Raquel Abreu
Bruno Haddad / Cruzeiro EC
Minas Gerais
Apito inimigo
Mesa de Thereza
Cruzeiro é prejudicado por arbitragem na Argentina, mesmo com uso do VAR
Projeto resgata laços comunitários a partir de cafés coletivos a céu aberto
ESPORTES 16
CIDADES 4
Belo Horizonte, 14 a 20 de setembro de 2018 • edição 251 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita Tiago de Macedo Rodrigues / Brasil de Fato MG
MILHÕES CONTRA O FASCISMO
Pobres pagam mais impostos Conheça o que os candidatos à presidência falam sobre reforma tributária BRASIL 9
Suicídio Fenômeno é, ao mesmo tempo, individual e social e prevenção deve incluir escuta e garantia de direitos Entrevista 11 Matheus Sá Motta
Aldeia Kilombo Campanha contra Bolsonaro cresce na internet, ganha apoio de artistas e chega às ruas, com diversas manifestações já marcadas pelo país
Encontro de culturas de raiz acontece este mês em BH CULTURA 14
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OPINIÃO
Belo Horizonte, 21 a 27 de setembro 2018
Editorial | Brasil
Nas ruas e nas urnas: é preciso derrotar o projeto neoliberal
ESPAÇO DOS LEITORES
“Simbora!” Julieta Boedo comenta a nota “Mulheres se unem contra Bolsonaro”, sobre ato marcado para dia 29, em BH Bom dia a todos!! _________ “Primeiramente gostaria de parabenizar a todos vocês pelo trabalho espetacular que fazem com as matérias do jornal Brasil de Fato. É um ótimo jornal, com notícias pertinentes e reveladoras com as atualidades. É uma satisfação quando recebo o jornal todas as sextas feiras na parte da manhã aqui na Cidade Administrativa MG. Os rapazes e moças que entregam os jornais sempre estão bem-humorados além de serem muito educados. Parabéns e muito obrigado” Rodrigo Fagundes, por email ________________
Escreva para a gente também: redacaomg@brasildefato.com.br ou em facebook.com/brasildefatomg
As campanhas eleitorais estão a todo vapor e já estamos caminhando para a reta final. Em Minas, a disputa para o governo está acirrada e, segundo as pesquisas, o resulando tende a uma polarização entre Fernando Pimentel (PT,) que pleiteia a reeleição e o tucano Anastasia, que tenta retornar ao poder. Nos programas eleitorais, nos debates e comícios, chama a atenção a petulância de como o candidato do PSDB ataca a atual gestão. Chama a atenção também como ele retrata de forma distorcida o que foi a gestão tucana à frente do governo de Minas. Assim, é importante relembrar alguns aspectos do que representaram os governos tucanos para o estado.
Anastasia sucateou educação de Minas O programa de governo adotado por Aécio e Anastasia, também conhecido como “choque de gestão”, deixou, num triste jogo entre palavra e realidade, o estado de Minas em choque. O candidato tenta defender, de forma infundada, que deixou todas as contas regulares. Porém, a realidade é muito distinta. As medidas neoliberais implementadas pelos tucanos impactaram de forma desastrosa a economia mineira. A dívida estadual teve um salto extraordinário nos 12 anos de governo do PSDB, que deixaram um déficit de mais de R$ 2 bilhões nas contas públicas, além de mais de 500 obras paralisadas e inacabadas. Além disso, Anastasia tentava a
O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.
cada ano maquiar o rombo nas contas obtendo empréstimos volumosos e teve a ousadia de extinguir o fundo previdenciário, recolhendo o dinheiro para o Tesouro estadual. A extinção do fundo é uma das causas para a atual calamitosa situação da previdência pública em Minas.
Choque de gestão produziu rombo e endividou o estado Governo Anastasia se beneficiou de período promissor da era Lula A precarização dos serviços públicos é uma marca dos governos tucanos. Na educação, por exemplo, em nenhum ano o PSDB investiu o mínimo constitucional. Essa violação à Constituição trouxe graves consequências aos jovens mineiros. Cerca da metade das vagas para o ensino médio não foram ofertadas, ou seja, cerca de 50% dos jovens em Minas Gerais ficaram impossibilitados de cursar o ensino médio por falta de vagas nas escolas públicas. Os jornalistas eram coagidos e reprimidos caso criticassem a gestão tucana. A censura era diária nos meios de comunicação. Não podemos permitir que um projeto que faliu nosso estado, que sucateia os serviços públicos, que piora a condição de trabalho, que realiza a censura e que corta os direitos do povo retome o poder. É preciso nos empenharmos e vencer esse projeto nas ruas e nas urnas!
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conselho editorial minas gerais: Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Helberth Ávila de Souza, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Marcelo Almeida, Makota Celinha , Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes, Thainá Nogueira e Wallace Oliveira. Colaboradores: Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Bruno Mateus, Diego Silveira, Fabrício Farias, Felipe Marcelino, João Paulo Cunha, Jordânia, Souza, Léo Calixto, Luiz Fellippe Fagaráz, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário, Sofia Barbosa, Taciana Dutra. Revisão: Luciana Santos Gonçalves. Distribuição: Felipe Marcelino. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.
? PERGUNTA DA SEMANA
O Tribunal Superior Eleitoral decidiu na última terça-feira (18), por unanimidade, que imagens e áudios de Lula podem ser usados nos programas de rádio e TV na campanha do candidato Fernando Haddad, da Coligação “O Povo Feliz de Novo” nos 25% do tempo reservados a apoiadores do candidato. O Brasil de Fato foi às ruas perguntar
Você acha que Lula deve ou não aparecer na campanha eleitoral?
Ele é uma figura pública que todo mundo conhece, então por que não pode falar o nome dele? Eu acho que é uma tentativa de excluir totalmente a figura do Lula por terem medo do que ele representa.
Belo Horizonte, 21 a 27 de setembro 2018
GERAL
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Marcelo Camargo / Agência Brasil
Declaração da Semana “O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. [...] O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer”
Tasso Jereissati, ex-presidente do PSDB, em entrevista para o Estado de S. Paulo
A importância do 22 de setembro
Arquivo Nacional
Lula é um grande nome e ele só engrandece o país e a política. O mundo inteiro reconhece Lula da Silva como um grande estadista. Maria Goreti servidora aposentada
Sérvulo de Oliveira sociólogo
Você sabia que neste sábado (22) é celebrado o Dia Nacional de Luta Contra a Ditadura? A data foi protocolada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1966, como uma ferramenta contra a violência do regime, que se intensificou naquele ano. A marca serviu para levantar outras reivindicações, como a ampliação da representação estudantil nos colegiados, defesa da autonomia universitária e fim da proibição de atividades políticas nas organizações estudantis.
Fila no Procon, pra quê?
Divulgação /Procon MA
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) conta com agendamento eletrônico para o Procon BH Resolve. Acesse o endereço www.agendamentoeletronico.pbh.gov.br e escolha a data e o horário de atendimento. Primeiro é necessário realizar um cadastro, que será válido para todos os serviços da PBH que podem ser marcados pela internet.
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MINAS
Belo Horizonte, 21 a 27 de setembro 2018
Projeto oferece café coado na hora e a céu aberto para incentivar socialização entre as pessoas MESA DE THEREZA Iniciativa existe há quase dez anos e já coleciona muitas histórias de coletividade Daniela Goulart
Raíssa Lopes
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o meio da cidade, Thereza põe a mesa. Ela posiciona as xícaras e começa a preparação do café, que tem que ser fresquinho, coado na hora, como manda a boa mineiridade. Devagar, as pessoas começam a se aproximar. Uma leva bolo, outra biscoito. De repente está todo mundo ali, contando da vida, compartilhando comida e o tempo presente. Este é um resumo do projeto Mesa de Thereza, que existe há 10 anos e foi criado por Thereza Portes, artista plástica, pintora e professora da Universidade Estadual de Minas Gerais. Tudo começou na calçada do Instituto Undió, uma organização não go-
vernamental de Belo Horizonte coordenada por Thereza. Antigamente, o local era a casa dos avós da pintora, onde ela nasceu e morou por muitos anos. A partir das lembranças de amor e de cuidado que surgiram no processo de restauração do imóvel, a iniciativa desabrochou.
“Meu avô era médico e cuidava de todo mundo, as portas viviam abertas... E minha avó, ah, ela coava um café novinho para quem chegasse! A casa tinha esse cheiro de café, sabe?”, conta a artista. Logo ela começou a receber doações de xícaras, comidas, e a Mesa de Thereza
se expandiu. Agora, é possível encontrá-la de surpresa em qualquer lugar de BH, Minas Gerais e até em outros estados. “As pessoas passam, tomam um lanche, seguem o caminho sempre com alguma coisa na cabeça. É sobre olhar no olho do outro, compartilhar o espaço público, comer junto. É um convite à rua”, acredita. Thereza conheceu muitas
É sobre olhar no olho do outro, compartilhar o espaço público, comer junto. É um convite à rua”, diz Thereza
histórias. A maioria das xícaras recebidas tem um significado especial. Foi aí que a artista decidiu acrescentar à mesa uma toalha que pode ser bordada pelos participantes, com as memórias, sentimentos, sonhos e o que mais der na telha. A toalha tem registros dos moradores de ocupações urbanas, comunidades ciganas, quilombolas, estudantes, professores, trabalhadores, movimentos populares, entre vários outros grupos. Thereza lembra que teve até dia em que já estendeu o pano de um jeito improvisado em caçambas para poder tomar café com caminhoneiros. Para ficar por dentro das informações, acompanhe a página: www.facebook. com/institutoundió.
Candidatos ao governo debatem política de comunicação Priscila Gomes /Marketing Rede Minas
de comunicação em Minas Gerais e apresentar propostas elaboradas pelo FNDC, entidade que reúne 60 sindicatos e movimentos populares mineiros. Sete dos nove candidatos confirmaram que estarão presentes
ou enviarão representantes. Apenas os candidatos do PSDB e do PMDB não comparecerão. Plataforma É a primeira vez que um debate como assim se rea-
Empresa Mineira de Comunicação reúne rádio Inconfidência e Rede Minas
O
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação em Minas Gerais (FNDC) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais realizarão na próxima terça-feira (25), a partir das 19h, na Casa do Jornalista (Avenida Álvares Cabral, 400, Cen-
tro), o debate Política Pública de Comunicação. O evento contará com a presença de candidatos a governador na eleição do dia 7 de outubro e será aberto ao público. Os objetivos são conhecer as ideias dos candidatos para uma política pública
Minas é o segundo estado na lista de maior ocorrência de casos de violência contra LGBTs e Conselho quer transformar essa realidade
liza em Minas. Em 2014, o FNDC elaborou plataformas de âmbito federal e de âmbito estadual, mas elas não chegaram a ser debatidas com os candidatos. Este ano, as plataformas foram reeditadas.
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Belo Horizonte, 21 a 27 de setembro 2018
CIDADES
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Desprotegida, Estação Ecológica em Itabirito pode estar na mira da mineração VALE DO AÇO Está parado na ALMG projeto para retomar a proteção, atacada por lei sancionada este ano Divulgação / Patrimônio Cultural
Marcelo Gomes Colaboração para o Brasil de Fato
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esponsável por abrigar um grande acervo cultural e ambiental, a Estação Ecológica de Arêdes tem atualmente 1.281 hectares, segundo a Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais. Isso corresponde a 1.200 campos de futebol. Imagine que 100 desses campos fossem retirados, o que equivale a aproximadamente 100 hectares da estação localizada em Itabirito, na região Central do estado. Esse é o objetivo do artigo 84 da lei estadual 22.796 de 2018, em vigor desde janeiro. Um mês depois, foi apresentado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) o projeto de lei (PL) 4. 940, que visa a revogar o artigo da lei. Nesta semana, comple-
blica, pedindo à Justiça que declare o valor que Estação Ecológica de Arêdes já possui. De acordo com o Ministério Público, a estação possui 40 nascentes, 520 espé-
Ação civil pública questiona alteração do limite da unidade de preservação
tam-se dois meses que o PL está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da ALMG, primeira etapa no trâmite de projetos similares.
O Ministério Público de Minas Gerais é favorável à aprovação do PL e afirma que a lei é inconstitucional, pois desprotege 100 hectares de uma
Unidade de Conservação, área protegida pela legislação. Já ambientalistas argumentam que a exploração mineral será o destino da área desprotegida. Quatro promotores do MP assinam uma ação civil pú-
cies de plantas, 21 espécies de anfíbios, 186 espécies de aves além de abrigar ruínas do período colonial. Decretada como estação ecológica em julho de 2010, o espaço é reservado para pesquisas científicas e não é aberto ao público. “Que o Judiciário possa reconhecer uma situação de preservação que já existe”, afirma Gisele Ribeiro, coordenadora das promotorias de defesa do patrimônio cultural do estado. Ela e seus pares pedem na ação civil que a prefeitura de Itabirito faça o tombamento da área. A Justiça reconheceu de maneira liminar, temporária, a situação de preservação da área. O processo segue. Leia matéria completa em: www.brasildefato.com.br
Paulo Freire, 97 anos: o legado do brasileiro que ensinou o mundo a ler a si mesmo Da redação*
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ma audiência pública foi realizada na última quarta-feira (19), em Belo Horizonte, para celebrar os 97 anos de Paulo Freire. O evento aconteceu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e discutiu temas relacionados ao legado do pensador, que é conhecido como patrono da educação brasileira. Os participantes debateram a democratização dos meios de comunicação, autonomia docente, a importância de uma escola democrática, entre outros assuntos.
Quem foi Paulo Freire? O modelo do educador pernambucano Paulo Freire parte do princípio da humanização do ensino e do reconhecimento da história e da cultura do aluno que, junto com o professor, vai construindo o processo de aprendizagem. “Ele parte do pressuposto que o educador e o educando devem dialogar, construir juntos o processo de conhecimento. E essa é uma sabedoria enorme porque se você não parte da realidade do educando, o aprendizado é externo à vida cotidiana e ele não retém aquilo que está sendo ensinado”, diz Daniel
Cara, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. No ano passado, um movimento liderado por setores conservadores fez uma tentativa de retirar de Paulo Freire o patronato da educação. Para barrar a iniciativa, foi criado o coletivo Paulo Freire por uma Educação Democrática, organizado pela Luiza Erundina, Anita Freire (viúva do educador) e Daniel Cara. Entre 1989 e 1991, Paulo Freire foi secretário de Educação da Cidade de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina, na época eleita pelo Partido dos Trabalhadores. (*com informações de Juca Guimarães)
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MINAS
Belo Horizonte, 21 a 27 de setembro 2018
Mulheres realizam ato cultural contra o fascismo de Bolsonaro
Candidatura de Dilma ao Senado é mantida
Roberto Stuckert Filho
Larissa Costa
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ma semana antes das eleições, mulheres de todo o país sairão às ruas para denunciar o fascismo e o conservadorismo, representados na candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência. A manifestação, que foi chamada de “Mulheres
contra Bolsonaro”, acontece no sábado (29) em, pelo menos, 19 capitais. A articulação ganhou força após um grupo criado nas redes sociais que já reúne mais de 2,5 milhões de mulheres. Em Belo Horizonte, a ação foi convocada pela Frente Brasil Popular, por mulheres artistas da capital e por militantes feministas. A concentração está
agendada para as 12h, na Praça Sete, no Centro. Estão confirmados os blocos de carnaval Alô Abacaxi, Unidos do Samba Queixinho, Truck do desejo e Beiço do Wando. A trajetória do candidato é marcada por discursos de ódio contra mulheres, negros, indígenas, quilombolas, LGBT e grupos de esquerda. “Estamos indo às ruas para mostrar a nossa força. A gente merece respeito e só vai votar em quem respeita as mulheres”, convida Maria Fernanda Caldeira, do Levante Popular da Juventude. Vaquinha As organizadoras abriram uma campanha para arrecadar dinheiro de forma colaborativa.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidiu, nesta semana, que Dilma Rousseff (PT) poderá continuar sua candidatura ao Senado. A Justiça Eleitoral recebeu dez pedidos de impugnação, que argumentavam que a ex-presidenta deveria ficar inelegível por oito anos e que não poderia concorrer à eleição por Minas Gerais. Em resposta, o TRE declarou que Dilma pode concorrer pelo estado, visto que registrou seu domicílio eleitoral em Belo Horizonte, cum-
prindo todas as exigências. No tema dos direitos políticos, os juízes do Tribunal declararam que não têm poder maior que o Senado, que à época do impeachment resolveu manter os direitos de Dilma. Por 4 a 3, a candidatura continua normalmente, mas ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral. Dilma é a primeira colocada nas pesquisas de intenção de votos ao Senado por Minas, com 28%, conforme pesquisa do Ibope de 16 de setembro.
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Belo Horizonte, 21 a 27 de setembro 2018 Divulgação
OPINIÃO
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Nathalia Neiva
A saúde mental nos tempos cinzas
Jornal Nacional e notícias falsas No dia 15 de setembro, a edição do Jornal Nacional trouxe uma ampla matéria sobre dólares e joias encontrados na bagagem da comitiva do vice-presidente da Guiné Equatorial no aeroporto de Viracopos, em Campinas. Ao que se sabe, o vicepresidente, filho do (assim referenciado no jornal) ditador daquele país africano, vinha ao Brasil para um tratamento de saúde. Até aí, tudo ok no desenrolar da matéria. Mas, ao final, uma informação adicional: o ex-presidente Lula já havia visitado o país em 2010, e seu governo mantinha relações com o governo ditador daquele país africano. Para ilustrar, fotos de Lula com o ditador. No dia seguinte, os jornais impressos repercutiram o assunto. Ao longo da semana, grupos de WhatsApp e outras redes sociais deram conta de disseminar as tais fake news, com “notícias” ressignificadas a partir dessa cena. E então, todos foram “informados” de que o dinheiro apreendido era para a campanha de Haddad, pois Lula havia perdoado a dívida do país africano e havia investido dinheiro do BDNES na Guiné-Bissau (na verdade, as malas eram do vice da Guiné Equatorial, mas isso já não importa muito). Foram tão disseminadas que o BNDES teve de fazer um esclarecimento e colocar um link para Mídia que as pessoas pudessem comprovar que o banco não alimenta emprestou dinheiro para qualquer dos países. inverdades Desde então, circularam boatos, mentiras, fake news. A mídia corporativa alimenta, de forma muito irresponsável, esse tipo de construção, dando munição à produção de inverdades. Na linguagem, no discurso, nada é aleatório. Verbos, referências, nominações, notícias aparentemente desconexas… tudo tem função de produzir sentido em determinada direção. E essas próximas semanas serão plenas dessas estratégias. Eliara Santana é jornalista e doutoranda em Estudos Linguísticos na PUC Minas/ Capes.
Nathalia Santos integra a Rede de Médicos Populares Na edição 225 ...
ACOMPANHANDO
Eliara Santana
A última eleição democrática, de 2014, que elegeu Dilma Rousseff, ocorreu em um momento de polarização da sociedade brasileira. Este cenário aprofundou-se diariamente, com a ofensiva de setores antipopulares, reunidos em torno do Judiciário, da mídia comercial e da Polícia Federal para engendrar o golpe pronunciado em agosto de 2016, ao destituir a presidenta eleita. Caminhamos até aqui assistindo diariamente à retirada de direitos. A polarização se aprofunda e tem se elevado nesta eleição. E não deve parar após outubro de 2018. A saúde mental do povo brasileiro não está blindada ao cenário em que vivemos. As apostas nas saídas de violência, discursos de ódio e fascismo são bem conhecidas na nossa história. Acabam sendo proferidos por pessoas comuns, aquele vizinho ou colega de trabalho, que avista no extermínio de grupos a solução para os problemas do país. Também são afetados aqueles que sonham e lutam por dias mais dignos e de menos desigualdade. Ao se colocar em movimento pode inclusive estar diante do silenciamento físico, como o de Marielle. Para manter-se em pé são necessários mais esforços do que antes, porque o medo que paira é na verdade a tentativa de nos disciplinar para ficarmos cala- Escuta, dos. Estamos diante de tem- acolhimento e pos de trevas. unidade podem Nesse período, o isolamento é uma grande armadilha. nos manter sãos Ninguém consegue resistir ou triunfar sozinho. Grupos que conseguem praticar a escuta e o acolhimento, além de compartilhamento de ideias, são fundamentais. Desde a roda de conversa entre amigos até mesmo as organizações políticas, serão os lugares amortecedores dos golpes na saúde mental. Engana-se também qualquer organização política que acha que superará esse momento sozinha. As condições para a unidade estão dadas e só ela pode nos manter sãos.
Marielle Presente E agora... ONU pressiona governo a resolver caso Marielle A Organização das Nações Unidas vai pressionar para que o governo federal do Brasil apresente novidades na investigação da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL). A viúva de Marielle, Monica Benício, e diversas ONGs estiveram em Genebra, na Suíça, para denunciar a falta de solução para o caso. O grupo denunciou a militarização da segurança pública, o aumento de homicídios provocados pela polícia e a falta de respostas sobre o assassinato de Marielle. O crime já completa seis meses e promessas de solução, dadas pelo Ministério da Segurança Pública, ainda não foram cumpridas.
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BRASIL
Belo Horizonte, 21 a 27 de setembro 2018
Eleições: você conhece o projeto do seu candidato? PRIORIDADES Privatizações versus distribuição de riqueza são dois lados da eleição para presidente Da redação
Rafaella Dotta / Brasil de Fato MG
Lidyane Ponciano
O
programa do Brasil de Fato MG desta semana, de transmissão ao vivo, falou sobre os concorrentes à presidência da República e seus os projetos eleitorais. E o que são esses programas? São as propostas de cada candidato para as áreas que ele vai administrar. A conversa se concentrou no que eles farão na economia. Confira alguns dos melhores momentos:
ELEIÇÕES
2018
Carlos Freitas
Sonia Mara Maranho
“Bolsonaro vai colocar o mesmo projeto de Michel Temer”
“Nossa luta vai ter que ser constante para garantir o povo organizado”
Carlos Freitas, mestre em Ciência Política, analisou as diferenças entre as promessas de um e outro candidato. Uma vez eleitos, ele acredita que os partidos tomarão caminhos muito diversos. “Essa eleição, inclusive, é boa para mostrar que partidos políticos não são todos iguais”.
Temer disse que qualquer candidato que vença estará amarrado, que terão que dar continuidade às suas medidas. É verdade?
ASSISTA ÀS PRÓXIMAS EDIÇÕES DO ELEIÇÕES 2018: Na Boca do Povo, com informações e análises sobre a política. Às terças-feiras, 17h, transmissão ao vivo na página Brasil de Fato MG no Facebook. Você pode mandar perguntas pelo WhatsApp (31) 98468-4731.
Não. Esse discurso da indiferença entre programas de governo era muito utilizado durante o governo FHC. A ideologia neoliberal tenta dizer para a sociedade que está adotando tais medidas porque é impossível adotar outras. A gente sabe que não é verdade. Governar é escolher prioridades. Enquanto Fernando Henrique Cardoso (PSDB) privatizava e não distribuía renda, [em uma postura] tipicamente neoliberal, o governo do PT adotou a partilha do petróleo do pré-sal, com recursos usados para a educação e saúde.
E Bolsonaro, o que fará na economia?
Pesquisas indicam que os eleitores dele não sabem dizer quais são as propostas para a economia, para a saúde. O discurso fica na segurança. As propostas de Alckmin (PSDB), Meirelles (MDB) e Temer foram rechaçadas pelo povo. Bolsonaro vai colocar o mesmo projeto neoliberal de Temer, mas ainda não é identificado. O programa de Bolsonaro é ultra neoliberal. O economista Paulo Guedes falou que vai privatizar tudo que for possível. Em algum momento Bolsonaro vai precisar exprimir esse programa.
Qual partido saiu mais prejudicado depois de todo o processo de golpe?
Alguns achavam que seria o PT, que sofreu todo o golpe, mas não, o PSDB saiu pior. O PSDB não tem raiz na sociedade brasileira, não tem alta preferência, não está organizado em movimentos, não tem eleitorado fiel. A direita alternativa tomou conta do espaço que era dele e o eleitorado do PSDB migrou. No caso do PT é diferente, tem raiz social e não foi desconstruído por uma campanha da mídia.
A integrante da direção do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), Sonia Mara Maranho, analisou as probabilidades de um projeto de esquerda e centro esquerda.
Se vencer, qual a possibilidade de a esquerda conseguir um projeto bom para a população? Hoje, ganhar as eleições não significa estar no poder, porque estamos num momento de golpe na América Latina. Nossa luta vai ter que ser constante para garantir o povo organizado. [Fernando] Haddad e Manuela [D’ávila] têm a tarefa de construir uma força suficiente para revogar o que foi privatizado. Não tem como governar um país falido e privatizado. É assim que os países se desenvolvem: usa sua força de trabalho, seus bens naturais, sua riqueza e seu povo para ser feliz. E nós não vamos voltar a ser felizes deixando tudo que desenvolve o país para o capital internacional.
Analisando: a privatização do Brasil Imaginem o Brasil com a água privatizada, o petróleo, os hospitais, as escolas privatizadas? Tudo que é público privatizado, só funcionando pra quem paga? E é preciso dizer: as privatistas (empresa que compram) não investem. O governo passa a ser o diplomático, que as abre as portas e janelas. O Exército cuida da ordem entre a população. E o capital internacional vem e se apodera de tudo que nós construímos.
Uma mensagem pra hoje: É um momento no qual não vamos ter conquista a curto prazo. É momento de lutar para ter direito a votar, de não votar a reforma da Previdência, de revogar as medidas golpistas.
Belo Horizonte, 21 a 27 de setembro 2018
BRASIL
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Reforma tributária: o que os candidatos falam sobre pobres pagarem mais impostos PROPOSTAS Programas de Haddad (PT), Ciro (PDT) e Marina (Rede) são os que abordam de forma mais ampla a questão Ricardo Stuckert
Gabriel Valery Rede Brasil Atual Em mais de 800 páginas, 42 especialistas em sistema tributário argumentam sobre a forma injusta com que o Estado brasileiro cobra impostos no Brasil. “Se pudéssemos estabelecer um ranking dos problemas a serem equacionados no sistema tributário brasileiro, a correção do seu caráter regressivo ocuparia o topo”, resume um trecho da publicação “A Reforma Tributária Necessária: Diagnósticos e Premissas”, publicado neste ano pela Associação
postos. Esta é uma das raízes da desigualdade no país, que privilegia os mais ricos – especialmente seto-
Sistema tributário que privilegia os mais ricos é uma das raízes da desigualdade no Brasil Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Anfip), em parceria com a Federação Nacional do Fisco
Estadual e Distrital (Fenafisco). Em poucas palavras, no Brasil, pobre paga mais im-
res financeiros improdutivos – e premia sonegadores. É um sistema que sobretaxa o consumo, trava o desen-
volvimento econômico e social, e sobretaxa também o trabalho. Em contrapartida, os lucros e dividendos dos rentistas não são taxados há mais de 20 anos. As benesses para os mais ricos não para por aí: o imposto sobre heranças no Brasil possui uma das menores taxas do mundo. Diante deste quadro, reformas no sistema tributário tornam-se imperativas. Nestas eleições, boa parte dos presidenciáveis fala sobre o tema em seus planos de governo. Veja o que falam os principais candidatos:
Fernando Haddad (PT)
Ciro Gomes (PDT)
Marina Silva (Rede)
Jair Bolsonaro (PSL)
Geraldo Alckmin (PSDB)
A reforma tributária é citada mais de 15 vezes nas 61 páginas de diretrizes. A questão tributária permeia toda a proposta petista, alcançando até mesmo as políticas alimentares, que poucos candidatos abordam em suas diretrizes. Haddad propõe uma política de taxação progressiva sobre o setor bancário, com alíquotas reduzidas para as instituições que praticarem menores taxas ao consumidor. O programa prevê ainda um reajuste na tabela do Imposto de Renda, com isenção para aqueles que ganham até cinco salários mínimos (R$ 4.770), com consequente aumento para os chamados super ricos, que pouco ou nada pagam hoje.
A proposta de Ciro prevê uma lógica de desenvolvimento social, aliado ao crescimento econômico. O programa tem duas frentes no que se refere à reforma tributária: a simplificação dos impostos e a busca por maior justiça na cobrança. Uma proposta é a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que unifica outros tributos. Outra é a redução das desonerações tributárias – isenções fiscais destinadas a certos setores empresariais – em 15%. O texto prevê a redução do Imposto de Renda das empresas, o retorno da taxação de lucros e dividendos e o aumento da cobrança de tributos sobre heranças e doações.
A candidata prevê a inclusão de incentivos para a redução de emissão de gases do efeito estufa no sistema de impostos, com a criação de um adicional “mínimo simbólico”.O programa classifica a reforma tributária como “imperativa” para sanar problemas estruturais do país. A Rede também fala em simplificar os impostos sobre o consumo. Sobre as disparidades de cobranças do sistema, em que os mais ricos pagam menos, o programa de Marina diz ter como princípio “equidade para dosar de forma adequada o tratamento dos cidadãos e das empresas, eliminando privilégios e a atual regressividade, que condena os mais pobres a pagaram, proporcionalmente, mais impostos”.
O programa de Bolsonaro traz aspectos liberalizantes na economia, com consequente enfraquecimento do papel do Estado. Prevê a redução massiva de impostos e, de certa forma, o fim do atual regime de previdência pública, com migração para um sistema de capitalização. Também está presente, de forma superficial, a simplificação dos impostos, aliada a programas não especificados de “desburocratização e privatização”. A proposta contempla ainda a redução progressiva do imposto de renda, até chegar em um patamar negativo, resultando em “uma renda mínima universal”.
Alckmin reduz o problema fiscal do Brasil à complexidade das taxas, discurso que geralmente é reproduzido pela imprensa comercial. O candidato tucano nada diz sobre a necessidade de uma maior justiça fiscal, apenas aponta para a simplificação da arrecadação. “Simplificar o sistema tributário pela substituição de cinco impostos e contribuições por um único tributo: o Imposto sobre Valor Agregado (IVA)”, afirma o texto.
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BRASIL
Belo Horizonte, 21 a 27 de setembro 2018
Marcos Montes, vice de Anastasia, foi pior de Minas para questões rurais RURALÔMETRO Site mostra quais deputados federais votaram a favor ou contra a população do campo Alex Ferreira /Câmara dos Deputados
Da redação
A
s leis que protegem ou prejudicam a população rural são quase sempre invisíveis. O Brasil, que é um país com 33% de seu território ocupado com plantações ou pastagens de gado, vem sofrendo com projetos que vão aumentar os venenos na agricultura, diminuir aposentadoria dos trabalhadores do campo, entre outros retrocessos. Pensando em fiscalizar a ação dos deputados federais, a equipe de jornalismo da Repórter Brasil criou o site “Ruralômetro um mapa dos piores e melhores deputados na questão agrária”. Funciona como um “termômetro”, em que os mais quentes são os pio-
res e os mais frios tiveram melhores posicionamentos. Eles são classificados de acordo com seus votos a projetos que têm impacto no meio ambiente, nas
Pesquisas apontam Bolsonaro X Haddad no segundo turno Na primeira semana após a cassação definitiva da candidatura do ex-presidente Lula, o candidato do PT, Fernando Haddad, assumiu o segundo lugar isolado, com 19% de intenções de voto na pesquisa Ibope, divulgada em 18 de setembro. Com Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro lugar, com 28% no Ibope, cresce a possibilidade de segundo turno entre os dois candidatos à presidência, o que mostra a importância de ficar de olho na rejeição, número decisivo para a definição do segundo turno. Bolsonaro é o candidato mais rejeitado, com 42% dos eleitores dizendo que não votariam nele de jeito nenhum. Haddad tem 29% no Ibope. Destaque para a rejeição, entre as mulheres, em que cerca de 50% das eleitoras declaram que não votariam em Bolsonaro na última pesquisa feita pelo Datafolha.
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comunidades tradicionais e aos trabalhadores rurais. 100% contra população rural e doações Entre os deputados federais mais “quentes” de Minas o classificado como pior é Marcos Montes, candidato a vice-governador na chapa de Antonio Anastasia (PSDB). 90% das suas votações foram desfavoráveis às questões do campo. Ele votou sim para que o símbolo “T” dos transgênicos não seja mais colocado nas embalagens e aprovou a me-
dida provisória 665, que tirou o benefício de trabalhadores rurais que trabalham por safra. No currículo de Marcos Montes constam ainda mais de R$ 300 mil doados por empresas ou pessoa com autuações no Ibama, sendo duas com trabalho escravo. O dinheiro foi usado para sua campanha eleitoral em 2014. O segundo deputado mais “quente” é Rodrigo Pacheco, candidato a senador pelo DEM. Suas votações foram 100% prejudiciais à população rural, segundo o Ruralômetro. Ele votou favorável, por exemplo, à medida provisória que aumentou a área desprotegida de florestas no Pará e em Santa Catarina, além de também aprovar a retirada do símbolo transgênico e diminuição de direitos para trabalhadores rurais. Ainda na lista dos piores e que querem seu voto, estão Mauro Lopes (MDB), Saraiva Felipe (MDB), Delegado Edson Moreira (PR) e Domingos Savio (PSDB), todos candidatos a deputado federal.
TRE barra Lula, mas libera Garotinho O ex-governador Anthony Garotinho (PRP) conseguiu uma liminar no Tribunal Superior Eleitoral para continuar candidato ao governo do Rio de Janeiro. Sua candidatura tinha sido impugnada em 6 de setembro, mas ele poderá fazer campanha até se esgotarem os recursos jurídicos. Segundo advogados consultados pelo Brasil de Fato, a situação é similar à do ex-presidente Lula (PT), que, ao contrário de Garotinho, teve todas as tentativas de liminares negadas.
Ex-governador do Paraná é preso preventivamente O ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e mais 14 pessoas foram presas em 11 de setembro. Richa é acusado de chefiar um esquema de propina que fraudou uma licitação de R$ 70 milhões. A prisão era preventiva e durou três dias.
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ELEIÇÕES
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“Uma sociedade que discute o porte de armas está na contramão da prevenção do suicídio” ENTREVISTA Psicóloga analisa aumento de casos de suicídio no país, papel da mídia na abordagem do assunto e adoecimento da sociedade Divulgação / CRP
Raíssa Lopes
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suicídio é um tema muito falado no mês de setembro, mas muitos tabus e dúvidas ainda rondam o assunto. Será que existe causa? O ato de tirar a própria vida tem a ver com depressão? Que caminhos as políticas públicas devem seguir? Para responder a esses questionamentos, o Brasil de Fato MG conversou com a conselheira e coordenadora da Comissão de Psicologia Clínica do Conselho de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG), Mariana Tavares.
Brasil de Fato - De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o oitavo país em número de suicídios no mundo. As estatísticas também mostram que os casos tendem a aumentar até 2020. Existem análises que podem dar conta de fatores relacionados a esse crescimento no nosso país? Mariana Tavares - O que
nos alerta é a rapidez do aumento, que está acontecendo especialmente entre jovens e idosos. Na juventude brasileira, o suicídio oscila entre a segunda e a quarta causa de mortalidade. Entre idosos, os casos aumentam na população com mais de 60 anos.
A melhor forma de prevenir o suicídio é ter políticas públicas de moradia, renda, cultura, educação”
Para fazermos uma análise específica, ainda precisamos percorrer um caminho. Mas o que se sabe em relação aos idosos, por exemplo, é a respeito dos fatores macrossociais, como aposentadoria, a perspectiva de tornar-se improdutivo ou tornar-se um “fardo”. Hoje há muito relato de abandono, porque as famílias, nessa batalha pela própria vida, não estão dando conta de cuidar. Mas não podemos olhar pra isso de uma forma moralista, porque é uma questão relacionada a como está a perspectiva macrossocial do cuidado com a população. No Brasil, a melhor forma de prevenir o suicídio é ter políticas públicas de moradia, renda, cultura, educação, entre outras. E os cortes de investimentos na saúde mental? Você acredita podem influenciar, um dia, no número de suicídios?
A nossa perspectiva daqui em diante é bem sombria. Há um indicador de que os municípios que têm CAPs [Cen-
tros de Atenção Psicossocial] reduzem a taxa de suicídio em 14%. É claro que a existência do cuidado em rede, não só da saúde mental, é um grande fator de prevenção ao suicídio.
A medicalização transforma todos os sentimentos em sintomas biológicos, médicos ou orgânicos” No caso da juventude, vemos ultimamente muitos seriados e programas de TV falando de temas como depressão, ansiedade e suicídio. Como você avalia a abordagem dessas produções?
Tendo a achar que está ocorrendo uma glamourização, uma estetização, uma espetacularização do suicí-
dio. Existem muitas formas de falar não só sobre a saúde mental, depressão, mas de falar sobre a vida, estratégias comunitárias de valores e pertencimento a grupos. O que me preocupa bastante também é a medicalização da sociedade. A medicalização, que é diferente de medicação, é transformar todos os sentimentos em sintomas biológicos, médicos ou orgânicos. Tem um efeito de tornar algo doença. Outra coisa que a gente nota é que compreender o papel da internet é muito difícil. Ainda é um fenômeno pouco estudado porque é de agora e a gente não conhece. É a virtualidade da vida. Alguns autores falam de uma sociedade sem corpo. Ser adolescente é estar saindo de uma situação de proteção, de ser cuidado pelos pais e começar a enfrentar questões relativas à sexualidade, ao amor, à profissão. E isso está se dando de uma forma muito diferente. As relações de amor e de sexualidade estão se virtualizando, o que dá um efeito narcísico e essa falta da troca real da experiência com o outro gera solidão e uma ilusão de autossuficiência. É comum que quando uma pessoa pratica o suicídio, as pessoas tendam a atribuir a morte a um sentido. Existe um motivo para tirar a própria vida?
É muito importante dizer que a gente pode analisar os aspectos gerais da formação da subjetividade e as taxas de suicídio, analisar o suicídio como um fenômeno macro. Agora, ao falar de cada suicídio, nunca vamos saber exatamente o porquê. Ele é sempre enigmático, multicausal.
Não se pode dizer que é porque terminou um casamento, um namoro, porque a pessoa perdeu o emprego. Existe sempre uma rede complexa de motivos. É preciso muito cuidado para não arranjarmos culpados imediatos. Numa sociedade tão violenta, competitiva, que faz perder a consciência de classe e de coletivo, a gente também
O suicídio é sempre enigmático, multicausal” tem que se policiar para não usar esse raciocínio na hora de explicar. Para prevenir, temos que ter um pensamento amplo e não reducionista. Eu conheço alguém que tem pensamentos suicidas. O que devo fazer?
Nunca desqualificar. Nunca dizer “ah, mas você tem uma vida tão boa”. Sempre leve a sério. Se não souber como ajudar, procure ajuda. Pode ser na escola, no serviço de saúde... Chame essa pessoa para falar o que está acontecendo, em espaços terapêuticos mas também em família, no círculo de amizades. Geralmente, um suicídio é precedido por um pedido de socorro. Dizem até que 90% dos suicídios são evitáveis, porque a pessoa dá pista. O Setembro Amarelo é importante pra alertar e diminuir tabus, mas é uma coisa que tem que ser feita sempre. E é necessário tomar cuidado pra não associar à doença, ao ato de tomar remédio.
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BAFAFÁ #ELENÃO: CELEBRIDADES SE POSICIONAM NA POLÍTICA
Amiga da Saúde Minha filha tem 3 anos e noto que ela tem manipulado muito a região genital. O que eu faço? Isso é sinal de algum problema? Zélia Matoso, 30 anos, bibliotecária.
Tomou conta das redes sociais na última semana a campanha #EleNão, contra o candidato à presidência Jair Bolsonaro, reconhecido por suas posições preconceituosas. A proporção da campanha está crescendo tanto que já existem grupos, com milhões de participantes, organizados por segmentos da sociedade: mulheres, LGBTs, negros entre outros. E, claro, as celebridades também não ficaram de fora. A todo momento, atores e principalmente atrizes postam a hashtag #EleNão com o seu posicionamento. Alessandra Negrini, Patrícia Pillar, Deborah Secco, Maria Ribeiro, Fernanda Paes Leme, Daniella Mercury e Claudia Raia são algumas famosas que já se manifestaram contra o candidato. Cláudia Raia postou o seguinte texto: “Não à violência, não ao machismo, não ao preconceito, não à homofobia, não à intolerância, não à xenofobia e não para toda forma de pensamento que pregue o retrocesso de nossos direitos. Eu digo e repito: #ELENÃO #ELENUNCA”. Uma das celebridades que aderiu à General diz que campanha e chamou bastante a atenção família formada foi a jornalista do SBT Rachel Sherazade, famosa por suas posições – vamos chamar por mulheres assim - conservadoras. Em resposta ao coé “fábrica de mentário do vice-candidato na chapa de desajustados” Bolsonaro, General Mourão, que disse que família sem pai e avô é “fábrica de desajustado”, a jornalista postou: “Sou mulher. Crio dois filhos sozinha. Fui criada por minha mãe e minha avó. Não. Não somos criminosas. Somos HEROÍNAS! #elenao”. Diante disso, uma figura do mundo dos famosos teve o seu posicionamento muito cobrado nas redes, especialmente pela população LGBT – parte significativa do público dessa celebridade e alvo constante de ataques do presidenciável. Falo da cantora Anitta. Mesmo assim, ela não aderiu à campanha, preferindo não opinar sobre o candidato: “Sou cantora e não preciso me posicionar sobre política”. Isso gerou decepção, revolta e acusações. Saudável e democrático esse posicionamento de nossas celebridades. Diante das aberrações e ameaças reais que representam o tal candidato, não há como se isentar. Parabéns para quem desceu do muro! #EleNão #EleNunca Um abraço!
Felipe Marcelino é professor de filosofia.
Por volta dos 3 anos, as crianças descobrem os órgãos genitais e passam a tocá-los com alguma frequência. O toque provoca uma sensação agradável, por isso querem repetir. Faz parte da descoberta do corpo, da mesma forma que descobrem a orelha, o pé, etc. É importante que os adultos tentem agir com naturalidade nessa situação. Nunca punir por esse comportamento, nunca dizer que a genitália é suja ou que isso é feio. Tais reações podem influenciar de forma negativa na vivência da sexualidade futura. Deve-se ir mostrando à criança a importância da privacidade, evitando que se exponha publicamente. Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br Sofia Barbosa é enfermeira do Sistema Único de Saúde I Coren MG 159621-Enf.
Nossos direitos Voto nulo, em branco e abstenção, não cancelam eleição Muitas pessoas pensam que essas alternativas seriam uma boa maneira de protestar contra o sistema político, levando ao cancelamento das eleições. Mas, de acordo com a legislação eleitoral brasileira, isso não é verdade. Quando você deixa de votar, são os outros que acabam escolhendo por você. Os votos nulos e brancos não entram no resultado da apuração das eleições, por isso não são considerados votos válidos, ou seja, não têm nenhuma influência no processo eleitoral.
A abstenção, ou seja, deixar de votar, pode gerar multas e restrições na situação civil das pessoas. Como o voto é um direito que foi duramente conquistado pelo povo, vale a pena exercê-lo. Se você pretende protestar contra o sistema político, a melhor maneira é conhecendo melhor a trajetória da vida política dos candidatos e as suas propostas. É também um avanço para a democracia acompanhar as ações dos candidatos eleitos, para fiscalizar sua atuação.
Adília Sozzi é advogada da Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP
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Dicas Mastigadas PÃO DE ABÓBORA
Reprodução
PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS
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© Revistas COQUETEL
Material Ponto Arquivo final de da piroga enviado um casapor e-mail mento Sufixo de "filhote"
O caráter Motivo Bagatela; (?) Saintpretendi- técnico de ninharia Laurent, estilista do pelas demissão (pop.) francês vanguardas do emprego artísticas O som da vaia
O Filho (?) de Deus: Jesus Cristo (Rel.) Afluente do Reno, nasce nos Alpes Giga (símbolo)
Marsupial cuja "arma" é o mau cheiro Convicção como a do uso da figa Ofertarei Anita Malfatti, pintora paulista Decâmetro (símbolo) (?) de pontas, cosmético capilar
Sete, em inglês Derrapar (o automóvel)
É buscado com a mediação (jur.)
Compositor carioca de sambas satíricos
Cidade francesa do Festival de Cinema
(?) Moreira, locutor 601, em romanos
Tatuagem de marujos Sua capital é Macapá
Ingredientes
Elemento abundante nas algas marinhas Conceito negativo da Ética Lance defensivo do jogo de basquete
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Comic-(?), evento de cultura pop
(?) chi chuan, ginástica relaxante
Cantora maranhense que gravou "Estranha Loucura" e "Você me Vira a Cabeça" BANCO
3/con — dam. 4/yves. 5/seven. 6/cannes. 9/unigênito.
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Solução
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250g de abóbora (purê de abóbora) 1 ovo inteiro 1 colher de sopa cheia de manteiga ou margarina 1/2 copo de óleo (120ml) 1/2 copo de leite (120ml) 850g de farinha de trigo (aproximadamente 5 e 1/2 xícaras de chá) 4 colheres de sopa de açúcar (ou mel a gosto) 1 colher de sopa rasa de sal (temperos do seu gosto: orégano, cúrcuma) 1 colher de alho cortado em lâmina (opcional) 2 colheres de sopa rasas de fermento biológico
Modo de preparo Coloque todos os ingredientes num liquidificador, exceto a farinha e bata por um minuto. Junte o líquido à farinha aos poucos e amasse. Depois vai acrescentando a farinha à massa também aos poucos e sovando por no mínimo dez minutos até parar de grudar nas mãos. Deixe a massa descansar por uma hora para crescer. Enrole os pães da forma que preferir, cubra com um pano e aguarde mais uma hora até eles dobrarem de tamanho. Agora podemos levar ao forno pré-aquecido a 180 graus por 20 a 25 minutos. Está pronto!
Participe enviando sugestões para redacaomg@brasildefato.com.br.
I U N C A P G A C I D A D R E
A M A P A M R N I C A
Y O V A D G E N I S E V R X O A C O R B A C E N D I A N C O R E I S I M T O A R A D L C I O
T O R T O E N C D O I D C E R A O R V C O O R N E
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Encontro de culturas de raiz em BH
Ocupação da cidade
RESISTÊNCIA O Aldeia Kilombo no Século XXI, que acontece entre os dias 28 e 30, agrega culturas negra e indígena Thamires Siqueira e Matheus Sá Motta
Para discutir mobilidade e cultura, “A Ocupação #11” acontece no domingo (23), na região do Viaduto Santa Teresa e da Praça da Estação. O evento, que é gratuito e acontece das 10h às 22h, também comemora os cinco anos do Tarifa Zero e os dez anos do Movimento Nossa BH. A programação conta com roda de conversa, feira, shows, performances, oficinas, jogos, e apresentação dos blocos de carnaval. Mais informações em goo.gl/DvoRp6.
Mulheres negras movem Minas
Larissa Costa
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omo forma de agregar as culturas negra e indígena, e construir um espaço de resistência, o evento Aldeia Kilombo no Século XXI acontece em Belo Horizonte, de 28 a 30 de setembro. Totalmente gratuita, a programação conta com a presença de mestres populares, professores, capoeiristas, dançarinos afro e crianças de aldeias, quilombos e periferias. O Aldeia, que é organizado pela Associação Cultural Eu Sou Angoleiro (ACESA) e pela Companhia Primitiva de Arte Negra, acontece na rua Aarão Reis, no Teatro Espanca, no Viaduto Santa Teresa e no Parque Municipal, todos no Centro da capital. Flávia Soares, uma das produtoras do evento, conta que o Aldeia surge a partir da necessidade de gru-
pos culturais que não têm acesso a grandes editais. Ela conta que a ideia é fazer do hipercentro de BH um espaço de convivência e de debate político. “A gente não traz somente um festival, mas um festival seguido de discussões político-culturais sobre as manifestações africana e indígena, que a cada dia têm sido esquecidas pelo poder público”, afirma. Entre os destaques da programação, estão as rodas de conversa “Dança Afro Brasileira na Cena – Memórias e Caminhos” e “Religiosidades de MaC
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Festival também conta com debates e programação para crianças
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triz Africana e Indígena e Paz Religiosa”. Mestre Conga e Dona Eliza, Mamour Bá, Tambor de Criola Rosa de São Benedito e Uai Sound System são algumas das atrações culturais. No sábado (29), haverá roda de capoeira a partir das 15h. No domingo (30), a festa é destinada às crianças. Mais detalhes sobre a programação em goo.gl/Xyd38c.
Entre os dias 21 e 23, acontece em Belo Horizonte o Encontro Estadual das Mulheres Negras de Minas Gerais. A programação conta com debates sobre a conjuntura, oficinas de autocuidado e grupos de trabalho com assuntos diversos, como racismo, violência, feminismo negro, mercado de trabalho e sexualidade. A ação é preparatória para o “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”, previsto para dezembro, em Goiânia.
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Belo Horizonte, 21 a 27 de setembro 2018
PAPO ESPORTIVO
ESPORTE
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Curto e Grosso
Futebol não é lugar para homofobia
A posição dos atletas e a liberdade de expressão
Bruno Cantini /Atlético-MG
Lucas Figueiredo /CBF
Diego Silveira
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aro amigo, se você acha que as coisas estão muito chatas hoje em dia e que não se pode mais falar nada, recomendo que você não leia esta coluna. O assunto que quero tratar aqui é muito mais sério do que um simples xingamento vindo das arquibancadas. Acredito que todos aqueles que acompanharam a rodada de final de semana do Brasileirão devem ter visto parte da torcida do Atlético-MG cantando que um certo candidato à presidência do Brasil iria “matar os viados” durante o clássico contra o Cruzeiro. Ao mesmo tempo, algumas torcidas ainda insistem no grito de “bicha” quando o goleiro do time adversário vai cobrar o tiro de meta. E isso sem mencionar outros tipos de manifestação. E não me venham com o papo de que “isso faz parte do futebol” O Atlético-MG soltou uma nota oficial no dia seguinte
na qual afirma que tais atitudes não fazem parte da sua história. E não fazem mesmo. Como esquecer do atacante Reinaldo, um dos melhores do Brasil nos anos 1970 e 1980? Os mais novos podem acessar o YouTube e ver como ele comemorava seus (inúmeros) gols. Reinaldo levantava o punho direito num gesto que lembrava o dos militantes do movimento dos Panteras Negras nos Estados Unidos. Nem preciso dizer que o jogador teve problemas com representantes do regime militar que faziam parte da antiga Confederação Brasileira de Desportos. Homofobia não faz parte do esporte. De nenhum deles. Nem da história de nenhum clube. Não me venham com esse papo de que isso “faz parte da zoação do futebol” e que “estão querendo acabar com as brincadeiras dos torcedores”. Uma coisa é a zoação sadia. Outra é a humilhação de quem simplesmente é diferente de você. Precisamos de empatia e de educação. E não de xingamentos.
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Luiz Ferreira
Vários atletas têm expressado posições políticas conservadoras, o que tem causado desconforto entre pessoas do campo popular,. Recentemente, Felipe Melo, do Palmeiras, e Jadson, do Corinthians, declararam voto no fascista Jair Bolsonaro, também candidato dos atletas do vôlei Wallace e Mauricio Souza. Neymar, que em 2014 votou Aécio, agora apoia Romário ao governo do Rio de Janeiro. O Baixinho, hoje senador, defendeu o golpe de Estado de 2016. Embora incomodem esses posicionamentos de pessoas cujas carreiras seguimos tão de perto e pelas quais torcemos, é importante ressaltar dois pontos. Em primeiro lugar, há que se entender que esses atletas alcançaram um nível de vida superior ao nosso. Apesar de serem, em sua maioria, provenientes de famílias pobres ou remediadas, jogadores de sucesso em qualquer modalidade esportiva têm, em geral, uma condição econômica acima da nossa. Por serem ricos, como Neymar, ou estarem bem melhor que a maioria, como os jogadores de vôlei, eles se sentem de outra classe social, cujos interesses e riqueza, na prática, se dão às custas da exploração do trabalhador. É crível que apoiem candidatos dos ricos. Em segundo lugar, há que se defender o direito de os atletas falarem o que quiserem. A defesa de sua liberdade de expressão é a defesa também da nossa liberdade, pois qualquer tipo de restrição à fala de outros pode se voltar contra nós mesmos. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva já prevê punir Felipe Melo por seu apoio a Bolsonaro. Essa punição não pode contar com nosso apoio, pois a nós cabe desmontar uma a uma as ideias reacionárias do jogador. Defender mais um tipo de punição jurídica é defender justamente o fortalecimento das instituições que massacram o povo todos os dias. A melhor maneira de combatermos as ideias reacionárias e seus representantes, dentro ou fora do esporte, é a partir da organização da classe trabalhadora em defesa de nossos interesses.
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Cruzeiro quer que Conmebol anule expulsão de Dedé
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DECLARAÇÃO DA SEMANA Arquivo pessoal
Vinicius Silva / Cruzeiro
A diretoria do Cruzeiro foi à sede da Conmebol, no Paraguai, protestar contra a expulsão do zagueiro Dedé na Libertadores. O clube pede investigação sobre a conduta do árbitro Eber Aquino. A punição ocorreu na derrota para o Boca Juniors, em Buenos Aires, na quarta (19). Imprensa argentina e brasileira, clubes e torcedores questiona-
ram. O Cruzeiro emitiu comunicado criticando a arbitragem. “A cúpula celeste informa que está estudando as melhores opções para ingressar à Conmebol, na busca por amenizar o tamanho prejuízo técnico decorrido da expulsão de Dedé, buscando por medidas judiciais contra os autores desta covardia”, afirma a nota.
Somos uma torcida que defende os direitos do nosso povo e não podemos deixar que o nosso maior representante seja contra nós e contra tudo aquilo que lutamos” Rodrigo Gonzalez Tapia (Digão), presidente da Gaviões da Fiel, criticando as ideias do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e destacando a luta de muitos corintianos durante a ditadura.
Gol de placa A Rainha Hortência Marcari foi escolhida a maior jogadora de todos os tempos do Campeonato Mundial. O anúncio foi feito pela Federação Internacional de Basketball (FIBA) na terça (18). Na votação, a brasileira foi escolhida por 85% do público em todo o mundo.
Gol contra A torcedora corinthiana Liliane Roque, professora da rede pública de São Paulo, foi agredida e presa pela Polícia Militar paulista no domingo (16), em frente ao Itaquerão, por portar uma faixa com o escrito “Lula Livre”. A esta repetida ação ditatorial, a resposta é: Lula Livre!
Decacampeão
É Galo doido
La Bestia Negra
Bráulio Siffert
Rogério Hilário
Fabrício Farias
Em todo time que passa, o técnico Adilson Batista carrega a alcunha de “professor Pardal”, uma referência ao personagem da Disney que faz invenções malucas, bem intencionadas, mas que nem sempre dão certo. No América, isso tem se repetido. As esDecacampeão calações, formações e substituições não se repetem. O time é escalado, por exemplo, sem atacantes ou com um centroavante de ofício ou um falso nove, laterais improvisados no meio ou excesso de volantes. O lado bom é que o time fica imprevisível, podendo surpreender com protagonistas inesperados. Mas, por outro lado, os jogadores parecem ter dificuldade em assimilar a proposta, resultando em um time desorganizado e pouco eficiente.
Em seu calvário, o Galo enfrenta o Flamengo no fim de semana, fora de Minas, e precisa vencer. Como no clássico, quando se esforçou muito, criou pouco e correu riscos desnecessários. Apesar disso, as possibilidades continuam as mesmas, pois São Paulo, PalÉ Galo doido! meiras e o rubro-negro carioca empataram e o Inter perdeu. Apenas o Grêmio conquistou três pontos e ganhou uma posição. A sequência é até promissora, pois, a seguir, receberemos o combalido Sport, enfrentaremos a Chape no Sul, o América no Horto e o Fluminense no Rio. Sobre as manifestações homofóbica, está na hora de dar um basta nessa infâmia histórica. Assim como a humanidade, a torcida precisa evoluir também.
Salve, salve, nação azul! A Conmebol mostrou a instituição corrupta que é, na absurda expulsão de Dedé. A decisão árbitro vai além da partida e chega aos bastidores do futebol sul-americano. Na politicagem, os argentinos esbanjam influência, enquanLamostra Bestia Negraineficiento o Brasil se totalmente te. Os cartolas brasileiros preferem viver de disputas mesquinhas, enquanto nossos adversários se mostram mais espertos. Fomos garfados e, em campo, o Cruzeiro pouco agrediu o Boca. Tomamos o primeiro gol em uma falha de nosso setor defensivo. Agora é focar na disputa com o Palmeiras pela Copa do Brasil e transformar toda nossa indignação em bola na rede. Do Boca, cuidaremos depois.