Eu soul
Música "Eu Soul", do grupo Viratrupe, retirada do vídeo "Raja Yoga em Artes" do YouTube no canal da Brahma Kumaris Brasil. Clique no ícone acima para ver o vídeo
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CARTA AO LEITOR *
Queridos leitores e leitoras, Saudações de Paz! Começamos mais um ano neste mundo hiperconectado, onde as mídias digitais e o acesso constante à informação redefinem nosso cotidiano. Se, por um lado, essas ferramentas nos aproximam, educam e oferecem suporte (como a telemedicina e aplicativos de meditação), por outro, o uso excessivo pode levar a transtornos como ansiedade, depressão e problemas de autoestima; muitas vezes, impulsionados pela comparação social e pela pressão por uma "vida perfeita" nas redes. A nomofobia (medo de ficar sem o celular ou sem conexão) é um sintoma claro desses novos tempos. Parece que a chave para navegar nesta era digital de forma saudável reside na conscientização e equilíbrio. Precisamos desenvolver uma "higiene digital" rigorosa, que inclua uma definição de limites de tempo de tela, uma seleção criteriosa do conteúdo que consumimos e a priorização de interações reais e de autocuidado. Esta edição é sobre isso. Vários professores e praticantes de meditação se dedicaram a pensar e escrever sobre algumas das várias facetas desse importante tema. Esperamos que seja útil para você. Leia, releia, aprecie, compartilhe. E tenha um ano novo repleto de bem-estar com muita saúde mental! Goreth Dunningham e equipe Om Line
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SUMÁRIO *
28. MATÉRIA DE CAPA “Meu terapeuta é um robô!” Tatiana Di Lucia
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8. OM PRIMEIRA PALAVRA
48. OM INSPIRAÇÃO
Ansiedade e o caminho da serenidade com Raja Yoga Ken O’Donnell
Saúde mental e bem-estar na era digital Brigida Froes
14. OM VIRTUDES
52. OM INTERNACIONAL
Desconectar-se em um mundo conectado Paulo Sergio Barros
Seja luz para si e para os outros
18. OM COM O MUNDO
56. OM ATITUDE
Mente saudável e bem-estar Ramon Almeida
“A gente sofre de uma epidemia de mal-estar”, afirma psicóloga Giane Gatti
24. OM JOVEM
66. OM COMIDA PURA
A arte de desconectar-se e conectar-se Augusto Zimbres
Autocuidado na era digital Ana Paula Paixão
44. OM TRANSFORMAÇÃO
68. OM ÚLTIMA PALAVRA
Quando a alma cuida da mente Patrícia Cantalino
Acalmar a mente Dadi Janki
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OM FLIX *
CONTROLE SUA MENTE, ILUMINE SUA VIDA
Vídeo da palestra de BK Shivani, uma das mais influentes oradoras motivacionais da Índia, realizada em São Paulo-SP, no Memorial da América Latina, em 16 de maio de 2025. Clique no ícone acima para ver o vídeo
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ESPAÇO DO LEITOR *
OM SHANTI!
EXPEDIENTE Editora Goreth Dunningham Design e diagramação Felipe Arcoverde Revisão Josélia Ribeiro Site Ricardo Skaf Mídias sociais Naiara Rios Colaboração Sandra Costa Ilustrações: Freepik.com
Envie para nós os seus e-mails, dúvidas e sugestões, pelo Facebook e Instagram ou e-mail: revista.omline@br.brahmakumaris.org Facebook.com/omlinebrahmakumaris Instagram.com/omlinebrahmakumaris www.brahmakumaris.org.br/revista
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OM PRIMEIRA PALAVRA * por Ken O’Donnell
ANSIEDADE E O CAMINHO DA SERENIDADE COM RAJA YOGA
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Tenho dedicado mais de 50 anos da minha vida à prática da meditação Raja Yoga. Nesse tempo, vi o mundo mudar, vi crises surgirem e desaparecerem e vi como a ansiedade se tornou uma companheira constante de tantas pessoas. Desde a pandemia, esse tema ganhou ainda mais força. Hoje, quase um em cada dez brasileiros convive com transtornos de ansiedade, e os números globais também são alarmantes. Mas, para mim, a ansiedade nunca foi apenas uma estatística. Ela é o coração acelerado antes de uma reunião, é a mente que não
descansa à noite, é o peso invisível que muitos carregam sem saber como aliviar. Eu mesmo já senti isso em diferentes momentos da vida. Lembro-me de uma época em que precisava falar para centenas de pessoas em uma conferência internacional. Meu coração disparava, minhas mãos suavam e a mente parecia não parar. Foi nesse instante que recorri ao ensinamento mais simples da Raja Yoga: “Eu não sou meus pensamentos. Eu sou um ser de paz.” Ao repetir isso internamente, consegui observar a agitação mental como quem
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OM PRIMEIRA PALAVRA * por Ken O’Donnell
observa carros passando numa rodovia. Não precisei lutar contra os pensamentos — apenas deixei que seguissem seu caminho. O cé re b ro , co m s u a re d e complexa de regiões e funções — amígdala, núcleo da estria terminal (BNST), córtex pré-frontal, hipocampo, gânglios da base e
tálamo —, funciona como uma conferência interna. Quando a ansiedade domina, é como se o alarme disparasse sem motivo, mantendo o corpo em alerta constante. Mas, quando trago a consciência da alma para o comando, essa conferência se harmoniza.
A Raja Yoga me ensinou que: • O cérebro é o computador • A mente é o programa • A alma é o programador
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“Quando coloco a alma — o ser consciente — no comando, deixo de ser refém das reações automáticas do cérebro. Passo a escolher minhas respostas, em vez de apenas reagir” Quando coloco a alma — o ser consciente — no comando, deixo de ser refém das reações automáticas do cérebro. Passo a escolher minhas respostas, em vez de apenas reagir. Quero compartilhar uma história que aconteceu em nosso centro de retiros em Serra Negra. Uma participante chegou até nós profundamente angustiada. Ela já fazia uso de ansiolíticos prescritos por seu médico, mas sentia que apenas os remédios não estavam trazendo o equilíbrio que buscava. Nos dois dias de retiro, percebia-se sua dificuldade em relaxar. O coração acelerado, os pensamentos incessantes, a sensação de estar sempre em alerta, nervos à flor da pele.
Numa conversa, ela me disse: “Sinto como se minha mente fosse uma sala cheia de crianças gritando, e eu não consigo impor ordem.” Sorri e respondi: “É exatamente aí que a Raja Yoga pode ajudar. Ela não manda as crianças embora, mas ensina você a ser o adulto presente na sala”. Ao longo de três retiros, ao se abrir para a prática da meditação, algo começou a mudar. Ela aprendeu a observar os pensamentos sem se identificar com eles, a respirar com consciência, a cultivar momentos de silêncio interior. O mais importante é que essa jornada foi feita em diálogo constante com seu médico. Com o tempo e orientação profissional, edição 33 / ano 09
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OM PRIMEIRA PALAVRA * por Ken O’Donnell
conseguiu reduzir gradualmente as doses de ansiolíticos. Não porque rejeitou a medicina, mas porque encontrou na meditação um recurso adicional para fortalecer sua mente e alma. Em outro retiro, uma jovem mãe me contou que vivia preocupada com o futuro do filho adolescente. Ela dizia: “Minha mente não descansa, mesmo quando ele está seguro em casa”. Ao praticar Raja Yoga, ela aprendeu a distinguir entre preocupação útil e preocupação excessiva. Descobriu que
podia cuidar do filho sem carregar o peso constante da ansiedade. Também me recordo de um empresário que vivia sob pressão do mercado financeiro. Ele descreveu sua mente como um gráfico em queda livre. Após algumas semanas de meditação, disse: “Agora sinto que posso olhar para o gráfico sem me perder nele. Eu observo, mas não sou o gráfico.” Essas histórias me lembram que a ansiedade não escolhe idade, profissão ou condição social. Ela pode atingir qualquer pessoa.
“A meditação Raja Yoga nos mostra que, mesmo em meio ao caos externo, podemos viver em paz. Essa paz não é apenas individual: ela se expande, inspira e contagia”
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Mas também me mostram que a serenidade é possível para todos. O que aprendi — e o que tantos participantes também descobriram — é que a ansiedade não precisa ser uma prisão. Ela pode ser um convite para despertar. A meditação Raja Yoga nos mostra que, mesmo em meio ao caos externo, podemos viver em paz. Essa paz não é apenas individual: ela se expande, inspira e contagia. Hoje, quando sinto os primeiros sinais da ansiedade — o coração acelerado, a respiração curta, a
mente inquieta —, já não me assusto. Reconheço esses sinais como mensagens internas. Em vez de lutar contra eles, observo, respiro e retorno ao estado de consciência plena. Portanto, minha mensagem é clara: a ansiedade pode ser enfrentada com coragem e consciência. A medicina nos dá suporte essencial, e a espiritualidade nos oferece asas para voar além das limitações da mente. Quando unimos os dois caminhos, encontramos uma liberdade interior que nos permite viver com serenidade. *
Ken O’Donnell é praticante de meditação Raja Yoga desde 1975. É autor de 18 livros sobre desenvolvimento pessoal e de organizações. Atua profissionalmente como consultor internacional nas áreas de planejamento e gestão. É o atual coordenador da Brahma Kumaris para a América do Sul
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OM VIRTUDES * por Paulo Sergio Barros
DESCONECTAR-SE EM UM MUNDO CONECTADO "É O MOMENTO DE LEMBRAR QUE OS PENSAMENTOS E O TEMPO SÃO TESOUROS ESPIRITUAIS – USE-OS COM SABEDORIA" [DADI JANKI]
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O que podemos fazer para equacionar a praticidade, a facilidade, a rapidez e o encantamento proporcionados pela tecnologia na era digital e a nossa saúde mental e espiritual? A resposta tem um sido um desafio para pais, educadores e profissionais da saúde mental. Segundo André Luiz M. Andrade e outros, no artigo Uso excessivo de internet e smartphone e problemas emocionais em estudantes de psicologia e psicólogos (2023), o aumento no uso das mídias digitais é um fenômeno global decorrente de novos modos de interação entre as pessoas. Fundamentados em dados da World Wide Web Foundation, eles afirmam que o Brasil é o terceiro país na quantidade de tempo gasto diariamente na internet. Além disso, o país é o segundo colocado em termos de tempo gasto por estudantes usando a internet fora do ambiente escolar (3,1 h/dia). Os autores alertam, portanto, que o uso excessivo de internet pode levar ao desenvolvimento de vários problemas de saúde, como a Dependência de Internet (DI). Saúde mental para a Organização Mundial de Saúde (OMS) é um estado de bem-estar vivido pelo indivíduo, que possibilita o desenvolvimento de suas habilidades
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OM VIRTUDES * por Paulo Sergio Barros
pessoais para responder aos desafios da vida e contribuir com a comunidade. Portanto, engloba saúde física, condições socioeconômicas, ecológicas, além de aspectos psicológicos, emocionais e espirituais. O espaço cibernético promove infinitas interações (estudo, entretenimento, trabalho etc.) que também podem afetar a saúde mental. Estudos alertam que a exposição excessiva a telas tem impactos negativos, como aumento de ansiedade e depressão, além de afetar a cognição e o sono. Em crianças, o excesso pode comprometer o desenvolvimento cognitivo e a linguagem, enquanto em adultos pode gerar paralisia decisória e comparação social prejudicial. Para reduzir esses efeitos e manter nossa saúde mental e o bem-estar, precisamos gerar um equilíbrio consciente, adotando hábitos saudáveis que garantam uma relação positiva com a tecnologia. As tecnologias digitais proporcionam muitos benefícios: conectividade, acesso à informação, comunicação rápida dentre outras vantagens. Contudo, os malefícios se destacam quando se fala de saúde mental, afetada pelo contato frequente e intenso com dispositivos eletrônicos. Eu já fui afetado (e se me descuidar voltarei a sê-lo) por algumas das ações abaixo. Talvez lhes sejam familiares. Ou identifiquem outras. Mas, antes que chegasse a um estágio extremo, procurei alternativas. 16
Exposição demasiada a telas
Ações alternativas
Contato demasiado com telas
Uso necessário, visualizar informações úteis e enaltecedoras
Fluxo constante de informações
Ser seletivo. Nem tudo é importante saber
Comparação social e visualização de "vidas perfeitas" nas redes sociais
Autoestima e satisfação com a própria vida
Isolamento social causado por excesso de interações virtuais
Usar tempo com familiares, amigos e contato com a natureza
Privação do sono por uso excessivo de dispositivos eletrônicos
Evitar usá-los uma ou duas horas antes de dormir e mantê-los afastados da cama
Evitar envolvimento com pessoas que praticam agressão virtual
Interagir com pessoas que fomentam paz, amor, inclusão
Exaustão mental com sobrecarga de informações
Selecionar a quantidade e a qualidade das informações
Pensamentos excessivos e acelerados
Evitar telas do telefone, da tevê etc. Escutar música para relaxar, caminhar entre a natureza, meditar
Creio que muito do tempo que desperdiçamos em telas advém da desatenção ao uso do tempo e, sobretudo, de como fluem os nossos pensamentos. Como adverte a yogini Dadi Janki na epígrafe, eles são tesouros que devemos usar com sabedoria. Eles são valiosos para desconectarmo-nos em um mundo conectado. *
Paulo Barros é educador, escritor e professor da Brahma Kumaris em Fortaleza-CE
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OM COM O MUNDO * por Ramon Almeida
Mente saudável e bem-estar
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O indivíduo que sabe lidar com as circunstâncias do cotidiano amplia a sensação de bem-estar apenas por observar a capacidade de preservar e ampliar habilidades que o mantém estável diante de situações favoráveis ou adversas. A integridade emocional pode definir uma mente saudável, perceptível em quem cuida de si, sabe conviver com o estresse e mantém harmonia nos vínculos sociais. Entretanto, é preciso aprofundar um pouco mais no entendimento sobre o que é bem-estar e como é possível dele se beneficiar muito além dos processos psicológicos que permitem obter, processar e usar dados e informações disponíveis ao nosso redor. ERA DIGITAL O volume de informações digitais disponíveis, a capilaridade das conexões e a enorme velocidade de processamento de dados da presente era digital transformaram radicalmente a sociedade, favorecendo a inovação tecnológica e viabilizando maior acesso, o que facilita a comunicação e o contato edição 33 / ano 09
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OM COM O MUNDO * por Ramon Almeida
direto entre pessoas, com célere transferência de conteúdos em tempo real. Por outro lado, o imediatismo artificial provocou reflexos perversos que vão desde a submissão a temáticas inverídicas e não confirmadas até a armadilha da dependência precipitada de hábitos de uso das facilidades, passando pelo afastamento do discernimento ao aceitar percepções indevidas acerca da verdade ao considerar “fato” aquilo que alguém disse e muitos apenas aceitaram sem validação. LIMITES DA EXPRESSÃO Para melhor compreender o que sustenta uma expressão física no mundo material, é importante citar, mesmo em breve síntese, que todos obtêm conhecimentos cognitivos formais ou experienciais que apoiam habilidades necessárias para processar informações a serem interpretadas, 20
conceituadas e armazenadas na memória, da qual, quando preciso, é possível recuperar dados lógicos e racionais para organizar uma forma particular de manifestação, por meio de palavras e ações. Tem base, portanto, em pensamentos oriundos da memória, inevitavelmente orientados por convicções e condicionamentos mentais prefixados que apresentam uma grande variedade de hábitos e crenças pessoais. As “verdades relativas” se sustentam nas experiências pessoais que todos possuem. Porém, por vários motivos - um deles é o conforto da familiaridade com o subconsciente -, cada um considera que os próprios referenciais (com os quais se identifica) são os mais apropriados para a conduta cotidiana, confundindo a sua real natureza com os seus traços de personalidade, e isso enaltece as ilusões do ego e reforça um senso de “ter razão” e de “ter controle”, para alcançar um aparente bem-estar.
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OM COM O MUNDO * por Ramon Almeida
AMPLIAR A CONSCIÊNCIA A consciência é o refúgio da sabedoria moral que nutre a conduta ética, representada pelas eternas virtudes essenciais da existência, tais como, pureza, paz, amor, gentileza, cooperação, simplicidade, respeito, honestidade, empatia, tolerância, compaixão etc. A consciência é encontrada na grande calma, a pacífica voz interior, a paz espiritual, o espaço de serenidade que alarga a performance do papel a desempenhar em cada cena da vida, pensando menos e melhor, vendo tudo com maior clareza e agindo com o discernimento dos princípios que sempre atuam no limite das escolhas corretas. Ser consciente é permanecer no universo interior dissolvido no amor de Deus e se expressar no mundo material apenas quando preciso, para, em seguida, retornar à grandeza da introspecção.
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VERDADEIRO BEM-ESTAR Na Consciência de Alma, ao perceber a essência espiritual que anima a existência sensorial, haverá liberação de influências externas e o verdadeiro bem-estar será encontrado num estágio mais elevado do que aquele antes projetado pelas ilusões dos condicionamentos da mente limitada. Os efêmeros sentimentos e emoções se dispersam e o efeito das ações restará ausente, numa prática de amoroso desapego e ilimitado desinteresse da conduta anterior, agora sustentada pelo exercício regular da meditação que favorece a autotransformação e o reencontro com a autossoberania, como resultado da melhor qualidade de pensamentos, sentimentos, atitudes e comportamento. Om Shanti. *
Ramon Almeida é engenheiro e voluntário do Centro de Meditação Raja Yoga Brahma Kumaris
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OM JOVEM * por Augusto Zimbres
A arte de desconectar-se e conectar-se
Para nutrir uma mente saudável, é preciso praticar a arte de desconectar-se e conectar-se. Assim como o corpo, para estar saudável, precisa receber o descanso necessário à noite ao nos desconectarmos do ir e vir físico, uma mente saudável também precisa descansar ao nos desconectarmos do ir e vir do pensamento. E, assim como não podemos esperar pelo fim de semana ou as férias para descansar o corpo, a mente também precisa de descanso diário. Mas a mente, ao contrário do corpo, não relaxa pelo simples parar de suas atividades. Para que isso aconteça, precisamos decidir reservar um tempo para o descanso dela, desconectando-nos de toda a realidade movimentada que nos desgasta e conectando-nos com a realidade tranquila para a qual ela precisa viajar para encontrar relaxamento. Muitas foram as viagens que a tecnologia já me ofereceu para ajudar a desconectar-me, buscando acessar, temporariamente, essa realidade almejada. Videogames me levaram a viagens para realidades nas quais me senti poderoso ou vitorioso. Livros me levaram a viagens para realidades nas quais me senti inteligente. Filmes me levaram a viagens nas edição 33 / ano 09
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OM JOVEM * por Augusto Zimbres
quais me senti emocionado. E, hoje, as redes sociais me oferecem viagens rumo à satisfação de “momentos perfeitos” como se eles representassem o todo da minha vida. Ao retornar de todas essas viagens, no entanto, sempre me deparo com a realidade presente, cheia de desafios reais, e me pergunto: “Foi bom enquanto durou, mas o que posso fazer agora, já que nada disso me faz passar numa prova, conseguir um trabalho ou pagar as minhas contas?” Felizmente, aprendi que existe uma viagem que me permite encontrar essa resposta, na qual posso acessar a realidade em que a mente realmente pode descansar. Essa realidade é acessível para todos nós, quer tenhamos condição financeira de acesso à tecnologia física ou não. Pois a tecnologia necessária para essa viagem é um botão simples: o da consciência de quem está guiando a minha mente. Eu abri esse botão com uma decisão tranquila de afirmação: “eu sou paz”. A partir daí, a viagem não tem limites. Nem sequer o tempo e o espaço podem me impedir de fazê-la. Posso pilotar um foguete para alcançar um mundo de paz na velocidade 26
"Eu abri esse botão com uma decisão tranquila de afirmação: eu sou paz"
do pensamento, ou mergulhar num oceano de paz, onde o profundo silêncio me envolve num relaxamento transformador. Ali, a mente não apenas descansa como também se conecta com a Fonte de energia pura, que abre o meu campo de percepção sobre o que preciso fazer para lidar positivamente com a minha realidade presente. Aperte os cintos da consciência do viajante criativo que você é, e boa viagem! *
Augusto Zimbres é apresentador do canal Inspira Saúde Plena no YouTube. Lidera o movimento jovem da Brahma Kumaris para a América Latina com muito ânimo e entusiasmo
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MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia
“MEU TERAPEUTA É UM ROBÔ!”
ENTRE MITOS E VERDADES, A REALIDADE SOBRE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA SAÚDE MENTAL
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INTRODUÇÃO – QUANDO A FICÇÃO CIENTÍFICA ENCONTRA A REALIDADE Há poucos anos, a ideia de conversar com um robô para aliviar angústias parecia saída de um roteiro de ficção científica. Hoje, entretanto, milhões de pessoas recorrem a chatbots e aplicativos de inteligência artificial (IA) para obter apoio emocional. Esta procura deixou de ser algo futurista e tornou‑se tema de políticas públicas e discussões acadêmicas. Inclusive, em setembro de 2025, participei, no CRP‑MG, de um debate sobre IA e psicologia, que abordou não só os potenciais benefícios dessa tecnologia, mas também seus limites e perigos. Complementarmente, segundo pesquisa do Datafolha em parceria com a Fundação Itaú, 45 % dos brasileiros entrevistados já usaram alguma forma de IA para lidar com questões relacionadas à saúde mental [1]. Portanto, esse número expressivo mostra que a discussão não pode ser adiada, mas também não deve se resumir a extremos como de adoração cega ou demonização irracional. Para refletir de forma ética e responsável sobre o fenômeno, proponho, a seguir, revisitar mitos e verdades, entender as motivações dos usuários e analisar tanto as promessas quanto as limitações da IA aplicada à saúde mental. Adicionalmente, esclareço que as ideias apresentadas baseiam‑se em evidências científicas recentes, na minha experiência clínica como psicóloga psicodramatista e como gestora de projetos de automações com IA. edição 33 / ano 09
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MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia
QUE IA ESTAMOS USANDO? – ENTRE AUTOMAÇÃO PROGRAMADA E IA GENERATIVA Grande parte da confusão em torno da IA decorre de tratar tecnologias distintas como se fossem iguais. Um chatbot programado é um software de respostas automáticas alimentado por um conjunto finito de perguntas e roteiros definidos por especialistas. Seus limites e possibilidades são bem conhecidos pelos criadores, e a previsibilidade o torna adequado para tarefas simples, como orientação sobre recursos de apoio, psicoeducação básica, técnicas de respiração etc. Já um modelo de IA generativa (como os sistemas baseados em redes neurais de grandes dimensões) aprende padrões a partir de enormes bases de dados e é capaz de gerar textos, imagens ou conversas que soam “criativas”. Esses modelos não “pensam” nem têm consciência; em vez disso, produzem probabilidades de palavras sequenciais com base no que foi aprendido. Embora possuam capacidade de improvisar respostas, essa improvisação também abre margem para equívocos, vieses e falta de controle. Dessa forma, na área da saúde mental, a distinção é crucial, pois confundir um aplicativo psicoeducativo com um modelo generativo pode levar aos seguintes equívocos: 1) medo e rejeição desnecessários em relação a usar um aplicativo psicoeducativo, que poderia ser extremamente útil e resolutivo; 2) usuários de um modelo generativo poderiam acreditar que estão recebendo aconselhamento profissio30
“Esses modelos não 'pensam' nem têm consciência; em vez disso, produzem probabilidades de palavras sequenciais com base no que foi aprendido” nal, de um humano, quando, na verdade, estão interagindo com algoritmos treinados para imitar linguagem humana. A fim de evitar equívocos, é preciso que haja empenho dos dois lados envolvidos na questão. Ou seja, por um lado, deve haver transparência por parte dos desenvolvedores e, por outro, alfabetização digital por parte dos usuários. MITOS E VERDADES À LUZ DA CIÊNCIA [Mito 1] “A IA substituirá completamente o psicólogo” O que dizem as evidências: revisões sistemáticas recentes mostram que terapias digitais podem reduzir sintomas depressivos e ansiosos, mas não substituem a relação humana. Uma meta‑análise de 2024 que avaliou intervenções digitais para depressão em adultos concluiu que essas ferramentas têm efeitos moderados a grandes na redução de sintomas, porém os maiores ganhos ocorrem quando combinadas à psicoterapia tradicional (modelo “blended”)[2]. Complementarmente, uma pesquisa publicada em 2025 na BMC edição 33 / ano 09
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MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia
Psychology ressalta que a IA pode auxiliar no monitoramento e fornecer recomendações de tratamento, mas “não captura plenamente a complexidade das emoções humanas” e deve ser usada como complemento à terapia presencial[3]. [Mito 2] “IA é perigosa demais para lidar com saúde mental” O que dizem as evidências: estudos controlados sugerem que chatbots podem ser seguros quando têm bases científicas e são supervisionados. A respeito disso, uma meta‑análise de 2023 sobre intervenções com agentes conversacionais identificou reduções significativas, ainda que modestas, nos sintomas de depressão e ansiedade em curto prazo[4]. Contudo, os efeitos a longo prazo ainda são pouco conhecidos, e os autores alertam que a supervisão clínica e a transparência são essenciais para mitigar riscos. Em outras palavras, a IA não é inofensiva, mas os perigos decorrem mais do uso inadequado do que da tecnologia em si. [Mito 3] “Quem recorre a IA para cuidar da saúde mental é preguiçoso ou fraco” O que dizem as evidências: levantamentos com usuários mostram que a procura pela IA está associada a barreiras reais de acesso à terapia presencial. Essa afirmação é corroborada por uma pesquisa sobre percepção pública de intervenções de saúde mental mediadas por IA que apontou como principais benefícios o acesso 24 h, a redução de 32
custos, a disponibilidade para pessoas em regiões remotas e a redução do estigma associado à busca de ajuda[5]. Adicionalmente, uma pesquisa publicada no jornal da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA) destaca que intervenções digitais podem diminuir disparidades ao aumentar o acesso, reduzir custos e mitigar a vergonha de procurar apoio, embora enfrentem desafios como barreiras tecnológicas e preocupação com a privacidade[6]. Portanto, utilizar um chatbot não é sinal de fraqueza, mas uma estratégia para contornar dificuldades de acesso, horários e preconceitos que ainda limitam a busca por tratamento convencional. POR QUE AS PESSOAS BUSCAM “TERAPEUTAS ROBÔS”? – ESCUTANDO OS USUÁRIOS Conversar com um robô sobre emoções pode parecer estranho, mas pesquisas indicam que as pessoas se sentem, em muitos casos, mais confortáveis ao desabafar com um chatbot do que em redes sociais abertas. Por conseguinte, em um estudo intercultural sobre o uso de chatbots para apoio emocional, 49,83% das conversas analisadas continham expressões de tristeza ou depressão, enquanto apenas 7,53 % dos posts em redes sociais abordavam esses sentimentos[7]. Os autores interpretam esses números como indicativo de que o anonimato e a ausência de julgamento tornam o chatbot um espaço “seguro” para vulnerabilidade [8]. edição 33 / ano 09
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MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia
Assim, o uso de IA revela uma demanda humana por acolhimento sem estigma, o que, de certa forma, hipoteticamente, poderia ser um indício de estarmos testemunhando a fragilidade dos vínculos afetivos decorrente da degradação dos laços sociais e da precariedade das relações humanas contemporâneas. Além disso, a disponibilidade 24 h/7 permite que usuários busquem suporte em momentos de crise, independentemente de fuso horário ou agenda. As interações com IA também eliminam deslocamentos e custos de sessões, fatores importantes em países com desigualdade de acesso a serviços de saúde mental[9]. Para muitas pessoas, especialmente em regiões com poucos profissionais, um aplicativo pode representar o primeiro contato com psicoeducação ou triagem para sintomas. Essa procura demonstra criatividade e resiliência diante de dificuldades, e não mera substituição de vínculos humanos. ENTRE O CONFORTO E O RISCO Apesar dos benefícios percebidos, especialistas alertam que interações com chatbots não são isentas de riscos. Entre eles, há o Dr. Joe M. Pierre – professor clínico de ciências da saúde do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da Universidade da Califórnia -, o qual chama a atenção para o fato de que modelos de linguagem são treinados para agradar e reforçar o que o interlocutor deseja ouvir e, conse34
quentemente, isso poderia criar um ciclo de confirmação de crenças e dependência emocional. Em entrevista reproduzida em portais especializados, Dr. Pierre observa que os chatbots “tentam te agradar… dizem o que você quer ouvir” e que há risco de os usuários passarem a confiar mais no elogio irreal de uma máquina do que em relações humanas [10]. Ele alerta para casos em que pessoas vulneráveis desenvolveram delírios alimentados por respostas algorítmicas e ressalta a importância de supervisão profissional. Complementarmente, a respeito do uso supervisionado de inteligência artificial como terapeuta, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM)[11] desenvolveu um projeto de pesquisa criando sistema denominado PsiVirtual, que, na verdade, é uma IA terapeuta treinada na abordagem cognitivo-comportamental, com a qual usuários podem se consultar e ser acompanhados em um processo terapêutico breve. A interação entre usuário e IA é supervisionada por psicólogos habilitados, de forma a garantir a segurança do processo. O objetivo do projeto é investigar tanto a eficácia como a aceitação de um terapeuta artificial, assinalando a possibilidade de grande inovação na forma de se conduzir um tratamento de saúde mental. Anteriormente à experiência brasileira, outro projeto já ensaiava uma relação terapêutica mediada por automação, porém com uma proposta diferente. Trata-se do Media Lab desenvolvido pelo MIT, em 2014. O Media Lab é um edição 33 / ano 09
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MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia
“Essa abordagem mostra que a tecnologia pode auxiliar na detecção precoce e no acompanhamento, mas ela se insere como apoio integrado a uma rede de cuidado, não como substituição das interações humanas” aplicativo que utiliza dados de smartphones como “diário automatizado”. Essa ferramenta monitora padrões de deslocamento, ligações e mensagens e emite alertas a pacientes e profissionais quando detecta desvios que podem indicar sintomas depressivos ou maníacos [12]. Essa abordagem mostra que a tecnologia pode auxiliar na detecção precoce e no acompanhamento, mas ela se insere como apoio integrado a uma rede de cuidado, não como substituição das interações humanas. VANTAGENS E DESVANTAGENS – UMA ANÁLISE EQUILIBRADA Reconhecendo que a IA é uma ferramenta e não uma entidade autônoma, apresento a seguir uma síntese dos pontos positivos e negativos do seu uso em saúde mental. 36
[Vantagens] 1. Acesso democratizado – Chatbots e aplicativos permitem que pessoas em áreas remotas ou com poucos recursos re‑ cebam informações e suporte inicial. Pesquisas mostram que soluções digitais ajudam a contornar barreiras de custo, transporte e disponibilidade[5][9]. 2. Disponibilidade contínua – Diferente de consultas presenciais, chatbots podem atender 24 horas por dia, sete dias por sema‑ na, proporcionando suporte imediato em momentos de crise. 3. Redução de sintomas leves a moderados – Meta‑análises mostram que intervenções digitais e agentes conversacionais reduzem sintomas depressivos e ansiosos de baixa intensida‑ de [4]. Programas híbridos (“blended”) tendem a alcançar me‑ lhores resultados[2]. 4. Triagem e monitoramento – Ferramentas digitais podem funcio‑ nar como triagem, auxiliando na detecção precoce e no encami‑ nhamento para serviços apropriados. O uso de diários automati‑ zados, como o desenvolvido pelo MIT, exemplifica o potencial da tecnologia para monitorar a evolução de sintomas[12]. 5. Complemento ao tratamento tradicional – Em conjunto com a terapia presencial, a IA pode reforçar práticas entre ses‑ sões, oferecer conteúdos psicoeducativos e registrar progres‑ sos, potencializando resultados. edição 33 / ano 09
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MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia
[Desvantagens] 1. Impossibilidade de diagnóstico clínico – Algoritmos não possuem capacidade para realizar diagnósticos complexos ou entender nuances do contexto individual. Isso exige cautela na interpretação de orientações automatizadas. 2. Falta de empatia genuína – Embora modelos de linguagem imitem respostas empáticas, eles não experimentam emoções e suas respostas podem carecer de sensibilidade em situações complexas. A relação terapêutica humana permanece insubstituível[3]. 3. Risco de dependência e reforço de vieses – Usuários podem desenvolver apego excessivo à IA, preferindo a validação algorítmica à interação com pessoas. Chatbots tendem a reforçar crenças existentes, o que pode aumentar vieses e fantasias[13]. 4. Privacidade e ética – O armazenamento de dados sensíveis requer protocolos rigorosos de segurança. Falhas podem expor informações íntimas. Além disso, algoritmos treinados com dados enviesados podem reproduzir discriminações. 5. Regulação incipiente – Normas técnicas ainda estão em desenvolvimento. A falta de regulamentação robusta abre espaço para soluções de baixa qualidade ou abusivas, exigindo vigilância de órgãos profissionais e de defesa do consumidor. 38
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MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia
DIRETRIZES ÉTICAS E POSIÇÃO DO CFP O Conselho Federal de Psicologia (CFP) vem acompanhando o avanço das tecnologias digitais e publicou, em 2024, a Resolução nº 09/2024 [14] sobre o uso de tecnologias da informação e comunicação na psicologia. O documento estabelece que a IA pode ser utilizada como ferramenta complementar, mas não deve substituir a relação terapêutica humana; que seus limites e objetivos precisam ser comunicados de forma transparente; que a coleta e armazenamento de dados devem respeitar a privacidade e o sigilo profissional; e que a supervisão por psicólogos qualificados é obrigatória. Portanto, o CFP não proíbe ou condena o uso de tecnologias no processo terapêutico. Todavia, essas diretrizes reforçam que a inovação pode caminhar junto à ética, desde que haja responsabilidade e centralidade na pessoa atendida. Afinal, o bem-estar psíquico e emocional, além da segurança do paciente, sempre foram e sempre serão o objetivo maior da atuação do psicólogo. CONCLUSÃO – ENTRE A CAVERNA E A LUZ Lançando mão do mito da caverna de Platão, em que fica exposta a luta entre a ignorância - o senso comum, representado pelas sombras projetadas na parede e tomadas como a realidade – e o desejo de se libertar das ilusões na busca pelo conhecimento verdadeiro, podemos dizer 40
que a IA é um paradoxo: ora representa as sombras, ora representa o caminho para a luz. Todavia, como psicoterapeuta e pesquisadora, vejo na inteligência artificial um espelho de nossas escolhas: ela amplifica valores já existentes na sociedade e suas fragilidades são, na verdade, reflexos das nossas. Desta forma, quando usada com consciência, transparência e supervisão, a IA democratiza o acesso a conteúdos de saúde mental, auxilia na triagem e amplia horizontes. Contudo, se adotada sem crítica, pode intensificar isolamento, reproduzir vieses e gerar falsas expectativas. Assim, convido o leitor a substituir a dicotomia simplista “anjo ou demônio” por uma postura informada e ética. Portanto, antes de concluir, pergunte‑se: em que contexto estou utilizando esta tecnologia? Quais são meus objetivos e limites? Quais são os limites da IA no uso para essa finalidade? Dessa forma, poderemos adotar uma abordagem que integre inovação e cuidado, reconhecendo a complexidade de ser humano bem como da IA. Só assim sairemos da caverna digital e caminharemos rumo a uma utilização inteligente, humana e compassiva da inteligência artificial. Afinal de contas, após o surgimento da IA, o mundo jamais voltará a ser o mesmo de antes! E você, quem você quer ser?
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MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia
REFERÊNCIAS [1] INSTITUTO DE PESQUISA DATAFOLHA. Consumo e uso da inteligência artificial no Brasil. Fundação Itaú, jul. 2025. Disponível em: https://s3.sa-east-1.amazonaws.com/prd.editor.fundacaoitau.org.br/public/otherfile/484/ file/440f112c519d0dda2f6721d04b190595.pdf. Acesso em: 24 out. 2025. [2] OMYLINSKA-THURSTON, J. et al. Digital psychotherapies for adults experiencing depressive symptoms: systematic review and meta-analysis. JMIR Mental Health, v. 11, n. 1, e55500, 2024. DOI: 10.2196/67439. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39348177/. Acesso em: 24 out. 2025. [3] SPYTSKA, L. The use of artificial intelligence in psychotherapy: development of intelligent therapeutic systems. BMC Psychology, v. 13, n. 1, p. 175, 28 fev. 2025. DOI: 10.1186/s40359025-02491-9. Disponível em: https://pmc. ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11871827/. Acesso em: 24 out. 2025. [4] HE, Y. et al. Conversational agent interventions for mental health problems: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Journal of Medical Internet Research, v. 25, e43862, 28 abr. 2023. DOI: 10.2196/43862. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10182468/. Acesso em: 24 out. 2025. [5] VARGHESE, M.; SHARMA, P.; PATWARDHAN, M. Public perception on artificial intelligence– driven mental health interventions: survey research. JMIR Formative Research, v. 8, e64380, 2024. DOI: 10.2196/64380. Disponível em: https://formative.jmir.org/2024/1/e64380. Acesso em: 24 out. 2025. 42
[6] TOROUS, J. et al. The evolving field of digital mental health: current evidence and implementation issues for smartphone apps, generative artificial intelligence, and virtual reality. World Psychiatry, v. 24, n. 2, p. 156-174, jun. 2025. DOI: 10.1002/wps.21299. Disponível em: https:// pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12079407/. Acesso em: 24 out. 2025. [7][8] CHIN, H. et al. The potential of chatbots for emotional support and promoting mental well-being in different cultures: mixed methods study. Journal of Medical Internet Research, v. 25, e51712, 20 out. 2023. DOI: 10.2196/51712. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/ PMC10625083/. Acesso em: 24 out. 2025. [9] STARVAGGI, I.; LORENZO-LUACES, L. Psychotherapy access barriers and interest in digital mental health interventions among adults with treatment needs: survey study. JMIR Mental Health, v. 12, e65356, 2025. DOI: 10.2196/65356. Disponível em: https://mental.jmir.org/2025/1/ e65356/. Acesso em: 24 out. 2025. [10] PIERRE, J. M. Can AI chatbots worsen psychosis and cause delusion? Psychology Today, 29 jul. 2025. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/psych-unseen/202507/ can-ai-chatbots-worsen-psychosis-and-cause-delusions. Acesso em: 26 out. 2025. [11] UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS. Chatbot terapêutico utiliza inteligência artificial para atendimento emocional e psicológico. Portal UFAM, 19 nov. 2024. Disponível em: https:// ufam.edu.br/noticias-destaque/6257-chatbot-terapeutico-utiliza-inteligencia-artificial-para-atendimento-emocional-e-psicologico.html. Acesso em: 26 out. 2025.
[12] MATHESON, R. Mental-health monitoring goes mobile. MIT News, 16 jul. 2014. Disponível em: https://news.mit.edu/2014/mental-health-monitoring-goes-mobile-0716. Acesso em: 24 out. 2025. [13] WILLIAMS, R. É fácil cair numa relação com um chat bot de IA. MIT Technology Review (Brasil), 5 out. 2025. Disponível em: https://mittechreview.com.br/relacionamentos-ia-adultos-chatbots/. Acesso em: 26 out. 2025. [14] CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 09/2024: estabelece diretrizes para o uso de Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDIC) na Psicologia. Disponível em: https://atosoficiais. com.br/cfp/resolucao-do-exerciciop ro f i s s i o n a l - n - 9 -2 0 2 4 - re g u l a m e n t a o-exercicio-profissional-da-psicologiamediado-por-tecnologias-digitais-dainformacao-e-da-comunicacao-tdics-emterritorio-nacional-e-revoga-as-resolucaocfp-no-11-de-11-de-maio-de-2018-eresolucao-cfp-no-04-de-26-de-marcode-2020. Acesso em: 24 out. 2025.
Tatiana Di Lucia (CRP 04/33151) é psicóloga, psicodramatista, consultora em saúde mental organizacional e inteligência artificial. Voluntária na ONG Brahma Kumaris
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OM TRANSFORMAÇÃO * por Patrícia Cantalino
Quando a alma cuida da mente
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Tal qual uma mãe zelosa, a era atual pede discernimento: “nem toda hora é hora de doces”. As respostas ricas e rápidas das IAs poupam tempo, trabalho, esclarecem, aprofundam, expandem, mas podem empobrecer a criatividade, manter o intelecto o músculo da alma - no torpor da inatividade... Sendo tocado pelos “desejos realizados” de outros, há “vista grossa” para os próprios desejos genuínos... Perde-se, aos poucos, a coragem e interesse de olhar para dentro... O aroma, as cores, os sons, a textura e o sal do mar encantam menos, atraem menos, vem a preguiça alimentada pela facilidade do celular...
Mas estamos testemunhando cenas de filmes de ficção. Aquele futuro? Chegou! E agora temos poderosas ferramentas de trabalho e agora as conversas e encontros ultrapassaram limites de espaço-tempo. E agora a diversão é mais “barata” e pode haver “aventura” madrugada adentro! Mas os olhos estão cada vez mais míopes, a mente ansiosa, agitada e depressiva, pulmões subutilizados, corações vazios, sedentos de serotonina pura, de dopamina na medida certa... Então, como ficar cego aos sinais do corpo e da mente? Eles gritam, sedentos por vida real, de insucessos, sucessos, derrotas, vitórias, risos, lágrimas e piadas despretensiosas... edição 33 / ano 09
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OM TRANSFORMAÇÃO * por Patrícia Cantalino
“Ao fortalecer a alma, conectando-a com o Sagrado, com o que é divino, com a luz de Deus, ela saberá discernir, guiar, dosar... ”
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Metas pessoais? Cada vez mais indecifráveis. NÃO PRECISA SER ASSIM! Que tal colocar em prática aquele post com “5 dicas para autoconhecimento”? Que tal iniciar a cura usando aqueles vídeos escorregadios de "30 segundos para relaxamento" como trampolim? Pois a alma, que é (ou deveria ser) a mãe da mente, está oprimida. Dê uma espiada e conseguirá vê-la chateada. Ao fortalecer a alma,
conectando-a com o Sagrado, com o que é divino, com a luz de Deus, ela saberá discernir, guiar, dosar... Afinal, no fundo, ela entende: tudo tem seu lugar e valor - as telas, as IAs, os doces, a lição de casa, o trabalho -, mas imprescindível é a força do pulso firme da mãe alma/ espírito, equilibrando, dosando tudo, permitindo que a vida aconteça de forma mais saudável. Ainda há tempo, entre uma tela, uma consulta e outra, vamos nos conectar com o EU de verdade... *
Patrícia Cantalino é professora de meditação na Brahma Kumaris desde 1998. Atua como assistente da coordenação da BK na região Nordeste
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OM INSPIRAÇÃO * por Brigida Froes
SAÚDE MENTAL E BEM-ESTAR NA ERA DIGITAL 48
Passamos pela escola, nos especializamos, construímos uma carreira, mas nunca ninguém nos ensinou a pensar. Pare para pensar! Algum professor já lhe falou: “olhe para a qualidade dos seus pensamentos; olhe quão rápido eles estão; você sabia que sua saúde depende deles?” Provavelmente, você dirá que não, assim como a maioria das pessoas. Pensamento é poder, energia e saúde. Se for de qualidade! Mas como manter a qualidade dos pensamentos em meio à avalanche de informações que não agregam, ou melhor, que prejudicam a mente? Este é o desafio que enfrentamos todos os dias. O meio digital nos oferece tudo, mas o que realmente eu quero? O que me faz bem, o que me faz mal? Para saber, preciso habilitar um recurso que todos nós temos: o poder de discernir ou escolher. Porém, este recurso está totalmente soterrado em meio à montanha de coisas inúteis
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OM INSPIRAÇÃO * por Brigida Froes
“A prática do poder de discernimento é uma das pérolas do Raja Yoga ensinado pela Brahma Kumaris. Quando temos a capacidade de selecionar e escolher o que deixar entrar em nossa casa interior, experimentamos uma vida de harmonia e prazer” que anseiam pela nossa atenção. É o chamado algoritmo, que rastreia nossos caminhos de navegação e escolhe o que vamos ler, ver e fazer, criando uma influência tremenda na nossa vida e na sociedade, segundo Virgílio Almeida, professor de Ciências da Computação da UFMG. Quando rolamos o dedo na tela do celular e vemos passar todas aquelas informações, imagens e cenas que o algoritmo “escolheu”, “especialmente para nós”, não percebemos que estamos entregando o controle de nossas vidas para ele. Não percebemos que estamos perdendo tempo, concentração e, principalmente, a alegria de viver. Para reverter essa situação, precisamos assumir o controle da mente e fazer escolhas conscientes. A prática do poder de discernimento é uma das pérolas do Raja Yoga ensinado pela Brahma 50
Kumaris. Quando temos a capacidade de selecionar e escolher o que deixar entrar em nossa casa interior, experimentamos uma vida de harmonia e prazer. Assim como escolhemos o que comer, o que vestir e aonde ir, precisamos desenvolver o hábito de escolher o que acessar na internet. Mas, antes do poder de escolha, vem o poder da introspecção. Olhar para dentro, acessar minha bússola interior e aumentar o meu autorrespeito. A partir desse estado mental, consigo separar o joio do trigo e me torno o protagonista da minha vida. *
Brigida Froes é Voluntária e aluna da Brahma Kumaris, colaboradora do movimento Imagens e Vozes de Esperança (@ivecomunica), graduada em Biologia, pós graduada em Ecologia
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OM INTERNACIONAL *
Seja luz para si e para os outros FAÇA UM DETOX EMOCIONAL TRADUZIDO DA REVISTA BK THE WORLD RENEWAL
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Você tem o hábito de checar seu celular ou laptop a todo o momento para ler mensagens de diferentes fontes de mídia? Você avalia a qualidade das informações que consome? Você escuta, lê e assiste tudo o que aparece no seu caminho? Assim como a comida nutre o corpo, a informação nutre a mente. Cada item de informação que consumimos é uma fonte para os nossos pensamentos. Hoje, não apenas nossos celulares, mas nossa mente está inundada de informação. Em nome das notícias e do entretenimento, consumimos energias de violência, ódio, ridículo e manipulação.
“Assim como a comida nutre o corpo, a informação nutre a mente. Cada item de informação que consumimos é uma fonte para os nossos pensamentos”
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OM INTERNACIONAL *
“Nós somos o que lemos, ouvimos e assistimos. Para manter nossos pensamentos puros e positivos, temos de filtrar a informação que estamos consumindo” Então, nossos pensamentos refletem tonalidades de raiva, medo e estresse. Nós somos o que lemos, ouvimos e assistimos. Para manter nossos pensamentos puros e positivos, temos de filtrar a informação que estamos consumindo. Na próxima vez em que receber qualquer mensagem, reafirme: “Eu estou numa dieta de emoções. A informação que eu consumo e compartilho com os outros é pura, positiva e poderosa e me enche de felicidade, harmo‑ nia, gentileza, partilha e cuidado. Eu apago as mensagens negativas. Mantenho minha mente e intelecto positivos e limpos o tempo inteiro”. O mundo digital tornou desafiador para alguns de nós nos reconectarmos com o 54
mundo real. Com a mídia inundando nossos aparelhos eletrônicos, estamos todos passando por uma overdose de conteúdo. A maioria das mensagens foca em histórias negativas, dá-nos uma opinião negativa sobre pessoas, coisas e o mundo e, por meio disso, aumentam os níveis de negatividade na nossa mente. Relaxe e verifique como você controla sua ingestão diária de mídia. Quando você consome apenas informação positiva, sua mente tem a matéria-prima para criar apenas pensamentos e sentimentos positivos. Você se ajudará imensamente, evitando fofoca, crítica e insultos - todos em nome do entretenimento ou do estar bem informado. Com menos distração e mais tempo, seus dias serão mais produtivos e relaxados. Então, aprecie seu tempo online, mas mantenha discernimento sobre o que está consumindo. *
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OM ATITUDE * por Giane Gatti
“A gente sofre de uma epidemia de mal-estar”, afirma psicóloga Será que você conseguiria passar 24 horas sem acessar as redes sociais ou qualquer conteúdo na internet? É fato que a internet trouxe vários benefícios, como facilidade de comunicação, inclusive em nível global, avanços significativos nas áreas da saúde e da educação, no setor de entretenimento, compras online, transações financeiras, entre outros. Mas devemos utilizar as conexões digitais de maneira sábia, para que não sejam prejudiciais: a busca por um equilíbrio entre o mundo presencial e o virtual. Na era digital em que vivemos, grande parte das pessoas perdeu a gerência do seu tempo, da 56
sua saúde, desconectou-se de si e do contato com a natureza. Mas nem tudo está perdido! Nesta entrevista, a psicóloga junguiana, há 21 anos, e aluna da Brahma Kumaris Carolina Azevedo traz reflexões, dá dicas e fala sobre o papel dos pais no controle do acesso dos filhos ao celular. OL: O que pode ser considerado bem-estar nos dias de hoje? CA: A gente sofre de uma epidemia de mal-estar. O mundo está no mal-estar e as pessoas estão no mal-estar. Do nada, acham que estão bem e, de uma hora para outra, elas estão vulneráveis e ficam mal. Às vezes, basta uma coisa banal e as pessoas escorregam e começam a sentir vários sintomas, de físicos a psicológicos e emocionais. OL: Então, o que fazer? CA: A ideia é a gente saber andar nessa roda-gigante, porque, quando você entende que não vai estar no bem-estar 100% ou 90%, mas, no dia a dia, olha e vê
que teve 60%, então já é lucro. O que vamos fazer bem mesmo no caos. Não temos como fugir do caos interno e do externo, então é preciso saber “surfar”. Eu vou estar “no pico”, vou aproveitar, mas não vou me apegar a isso. E vou estar lá embaixo, mas isso não vai atingir a minha identidade real. Estou passando por uma experiência e, quando tenho esse significado de experiências de vida, vou ter mais bem-estar, pois vou ter desapego, vou ter a sensação de que há algo para eu aprender ali e vou ter a maturidade de passar por várias situações. Aceitar que altos e baixos fazem parte da vida é sinal de que você está buscando o seu bem-estar. edição 33 / ano 09
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OM ATITUDE * por Giane Gatti
OL: E como você avalia o impacto das redes sociais no nosso bem-estar? CA: Nesse ponto, as redes sociais são terríveis. Eu não tenho Instagram. Não tenho interesse em ver o que o outro almoçou, em que festa ele estava... Dizem que vou ficar desatualizada, mas, quando quero saber de alguma coisa, eu vou e vejo. Faço o ciclo daquilo que me traz bem-estar. Quando a gente vai aperfeiçoando a nossa alma, não tem muita tolerância para coisas banais. E isso é a
qualidade de viver bem. É quando você decide buscar a si mesmo e buscar de uma forma leve e feliz. Só quem consegue fazer uso sábio do seu tempo, fazer um uso saudável, consegue entender o que é não saudável. Definitivamente, as minhas escolhas são responsáveis pelo meu bem-estar. Não existe nada externo que vai me salvar. É o que estou escolhendo diariamente que me leva ao bem-estar, e o oposto é o mesmo. São as minhas escolhas que vão me levar ao mal-estar.
“Só quem consegue fazer uso sábio do seu tempo, fazer um uso saudável, consegue entender o que é não saudável” Carolina Azevedo
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OL: Muita gente vai a consultórios de psicólogos e psiquiatras devido ao efeito nocivo das redes sociais, notícias etc.? CA: Sim. A pessoa faz péssimas escolhas com redes sociais, com televisão, programas, fofocas e vai à terapia querendo resolver, e vai ao psiquiatra porque está muito ansiosa, nervosa, depressiva, comparando-se, e começa a tomar muitos remédios. Ela não está conseguindo entender que tem poder de escolha para viver bem. Tem que fazer um corte cirúrgico: não me interessa, não quero saber. Tenho uma paciente de 20 e poucos anos que comprou um curso online e não o fazia, pois chegava em casa cansada e procrastinava. Ela me disse que preferia deitar e ficar três horas nas redes sociais. O que fazia era gastar toda a energia dela em nada. Então, na terapia, conseguimos que ela desinstalasse as redes sociais para fazer o curso.
OL: Se as pessoas sabem que algo faz mal, por que elas continuam usando mesmo assim? CA: Porque é difícil ser diferente. As pessoas têm medo de ser elas mesmas. Há o pânico de seguir sua mente, sua alma, e elas preferem ser levadas na enxurrada da miséria e estar em comunhão com a sociedade doente do que dar “tchau” para tudo isso. “Deixame respirar aqui como eu quero”, “Deixa-me experimentar viver sem coisas desnecessárias”, e aí as pessoas precisam ter coragem para escutar a si mesmas. Elas não sabem do que gostam, não têm tempo para si. O que é absorvido, olhado e seguido é o que está postado. Já faz parte da energia da pessoa, sem ela perceber, e ela começa a descaracterizar-se e não sabe do próprio gosto. Você precisa saber quem é você para, a partir daí, buscar ali muito pontualmente. edição 33 / ano 09
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OM ATITUDE * por Giane Gatti
OL: O aspecto do autoconhecimento e de ter uma autoestima é fundamental para fazer melhores escolhas? CA: Sim. Primeiro, o autoconhecimento e fazer, pontualmente, aquilo que interessa. A pessoa que consegue fazer essa leitura interna vai seguir e olhar pouquíssimas coisas. Vai ser muito seletiva com o conteúdo que acessa, com seu tempo, e vai ter qualidade de vida, porque terá tempo livre, conseguirá desfrutar. Vai conseguir ter o silêncio, ouvir uma boa música, respeitar o próprio sono. Uma pessoa doente em redes sociais não respeita o seu sono, o seu almoço, o seu acordar. Não respeita a vida dela. OL: Existe a expressão “A grama do vizinho é sempre mais verde”. Ficar comparando-se é um ingrediente que não traz bem-estar? CA: A pessoa vai viver a vida olhando a grama do outro e nunca vai olhar 60
a dela. Nunca vai conseguir cuidar da própria grama nem ter gratidão por ela. Não vai conseguir ter felicidade nem ver o processo de crescimento, de morte, de nascimento, as flores. Ela vai ser vazia. Ao olhar o outro para se apropriar do outro, para se comparar, não ganha nada. E se ela não sabe o que tem, vai querer o do outro. OL: O impacto das redes sociais nas crianças e adolescentes, que ainda estão formando sua identidade, sua autoimagem, é preocupante. Como protegê-los? CA: Eu estava assistindo a uma série e um médico falava sobre isso. O cérebro dessas crianças só está 100% formatado aos 25 anos, no caso dos homens, e aos 21 anos de idade, para as mulheres. Aí, você pega como exemplo um adolescente de 15 anos - e eles estão todos ali na rede social. E estão se vendo ali: a autoestima vai para ali
“Os pais não podem largar uma bomba de um celular, pois as crianças e os jovens não têm maturidade e estrutura neurológica para lidar com tanta imagem, tantas cenas, tanta coisa. É muito caos. É um lixo que estão entregando ao filho. E querem que ele se vire sozinho com um cérebro imaturo?”
- que pensa: “se eu for curtido”, “se eu fizer assim, se eu mandar um vídeo assado”, “se as pessoas curtirem”, “se me quiserem”, “se não me quiserem”, “se me rechaçarem”... Ele está detonando as suas redes neurológicas. Só está vivendo do que vai colher deles. Então, verdadeiramente, é um suicídio coletivo. O médico dizia ainda que, até os 25 anos, eles não pensam 100%. Esse córtex pré-frontal não está formatado, que é a parte do pensamento, da lógica, da razão, do que é certo. Então, quem é que tem
que ser esse córtex pré-frontal? São os pais que têm que dar um limite! Os pais não podem largar uma bomba de um celular, pois as crianças e os jovens não têm maturidade e estrutura neurológica para lidar com tanta imagem, tantas cenas, tanta coisa. É muito caos. É um lixo que estão entregando ao filho. E querem que ele se vire sozinho com um cérebro imaturo? Ele não tem um ego estruturado para poder discernir se é bom ou se é ruim. Os pais têm uma responsabilidade muito grande. edição 33 / ano 09
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OM ATITUDE * por Giane Gatti
OL: Precisamos cuidar do nosso cérebro. Como? AC: Tem algo chamado brain hot, que é o apodrecimento do cérebro por causa do uso excessivo das redes sociais. O cérebro precisa do ócio e do silêncio para se restaurar. Quando a gente dorme, todos os nossos órgãos se restauram. E o cérebro precisa desse descanso. OL: Quais dicas você daria para quem busca mais bem-estar? AC: A questão é a coragem para virar de costas para a loucura das redes sociais. Não é que você vai ficar definitivamente fora, mas coloque um aplicativo de controle de limite para o uso diário das redes sociais. Faça uma “limpa” no celular. Tire todas as notificações
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que você puder. Coloque limites terríveis como se fossem inimigos da sua felicidade, porque, na verdade, são. Não caia na tentação de que isso está lhe trazendo paz nem felicidade nem saúde mental. Isso está trazendo adoecimento, depressão, ansiedade, isolamento e frustração. E isso não é saúde. Conecte-se com a natureza, ouça músicas saudáveis, músicas instrumentais boas, e faça momentos de silêncio para que o seu cérebro possa se restaurar. Ele não tem condição fisiológica de ser 100% bombardeado sem ter um momento de filtro e de descanso.
POLUIÇÃO ELETROMAGNÉTICA A organização sem fins lucrativos Slowphone tem como objetivo "promover o uso saudável das tecnologias, aumentar a visibilidade do problema da poluição eletromagnética e da eletrossensibilidade, oferecendo para a população conteúdos atualizados e com rigor científico sobre o tema". De acordo com a organização, dispositivos transmissores de poluição eletromagnética são todos aqueles chamados de “smart”: TV smart sem fio, caixa de som sem fio, fones sem fio, celulares, tablet, laptop, telefones sem fio e com base, torres de celular, roteador de wifi, relógios e pulseiras smart, realidade virtual com smartphones, consoles de videogames sem fio, todas as coisas com bluetooth, impressoras sem fio etc. O site do Slowphone elenca várias pesquisas internacionais que mostram os riscos da exposição a esse tipo de poluição. Mas é um assunto muito pouco falado. Os estudos trazem informações como: roteadores wifi, fones Bluetooth e celular emitem campos eletromagnéticos que são possivelmente cancerígenos (Grupo 2B), segundo a Organização Mundial de Saúde; cientistas da Universidade de Washington (EUA) demonstraram que a radicação causou danos no DNA em
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OM ATITUDE * por Giane Gatti
células cerebrais de ratos; estudo da Universidade de Lund (Suécia) demonstrou que a radiação dos celulares afeta a barreira hematoencefálica, que sugere um risco potencial para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas a longo prazo. Outro estudo fala em risco estatisticamente aumentado para desenvolver tumores cerebrais; outro estudo alerta para tumores cardíacos malignos em ratos.
DICAS •
Mantenha o celular o mais afastado possível de seu corpo. Evite levá-lo em seu bolso e ou sutiã. A cada centímetro de distância, você fica mais protegido (a).
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Use internet cabeada. O uso do cabo ethernet (RJ45) torna a conexão mais rápida e estável, consumindo menos energia elétrica e não emitindo poluição eletromagnética.
•
Desligue o wifi à noite. Enquanto não for possível se desfazer do roteador wifi em sua casa, procure sempre desligá-lo completamente antes de dormir.
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Use fones de ouvido com fio. Jamais utilize fones de ouvido bluetooth sem fio, pois são extremamente perigosos, emitindo radiações constantes de 2,4 GHz muito próximos ao cérebro. Evite também demais dispositivos, como mouses sem fio e relógios que utilizam bluetooth (smartwatches).
•
Proteja crianças e grávidas. Pesquisas apontam que crianças absorvem cerca de 10 vezes mais radiação que os adultos. Nas crianças, a radiação penetra mais profundamente no cérebro. Por isso mantenha os dispositivos sem fio o mais distante de gestantes, bebês e crianças.
•
Cuide do seu sono. O quarto onde você dorme deveria ser um verdadeiro santuário, livre de quaisquer influências eletromagnéticas artificiais. Ao dormir, o seu corpo fica ainda mais vulnerável do que quando acordado. Não durma próximo de tomadas, desligue seu celular e todos os aparelhos eletrônicos do quarto e deixe-os o mais longe possível do seu corpo. *
Giane Gatti é jornalista e palestrante sobre sustentabilidade, e lançou o livro Mude ou mudese para Marte – Um empurrãozinho para uma vida com hábitos mais sustentáveis. É aluna da Brahma Kumaris desde 2010 e voluntária da Iniciativa ambiental e da campanha Escolha a calma
Fonte: http://slowphone.org/ https://drive.google.com/file/d/1AK9ZiBAvyu49r7Kaz9rgCGqYjv1zx2wf/view https://drive.google.com/file/d/13e4rD4UtC9sDKbYIqH4gMR1skmRrZzge/view edição 33 / ano 09
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OM COMIDA PURA * por Ana Paula Paixão
Autocuidado na era digital Vivemos conectados. Entre mensagens instantâneas, vídeos curtos e notificações constantes, nosso corpo e nossa mente recebem estímulos quase ininterruptos. A era digital trouxe facilidades, mas também uma nova forma de exaustão. Nesse cenário, a alimentação consciente se torna um ponto de retorno ao essencial: presença, simplicidade e cuidado consigo. O ato de comer pode ser um dos momentos mais eficazes para reconectar a mente ao corpo.
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Quando paramos para sentir a textura, o aroma e o sabor dos alimentos, trazemos a atenção de volta ao instante presente. Esse pequeno gesto reduz a aceleração mental típica do mundo digital e ajuda a reorganizar os pensamentos. É como se cada garfada nos lembrasse de que não precisamos estar em mil lugares ao mesmo tempo, só aqui, agora. A cozinha, então, deixa de ser apenas um espaço da casa e se torna um pequeno templo: lugar
onde silenciamos a mente, movemos o corpo com gentileza e oferecemos a nós mesmos um gesto de amor. Em meio ao excesso de telas, cozinhar e comer com presença nos devolve à humanidade que, muitas vezes, perde-se na velocidade digital. Para esta edição, deixo uma receita simples e acolhedora, um convite para pausar, respirar e nutrir-se com calma. *
SOPA CREMOSA DE ABÓBORA COM GENGIBRE E LARANJA
Ingredientes • 2 xícaras de abóbora cabotiá em cubos • 1 pedaço de gengibre (1 cm) ralado • Suco de 1 laranja • 1 colher (sopa) de azeite • 3 xícaras de água quente • Sal e pimenta a gosto • Sementes de abóbora tostadas para finalizar
Modo de preparo Ana Paula Paixão pratica meditação Raja Yoga há mais de 15 anos. É designer, culinarista e encantada com a natureza
Aqueça o azeite e refogue o gengibre, mexendo-o por alguns segundos. Adicione a abóbora, o sal e a água quente. Cozinhe até que a abóbora esteja bem macia. Desligue o fogo, acrescente o suco de laranja e bata tudo até formar um creme liso. Ajuste o tempero e finalize com sementes de abóbora tostadas.
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OM ÚLTIMA PALAVRA * por Dadi Janki
Acalmar a mente TEXTO RETIRADO DO LIVRO COMPANHEIRA DE DEUS, DE DADI JANKI
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Não dê permissão a sua mente para ser perturbada. Uma mente perturbada é facilmente influenciada. Isso custará a sua paz. Aprenda a manter a sua paz libertando-se de amarras. Competir ou comparar-se com outros não lhe permitirá se concentrar no seu interior. Um foco interno lhe permite manter os olhos no seu eu mais elevado e lembra a você da sua natureza original. Permite que você forje uma conexão com Deus. Então, torna-se fácil reconhecer pensamentos inúteis e substituí-los por uma perspectiva espiritual. A introversão substitui a tristeza interior pela alegria com Deus. Você sente um deleite. Você se sente renovado.
Dadi Janki, yogini indiana, líder espiritual da Brahma Kumaris, foi considerada pelo Instituto de Pesquisa Médica do Texas como a mente mais estável do mundo. Deixou o corpo físico e ascendeu ao mundo espiritual em março de 2020
Deus está lhe ensinando como se voltar para dentro, então ouça cuidadosamente. Mantenha-se atento a si e mude. Não espere até que os outros lhe digam algo. Uma mente calma não é só pacífica. É focada, autodirecionada e divina. *
edição 33 / ano 09
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MEDITA BK *
Assumindo o controle
Tradução de meditação conduzida por BK Shivani. Assuma o controle dos pensamentos e responda à vida com mais harmonia, paz, amor e sabedoria. Texto: BK Shivani Voz: Juliana Faria Música: David Kolowski Clique no ícone abaixo para fazer o download do APP MeditaBK
OM line é uma revista digital para quem almeja restaurar o equilíbrio interno
Uma publicação da Brahma Kumaris Brasil brahmakumaris.org.br/revista