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PDF da edição 242 do Brasil de Fato MG

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Felipe Soares

ESPECIAL

Inovação no semiárido Conheça o projeto que vai construir a primeira usina de energia híbrida do Brasil. A iniciativa será desenvolvida com participação popular e reduzirá as contas de energia de 1250 famílias de 21 municípios

Minas Gerais

Belo Horizonte, 13 a 19 de julho de 2018 • edição 242 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita

LULA: PRESO POLÍTICO Caldeira dos Santos / Associação Vale Viver

ESPORTE

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Futebol feminino Ex-treinadora da Seleção: “Não tive muita dificuldade como atleta. Como treinadora, temos que provar que sabemos tanto quanto um homem”

BRASIL

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Dados protegidos Brasil aprova lei para resguardar privacidade e intimidade das pessoas na internet

CULTURA

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Arte de resistência e cultura popular no Vale do Mucuri

CIDADES

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Plano diretor de BH Movimentos que participaram da IV Conferência de Política Urbana pressionam pela aprovação da lei


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 13 a 19 de julho 2018

Editorial | Brasil

Denunciar incansavelmente o golpe

ESPAÇO DOS LEITORES

“Direita ama privatizar!! E ainda tem quem defenda o PSDB!” Comentou a leitora Luana Vidigal sobre o editorial “Golpe elétrico: se privatizar, a conta de luz vai aumentar” _____________ “Matéria mais que linda desse Brasil de Fato que é maravilhoso! ” Escreveu Liliam Daniela Anjos sobre a matéria “A dor e a delícia de ser o que é” _______________ “Jornal feito com qualidade e respeito” Escreveu a leitora Sandra Mara sobre a edição 241 do Brasil de Fato MG, que trouxe na capa o tema da visibilidade LGBT _______________ “Inacreditável a subserviência do judiciário aos interesses dos EUA...” Desabafou o leitor Jean ao compartilhar a notícia sobre a ordem de prisão do ex-presidente do Equador, Rafael Correa

Escreva para nós: redacaomg@brasildefato.com.br

Domingo, em geral, é um dia de descanso para os brasileiros. Não foi o caso do último dia 8. A partir de uma decisão proferida por Rogério Favreto, Desembargador Plantonista do TRF da 4ª Região, milhares de pessoas em todo o país se mobilizaram na expectativa da liberdade do ex-presidente Lula. No entanto, o pingue-pongue judicial se arrastou durante o dia. Em resumo, a decisão de soltura de Lula foi suspendida por outros juízes que, estranhamente, deixaram seus dias de descanso – e até mesmo suas férias, no caso de Moro e Gebran Neto – para inter-

Juízes não tratam Lula como réu, mas como adversário vir na decisão de Favreto. Juristas apontam que estas interferências, realizadas apressadamente ao longo do domingo, são inéditas na Justiça brasileira. O desespero de juízes envolvidos na prisão em não deixar a Polícia Federal soltá-lo demonstrou, de uma vez por todas, o engajamento e a militância em tratar o ex-presidente não como um réu, mas como um adversário político na disputa entre projetos de país. Faz parte do roteiro do golpe em curso no país manter a maior liderança popular e único candidato com mais de 30% em todas as pesquisas encarcerado. Os setores interessados no desmonte do Estado como indutor de desenvolvimento

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

e redução das desigualdades – com a atuação decisiva e vergonhosa da mídia comercial – acreditam que, mantendo Lula preso, vão conseguir arrefecer o descontentamento com a barbárie e varrer a esquerda do cenário político-eleitoral.

Marcha popular vai percorrer o Brasil Sem esperanças no Judiciário A liberdade de Lula não irá brotar das poucas e precárias exceções no Judiciário brasileiro. Este foi, desde cedo, acostumado a ocupar o mesmo lugar da burguesia de rapina e teme tanto quanto ela perder seus privilégios. A liberdade de Lula virá de algo mais imprevisível. Nascerá da construção de força e identidade entre a classe trabalhadora em cada canto onde os efeitos do golpe se fazem sentir. Trata-se de uma construção mais lenta e paciente e, por isso mesmo, mais afinada ao exemplo do próprio Lula. Essa é a ousadia do MST e da Frente Brasil Popular em marchar novamente pelo território nacional, conversando com a população, ouvindo os problemas do povo, organizando gente para encontrar soluções e, a partir disso, transformar a aprovação de Lula em um forte movimento de mudanças do país. Os inimigos do povo ainda não entenderam o recado de Lula: não se pode aprisionar nossos sonhos. Em cada lutador do povo, nossos sonhos podem dizer, como o próprio Lula: olha eu aí de novo!

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conselho editorial minas gerais: Adriano Pereira Santos, Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Cida Falabella, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Gilson Reis, Gustavo Bones, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, Juarez Guimarães, Marcelo Oliveira Almeida, Makota Celinha , Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes, Thainá Nogueira e Wallace Oliveira. Colaboradores: Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Bruno Mateus, Diego Silveira, Fabrício Farias, Felipe Marcelino, João Paulo Cunha, Jordânia, Souza, Léo Calixto, Luiz Fellippe Fagaráz, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário, Sofia Barbosa, Taciana Dutra. Revisão: Luciana Santos Gonçalves. Distribuição: Felipe Marcelino. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


? PERGUNTA DA SEMANA

Nesta semana, o ex-presidente Lula completa três meses de prisão e seu caso foi motivo de uma “guerra judicial” no domingo, 8 de julho. Ele segue sendo o candidato com mais intenções de voto para presidente, a Justiça ainda não conseguiu dar provas do seu crime, mas ele continua preso e impedido de fazer campanha.

Na sua opinião, por que o setor Judiciário quer que Lula continue preso?

A impressão que eu tenho é que o Lula é um preso político. A gente tem vários outros políticos que cometeram crimes e não estão sendo investigados. Fica muito claro, na questão partidária, que existe uma perseguição em cima de Lula e de outros possíveis candidatos da esquerda.

Primeiro, o medo do que o Lula já fez e vai fazer. Por exemplo o investimento que foi feito em educação. Quantos tiveram a oportunidade de estudar, que não tinham essa possibilidade e estão aí... se formaram médicos, engenheiros. E isso é tudo, só a educação move o mundo.

Carlos Antônio, autônomo

Maria Coeli Bitarães, aposentada

Belo Horizonte, 13 a 19 de julho 2018

GERAL

Declaração da Semana Um torcedor brasileiro é chamado de macaco. Um YouTuber faz comentários racistas. Uma menina tem seus cabelos alisados contra sua vontade (...) Tudo isso só nas últimas horas. Todo dia a gente precisa combater o racismo”

BH terá uma “UPA” para animais

3 Reprodução

Escreveu a atriz Taís Araújo em seu Twitter, sobre casos de ofensa à população negra

Andréa Rêgo Barros/ PCR

SAÚDE PÚBLICA A Prefeitura de Belo Horizonte anunciou a criação do primeiro hospital público veterinário de Minas Gerais. A intenção é fazer o atendimento de primeiros socorros em animais a partir de dezembro deste ano. Irá funcionar em um antigo posto de saúde que será reformado, na rua Pedro Bizoto, 230, bairro Madre Gertrudes.

Brechó: moda sustentável

Reprodução

CLOSE “Que vontade de renovar meu guarda-roupa!” Quem nunca pensou isso? Nossas roupas são reflexo de atitudes, da idade, das cores que gostamos de usar. É normal querer trocá-las de vez em quando. Porém, é preciso ter consciência nessa hora. Um encontro nacional de brechós, em Ouro Preto, nos chama atenção para a “revolução do vestir”, reunindo iniciativas de todo o país no dia 14 de julho. Os brechós querem divulgar que roupas que já têm uma história podem ser ainda melhores! Doe, reutilize, inspire-se!


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CIDADES

Belo Horizonte, 13 a 19 de julho 2018

Movimentos defendem aprovação do Plano Diretor BELO HORIZONTE Empresários não querem pagar compensação por investimentos públicos nos locais das obras Karoline Barreto / PBH

Wallace Oliveira

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pós meses nas mãos da Prefeitura, o novo plano diretor de BH voltou à Câmara Municipal. Empresários do setor imobiliário não aceitam a principal proposta, a criação de regras para construir, com contra-partida para a cidade. Por outro lado, associações, movimentos e técnicos indicam que a medida vai disciplinar o uso e ocupação do solo, conter os danos da verticalização e ajudar a combater desigualdades. Conferência O projeto que cria o novo plano diretor de Belo Horizonte (PL 1749/2015) é fruto dos debates da IV Conferência Municipal de Política

Urbana, realizada em 2014. A conferência contou com a participação de mais de 6 mil pessoas, entre associações, movimentos, técnicos e representantes do poder público. Durante quase um ano, eles elaboraram um texto, que foi encaminhado à Câmara em 2015. A partir de então, o projeto sofreu inúmeras modificações e não foi votado pelos vereadores.

Em 2016, após se eleger, o prefeito Alexandre Kalil (PHS) se comprometeu com a aprovação do plano. Ao assumir a prefeitura, ele retirou a matéria de tramitação, prometendo encaminhar um projeto mais simples. A emenda substitutiva foi apresentada no último dia 29 de junho pela secretária municipal de política urbana, Maria Caldas.

Conflito Uma das principais medidas do plano é o Coeficiente de Aproveitamento Básico 1 e a Outorga Onerosa do Direito de Construir. As construções que ocuparem uma área maior do que o próprio terreno (somando os diferentes andares) devem pagar uma contrapartida por essa área excedente. O recurso será revertido para a habitação de interesse social, mo-

Tributos recolhidos da construção seriam revertidos para a cidade

bilidade urbana, equipamentos comunitários, criação de espaços de lazer e áreas verdes. A cobrança não atinge as pequenas construções. Empresários do setor imobiliário defendem que essa regra não seja aprovada. Eles publicaram um manifesto, assinado por entidades do setor, declarando que o plano vai atrapalhar o desenvolvimento da cidade. Por outro lado, defensores do plano afirmam que a medida apenas exige dos grandes proprietários uma conpensação pelas melhorias que o poder público promoveu no lugar onde a obra é construída. Confira carta dos movimentos exigindo a aprovação do plano: goo.gl/Ps9s6f.

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NOTA PÚBLICA

Manobras na ALMG ameaçam sonho de concurseiros que pleiteiam vaga para o cargo de Auditor Fiscal da Receita Estadual de Minas Gerais Todos os anos, milhares de brasileiros se preparam para tentar uma vaga no serviço público, na expectativa de conquistar a tão sonhada estabilidade na carreira. Em uma rotina que envolve de 12 a 14 horas diárias de estudo, os “concurseiros” abrem mão do lazer e chegam a sacrificar relações familiares em busca da aprovação. Um dos concursos mais concorridos em todo o país – e também um dos mais difíceis, dada a vasta gama de conhecimento exigida – é para o cargo de auditor fiscal, que oferece, além da estabilidade, salários atraentes. Em Minas Gerais, entretanto, a possibilidade de ingressar para a carreira de Auditor Fiscal da Receita Estadual está ameaçada. Um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais ameaça funções próprias do cargo, abrindo caminho para que sejam assumidas por servidores de outras carreiras dentro da estrutura da Secretaria de Estado de Fazenda, sem o devido concurso público.

Trata-se do Projeto de Lei 23.882/2017, cujos artigos 50 a 55 propõem alterações em cargos e carreiras na Secretaria de Fazenda, viabilizando a aquisição futura de direitos próprios do cargo de auditor fiscal por outras categorias. Os artigos chegaram a ser vetados pelo governador Fernando Pimentel, que ressaltou a ilegalidade da proposta, mas o veto retornou à ALMG, como é de praxe, para nova avaliação e votação. As entidades representativas da categoria fiscal de Minas Gerais – Sindifisco-MG e Affemg – e o próprio secretário de Fazenda, têm se mobilizado para garantir a manutenção do veto, por entenderem que a proposta fere a Constituição Federal (incisos I e II do artigo 37) ao permitir o provimento derivado (transposição de cargo sem concurso). Entretanto, algumas tentativas de acordo que vêm sendo costuradas nos bastidores da ALMG, ameaçam derrubar o veto, pondo fim ao projeto de milhares de brasileiros que sonham com a oportunidade de integrar o seleto grupo de auditores iscais da Receita Estadual de Minas Gerais.

Motivadas por interesses meramente eleitoreiros, que não consideram os fundamentos constitucionais da moralidade, do concurso público e, principalmente, o interesse de toda a sociedade mineira, essas articulações visam promover um verdadeiro “trem da alegria” na Secretaria de Fazenda, em total desrespeito àqueles que se preparam para ingressar no serviço público pela porta da frente, ou seja, de maneira legal, via concurso público. E o que é ainda mais grave, contribuem para instaurar o caos justamente num órgão estratégico, cujo funcionamento regular é essencial para equacionar a gravíssima crise financeira que atinge o Estado neste momento. O Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco-MG) e a Associação dos Funcionários Fiscais do Estado de Minas Gerais (Affemg) vêm denunciando, na imprensa, essas tentativas espúrias de alguns parlamentares de derrubar o veto do governador.

A denúncia é apoiada pela Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) e pela Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), entidades que, juntas, congregam mais de 61.000 servidores filiados. Mas isso não basta. É preciso que aqueles que sonham em conquistar uma vaga no quadro de auditores fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais ajudem a fortalecer essa luta encaminhando e-mails aos deputados mineiros e pressionando para que mantenham o veto do governador aos artigos 50 a 55 da Lei 23.882/2017.


Belo Horizonte, 13 a 19 de julho 2018 Antonio Costa

MINAS

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Dérik Filipe

30 dias de forte resistência contra a entrega da Petrobras

Duzentos agrotóxicos na sua salada! Rio de janeiro, 10 de julho de 2018 Pai, Quando eu era pequeno, você escreveu numa das “Cartas da Mãe”, que queria que eu aprendesse a comer abóbora. Nunca fui muito fã de legumes, e lembro que queria que eu tivesse uma alimentação mais saudável. Cada vez mais as pessoas querem comer melhor, mas desde que eu era pequeno já tínhamos problemas com agrotóxico nos legumes e verduras. Você fez vários cartuns sobre esse assunto, mas tenho um preferido, que fala sobre agrotóxico no alface. Pois bem, pai. No mundo todo estão preocupados com isso, e proibindo cada vez mais o uso de agrotóxicos, menos aqui no Brasil… A última, é que liberaram só este ano, cerca de 200 agrotóxicos diferentes….isso mesmo, DUZENTOS!!! Muitos deles proibidos no mundo todo, mas aqui estão sendo liberados. Parece que tem fabricante de inseticida que vai lançar molho pra salada também. Já imaginou? – O senhor quer uma Ceasar Salad, com molho Rosé, SBP ou Baygon? Vamos comer comida envenenada agora. Juntando com o congelamento de investimento na saúde por 20 anos e o aumento no valor dos planos de saúde, acho que agora que ninguém se aposenta mais mesmo! E não acabou! Querem proibir a venda de produtos orgânicos em supermercado. Sabe por quê? Porque o maior produtor de orgânicos do Brasil é o MST, Farão tudo para impedir e os ruralistas do congresso sabem disso. Eles querem produção, dinheiro, e não produtos saudá- candidatura veis. Lula Viu pai? Por isso eu não gosto de abóbora… Um beijo do seu filho *Ivan O produtor cultural Ivan Consenza, filho do cartunista Henfil, mantém um blog onde publica cartas para o pai, morto em 1988, contando sobre temas da atualidade. No texto mais recente de “As Cartas do Pai”, Ivan comenta a recente liberação do uso de mais agrotóxicos na agricultura.

Dérik Filipe é professor da rede estadual de Minas Gerais e militante do Levante Popular da Juventude de Belo Horizonte. Mídia NINJA

População sente o golpe

ACOMPANHANDO

Ivan Consenza

As peças do tabuleiro da entrega do pré-sal e da Petrobras estavam bem acertadas: o plano, ainda em andamento, é acabar com a reputação da estatal através da operação Lava Jato, com a construção de escândalos de corrupção; retirar a presidenta eleita democraticamente com programa contrário aos interesses das petrolíferas; alterar a lei de partilha que revoga a participação obrigatória da Petrobras na exploração do petróleo da camada do pré-sal e alterar a política de preços dos combustíveis. No entanto, como em qualquer jogo, um dos times pensa as suas jogadas, mas não pode esquecer que o adversário também está na partida. No caso do Brasil, o povo joga contra o time das petrolíferas e do governo, que vem golpeando os nossos interesses e direitos. Um exemplo foi a mobilização dos caminhoneiros e, depois, dos petroleiros, que levaram à demissão de Pedro Parente. Outra jogada importante foi a suspensão das vendas de quatros refinarias. Mas precisamos convocar um atacante forte que pode derrubar parte do time adversário e que, por ser tão forte, está sendo impedido de entrar no jogo. O maior presidente do Brasil completa quase 90 dias de uma prisão injusta e autoritária. Precisamos garantir que Lula concorra e ganhe as eleições este ano. E o mais central: é preciso fortalecer a organização do nosso time. Precisamos de mais jogadores e jogadoras do nosso lado, construindo as jogadas de maneira coletiva e organizada, através do Congresso do Povo. Precisamos de O time adversário parece um atacante bem posicionado, mas somos forte de nosso milhões e temos condições de lado: Lula ganhar esse jogo.

Especial traz um balanço sobre os retrocessos impostos ao povo brasileiro desde o impeachment de Dilma até os dias de hoje

Minas Gerais

Belo Horizonte, 15 a 21 de junho de 2018 • edição 238 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita • facebook.com/brasildefatomg Notas Periodismo Popular

Mídia Ninja

CADÊ O CLIMA?

Mulheres argentinas pressionam e conquistam descriminalização do aborto

Na edição 238 ... Educação mobilizada pelo pagamento E agora...

Geral 3 Makely Ka

Torneio começou na quinta (14), com goleada da anfitriã Rússia sobre a Arábia Saudita. No Brasil, clima de Copa anda mais frio que inverno russo. População está desanimada com a tragédia que o golpe tem causado no país, a lembrança do 7 a 1 e a falta de esperança fora dos gramados. Seleção chega favorita ao título, mas a principal estrela é o Canarinho Pistola, mascote que é a cara dos brasileiros no período atual. O Brasil de Fato traz para você a tabela da primeira fase

Exposição em BH proporciona o contato com histórias e belezas do Grande Sertão Cultura 14

Votação adiada Trabalhadores da rede estadual

de educação estão em jornada de luta pela aprovação da PEC 49. O texto torna o pagamento do piso salarial da categoria um direito garantido pela Constituição do estado. Nesta semana, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (SindUte/MG) mobilizou caravanas de todo o estado para pressionar a aprovação da PEC na ALMG. O texto deveria ter sido votado nesta semana na Assembleia, mas a oposição do governo obstruiu a votação. A expectativa é de que a PEC seja apreciada no próximo dia 17. A categoria mantém a mobilização para a aprovação.


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MINAS

Belo Horizonte, 13 a 19 de julho 2018

Opinião

O que estamos esperando? João Paulo Cunha A escalada regressiva no Brasil está desafiando o senso de realidade. As sucessivas perdas econômicas, sociais e de direitos vão se acumulando, deixando explícito o cenário de ditadura que nos espreita da esquina. Não se pode dizer que não está havendo reação popular, ela existe, mas enquadrada num modelo que não dá conta da potência do adversário, que merece a exata designação de inimigo. O descrédito com a reação popular se tornou até argumento para explicar a continuidade do processo de desmonte do Estado e de enxovalhamento das instituições. Como o povo se mostra relativamente contido em suas manifestações, parece tratar-se de um jogo que se dá dentro da normalidade da dissensão democrática. O balanço de derrotas praticamente consolidadas contra o povo vai se avolumando em todas as áreas. No campo do trabalho, com a retirada de direitos históricos, ataque à sustentabilidade dos sindicatos, retrocessos na justiça laboral e preservação do cenário

Um envergonhado senso de realidade parece aceitar o menos pior para impedir o pior possível de desemprego estrutural. Nos programas sociais, com a retirada de investimentos inscrita a fogo no orçamento público das próximas décadas. Na política de segurança, com a aposta na já fracassada estratégia de combate da violência com violência, fortalecendo o Estado policial, de inspiração militar. Na soberania nacional a derrocada segue seu curso, com o avanço da desnacionalização de setores estratégicos, como o do petróleo e da energia elétrica. A recente radicalização da privatização da Embraer é uma das atitudes mais francamente destrutivas da indústria brasileira. Que ainda vai mostrar toda sua abrangência.

: a c o v n o c G E/M

T U d n Si

O Ã Ç A V RO P A A L E P O Ã Ç A Z MOBILI L A I R A L A S O S I P O D 9 4 C E P DA

A mesma escalada atinge a saúde, com a ameaça ao SUS, aos programas populares de assistência médica e farmacêutica. Na educação, com a retração de recursos para a universidade e pesquisa, freio nas políticas de inclusão e na construção de um imaginário salvacionista voltado para a educação privada. A recente cartada autoritária, possivelmente a mais radical de todas, já explicitou a morte das eleições populares deste ano. Há um envergonhado senso de realidade que parece escrever uma história de derrotas sucessivas como um caminho viável, ou pelo menos minimamente aceitável. Como se fosse melhor uma eleição fraudada na origem do que eleição nenhuma; pleito sem o candidato mais popular, mas com a possibilidade de composição mesmo que historicamente fraudada; aceitação do menos pior para impedir o pior possível. Só há uma resposta aos que desafiam o povo a tomar uma atitude mais explícita de indignação: organizar as forças populares e tomar as ruas. Nem que seja para garantir das regras do jogo.

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o h l u J 018

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Local: Assembleia Legislativa de Minas Gerais Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho - Belo Horizonte/MG www.sindutemg.org.br

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10h


Felipe Soares

ESPECIAL

Minas Gerais

Belo Horizonte, julho de 2018 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita

Inovação e energia no semiárido

Primeira usina híbrida de energia do país começa a ser construída. A inovação será na hidrelétrica de Santa Marta, em Grão Mogol, no Vale do Jequitinhonha, onde serão instaladas placas solares. Famílias de 21 cidades estão envolvidas diretamente, e serão beneficiadas com redução nas contas de energia. Envolvimento da população é importante marca do projeto, que contará ainda com protagonismo das mulheres

Projeto conquistado por pressão social

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Entenda como vai funcionar a usina solar fotovoltaica

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ESPECIAL

Belo Horizonte, julho 2018

Norte de MG recebe primeira usina híbrida de energia do Brasil PIONEIRISMO Projeto contempla famílias de atingidos por barragens, que terão participação ativa no processo Eloá Magalhães / MAB

Maíra Gomes

P

ela primeira vez no Brasil, será instalada, em Grão Mogol, no Vale do Jequitinhonha, uma usina híbrida, ou seja, que usa duas diferentes formas de geração de energia. Na já existente Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Santa Marta, que gera a energia, se construirá uma usina de geração fotovoltaica, conhecida popularmente como placa de energia solar. “Temos uma PCH funcionando, mas com os reservatórios já depreciados pelo tempo e pouca reserva de água. Instalaremos uma usina flutuante em cerca de 30% do reservatório já existente e vamos aproveitar parte da estrutura, como a rede de distribuição subestação e outros”, explica Denio Alves Cassino, engenheiro de energia da Efficiencia, uma das empresas executoras do projeto. O projeto de pesquisa e desenvolvimento é resultado de uma parceria entre a Cemig e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), com previsão de investimento de

Nunca o setor elétrico havia pensado uma proposta que trabalhasse tecnologia de desenvolvimento com participação social em um mesmo projeto”, diz gerente da Cemig Placas serão implantadas na PCH de Santa Marta, em Grão Mogol

R$ 24,4 milhões. O convênio foi assinado pela Associação Estadual de Desenvolvimento Ambiental e Social (Aedas), com participação da empresa Axxion Soluções Tecnológicas S.A., a subsidiária da CEMIG Efficientia S.A., e a PUC Minas. Único na história do país, o projeto prevê a participação ativa da população de 21 municípios da região, totalizando cerca de 1250 famílias de atingidos por barragens. Es-

Saiba mais sobre a região onde será instalado o projeto

sas famílias serão beneficiadas com a energia produzida na usina híbrida e com redução nas tarifas. Frederico Soares, gerente de Tecnologia e Inovação da Cemig, explica que o engajamento das comunidades se dá nos processos decisórios do próprio empreendimento, com a construção da metodologia, as questões administrativas, e até mesmo no trabalho técnico no dia a dia da usina.

“Nunca o setor elétrico havia pensado uma proposta que trabalhasse tecnologia de desenvolvimento com participação social em um mesmo projeto. Isso tem uma riqueza que nenhum outro projeto tem”, celebra Frederico. A iniciativa já está em andamento, em sua fase inicial de formação de pesquisadores populares para a realização do diagnóstico da região. A proposta básica da usina está em elaboração e deve estar pronta até julho deste ano, com previsão do início das

obras em setembro. De acordo com a Aedas, a Usina Solar Fotovoltaica deve estar em operação até abril de 2019. Participação das mulheres O projeto Veredas Sol e Lares foi assinado no dia 8 de março deste ano, no dia internacional de luta das mulheres. Com a presença de mais de 200 atingidas por barragens de todo o estado, o convênio foi assinado entre o governador Fernando Pimentel (PT), a Cemig, as quatro empresas executoras e o MAB. “Isso é resultado de mais de 20 anos de luta. Para nós do MAB essa conquista não é só de Minas Gerais, é parte de um debate que estamos fazendo há anos: de que cabe ao povo o controle da energia, da riqueza. O projeto foi construído a partir das demandas das próprias comunidades, integra a construção do Projeto Energético Popular, com soberania, distribuição da riqueza e controle popular”, comemora Rogério Oliveira, militante do MAB e morador do Vale do Jequitinhonha.

Semiárido mineiro Abrange as regiões Jequitinhonha e Norte de Minas Corresponde a

17% do estado de Minas Gerais

42% dos domicílios são rurais Clima seco e chuvas em poucos meses do ano Possui IDH bem abaixo da média estadual (O Índice de Desenvolvimento Humano mede educação, longevidade, renda e outras características. O IDH de Minas é 0,731. O IDH do semiárido mineiro é 0,6103. Quanto mais próximo de zero, pior)


Belo Horizonte, julho 2018

Na construção da usina, participação popular é uma das maiores inovações ENTREVISTA Integrante da coordenação do MAB explica metodologia do projeto Willian Dias / ALMG

Rafaella Dotta

A

s placas fotovoltaicas prometem ser inovadoras do ponto de vista tecnológico e, também, do ponto de vista social. Aline Ruas, integrante da coordenação do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), reside em uma das cidades que irão receber o projeto. A tarefa dela será ajudar a organizar todas as 4.450 pessoas que vão participar diretamente da construção e administração das placas. Para Aline, um dos maiores ganhos será a organização popular. Isso significa criar uma rede de pessoas que consigam desenvolver uma tecnologia energética que sirva à população, e não às empresas. A essa organização social Aline dá o nome de “inovação tecnológica popular”.

A região tem o menor IDH, o maior analfabetismo, não temos acesso à água, à energia Brasil de Fato - Por que este projeto é inovador do ponto de vista social? Aline Ruas - A primeira coisa

é entender que inovação tecnológica não é só ligada à engenharia. No projeto, existe a parte da inovação na produ-

Quais podem ser as diferenças de um projeto feito junto com a população?

O plano do Estado de Minas Gerais não foi pensado a partir da participação do povo. Temos aqui [norte de Minas] a monocultura de eucalipto,

O Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em quatro estados. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado. Este especial é uma parceria do Brasil de Fato MG com o Projeto Veredas Sol e Lares.

População do semiárido vai pensar seu próprio desenvolvimento

A

ção de energia, mas também a parte da inovação da participação popular. O povo vai participar desde a construção da usina até as pesquisas. O objetivo é que o povo se capacite e também use seu conhecimento para pensar um plano de desenvolvimento social, o diagnóstico social e a construção da usina.

Esse é um dos mitos que queremos quebrar. Não vamos produzir sozinhos, mas junto com pesquisadores. Dentro da equipe temos o povo atingido, jovens, professores, pesquisadora e estudantes de mestrado. Usamos um método que não faz essa separação “povo versus universidade”, mas sim junta os dois lados.

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Maíra Gomes

O povo vai participar desde a construção da usina até as pesquisas

É mesmo possível desenvolver tecnologia fora dos laboratórios e universidades?

ESPECIAL

Não separamos ‘povo versus universidade’, mas sim juntamos os dois lados mineração, construção de hidrelétrica e grandes projetos de irrigação que não partiram da necessidade da população. São projetos que sugam os bens naturais e retiram o povo daqui, que vai buscar trabalho em outras regiões. Não trouxeram melhoria de vida. Pelo contrário. Nós temos o menor IDH, o maior analfabetismo, não temos acesso à água, à energia. Agora, o povo vai poder construir uma usina que seja exemplo para o Brasil todo.

Quem vai participar? O projeto Sol e Lares irá englobar pessoas de 21 cidades. Nelas, serão organizados 125 grupos de base, com 250 coordenadores, envolvendo 1.250 famílias. Serão 4.450 pessoas envolvidas diretamente. Os critérios para escolher os participantes ainda serão definidos, junto com as famílias que receberão o projeto. O MAB considera que qualquer pessoa pode ser escolhida, visto que toda a população brasileira é atingida pelo atual modelo energético.

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região apresenta uma vasta diversidade ambiental e cultural, que apontam um potencial alto de desenvolvimento social e econômico. Parte do projeto “Veredas Sol e Lares” prevê a elaboração de um Plano de Desenvolvimento regional, principalmente para os 21 municípios participantes do projeto. O plano será uma parceria entre a Aedas e o Observatório dos Vales e do Semiárido Mineiro – UFVJM, conforme explica a pesquisadora Aline Weber Sulzbacher. “Vamos fazer um diagnóstico regional com a participação dos moradores, que chamamos de pesquisadores populares, e identificar o potencial de desenvolvimento da região”, explica. Até a metade de 2019 serão realizados momentos de capacitação com as famílias envolvidas, principalmente os jovens. Um dos objetivos é mapear possíveis projetos produtivos, pontos frágeis na educação, saúde e outros. A expectativa é que os envolvidos elaborem propostas práticas para os governos federal, estadual e regional para investimentos em cada umas das questões identificadas. “Essa é uma inovação teórico-metodológica; vamos pensar o desenvolvimento a partir da própria população”, comemora Aline.


Projeto Veredas Sol e Lares 1º

No Eletrocentro, inversores

convertem a energia gerada pela UFV e a voltagem é elevada .e Aantes de ser injetada no sistema elétrico, ela é medida, para depois ser disponibilizada para as famílias do programa.

os raios solares incidem sobre os módulos gerando a energia elétrica. A estimativa de vida útil da UFV é de 20 a 25 anos.

2º

3º Trabalhadores organizados no MAB participarão da instalação e serão responsáveis pela operação e manutenção da Usina Solar Fotovoltaica – UFV.

Aproximadamente 1.250 famílias, de 21 municípios do semiárido, serão beneficiadas com a energia da UFV com compensação (redução) mensal na conta de energia elétrica.

6º

Na Usina Solar Fotovoltaica – UFV

4º

Subestação Subestação

recebe a energia gerada de ambas que recebe a energia gerada de asambas fontesase fontes, é responsável por por responsável injetá-la injetá-lana narede redede dedistribuição. distribuição.

As redes de distribuição

5º

são responsáveis por transportar e distribuir a energia gerada pela UFV para as famílias beneficiadas.

7º As famílias beneficiadas devem estar organizadas no MAB. Coordenado pela equipe de pesquisadores da AEDAS e do Observatório dos Vales e do Semiárido Mineiro – UFVJM, as famílias participarão como protagonistas na formação da cooperativa, na realização de um diagnóstico social e na elaboração do plano de desenvolvimento regional.


Belo Horizonte, 13 a 19 de julho 2018

Entenda a manobra jurídica que manteve Lula preso Ricardo Stuckert

Lula absolvido de outro caso

O

Brasil acompanhou, atento, os desdobramentos do pedido de soltura imediata no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (8). O documento foi emitido pelo desembargador federal plantonista Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), mas foi contestado pelo juiz de primei-

O Gebran, que é do mesmo nível de Favreto, não poderia atuar porque não é plantonista”, diz advogado ra instância Sérgio Moro e depois pelo relator do caso de Lula no TRF4, João Pedro Gebran Neto. Ambos despacharam durante as férias. Em resposta à cassação de Gebran Neto, Favreto chegou a determinar novamente a liberdade de Lula em um segundo despacho, porém, após todo o impasse jurídico, o desembargador presidente do TRF4, Carlos Eduardo Thompson Flores, revogou a decisão de Favreto e informou que o veredito acatado seria o de Gebran. Advogados consultados pelo Brasil de Fato avaliam que caberia somente ao Supremo Tribunal Federal (STF) invalidar o parecer de Favreto. Para o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), Marce-

lo Neves, a polêmica traz à tona o caráter político da prisão do petista. “O Gebran, que é do mesmo nível de Favreto, não poderia atuar porque não é plantonista. Ele poderia depois participar da decisão da turma que iria decidir o mérito final do habeas corpus (HC), mas nunca atuar naquele momento”, explica.

Ele também classificou a situação como uma “ditadura da toga”. “É uma postura parcial e mesmo corrupta – não no sentido do financeiro, mas é um Poder Judiciário que está vendido ao poder político dominante, vendido às elites, e não atua para aplicar a Constituição e a lei”, continua o jurista.

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JUIZ DE FÉRIAS NÃO DECIDE

INTERESSES Para advogado, decisões do último domingo (8) evidenciam parcialidade do Judiciário brasileiro Da redação

BRASIL

Lula foi absolvido nesta quinta (12) no processo de obstrução de Justiça em que era acusado na Operação Lava Jato. A decisão foi do juiz Ricardo Augusto Soares Leite, do Distrito Federal, e se refere a um suposto esquema para a compra do silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. A absolvição ocorre exatamente um ano após a sentença do juiz Sergio Moro, que condenou Lula no caso do triplex, também na Lava Jato. Carina Castro

ATOS PELO PAÍS A população saiu às ruas no domingo, 8 de julho, para manifestar pela liberdade de Lula. Aconteceram protestos em 10 capitais do país, convocados pela Frente Brasil Popular. Em Belo Horizonte, o ato por “Lula Livre” se uniu à 21ª Parada LGBT, na Praça da Estação. A agenda de mobilizações continua até agosto, quando serão registradas as candidaturas.

Ao receber o pedido de soltura do ex-presidente Lula, o juiz de primeira instância Sérgio Moro publicou um despacho pela internet indicando que a decisão não deveria ser considerada pelas autoridades policiais. Mas o juiz está de férias desde o dia 2 e assim fica até 31 de julho. No momento do despacho, estava em viagem em Portugal. Nasser Ahmad Allan, advogado, da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) explica que quando um juiz entra de férias ele deixa de ter atribuição para atuar: “O fato de ele estar em férias retira dele qualquer possibilidade de sentenciar, despachar ou tomar qualquer ato decisório, porque ele não tem jurisdição”.

LIMITE DA LEGALIDADE O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foi criado em 2005 como um órgão de análise, com isenção e distanciamento, de casos de desvios na atuação do Judiciário. Foi a esse órgão que a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) encaminhou uma representação contra Moro. São vários argumentos: além das férias, o juiz não poderia se pronunciar em relação ao processo, já que a movimentação segue nas instâncias superiores. Outro abuso de autoridade cometido pelo juiz é que ele não pode interferir no cumprimento da ordem expedida por um desembargador, tendo cometido ainda o crime de prevaricação, aplicável em casos de desobediência à ordem judicial.


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BRASIL

Belo Horizonte, 13 a 19 de julho 2018

Congresso aprova projeto de lei para proteção de dados pessoais AVANÇO Além de proteger a privacidade, medida vai evitar discriminação de cidadãos pelo cruzamento de informações Oswaldo Corneti / Fotos Publicas

Da Redação*

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plenário do Senado aprovou nesta semana o projeto de lei (PLC nº 53) que disciplina a proteção dos dados pessoais e define as situações em que estes podem ser coletados e tratados tanto por empresas quanto pelo poder público. O texto foi aprovado por unanimidade e segue os mesmos termos do conteúdo que já havia sido votado na Câmara dos Deputados no fim de maio. Com a nova lei, o Brasil se junta a diversos países do mundo que já possuem legislação sobre o tema. O projeto agora vai para a sanção do presidente não eleito Michel Temer.

Com a nova lei, o Brasil se junta a diversos países do mundo que já possuem legislação sobre o tema

Foi criada uma categoria especial, denominada dados “sensíveis”, que abrange registros de raça, opiniões políticas, crenças, condição de saúde e características genéticas. O uso desses registros fica mais restrito, já que traz riscos de discriminação e outros prejuízos à pessoa. “Muitas dessas informações não são conhecidas por pessoas, mas por máquinas e computadores, que a partir dessa informação vão tirar conclusões sobre a gente, e eventualmente definir que não somos elegíveis

para uma promoção comercial, para adquirir um plano de saúde ou, no caso de alguns países, para adquirir um visto de entrada”, explica o advogado e especialista em proteção de dados pessoais Danilo Doneda, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do Instituto de Direito Público de Brasília (IDP). Segundo Doneda, caso o tratamento de dados pessoais realizado por algoritmos de computador resulte em uma decisão que possa

ser considerada discriminatória por um cidadão, como a negativa de um empréstimo, a pessoa pode pedir a revisão disso por um humano. Também há parâmetros diferenciados para processamento de informações de crianças, como a exigência de consentimento dos pais. Cidadania Para Danilo Doneda, a lei vai muito além de uma questão de proteção da privacidade e da intimidade das pessoas, mas se refere à própria garantia do exercício democrático da cidadania. “A proteção de dados nasceu na Europa não por uma questão de proteger a privacidade, mas por causa do controle social. As primeiras leis nasceram a partir de uma ojeriza social a governos totalitários que usavam dados pessoais para fichar os cidadãos. Isso gerou anticorpos no sistema social europeu”, exemplifica.

Com privatização da Embraer, trabalhadores temem perder emprego Antônio Milena / Agência Brasil

da Redação, com Rede Brasil Atual

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epresentantes dos metalúrgicos de São José dos Campos, Botucatu e

Araraquara –interior de São Paulo – se reúnem nesta sexta (13) com o presidente da Embraer, Paulo Cesar Silva, para discutir as consequências da fusão com a Boeing.

Nos últimos dias, um acordo selou a entrega de 80% da aviação comercial da empresa à estadunidense Boeing. Ele prevê mais cortes até a concretização da fusão, aos moldes do que costuma ocorrer durante privatizações de estatais, que abrem programas de demissões voluntárias (PDVs) para reduzir o quadro de funcionários. Perda de investimento A Embraer é a segunda maior empresa brasilei-

ra em exportações e uma das propulsoras na pesquisa tecnológica. Já a Boeing, que adquiriu a maior parte da empresa, tem sede nos EUA e presta serviços ao Departamento de Defesa. De acordo com o IPEA, em 2015, o governo brasileiro investiu apenas 0,63% do PIB em ciência e tecnologia (R$ 37 bilhões). Sem a Embraer, o Brasil deve reduzir mais o investimento público na área.

Obrigações e direitos Para coletar e tratar um dado, uma empresa ou ente precisa solicitar o consentimento do titular, que deve ser livre e informado. Essa autorização deve ser solicitada de forma clara, em cláusula específica, e não de maneira genérica. Caso uma empresa colete um dado para uma coisa e mude sua finalidade, deve obter novo consentimento. A permissão dada por alguém, entretanto, pode ser revogada se o titular assim o desejar. Outra obrigação das empresas é a garantia da segurança dos dados, impedindo acessos não autorizados e qualquer forma de vazamento. Caso haja algum incidente de segurança que possa acarretar dano ao titular da informação, a empresa é obrigada a comunicar à pessoa e ao órgão competente. A redação prevê uma série de direitos ao titular, que pode solicitar acesso às informações que uma empresa tem dele - incluindo a finalidade, a forma e a duração do tratamento - e se houve uso compartilhado com algum outro ente e com qual finalidade. Também é possível requisitar a correção de um dado incompleto, a eliminação de registros desnecessários ou excessivos e a portabilidade para outro provedor de serviço. Ou seja, o usuário de uma conta de e-mail pode ter acesso a todas as suas mensagens, caso deseje abrir conta em outro serviço deste tipo.


Belo Horizonte, 13 a 19 de julho 2018

13 VARIEDADES 13

www.malvados.com.br

BAFAFÁ O CLIP DE NEGO DO BOREL: PROMETIA SER UM “LACRE”, MAS... CLOSE ERRADO!

Reprodução

PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

www.coquetel.com.br

© Revistas COQUETEL

Como anda Fred Flintstone (TV) Diz-se de quem não trabalha (pej.)

Alunos Maior sucesso de Julie Andrews, atriz homenageada em 1/10/2015 pelos 80 anos subsidiade seu nascimento dos Roupa de 14 camaTriste, em inglês das usada por astronautas

(?) balões: prática criminosa "Amor (?)", canção da banda Jota Quest

Camas para transporte de feridos Bryan (?), cantor canadense A Lua, na Mitologia tupi Monarca

Depressão com água, no chão

Faz riscos Parasitas do intestiElevada; no de verpura (fig.) tebrados

Dentes caninos do javali Peça do aparelho de jantar Simone de (?), escritora francesa de "O Segundo Sexo"

Tardado; demorado (bras.)

Secreção de abscessos (Patol.) Autômatos típicos das fábricas japonesas Túnel (?), acesso à Zona Sul do Rio

Diz preces (?) e Leo, dupla sertaneja Instituto que reúne advogados (sigla)

Base da pamonha "Curtindo a Vida (?)", filme com Matthew Broderick (1986)

3/sad. 4/jaci. 5/adams — maior. 6/etérea. 8/beauvoir — rebouças. 9/bolsistas.

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Solução E T R E N M I A S

D A E N S O C V M A I L Ç P OÇ A R E B E L D E

R EA O U V H O O I R

B C O S T AD O L T A R L A D A M S O R J AC I P R E SA S E E T A B I S C A P U S Ç A S I C T OR I A B D A D O O L O S

BANCO

Utensílios para esticar a massa de pastel

O novo clip de Nego do Borel, “Me solta”, foi um dos assuntos da semana. Nele, o cantor aparece caracterizado como a personagem “Nega da Borelli”, de bolsa, sapato de salto alto, com uma roupa vermelha coladinha, brincos, bem “lacradora”, chegando a dar um beijaço num ator famoso. A primeira reação de grande parte do público foi de surpresa e admiração pela coragem do funkeiro, considerado um símbolo sexual, surgir como um personagem gay. Surgiram elogios pelo fato de o cantor romper o tabu e trazer essa representação do público LGBT. Mas isso durou bem pouco. Rapidamente foi lembrada uma foto em que o cantor aparece ao lado do deputado federal Jair Bolsonaro, famoso por, entre outras aberrações, dar declarações homofóbicas e se colocar contra o avanço de direitos da comunidade LGBT. E o povo (especialmente a comunidade LGBT) não perdeu tempo. Logo, Nego do Borel foi associado como um apoiador do tal candidato. Da Da admiração, admiração inicial, o cantor foi acupúblico passou sado de oportunista ao fazer uso da a questionar estratégia do “pink money”, ou seja, oportunismo do utilizar da representatividade LGBT cantor para lucrar. Também foi criticado o reforço dos estereótipos. O funkeiro, ao saber da repercussão negativa, se justificou sobre a foto: “Eu não apoio o Bolsonaro. Esta foto foi tirada num jantar em que eu estava também, a pedido do filho dele. Não costumo negar tirar fotos com ninguém”. No entanto, existem outras postagens em redes sociais demonstrando sua admiração pelo deputado. Já sobre a personagem que interpretou no clipe, ele disse: “A Nega da Borelli é uma personagem que, pra mim, representa a liberdade de ser quem eu sou”. Bem curiosa essa polêmica envolvendo o clip que prometia ser um “lacre” na cara da sociedade; mas, até o momento, gerou mais críticas e desconfortos. Um verdadeiro “close errado”! A polêmica está aí e serve para refletirmos. Usar de representatividade para conquistar um público do mercado requer coerência com posturas e escolhas na vida real. Não tendo isso, pega muito mal. Que outros artistas aprendam com isso! Um abraço, Felipe Marcelino é professor de filosofia.


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Belo Horizonte, 13 a 19 de julho 2018

Festival fortalece cultura popular em Bertópolis, no Vale do Mucuri MUCURIARTE Evento é gratuito e conta com oficinas, debates e atrações que fazem parte da singularidade do povo mineiro Caldeira dos Santos / Associação Vale Viver

Raíssa Lopes

A

próxima semana vai ser de muita troca de experiências, crescimento e preservação da identidade do povo brasileiro no Vale do Mucuri. É chegada a hora do MucuriArte, um grande festival cultural da região, que acontece de 17 a 21 de julho na cidade de Bertópolis. Essa é a 4º edição do projeto, que nasceu com o intuito de fazer um resgate da cultura popular, além de valorizar o interior de Minas Gerais e todas as suas belezas e histórias de resistência. A escolha do local não foi à toa. Bertópolis está próxima do estado da Bahia e seus habitantes enfrentam cotidianamente os efeitos da desigualdade social e a falta de acesso a direitos básicos. O município também preserva o legado dos índios Maxacali, dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e de outros grupos colocados à margem da sociedade.

De acordo com uma das organizadoras do MucuriAr-

Debates, trocas, espetáculos, oficinas e mostras literárias fazem parte da programação gratuita

te, Jandira Cangussu, que representa o Instituto Vale do Mucuri e o Ponto de Cultura Ceia, levar a arte para pequenos lugarejos é uma das formas de democratizá-la. “Os moradores da região têm oportunidade de ver, ouvir e experimentar outros modos de entender a vida, assim como eles podem ensinar e vivenciar a sua cultura com outras pessoas. É um momento de poesia, de en-

contro, de aprendizagem”, comenta. A programação é toda gratuita e está recheada de shows, espetáculos teatrais, mostras literárias, cortejos, aulas e sessões de debate. Várias atividades resgatam memórias sobre o Vale do Mucuri e discutem alternativas para a crise que o Brasil enfrenta. “É irônico, porque nesse momento, as coisas são especialmente mais difíceis para realizar um festival como esse, mas isso motiva. As pessoas estão sentindo a necessidade de se organizar, expressar, fundamentar suas opiniões e encontrar saídas. Os obstáculos impulsionam”, analisa Jandira, que destaca os fóruns de discussão pensados especificamente para recuperar a organização política. Serão debatidos temas como gênero, questão indígena, negritude, invisibilidade dos mestres da cultura popular, situação dos quilombolas e artesãos locais,

entre outros. O conjunto de oficinas também será enorme e cheio de diversidade. Tem de escrita poética, hip hop, arte Maxacali, cerâmica, sopro e som, teatro de bonecos e mais. “Queremos chamar a atenção para a importância de valorizar festivais como esse, valorizar os movimentos e povoados. Toda melhoria da sociedade passa por essas ações. Precisamos olhar tudo isso com sensibilidade, pois é essencial para o desenvolvimento integral das pessoas”, ressalta Jandira.

Serviço Festival MucuriArte Onde Bertópolis, no Vale do Mucuri Quando 17 a 21 de julho Quanto Gratuito

Inscrições para o 26º Festival de Dança do Triângulo

Oficina de fotografia em Ipatinga

Festival de Inverno de Sabará

O Festival, que acontecerá em outubro em Uberlândia, terá mostras infantil, profissional, amador, convidados, palco livre, intervenções, oficinas e palestras. Os interessados em participar das apresentações devem preencher a ficha de inscrição e gravar um vídeo com a coreografia proposta. O prazo final para se inscrever é 19 de julho. Saiba mais: www.uberlandia.mg.gov.br

Até o dia 29 de julho, a região de Ipatinga recebe a Maratona Fotográfica, uma formação aberta ao público, que conta com orientações de fotógrafos profissionais sobre produção de trabalhos autorais. Ao final do processo, as imagens geradas farão parte de uma publicação digital. Todo o projeto será realizado no Centro Cultural Usiminas e as inscrições estão abertas. É só acessar www.fif.art.br.

O evento, que acontece diariamente até o dia 29 de julho, vai ter oficinas, exposições, espetáculos teatrais e musicais e muito mais em comemoração aos 307 anos da cidade. No dia 17, quem se apresenta é o cantor Péricles, grande nome do pagode, em um show especial e gratuito. A programação completa pode ser vista no portal da prefeitura: www.sabara.mg.gov.br.


Belo Horizonte, 13 a 19 de julho 2018

Não é só um jogo: fatos da Copa que reforçam a ligação entre futebol e política RÚSSIA 2018 Acontecimentos para repensar o esporte e a sociedade

ESPORTE

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Curta e Grossa

Império dos europeus?

RFSRU

Meghdad Madadi

Daniel Giovanaz e Poliana Dallabrida, da Rússia

A

Copa do Mundo 2018 entrou para a história pelo uso inédito do árbitro de vídeo e a eliminação precoce de seleções favoritas, como Alemanha e Brasil. O evento também ajudou a comprovar a relação entre futebol e política. Veja algumas situações. Sem chuteiras Em maio, quando os Estados Unidos se retiraram do acordo de controle de atividades nucleares feito com Teerã, sanções econômicas voltaram a incidir sobre empresas estadunidenses que atuam ou fazem negócios com o Irã. A menos de um mês antes da Copa, os jogadores da Seleção Iraniana ficaram sem chuteiras. Alguns jogadores usaram o próprio dinheiro para comprar chuteiras da marca estadunidense ou precisaram esperar até três dias antes do Mundial para a chegada do material fornecido pela Adidas, multinacional alemã. O choro de Son A derrota por 2 a 1 para o México, que praticamente eliminou a Coreia do Sul na segunda rodada, foi marcada pelo choro de seu principal jogador. Son Heung-Min, de 26 anos, via o fim de sua carreira mais próximo. Se não conseguir comprovar um grande feito esportivo pela seleção nacional, ele terá que cumprir 21 meses de serviço militar obrigatório no país até os 28 anos. Caso isso aconteça, Son dificilmente conseguirá retomar o ritmo de jogo para voltar a vestir a

Fabrício Farias

camisa do Tottenham, na Inglaterra. Só um negro Das 32 seleções que disputaram a Copa, apenas uma era comandada por um técnico negro. Aliou Cissé, treinador do Senegal, foi eliminado na primeira fase nos critérios de desempate: a equipe recebeu dois cartões amarelos a mais que o Japão. Cissé tem a menor remuneração entre todos os técnicos do Mundial. Joachim Löw, da Alemanha, e Didier Deschamps, da França, são os mais bem pagos. O treinador senegalês recebe cerca de R$ 850 mil por ano — 16 vezes menos que Tite, da Seleção Brasileira. Heranças da colonização A Copa 2018 deixou claro que quem carrega o piano, nas principais seleções europeias, são imigrantes e filhos de imigrantes africanos. Cin-

co dos onze titulares da Seleção Francesa têm raízes na África Subsaariana. O zagueiro Umtiti é natural de Camarões. Os pais do volante Pogba nasceram em Guiné; os de Kanté, em Mali. O atacante Mbappé é filho de mãe camaronesa e pai argelino. Na delegação da Bélgica, quatro jogadores vêm de famílias da República Democrática do Congo, território devastado pelo rei belga Leopoldo II entre os séculos 19 e 20. Lá morreram mais de 10 milhões, usados para exploração de látex e marfim. Entre os filhos de congoleses, estão o zagueiro Company e o atacante Lukaku, maior goleador da história da Seleção Belga e autor de quatro gols na Copa. De origem humilde, assim como Mbappé e Pogba, na França, Lukaku cresceu na periferia e enfrentou a fome e a discriminação.

Salve, salve meu povo! Tudo bem aí? Chega ao fim mais uma copa do mundo e o campeão neste domingo (15) é uma seleção europeia. Já é a 4ª conquista consecutiva do Velho Continente, coisa que nunca havia ocorrido na história dos mundiais. Será que, assim como acontece entre os clubes, veremos cada vez mais desigualdade entre as seleções europeias e as seleções de outras partes do mundo? É realmente um tema interessante para se pensar. Grandes estrelas do futebol mundial ainda são jogadores latinos. No entanto, o talento individual dos sul-americanos não tem sido suficiente para superar o jogo coletivo das seleções europeias. Se o tiki taka espanhol já era enaltecido bem antes de 2010, a Copa da Rússia, ao apresentar a Inglaterra como uma das semifinalistas, dá destaque a uma seleção que tem investido nas categorias de base e ganhado muitos torneios entre os jovens. Ao mesmo tempo, os principais mercados têm levado nossos jogadores cada vez mais cedo, fazendo com que uma parte importante de sua formação seja feita longe daqui. Desse modo, nossos clubes endividados são presas fáceis para a sanha dos grandes europeus, ao mesmo tempo em que não contamos com organização suficiente para competir com o chamado futebol moderno, de força e ocupação de espaços demonstrado pela França. A nossa tradição futebolística impede, por exemplo, que a Seleção Brasileira abra mão da posse de bola e não seja um time que busque o jogo, modelo que sai vitorioso nesse mundial. O poderio econômico do futebol europeu tem cada vez mais andado de mãos dadas com um estilo de jogar que domina a cena. Desse modo, a desigualdade econômica aumenta a distância entre os clubes de futebol, enquanto as seleções europeias se distanciam por suas concepções de jogo, sendo que, evidentemente, uma situação acaba por influenciar a outra.


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Belo Horizonte, 13 a 19 de julho 2018

ESPORTES

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“Fui a primeira cobaia da CBF”, diz Emily Lima FUTEBOL Ex-treinadora da seleção feminina fala sobre machismo e falta de investimento

Lucas Figueiredo / CBF

Lu Sudré, de São Paulo

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ex-jogadora Emily Lima foi a primeira e única mulher a dirigir a Seleção Brasileira. Ela comandou a equipe feminina 2016 a 2017, mas, após dez meses, foi demitida pela CBF. Os técnicos anteriores, todos homens, atuaram na função com uma média de dois anos. Em entrevista ao Brasil de Fato, ela avalia sua passagem e diz que foi usada pela entidade. Brasil de Fato – Como é ser mulher no futebol brasileiro?

Emily Lima – Não tive muita dificuldade como atleta. Como treinadora, temos que provar que sabemos tanto quanto um homem, se é que muitos homens sabem falar sobre futebol. Só que, como é homem, ele não é questionado, e aí cabe a nós [mulheres] buscar conhecimento para questionar, bater de frente e responder. O machismo é muito presente?

Acho que não só no futebol, é uma questão cultural. Estamos falando de um esporte, mas poderíamos falar sobre a presidente de um clube, de uma empresa. Não tem uma árbitra na Copa do Mundo. Nem no árbitro de vídeo nem na prática mesmo, no campo. E nós temos árbitras prontas para estar em uma Copa do Mundo masculina, mas, por serem mulheres, elas são vistas de outra forma. Vimos muitos episódios de abusos e assédios na Copa da Rússia. Isso é comum?

A gente vê muita coisa com as bandeirinhas. Um desrespeito total, tanto da torcida

como dos atletas, e até mesmo de dirigente de clube. No futebol feminino também acontece. Cabe às mulheres denunciar, se impor e mudar isso.

Não tem uma árbitra na Copa do Mundo” Você foi a primeira mulher a comandar a Seleção feminina e, após 10 meses, foi demitida com mais vitórias que derrotas. Na época, você ganhou apoio das jogadoras. Acredita que esse episódio teve discriminação de gênero?

Meu problema foi com o coordenador. Meia dúzia remava para a frente e dois remavam para trás. A comissão anterior aceitava o que acontecia. Sempre bati de frente por querer o melhor para as atletas e eu acho que essas coisas, treinamento e dia a dia, fizeram com que não só eu, mas toda a comissão técnica tivéssemos o apoio delas. Qual o significado de ter sido a primeira mulher a comandar a Seleção?

Não digo que fui a primei-

ra mulher a comandar… Fui a primeira cobaia da CBF. Estava muito claro que uma mulher ia entrar e, logo em seguida, sair. E eu fui a escolhida. A Fifa pressionou e a CBF colocou uma mulher e, depois, disse: “Está vendo? Não estava dando resultado”. Não sei no que não estava dando resultado, mas eles alegaram isso. A Fifa está pressionando não só para treinadora, mas diretora, supervisora, assistente, médica, fisioterapeuta. Ela força e a seleção que tem mais dificuldade é a Brasileira, por conta da política da CBF. Se uma menina brasileira tem o sonho de se profissionalizar como jogadora, ela pode alcançar esse objetivo?

Não. Hoje, essa garota vai à escola e a educação física é precária. Na faculdade também não tem mais a prática do esporte como antigamente. Em relação aos clubes, só pensam no adulto. No Brasil, temos cinco equipes que são “profissionais”: Santos, América Mineiro, Iranduba, Sport Recife e Ferroviária. Imagine uma atleta que quer jogar futebol. Ela tem que procurar só cinco equipes no Brasil todo! E, pra piorar, Temer cortou

DECLARAÇÃO DA SEMANA Reprodução de vídeo

“Talvez o time da Inglaterra ou a imprensa não tenham respeitado a Croácia. Talvez isso tenha sido para nós uma motivação extra, mas isso é o futebol, tem que ter dignidade no campo” Zlatko Dalic, treinador da Croácia, finalista da Copa do Mundo contra a França. nos orçamentos destinados ao Esporte e Cultura. Que danos isso vai causar?

A gente força as crianças a irem para as ruas, porque o esporte, querendo ou não, tira as crianças das ruas.

Fazer com que essas meninas joguem mais, não joguem menos. Um jogador da série A ganha milhões enquanto uma jogadora da série A ganha reais.

Há muita diferença em comparação com o futebol masculino em relação aos salários?

É uma discrepância gigantesca, não tem comparação. Temos que nos preocupar com a igualdade de competições, na igualdade de premiações da mesma entidade.

Confira a entrevista completa:

goo.gl/m5ZN61


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