddad e Manuela.
Belo Horizonte, 11 a 18 de outubro 2018
ENTREVISTA
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“Retrocessos serão propostos por um ou outro candidato ao governo de Minas” MINAS Sindicalista e professora, Beatriz Cerqueira comenta dos desafios da atuação como deputada em tempos de golpe Joana Tavares
C
om mais de 95 mil votos, Beatriz Cerqueira foi a 8ª candidata mais bem votada para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Do campo progressista, a melhor votada. Mas o número que mais chama a atenção é o fato de ter tido votos em 836 dos 853 municípios do estado. Filha de garçom com manicure, ela foi professora da educação básica, coordenadora geral do Sind-UTE/MG, presidenta da CUT Minas e agora leva para o parlamento o desafio de representar os trabalhadores em momento de corte de direitos. “Essa vitória significa que nós pessoas comuns podemos estar no Parlamento, que ele não é propriedade de um setor de privilegiados”, diz.
Como você avalia a sua trajetória até aqui, de professora da educação básica, a liderança sindical e agora deputada estadual?
Ser deputada estadual é consequência de um processo em que fomos identificando que as lutas sociais e sindicais são importantes, mas também é imprescindível
O golpe que vivemos demonstrou a necessidade da disputa do parlamento, e minha candidatura se insere nesse contexto”
Clarissa Barçante / AL MG
disputar representatividade na política. Quando nós deixamos de fazer isso, as bancadas vinculadas aos trabalhadores caíram substancialmente. O golpe que vivemos demonstrou a necessidade da disputa do parlamento, e minha candidatura se insere nesse contexto. Ela foi construída na base da categoria a qual eu pertenço – a da educação – mas também junto a uma central de sindicatos, a CUT, a qual eu presidi desde 2012.
Nenhum dos dois projetos que chegaram no segundo turno em Minas Gerais trazem qualquer progresso para a classe trabalhadora”
Você teve votos em quase todo o território estadual – 836 municípios, entre os 853. O que representa essa expressividade para os trabalhadores que você representa?
Representa que a gente consegue estar no Parlamento, que o Parlamento não é propriedade da elite, de um setor privilegiado. Nós, pessoas comuns, podemos estar lá. Sou uma professora primária. Minha trajetória toda é de luta social, fiz uma campanha sem padrinho, sem poder econômico, construída a muitas mãos. Isso significa que a política pode ser disputada dessa forma. Trabalhamos muito a ideia de representatividade, de chegar com uma plataforma de compromissos e não escondemos nosso posicionamento ideológico. Quais os principais desafios de exercer um mandato com essas características em um contexto de avanço do conservadorismo?
O primeiro desafio é ser mulher no espaço de poder. Acho que as pessoas não têm
Fiz uma campanha sem padrinho, sem poder econômico, construída a muitas mãos” dimensão do quanto nossa fala é inferiorizada, de como tentam mandar na gente o tempo inteiro. O segundo desafio é trabalhar com força social própria. Não adianta ir para o parlamento sem capilaridade social fora. Aquela plataforma que te levou ali deve estar presente, com pressão de fora pra dentro. O terceiro desafio é a atuação em si. Como vamos envolver as pessoas, discutir o que é importante pra elas? As pessoas veem o legisla-
tivo estadual de uma forma muito distante. Como diminuir essa distância e trazer as pessoas para uma participação efetiva e cotidiana? Por fim, outro desafio é não institucionalizar. O parlamento precisa ser um instrumento de luta na conjuntura em que estamos vivendo. Como você enxerga a disputa entre Romeu Zema e Antonio Anastasia para o governo de Minas?
Aqui no estado a gente foi vítima dessa onda conservadora que se abateu em todo o Brasil na reta final. Nenhum dos dois projetos que chegaram ao segundo turno em Minas Gerais trazem qualquer progresso para a classe trabalhadora. Já conhecemos o projeto neoliberal do PSDB e, embora não conheçamos o ouro candidato
igualmente por ele não estar na política, podemos ver que seu comportamento é totalmente Estado mínimo: vender tudo, desregulamentar tudo. Na área da educação, seu projeto é transformar a educação pública em privada. Então ele é um aprofundamento do que nós já vivemos em outros momentos. O parlamento assume, então, uma tarefa ainda mais importante nesse cenário, seja qual dos dois ganhe. Precisamos de uma atuação parlamentar que dê conta de impedir os retrocessos que serão propostos por um ou outro candidato. Os movimentos e sindicatos também assumem um papel ainda mais importante, de resistência.
Acho que as pessoas não têm dimensão do quanto nossa fala é inferiorizada, de como tentam mandar na gente o tempo inteiro
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Belo Horizonte, 11 a 18 de outubro 2018
CIÊNCIA, COISA BOA! POR QUE É TÃO DIFÍCIL LARGAR O CIGARRO?
Reprodução
Uma querida amiga parou de fumar nos últimos dias e me pediu para escrever sobre isso. O que a ciência sabe sobre esse vício, por que é tão difícil largá-lo e qual a melhor forma de fazer isso? O tabaco é uma planta que produz a nicotina. Essa substância está presente em suas folhas e exerce um efeito inseticida. Devido à sua toxicidade, age como uma defesa contra predadores. Nós, humanos, espertamente pegamos essas folhas lotadas de um tóxico, a queimamos e inalamos essa fumaça (!). Além da nicotina, outros fatores contribuem para o efeito maléfico do cigarro. O calor, os gases produzidos na sua queima e diversas outras substâncias presentes possuem efeitos nocivos. A nicotina possuiu um duplo efeito, aparentemente contraditório. É uma droga estimulante e calmante ao mesmo tempo. Ela A abstinência cria no fumante um falso estado de vigília, de “ataque ou fuga”. Por exemplo, quando de nicotina damos de cara com um cão latindo em nossa gera um efeito direção, nosso cérebro dispara essas substâncias para que o corpo esteja pronto para muito forte, reagir. Isso leva ao aumento do batimento que leva o cardíaco, da circulação, dos níveis de estresfumante a se geral do corpo. Só que, como no fumante esse estado é falso, logo depois vem a sensaquerer outro ção de alívio. É o efeito relaxante. cigarro Com o tempo, é preciso cada vez mais nicotina para gerar o mesmo efeito no cérebro. A abstinência de nicotina gera um efeito muito forte sobre o fumante. Causa um estado de aflição que o leva a querer outro cigarro. É, portanto, uma droga extremamente viciante e difícil de largar. Difícil, mas não impossível. A melhor forma para se livrar do vício envolve alguns fatores: acompanhamento médico e psicológico; uso de medicamentos e da própria nicotina em doses baixas (chicletes e adesivos); mudança comportamental (evitar os “gatilhos”); apoio de amigos; novos hábitos que substituam o de fumar (beber água, comer algo ou fazer exercícios). Pesquisas também sugerem que é melhor parar de uma vez (marcar um dia) do que diminuir gradativamente o uso do cigarro. Com essas orientações é possível se livrar do vício em dois a quatro meses. O que não significa que não haverá recaídas. Um dependente de nicotina deverá sempre se esforçar para se manter longe da droga. Um abraço e até a próxima! Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais
Amiga da Saúde Meu cabelo está caindo demais. O que causa isso? Noélia Batista, 52 anos, auxiliar de escritório.
Queda de cabelo de cerca de 100 fios ao dia é normal. Faz parte do processo de renovação capilar e não provoca alterações. Caso haja redução do volume do cabelo ou áreas despeladas na cabeça, é bom consultar um médico para investigar a causa. Pode estar relacionado com algumas doenças como anemia, alterações hormonais, distúrbios nutricionais ou infecções do couro cabeludo. Além disso, sol em excesso, cigarro e tratamentos capilares como alisamentos e tinturas são agressivos e podem provocar danos e queda dos cabelos. Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Único de Saúde I Coren MG 159621-Enf.
Nossos direitos Como denunciar crimes cometidos na internet Estamos vivendo um momento crítico na história do país. As redes sociais e a internet em geral estão sendo cada vez mais utilizadas para a incitação do ódio, do racismo, neonazismo, homofobia, violência contra as mulheres, apologia de crimes contra a vida, dentre outros crimes e violações. Por isso, caso você encontre na internet imagens, vídeos, textos, músicas ou qualquer tipo de material que seja atentatório aos Direitos Humanos, é possível fazer uma denúncia anônima, por meio do site da SaferNet, criado
justamente para acolher e penalizar os autores deste tipo de crime. Após acessar o portal da SaferNet, clique em Denuncie e envie o link do site que você pretende denunciar. Após o envio, o sistema gera um número de ticket, que permite ao denunciante acompanhar o andamento da denúncia. Constatado o indício de crime contra os Direitos Humanos, é produzido um relatório que será encaminhado ao Ministério Público, para que se possa instaurar o processo formal de investigação policial.
Adília Sozzi é advogada da Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP
Belo Horizonte, 11 a 18 de outubro 2018
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www.malvados.com.br
Dicas Mastigadas RECHEIO DE MINGAU DE BAROA COM ORA-PRO-NÓBIS
Reprodução
Preencha os espaços vazios com algarismos de 1 a 9. Os algarismos não podem se repetir nas linhas verticais e horizontais, nem nos quadrados menores (3x3). www.coquetel.com.br
© Revistas COQUETEL
Solução
Ingredientes
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2 kg de batata baroa 5 dentes de alho amassados com sal a gosto 200g de queijo ralado 2 colheres (sopa) de óleo de soja ou azeite 300g de folhas de oro-pro-nóbis picado 500g de bacon picado em cubinhos pequenos
Modo de preparo Lave bem a baroa e cozinhe com a casca. Bata no liquidificador com dois copos de água. Em uma panela grande, frite o alho no óleo até dourar e refogue a baroa batida. Coloque sal a gosto e coloque o oro-pro-nóbis. Deixe cozinhar por alguns minutos. Faça furos em alguns pães prontos com uma faca de mesa e acrescente o mingau de baroa. Por cima o queijo ralado e o bacon frito. Sirva quente. Essa medida dá para rechear em média 30 pães. *Receita enviada pelo Armazém do Campo. Você pode encontrar o pão e o fermento no Armazém do Campo. Toda semana tem Cultura na Sexta para você. Confira nossa programação e mais informações em: facebook.com/armazemdocampobh
Participe enviando sugestões para redacaomg@brasildefato.com.br.
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Belo Horizonte, 11 a 18 de outubro 2018
Ser criança nas ocupações urbanas
Comidinhas e arte Reprodução
DIREITO DE BRINCAR Organizações desenvolvem diversos projetos pensados para os pequenos, inclusive programações especiais para o 12 de outubro Ocupação Guarani Kaiowá
No dia 12, serão oferecidos algodão doce, pipoca e oficinas de graça para as crianças. Haverá, ainda, duas sessões do musical infantojuvenil “Contos Partidos de Amor”, às 16h e 19h, com entrada franca. É necessário retirar os ingressos uma hora antes da peça na bilheteria do CCBB (Praça da Liberdade, 450).
Bolhas de sabão na praça Reprodução
Raíssa Lopes
U
m bom lugar para ser criança é nas ocupações urbanas. Além de auxiliarem os adultos em toda a rotina de organização e aprenderem o valor de construir a coletividade, elas têm incentivo à diversão e à socialização em um ambiente de aprendizagem. O Dia das Crianças é celebrado nesta sexta-feira, 12 de outubro, e a maioria das ocupações têm eventos com programação especial. Porém, é importante lembrar que as iniciativas para o estímulo dos pequenos são constantes. Na ocupação Pátria Livre, localizada na Pedreira Prado Lopes, região Noroeste de Belo Horizonte, as meninas e meninos puderam participar no último sábado (6) de inúmeras atividades que ressaltam como é importante garantir o direito à infância. Elas aproveitaram brincadeiras antigas, como amarelinha, jogaram capoeira, dançaram, ouviram histó-
rias e muito mais. “São coisas que favorecem a relação de uma criança com a outra, do grupo, e que também têm relação com a comunidade em que elas vivem. É preciso estimular o direito ao esporte e ao lazer”, declara Vinícius Moreno, do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), entidade que organiza a ocupação. O MTD também vai realizar um evento em Montes Claros, no Centro de Convívio Luizinha, na Vila Atlântida. Será no dia 12, a partir das 8h. Na ocupação Dandara, região Norte da capital, todo ano também acontece uma festa para as crianças. Neste feriado, vai ter pintura fa-
Na ocupação Guarani Kaiowá, crianças participam de todo processo para construir parquinho
cial, distribuição de brinquedos, atendimento médico e dentário, oficina de grafite, pipoca, cachorro quente, algodão doce, entre outras comidinhas. “É contínuo o compromisso de entender que as crianças são sujeitos de direitos, são importantes. Nós fazemos parcerias com pessoas que executem as atividades com proximidade, que tenham as crianças como parte da sua própria história”, diz a moradora Juhh Dandara. Parquinho já! Em Contagem, na Guarani Kaiowá, foi realizada em setembro uma força tarefa entre moradores, estudantes de arquitetura e demais apoiadores da comunidade para a construção de um parquinho no local. As crianças participaram de tudo, inclusive do processo criativo. Pintaram pneus, fizeram gangorras e agora podem brincar, correr e conviver ainda mais debaixo da grande mangueira do pátio, árvore que se tornou símbolo da ocupação.
Quer aprender a fazer aquelas bolhas de sabão gigantes? É só levar balde e detergente e participar da brincadeira que será realizada na Praça da Assembleia, das 10h às 17h, no dia 12. Também vai ter uma oficina de produção de brinquedos gratuita com o grupo Show de Bolha.
Festa no Morro das Pedras Divulgação
A festa das crianças não será no dia 12, mas no domingo, dia 14, das 12h às 18h, na Rua Esperança (Vila Antena, BH). Vai ter apresentação do Bloco Arrasta de graça, e os organizadores recolherão doações de doces, comidas, bebidas, sapatos e roupas para os pequenos.
Reprodução
Belo Horizonte, 11 a 18 de outubro 2018
ESPORTE
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Miriam Jeske / ABraCan
Brasil: o país do futebol... masculino PASSADO E PRESENTE Em 1941, decreto lei proibiu futebol feminino por quase 40 anos Fabiana Reinholz
Curto e Grosso
Por amor ao esporte e à humanidade Reprodução / Galo Marx
Fabiana Reinholz e Luiza Dorneles, de Porto Alegre
“À
s mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza.” As palavras são do artigo 54 do decreto-lei número 3.199, assinado em 1941, proibindo o futebol feminino por quase 40 anos. Para o governo da época, o esporte era considerado violento e a natureza da mulher frágil. Hoje, conhecemos Marta: a primeira pessoa a ser eleita por seis vezes a melhor do mundo. Frágeis, elas já provaram que não são. Futebol, já mostraram que jogam. Mas por que não ouvimos falar sobre as jogadoras profissionais? A paixão de Georgia Balardin, 22 anos, vem desde os 5. Ainda na infância, entrou nas categorias de base do Internacional, de onde saiu aos 14 para jogar na Associação Carlos Barbosa de Futsal. Com um convite da ex-jogadora e gerente de futebol feminino do Inter, Duda Luizelli, retornou ao clube no ano passado. Para Georgia, a principal dificuldade que
as esportistas enfrentam é a falta de patrocínio. “É difícil, porque, se não tem o público, não tem a mídia. Se não tem a mídia, não tem o patrocinador e, se não tem patrocinador, a gente também não cresce”, desabafa.
Se não tem público, não tem mídia e patrocinaador Profissionalizar A Conmebol facilitou a criação de departamentos femininos nos clubes, mas atletas ainda enfrentam a falta de profissionalização. Das dez equipes inscritas no Gauchão 2018, apenas o Inter assina a carteira de somente nove das 27 jogadoras. Segundo a Federação Gaúcha de Futebol (FGF), o Grêmio pretende regulamentar 10 das 21 atletas. A pesquisadora Silvana Goellner acredita que as federações esportivas deveriam investir em novos campeonatos, para que tenha-
mos maior circulação de jogadoras. “Elas jogam por amor, são resilientes, persistentes, perseveram, em que pese a adversidade de condições”, avalia. Visibilidade Elas não aparecem na TV nem têm seus passes vendidos por milhares de dólares. “A gente não tem a mesma mídia. Para muitos, futebol feminino não é muito atrativo e, por conta disso, não aparece o apoio necessário”, aponta Taba. Apenas 3% do noticiário esportivo é voltado para a cobertura de atletas e competições femininas, segundo pesquisa da Women’s Sports Foundation. No Brasil, a organização de mídia Gênero e Número analisou pouco mais de 24h da programação esportiva, e o levantamento apontou que apenas 12% desse tempo, em um total de 2 horas e 55 minutos, foi dedicado às atletas mulheres. MATÉRIA COMPLETA NO SITE WWW. BRASIL DEFATO.COM.BR
Fabrício Farias Salve, salve, pessoal! Diante da situação política em nosso país e, em particular, para nós do campo progressista, não irei perguntar se está tudo bem. A imbecilidade da extrema direita brasileira, como não poderia deixar de ser, ameaça invadir o já problemático campo das rivalidades esportivas. Se a homofobia já era um problema nos cantos das torcidas, ela agora parece ressurgir legitimada por um candidato a presidente que acha que de “gays ninguém gosta, apenas se tolera”. Casos de homofobia com referência direta a tal candidato se fizeram ouvir em São Paulo e aqui em Minas Gerais. A rivalidade sadia sempre fez bem ao futebol, mas, infelizmente, a paixão clubista acaba contaminada e serve de máscara para o preconceito de raça, classe e gênero, principalmente. Não podemos negar que, em um país desigual como o nosso, muitas brigas de torcida podem ser potencializadas pelas dificuldades no dia a dia da maior parte de nossa população. Sob o iminente risco de termos um presidente que nega todos os valores humanitários, que nosso amor ao esporte seja também uma forma de amor à humanidade e à sua diversidade.
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Belo Horizonte, 11 a 18 de outubro 2018
Judô paralímpico: Brasil lidera ranking mundial
ESPORTES
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DECLARAÇÃO DA SEMANA Reprodução
Leandro Martins / MPIX CPB
Foi divulgada a última atualização do ranking da Federação Internacional de Esportes para Cegos. A novidade é a presença de três judocas brasileiros liderando suas respectivas categorias e outros dois na segunda posição. O paulista Antônio Tenório é o número 1 na categoria meio-pesado, a paulista Rebeca Silva no peso pesado e Alana Maldonado, de
Tupã (SP), é a melhor dos médios. O paraibano Wilians Araújo é o segundo melhor da categoria pesado. A paulista Lúcia Araújo é a segunda colocada no categoria meio-médio. (Com informações do CPB) Até o fechamento desta edição, ainda não tinha terminado o primeiro jogo da final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Corinthians.
“Reconheço que sou um machista em desconstrução, porque foi a educação que recebi. Aceito essa condição para poder evoluir. Aprendo todo dia com minhas filhas, vendo a luta das mulheres para terem direitos iguais no Brasil” Juninho Pernambucano, ídolo do Vasco e heptacampeão francês pelo Lyon, em entrevista ao jornal El País.
Gol contra Mario Celso Petraglia, presidente do Atlético-PR, fez o time entrar em campo, na partida contra o América, no sábado (6), trajando uma camisa amarela e com escritos que, embora indiretamente e sem mencionar o nome, manifestavam apoio a Jair Bolsonaro.
Gol de placa Mas o gol contra do mandachuva atleticano foi empatado por Paulo André, zagueiro do rubro-negro de Curitiba, conhecido por manifestar posições políticas populares: o jogador foi o único a entrar simplesmente com o uniforme do clube, contrariando Petraglia.
Decacampeão
É Galo doido
La Bestia Negra
Bráulio Siffert
Rogério Hilário
Fabrício Farias
A derrota de 4 a 0 para o Atlético Paranaense, a sequência de cinco jogos sem vencer, e a proximidade da zona de rebaixamento ligaram o alerta para o América. É hora de reagir. Isso começa pelo técnico, que precisa parar de entrar com escalação sem ataDecacampeão cante ou demasiadamente recuada. E os jogadores precisam entrar em campo com mais vontade e vibração como, inclusive, chegaram a atuar nos primeiros jogos com o técnico Adilson Batista. O clássico contra o Atlético Mineiro, no domingo (14), é uma ótima oportunidade para reabilitar a equipe e a confiança. Mas, para que isso aconteça, não adianta ter medo, mesmo porque os galináceos não estão lá aquelas coisas.
Diante de clima de guerra do segundo turno das eleições, fica complicado falar sobre o Atlético. Mas, assim como os brasileiros são ameaçados por trevas, para os atleticanos o cenário é de vida ou morte. O sopro de chances de título nacional vai se esvaindo, É Galo doido! corre risco. enquanto a vaga na Libertadores Vencer o América é imprescindível. Depois, tem Fluminense e Ceará fora. Daí teremos pela frente o Grêmio, no Horto. Para variar, pedreiras. E, como vem acontecendo, desfalques se alternarão. Um dia foram Cazares e Ricardo Oliveira. Noutro, Emerson e Chará. A temporada, cá pra nós, seguirá sendo um martírio. E vamos lutar para que o Galo e o Brasil sejam vencedores..
Salve, salve, nação azul ! Um Cruzeiro e Corinthians pela Copa do Brasil que guardo na memória foi o duelo pelas quartas de final da Copa do Brasil de 1996. Em uma partida memorável, no antigo Independência, o Cruzeiro enfiou inapeláveis La BestiaApós Negra 4 a 0 no Corinthians. 22 anos, encontramos de novo o clube paulista, agora na decisão. Temos a chance de nos isolarmos de vez como os maiores vencedores da competição e retornarmos à Libertadores. E, falando em lembranças do passado, a final da Libertadores no ano que vem será no mesmo local em que papamos nosso primeiro caneco, em 1976. Quem sabe isso não seja o início de boas recordações para o futuro? Saudações azuis.