Ficha Técnica Título: O Jardim Esquecido Edição: Betweien, Lda. Textos: Rita Pereira Ilustração: Ana Gabriela Paginação: Daniel Araújo Revisão ortográfica: Joana Ambulate Impressão: Graficamares 1.ª Edição, Braga, setembro de 2026 Depósito Legal: ISBN: 978-989-9129-99-3 Tiragem: Copyright: Betweien, Lda. Reservas de Direitos de Autoria
Era um humano enorme! Bem, na verdade, para mim, eram todos enormes, gigantes! Mas este gigante veio acompanhado por um grande saco de lixo, que despejou no jardim. — Mais uma descarga de lixo. Isto assim não vai mesmo por um bom caminho — comentou tristemente o Melro. — Estamos condenados! — A Joaninha voltava a entrar em pânico. — Mas isto acontece muitas vezes? Não pode ser! Existem ecopontos para cada uma destas garrafas de vidro, para cada uma destas embalagens, para cada uma destas folhas de papel! — Estava mesmo zangada com o que tinha acabado de acontecer.
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— Compreendo bem a tua revolta, mas nós já nos fomos habituando. Algumas pessoas passam pelo jardim sem reparar no impacto das suas escolhas. Outras param, observam e procuram ajudar. Cada gesto deixa um rasto, seja ele bom ou mau. Se eles soubessem o quão importante nós somos para o planeta… — explicou a Minhoca. 5
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Ora puxa daqui, ora puxa dali, não era tarefa nada fácil. Uma simples folha de papel para uma pequena abelha como eu parece um enorme lençol pesado. Aos poucos, o espaço ficava com melhor aspeto. Até que, de repente… — CUIDADOOOO! AFASTEM-SE! — gritou a Minhoca. — OH, NÃO! O HUMANO VEM AÍ DE NOVO! É DESTA QUE NÃO VAMOS SOBREVIVER. — A Joaninha estava muito nervosa. Aquele vulto enorme voltou a aproximar-se e deixou mais uma grande quantidade de lixo. Os nossos esforços tinham sido em vão. Começava a acreditar na Joaninha… o mundo estava completamente perdido.
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Escondemo-nos atrás de uma raiz seca e reparámos que eles não traziam lixo. Eram diferentes! Agacharam-se cuidadosamente e… plantaram uma pequena flor e tudo à sua volta ganhou um brilho diferente. Estávamos incrédulos com o que tinha acabado de acontecer. Aqueles vultos vinham para ajudar. — São eles quem nos vai ajudar! São eles a nossa salvação! — disse entusiasmada. Voei rapidamente até ao ouvido de um dos vultos. — Pst, pst! Precisamos da vossa ajuda! Por favor! Sim, é verdade… Eu sei o que é que vocês estão a pensar. Mas os humanos que ajudam a natureza conseguem, como por magia, ouvir os animais!
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— O que está ela a fazer? Não acredito que os está a chamar para perto de nós. É o nosso fim. — A Joaninha não estava a perceber o meu plano. Entrou de novo em pânico e fingiu mais um belo desmaio. Os gigantes ficaram curiosos e aproximaram-se do jardim e de nós. Aos poucos, deixaram de ser um vulto e já conseguíamos perceber a sua figura: eram duas crianças. Não hesitei em começar a contar o meu plano. — Eu sou a Bzita e estes são os meus novos amigos. Eles contaram-me que este espaço já foi um belo jardim, mas agora… Tentámos de tudo para o salvar, mas sozinhos é completamente impossível. Precisamos de ajuda! Precisamos da vossa ajuda! Será que este plano iria resultar?
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Depois de muito pensar… — E se criássemos a “Missão do Jardim Esquecido”? Anunciávamos em todo o lado e quem quisesse juntava-se a nós. Juntos seríamos muito mais fortes! — Era uma excelente ideia! Ficámos a ver os dois amigos a afastar-se sem saber quando iriam regressar para pôr a Missão do Jardim Esquecido em ação. Regressaram dois dias depois, mas não estavam sozinhos. — Mãos à obra! — A Maria deu a ordem de início e a sua grande equipa começou a tratar do jardim.
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