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O João e o pé de...meia!

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Enquanto o João ouvia, o avô contava a história. No final, riu-se, deixando-o confuso. — Sabes, João… o problema do João nunca foi faltar-lhe um pé de feijão. Faltava-lhe era um bom pé-de-meia! — Pé-de-meia? — perguntou o João, confuso, tentando perceber porque daria jeito àquela personagem um pé numa meia. — Sim, pé-de-meia é uma palavra que significa guardar dinheiro para o futuro, para quando precisarmos dele. Se o João e a mãe tivessem um bom pé-de-meia, não iriam precisar de um lugar mágico para ter dinheiro para comer. O João adormeceu a pensar no pé de feijão e se existiria também um pé-de-meia mágico.

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Ao acordar, havia algo estranho no seu quarto. À semelhança da história da noite anterior, uma sombra vinha da janela. Aproximou-se e, qual não foi o seu espanto, deu de caras com um pé de feijão gigante, ou melhor, um PÉ-DE-MEIA GIGANTE. Ao longo do caule não cresciam folhas, mas notas, pequenos cofres e palavras brilhantes como Partilha, Amizade, Esforço, Criatividade e Planear. Talvez estivessem ali para lembrar que existem tesouros mais valiosos do que o dinheiro… Rapidamente, o João decidiu que queria entrar naquela aventura. O que será que o esperaria no topo?

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Subiu, subiu, subiu, pondo os pés em sítios estratégicos para não cair. Ao chegar ao topo… — Que casa ou… que castelo tão grande! Se bem me lembro da história do avô, se há um castelo grande, será que também há um gigante? — pensava ele, em voz alta. Entrou devagarinho, com algum receio do que iria encontrar, porém, havia algo diferente naquele castelo. Estava completamente vazio, não havia nenhuma fortuna, ou galinha de ovos de ouro ou harpas falantes. Estranhou aquele cenário, mas, de repente… — Que barulho é este??? — Ouviu um barulho estridente, muito, muito forte. Parecia que era alguém a chorar, muito alto.

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Aproximou-se do sítio de onde vinha o som e deparou-se com um enorme gigante. — Estou tão triste!!! O que fui fazer??? — dizia o gigante, enquanto as grandes gotas de lágrimas escorriam pelo rosto. O João não se aproximou logo, não tinha a certeza se era um gigante bom ou mau, mas… ele chorava de tal forma que tinha de o ajudar. — Quem és tu, gigante? Porque choras tanto? — perguntou o João, enquanto se tentava proteger das grandes lágrimas do gigante que caíam à sua volta. — Eu sou o Gigante Gastão. Este castelo era o mais rico do reino. Estava repleto de ouro e diamantes, mas… Um mago veio visitar-me e propôs-me trocar toda a fortuna por um cofre mágico, que me iria trazer a maior riqueza de sempre. Contudo… depois de desaparecer com toda a minha fortuna, apercebi-me de que não tinha nenhuma chave para o abrir. Fiquei sem nada! Só com um cofre velho e inútil!

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— A pista diz que precisamos de saber distinguir entre o necessário e o desejado — reforçou o João. — Hum… se calhar isto é o que eu desejo. Na verdade, preciso mais de comida, que estou cheio de fome, de um bom casaco, pois nesta altura do ano faz muito frio no reino, e de uma cama! As minhas costas já não aguentam mais dormir no chão — refletia o Gastão. — Olha, Gastão! Uma chave! — exclamou o João. Como por magia, surgiu uma chave no ar. Agarrou-a, encaixou-a na primeira ranhura e rodou-a. A pista desapareceu, dando lugar a outra. Tinham superado a primeira missão!

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— Já sei! Em vez de gastar logo tudo, com uma moeda compro sementes para criar a minha própria horta e, enquanto crescem, posso pedir ajuda aos meus vizinhos. Com outra moeda, compro um casaco bem quente para o inverno. As restantes vou guardá-las e, aos poucos, vou conseguir o valor certo para comprar a cama. — E até lá? — questionou o João. — Até lá, faço um colchão com folhas secas e ramos macios. E… talvez me possas emprestar um cobertor durante algum tempo. Assim consigo desenrascar-me enquanto continuo a poupar! O João sorriu.

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— Claro! Os amigos são para isso! E como o avô diria: “Estás a construir o teu pé-de-meia.” — Pé-de-meia??? — perguntou o Gastão. O João começou a rir, sabia que aquela palavra era realmente estranha: — Sim, é verdade. Todos devíamos ter um bom pé-de-meia, assim… — Olha, outra chave! Acho que acertámos! — interrompeu o Gastão, entusiasmado. Desta vez, foi ele quem a encaixou e rodou. Ouviu-se mais um clique. Faltava apenas uma chave. Qual seria a próxima pista?

Cada folha de papel tem mais valor do que parece. Para a produzir, são necessárias árvores, água, energia e o trabalho de muitas pessoas. Aproveitar os dois lados da folha evita desperdícios, poupa recursos e dinheiro.

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— Rápido, João, lê a última pista — pediu ansioso o Gastão. — “Chegou o momento de gastar o que guardaste. Escolhe com sabedoria e a última chave aparecerá” — leu o João. — Parece que chegou o momento de imaginar que já posso comprar a cama? — Acho que sim — disse o João, pensativo. — Então é o desafio mais fácil! Eu sei exatamente qual é a cama que vou comprar. Vi há umas semanas numa revista uma cama feita de bolo. É perfeita! Assim posso comer enquanto durmo — explicou o Gastão, entusiasmado.

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O João e o pé de...meia! by betweien - Issuu