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IIIII EDITORIAL Chegamos a mais uma edição da Revista Bocada Forte, para apresentar mais um dos elementos da Cultura Hip-Hop, dessa vez a Dança. Com várias vertentes e estilos diversos, a Dança de Rua é uma das expressões mais admiradas dentro da Cultura Hip-Hop ao lado do Graffiti. Seus movimentos coreografados ou improvisados são uma mistura de genialidade, elasticidade e criatividade. Dentro do Hip-Hop o estilo mais popular é o dançado pelos B.boys, que no Brasil usaram durante muito tempo a Estação do metrô São Bento, em São Paulo, como ponto de encontro. A Estação São Bento ficou imortalizada na história do Hip-Hop Brasileiro como o local onde a Cultura Hip-Hop nasceu. Claro que em várias outras cidades do país e até em outros locais dentro de São Paulo, na mesma época e até anos antes da São Bento, a Cultura Hip-Hop vinha sendo desenvolvida, mas São Paulo, pela grande cidade que é, fez com que o metrô São Bento, localizado no centro da cidade, tivesse esse status na história. Esta edição vai tratar de uma Equipe de Dançarinos de Rua, uma Crew de B.boys, criada por dançarinos que fizeram parte da última geração de B.boys da Estação São Bento. A Cultura de Rua, o Hip-Hop Original, ainda existe e se depender deles, nunca vai morrer. Seja bem-vindo a história da Street Breakers Crew!
EXPEDIENTE Apoio: Secretaria do Estado da Cultura
A Revista Bocada Forte é uma publicação da Associação de Promoção Humana SERUMANO CNPJ 05.446.423/0001-53 Diretores André Cesário Fábio Pereira Textos Gil e Janaina FOTOS Rogério Fernandes Mariana Dias Lost Art Arquivos SB Diagramação Luiz S. 5.000 Exemplares, conforme convenio nº 2008CV00009 UGE – 120101
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INTRODUÇÃO
Pois é, mas porque existe tanta discussão em torno de definições? É aí que está a grande força dos B.boys, que pra grande maioria são vistos como os maiores defensores da preservação da raiz da Cultura de Rua. Eles são “os linha de frente”, não aceitam o Rap sem compromisso com os princípios da Cultura Hip-Hop, fazem questão de mostrar que o Rap é apenas um dos elementos dessa Cultura e se dependesse deles muitos rappers sequer fariam parte dela, não chegariam nem a ser considerados MCs. O Hip-Hop é levado a sério pelos B.boys, eles pesquisam os estilos de dança que se tornaram parte da Cultura, assim como os estilos musicais utilizados por cada dançarino. Valorizam e respeitam os DJs, o Graffiti está nas camisetas, nos tênis, nas jaquetas e nos bonés, são verdadeiros guardiões da Cultura Hip-Hop. Você pode ter certeza, que onde houver um B.boy sempre haverá HipHop. Se existem as exceções? Claro que sim! Mas não sobrevivem dentro da regra, são derrubadas dentro das rodas, fora delas criam o seu “mundinho paralelo”, um “Hip-Hop genérico”, sem vibração e sem nenhuma intensidade. Movimentos fora de ritmo, descompassados, muitas acrobacias e pouca dança. Apresentações que enganam e confundem os leigos, mas não sobrevivem dentro do Hip-Hop Original.
O Hip-Hop é levado a sério pelos B.boys...
Break Boy, garoto que dança no “break” ou na “quebrada” da batida, seus movimentos são encaixados na “batida quebrada” (Break beat). Breaking, como muitos preferem denominar a dança que no Brasil, no início dos anos 80, era chamada de “dança do robô” (Popping). Se até hoje em dia existem distorções e muitas discussões em torno da Dança de Rua e todas as suas variações, imagina como era a quase 30 anos atrás, quando os estilos ainda estavam se definindo e se espalhando pelo mundo? Breaking, Break Dance, Dança do Robô, chegaram até a dizer que Michael Jackson criou um dos movimentos!
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APRESENTAÇÃO Em qualquer meio que você esteja envolvido, a sua história e a competência é o que conta para obter credibilidade e sucesso. No Hip-Hop são poucas as pessoas, grupos ou empresas que conseguiram manter durante 20 anos um trabalho de sucesso. Entre os que estão a duas décadas desenvolvendo um trabalho de sucesso, ligado à Cultura Hip-Hop, são poucos os nomes que podemos destacar. Claro que nenhum deles faz sucesso há 20 anos, mas foi quase a quantidade de tempo necessária para se estabelecerem e firmarem seus nomes, cada um no seu segmento. Na Dança de Rua, mais especificamente no Breaking, o reconhecimento é mais difícil, pois a dança em geral encontra dificuldades em nosso país. Mesmo assim a competência é notada, quebra barreiras e vai além das fronteiras tupiniquins. A Street Breakers crew de dançarinos de São Paulo, que tem como integrantes mais antigos Bispo e Mr-Fe - é um exemplo de profissionalismo. Além de ser um sucesso como Equipe de Dança, os dois também realizam eventos, já tiveram uma revista e para isso criaram a Spray Studio - empresa criada para canalizar o lado comercial da dupla. A Street Breakers chega aos 20 anos com muita bagagem e experiência. Mesmo que Bispo e Mr-Fe sejam também os responsáveis pela Spray Studio, preferem deixar bem claro que a Crew é uma coisa e a empresa é outra. A Spray Studio é responsável pela produção das festas, eventos e produtos relacionados, por exemplo: Hip-Hop em Festa, C.In.B, Master Crews, a produção da eliminatória América Latina do Red Bull BC One 2007, e por último a “Tenda B.Boys” do GAS - Guaraná Antarctica Street - Festival. São eventos nacionais e internacionais, feitos por iniciativa própria ou através de grandes empresas como Red Bull e AmBev reunindo artistas e público de diversas partes do Brasil e do mundo.
Entre os que estão a duas décadas desenvolvendo um trabalho de sucesso, ligado à Cultura Hip-Hop, são poucos os nomes que podemos destacar.
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O lado ruim de ambos fazerem parte da SB e da Spray Studio, é que a Crew não pode participar da maioria dos eventos produzidos por eles mesmos, uma pena, algo que eles mesmos lamentam. Mas a satisfação não chega a ser menor por conta disso, afinal ser responsável por um dos eventos de dança mais importantes do país, o Master Crews, sendo referência pra outros países da América Latina, não é pra qualquer um. O sucesso do evento pode ser conferido nos DVD triplos que eles lançaram em 2006 e 2007. Com um projeto gráfico jamais visto no Hip-Hop, o DVD traz na íntegra a Batalha de 2006 vencida pela DF Zulu Breakers de Brasília. Já o DVD de 2007 trouxe toda energia de sua maior edição na tradicional “Casa de Portugal” em São Paulo, vencida pela Stil Contact Break de Curitba. Aqui vocês vão poder conferir um pouco da história dessa Crew e de todos os seus integrantes, que se confunde com a história do Hip-Hop brasileiro no início dos anos 90.
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HISTÓRIA Em 1987, um jovem de apenas 14 anos teve, em suas palavras, “o entendimento mínimo suficiente para definir o que estava fazendo e que dança era”. Irmão caçula, copiava todo tipo de informação de dança que via, trechos de videoclipes, filmes, mas tudo de forma desordenada e misturada. Enquanto não tinha esse entendimento mínimo, copiava os irmãos e seus amigos dançando Funk. E foi com a dança o seu primeiro contato com o Hip-Hop, através de videoclipes, como os do grupo Chic e da música Buffalo Galls, de Malcom McLaren. Com o filme Beat Street conheceu o conceito geral de Cultura Hip-Hop e todos os seus elementos, DJs, MCs, Breaking (B.Boys/B.Girling) e Graffiti. O filme foi visto e revisto por ele, tanto no cinema quanto no vídeo cassete. Estudando em uma escola técnica, conheceu Ricardo (Fukão). Os dois se aproximaram e fizeram amizade bem rápido, pois entre tantas coisas que tinham em comum, estavam a dança e a Cultura Hip-Hop. O Fukão era do bairro Santa Isabel, bairro vizinho a Vila Carrão, ambos na zona leste de São Paulo, onde treinava a lendária Crazy Crew - que seria uma das grandes influências de evolução na história desses futuros dançarinos. Do amigo Fukão, recebeu o convite para conhecer e talvez fazer parte do grupo que ele e um pessoal dos bairros citados estavam montando. No momento do convite, uma frase marcou aquele jovem, quem disse ele não lembra – “Antes de sermos um grupo de Breaking devemos ser grandes amigos, como uma família mesmo...”. Wellington, Wantuir, Sandro, Jardel, Fukão, Neguinho (Edsom) e o jovem personagem principal dessa história, José Bispo de Assis, hoje conhecido apenas como , eram esses os integrantes da primeira formação da Street Breakers Crew, em meados de 1989.
Bispo SB
Dessa formação, Bispo é o único remanescente, atualmente com 35 anos tem uma empresa de produções, a Spray Studio, que trabalha com eventos e produções digitais. Paralelamente é Arte-educador, dançarino, coreógrafo, palestrante e pesquisador de culturas urbanas prestando assessoria para mídia e empresas.
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Parecia um momento iluminado, véspera de natal de 1991, sentado na porta de casa na Vila Carrão (zona leste – SP), estava chato ficar esperando até meia-noite pra comer aquelas coisas gostosas que minha mãe e meu pai tinham preparado, até que um amigo tão entediado quanto eu passou na porta de casa e falou: “cara vamos descer lá na porta de um caixa eletrônico do banco Itaú que tem uns caras ali que dançam um Break”. Falei “nosssssaaa, agora!”. Eu já era encantado pelo Breaking, mas nunca tinha visto ninguém ao vivo dançar, está estampado em minhas memórias claramente, inclusive detalhes como, as roupas dos caras quando cheguei na porta do banco, que tinha um chão liso de mármore. Fiquei lá por horas observando e curioso para saber o que tinha de profundo naquela cultura aonde eles eram diferentes, se vestiam diferente, música, a dança em si e amor pela coisa, pois para estar lá na véspera de feriado a noite é porque realmente aquilo era importante! Aquele natal passei no quintal com esse meu amigo e mais uns maloqueiros tentando fazer o Giro de mão, de costas e minha mãe reclamando “vem comer Fernando”, até esqueci a comida! (risos) Esse é depoimento do segundo integrante mais antigo da Street Breakers, Fernando . Naquele natal de 1991, com apenas 13 anos, Moratore, conhecido como começou o seu contato com a Crew. Ficou sabendo o dia e horário em que os treinos aconteciam e comparecia só pra observar, até que um dia o Ricardo (Fukão) perguntou:
Mr-Fe
- E ai moleque, você faz alguma coisa? - Até tento algumas coisas. - Faz ai então! O garoto foi pra roda, tentou alguns movimentos e o Bispo aconselhou “ então cara faz assim que é melhor”. Daí em diante não faltava em mais nenhum treino, mas apenas 2 anos depois foi chamado para fazer parte da Street Breakers. Atualmente, com 30 anos, é sócio de Bispo na Spray Studio e também presta serviço para algumas empresas importantes como Artista gráfico / animador , profissão que começou a desenvolver através do Graffiti.
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Dos membros atuais da Crew, a terceira mais antiga é a B.Girl , irmã de Mr-Fe, condição que tornou natural a sua entrada na Crew, por volta de 96 ou 97. Desde pequena era levada aos treinos pelo irmão, depois de alguns anos entrou para Crew, mas nessa época ambos não estavam morando em São Paulo, a família havia mudado para o sul do país. O convite, uma camiseta grafitada por um membro da Crew, foi entregue pelo irmão no retorno de uma viagem a São Paulo. Pelo fato do seu primeiro contato ter sido muito cedo, com 6 ou 7 anos de idade, suas lembranças não são precisas em relação a datas.
A-Ní
A-Ní credita a formação de sua personalidade ao Hip-Hop. Formada em publicidade ela atualmente trabalha como designer para as marcas de roupa Cavalera e V.Rom. A influência do Graffiti em sua vida, assim como na do irmão, foi fundamental para a escolha da profissão.
Um dos membros mais recentes, tem 23 anos e foi aluno de Bispo SB em uma de suas oficinas na instituição CEDECA MPT, na zona leste de São Paulo, também seu primeiro contato com Breaking. começou a dançar exatamente em 25 de março de 2000. Antes disso ele treinava power moves e acrobacias. Atualmente trabalha na área de 3D, animação e edição de vídeo.
Sutra
Sua entrada no grupo se deu em 2003, mas não foi algo pensado. Anos antes começou a freqüentar os treinos, sair para eventos, grafitar com a SB, ou seja fazer parte da rotina do grupo. O gosto pelas mesmas coisas, dentre elas a cultura Hip-Hop e artes gráficas foi determinante, para se ter uma idéia pedalava uma hora para chegar ao treino por não ter dinheiro para o ônibus.
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O último a fazer parte desta família é o B.Boy , 21 anos. Ele começou a dançar no dia 22 de setembro de 1999 às 19:30hs, no salão paroquial de uma igreja e durante anos acompanhou seu tio Guetto Style (Old School), que ia dançar nas festas que a Spray Studio fazia vindo de São José dos Campos, ele é o mais novo membro da Crew e faz por merecer vestir a camisa da SB.
Puber
Seus treinos em SJC eram feitos em um tapete e papelão emendado com fita silver tape, no meio da rua, e na época era deslumbrado com as acrobacias, mesmo assim aprendeu primeiramente Top Rocks, FootWorks e Freezes. O Back Spin (giro de costas) logo depois se tornou uma paixão a ponto de sua mãe costurar uma telinha de feira nas costas de sua blusa, e ia para todos os bailes com ela. Hoje trabalha com aulas de dança e yoga, além de se dedicar à produção musical de mixtapes.
A-Ní credita a formação de sua personalidade ao Hip-Hop.
Street Breakers
não é uma Equipe de Dança qualquer, Deu pra perceber que a é uma família ou até mesmo uma “instituição”, indiretamente um trabalho social, que transformou esses jovens em grandes e bem sucedidos profissionais em suas áreas. Por onde eles passam e com quem eles trabalham deixam plantadas as sementes do profissionalismo, da amizade, da união e da Cultura Hip-Hop. Carregam consigo os princípios básicos dessa cultura – Paz, Amor, União e Diversão. São respeitados e reconhecidos como legítimos representantes da Cultura Hip-Hop no Brasil, quem não conhecia agora fica conhecendo e sabendo que onde estiver a Street Breakers ou um de seus membros, a Cultura Hip-Hop estará bem representada.
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ENTREVISTA BF: Falando um pouco dos trabalhos que já desenvolveram e também nos que ainda desenvolvem, porque o CinB (Campeonato individual Brasileiro de Breaking) não acontece mais? sB: Tivemos naqueles anos (2001 a 2003) um parceiro que era o SESC, que após o grandioso sucesso do CINB (media de 3.000 pessoas) não acompanhou o crescimento do evento com relação a investimentos, pois não queríamos manter o evento no mesmo padrão. Ainda não tínhamos palestrantes estrangeiros, cachês mais justos, exposições de Graffiti, entre outros planos que queríamos transformar no CINB. Congelamos a idéia, mas com certeza retomaremos negociações. BF: Vocês também faziam um evento chamado Hip-Hop em Festa e a revista sB. os eventos de dança vocês continuam fazendo, mas com outro nome e a revista, o que aconteceu? sB: Esse evento acompanhou os lançamentos da revista SB em vários estados brasileiros durante anos. Quanto à Revista SB, como todos sabem foi a primeira publicação para a Cultura Hip-Hop Original e conseqüentemente não tinha nenhum apoio financeiro substancial, somente pagava a publicação da revista juntamente com as vendas, mas mídia impressa no Brasil custa muito caro e como foi nosso primeiro projeto para com a Cultura Hip-Hop, não sabíamos até onde a revista iria chegar depois. Começou como um simples Fanzine e terminou em uma tiragem de 8000 unidades. Quando paramos para analisar percebemos que a revista consumia grande parte de nossas vidas e não nos trazia um subsídio mínimo para vivermos daquilo. Era realmente a vontade de passar a informação adiante que nos manteve anos fazendo ela e naquela época havia um grande buraco na informação dentro do meio Hip-Hop nacional, não sabíamos o que acontecia nem no estado vizinho muito menos no mundo. Nunca tivemos prejuízo, mas vivíamos para fazer a revista, sempre tirando fotos, fazendo entrevistas, preparando matérias, diagramando, e fazendo contatos nacionais e internacionais, pois fazer de qualquer jeito é fácil, mas do jeito que queríamos o material, era realmente desgastante. Foi ótimo fazer a SB, muitos amigos tanto no Brasil quanto fora. Outro projeto futuro é o lançamento em vídeo da Revista SB (SB Vídeo Magazine), mas não colocamos prazo ainda, pois é um projeto de muita responsabilidade.
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BF: todos na Crew são apenas B.boys ou dançam outros estilos? SB: Como já citado dançamos também, Popping, Locking e Rocking/Up Rock, além do Bispo mandar bem num sambinha (risos). Estudamos outras danças como Afro, Salsa ou artes marciais, yoga, Kung-Fu, Capoeira, umas mais profundamente que outras para podermos expandir nossa mente e nossos movimentos, além de cuidar bem do próprio corpo, pois tivemos de criar exercícios específicos para nossa dança. A própria criação das danças ligadas à Cultura Hip-Hop passou por este processo de interação. BF: Nesses 20 anos, muita gente deve ter passado pela Crew de vocês, mas e vocês já fizeram parte de outras crews? sB: A maioria dos membros que passaram pela SB sempre fizeram parte de uma única Crew: a SB! Bispo, A-Ní e Mr-Fe nasceram, criaram-se e educaram-se somente com a SB, Sutra já foi da Instinct Force Crew (grupo que fundou com outros alunos de oficinas do Bispo) e Puber da Foot Work Frenetics e Aliados Force Crew juntamente com seu tio. BF: Como surgiu o contato pra que vocês produzissem a eliminatória latina do red Bull BC one? sB: Difícil falar o que motivou a Red Bull a nos convidar (Spray Studio Produções) para produzir o Red Bull BC One 2007 América Latina, mas creio que seja nosso histórico positivo e crescente em realizações na Cultura Hip-Hop e culturas urbanas em geral. Na final mundial que aconteceu em 2006, a Red Bull ainda desconhecia nosso trabalho, em dezembro de 2006 assistiram o Master Crews e em março de 2007 entraram em contato conosco pra realizar a eliminatória nesse novo formato mundial do BC One, o que só foi fechado em abril.
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BF: Vocês foram os responsáveis pela escolha dos jurados? Quais critérios foram usados? sB: Fomos responsáveis pela escolha dos jurados, mas sempre em consenso com o departamento de cultura da Red Bull, houve um bate-bola com eles na escolha de pessoas para compor a equipe de artistas do evento. No BC One a pessoa responsável pelo molde do evento a nível mundial é o Thomas (idealizador também do Batlle of the Year) e tudo passa por ele através da Red Bull, não tivemos um contato direto. No caso dos jurados escolhemos pessoas com excelente currículo, conhecimento técnico da dança Breaking e histórico de realizações dentro do cenário desta dança e da Cultura Hip-Hop. BF: o que acharam dos representantes brasileiros, era o que esperavam? sB: Pensamos que a dança Breaking em nosso país está num crescimento intenso e constante, todos os B.boys nacionais tinham muito o que mostrar e mostraram, basta ver as eliminatórias de outras regiões do mundo. Era o que esperávamos sim, mas acho que podemos obter mais de nossos B.boys/B.girls. Na verdade para cada pessoa que perguntar conseguirá obter nomes completamente diferentes e de igual qualidade, o motivo para isso é que existem excelentes dançarinos com ou sem fama pelo Brasil. Sabemos disso pela pesquisa que fizemos junto a expoentes e conhecedores da dança Breaking pelo Brasil. Somente 11 pessoas para representar a nossa dança aqui é muito pouco, há Crews inteiras dançando muito bem, pessoas desconhecidas destruindo por ai! Não foi possível fazer uma eliminatória brasileira antes, mas acredito que muitas possibilidades de participação foram abertas e muitas possibilidades virão no futuro. Acreditamos que aquele que se dedicar sem esmorecer, cedo ou tarde alcançará seus objetivos. BF: Vocês já conheciam os representantes estrangeiros, algum deles surpreendeu? sB: Sim já conhecíamos todos eles, alguns pessoalmente e outros por vídeos, mas com relação à escolha dos estrangeiros não cuidamos dessa parte, o responsável pela escolhas deles foi o Thomas, gerente mundial do BC One. Com certeza tivemos dois destaques entre os estrangeiros, um foi o El Gato (Acme Crew - México) e outro foi Enano (Speedy Angels - Venezuela).
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BF: entrar no gas Festival 2008 foi difícil? sB: Na verdade foi uma questão de termos um projeto pronto para uma necessidade específica da empresa. Sabíamos por contatos nossos que eles estariam fazendo uma Tenda de B.Boys mas não tinham atrações para todo o horário dela, a oportunidade estava aí. O segundo passo foi conseguir os contatos e bem próximo do evento conseguimos aprovar um orçamento. Aí o de sempre, contatar os grupos certos, fazer contratos e autorizações. Como a estrutura já estava previamente definida o mais difícil foi nos adequarmos ao projeto deles, com muito suor e contando com o profissionalismo e competência de artistas e equipe de produção o evento saiu muito agradável e os resultados puderam ser vistos no evento e nos meios de comunicação. Back Spin Crew foi a dupla vencedora da competição de duplas, TJ da Crew Sampa Master foi o campeão de um desafio individual e os DJ Brown foi destaque nos toca-discos do evento. BF: mr-Fe fez uma viagem internacional pela europa em novembro de 2008. Fale sobre a viagem: sB: O principal interesse desse role pela Europa fugir dos eventos POP´s de B.Boys que aconteciam pelo mundo e que sempre se vê a mesma coisa, gente dançando, pintando e tocando por fama e duram no máximo alguns anos e param, sempre acreditei que não são esses que compõem a verdadeira cultura real e geralmente eles chegam fazem uma baita arruaça e vão embora deixando a sujeira pra quem é real limpar. Em segundo lugar fui para conhecer pessoas que fazem as coisas acontecer, que tem a mesma ideologia ou semelhante a nossa, essa longa mini turnê durou exatamente 14 dias de muito frioooooo. Fui inicialmente a um evento que eu e minha Crew já gostávamos de assistir em DVD o Circle Kingz (Suiça), pois reunia os “não estrelas” e até então nenhum brasileiro tinha ido até lá, mesmo porque não faz o perfil de 90% dos B.Boys brasileiros que vão pra fora do país, pois o evento é de criação e personalidade na dança e geralmente reúne Crews de verdade, tinha gente de toda parte do mundo representando sua Crew e seu estilo particular de dançar, aconteceram Before Parties, After parties e inúmeras festas de Funky, Rap, logo na seqüência depois de conhecer inúmeras pessoas do mundo todo e ter a oportunidade de dançar com eles fui para Londres aonde fui recebido por um amigo, o DJ D.Vyzor, que foi uma dos primeiros DJs das festas que fazíamos nos lançamentos da Revista SB e fizemos o rolê mais underground nos dois sentidos (Metrô e o Desconhecido), festa de Funky que os DJs tocavam somente de vinil 7 polegadas, nessa festa por exemplo fui recebido na roda com dedos na cara e tive o prazer de batalhar com
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BF: o que vc´s estão preparando pra comemorar os 20 anos de sB CreW e outros eventos ? sB: Um monte de anos né?!Nós costumamos dizer que não somos uma Crew Old School e sim Actual School. Estamos competindo, realizando, treinando, festejando, pintando. Temos o mesmo sentimento e a energia de uma Crew que acabou de se formar , mas com a experiência de muitos anos. Quanto a uma festa especial estamos correndo atrás de local, apoios e possíveis patrocínios. Este ano está repleto de compromissos, em 2008 entre vários projetos organizamos a “Tenda de B.Boys” do GAS Festival. Temos conversas adiantadas com poder publico e iniciativas privadas para outros eventos, ou seja, 2009 “promete”. BF: É possível viver da Dança de rua no Brasil, sem perder a essência, como? sB: Viver de dança de rua no Brasil é possível sim, mas é necessária uma articulação enorme. Pois os exemplos que temos são poucos e são de profissionais que vendem seus shows, dão aulas, fazem palestras e realizam produções do gênero. Ou seja, vivem de dança, mas fazendo várias áreas dentro da dança. Dentro da SB quem “vive” de dança é o Bispo, sempre com muitos contatos e oferecendo seu trabalho a secretarias e instituições. Fora temos o Frank Ejara, Discípulos do Ritmo, Back Spin, entre outros. Com relação à essência podemos notar que quem vem por modismo ou ganância não dura muito tempo, logo corre para outras “tendências”, não condenamos, mas alguém tem que ficar para man-
“Nós costumamos dizer não somos uma Crew Old school e sim Actual School.”
um dos B.Boys mais antigos da Europa, o Perves (40) que deixa qualquer moleque de 15 anos pra trás de olhos fechados e com os membros da 7$ UK, por ironia do destino, pois tinha acabado de sair da casa dos membros da 7$ da suíça (risos).
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ter vivo o Original. Frase do Bispo: “-Prefiro ser alguém no Hip-Hop, que é minha ideologia, do que ser mais um em qualquer modismo por aí. Quem quer agradar a todos desagrada a si mesmo”. BF: espaço aberto para contatos, agradecimentos e considerações finais. sB: Tenha orgulho de sua Crew e faça ela crescer. Quem é “menos” hoje, com treino, trabalho e dedicação se torna “mais”. Um dia fomos um grão de areia comparado às outras crews, estamos evoluindo desde então, quem pula de galho em galho um dia não terá nenhuma árvore para voltar. Uma crew é uma família e o ponto de união da Cultura Hip-Hop, onde seus integrantes se ajudam e crescem juntos. Melhor é aquele que continua, não pára e é fiel a seus ideais, é fácil falar e dar discurso, quero ver botar em prática. Especificamente na dança: não copiem, criem. Sabemos que criar é difícil, por isso mesmo os melhores são os que criam. Não busque necessariamente o mais difícil e sim o mais surpreendente, não percamos tempo criticando o que é ruim, é bem melhor enaltecer o que é bom. Batemos palmas para quem é bom, mesmo em rachas, mesmo se não nos damos bem, sejamos honestos com nossa dança e nossa cultura. Acreditamos que quem insiste no que é certo um dia colhe frutos. Hip-Hop não é partido político, mas é nossa política sermos positivos. Para finalizar acreditamos na educação pelo exemplo, que se é pra mudar, mudemos a nós mesmos primeiro e depois quem está ao lado, se todos fizerem isso já será uma grande mudança. Cultura Hip-Hop, Luz a todos!
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ÚLTIMOS TÍTULOS E EVENTOS IMPORTANTES: - 1º lugar eliminatórias “Duelo de Titãs” (individual) 2009. - Grupo convidado para integrar o projeto de shows e entrevistas com os principais destaques nacionais; “Hot Moves”, idealizado pelo dançarino alemão Niels Robitzky e realizado no CCSP (Centro Cultural São Paulo) por Frank Ejara, 27/05/2008. - 3º lugar no GAS Festival Breaking (duplas) 2008. - 1º lugar no campeonato individual em São José dos campos – 2007. - Prêmio melhor b.boy do evento nacional de duplas King of the Circle 2007. - 1º lugar no campeonato nacional de quintetos (Crews) “Arena Underground 2007”. - 1º lugar no campeoanto B.Boys Stace 2007 edição especial. - 1º lugar no campeonato de Crews “B. Boy Stance 2006”. - 1º lugar no campeonato “B. Boy Stance 2007” edição especial. - 2º e 3º lugar no campeonato “3X3 2005” em Brasília - DF.
PRODUÇÕES: - Produção da “Tenda B.Boys” evento Guaraná Antárctica Street (GAS) Festival 2008/SP. - Assessoria artística e Produção da eliminatória América do Sul do evento internacional Red Bull BC One 2007. - Produção da “Mostra de Culturas Urbanas - Virada Cultural” no Teatro de Dança, Secretaria de Cultura do Estado de SP, dia 05 de junho de 2007. - Produção do evento “Centro, Cidade, Periferia” no Teatro de Dança, Secretaria de Cultura do Estado, dias 25/26/27 e 28 de janeiro de 2007. - Produção do módulo de cultura de rua do “Dia do Desafio - 2005”, realizado pelo SESC Central - SP. - Idealização e Produção da “Revista SB” a primeira revista sul-americana especializada na cultura Hip-Hop, até 2001. - Realizador do “Master Crews”, a maior competição Latino Americana de equipes de Breaking de 2002 a 2008. - Realizador do “C.IN.B Brasil” (primeira competição nacional de Breaking) realizada anualmente até 2001. Links relacionados: myspace.com/bboymrfe | mastercrews.com.br | http://sbcrew.fotoblog.uol.com.br