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era um projeto / desafio, era o…

O meu melhor texto do mês melhor texto do mês O meu mês O texto meu do melhor texto meu melhor O do mês O meu melhor texto do mês

AbdulQuatro Publicação digital no blogue da Biblioteca Escolar

Numa homenagem a M. A. Pina, um incentivo à escrita! http:oiebe.blogspot.com «-» besantoantonio@gmail.com

Maio 2013 Escola Básica do 1º Ciclo Santo António Agrupamento de escolas Eugénio dos Santos


Estamos a chegar ao fim… .

Chegamos ao fim! …por aqui!

Fazendo um pequeno balanço desta proposta / desafio, dois aspetos que retiro com alguma percetibilidade: 1. A apresentação da proposta / desafio, não foi totalmente assimilada; 2. A continuação de algum “divórcio”, em pormenores, entre a Escola e os Encarregados de Educação; No primeiro ponto, a apresentação - mensagem não chegou de forma clara, em primeiro lugar, porque não se conseguiu mobilizar os encarregados de educação (mesmo tendo consciência das dificuldades temporais nos dias de hoje) e as dificuldades para quebrar as barreiras do “social” ao se “publicar” um texto dum filho. Em segundo lugar, também não conseguiu sensibilizar os professores para o trabalho de parceria com os encarregados de educação, mas deixo uma questão: Será que na sala de aula não se produzem textos? A escrita, esse prazer que teima em emergir através da simples produção de textos. No segundo ponto, continua a haver alguma falta de interligação / continuação do trabalho, refiro-me, nomeadamente à produção de textos, começado na escola e acabado em casa e vice-versa. Este vai e vem, comunicativo entre as duas partes, sem lugar ao descarregar das responsabilidades das partes, levaria à leitura e releitura do escrito do aluno e, posteriormente a reescrita, um processo que beneficiaria qualquer aluno / educando. A escrita dum texto é um processo, leva tempo, metamorfoseando-se, envolvimento, trabalho e tempo a ser encerrado. Nunca foi meu objetivo abranger todos, obrigar todos, mas tentar envolver os possíveis, despertando-os para… Há medos, receios, mas sem risco não se caminha, e sem experimentar não se ultrapassam barreiras. Agradeço a todos, aos não participantes, que me vão obrigar a refletir o futuro, aos participantes, pelo prazer do trabalho que me deram. O pb

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Valem mais dois pássaros a voar do que um na mão. Excepto se se tem um negócio de frigideira. in ESCREVER (32) de Vergílio Ferreira


Lua meia nova Há muito pouco tempo, desde que chegámos ao mar alto, revemos as imagens das histórias que de nós podemos contar. E assim podemos: Ver passar as estações, saber que é bom o tempo passar; o vento toma a forma de uma voz que nos conta histórias; as folhas caem e podemos guardá-las entre o papel dos livros e descobrir que têm o mesmo nome; a chuva cai para fazer correr os rios, aqui se torna água-doce, segue o seu curso e vai ter com o mar; depois saber que aqui pode ter o nome de água-mãe, e é bom; o sol aparece, dá-lhe calor e agora vamos tomar um grande banho. Depois podemos descobrir que nem sempre é fácil chegar às coisas altas, como as lâmpadas que são as luas que temos cá dentro do quarto, e que como a de lá de fora ilumina quem aqui está. E sabemos como é estranho andar entre corredores e mais estranho ainda que não cheguemos às maçanetas das portas. E porque há sempre uma maneira de sair, aprendemos a olhar pela janela e a saber como se pode voar tão alto que se consegue tocar a luz e ver, como ela, tudo do alto. Num instante crescemos e já podemos ver as pessoas perto dos olhos, damos-lhe um beijo na testa e dizemos “aqui estou!” A seguir chegamos ao espelho sem ser preciso que nos ajudem e agora podemos ver a nossa cara e não a de quem nos pega ao colo, e sabemos a alegria de estarmos aqui agora. Altos, conseguimos abrir todas as portas e andar pelas ruas, saber-lhes os nomes e tratá-las como amigos porque lhes conhecemos todos os cantinhos. Alguém nos conta a história do filho do arquitecto – que é mesmo o senhor que desenha as casas e lhes dá as cores – que conseguiu sair de um lugar muito difícil (o labirinto, uma espécie de uma rua muito grande e confusa) porque fez umas asas e voou. Mas agora que já cá estamos fora, lançamos balões e voamos com eles, temos vontade de saber outras histórias. E chegamos à melhor parte da escola que é aprender a unir as letras, a formar as palavras, a acompanhar as linhas que percorrem as imagens dos filmes, e, como um livro de histórias, poder contá-las aos amigos ao nosso lado. Ou então aprender que, como a nossa, há famílias de palavras e se as dissermos em voz alta elas se tornam uma espécie de música: sai de nós, todos as podem ouvir, acompanhar. Anos mais tarde, sabemos que há uma espécie de música sem flautas nem pianos – chama-se poesia – e é bom que se possa ler e ouvir de uma forma assim alegre. Como o mundo é grande, queremos saber onde estão tantas coisas e por isso aprendemos a ler os mapas como um desenho cheio de linhas que nos ensina a saber onde estão os lugares a que gostávamos de chegar e aqueles a que de certeza vamos voltar. Depois descobrimos que não são só as nuvens que desenham animais e pessoas. Aprendemos a olhar para o céu e a descobrir as imagens que as estrelas formam, a espantarmo-nos com as muitas linhas que as unem e com as histórias que contam: como a de dois irmãos, Castor – muito feliz porque era filho de um deus-cisne – e Polux, um bocadinho triste porque era filho de um homem normal - , que combinaram dar um ao outro o que tinham, bom ou nem por isso, de maneira a poderem ver os dois lados da lua, o da sombra e o da luz. De repente, assustamo-nos quando olhamos para a lua e parece que lhe falta um bocadinho de si, mas logo logo aprendemos que ela é mesmo redonda, apesar de durante algum tempo estar escondida do outro lado, aquele a que não chega o sol. Passado algum tempo, mas não muito, sabemos que a terra roda à volta do sol e que a lua roda à volta da terra e que nesse laço-abraço estão todos bem e bem alegres. Também gostamos da alegria e queremos chegar assim a tão alto abraço: lançamos um balão com um bocadinho de nós – o ar – lá dentro e podemos estar assim perto, perto. E como crescer também quer dizer subir, crescemos, voamos bem alto e é bom, mesmo muito bom. Texto de Diana Pimentel In COLÓQUI letras nº147/148

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Não foram enviados quaisquer textos…! Quase na certeza de que está será a última ação nas Bibliotecas Escolares do 1º Ciclo do Agrupamento de Escolas Eugénio dos Santos, não quero deixar de agradecer a todos, alunos, professores e encarregados de Educação, pela colaboração e adesão às propostas apresentadas. Por vezes, foi um prazer, outras nem por isso, mas…

O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou. in Escrever (150) de Vergílio Ferreira

VERGÍLIO FERREIRA

escrever o segundo de dois livros que Vergílio Ferreira deixou por publicar Edição de Helder Godinho Bertrand Editora, 2001

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Separata digital