Distribuição gratuita
IIIII EDITORIAL Sejam bem vindos a Revista Bocada Forte, aqui vocês vão conferir edições especiais com personalidades da Cultura Hip-Hop (B.boys, DJs, MCs e Grafiteiros). A intenção desse Projeto é mostrar tanto para leigos no assunto quanto para admiradores, um pouco da Cultura Hip-Hop e cada um dos seus elementos. Essa Cultura que surgiu no Bronx, em Nova Iorque (EUA), no início dos anos 70 e até hoje é motivo de pesquisa. Com essa Revista pretendemos, além de falar de um artista em especial a cada edição, contar um pouco da história dessa Cultura de Rua. Como ela surgiu, seus princípios, ideologia, as diferenças e semelhanças entre o Hip-Hop brasileiro e o dos Estados Unidos e muito mais. Nessa edição vocês vão saber tudo sobre um rapper com uma carreira um tanto curiosa e muito interessante. Seu nome é Pablo, Professor Pablo. E o interessante é que o “professor” antes do seu nome não é um apelido, ele é professor de química! A história de Pablo é a de um guerreiro, que driblou todas as adversidades e mostrou para a família, amigos, parentes, vizinhos e agora para o público e seus alunos, que um negro morador de um dos bairros mais violentos do mundo, o Capão Redondo (zona sul de São Paulo), pode vencer na vida através do estudo.
O Rap é a sua ferramenta, seu meio de comunicação, é por onde ele transmite a sua mensagem de paz, auto-estima e fala das suas experiências com muita positividade. Com dois discos lançados, Pablo se tornou referência para muitos jovens da periferia, ganhou respeito de grandes nomes do Rap e registrou seu nome na história desse gênero musical no Brasil. Nas próximas páginas, você vai conhecer tudo sobre o Professor. Boa aula!
EXPEDIENTE A Revista Bocada Forte é uma publicação da Associação de Promoção Humana SERUMANO CNPJ 05.446.423/0001-53
Apoio: Secretaria do Estado da Cultura
DIRETORES André Cesário Fábio Pereira TEXTOS Gil e Janaina FOTOS Arquivos do Prof. Pablo DIAGRAMAÇÃO Luiz S. 5.000 Exemplares, conforme convenio nº 2008CV00009 UGE – 120101
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A HISTÓRIA DE PABLO O Hip-Hop chegou ao Brasil no início dos anos 80 e aqui encontrou terreno fértil, se alastrou pelas periferias, foi marginalizado e mesmo assim o seu crescimento foi inevitável. Através dele surgiram não apenas grandes artistas, mas pequenos empresários, meios de comunicação, selos, produtoras e gravadoras independentes... Enfim, os mais diversos profissionais, todos se dedicando ao crescimento da Cultura de Rua. A construção do Hip-Hop brasileiro continua e se contarmos a partir do momento em que os artistas do Hip-Hop começaram a se profissionalizar, ele ainda nem saiu da adolescência por aqui. Portanto, ainda está construindo a sua identidade, se definindo e aprendendo a cada dia, com a preocupação de crescer sem perder a raiz. Em meio a tudo isso e no decorrer da construção dessa identidade vão surgindo novos “operários”, a grande maioria com o mesmo perfil, a mesma origem e história de vida muito igual. Quem vê a Cultura de longe, cria estereótipos e regras, mas não conta com as exceções. Uma delas é Pablo Soares Damaceno. Ele é negro nasceu na periferia de São Paulo, filho de um eletricista e uma empregada doméstica, é professor de Química formado pela Universidade Mackenzie, especializado em Psicopedagogia e é engajado em vários projetos sociais, além de ser um rapper e responder pelo nome de Professor Pablo - na história do Rap existem muitos “professores” (KRS One “The Teacher”, Professor Griff, Large Professor, etc.), mas todos eles usam esse termo como apelido e no caso de Pablo é diferente.
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o6 Jovem, nascido e criado no bairro do Capão Redondo, seguramente considerado um dos mais violentos do Brasil, nasceu Pablo Soares Damaceno, que hoje carrega o termo “Professor”, que não se trata apenas de um apelido, mas também de uma profissão, uma vez que Pablo, ao contrário da maioria dos brasileiros nascidos nas mesmas condições conseguiu cursar uma universidade e passou a exercer a função de professor de química, função que infelizmente o diferenciava dentro do seu universo, o que lhe causava uma forte indignação. Por causa disso Professor Pablo resolveu através da música e de projetos sociais romper barreiras e levar informação, diversão e auto-estima para outros jovens nascidos nos guetos brasileiros. Surge assim o rapper Professor Pablo, talvez o representante mais positivo da música brasileira. Sendo assim, com esse propósito de trabalho, lançou em 2002 seu disco de estréia “Estratégia”, que lhe rendeu indicações para o premio Hutuz por dois anos consecutivos, tendo no ano de 2003 realizado sua apresentação no palco principal do evento, juntamente com grandes estrelas do Rap nacional, como: Racionais, MV Bill, RZO, 509-E e também com a maior referência mundial do Rap de contestação e protesto, o Public Enemy. Seu primeiro disco foi lançado pelo Selo 7 Taças, de propriedade do Pregador Luo (Apoclipse 16), o que acabou fazendo com que o público rotulasse a música de Pablo como “Rap Gospel”, já que a 7 Taças e o grupo Apocalipse 16, com quem Pablo fazia a maioria dos shows, eram todos evangélicos. O disco foi sem dúvida um dos melhores daquele ano, com muitas participações e letras carregadas de mensagens positivas, valorizando o lado bom das periferias, com a intenção de elevar a autoestima de quem escutasse as músicas. O título do disco é também o nome do primeiro grupo do rapper, que antes de estrear seu trabalho solo havia participado da música “Contos da sul” do segundo disco do Apocalipse 16 (2º Vinda a Cura), ao lado da rapper Tina e de Pregador Luo. Seu primeiro trabalho solo serviu também de base para lançar Lito Atalaia, grande parceiro do Professor, que a partir da sua participação em “Estratégia” despontou no cenário nacional como uma grande revelação.
Surge assim o rapper Professor Pablo, talvez o representante mais positivo da música brasileira.
o7 | bocadaforte.com.br As participações no disco foram as mais variadas possíveis, entre elas: DJs Marco, Ajamu e Roger (Potencial 3), Akil (seu parceiro no grupo Estratégia), Slirimografia, Kamau, Sagat, Lito, Raiz Coral, Ferréz, sua mãe Dona Celina e até um de seus alunos, King (Duplo Impacto). Com o disco na rua, os próximos passos foram shows, palestras, debates, a gravação do vídeo da música “De coração” sob a direção de Jeferson De e um grande reconhecimento do público, artistas e da mídia especializada. Com toda essa bagagem adquirida, 5 anos depois ele sai do estúdio com um projeto inovador, ousado e muito original. Começa a era “Blequisploiteixion” revisitada ou resgatada pelo Professor em uma versão tupiniquim. O título faz referência ao movimento que foi a revolução do homem negro dos Estados Unidos nas grandes telas, com filmes onde eles eram os atores principais. O movimento chamado de “Blaxploitation” começou no início dos anos 70 e o rapper adaptou à nossa gramática. Assim como o movimento cinematográfico, Pablo, desde o seu primeiro disco, procura mostrar o negro no papel principal e sem estereótipos. Dessa vez ele direcionou toda a força do seu “Blequisploiteixion” para a música, a arte visual, a dança e a criatividade. Falando em música, o Professor nos ensina que é possível “abraçar” causas importantes, como a luta por auto-estima dos negros e contra o racismo, sem precisar de cara feia e nem rimar palavrões com ofensas pessoais e expressões que demonstram um racismo ao contrário. Suas letras são verdadeiras lições, assim acumula novas matrículas em sua escola, onde ninguém quer matar aula. Nesse último trabalho, o destaque vai para as participações. Na produção, ninguém menos que Lua Lafaiette, produtor muito conhecido na música em geral e no samba por seus trabalhos com Fundo de Quintal, Só Pra Contrariar, Netinho de Paula, Alcione e Almir Guineto - com esse último fez o disco “Todos os pagodes de Almir Guineto”, que considera o melhor de seus trabalhos. Ainda fez um disco de Jamelão, trabalho que lhe rendeu o Prêmio Tim de Música, concorrendo com Fábio Jr. e Roberto Carlos, isso aos 30 anos.
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PRINCIPAIS REALIZAÇÕES - Artista convidado a tocar no “Hutuz Hip-Hop Festival”, evento que contou com a participação de Public Enemy, referência no Hip-Hop mundial (Nov.2003); - Indicado ao prêmio Hutuz na categoria “Personalidade do Ano” (set./003); - Considerado Super-Professor pela revista Mestre (ago./003); - Indicado ao prêmio Hutuz, com o álbum “Estratégia” pela (Nov./2002); - Lançamento do seu disco de estréia “Estratégia” (Maio/2002) - Participante do programa “Domínio Público” da TV Record discutindo o tema “Negro em ascensão social” (Jan./2002); - Palestrante convidado na 2ª Semana da Consciência Negra promovida pela FATEC (Faculdade de Tecnologia). (Nov./2001); - Palestrante convidado na 1ª Semana da Consciência Negra promovida pela Universidade Mackenzie (Nov./2001); - Convidado do Programa R.G. da TV Cultura de SP debatendo o tema “A Abolição da Escravatura” (Maio/2001); - Convidado do Programa R.G. da TV Cultura de SP debatendo o tema “O racismo no Brasil” (Nov./2000); - Coordenador geral do Projeto “Recriar o Futuro”, realizado na antiga FEBEM. Projeto que visou levar atividades culturais para os internos (Fev./2000/2001) - Entrevistado nas “Páginas Negras” da revista Trip Nº 66, sobre o título “Professor Pablo, o filósofo dos manos” (Nov./1998); - Entrevistado do Programa “O Positivo (O+)” da TV Bandeirantes (Out/1998); - Convidado do programa “Barraco MTV” debatendo o tema “Playboy ou mano” (Set. 1998). De julho a novembro de 2007, o 2º disco de Pablo foi destaque em muitos meios de comunicação espalhados pelo país:
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NA IMPRENSA Novembro - Revista Atrevida. Outubro - Site Showlivre e jornal O Diário de São Paulo. Setembro – Revista Raça Brasil, revista MTV, site AllTV (entrevista ao vivo), site Rap Nacional (duas entrevistas), site do jornal O Estado de Minas (entrevista), site MusicNews, site Gafieiras, jornal Correio do Povo (RS), jornal Correio da Bahia, site Sucesso, jornal Diário do Grande ABC (SP), revista Carta Capital e site Canal Pop. Agosto – Jornal O Imparcial (Presidente Prudente-SP), jornal O Tempo (MG) e jornal O Expresso Popular (Santos-SP), jornal Folha da Região (Araçatuba-SP), jornal O Liberal (Americana-SP), jornal Vale Paraibano (São José dos Campos – SP), jornal A Notícia (Joinville-SC), site Revista Raiz, jornal Agora (SP), site Canal Pop, site Music News, site Kamymusic e Revista Flash News. Julho – Site Ondequando.com.
NA INTERNET Vídeo da música “De coração” http://br.youtube.com/watch?v=AWHq2JlA15w Site - http://www.profpablo.com My Space - www.myspace.com/professorpablo Comunidade no Orkut - http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=1472193 ity.aspx?cmm=1472193
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ENTREVISTA POR: FERRÉZ Ferréz: Como o Prof. Pablo consegui produzir o novo disco com tanta qualidade e num estilo muito diferente do primeiro, teve alguma referência? Prof. Pablo: Na verdade houve muito trabalho, o disco é fruto de muito trabalho ele foi realmente esculpido, tudo foi muito pensando, as letras que em minha opinião sempre foram à parte mais importante do rap (pelo menos do rap brasileiro) estavam sendo deixadas de lado nesse momento que o rap ficou mais dançante, as pessoas começaram a se preocupar mais com esse detalhe e deixaram as letras de lado, eu não queria que isso acontecesse, eu enxergava esse disco como uma obra que tinha que sair perfeita em todos os seus aspectos, e a letra sempre foi o ponto de maior identificação pra mim (eu comecei me dedicando a parte de palestras e projetos sociais) por isso eu pensei muito pra fazer essas letras o processo de criação de um disco conceitual como esse é muito complicado e eu não podia perder boas musicas com letras que não tivessem o mesmo nível. E enxergo cada musica no rap como um único tiro onde você tem que passar diversão, reflexão e informação no mesmo momento, e para garantir tudo isso contei com a ajuda de um dos maiores produtores da musica brasileira o Lua Lafaiette (Fundo de Quintal, Alcione, Negritude Jr., Jamelão entre outros) que foi o responsável pela parte musical do disco, onde pesquisamos juntamente com o DJ Lycius tudo que existia na moderna musica negra mundial escutamos tudo rap americano, rap brasileiro, samba, salsa, musica cubana, raggae, reggaton, abrimos a mente pra chegar ao nosso conceito de fazer musica.
“no sentido de acreditar num sonho e fazer acontecer uma vez que viver de musica no Brasil é muito complicado”
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Ferréz: O que mudou no rapper e no homem Pablo desde o lançamento do Estratégia, seu primeiro disco solo? Prof. Pablo: Na verdade após meu primeiro disco começou a aflorar um desejo de mudança, tudo começou como um sonho e depois foi se tornando uma grande realidade, extremamente gratificante, desde o lançamento do meu primeiro disco eu sabia que o meu segundo tinha que ser muito diferente, eu comecei a visualizar um disco muito mais elaborado e muito mais profissional, que marcasse as pessoas tanto pelo conteúdo que já era uma preocupação minha no primeiro trabalho como pela parte artística da coisa, e foi com essa proposta que cheguei até o Lua Lafaiette e ele aceitou prontamente participar do projeto, foi à fase de maior aprendizado que eu tive na minha carreira artística trabalhei com pessoas extremamente competentes e qualificadas o que mudou completamente minha percepção em relação a musica, sem contar as lições de vida que aprendi com essas pessoas, no sentido de acreditar num sonho e fazer acontecer uma vez que viver de musica no Brasil é muito complicado viver e ser reconhecido por isso muito mais e essas pessoas principalmente o Lua me mostraram que tudo isso é possível mais sempre de uma maneira muito simples e humilde, isso influenciou muito não só rapper como o homem hoje eu me sinto muito mais maduro e muito mais preparado pra enfrentar os obstáculos que temos pela frente tanto na vida particular quanto na vida profissional. Ferréz: No principio com a faixa “Vai ficar Pequeno” passando por “Brilho da Noite” e chegando em “O dia vem”, num tem sequer uma palavra negativa, como você conseguiu esse feito? Prof. Pablo: Compromisso acho que essa é a palavra, compromisso com os negros, com os pobres, com os nordestinos com todos os excluídos, essas pessoas precisam de boas referencias bons exemplos, bons conselhos e não mais de coisas negativas e destrutivas infelizmente todo mundo já sabe da exclusão dessa parcela da sociedade o que todo mundo procura e o que fazer para acabar com tudo isso e foi isso que eu levei em consideração ao escrever todas as letras ao pensar no ceito do disco levo em consideração quando vou montar um show, o meu compromisso com essas pessoas.
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Ferréz: Blequisploiteixion é uma nova referência na música, isso não tenho dúvida, mas será que é um disco além do seu tempo ou está em sintonia com o melhor da Black music mundial? Prof. Pablo:Tomara que ele seja encarado como tal um disco além do seu tempo, minha proposta foi essa mesmo, fazer um disco diferente de tudo que existe e foi feito até hoje, eu não queria rótulos ou comparações queria sim ser reconhecido como o Professor Pablo e parece que isso está acontecendo, na verdade eu espera que as pessoas tivessem mais dificuldade para assimilar esse novo disco (pensei que o processo seria mais demorado), mais até agora as pessoas estão assimilando de imediato e o disco não recebeu uma critica negativa só positiva e de pessoas especializadas, estou muito feliz com tudo isso. Ferréz: O positivismo do estilo Professor Pablo é um novo caminho para as dificuldade que o rap está vivendo? Prof. Pablo: Sim o rap passa por um momento de reorganização, uma vez que ele se perdeu em vários propósitos, várias portas se fecharam porque deixamos de lado o raciocínio e fomos afoitos nas nossas intenções, hoje o rap vai ter que ser inteligente para conseguir chegar ao lugar que já deveria estar e não está por culpa nossa, afinal de contas nos que criamos as festas com 20 grupos, onde era impossível uma organização real e decente, nos que bloqueamos o nosso próprio acesso aos meios de comunicação em massa, tem rapper que até hoje fala que internet e coisa de boy, nos que reclamamos da indústria e nossos disco independentes chegam à loja no mesmo valor dos discos das grandes gravadoras, por isso que eu acredito muito no rap e espero continuar acreditando mais enquanto nos não tivermos atitudes mais positivas para com o nosso próprio publico nunca chegaremos a nenhum lugar.
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DEPOIMENTOS DJ Cortecertu (Colunista do Bocada Forte) Rap-Funk percurssivo com discurso feito em um flow old school. Remete ao início dos anos 90, mas tem timbres atuais. Pablo tem Letras diretas que apontam um caminho para mudança em relação às questões sociais e raciais no Brasil. Lua Lafaiette (produtor musical) Não me recordo da data, me lembro apenas dos fatos. Estava gravando em um estúdio em SP e o Pablo chegou pra conversar comigo, assim meio que do nada, me falar do projeto dele, sem me conhecer, com alguma indicação, e sem muitas voltas. O Pablo é o tipo de pessoa que você conhece e dá a chave de casa, você acaba confiando nele na primeira hora. Profissionalmente, do primeiro ao último dia, ele sempre foi o mesmo, educado, organizado, disposto, humilde, responsável, paciente, talentoso, sabia exatamente do que estava falando em suas letras e no movimento musical era um militante engajado, o que me deu muita segurança. Decidimos ir aos poucos, achando o que seria o disco, tivemos ajuda do competente DJ Licius, com quem trocávamos essas impressões. Entre um trabalho e outro, em que eu estava envolvido, fazíamos o disco, acho que levamos uns dois anos para finalizar, mas acredito que foi o tempo que precisávamos para amadurecer, e no final as coisas já estavam acontecendo com mais facilidade. O Professor Pablo agora é um grande amigo e um artista que me dá real orgulho de ter podido trabalhar. Quanto ao CD, eu gostaria de me referir, a ele, em forma de sensações, tem as mesmas qualidades que o Professor Pablo, é único e verdadeiro, surpreendente e divertido.
RESENHA ESTRATÉGIA Essa resenha do disco Estratégia foi publicada no Portal Bocada Forte logo após o lançamento do disco em 2002. Naquele ano Pablo foi uma das grandes revelações do Rap brasileiro, suas idéias positivas e a boa produção do disco foram o grande diferencial para que no final do ano ele fosse indicado ao Prêmio Hutuz na categoria de “Melhor disco do ano”. Mano, esse ano vai ser embaçado escolher a revelação do Prêmio Hutuz. Jamal, Lito Atalaia, Z’África Brasil, Sabotage e agora Professor Pablo. Já na abertura Pablo mostra a que veio e intitulou a faixa de “Professor Pablo” será que ele veio ensinar alguns manos à fazer Rap? Se veio ensinar a fazer Rap não sei, mas tenho certeza que tem tudo para ensinar como se manda mensagens positivas para o povo pobre, se está interessado compre o disco e ouça a aula. Da abertura participam Lito, DJ Ajamu (Conseqüência) e DJ Marco (Posse Mente Zulu). O Professor chamou até sua mãe para participar do disco, em “Dona Celina” ela fala do orgulho que sente do filho e da infância difícil. O título desse disco leva o nome do grupo que Pablo formou junto com Akil, que participa do disco nas faixas: “De coração”, “Quem é preto” (dessa também participam DJ Marco, DJ Roger do Potencial 3, Kamau e Sagat do Conseqüência) “Tá valendo” (part. Preto R e Enéas) e “Não me entrego” (part. Pregador Luo, Mano Kaos e Júlio de Castro). A produção foi toda de Pregador Luo (Apocalipse 16), que além das já citadas, participa da faixa: “Sentença”. Em “Meu povo 1” Pablo convidou Ferréz, o autor do livro Capão Pecado. Os principais temas das letras são o racismo, auto-estima e a valorização do povo preto e pobre, fica até difícil de falar sobre o disco. Se for comentar as letras só vou falar bem, pois são uma verdadeira aula de auto-estima. O mestre resgatou o Rap consciente, que valoriza as coisas boas e só manda mensagens positivas, aquele Rap que era muito difundido no início dos anos 90. Infelizmente trabalhos como o de Pablo não são valorizados pelas rádios comerciais e conseqüentemente pelo público que é iludido por essas rádios, temos que nos contentar com as rádios na internet e as comunitárias.
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O disco tem muitas outras participações: Slim, Lito e King (Duplo Impacto, esse foi aluno do professor) na faixa “Cachorro-louco”; Binho, Egianessa, Karina, Serginho, Valdirene, Daniel, Clayton e Raiz Coral. Espero que o público se interesse e corra atrás do disco, é preciso valorizar trabalhos como esse, não estou falando bem com medo de ser reprovado é que o disco realmente é muito bom. Em breve você poderá conferir o site oficial do Professor aqui no Bocada, com letras, fotos, músicas e tudo mais. E aí teacher qual minha nota? Enquanto aguardo a nota, aí vai a sua: 10 pela responsabilidade, parabéns e boa sorte. O disco tem 14 faixas, as outras são: “Partido auto estima”, “Tentar de novo”, “Meu povo 2”, “Onde está (cadê?)” e “A esperança (se reinicia)”. Lista de músicas: 1 Porfessor Pablo 2 Dona Celina 3 De coração 4 Partido Auto Estima 5 Quem é preto 6 Meu povo 1 7 Tentar de novo 8 Tá valendo 9 Meu povo 2 10 Cachorro - Louco 11 Onde está (Cadê?) 12 Não me entrego 13 Sentença 14 A esperança (se reinicia) Resenha publicada no Portal Bocada em 10/08/2002, por Gil.
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CORAÇÃO AFRICANO Às vezes eu fico aqui só de boa observando Já que sou otário e você é o malandro Então fico na minha na moral no sapatinho No mundo de Benjor eu sou apenas Zé pretinho Mas malandro é malandro e mane é mane Eu sei muito bem qual que pum qual que é Entendo muito bem o estilo da parada A tal da liberdade na verdade é farsa Comprovado antes escravo e hoje apenas favelado A dignidade do povo deixada de lado E as oportunidades ninguém questiona Somente as fraquezas vêm à mesa vem à tona Pobreza, miséria nada disso eu explico Pobre sofredor sonhador qual o motivo Difícil é ser o poderoso sem poder No jogo dessa vida programado pra sofrer Refrão Alguns com nomes que atravessaram o milênio A maioria por aqui com os dos senhores de engenho Tradições omitidas, famílias destruídas A revolta é a obstrução de várias vidas Eu descendente de um herói africano? Ou parente de astro americano? Não... Não sou ninguém, uma história de pórem Suposição, imposição, sangue e solidão Sempre a mesma história purgatório na memória Camburão o navio negreiro atual brasileiro Refrão
A minha raça tudo que é pejorativo Da maldade da dor minha cor substantivo Esse fator acertou na auto-estima Quem sofre como sina fácil se domina Omitiram nossa historia ocultaram nossa gloria Sem semelhantes que alcançaram a vitória Ridicularizou quem tentou sobrressair Motivo de rir induzido a desistir Poucos por aqui têm dinheiro e poder Fácil corromper, fácil se vender Entre nos só conflito interno O método não é moderno o antigo deu certo Para completar vejo muita inimizade Ódio na família ataque na base Tristeza assim existe em todos os cantos Mas corre nessa veia um sangue africano