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Edição 235 do Brasil de Fato MG

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Reprodução

Minas Gerais

1968: Contagem desafia a ditadura

Reprodução

Usando a Medicina Popular

Há 50 anos, o primeiro movimento grevista contra a ditadura começava em Contagem e incendiava o Brasil

Chás, benzeção, meditação e outras práticas de cura farão parte de três grandes eventos na capital

Minas 5

Cultura 14

Belo Horizonte, 25 a 29 de maio de 2018 • edição 235 • brasildefato.com.br • distribuição gratuita • facebook.com/brasildefatomg

Que preço foi esse? ENTENDA A RELAÇÃO ENTRE OS AUMENTOS E A PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS REPORTAGEM ESPECIAL PG 7-10

Rafaella Dotta / Brasil de Fato MG


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OPINIÃO

Belo Horizonte, 25 a 29 de maio 2018

Preço da gasolina e soberania nacional Nesta semana, o Brasil acompanha uma mobilização de caminhoneiros contra o preço do diesel. A principal reivindicação que aparece é contra os impostos que incidem no combustível. A mídia comercial dá grande destaque à mobilização, anunciando paralisação de serviços e tentando criar um clima de caos no país. Um debate de fundo sobre essa paralisação não pode envolver apenas o tema dos impostos. Aliás, vira e mexe volta para a pauta o tema so-

ESPAÇO DOS LEITORES “Ok que Pimentel está longe, muito longe de ser um exímio governador, mas, na minha opinião, fazer com ele o que fizeram com Dilma, eu não acho que seja a solução mais plausível para a atual situação que o estado de Minas Gerais se encontra. Eu acho que, ao invés da Assembleia se dividir entre direita e esquerda, aliados e oposição, se unam para que o melhor para MG e para o povo mineiro seja feito. Não queremos um golpe em MG igual vimos e estamos sentindo na pele em âmbito federal. Eu penso assim” Webert de Souza comenta a matéria “Querem um governo alinhado à política do golpe nacional” Não deixem de ler, é a descrição perfeita do mau caratismo dos dois As Aécio e Anastasia Wagner De Castro Oliveira escreve sobre o artigo “Anastasia: um homem menor” “Ainda hoje vários setores pretendem ganhar dinheiro com o sofrimento psíquico e o uso de álcool e drogas! Infelizmente” Ana Denadai comenta a matéria de capa “18 de maio é dia de conhecer a história e dizer ‘não’ aos manicômios”

20% dos lares mineiros trocaram o gás pela lenha para cozinhar bre o grande absurdo que é a carga tributária brasileira, como se esse fosse o maior vilão. É certo que o país precisa de uma reforma tributária, mas não da forma como geralmente é apresentada: o que é preciso é que os ricos paguem mais e os pobres paguem menos. Simples assim. Outro aspecto importante que a paralização de caminhoneiros traz é o aumento dos preços de todos os derivados de petróleo. Não é uma coincidência que a partir de 2016 – depois do golpe do impeachment – a direção da empresa tenha instituído uma nova política de preços, pautada pela variação da cotação do petróleo no mercado internacional. Associado à venda de poços, refinarias e outras medidas entreguistas, a nova gestão da estatal não esconde que deixou de se preocupar com o público e com o desenvolvi-

mento para apenas agradar ao mercado e ao capital. Encarte especial Nesta edição, encartamos um especial que relaciona o aumento abusivo dos preços do gás de cozinha, gasolina e diesel com o interesse em privatizar a Petrobras. Não nos enganemos: foi com interesse nessa imensa reserva de recursos que se deu um golpe no Brasil. E esse golpe é responsável por fazer com que quase 20% das residências de Minas Gerais tenha trocado o gás pela lenha para cozinhar. Estamos assistindo à volta da miséria, do desemprego, do aumento absurdo do custo de vida – energia, transporte, saúde, educação – da ausência de políticas públicas. Chegaram ao ponto de prender – sem provas convincentes ante qual-

Interesse dos golpistas é privatizar a Petrobras quer tribunal sério do mundo – a maior liderança popular da história do país, o ex-presidente que inclusive celebrou a descoberta do pré-sal e criou com essas reservas o fundo para saúde e educação. Que não existe mais. A privatização da Petrobras é um sonho dos golpistas brasileiros que atendem servilmente aos interesses imperialistas. Não devemos poupar esforços para denunciar essas manobras e lutar pela soberania nacional. O preço da gasolina é a ponta de um projeto que precisamos debater para o país.

Escreva para nós: redacaomg@brasildefato.com.br O jornal Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.

REDE SOCIAL: facebook.com/brasildefatomg CORREIO: redacaomg@brasildefato.com.br PARA ANUNCIAR: publicidademg@brasildefato.com.br TELEFONES: (31) 3309 3314 / (31) 3213 3983

conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Aruanã Leonne, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Cida Falabella, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Gilson Reis, Gustavo Bones, Helberth Avila, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares, João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, Jô Moraes, José Guilherme Castro, José Luiz Quadros, Juarez Guimarães, Marcelo Oliveira Almeida, Makota Celinha , Maria Júlia Gomes de Andrade, Milton Bicalho, Neila Batista, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rogério Correia, Rosângela Gomes da Costa, Robson Sávio, Samuel da Silva, Talles Lopes, Titane, Valquíria Assis, Wagner Xavier. Editora: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Redação: Amélia Gomes, Larissa Costa, Rafaella Dotta, Raíssa Lopes e Wallace Oliveira. Colaboradores: Alan Tygel, Anna Carolina Azevedo, André Fidusi, Bráulio Siffert, Diego Silveira, Felipe Marcelino, Fernanda Costa, João Paulo Cunha, Léo Calixto, Luiz Fellippe Fagaráz, Marcelo Pereira, Nadia Daian, Pedro Rafael Vilela, Renan Santos, Rogério Hilário, Sofia Barbosa, Taciana Dutra, Thainá Nogueira. Revisão: Luciana Santos Gonçalves. Distribuição: Felipe Marcelino. Diagramação: Tiago de Macedo Rodrigues. Tiragem: 40 mil exemplares.


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CIÊNCIA, COISA BOA!

seres? Mais uma vez, do Sol. A exceção é uma pequena quantidade de energia que provém do interior da Terra, responsável pelos terremotos e vulcões e que equivale a menos de 1% do total. A sociedade utiliza como fonte principal de energia aquela armazenada no petróleo, uma substância orgânica (ou seja, relacionada à vida) formada durante milhões de anos. Seres, que só estavam vivos devido à energia do Sol no passado, ao morrerem foram depositados no fundo dos oceanos. Lentamente, esse material sofreu inúmeras reações até se tornar o óleo preto que conhecemos. Quando queimamos gasolina ou diesel liberamos essa energia proveniente do Sol de milhões de anos atrás. Mais uma vez, devemos agradecer ao nosso astro pelo funcionamento de nossos automóveis e máquinas. Por essa imensa capacidade de realizar trabalho presente no petróleo, as elites que mandam no mundo hoje são capazes de qualquer atrocidade, como guerras, invasões e massacres de povos. Até golpes políticos eles são capazes de produzir em países como o Brasil, só para ter controle dessa importante substância. Petróleo é poder. Por isso, devemos defender a Petrobras e mantê-la pública e sob controle do povo. Um abraço e até a próxima! Renan Santos é professor de biologia da rede estadual

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Declaração da Semana Daryan Dornelles-Divulgação

“Se vocês realmente gostam de mim e me admiram, por favor não me chamem de ícone. Eu não sou um ícone. Eu não quero ser um ícone. Eu sempre fui sub-humana. Se vocês realmente gostam de mim, me permitam ser humana e ocupar o mesmo espaço que vocês”

DE ONDE VEM A ENERGIA DA TERRA? Para a física, energia é a capacidade de se realizar trabalho. Ou seja, exercer uma força em um corpo de modo a criar nele alguma alteração, como um movimento ou uma deformação. É impossível criar energia do nada. Mas, é possível transformar um tipo de energia em outra. Quase toda a energia presente na Terra provém de uma única fonte, o Sol. Assim, praticamente tudo o que acontece em nosso planeta só ocorre porque logo ali tem uma estrela liberando uma enorme quantidade de energia na forma de radiação eletromagnética (luz, basicamente). Se estivesse mais distante do Sol, a Terra seria um lugar bem menos agitado. Por exemplo, de onde vem a energia que move as nuvens e o vento? Do Sol. E Até a energia a que faz os rios e oceanos armazenada no se moverem? Dele também. petróleo vem do E a que mantém vivos e sol ativos praticamente todos os

GERAL

MC Linn da Quebrada, pelo Twitter.

MOSTRAS BDMG ESTÁ COM INSCRIÇÕES ABERTAS

Reprodução

Artistas interessados em expor na Galeria de Arte BDMG Cultural, em Belo Horizonte, podem enviar suas propostas até o dia 12 de junho, para o Mostras BDMG. Serão escolhidos seis projetos de ocupação da galeria, julgados por uma comissão formada por profissionais de artes visuais. O valor do reembolso para os selecionados é de R$ 5 mil para exposições individuais e coletivas. As mostras ficarão abertas à visitação por 50 dias e um vídeo de divulgação será feito para cada exposição. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no link bdmgcultural.mg.gov.br.

Para tosse, chá de guaco

Reprodução

Com origem na América do Sul, o guaco tem efeito benéfico para o sistema respiratório. A planta possui propriedades fitoterápicas que são broncodilatadoras e expectorantes. Assim, alivia tosse, asma e bronquite devido ao seu composto cumarínico. Além de ajudar a eliminar o muco causado por gripes e resfriados, o guaco também auxilia na redução de edemas e de peso, devido à ação anti-inflamatória da planta. Para consumir, é só fazer o chá e consumir em até 6 horas após a preparação.


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CIDADES

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Segurança é a maior vantagem para moradoras de prédio ocupado em BH MORADIA Formada por 90% de mães chefes de família, ocupação Pátria Livre consegue afastar crianças do contato com o tráfico e da violência policial Rafaella Dotta / Brasil de Fato MG

Rafaella Dotta

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o lado de dentro do muro alto da Ocupação Pátria Livre, as crianças andam de bicicleta, conversam na escada, carregam boneca pra lá e pra cá. Elas vivem na mais antiga favela de Belo Horizonte, a Pedreira Prado Lopes, na movimentada rua Pedro Lessa, mas não parece. A liberdade de brincar foi conquistada por essas crianças ao mesmo tempo em que suas mães decidiram lutar pelo direito à moradia. Em setembro de 2017, dezenas de mulheres organizadas pelo Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) entraram no prédio de uma antiga fábrica abandona-

O galpão foi reformado e se transformou em local de estudo e oficinas da há duas décadas, com o objetivo de dar uma função ao local e transformá-lo em moradia. “Eu recebo um salário mínimo e ficava sufocada para pagar água, aluguel, comida sozinha”, conta Waleska Pascoal Ferreira dos Santos, que está na ocu-

Faltam professores na rede municipal de Uberlândia

pação desde o início, com as três filhas. As mulheres são a grande maioria na ocupação. Segundo Soraia Regimari dos Santos, uma das coordenadoras, pelo menos 90% das famílias são sustentadas apenas por mães solteiras, viúvas ou separadas. Inclusive, diversos maridos desistiram de entrar no prédio no dia da ocupação. “Mulher é mais determinada, mais guerreira, até mesmo por sofrer. A ocupação a bem dizer é feita de mulheres”, conta Soraia. A situação se repete também nas ruas da Pedreira. O envolvimento dos homens com a criminalidade acontece desde cedo, o que muitas vezes leva à morte, à prisão ou à expulsão da favela. As mulheres são as que, segundo Soraia, passam a sustentar a família sozinhas. “Tem que fazer o possível e o impossível para sobreviver e muitas vezes até ajudar o marido que está detido, sem ter con-

dições ou apoio algum”, lamenta.

Julia Cabral

desde o início do ano. Professores do Atendimento Educacional Especializado, que têm o papel de auxiliar os alunos com necessidades especiais, estão tendo que acompanhar toda a turma. Segundo o professor Cid Carlos da Silva, as escolas

Algumas escolas municipais de Uberlândia têm enfrentado o problema da falta de professores de diversas disciplinas. A Escola Municipal Hilda Leão Carneiro, por exemplo, está sem professor de português

Mais protegidos da violência Por ter tantas mães, uma das principais preocupações da ocupação é com as crianças. O prédio ocupado possui cinco andares, um galpão grande e um terreiro de cimento, também grande. O portão fica trancado e só entram pessoas conhecidas dos moradores. Hoje, as crianças têm um lugar seguro para brincar enquanto sua mãe faz outros serviços. As moradoras afirmam que o contato com o tráfico era perigoso para meninos e meninas. Os meninos, pelo medo de serem atraídos pelas drogas, as meninas, pelo assédio sexual. Outra grande dor de cabeça era a violência policial. A Pedreira vive uma guerra com muitas mortes e essas mães temiam que seus filhos fossem violentados ou que sua casa fosse invadida

pela PM a qualquer momento, como continua acontecendo na região. A ocupação abriu também um espaço cultural para a comunidade. O galpão da antiga fábrica foi reformado e se transformou em local de estudo, de organização política, de oficinas de capoeira e de dança. A expectativa é instalar uma cozinha comunitária no local, conforme conta Débora Sá, integrante do MTD. “Tanto para gerar emprego e renda para as famílias da ocupação, como oferecer alimentação de qualidade a preço acessível para a comunidade”, diz. Jurídico O pedido dessas mães agora é que a situação se regularize e consigam enfim uma casa para chamar de sua. A próxima negociação acontece na sexta (25) entre proprietário, ocupantes e governo estadual. Débora explica que ainda não há pedido de reintegração de posse, mas é preciso continuar a pressão. “O Estado tem outras prioridades, se não pressionar não olha pra nós. Falam muito que a Pedreira é desunida, mas quando a gente está lutando pra resolver os problemas daqui, as pessoas se unem e constroem junto”, diz. também estão remanejando funcionários da biblioteca para ficar nas salas de aula. Ele critica a ausência de convocação dos aprovados em concurso. Até o fechamento desta edição, a prefeitura de Uberlândia não respondeu à reportagem.

Em BH, Comitê Oeste realiza Formação de formadores no Cenarab Taciana Dutra O Congresso do Povo em Minas já mobilizou 209 municípios de diferentes regiões, e os comitês da Frente Brasil Popular seguem se multiplicando. Na região Oeste de Belo Horizonte, no Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira - Cenarab, aconteceu na noite de quarta-feira, dia 24, atividade de Formação de Educadores para o Congresso do Povo. O local é referência para a comunidade, onde acontecem oficinas, ensaios de teatro e dança, reuniões de movimentos populares e afro-bloco da cidade. Durante o encontro Makota Celinha, coordenadora do Cenarab, denunciou o atentado sofrido pelo Centro, na madrugada do dia 24. O relógio foi roubado e interrompeu-se o fornecimento de água e energia. O imóvel foi invadido, mas não se constatou roubo de nenhum bem. A polícia foi acionada e a ocorrência registrada. Superando tristeza e insegurança causadas pelo atentado, os presentes se solidarizaram e planejaram ações. O objetivo é envolver a população local para que possam se somar na construção de propostas para resolver os problemas sociais do Brasil. Participe você também do Congresso do Povo! Saiba mais em facebook. com/frentebrasilpopularmg


MINAS

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Primeira grande greve após o Golpe de 64 completa meio século DITADURA Metalúrgicos de Contagem pararam as máquinas para protestar contra o arrocho salarial Mazico / CPDoc JB

Wallace Oliveira

1968.

Em janeiro, a Frente Nacional de Libertação do Vietnã avançou sobre a embaixada dos EUA em Saigon, enquanto milhões por todo o mundo exigiam o fim da guerra contra o povo vietnamita. No 1º de Maio, cerca de 20 mil trabalhadores

Com ditadura, salário mínimo era reajustado abaixo da inflação e acabou estabilidade de emprego expulsariam o governador Abreu Sodré da Praça da Sé, em São Paulo. No dia seguinte, estudantes iniciariam as barricadas contra o regime do general De Gaulle, em Paris. Em junho, no Rio de Janeiro, o movimento estudantil começaria a Passeata dos Cem Mil contra a repressão. No mês de julho, 3 mil trabalhadores ocupariam a fábrica da Companhia Brasileira de Materiais Ferroviários, em Osasco. Em Contagem, milhares de trabalhadores ajudaram a escrever a história desse inquieto ano de lutas populares. No dia 16 de abril, eles começaram a primeira grande greve do Brasil após o golpe militar. Era uma resposta à política de arrocho salarial que, desde o golpe militar, havia provocado uma desvalorização geral de 20% dos salários. A principal reivindicação era um reajuste de 25%. Aquela campanha deixou uma marca profunda na história do país. “O saldo principal é a pavimentação de um

caminho de constante resistência e construção de poder popular. Sem as greves de Contagem e Osasco de 1968, não haveria o surgimento do novo sindicalismo da década de 70, que fez cambalear a ditadura nos anos 80 e tanto peso teve na política nacional até os dias de hoje”, avalia o cineasta Carlos Pronzato, que dirige um documentário sobre a greve. Dificuldade para lutar Às vésperas do golpe, o movimento sindical estava em plena ebulição. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, 172 greves eclodiram em 1963, mesmo ano em que o governo de João Goulart reajustou o salário mínimo em 56%. Imediatamente após tomarem o Planalto, em 1964, os militares puseram em prática um programa para acabar com esse processo, retirando direitos e atacando organizações sindicais. Por um lado, só permitiram que o salário mínimo fosse reajustado abaixo da inflação e, em 1967, abriram as portas para acabar com a estabilidade no emprego. Antes, empregados com mais de dez anos de carteira, se demitidos

sem justa causa, tinham direito a uma indenização equivalente a um mês de seu vencimento por cada ano, além de multa de 10%. Essa política foi sendo paulatinamente substituída pelo FGTS. Ao mesmo tempo, criaram um sem número de sindicatos-fantasmas, aparelhados por gente indicada e controlada pelo governo, e perseguiram as lideranças mais combativas. Nos quatro primeiros anos da ditadura, diminuíram as greves, que ficavam cada vez menores e, na maioria das vezes, limitavam-se a protestar contra atrasos em pagamentos. Em 1967, a perseguição destituiu os dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de Contagem eleitos pelos trabalhadores, incluindo o eletricista da Mannesman Ênio Seabra, um dos principais líderes. A partir de então, ele sofreu perseguição policial e seis prisões políticas, uma delas a poucas semanas da greve de 1968. “Quando os trabalhadores souberam que eu estava preso, aqueles que estavam mais organizados prometeram: ‘se vocês não soltarem, nós vamos parar’. Fui solto e, quando cheguei em casa, o presidente

do sindicato me chamou: ‘vai lá porque, se você não chegar, o pessoal vai parar”, recorda Ênio. A retomada após o golpe Na época, Contagem já era era um dos principais centros industriais do estado, com quase 30 mil habitantes e mais de 18 mil operários que moravam e trabalham na Cidade Industrial e em seus arredores. Desde outubro de 1967, as lideranças percorriam os locais de trabalho para propagandear a luta contra o arrocho. E foi assim que, no dia 16 de abril de 1968, os operários da Belgo-Mineira acordaram cedo, não para trabalhar, mas para interromper o curso das máquinas e ocupar a fábrica por dez dias. Começaram com 1.600 metalúrgicos, que foram se multiplicando até que os trabalhadores de todas as empresas também aderissem ao movimento.

A repercussão da greve em todo o Brasil apavorou os patrões e levou o ministro Jarbas Passarinho a fazer ameaças na TV e ordenar a repressão, colocando 1.500 policiais em ação. Alguns operários foram procurados em suas casas e 20 lideranças foram presas. Porém, o movimento arrancou um abono de 10% que, no dia 1º de maio, o ditador-general Arthur Costa e Silva foi obrigado a reconhecer a todos os trabalhadores brasileiros, temendo novas greves. “Eu acho que a greve foi vitoriosa. Tudo nosso foi feito com muito sacrifício, ficamos sempre dependendo de alguns valores, problemas financeiros, como hoje tem. Os 10% refletiram no país todo, a luta dos trabalhadores aqui chamou a atenção para todo o Brasil”, afirma Ênio. No mês seguinte, começaria a greve de Osasco. Divulgação

“A primeira greve durante a ditadura militar” O documentário do cineasta argentino Carlos Pronzato conta a história da greve de 1968, mostrando o protagonismo operário naquela campanha. “Estamos em processo de finalização e angariando recursos com organizações que apoiem um cinema independente de intervenção política como o nosso, na tentativa de resgatar a memória para impulsionar ações efetivas nos tumultuados dias de hoje”, afirma Carlos Pronzato. Para contribuir com a iniciativa, entre em contato pelo e-mail carlospronzato@gmail.com ou por telefone: (21) 9 7995 7981.


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MINAS

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Opinião

Apertem os cintos, o governo sumiu João Paulo Cunha Michel Temer nunca governou de fato. Sua postura de personagem sempre teve mais valor que suas ações. Ele sempre se expressou por um conjunto de gestos manipulados por barbantes que iam dar nas mãos do mercado. O governador Pezão, do Rio de Janeiro, confessou seu desprezo ao voto que o levou ao poder, cedendo o comando de seu estado num gesto de fraqueza. Abriu as comportas para a memória vergonhosa da intervenção militar. No Judiciário, os desembargadores da TRF 4, de Porto Alegre, no julgamento de Lula em segunda instância, foram também mofinos ao assumir a posição de coadjuvantes. Consagraram uma sentença contestada mundialmente, com invejável coincidência de juízo e pena. Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, no controle da agenda da corte, passou a inverter a lógica jurídica em nome das conveniências políticas de perpetuação do golpe. Primeiro pautou a

exceção, para depois levar em plenário a regra. Pedro Parente, no comando da Petrobras (enquanto esquenta o lugar na iniciativa

Petrobras abriu mão de sua responsabilidade com o desenvolvimento do país privada, em explícito conflito de interesse), exerce a antipresidência da estatal, levando a empresa ao suicídio ritual. Entre os dividendos dos acionistas e o interesse nacional, nunca teve dúvidas. A companhia perdeu importância, patrimônio, soberania e valor em bolsa. Rodrigo Maia, à frente da Câmara dos Deputados, programa as votações da casa de acordo com projetos pessoais e de seu grupo. Os casos poderiam se seguir às dezenas,

cumprindo um caminho que atravessa os três poderes da República, cada vez menos republicana. O caso da mobilização dos caminhoneiros é exemplar. A Petrobras abriu mão de sua responsabilidade com o desenvolvimento do país, entregando a política de preços à flutuação nada isenta do mercado internacional. Não bastasse isso, diminuiu a produção do refino para ampliar as importações e oferecer-se em holocausto às multinacionais. O governo, refém da política que implantou de desnacionalização - uma de suas âncoras de apoio internacional - ficou sem instrumentos de ação. O Brasil está sem piloto no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Mas se engana quem julga que se trata do caso de um Estado fraco. Pelo contrário. De tal forma os interesses do mercado financeiro penetraram na conjuntura pós-golpe, que o Estado rendido não precisa sequer de comando. Os intermediários estão sendo descartados. O confronto está cada vez mais explícito. Sem

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ESPECIAL

Alta dos combustíveis é culpa da política de preços da Petrobras e não dos impostos PRIORIDADES Redução do refino e preço atrelado ao dólar explicam aumento. Redução de tributos terá pouco efeito Marcelo Casal / Agencia Brasil

de 56% em 10 meses. O valor final da gasolina para os consumidores sofreu reajuste, nos últimos meses, de quase 11%, o que é 30 vezes maior do que a inflação.

Pedro Rafael Vilela*, de Brasília (DF)

O

Brasil vive nesta semana os reflexos da paralisação de caminhoneiros, que tem impactado na distribuição de produtos em todas as regiões do país. Há mais de 400 bloqueios em pelo menos 24 estados. Por causa do desabastecimento, o estoque de combustível está quase zerado nas bombas dos postos, o que fez com que milha-

Preço do diesel nas refinarias aumentou mais de 56% em 10 meses res de motoristas, em várias cidades, fizessem filas imensas para encher o tanque.

O corte na distribuição ameaça até mesmo a operação de aeroportos, como os de Brasília e Recife, por causa da falta de querosene de avião. Supermercados e centrais de abastecimento informam que já estão faltando produtos perecíveis, como frutas e legumes. Distribuição de carnes, pelos frigoríficos, bem como produtos ali-

mentícios diversos, pode estar comprometida nos próximos dias. A motivação para tudo isso? A alta dos combustíveis ao longo do último ano e especialmente no último mês. No caso dos caminhões, que utilizam óleo diesel, o preço do produto nas refinarias (último estágio antes de chegar aos postos) aumentou mais

Razões do aumento Em entrevista ao Brasil de Fato, o analista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Cloviomar Caranine, explica que o aumento dos preços dos combustíveis não se deu pelo reajuste de impostos, mas em decorrência da mudança na política de preços da Petrobras. Após a deposição da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, a nova diretoria da estatal, indicada por Michel Temer, modificou a política de preços da companhia para atrelar o preço dos derivados de petróleo à variação cambial do dólar e do valor do

barril de petróleo no mercado internacional. “Toda vez que o preço sobe lá fora, acompanhando o preço do barril de petróleo, sobe aqui também”, explica. A política anterior também levava em consideração a variação do dólar e do barril, mas os preços não eram atrelados. Por decisão de governo, a direção da companhia fazia reajustes apenas escalonados e o preço variava também levando em consideração o mercado interno e a inflação, justamente para evitar grandes oscilações que pudessem impactar no abastecimento doméstico, como ocorre agora. A medida, no entanto, era duramente criticada pela grande mídia e pelo mercado financeiro, já que a Petrobras tem ações na Bolsa de Valores e os detentores dessas ações ganham enormes lucros com a alta dos combustíveis.

Brasil não precisaria importar petróleo Ivan Bueno / APPA

O

Brasil produz cerca de 3 milhões de barris de petróleo por dia, a Petrobras, que ainda detém a maior parte das refinarias, consegue refinar cerca de 2,4 milhões de barris por dia e o consumo nacional é de cerca de 2,7 milhões de barris. “A gente não depende de importação de petróleo ou derivados. Não dependia, pelo menos. A partir de agora, não importa mais quanto o Brasil produz ou refina, porque o preço é determinado pelo preço internacional [por decisão do governo Temer]”, acrescenta Clovimar. Apesar disso, a Petrobras tem reduzido cada vez mais o refi-

no no país e vendido o petróleo cru para ser refinado fora do Brasil e depois importar o produto a preço de dólar. Para ele, o governo Temer entrou numa armadilha, pois, se não intervier na Petrobras para reduzir o preço do combustível, o valor vai aumentar ainda mais. Se atuar para que a estatal reduza os preços, como o gover-

no vem tentando, será acusado pelo mercado financeiro de “intervir” na empresa. Se zerar as alíquotas dos impostos PIS/Cofins e Cide dos combustíveis, como pedem os caminhoneiros, a expectativa é que o valor do litro de gasolina e óleo diesel caia cerca de 60 centavos. No patamar que os preços estão, acima dos R$ 4,80 o litro da

gasolina, em vários estados, a redução não é suficiente. Privatizar não é a solução A opinião de que privatizar seria a solução é contestada por Clovimar Caranine, do Dieese. Ele explica que, historicamente, foi sempre a Petrobras que construiu refinarias no país, e não as petroleiras estrangeiras. “Vender as refinarias pode aumentar ainda mais a dependência dessa paridade interna-

Hoje, Brasil vende petróleo cru e importa derivados

cional de preços”, esclarece. Para se ter uma ideia, o Brasil importou ano passado R$ 1,5 bilhão de dólares de gasolina, um crescimento de 93% comparado a 2016. A gasolina, de acordo com a Federação Única dos Petroleiros, já representa 20% das exportações dos Estados Unidos para o Brasil. A Petrobras já reduziu em pelo menos 30% o refino no país no último ano. Ou seja, o Brasil vende o petróleo cru, mas importa os derivados (gasolina, diesel, gás), aprofundando ainda mais a sua dependência econômica. (*Com informações da Rádio Brasil de Fato e da Agência Brasil. )


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ESPECIAL

Belo Horizonte, maio 2018

Privatização da Petrobras aumenta preço da gasolina e do gás de cozinha GOLPE Direção da empresa já entregou poços, plataformas e gasodutos para multinacionais abaixo do preço de mercado Divulgação

Thaís Mota e Nathália Barreto Especial para o Brasil de Fato

O

golpe de 2016, marcado por uma conspiração política que resultou no impeachment da presidenta Dilma Rousseff, abriu as portas para a privatização da Petrobras. Sob os nomes de “venda de ativos” e “desinvestimentos”, o governo Michel Temer passou a vender patrimônio da companhia aos poucos. Desde o início dessa política, a direção da empresa já entregou poços de petróleo, plataformas, termelétricas e gasodutos a preços

abaixo do valor de mercado para multinacionais estrangeiras e, consequentemente, provocou a demissão de 3 milhões de trabalhadores nas indústrias da cadeia do petróleo. Agora, a mira está

apontada para as refinarias de petróleo e para as fábricas de fertilizantes. A privatização da Petrobras atinge em cheio a possibilidade de o país ser autossuficiente em combustí-

veis e a capacidade de o governo brasileiro ter controle sobre seus preços. Com a produção de gasolina, diesel e gás de cozinha nas mãos de empresas estrangeiras, o preço desses produtos pode ser reajustado conforme interesses internacionais. “Seja para garantir o abastecimento interno do mercado de combustíveis; seja para assegurar a produção de alimentos no país; seja para gerar empregos e tecnologia; ou para financiar o desenvolvimento da nação com o dinheiro do pré-sal, a Petrobras é fundamental para a nação. Entregar esse patrimônio e depender das empresas estrangeiras é per-

der soberania nacional. É abrir mão do futuro”, afirma Felipe Pinheiro, diretor do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais. Tudo mais caro Um dos principais impactos da privatização para a população é o aumento do preço dos combustíveis. Além disso, as recentes mudanças na política de preços da Petrobras para acompanhar as cotações internacionais também impactaram nos reajustes. Confira os reajustes nos últimos três anos no gráfico ao lado.

Evolução dos derivados de petróleo em Minas - jan/2015 a abr/2018 GÁS DE COZINHA (BOTIJÃO 13KG)

GASOLINA (LITRO)

R$ 80,00

R$ 5,00

R$ 70,00

R$ 4,50 R$ 4,00

R$ 60,00

R$ 3,50

R$ 50,00

R$ 3,00

R$ 40,00

R$ 2,50

R$ 30,00

R$ 2,00 R$ 1,50

R$ 20,00

R$ 1,00

R$ 10,00

R$ 0,50

Preço do gás leva brasileiros a usarem lenha e carvão

O aumento no preço do gás de cozinha por Michel Temer, associado à queda no rendimento das famílias e ao aumento do desemprego, fez com que 1,2 milhão de domicílios brasileiros passassem a utilizar lenha ou carvão no preparo dos alimentos em 2017. Os dados são de uma

pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em abril deste ano. No total, 12,3 milhões de domicílios em todo o país utilizaram a lenha ou carvão ao longo do ano passado - o que corresponde a 17,6% das residências brasileiras. Em Minas,

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19,6% das residências mineiras utilizaram carvão ou lenha em 2017

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mai/15

mar/15

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R$ 0,00 mar/18

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mar/16

jan/16

nov/15

jul/15

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mai/15

mar/15

jan/15

R$ 0,00

o número foi ainda maior: ao todo, 1,4 milhão de famílias adotaram essa forma de combustível para o preparo dos alimentos em 2017 - o que dá um percentual ainda maior que o nacional, chegando a quase 20% dos domicílios (19,6%).


Belo Horizonte, maio 2018

ESPECIAL

9

Refinaria em Minas pode ser a próxima REGAP Venda de quatro refinarias no Sul e no Nordeste colocam em risco um terço da capacidade de refino do país Geraldo Falcão / Agência Petrobras

M

inas Gerais abriga quatro unidades da Petrobras, sendo a maior delas a Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A planta completou 50 anos em 2018 e tem capacidade de processamento de 150 mil barris de petróleo por dia. Entre seus principais produtos estão a gasolina, diesel, combustível marítimo, querosene de aviação, gás de cozinha, asfaltos, coque verde de petróleo, óleo combustível, enxofre e aguarrás. Atualmente, a Regap atende grande parte

do mercado de combustíveis em Minas e também parte do Espírito Santo e Goiás. A venda da Regap chegou a ser cogitada pela Petrobras no ano passado e ainda pode ser

uma das próximas na lista de privatizações. Recentemente, a companhia anunciou a venda de parte de quatro refinarias nas regiões Sul e Nordeste do Brasil - colocando em risco cer-

Gasolina - 21,77% Variação de Diesel S10 - 15,28% preços a partir do golpe de 2016 Gás de cozinha - 25,65%

ca de um terço da capacidade de refino do país. “A privatização do refino reforça a tese de que a Petrobras está no centro do golpe de 2016 e, desde o início do governo Michel Temer, a direção da empresa tem adotado uma política deliberada de aumento dos preços dos combustíveis”, afirma Alexandre Finamori, diretor da Federação Única dos Petroleiros

(FUP). Entre abril do ano passado e abril deste ano, a gasolina subiu 21,2%, o diesel S10 15% e o gás de cozinha 12,7% em Minas. “Agora, com a venda de refinarias, a decisão sobre o preço do gás, diesel e gasolina não passará sequer pelo governo, atendendo apenas aos interesses das multinacionais do petróleo em operação no país”, completa Finamori.

Atual gestão da companhia abandonou setor de biocombustíveis Geraldo Falcão / Agência Petrobras

“A

privatização da Petrobras afasta a companhia de seu papel de empresa pública, comprometida com o desenvolvimento e a soberania do país. O setor de biocombustíveis - que já foi considerado uma das prioridades da estatal - está sendo deixado de lado pela atual gestão. Isso impacta a vida de toda a população que vive nos arredores das usinas, assim como o meio ambiente”, critica Anselmo Braga, coordenador do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG). A Petrobras Biocombustíveis (PBio) é a principal empresa brasileira do se-

tor e chegou à capacidade de produzir anualmente 846 milhões de litros de biodiesel nas usinas do Ceará (Quixadá), Minas Gerais (Montes Claros) e Bahia (Candeias).

Apesar de afirmar em seu Relatório de Sustentabilidade que os investimentos em tecnologias de baixo carbono (eólica, biomassa, biocombustíveis etc) são prioridade entre os projetos da

Petrobras, a atual gestão da companhia decidiu deixar de atuar no setor de biocombustíveis, em uma decisão que vai na direção contrária dos interesses nacionais. Impactos A busca por novas fontes de energia renovável é uma tendência mundial para a sustentabilidade ambiental do planeta. O Brasil, devido a suas características territoriais e climáticas, é um país com grande potencial de produção e exportação de biocombustíveis. “Com a saída da Petrobras do setor, quem perde é a própria nação”, avalia Anselmo.

As regiões onde as usinas da PBio estão instaladas também sofrem grandes impactos econômicos, principalmente os pequenos agricultores. É o caso da Usina de Quixadá, no Ceará, fechada em 2016. A unidade produzia 108,6 milhões de litros de biodiesel por ano e seu fechamento impactou cerca de 9 mil famílias, e deixou de gerar quase mil empregos. Em Minas Gerais, a Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro, localizada em Montes Claros, tem grande importância econômica para a região, mas também está ameaçada. (Thaís Mota e Nathália Barreto)


10 10

ESPECIAL

Belo Horizonte, maio 2018

Redução do quadro próprio compromete qualidade dos serviços da Cemig ENERGIA No final de 2017, Companhia tinha apenas 5.864 no quadro próprio; terceirização e precarização aumentaram CEMIG

Rosana Zica

Q

uando o assunto é energia elétrica, os últimos governos de Minas Gerais se curvaram à lógica do mercado financeiro, promovendo o sucateamento da Cemig para aumentar os lucros dos acionistas. Essa é a avaliação de Jefferson Leandro, coordenador geral do Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindieletro/MG). “O resultado de sucessivas gestões que apostaram na redução do quadro próprio e na terceirização foi a precarização das condições de trabalho e dos serviços prestados pela maior estatal de Minas Gerais”, afirma. Segundo levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística

e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em relatórios da própria Ce-

2015

mig, enquanto em 1994 a empresa tinha cerca de 18 mil trabalhadores

2016

2017

DEC Apurado na Cemig*

11,54

11,53

10,83

DEC Limite*

11,62

11,29

10,88

do quadro próprio, atualmente esse número não passa dos 6 mil. Até 2014, os governos do PSDB haviam fechado 9.115 postos de trabalho. Em 2015, primeiro ano do governo Pimentel, a Cemig tinha 7.860 trabalhadores no quadro próprio. Mas o ano de 2017 terminou com apenas 5.864 eletricitários com vínculo direto. “Pimentel prometeu em campanha realizar concurso público para recompor o quadro próprio da empresa. Infelizmente, ele se tornou o terceiro governador que mais fechou postos de trabalho na Cemig nos últimos 20 anos”, aponta Jefferson.

Risco de perda da concessão A falta de pessoal e a consequente precarização dos serviços na Cemig colocam em risco, inclusive, a sobrevivência da estatal. O DEC da empresa, índice que mede o tempo médio que o consumidor fica sem energia, corre o risco de ficar acima dos limites estabelecidos pela Aneel. De acordo com a legislação, se o DEC ultrapassar os limites da agência reguladora por dois anos consecutivos, a Cemig poderá perder a concessão da distribuição e corre o risco de ser privatizada.

Período

Governo

Postos de trabalho fechados na Cemig

Percentual de redução do quadro

Jan/95 a Dez/98

Eduardo Azeredo

5.569

-31%

Jan/99 a Dez/2002

Itamar Franco

479

-4%

Jan/2003 a 2010

Aécio Neves

2.609

-22%

2011 a Dez/2014

Antônio Anastasia

937

-10%

Jan 2015 a Dez 2017

Fernando Pimentel

2.058

-24%

Fonte: Cemig. Elaboração: Sindieletro MG

*Tempo médio que o consumidor ficou sem energia elétrica durante o ano (em horas) Fonte: Aneel

Trabalhadores sofrem enquanto a gestão da empresa recebe privilégios O Sindieletro-MG, sindicato que representa os trabalhadores e trabalhadoras da Cemig, denunciou, neste ano, a controversa decisão da Assembleia Geral de Acionistas

da Cemig que aumentou a remuneração dos executivos da estatal acima da inflação. O salário do presidente subiu de R$ 80 mil para R$ 85 mil (aumento de 6,25%). Já a remu-

neração dos diretores passou de R$ 65 mil para R$ 67 mil (aumento de 3,08%) e a dos conselheiros de administração passou de R$ 19.900 para R$ 20.590 (reajuste de 3,43%).

Em 2016 e 2017, já haviam sido aprovados outros reajustes para a diretoria e o Conselho da Companhia. Enquanto a inflação oficial acumulada entre janeiro de 2015

O Brasil de Fato circula semanalmente com edições regionais, em quatro estados. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado. Este especial é uma parceria com o Sindipetro/MG e com o Sindileletro / MG.

e março de 2018 foi de 21,63%, segundo o INPC/ IBGE, os vencimentos do presidente da estatal subiram 108,21%, dos diretores 91,54% e dos conselheiros de administração 189,93%.

REDE SOCIAL: facebook.com/brasildefatomg CORREIO: redacaomg@brasildefato.com.br PARA ANUNCIAR: publicidademg@brasildefato.com.br TELEFONES: (31) 3309 3314 / (31) 3213 3983


Belo Horizonte, 25 a 29 de maio 2018

BRASIL

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ONU investiga arbitrariedades contra Lula DIREITOS HUMANOS Comitê decidiu julgar denúncia de violações dos direitos políticos e civis de Lula Elma Okic / ONU

Da Redação

Lula convida para o lançamento de sua pré-candidatura no dia 27

O

Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu julgar uma denúncia de violações ao Pacto Internacional de Direitos Políticos e Civis, supostamente praticadas pelo juiz da primeira instância de Curitiba, Sérgio Moro, e pelos procuradores da Lava Jato no caso envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cerceamento do direito à defesa está entre violações

A representação havia sido formalizada junto ao Comitê em julho de 2016 pelo advogado Geoffrey Robertson, que representa o ex-presidente na ONU, e diz respeito a diversas irregularidades no processo que resultou na condenação de Lula a 12 anos e um

Presidente da ALMG lança pré-candidatura

mês de prisão. Entre elas, o cerceamento do direito à defesa, o vazamento ilegal de materiais sigilosos bem como de interceptações telefônicas do réu com seus advogados. O governo brasileiro terá seis meses para apresentar uma defesa ao órgão multilateral.

Divulgação

O deputado estadual Adalclever Lopes (MDB), presidente da Assembleia de Minas, oficializou nesta semana sua pré-candidatura ao governo do estado. “A decisão do presidente da ALMG de se lançar candidato torna mais evidente que o governador Pimentel precisa se apoiar em uma frente democrática, popular e antineoliberal se quiser ganhar as eleições deste ano. Minas Gerais tem importância decisiva na resistência ao golpe em âmbito nacional, sobretudo se o governador apostar mais decididamente no diálogo com os movimentos populares e com a sociedade”, afirmou Frederico Santana, da Frente Brasil Popular em Minas, sobre o rompimento do MDB com a aliança com o governador de Minas.

O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), após visita a Lula na segunda-feira (21), levou à militância o convite de Lula para que, no próximo dia 27 de maio, participe dos lançamentos de sua pré-candidatura em atos políticos por todo o Brasil, para deixar claro que Lula é o candidato do PT à presidência da República. “Não importa se com 10, 500 ou milhares de pessoas, mas é importante que cada cidade onde tenha diretório do PT faça esse lançamento no próximo domingo. O presidente quer que se faça justiça e que o Judiciário brasileiro declare sua inocência, porque até hoje, aqueles que o condenaram não conseguiram provar qualquer ato ilícito praticado pelo presidente Lula. E a sua indignação é também pelo fato de que eles foram muito rápidos em condenar, enquanto os recursos que o presidente interpôs não andam”.

13 anos depois, Azeredo é preso

Reprodução

Eduardo Azeredo (PSDB) começa a cumprir pena pelo mensalão tucano. O ex-governador se entregou à polícia civil no último dia 23 e está preso em uma cela especial na sede do 1° Batalhão do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. Azeredo já havia sido condenado em 2° instância, desde setembro de 2017, a 20 anos de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. O ex-governador decidiu se entregar após ter seu recurso negado por todos os cinco desembargadores da 5°Câmara Criminal. Após 13 anos desde o escândalo do mensalão tucano, Azeredo é o único político a ser preso pelo crime.


12 12

MUNDO

Belo Horizonte, 25 a 29 de maio 2018

Maduro vence na Venezuela e recebe apoio de China, Rússia e Cuba ELEIÇÕES Nicolas Maduro ganha eleição com 68% dos votos, 47 pontos à frente do segundo colocado Revanchismo Apesar da vitória massiva, a eleição venezuelana não foi aceita pelo governo Trump e o Grupo de Lima, articulação de países americanos dirigidos pelos Estados Unidos para tentar desestabilizar a Venezuela. Na segunda-feira (21), Donald Trump assinou novas sanções econômicas contra o país. A diplomata russa Maria Zakharova denunciou a decisão como injusta e contrária à Carta da Organização das Nações Unidas (ONU). “Com o suposto propósito

Da redação

E

mbora o voto na Venezuela seja facultativo, 8,6 milhões de pessoas compareceram às urnas em 20 de maio. Nicolas Maduro (PSUV) foi reeleito com 68% dos votos válidos (mais de 5,8 milhões de votos), 47 pontos percentuais à frente do segundo colocado, o militar Henri Falcón (Avanzada Progresista). Com isso, conquistou vantagem recorde na história das eleições venezuelanas. A reeleição foi reconhecida por países como Rússia, uma das maiores forças militares do mundo, Cuba, maior aliada do governo bolivariano no continente, e China, principal potência econômica da atualidade. “A posição da China é de não interferir nos assuntos internos dos países. As partes interessadas devem respeitar a decisão do povo venezuelano”, declarou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Lu Kang. O governo russo expe-

diu um comunicado saudando a reeleição e ressaltando a “colaboração estratégica” que tem tido com o país. Já o ex-presidente cubano Raúl Castro enviou uma carta a Maduro em nome do Partido Comunista de Cuba. “Estimado Nicolas, com orgulho revolucionário, te envio as mais calorosas felicitações por tua

transcendental vitória eleitoral”, disse Raúl. O líder bolivariano também recebeu congratulações dos governos da Bolívia, El Salvador, Nicarágua, Irã, Turquia e Síria, entre outros, além do secretário geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohammed Barkindo.

Maduro recebeu congratulações de Bolívia, El Salvador, Nicarágua, Irã, Turquia e Síria de castigar determinados políticos, o pacote de medidas adotado aponta para o bloqueio de canais e fontes de financiamento externo da Venezuela, provocando, com isso, uma piora da situação”, ressaltou Zakharova. O governo venezuelano irá realizar auditoria em 100% dos votos, bem acima da auditoria tradicional, que é de 54%. “O povo da Venezuela se pronunciou. Pedimos aos atores políticos nacionais e internacionais que respeitem o resultado “, declarou a presidenta do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena.

Quem paga a gasolina mais barata do mundo é o povo da Venezuela

De acordo com ranking da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a Venezuela tem a gasolina mais barata entre os 20 maiores produtores de petróleo no planeta. O Brasil tem a segunda gasolina mais cara, perdendo apenas para a Noruega. O ranking toma como referência o preço do litro do combustível na bomba, em dólares. Na Venezuela, o consumidor paga, em média, 0,001 centavo de dólar, ao passo que os brasileiros, na última aferição, pagavam 1,34 dólar pelo litro na bomba. Desde então, o preço no Brasil não parou de aumentar, por força da nova política de preços adotada pelo governo golpista de Temer (MDB). O ranking completo está disponível na página da OPEP: opec.org.


Belo Horizonte, 25 a 29 de maio 2018

13 VARIEDADES 13

www.malvados.com.br

Dicas Mastigadas BISCOITO QUEBRA QUEBRA Reprodução

PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

www.coquetel.com.br Cava e champanhe É provada pelo álibi (Dir.) Cárceres (p. ext.)

© Revistas COQUETEL

Fazer-se ouvir a grande distância O popular "mão-aberta"

Apêndice de roteadores de wi-fi

Escritor português de "Amor de Perdição" Pseudofruto típico do Nordeste (BR)

Ingredientes

Braço, em inglês

Eu, (?) e ele: nós Costela, em inglês

Arma de combate Novo Testamento a pé (Exército) (abrev.) Rival do CRB (fut.) (?) Porã, município do MS Antibiótico anterior à penicilina

Substância de cremes de barbear Condição da pessoa que parece "barata tonta" (fig.)

INH

TUQU 500 g de açúcar refinado 3 ovos 250 ml de leite 1 colher de sopa rasa de sal 2 colheres de sopa rasa de fermento químico 500 g de farinha de trigo sem fermento 1 kg de maisena

Capital do Sudão do Sul Juntei

Edmund Halley, astrônomo inglês

Relativo ao acordo jurídico

Extensão do arquivo do Word (Inform.)

Crime comum na internet Defende a liberdade da imprensa (BR)

Escolhidos por votação Dinâmica adotada em mesas redondas

Modo de fazer "Vilã" de filmes de espionagem (sigla)

Argola de corrente Achava graça

TA DA RECEI A

Papel de quitação Sal, em inglês

1. Coloque em uma vasilha: açúcar, margarina, ovos, fermento, sal e bata tudo até o açúcar dissolver. 2. Acrescente o leite, a farinha e em seguida ponha maisena até

2, em romanos Causa sofrimento a

Gás do atentado em Tóquio, em 1995

dar ponto de enrolar. Se a massa ficar mole, mais maisena poderá ser adicionada.

Tabulador (?), leitor de cartão perfurado

Kim Jong(?), exlíder nortecoreano

Dona Maria (?): a Louca (Hist.)

3. Enrole os modelos como quiser e asse em forno bem quente.

Oscar Niemeyer, arquiteto brasileiro

Receita da época antiga guardada pelas mestras do quilombo 2/il. 3/arm — rib. 4/juba — salt. 5/sulfa. 6/antros.

48

Solução

Chacrinha, de Belo Vale (MG). A arte de fazer biscoitos começou com Almerinda Dias da Cunha, que era responsável pela lida

P S U M A N A T E E S E

S

V I A N H C O C S

A N O T R E N T A I O N L FA E N T R A I A R I T A

E C E N C O S A A B U J R A T U N N J U R T A I D E B T O L R E C S I I A N T A L O T I S T

C I A R M I A L D OC I A S A TE B L I BO R D A O N I CO

BANCO

com o fogão em todas as festas. “– Ao biscoitão, Sô João!’’ era a senha que fazia as crianças correrem! Essa receita é parte do livro “Sabores do Quilombo – Quitandas das Minas Gerais”. Acesse completo em goo.gl/BxKfJn.


14 CULTURA 14

Belo Horizonte, 25 a 29 de maio 2018

Eventos incentivam contato e aprendizado da medicina popular HISTÓRIA Ideia é fortalecer técnicas milenares de cura e estimular população a fazer uso de ensinamentos tradicionais Divulgação Divulgação

Raíssa Lopes

A

medicina popular é uma prática muito antiga, que nasceu antes mesmo do Brasil ser chamado de Brasil. Apesar dos desafios impostos pela tecnologia desenfreada, a atividade segue pelos cantos do país. Prova disso é que, nos próximos dias, acontecem três eventos em Belo Horizonte e região metropolitana que resgatam os saberes tradicionais e os seus benefícios para a saúde do corpo e da mente. Ancestralidade e natureza Um deles é o Lapinha Museu Vivo, de 1 a 3 de junho, na cidade de Lagoa Santa. Lá, a população vai acessar as medicinas tradicionais orientais, passes energéticos da umbanda e do candomblé, chás medicinais, meditações e ensinamentos sobre a importância da respiração no processo da cura. “Fortalecer a medicina popular é uma atitude política importante nesse mo-

Segunda PRETA

mento. É uma forma de enfrentamento à política de saúde do país, que envolve os grandes laboratórios, a corrupção médica e a saúde como projeto de lucro. Além disso, é uma maneira de garantir formas de cura e autocura para a população”, declara Mestre João, criador da Associação Cultural Eu Sou Angoleiro, uma das organizações que constroem o evento. Passagem de conhecimento nas mãos da juventude O 3º Acampamento Estadual do Levante Popular da Juventude começa no dia 31

Divulgação

Vem chegando a 5ª temporada da segundaPRETA, evento com uma série de espetáculos do teatro negro e de resistência. Será de 28 de maio a 2 de julho, sempre às segundas-feiras, às 20h, no Teatro Espanca (rua Aarão Reis, 542, Centro da capital). Os ingressos estão a preços promocionais, R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia. Quem mora além dos limites da Avenida do Contorno tem direito a meia-entrada.

de maio e vai até 3 de junho, em Ibirité, com jovens de todo o estado. No local, o setor de saúde vai promover contato com chás, práticas das benzedeiras, parteiras e as mais diversas terapias corporais. Nathália Ramos, enfermeira e militante do movimento, explica que um dos objetivos é incentivar que os jovens aumentem o contato com práticas de saúde, além de preservar a cultura do Brasil. “Precisamos explicar que aquele chá que nossa vó oferece é tão bom quanto um comprimido, e que esse conhecimento das curandeiras está se perdendo”, salienta a jovem.

Espetáculo Túnyé Abará

Comida boa e saúde: tudo a ver De 31 de maio a 3 de junho vai rolar em Belo Horizonte o IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), que discute a agroecologia, agricultura familiar, segurança alimentar e nutricional. A expectativa é que participem do evento 2 mil pessoas. Com toda essa energia, não poderiam faltar debates sobre a medicina popular, as sementes, a questão da água e as alternativas contra o uso de agrotóxicos e transgênicos. “Tudo isso se relaciona, não se separa”, destaca uma das construtoras do espaço de saúde, Laura Cardoso, que é bióloga e participa de diversas organizações que desenvolvem a agroecologia em Minas Gerais. Na abertura do ENA, um grupo de benzedeiras realiza a benzeção de todo o evento. Nos demais dias, além da troca de saberes, serão ofertados serviços das raizeiras e práticas que tratam o corpo e a mente, como a acupuntura e o reiki. “Nós trabalha-

Divulgação

O espetáculo de dança, música e teatro “Túnyé Abará – Estou vivo novamente, bate palmas” será apresentado no Teatro Municipal de Uberlândia, no dia 30 de maio, em duas seções, às 16h e às 20h. A duração do espetáculo é de 50 minutos. O valor do ingresso é R$10,00 e também pode ser adquirido com a doação de 1 quilo de alimento não perecível. Vendas: 99102-5653

mos com uma saúde integral. A agroecologia não é só um modo de produção, ela pressupõe a saúde das pessoas, do ambiente, uma interação mais saudável com a natureza”, relata Laura. A medicina popular também é tema de debate no dia 1 de junho, no qual os participantes falarão sobre as conquistas, experiências e desafios do setor.

Participe! Lapinha Museu Vivo O evento terá discussões importantes como a resistência das mulheres negras, oficinas de Capoeira Angola, Tambor de Crioula e muito mais. Para se inscrever, acesse: www.facebook.com/ lapinhamuseuvivo Acampa do Levante O tema deste ano é “Juventude mineira no batuque do povo: defender a democracia, construir um Brasil novo”. Para se inscrever, acesse: www. facebook.com/levantemg ENA O lema é “Agroecologia e democracia unindo o campo e a cidade”. Os participantes também debaterão a reforma agrária, economia feminista, entre outros assuntos. Para se inscrever, acesse: www.facebook.com/articulacaonacionaldeagroecologia


Belo Horizonte, 25 a 29 de maio 2018

na geral

Brasil conquista três pódios na paracanoagem Divulgação CBCa

ESPORTE

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Curta e Grossa

Os gritos que a torcida não ouve

Fernando Frazão / Agência Brasil

Na infância, a campeã olímpica Simone Biles sofreu abuso sexual do médico Larry Nassar

A equipe brasileira encerrou sua participação na primeira etapa da Copa do Mundo de Canoagem, na Hungria, com três pódios. O carioca Caio Ribeiro de Carvalho ficou em quinto lugar no caiaque KL3 (para atletas que usam braços, tronco e pernas na remada). O piauiense Luis Carlos Cardoso foi vice-campeão do caiaque na classe KL1 (para atletas com funções muito limitadas no tronco e pernas). No último dia da competição, Luis Carlos também ganhou a prata na canoa, no VL2 masculino.

Time de Israel puxa o saco de Trump Um dos principais clubes de futebol de Israel, o Beitar Jerusalém, agora passa a se chamar Beitar Trump. A mudança de nome é uma homenagem ao presidente dos Estados Unidos, o maior aliado do governo israelense. Não por acaso, o novo nome foi comunicado na véspera da transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém, quando as tropas de Israel assassinaram 60 palestinos e deixaram mais de 2700 feridos, entre crianças, adultos e idosos.

Steindy

Jordânia Souza Que lembranças você tem da infância? É a escola? Os amigos? As brincadeiras de rua? Lembrar desses momentos é algo especial, mas não para todos! Muitas crianças e adolescentes já conviveram com um problema que apaga qualquer memória feliz : o abuso e a exploração sexual. No dia 18 de maio, aconteceu a Campanha de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data traz um alerta preocupante para o Brasil. Segundo o balanço de denúncias do Disque 100, mais de 175 mil casos de exploração sexual de crianças e adolescentes foram relatados entre 2012 a 2016. Isso representa quatro casos por hora. Qualquer lugar pode ser propício para esse crime. Na maioria das vezes, o pedófilo é alguém conhecido. O esporte é apenas mais um espaço onde vemos novas denúncias. No caso mais recente ocorreu, o ex-técnico da seleção brasileira de ginástica artística, Fernando de Carvalho, foi acusado de molestar mais de 40 crianças entre 1999 e 2016. Antes disso, em 2008, a nadadora Joana Maranhão também denunciou abusos cometidos por seu então treinador, quando ela tinha apenas 9 anos. Uma dor que, segundo a atleta, jamais é esquecida. Os casos se repetem no Brasil e outros países. Nos EUA, o médico Larry Nassar foi condenado a 175 anos de prisão por molestar ginastas da seleção estadunidense, entre elas, as campeãs olímpicas Simone Biles e Gabby Douglas. Perante tantos casos cruéis, fica a pergunta: o que sobra dos sonhos de alguém que sofre uma violência desse tipo? Onde está a sensibilidade das pessoas de enxergarem esses crimes acontecendo? O silêncio é o que nos torna mais impotentes. No esporte, os abusos normalmente acontecem nas dependências dos locais de treinamento. Ninguém vê? Ninguém ouve? Ninguém tem nada a dizer? É importante que todos estejam mobilizados contra os abusos que crianças e adolescentes sofrem diariamente. As entidades desportivas, sejam clubes, comitês ou comissões técnicas, devem prevenir e adotar medidas que combatam esses crimes. Além de alegrias e vitórias, o esporte deveria ser um grande incentivador de bons exemplos. Que as famílias estejam mais próximas de suas crianças e adolescentes. Sempre! Muitas vezes, eles não gritam, mas as atitudes, comportamentos e medos falam por si sós. Cabe a nós saber ouvir essas vozes.


16

Belo Horizonte, 25 a 29 de maio 2018

Sérvia convoca seleção em posto de gasolina

ESPORTES

16

DECLARAÇÃO DA SEMANA Divulgação

ekoserbia

dversária da Seleção Brasileira no Grupo E da Copa, a Sérvia convocou seus atleA tas em um posto de gasolina. O anúncio foi feito pelo técnico Mladen Krstajica na quinta (24). O episódio foi interpretado por alguns como uma chacota com o Brasil, que enfrenta uma grave crise de combustíveis, causada pela política de preços do governo golpista de Temer (MDB). Segundo a federação de futebol do país, a escolha do local se deve a um dos patrocinadores, a rede de postos de gasolina Eko Serbia AD. Essa empresa é subsidiária do Hellenic Group, empresa estatal grega que está sendo privatizada, assim como a Petrobras.

“Tá chegando a Copa e eu não vejo ninguém com a camisa do Brasil, porque essa camisa virou sinônimo de golpista” João Gordo, apresentador e integrante da banda Ratos de Porão, na Virada Cultural em São Paulo.

Gol de placa Diego “de la gente” Maradona é a figura esportiva mais democrática e popular de nossa época. Nesta semana, manifestou apoio à reeleição de Nicolás Maduro e defendeu Lula. “Eu escolho a democracia. Eu sempre escolhi o lado de quem tem dificuldade de colocar comida no prato”, disse.

Gol contra Nem os recursos à Fifa nem o apelo dos capitães de França, Austrália e Dinamarca (rivais do Peru no grupo C do Mundial) adiantaram: Paolo Guerrero ficará fora da Copa, já que o Tribunal Arbitral do Esporte estendeu sua punição por um doping que até a Fifa admite que não existiu.

Decacampeão

É Galo doido

La Bestia Negra

Bráulio Siffert

Rogério Hilário

Giovanna Fantoni

Apesar da eliminação, o América mostrou contra o Palmeiras que pode fazer frente a qualquer time do país. Mesmo com orçamento 90% superior, o time paulista, considerado o melhor elenco do Brasil, não foi superior ao América em nenhum dos dois Decacampeão jogos: o número de finalizações foi semelhante, os resultados foram definidos por detalhes e ninguém dominou o jogo. O América parece estar, enfim, conseguindo manter sua organização e padronização tática, mesmo diante de adversários badalados, o que possibilita que as falhas de execução sejam superadas e que os atletas passem a acreditar na potencialidade do time. O desafio agora é evitar o desgaste, rodando o elenco sem perder a padronização.

O Atlético é um desafio constante para qualquer comentarista, seja ele pragmático, pessimista ou torcedor fanático. As avaliações oscilam, assim como o time. Em duas semanas, é eliminado de duas competições, vence um clássico e assume É Galo doido! a liderança do Brasileiro. Daqui pra frente, são cinco jogos em casa antes do recesso da Copa do Mundo – apenas enfrenta o Sport, no Recife. E faltarão sete rodadas para o final do primeiro turno. É pegar ou largar e, se possível, abrir vantagem. Num torneio tão longo, com transferências, contusões e declínio técnico de alguns jogadores, prognósticos são precipitados. O objetivo é manter o desempenho. Mas só se vive um dia de cada vez.

Anúncio Pausa na Libertadores. Terminada a fase de grupos, só joga as oitavas de final em agosto. Missão cumprida, com a liderança do grupo 5 para quem soube crescer na hora certa. Copa do Brasil, só em julho. É hora de mudar o foco para o Brasileirão. O La Bestia Negra maior de Minas está na 13ª colocação, com 7 pontos em seis jogos disputados. Porém, o campeonato está embolado e muita água vai rolar. Antes do recesso para a Copa da Rússia, encaramos o Santos (fora), Palmeiras (casa), Ceará (fora), Vasco (casa), Chapecoense (fora) e Paraná (fora). Vale a pena dar o sangue pra garantir aquela gordurinha, pois, quando o campeonato retornar, vamos ter uma maratona pesada de jogos nas três competições.


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Edição 235 do Brasil de Fato MG by Brasil de Fato MG - Issuu