Unicaphoto #
a revista de fotografia da Unicap
Endre Ernö Friedmann
As entrelinhas em Robert Capa
Entre coxias e trincheiras, vidas e memórias, poesia e bastidores, a fotografia revela-se travessia. Nesta edição: oficinas que reinventam narrativas, a dança flamenca em cena íntima, Robert Capa e suas ambiguidades, Xirumba Amorim como patrimônio vivo, Rimbaud em imagens, Paul Valéry e a fotografia, retratos post mortem e os 15 anos do curso de Fotografia da Unicap.
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Éric Rondepierre. W1932A, da série “Précis de décomposition”, de 1993,
editorial
fronteiras & travessias Fotografia é mais do que imagem: é travessia entre memória e invenção. Entre registro e fabulação. Esta edição da Unicaphoto confirma essa potência, ao reunir capítulos que, à primeira vista, poderiam parecer díspares, mas que revelam fortes linhas subterrâneas de conexão. No artigo “Narrar as imagens”, Catarina Andrade fala da proposta de oficina que desloca a fotografia do campo ilustrativo para o ensaístico. A influência de Agnès Varda e de Rancière está presente, mas o que se revela é o gesto de devolver à palavra sua capacidade de tensionar a imagem em vez de domesticá-la. A educação com fotografia aqui não se limita ao ensino técnico, mas se ergue como prática de emancipação e invenção coletiva. Se pensarmos no ensaio como jogo de aproximações e afastamentos, vemos como esse capítulo dialoga, mais adiante, com os retratos de cadáveres ilustres: ambos apostam na imagem como disparador de pensamento, não como cristalização de sentido. Já “Direto da Coxia”, ensaio de Luana Brennand Medeiros abre outra fresta: o olhar lateral que registra a dança flamenca. O bastidor, lugar de sombras, suor e gestos interrompidos, ganha estatuto de cena. Ao compararmos essa abordagem com a de Robert Capa em “Morte de um miliciano”, percebemos um parentesco inesperado: tanto no palco quanto no front, trata-se de captar o instante em que o corpo revela, por meio de sua entrega total, a finitude da experiência humana. O flamenco quando arde em vida, o soldado que se apaga em morte executam coreografias do limite. O texto sobre Robert Capa, do escritor e editor Sidney Rocha, reafirma esse lugar da dúvida: entre a autenticidade e a encenação. Entre o mito e o documento. Capa, que se quis heterônimo, torna-se também exemplo do quanto a fotografia é campo de suspeita. Essa ambiguidade dialoga com Paul Valéry, em artigo do mesmo Sidney Rocha, cujo discurso lembra que a fotografia desloca a palavra, mas
também a liberta para outros usos e reusos. Se Capa problematiza o instante decisivo, Valéry interroga a própria pertinência da descrição literária diante da nitidez fotográfica. Ambos nos obrigam a refletir sobre os limites e alianças entre palavra e imagem. Nesse mesmo território de memória, Unicaphoto celebra Xirumba Amorim, nomeado Patrimônio Vivo de Pernambuco. Suas imagens do cotidiano nordestino confirmam que a fotografia, ao registrar o que parecia banal, ergue muralhas contra o esquecimento. Colocado ao lado das práticas de fotografia post mortem discutidas em “Retratos de cadáveres ilustres”, no excelente artigo do escritor Mario Helio, vemos surgir uma genealogia da imagem como ritual de permanência: seja no corpo morto que precisa ser lembrado, seja no gesto vivo que se eterniza para futuras gerações. O ensaio “As vogais”, inspirado em Rimbaud, amplia essa perspectiva ao propor a fotografia como tradução visual da poesia. Aqui, a imagem não mais documenta, mas encarna símbolos, cores e sons. Há um eco disso nas experimentações pedagógicas iniciais: o ensaio como jogo, o deslocamento como método. Em ambos, a fotografia torna-se verbo, metáfora, metonímia, linguagem. Por fim, esta edição celebra os 15 anos do curso de Fotografia da Unicap e amarra essas linhas num gesto de futuro. A narrativa de resistir e construir realidades ganha corpo na história de professores, alunos, técnicos. Mais que uma cronologia de vitórias, o que se afirma é a mesma inquietação que perpassa toda a revista: a fotografia como território em disputa, como prática ética, estética e política. Assim, da coxia ao front de batalha, do ateliê poético às salas de aula, do velório japonês às ruas de Olinda, a fotografia aparece como dispositivo que tanto fixa quanto emancipa. Unicaphoto lhe convida a enxergar que não há fronteiras rígidas entre o documento e a invenção, entre a morte e a vida, entre o passado e o futuro. A imagem, afinal, é sempre travessia.
COORDENAÇÃO-GERAL Renata Victor EDITOR Sidney Rocha CONSELHO EDITORIAL Filipe Falcão, Renata Victor e Sidney Rocha ASSISTÊNCIA EDITORIAL GG Silva, Keila Castro e Sérgio Caneca IMAGEM DA CAPA A atriz Tallulah Bankhead participando das audições do Barter Theatre com o diretor Robert Porterfield. (Foto de Robert Capa/The LIFE Picture Collection © Meredith Corporation) FOTO DA QUARTA CAPA Renata Victor QUEM É QUEM NESTA EDIÇÃO Xirumba Amorim, Patrimônio Vivo de Pernambuco, Prêmio Alcir Lacerda, é fotógrafo Sidney Rocha é romancista, editor, Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco Renata Victor é mestre em História e coordenadora do curso de Fotografia da Unicap Mario Helio é editor, doutor em Antropologia pela Universidade da Salamanca Luana Brennand Medeiros é fotografa Catarina Andrade é doutora em Comunicação com ênfase em cinema francês contemporâneo e professora da especialização “As narrativas contemporâneas da Fotografia e do Audiovisual, na Unicap
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narrar com imagens por Catarina Andrade
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direto da coxia por Luana Brennand de Medeiros
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robert capa, bem perto da morte por Sidney Rocha
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prêmio alcir lacerda Homenagem a Xirumba Amorim
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as vogais ensaio fotográfico de Sidney Rocha retratos de cadáveres ilustres por Mario Helio
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fragmentos de um discurso não amoroso por Sidney Rocha
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resistir e construir realidades por Mariana Nepomuceno e Sérgio Caneca
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88 42 94 68 106
talentos especiais em evidência por Mariana Nepomuceno e Sérgio Caneca “fomos além da sala de aula Entrevista com Renata Victor galeria Especial 15 Anos aconteceu Atividades acadêmicas
FOTO: BETO FIGUEIROA
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FOTO: SIDNEY ROCHA
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educação
Narrar as imagens – uma proposta do uso da fotografia em oficina de cinema-educação
narrar com imagens
uma proposta do uso da fotografia em oficina de cinema-educação catarina andrade 10
A sala de aula é um lugar privilegiado para a experimentação, para a transformação dos sujeitos. No contexto de um pensamento crítico latino-americano, é o terreno fértil para se (re-)pensar o eu e o outro, (re-) elaborar as maneiras de habitar e partilhar o mundo, para se semear a decolonização do ser, do saber e do poder (Ballestrin, 2013; Albán, 2013). Pensar com a arte – através da experiência do sensível – nos dá condições para nos re-posicionarmos na sociedade, buscando entender ou desnaturalizar as dinâmicas e estruturas dos nossos modos de vida, possibilitando caminhos para a transformação social e pessoal. Em oficinas de cinema-educação, sustentamos o desejo de trazer a imagem para a sala de aula como um motor para a emancipação (Rancière, 2007, 2012), tomando a experiência como fundação do saber, que irrompe através da interrupção dos fluxos que naturalizam a realidade (Larrosa, 2002). Entendemos oficinas como práticas educativas que favorecem a produção de experiências sensíveis, e promovem a sala de aula a um espaço de partilha do comum, pelo seu caráter de práticas criativas de elaboração e reelaboração de um objeto. Para nós, é importante pensar a oficina em torno de algumas etapas igualmente importantes: apresentação de uma proposta ou dispositivo; discussão de suas formas possíveis; produção em grupo; apreciação e discussão dos objetos produzidos coletivamente. O que se propõe nesses momentos de aprendizagem – desde os objetivos mais gerais aos mais específicos, as técnicas e os procedimentos, o que se pretende fazer com o que é construído coletivamente –, deve ser evidenciado para todos os envolvidos. Desenvolvemos o dispositivo Narrar as imagens amparados nos propostos pelo projeto Inventar com a diferença – cinema e direitos humanos (Miglorin, 2014). Assim, tomamos dispositivos como “exercícios, jogos, desafios com o cinema, um conjunto de regras para que o estudante possa lidar com os aspectos
A diretora Ágnes Varda. Um autorretrato em seu estúdio. à Rue Daguerre, Paris, 1956. Fotografia de Agnès Varda / Espólio de Agnès Varda / Musée Carnavalet, Histoire de Paris
básicos do cinema e, ao mesmo tempo, se colocar, inventar com ele, descobrir sua escola, seu quarteirão, contar suas histórias” (idem). Um dos dispositivos do Cadernos do inventar chama-se Fotografias narradas e consiste resumidamente em filmar uma pessoa, por cinco minutos – com a câmera na mão atentando para os gestos e variando os planos e os enquadramentos – narrando uma fotografia. Observando e experimentando com esse dispositivo, criamos o Narrar as imagens (que experimentamos em oficinas com estudantes universitários, no âmbito da graduação na UFPE e da especialização As narrativas contemporâneas da fotografia e do audiovisual na Unicap, como também com professores da Rede Pública Estadual dentro do projeto de Extensão Re-imgaginar Oficinas/UFPE) que tem como principal objetivo elaborar um pensamento a partir de fotografias colocando-as em relação com as palavras. O primeiro momento da oficina se dá com a apresentação dos professores e estudantes. Na sequência, propomos uma breve introdução ao campo de pesquisa e estudos em Cinema-Educação – sugerindo perguntas como: o que fazemos com o cinema em sala de aula? o que podemos fazer? o que não devemos fazer? Em seguida, exibimos alguns episódios do projeto da cineasta belga-francesa Agnès Varda, Une minute pour une image, realizado para o circuito televisivo francês em 1982, a ser veiculado nos intervalos de um minuto entre os demais programas. Escolhemos passar alguns episódios desse projeto com o objetivo de exemplificar e discutir diferentes formas de narrar a imagem fora do paradigma da ilustração. É importante que após assistir aos episódios os estudantes possam comentar sobre eles, e que se atente sobre uma certa disjunção entre palavra e imagem. No intuito de estimular essas reflexões lançamos aos estudantes perguntas como: O que buscamos em uma imagem? O que falamos sobre as imagens? O que uma imagem nos convoca (e nos provoca) e ver? Qual o lugar da palavra quando pensamos as imagens? Enfim, propomos realizar, à maneira de Varda, um áudio de um minuto para uma fotografia entregue pelo professor. As fotografias entregues aos estudantes são fruto de uma curadoria cujo critério de escolha foi que elas deveriam conter algum elemento de estranheza. Organizamos essas imagens numeradas numa pasta no Google Drive e imprimimos para usá-las em sala. Esta organização é importante para receber os áudios com as numerações correspondentes. Não revelamos os artistas 11
Varda produziu 170 ensaios cinematográficos para a série Une minute pour une image. A proposta consistia em veicular uma fotografia por dia. A imagem é projetada e somente após 15 segundos de silêncio se inicia uma narração feita pela própria Varda com algum convidado. É importante destacar que a narração não descreve necessariamente a imagem e que ao final do vídeo, quando o telespectador já havia considerado, reconsiderado ou desconsiderado os comentários propostos pela narração, eram revelados os autores da fotografia e da narração. Na imagem frame do curta-metragem de Vardas
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que produziram as imagens para escapar de possíveis buscas que os alunos poderiam fazer na tentativa de querer encontrar sentido ou significado já produzidos. Sugerimos dividir os estudantes em grupos de três, por uma questão de tempo – já que, para nós, é fundamental o momento de assistir e comentar as produções – mas sobretudo por acreditar que fugir do binarismo contribui para o áudio não se transformar em uma ilustração do que se está vendo. Ademais, os grupos podem escolher produzir um único texto em comum ou fazer um atravessamento de narrativas/ olhares dentro do mesmo áudio de um minuto. Na obra de Varda, o gesto ensaístico distribui, articula e redistribui os elementos constitutivos da narração das fotografias. O espectador é encorajado a tomar posição diante dessas imagens, do silêncio, da narração, da revelação de seu autor e origem. Buscamos com isso que os produtos dessa oficina sejam desenvolvidos tendo em vista o ensaísmo, como gesto, procedimento e forma de prática artística e pedagógica, como alternativa a formas de representação tradicionais. Tomamos o ensaísmo nas oficinas como um procedimento performático, que solicita um engajamento do espectador, conduzindo-o a uma participação subjetiva, e colocando-o frente a dimensões e perspectivas que demandam dele uma atenção e uma auto-implicação. Aproximando-se ou distanciando-se do gesto ensaístico de Varda, os estudantes empreendem seu próprio gesto e suas produções re-convocam ao atravessamento por essas imagens, explicitando as várias perspectivas e diversidades de olhar. Propositalmente, recomendamos entregar uma mesma imagem a diferentes grupos para que, ao assistir juntos essas múltiplas possibilidades de olhar e produzir com as imagens se possa observar, acolher e legitimar as diferentes formas no ambiente comum que tentamos construir em sala de aula. Cabe ressaltar que a estratégia ensaística passa pelo reinvestimento de uma vontade renovada sobre as coisas do mundo, observá-las por várias de suas facetas, relançando-as em novos planos de investigação e reflexão, articulando-as sob outras ordens do espírito. Em um domínio mais teórico, Adorno dizia sobre o ensaio que este não admitia que “seu âmbito de competência” lhe fosse “prescrito”, nem que sua preocupação era a de “alcançar cientificamente ou criar artisticamente alguma coisa”,
mas que “seus esforços” efetuavam “a disponibilidade de quem, como uma criança não tem vergonha de se entusiasmar com o que os outros já fizeram” (2012, p.16). Dizia ainda que o ensaio “reflete o que é amado e o que é odiado, em vez de conceber um espírito como uma criação a partir do nada”. Assim, o ensaio começa de um objeto qualquer e “termina onde sente ter chegado ao fim, não onde nada mais resta a dizer” (2012, p.17). É enquanto procedimento que o ensaísmo vai liberar novas potencialidades tanto do cinema quanto da narrativa literária. Proporcionará também uma prática de experimentação que pode ser muito bemvinda no âmbito da educação. Para afirmar uma instância pedagógica no gesto ensaístico, precisamos conceber seu espaço como um jogo passível de imbricamento entre materiais, cujo método estaria sempre por ser reinventado e em que uma imagem, para ser compreendida, precisaria ser “jogada”, “experimentada” junto a outras, através dos recursos da montagem, tornando possível ao sujeito “aprendente” se descobrir a cada “remontagem”. Mas esse lugar pedagógico põe, igualmente, o desafio de inventar as formas de aproximação e apropriação do gesto ensaístico nos espaços de educação, um desafio assumido inteiramente pelos professores(as), formadores(as) e oficineiros(as), um jogo em que todos se imbricam. Portanto, defendemos que propostas pedagógicas com o uso da imagem (fotográfica, neste caso específico) favorecem a sensibilidade dos sujeitos, envolvendo tanto os estudantes quanto os docentes e, por vezes, até mesmo a gestão e os demais funcionários do ambiente escolar/universitário. Referências RANCIÈRE, Jacques. O mestre ignorante – cinco lições sobre a emancipação intelectual. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. RANCIÈRE, Jacques. O espectador emancipado. São Paulo: Martins Fontes, 2012. BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, nº11. Brasília, pp. 89-117, maio - agosto de 2013. ALBÁN, Adolfo. Pedagogías de la re-existencia, artistas indígenas y afrocolombianos. In: WALSH, Catherine. Pedagogías decoloniales: Prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Quito: Abya Yala, 2013. LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, n. 19, p. 20-28, jan. 2002. ADORNO, Theodor W. Notas de Literatura I. São Paulo: Duas Cidades; Editora 34, 2012. MIGLIORIN, Cezar et al. Cadernos do inventar: cinema, educação e direitos humanos.Niterói: EDG, 2016.
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ensaio
direto da coxia luana brennand medeiros
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No coração do Theatro Santa Roza, na cidade de João Pessoa, um espetáculo de dança flamenca transpôs as barreiras da tradição e da modernidade, criando uma experiência visceral e única. E foi diretamente da coxia, o espaço invisível onde os bastidores se encontram com a magia do palco, que a fotografia capturou a essência crua e intensa desse momento singular. O ensaio fotográfico, realizado durante o espetáculo, trouxe à tona a energia pulsante dos artistas bailaores(as) e músicos, a fusão entre os passos ágeis e o som inconfundível das castanholas e guitarras flamencas. Da coxia, a câmera observava de um ângulo lateral os gestos rápidos das mãos, os olhares concentrados e os movimentos sincronizados que revelavam o esforço e a entrega dos artistas, simultaneamente vistos pelo público. À medida que o espetáculo se desenrolava, as imagens capturaram o jogo de luz e sombra que envolvia os corpos em movimento, criando uma dança dentro da dança. As cortinas da coxia eram testemunhas de uma performance visceral, onde cada passo era uma história contada, e a energia do flamenco se fazia sentir em cada centímetro do teatro. O suor, o ritmo, a paixão e a intensidade estavam ali, capturados em fotografias que mostravam o que o público muitas vezes não vê. Espetáculo: “Amor: Versões e Inversões” Realização: Coletivo Nuances Flamencas Produção e Direção: Rejane Gomes Bailaoras: Ana Medeiros (La Negra) Helena Eustáquio Mariana Abreu Rejane Gomes Músicos: Brazilian Flamenco Duo (SP) Grupo Mosayco (PB) Ensaio produzido em novembro de 2023, no Festival Diálogo entre Mundos, no Theatro Santa Roza, Centro de João Pessoa - Paraíba
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FOTO: RUTH ORKIN
robert capa, bem perto [da morte sidney rocha 26
Robert Capa é pseudônimo. Húngaro, seu verdadeiro nome era Endre Ernő Friedmann. Nascido em Budapeste, em 1913. Viveu apenas 41 anos. Fotografou não menos de cinco guerras, incluindo-se entre elas a Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial. Se poetas como Homero falaram da guerra em termos de imagens imaginadas, ele não falou nada: mostrou todas as reticências e interjeições das tragédias. Corpos humanos prontos para a morte ou já mortos. Sua carreira no jornalismo se desenvolveu mesmo longe de seu país, pois teve de fugir, pois manifestou simpatias marxistas ativas e foi fichado pela polícia. Na Alemanha exilou-se em 1930, e, no ano seguinte, já estreava como repórter fotografando ninguém menos do que Trotsky, em Copenhague. Contava então vinte anos de idade. Em 1932, teve o bom senso de trocar Berlim por outras cidades europeias, porque os sinais de intolerância com judeus como ele - para dizer pouco - já estavam bem pronunciadas. O Capa do sobrenome inventado e adotado nada tem a ver com o sentido inofensivo da língua portuguesa, e sim com o apelido que lhe deram em húngaro: significa tubarão. Ah, Cápa pronuncia-se tsápa. Talvez o mais correto fosse dizer que criou não um pseudônimo, mas um heterónimo, pois dotou Robert Capa de uma ‘minibiografia’, situando-o como fotógrafo dos Estados Unidos, onde vai parar, efetivamente, no segundo ano da II Guerra. Atuou na famosa revista Life e, poucos anos depois, ao voltar à Europa, fundou, com Cartier Bresson e outros, a agência Magnum.
Após mais de setenta anos da morte de Robert Capa, as imagens feitas por ele não perderam nada da força e da energia originais, principalmente, as de guerra, e destas, a mais famosa. Olha-se para ela e o que se vê? Um miliciano na guerra civil espanhola. Um soldado que vai eternamente cair, ou melhor, ou pior, caindo já, ou caindo já morto. Como no verso de Dante: “E caí como um corpo morto cai”. Como no verso de Fernando Pessoa: Som morto das águas mansas Que correm por ter que ser, Leva não só as lembranças, Mas as mortas esperanças — Mortas, porque hão-de morrer. Ou ainda aquele conto terrível de Ambrose Bierce intitulado “An Occurrence at Owl Creek Bridge”. A data fatal do soldado caído: 5 de setembro de 1936. As dúvidas, questionamentos e teorias conspiratórias em torno dessa foto não tira o seu brilho e o seu impacto. Se alguém tivesse fotografado sua morte, ao pisar numa mina, enquanto movia-se na guerra da Indochina, em 25 de maio de 1954, teria uma imagem também sujeita a dúvida de tão boa cena que parece posada: as pernas dilaceradas, a câmera na mão e sabe-se-lá quantas ideias na cabeça. Se é famoso aquele princípio do ‘instante decisivo’ de Cartier Bresson, quando pensamos em Capa o que pode vir à cabeça é sua frase: “se tua não é boa é porque não chegaste muito perto.” Talvez por isto vários duvidam que seja autentica justamente sua foto mais famosa. A do miliciano. José Manuel Susperregui, da Universidade do País Basco, afirma: “A fotografia “Morte de um miliciano” tem sido acompanhada de polêmica desde que foi publicada na revista Life em 12 de julho de 1937, mas o prestígio de Robert Capa é um obstáculo difícil de superar para qualquer julgamento que ponha em dúvida a autenticidade do instantâneo. Sirva como exemplo o seguinte comentário de Richard Whelan, biógrafo de Robert Capa, quando diz: ‘Insistir em saber se realmente a fotografia mostra um homem no momento em que foi atingido por uma bala é ao mesmo tempo mórbido e trivial’”. Mas a história não parou aí. O professor do País Basco logrou acrescentou, no seu longo artigo sobre o assunto “Localização da fotografia Morte de um miliciano, de Robert Capa: “Quando, em 2009, localizei a fotografia do miliciano em Espejo, os resultados da investigação de Whelan foram invalidados, pois 27
“Morte de um Miliciano”, a mais famosa e controversa de suas fotos (c) Robert Capa
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ele situava a fotografia na batalha de Cerro Muriano, onde morreu o miliciano Federico García Borrell, natural de Alcoy. Esse erro de localização também teve consequências em relação à sua investigação, pois Enrique Borrell (1937), amigo de Federico, escreveu um artigo em sua memória onde descreve sua morte refugiado atrás de uma árvore. Na fotografia de Capa não aparece nenhuma árvore. A suposta identidade do miliciano foi uma das maiores contribuições de Whelan, mas acabou que o miliciano que aparece na foto não estava em Cerro Muriano, mas na localidade de Espejo. “Se esta investigação fosse motivada apenas pela autenticidade ou encenação da foto, bastaria uma observação atenta de sua primeira edição, onde aparecem dois milicianos mortos em duas fotografias diferentes que compartilham o mesmo enquadramento. A relação entre as duas imagens é tão absurda que imediatamente denuncia a encenação das mesmas. Mas a investigação teve outros rumos até descobrir o estilo inconfundível de Capa em algumas de suas fotografias, entre as quais se encontra a fotografia do miliciano, que serviu para reconhecer a autoria de outras fotografias.” As 28 páginas do artigo se ocupam de desacreditar Capa, inclusive atribuindo a foto famosa a sua namorada na época, Gerda Taro. No livro em que a biografa, Fernando Toledo diz: “Capa e Taro aproveitaram o final do verão e parte do outono para visitar algumas frentes de batalha. Na província andaluza de Córdoba, se produziu aquela fotografia paradigmática do miliciano caindo mortalmente ferido de Robert Capa que havia de converter-se em um símbolo e que, posteriormente, foi, injustamente, questionada. Chegou-se, inclusive, a dizer que a foto era de Gerda. Na mesma área, nos contrafortes de Sierra Morena, o grande fotógrafo húngaro tirou uma das fotos mais conhecidas que já fez de sua companheira, que se protege do fogo fascista junto com outro miliciano. Como detalhe curioso, os dois homens calçam as características alpargatas dos camponeses andaluzes.”
Ao fim e ao cabo, termina mais por levantar perguntas e dúvidas que propriamente oferecer respostas indiscutíveis. Ele chega à conclusão de que se trata de uma foto falsa, de que seria uma montagem, e o último parágrafo do seu artigo é este: “Finalmente, o conjunto de resultados desta pesquisa implica numa revisão dos postulados sobre Robert Capa, que estão fundamentados principalmente na fotografia Morte de um miliciano, mas os seus arquivos compreendem 70 mil negativos. A maioria correspondentes às cinco guerras que cobriu com sua câmera, requerem um tratamento diferente para aprofundar em sua obra e conhecê-la devidamente.” O artigo saiu publicado na revista Communication & Society, da Universidade de Navarra, em 2016, e, posteriormente, há outras versões em outros veículos. Um interessante debate histórico. Talvez menos profundo e apaixonado do que aquele sobre o Santo Sudário, mas, de todo modo, importante. Houve até quem usasse a tecnologia para mostrar que se trata de uma encenação ou montagem. Há diversas controvérsias outras em torno de fotos. Uma das mais famosas é anterior à de Capa, pois feita em 1934. A do monstro do Lago Ness, na Escócia. Imagem em preto e branco de uma silhueta. Tirada pelo coronel Robert Wilson, que era um cirurgião britânico. No caso da foto de Capa, um dado que põe em xeque o rigor dos questionamentos é que falta a prova documental realmente, que é o negativo, que desapareceu. Tudo se baseia, ora em depoimentos orais, ora em exames feitos por pesquisadores acadêmicos que levam em conta suas próprias intuições e elementos supostos e circunstanciais. Há uma cópia póstuma da foto que foi doada pelo Cornell Capa, de Nova York ao Museu Reina Sofia, em Madri. Foi incorporada ao acervo em data relativamente recente: 1998. A técnica é de gelatina brometo de prata sobre papel. As dimensões são estas: 31,8 x 45,4 cm. Esse tipo de polêmica, ao mesmo tempo que diverte e chama a atenção, também desvia a atenção de outras fotografias não menos extraordinárias e até plasticamente mais bonitas da Guerra Civil tiradas por Capa. Como uma de milicianos despedindo-se na estação de Barcelona, que é de 1937, e também pertence ao Reina Sofia. 29
Piloto americano, Tunísia, 1943 (c) Robert Capa
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Soldado americano morto, Leipzig, abril de 1945 (c) Robert Capa
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Tropas vietnamitas avançam. Indochina. 25 de maio de 1954. Esta é uma das últimas fotos que Capa tirou com sua Nikon antes de pisar na mina que o levou à morte naquele mesmo dia
FOTO: RENATA VICTOR
homenagem
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prêmio alcir lacerda O reconhecimento
Neste agosto, o fotógrafo, cronista visual e artista plástico Xirumba Amorim foi agraciado com o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, concedido pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC– PE), em parceria com a Secult‑PE e a Fundarpe. Essa distinção, respaldada pela Lei Estadual nº 12.196/2002 e suas posteriores atualizações, como a Lei nº 15.944/2016, refere-se à valorização e preservação de saberes culturais, garantindo pensão vitalícia aos mestres que se comprometem a transmitir seus conhecimentos para futuras gerações . A fotografia de Xirumba transita com sensibilidade e profundidade pelo cotidiano nordestino, capturando trabalhadores urbanos e rurais, crianças nas ruas, os anciãos e a paisagem que molda a memória coletiva. Sua obra se torna patrimônio por ser testemunho visual da cultura popular, a narrativa viva e única que preserva a memória social, estabelece diálogos entre gerações e reforça identidades. Esse olhar atento, quase poético, enrijece-se como evidência de um tempo e espaço que resistem
à erosão da globalização: a fotografia se torna documento, arte, resistência, linguagem. Ao revelar expressões cotidianas e universos que poderiam passar despercebidos, Xirumba transforma pequenos gestos em significados simbólicos, para reafirmar a cultura popular como matéria-prima e elo entre povos, etnias, gerações.
A trajetória
Com carreira iniciada na década de 1970, Xirumba vem atuando como fotógrafo e artista visual há mais de cinco décadas. Seu livro Terra de Maracatu, uma infografia, por exemplo, documenta com intensa sensibilidade a beleza dos maracatus imortais em Nazaré da Mata — símbolo maior da identidade pernambucana. Em 2015, lançou dois boxes com postais inéditos: “Nos sertões do meu bem querer” — com cenas do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba e Alagoas — e “Ver Olinda por dentro e por fora”, que celebra a riqueza cultural da cidadepatrimônio. Cada box trazia dez imagens e antecede um livro em preparação. Em outra ocasião, registrou
O Prêmio Alcir Lacerda, do curso de Fotografia da Unicap, chega à décima-segunda edição e destaca o trabalho do fotógrafo Xirumba Amorim. Na foto, Alcir Lacerda, (década de 1960, (ACÊ Filmes - Acervo Cehibra/Fundaj) 35
o litoral de Boa Viagem, no Recife, em imagens despojadas de construções e do estigma da violência urbana — oferecendo um olhar descolonizado sobre a paisagem popular.
Olinda é Xirumba, Xirumba é Olinda
FOTO: RENATA VICTOR
Olinda. Patrimônio Cultural da Humanidade é a cidade-berço de sua obra Ele é um dos maiores fotógrafos a documentar o Carnaval, o Maracatu e a vida popular da região. Um registro notável é o histórico retrato dos dois Homens da Meia‑Noite — bonecos gigantes simbólicos do Carnaval olindense. Naquela ocasião, tanto Julião das Máscaras quanto seu sucessor desfilaram simultaneamente, e Xirumba capturou a raridade com sensibilidade e sorte. Ao longo de sua carreira, realizou exposições em diversas capitais do Brasil (Recife, Olinda, São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília) e no exterior (Paris, Cidade do México, Guadalajara, Havana e Valência)
A cultura popular
Chamar Xirumba de artista é pouco diante da amplitude de seu legado. Seu olhar é singular — “vanguarda em mais de um sentido, mas o mais óbvio é que tem olhares raros e temas, dos quais o comum da gente nem suspeita”, como diz o escritor e jornalista Uraniano Mota. Essa inclinação para uma estética sem ostentação, pautada no humano e no cotidiano, o torna referência para compreender a cultura nordestina como memória e resistência. A escolha de Xirumba como Patrimônio Vivo reforça que a fotografia pode ser tão enraizada quanto a própria tradição oral, manifestações folclóricas e saberes manuais. Sua obra dialoga com escolas visuais críticas, antropológicas e políticas que potencializam a agência cultural popular. Sua atuação como cronista visual toca o social. Ao fotografar, ele registra histórias, trajetórias e resistências. A escolha do tema — fosse o sertão, a cidade, as festas, a praia — sempre revela uma tessitura de narrativas invisíveis que, sem ele, poderiam passar despercebidas.
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FOTO: XIRUMBA AMORIM
Prêmio Alcir Lacerda Xirumba Amorim não é apenas um fotógrafo: é guardião de olhares, cronista de paisagens humanas, preservador de histórias. Seu título como Patrimônio Vivo vem reequilibrar a balança da memória: reconhece a potência da imagem como escrita cultural e valoriza a capacidade da arte visual de transmitir saberes, afetos e identidades. Seu legado contribui para que os jovens aprendizes entendam que a cultura não mora só nos corpos que dançam, nas músicas que ecoam ou nos objetos que se tocam — ela pode ser também registrada, refletida, impressa. Através da lente de Xirumba, o presente e o passado se entrelaçam, preservando o que é mais essencial: o que somos e contamos através da imagem. Sua escolha como Prêmio Alcir Lacerda reforça o valor da fotografia como linguagem e desmonta preconceitos quanto ao fazer fotográfico. 39
40 FOTO: XIRUMBA AMORIM FOTO: KEILA VIEIRA/DIVULGAÇÃO
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FOTO: XIRUMBA AMORIM
ensaio
as vogais A mise-en-scène fotográfica de sidney rocha Ensaio fotográfico baseado no poema Voyelles, “As vogais”, de Arthur Rimbaud (1854 – 1891), a partir da tradução brasileira de Augusto de Campos, em Rimbaud livre (1993). 42
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Quando a alma quer experimentar alguma coisa, atira uma imagem à sua frente e depois avança até ela.” Eckhart de Hochheim (1260-1328), filósofo e místico. “A palavra associa o traço visível à coisa invisível, à coisa ausente, à coisa desejada ou temida, como uma frágil passarela improvisada sobre o abismo”. Ítalo Calvino (1923-1959), escritor. “Dia a dia todas as pessoas viravam cada vez mais assombrações, fantasmas, espectros, flashes que me empurram para cá hoje. Desde o primeiro dia fora, me acordei com a angústia que seria a maior da minha vida: a ideia de ser ninguém em algum lugar e de ser alguém em lugar nenhum”. Sidney Rocha (1965-), escritor, [in Fernanflor, romance]
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VOGAIS A negro, E branco, I rubro, U verde, O azul, vogais: Ainda desvendarei seus mistérios latentes: A, velado voar de moscas reluzentes Que zumbem ao redor dos acres lodaçais; E, nívea candidez de tendas e areais, Lanças de gelo, reis brancos, flores trementes; I, escarro carmim, rubis a rir nos dentes Da ira ou da ilusão em tristes bacanais; U, curvas, vibrações verdes dos oceanos, Paz de verduras, paz dos pastos, paz dos anos Que as rugas vão urdindo entre brumas e escolhos; O, supremo Clamor cheio de estranhos versos, Silêncios assombrados de anjos e universos: -Ó ! Ômega, o sol violeta dos Seus Olhos! Artur Rimbaud. Tradução de Auhusto de Campos
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direção de arte, elenco, cena & fotografia sidney rocha assistente de fotografia joãomiguel pinheiro atriz/performer bruna luíza barros direção de produção isabela cavalcanti assistente de produção/motorista beto rosa borges 67
retratos de cadáveres ilustres breves comentários sobre fotos, pinturas e história Mario Helio
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Cerimônia de cremação com retirada de ossos no crematório Doi Saien em Shikokuchuo, província de Ehime, Japão. Foto: Wikimedia Commons
Os japoneses têm entre os seus costumes singulares um de alguns condenados à morte. Enquanto esperam a execução, eles compõem haikus. Outro é o kotsuage, a recolha delicada e metódica dos ossos dos mortos, depois da cremação, para a colocação na urna. Esmera-se em cuidados para não haver equívoco na ordem correta da recolha: começando pelos pés até chegar à cabeça. Não nos esqueçamos de que, nos mais diferentes países, as fotografias são importantes nas cerimônias de homenagens. No Japão pode ser vista no velório uma foto: a presença do ausente. Será posta no butsudan, o altar doméstico dos budistas. Elas, as fotografias, durante muito tempo, fizeram parte dos apetrechos ligados aos defuntos no Brasil: não, simplesmente, aquelas populares dos ‘santinhos’, mas do morto, hierático, no ataúde.
Se estão associadas à celebração da vida e tentam fixá-la em memória, não podem, tampouco, ser desconectadas da morte. Coisa, aliás, bem observada e comentada por Susan Sontag, na sua famosa obra sobre a fotografia. Ela afirma que ˜uma fotografia é, ao mesmo tempo, uma pseudopresença e um signo de ausência”. A chamada fotografia post mortem foi popular, principalmente, no século XIX, e ainda no início do XX. Não eram incomuns anúncios como o do jornal argentino El Nacional: os fotógrafos José María Aguilar e Francisco Rave ofereciam os seus serviços com um atrativo adicional, o de retratos de “cadáveres a domicílio, a bons preços”. Quem quiser entender mais profundamente o assunto tem muito a ganhar lendo 71
Trascámara, especificamente “Fotografía y muerte”, uma reunião de olhares de especialistas em história, sociologia e psicologia. Recolha feita por Alex Schlenker. Roland Barthes, que escreveu um dos melhores ensaios sobre a fotografia, um livro inteiro, volta-se para o assunto em Mitologias. Especialmente no artigo sobre fotos chocantes. Sem a necessidade nos desdobrarmos em aspectos específicos disso, nos fixemos numa expressão-conceito. Como a do instante decisivo de Bresson. Desta feita nos referimos a ‘ponto culminante’, e ‘auge do movimento’, ambas expressões de Barthes. Ele comenta as soluções fotográficas para esse ponto e as da pintura. “Os pintores do Império, por exemplo, tendo de reproduzir instantâneos (cavalos empinandose, Napoleão estendendo o braço sobre o campo de batalha etc.), deixaram ao movimento o signo amplificado do instável, o que se poderia chamar de o nume, o estremecimento solene de uma pose, entretanto, impossível de se inserir no tempo; foi a esta majoração imóvel do inapreensível que se deu mais tarde no cinema o nome de fotogenia e que é o lugar exato onde a arte se inicia. O ligeiro escândalo desses cavalos exageradamente empinados, desse Imperador imobilizado num gesto impossível, esta obstinação da expressão, que também poderia se chamar de retórica, acrescenta à leitura do signo uma espécie de desafio perturbador, arrebatando o leitor da imagem num entusiasmo menos intelectual do que visual, porque o prende exatamente às superfícies do espetáculo, à sua resistência ótica e não imediatamente ao seu significado.” 72
No que cabe às fotos chocantes, ele observa: “Geneviève Serreau, no seu livro sobre Brecht, recorda a fotografia da Match na qual se vê uma cena de execução de comunistas guatemaltecos, observando com razão que essa fotografia não é de modo algum terrível em si mesma e que o horror provém do fato de nós a olharmos do seio da nossa liberdade; uma exposição de fotos-choque na galeria d'Orsay, poucas das quais, justamente, conseguem chocar-nos, confirmou, paradoxalmente, a observação de Geneviève Serreau: não basta que o fotógrafo nos signifique o horrível para que o sintamos.” Com isto chegamos ao principal. As fotografias de choque de interesse histórico sobre a violência ritualizada. Não o da metáfora de um pelotão em autoexecução, do verso de Maiakovski, mas o das execuções públicas. Uma das mais famosas: a do imperador Maximiliano. A fama dessa última cena vem por causa de uma fotografia. Realizada por François Aubert. Além das manchas de sangue na roupa vestida pelo imperador, há a foto dos sete soldados responsáveis por aquele labéu. Diziam as más línguas que Maximiliano teria pago a eles previamente para obter um ganho estético: o de que não atirassem na sua cabeça. Tão famosa quanto essa imagem dos carrascos é a pintura de Edouard Manet. Se tem razão William Wordsworth, ao definir a poesia como emoção relembrada em tranquilidade, a representação pictórica daquele momento terrível foi também uma forma de poesia. O 19 de junho de 1867 reverberou do México até à França. Não como recordação de Manet, mas
Parentes vivos eram comumente fotografados junto aos mortos — pais segurando seus bebês recém-falecidos, irmãos lado a lado e até mesmo famílias inteiras reunidas em redor do defunto. Na foto, a garotinha à esquerda está morta. Foto: Wikimedia Commons
memória materializada não de testemunha ocular, dos relatos de quem assistiu ou escutou dos fatos. A pintura integra a coleção Kunsthalle (Mannheim, Alemanha). Não foi permitido a Aubert fotografar a execução, e, para compensar, ele a desenhou com o seu lápis. Autorizado, fotografou o cadáver de Maximiliano no caixão, em posição vertical. Além disso, não faltaram imagens do contexto, o entorno e outros detalhes, como o do lugar da execução marcado com cruzes. Muitas dessas fotos mórbidas foram vendidas na época. Paradoxalmente, havia o entendimento de que fotos assim serviam para imortalizar os entes queridos. Na justificação da morbidez oferecia-se uma
motivação estética. Entre os anúncios comerciais da imprensa no Peru na segunda metade do século XIX, um profissional autodenomina-se “artista fotogênico recém-chegado de Paris”, e prometia “retratar os defuntos como quadros a óleo”. Retratar Maximiliano num quadro a óleo foi o que fez, literalmente, Manet. Com tais dedicação e interesse que André Malraux notou o seu apego ao motivo, comparando assim, no seu livro O museu imaginário: “Delacroix com Liberdade guiando o povo e Manet com Maximiliano tentam, um após outro, atualizar a história, mas Manet não se desvencilhou de Maximiliano.” Acrescenta Malraux: “A execução de Maximiliano é o Três de maio de Goya, exceto pelo que este quadro
significa”. O quadro de Manet está em Londres: The National Gallery. Malraux soube situar e explicar muito bem o contexto dessas pinturas e suas consequências estéticas na história da arte e da sociedade: “Embora a mais alta tradição do museu continue sendo um momento principesco da história da arte, pelo menos já não é a história da arte. Isolada dos territórios que começam a se estender ao seu redor até o inexplorado, ela se fortalece. O ambiente próprio da pintura a óleo passa a ser, à margem das teorias e até mesmo dos sonhos dos maiores, os quadros que foram reunidos nos museus: não, como se acreditava, uma técnica, uma série de meios de representação, mas uma linguagem independente das coisas representadas, tão particular quanto a da música. Essa linguagem, é claro, não era desconhecida para nenhum dos grandes pintores do museu, mas todos a haviam subjugado. O que a arte buscava, o que haviam encontrado o gênio tímido de Daumier e o gênio às vezes agressivo de Manet, não era uma modificação da tradição semelhante à que haviam imposto os mestres anteriores, mas uma ruptura tão profunda quanto a que traziam os estilos redescobertos. Outro estilo e não outra escola. É então que o talento dos pintores deixa de ser um meio de expressão da ficção.” Para o conto principal – o que dá título ao seu livro A caminho de Querétaro – o pintor brasileiro João Câmara escolheu por inspiração não a pintura de Manet, mas a foto de Aubert. Num exercício hábil de imaginação, ele escolhe um dos soldados da famosa foto 73
do pelotão de fuzilamento do imperador para ser o protagonista e o narrador do seu conto. Dá-lhe um nome e uma história: “Chamo-me Aureliano Padilla ou este é o nome que me deram quando sentei praça e fui designado para os Supremos Poderes. “Nunca pensei em fazer carreira militar. Dei com os costados em Chihuahua, fugido de Durango, onde matei, depois de perseguir por dois anos, o coxo que assassinou meu pai. Estava tomado de raiva e o matei, sem muito cuidado, à vista de todos, em um botequim. Dei a sorte de fugir, todos pareciam ocupados com as próprias vidas e as autoridades tinham mais do que tratar, os franceses tinham posto o Austríaco em um trono inventado, ninguém se entendia, tudo era um amontoado de incertezas, com cidades que mudavam de dono, governos que não mandavam, outros poderes que imaginavam estar mandando. “Na foto do Sr. Aubert, sou o segundo a partir da esquerda e pareço pequeno com o fuzil Springfield de baioneta calada, mas não sou tão baixo, fui o maior de três irmãos e o mais velho. Eles já se foram, há gente assim que morre, se esvai. Outros... não.” O império do austríaco Maximiliano no México foi um delírio só. O livro O último imperador do México, o historiador britânico Edward Shawcross trata disso. Quando do lançamento da tradução
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espanhola, ele concedeu uma longa entrevista à revista História y Vida, e diz: “Em primeiro lugar, Maximiliano era um homem muito sonhador e fantasioso, que tinha uma grande tendência a pensar como seria ele como monarca e líder, devido à sua obsessão pelo legado da dinastia dos Habsburgos. Era uma pessoa que não tinha os pés no chão e que, além disso, se deixava enganar. Ele fazia aquilo que é tão humano: fantasiar e depois racionalizar. Por exemplo, quando lhe ofereceram o trono do México, ele colocou duas condições: tinha que contar com o apoio da França e da GrãBretanha, e no México tinham que aceitá-lo por votação popular. No entanto, no final, quando não puderam garantir essas condições, ele começou a se convencer de que, na verdade, nunca havia imposto tais condições. Ele desejava o trono de qualquer maneira. Tratase de algo muito humano: nos convencemos do que queremos, e pronto.” O Brasil e o México tiveram a loucura imperial em comum. O Brasil reincidiu na fantasia: dois imperadores. O segundo Pedro teve um fim não violento e acomodado. O seu principal traidor, o amigo militar Deodoro, gentilmente, facilitou o seu destino: o exílio europeu. Mas ele não escapou da fatalidade fotográfica, e nisto se ‘irmana’ a Maximiliano: enquanto o do México jaz vertical na foto de Aubert, ele dorme para sempre, horizontalmente, na de Felix Nadar.
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fragmentos de um discurso não amoroso No centenário da fotografia, o poeta Paul Valéry, da Academia Francesa, pronunciou, no dia 7 de janeiro de 1939, o discurso que será lido, parcialmente, a seguir
Sidney Rocha
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Autorretrato de Paul Valery. Museu Paul Valery, Sete, França/Bridgeman Images
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Senhor Presidente da República, Senhor Ministro, Senhoras e senhores, Convidado a comparecer a este ato solene, instituído para celebrar uma invenção absolutamente nacional, e uma das mais admiráveis que surgiram ao longo do século XIX, a Academia Francesa não poderia deixar de prestar homenagem aos notáveis franceses que tiveram a ideia da fotografia e foram os primeiros a saber fixar a semelhança das coisas visíveis pela própria ação da luz que delas emana. No entanto, as Letras, às quais nossa academia é, particularmente, devota, não parecem, à primeira vista, oferecer relações muito evidentes com esta bela invenção, nem ter sido significativamente modificadas por ela, nem em seu espírito nem em suas práticas, assim como também não o foram por tantas outras criações modernas da humanidade. Sabemos bem que o desenho, a pintura e todas as artes de imitação souberam tirar proveito da captura imediata das formas por meio da placa sensível. A partir do momento em que, por meio dessa fixação, tornou-se possível considerar com tranquilidade a figura dos seres em movimento, muitos erros de observação puderam ser constatados: percebemos tudo o que havia de imaginário no galope dos cavalos e no voo dos pássaros que até então os artistas acreditavam ter capturado. A fotografia acostumou os olhos a esperar o que deveriam ver e, consequentemente, a vê78
lo; e os instruiu a não ver o que não existe, e que eles viam claramente antes dela. Por outro lado, a posse desse meio para reproduzir as aparências da natureza e da vida, a partir de um simples relevo de energia física, não parece ter uma consequência certa e uma vantagem significativa para as Letras. Inicialmente, poderia até parecer que essa maravilhosa invenção tenderia a diminuir a importância da arte da escrita e a substituí-la em mais de uma ocasião, em vez de proporcionar novos recursos ou ensinamentos de grande valor. O grau de precisão que a linguagem pode pretender, quando se deseja empregá-la para dar uma ideia de qualquer objeto da visão, é quase ilusório. Por mais hábeis que sejamos em nosso ofício de escritores, como descrever um lugar ou um rosto de forma que o que escrevemos não sugira tantas visões diferentes quanto leitores temos? Abra um passaporte e a situação fica imediatamente clara: a descrição que rabiscamos nele não suporta comparação com a fotografia fixada ao lado. Dessa forma, a existência da fotografia nos comprometeria mais a deixar de querer descrever aquilo que pode, em si mesmo, ser registrado; e é necessário reconhecer que, na realidade, o desenvolvimento desse procedimento e de suas funções tem como consequência um tipo de exclusão progressiva da palavra por parte da imagem. Podese até dizer que, nas publicações, a imagem está tão zelosa em suplantar a palavra que lhe rouba alguns de seus vícios mais irritantes: facilidade e prolixidade. Ousaria acrescentar que, ocasionalmente, a fotografia se atreve até mesmo a praticar a mentira, grande e sempre florescente especialidade da palavra. É necessário concordar, então, que o brometo predomina sobre a tinta em todos os casos em que a própria presença das coisas visíveis é suficiente, fala por si mesma, sem a intermediação de uma mente interposta, ou seja, sem a necessidade das transmissões absolutamente convencionais de uma linguagem. Mas, no que me diz respeito, não vejo nada de mal nisso; e estou quase a encontrar nisso certas vantagens para a literatura. Considero que essa proliferação de imagens fotográficas de que falava poderia, indiretamente, mudar em benefício das letras — entendo nisto as Belas Letras —, ou melhor, as Letras verdadeiramente belas... Se a fotografia e suas conquistas do movimento e da cor, sem falar daquelas do relevo, nos desanimam a descrever o real, é porque nos lembram os limites da linguagem articulada e nos aconselham, a nós, escritores, um uso absolutamente adequado à própria natureza de
O poeta francês Paul Valéry (1871-1945), vestindo o grande hábito cerimonial da Académie française, em 1927, Foto: Agence Meurisse/ Wikimedia Commons
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nossos meios. Uma literatura pura seria aquela que abandonasse o uso de outros modos de expressão ou de produção e se consagrasse ao que por si mesma pode alcançar. Estaria alerta e, ao mesmo tempo, se desenvolveria por seus verdadeiros caminhos, entre os quais, um se dirige para a perfeição do discurso que constrói o pensamento abstrato, o outro se aventura livremente no interior da variedade de combinações e ressonâncias poéticas. Gostaria de destacar aqui que, no momento em que a fotografia surgiu, o gênero descritivo começou a invadir as letras. Tanto na poesia quanto na prosa, o ambiente e os aspectos externos da vida passaram a ocupar um lugar excessivo nas obras. Entre 1820 e 1840, esse ambiente é geralmente imaginário. Havia todo um romantismo de lugares e formas, que dispunha, com uma liberdade e uma soberania completamente fantasiosas, das pessoas e das coisas, inventava Orientes e uma Idade Média quase totalmente geradas pela sensibilidade da época, auxiliada por certa erudição. Finalmente, surgiu Daguerre. A visão fotográfica é obtida e se expande pelo mundo com uma rapidez incomum. Assiste-se a uma revisão de todos os valores do conhecimento visual. A maneira de ver se modifica e se torna mais precisa, enquanto os próprios costumes sofrem com a novidade que, do laboratório, passa imediatamente para a prática e introduz necessidades e costumes inéditos na vida. Todo mundo terá seu retrato, algo antes excepcional. O fotógrafo ambulante percorre as zonas rurais. Cada acontecimento da existência é marcado com um clichê. Não há casamento que não seja comprovado a partir de então pela imagem de um casal em trajes de noiva; não há nascimento em que a criança de poucos dias não seja levada diante da lente; em algumas décadas, o homem que virá a ser poderá se surpreender e se emocionar diante da imagem daquele bebê do qual partiu seu futuro. Em cada família há um álbum, um daqueles álbuns que nos colocam nas mãos retratos que se tornam emocionantes, roupas que se tornaram ridículas, momentos que se tornaram o que são, e todo um conjunto de parentes, amigos e desconhecidos, que tiveram um papel essencial ou acidental em nossa vida. A fotografia, em suma, instituiu uma verdadeira ilustração do estado civil. Se Balzac, que procurava nos túmulos e estandartes nomes singulares que falassem por suas inúmeras criaturas, tivesse vivido um pouco mais tarde, não teria deixado de folhear essas coleções de fisionomias conservadas, para com elas estimular seu gênio.
Mas, com a fotografia e seguindo os passos de Balzac, o realismo se impõe em nossas letras. A visão romântica dos seres e das coisas perde pouco a pouco sua magia. O cenário mostra sua tela ou seu papelão. Impõe-se uma nova exigência que pretende que a ficção poética se separe claramente da narrativa que pretende representar o real. Não quero dizer que o sistema literário de Flaubert, Zola ou Maupassant deva sua fórmula à chegada da fotografia, porque temo a investigação das causas. Nesses temas, não faltam aqueles que as encontram. Limito-me a fotografar uma coincidência. Não está totalmente claro que os objetos que se encontram próximos na placa tenham qualquer outra relação entre si além da proximidade. Quanto mais se é tentado a encontrar ligações profundas entre o fenômeno Realismo e o fenômeno Fotografia, mais necessário é ter cuidado para não explorar o que não pode ser senão um encontro. No entanto, o império das letras não se limita apenas às províncias da poesia e do romance. Ele se estende aos imensos domínios da história e da filosofia, cujas fronteiras indecisas se perdem, por vezes, entre os territórios organizados da ciência e as florestas da lenda. É aqui, nessas regiões incertas do conhecimento, que a intervenção da fotografia — e até mesmo a simples noção de fotografia — assume uma importância notável e precisa, pois introduz nessas disciplinas veneráveis uma nova condição — provavelmente uma inquietação nascente, um tipo de reagente 79
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inédito cujos efeitos, sem dúvida, ainda não foram suficientemente considerados. A história é uma narrativa à qual devemos contribuir com algo para distingui-la de um conto. Nós lhe emprestamos nossa energia atual e todos os nossos registros de imagens, necessariamente tirados do presente. Nós a adaptamos às nossas simpatias e antipatias; construímos igualmente sistemas de acontecimentos e, de acordo com nosso coração e o poder de nosso pensamento, damos uma forma de existência e substância a personagens, instituições, assuntos ou dramas, dos quais os documentos nos propõem apenas um argumento verbal, às vezes muito superficial. Para alguns, a história se reduz, então, a álbuns de imagens, cenários de ópera, espetáculos e situações geralmente críticas. Entre esses panoramas que compõem e experimentam nosso espírito, há aqueles que nos oferecem prodígios, encantamentos, efeitos teatrais extremamente belos ou incríveis demais, que interpretamos às vezes como símbolos, transposições poéticas, acontecimentos reais. Para alguns outros, mais abstratamente interessados pela história, esta é um registro de experiências humanas que é necessário consultar como se faz com os anais da meteorologia, e com a mesma preocupação de descobrir no passado algo do futuro. Ora, a única noção de fotografia, se a introduzirmos em nossa reflexão sobre a gênese do conhecimento histórico e seu verdadeiro valor, sugere imediatamente esta pergunta inocente: tal fato que me foi contado poderia ter sido fotografado? Como a história só pode conhecer coisas sensíveis, uma vez que o testemunho verbal é sua base, tudo o que constitui sua afirmação positiva deve poder ser decomposto em coisas vistas, em momentos de “captura direta”, correspondendo cada um ao ato de um operador possível, de um demônio repórter fotógrafo. Todo o resto é literatura. Tudo o que resta é composto por ingredientes da narrativa ou da tese, que são produtos da mente e, portanto, imaginações, interpretações ou construções, coisas sem corpo, imperceptíveis ao olho fotográfico ou ao ouvido fonográfico, e que, portanto, não puderam ser observadas e transmitidas puramente. Daí resulta que todas as discussões que podem surgir sobre o valor causal dos fatos, sua importância ou seu significado, não se exercem senão sobre fatores não históricos — são o ato de nossas faculdades críticas ou inventivas —, mais ou menos temperados pelos textos.
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ESPECIAL
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resistir e construir realidades mariana nepomuceno & sérgio caneca
Alcançar 15 anos de existência é, por si só, um marco importante para qualquer curso superior no Brasil, sobretudo no país recente, onde o obscurantismo ameaçou a existência das universidades. Esperemos que esse mau-tempo tenha passado. E, quando se trata de um curso de Fotografia, área que une arte, técnica, sensibilidade e constante atualização tecnológica, isso é mais que uma comemoração, é um ato de verdadeira resistência. O Curso de Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco celebra essa trajetória com orgulho, pois não apenas formou centenas de profissionais ao longo desses anos, mas também ajudou a construir uma base sólida para o reconhecimento da fotografia como campo acadêmico, ético e profissional no país. Em um cenário nacional onde as transformações sociais, culturais e tecnológicas ocorrem de forma acelerada, manter a relevância de um curso por tanto tempo exige compromisso com a inovação e fidelidade a princípios fundamentais como a ética na produção e na difusão das imagens. Ao formar fotógrafos e fotógrafas, o curso não entrega apenas habilidades técnicas: promove a consciência crítica sobre o poder da imagem na sociedade contemporânea, estimulando o
respeito à verdade, à diversidade (gêneros, etnias) e à responsabilidade social. Nesses 15 anos, acompanhamos as revoluções tecnológicas e buscamos adaptar sua metodologia, atualizando conteúdos, investindo em infraestrutura e promovendo o diálogo entre tradição e futuro. Para isso contamos com os melhores professores e professoras, cm experiência acadêmica e de mercado. No competitivo mercado da imagem, os egressos do curso ocupam posições de destaque em áreas como jornalismo, moda, publicidade, arte, audiovisual e redes sociais, provando que a formação sólida, aliada à visão humanista e ao domínio técnico, é um diferencial do nosso curso. Celebrar 15 anos é reconhecer o esforço coletivo de docentes, alunos e gestores que acreditaram nesse projeto. Mas comemoramos, também, olhando para frente com o mesmo entusiasmo do começo, certos de que a fotografia continuará sendo uma linguagem essencial, sempre. A satisfação maior, sem dúvida, é ver nossos ex-alunose ex-alunas atuando nas mais diversas regiões do país e do mundo, transformando o que aprenderam aqui em imagens que informam, emocionam, provocam e constroem realidades. 83
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Estávamos na primeira década do aguardado século XXI. A imagem vinda da fotografia analógica, preparada com afinco e cuidado artesanal, começava a ceder espaço à popularização das câmeras PowerShot. O digital adentrava os lares e os registros de família agora poderiam ser registrados, avaliados, refeitos. Os álbuns de criança com olhos vermelhos e gestos inusitados poderiam ser checados e corrigidos pela tecnologia. Era 2010 e o Instagram alterava nossa relação com a forma como a imagem mediava a nossa socialização: a fotografia se tornava centro de mudanças culturais e comportamentais, modificando hábitos de consumo, potencializando padrões, tornando a produção e o acesso ao conteúdo de um aplicativo de celular uma maneira de existir e de estar no mundo. Foi neste contexto disruptivo que a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) iniciou o curso de Fotografia. A trajetória marcada por excelência e criatividade rendeu importantes frutos: a especialização Narrativas Contemporâneas da Fotografia e do Audiovisual, o MBA em Cultura Visual: Fotografia e Arte LatinoAmericana e o curso de extensão Ganhando Asas através da comunicação e da arte. A especialização está em sua 7ª turma e se destaca como uma oportunidade de aprofundamento nas linguagens visuais contemporâneas, explorando as interseções entre fotografia e audiovisual. São temas de estudo dos encontros: a relação entre fotografia, cinema e outras mídias; e técnicas avançadas de produção e edição de imagens. O MBA contribuiu para oferecer uma formação inovadora que explora as interseções entre fotografia, arte e cultura na América Latina. Ideal para quem busca expandir suas habilidades criativas e compreender as tendências e desafios das narrativas visuais no século XXI. Ganhando Asas através da Comunicação e da Arte é um curso de extensão voltado para pessoas com Síndrome de Down e deficiência intelectual. O curso promove oficinas que se diferenciam das aulas escolares. As turmas têm como objetivo a inclusão social e ampliar as capacidades cognitivas em ambientes comuns a jovens da mesma faixa etária.
Um curso vitorioso. Na foto, a professora-coordenadora Renata Victor, em uma das muitas comemorações acadêmicas, na Expocom, Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação onde, repetidamente, o curso de fotografia da Unicap tem brilhado
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Talentos regionais em evidência Além dos cursos de pós-graduação e de extensão, o curso tem sua excelência comprovada pela longa lista de prêmios conquistados por seus estudantes tanto regional quanto nacionalmente. O brilho dos estudantes da Unicap tem iluminado o cenário de competições importantes com destaque para os encontros regionais e nacionais da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação – Intercom. 2010 e 2011 Marcaram o início das atividades no curso de Fotografia da Unicap. 2012 O ano trouxe as primeiras conquistas. Edmar Melo ficou 1º lugar no Prêmio Fotografia Sebrae, na categoria Futebol, com o tema “Pernambuco, uma paixão por futebol”. Karina Morais também se destacou com o projeto “Meu momento apple” no InstaJC, e conquistou o Prêmio JC com o trabalho #FilmeVencido. 2013 O aluno Milton Raulino conquistou o prêmio no Expocom pelo trabalho “O berço da música: Luteria”, orientado pela professora Renata Victor. 2014 O ano foi duplamente premiado. No 16º FestCine, os alunos do curso conquistaram o 1º lugar no prêmio de Melhor Documentário. Já no Expocom, Mirtes Suan Medeiros conquistou um prêmio na categoria Produção em Fotojornalismo com o trabalho “Bicicleta”, orientado pela professora Renata Victor. As alunas Jéssica Maia, hoje fotógrafa com ênfase da vida cultural de Pernambuco, e Gabriela Albuquerque são alguns dos destaques e talentos tanto no meio profissional quanto acadêmico
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2015 Simony Rodrigues venceu o Mobgraphia, na categoria Retrato, com a imagem “Submersa”. No Expocom, Paulo Souza foi premiado na categoria de Produção Multimídia, orientado por Maria Carolina Monteiro, e Gabriella Lucena conquistou o prêmio na categoria de Filme de Animação, sob orientação de Leonardo Gomes.
2016 Elise Berenguer venceu o concurso em preto e branco da Bride Association, e o grupo formado por Paulo Souza, Amanda Melo, Eva Josifan e Josinete Barbosa foi premiado no SET Universitário pelo filme de ficção “Pombal 350”. 2017 Suann Medeiros venceu a categoria Fotonovela no Expocom Nordeste e também foi premiada nacionalmente com “A Morte Amorosa”, sob orientação de Maria Carolina Monteiro. Lucas Fernandes também se destacou com o videoclipe “Esperança”, orientado por Luca Pacheco, premiado no Expocom NE. 2018 Os alunos da Unicap se destacaram em 2018. Natália Albuquerque e Luan Mateus venceram no Expocom NE com a releitura fotográfica de Thomaz Farkas, orientados por Juliana Torezani. Douglas Fagner foi premiado com “Retratos: Vida e Poesia”, sob orientação de Filipe Falcão. No Prêmio Cristina Tavares, Shilton Araújo foi premiado na categoria Fotojornalismo. Raquel Valentim e Sérgio Bernardo conquistaram o Prêmio Pernambuco de Fotografia. Além disso, Thiago Britto teve destaque no Salão Universitário de Arte Contemporânea do Sesc Pernambuco, com o projeto “Trans Vive”. 2019 Gabriel Santana foi premiado no Expocom na categoria videoclipe, orientado por Aline Grego e Filipe Falcão. Na mesma edição, Quel Valentim recebeu o prêmio de Direção de Fotografia, também sob orientação dos mesmos professores, destacando a excelência técnica dos alunos da Unicap. 2020 O ano foi marcado por conquistas significativas dos alunos de Fotografia da Unicap no Intercom Nordeste. Ana Claudia Monteiro Dutra venceu na etapa Regional com o filme de ficção "Simulacro", e Bruna de Melo Reinaux Porto destacou-se com o videoclipe "Foi isso que eu aprendi", ambos sob a orientação de Filipe Tavares Falcão Maciel. Catarina Luíza de Macêdo Pennycook brilhou com o prêmio de Fotografia Artística por "Identidade", orientada por Renata Victor. Além disso, Sérgio Maranhão de Mendonça Campos foi premiado nas etapas Regional e Nacional com a direção de fotografia do filme "Teresa", demonstrando excelência criativa e técnica.
2021 Os alunos da Unicap continuaram a se destacar. Willian da Silva de Oliveira Nunes conquistou o prêmio regional com o filme de ficção "Ar", enquanto Fernanda Travassos emocionou com o ensaio fotográfico artístico "Avós", ambos sob a orientação de Renata Victor. Hugo Santos também teve seu talento reconhecido pela fotografia artística "Ensaio FaceTime". 2022 O ano de 2022 trouxe novas vitórias. Sidney Rocha, Amanda Chaves e Fernanda Travassos venceram com o filme de ficção "Moby Dick", orientados por Filipe Tavares Falcão Maciel. Jessica Eduarda Maia Cavalcanti destacou-se com o ensaio artístico "Desafogo", orientada por Renata Victor, enquanto Maria Eduarda, aluna do MBA, foi premiada pelo design de impressa "Zine: percepções de resiliência de mulheres em Brasília Teimosa durante a pandemia da Covid-19". 2023 Vinicius Lins foi reconhecido pelo videoclipe "Saia da frente", orientado por João Guilherme. Juliana Amara Araújo dos Anjos conquistou o prêmio regional com o site "A Semana 22", orientada por Maria Carolina Monteiro, mostrando versatilidade no uso de diferentes mídias digitais. 2024 O ano consolidou o talento dos alunos com projetos criativos e impactantes. Clara Barboza de Lucena foi premiada pelo curta-metragem "Me explique como em um delírio", orientada por Alan Campos. Gabriel Costa de Souza brilhou na direção de fotografia com "Sublinhando-me", e Widio Joffre Aguiar de Jesus destacou-se com a produção audiovisual "Recife enquanto os Monstros Dormem". 2025 Um ano de conquistas. A aluna Gabriela Albuquerque ganhou o prêmio no Intercom pelo videoclipe “Chapéu de couro (Xamba das Yabás)”, orientada por Marcelo Pedroso. E as conquistas não pararam por aí, o curso de fotografia recebeu, pela sua terceira vez, uma nota 5 na avaliação do MEC. Além disso, o curso completou seus 15 anos, com diversos estudantes que já passaram por suas salas de aula se destacando em diversas áreas da fotografia.
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“fomos além da sala de aula” Nos últimos 15 anos, a Fotografia passou por transformações intensas, tanto no campo tecnológico quanto nas formas de se narrar o mundo por meio das imagens. Nesse contexto dinâmico, o curso de Fotografia da Universidade Católica tem se consolidado como uma referência nacional, não apenas por sua excelência acadêmica — comprovada pelas três notas máximas nas avaliações do MEC —, mas, sobretudo, por sua capacidade de evoluir com o tempo, formando profissionais críticos, sensíveis e preparados para os desafios contemporâneos da imagem. Nesta entrevista exclusiva à Unicaphoto, a professora Renata Victor, idealizadora e coordenadora do curso desde sua criação em 2010, compartilha os bastidores dessa trajetória pioneira. Com uma fala que transita entre a paixão pelo ensino e o compromisso com a linguagem fotográfica, ela reflete sobre os motivos que impulsionaram a criação do curso, os desafios enfrentados, as atualizações curriculares, os impactos das novas tecnologias — como a inteligência artificial —, e a importância de uma formação sólida em um mundo onde todos têm uma câmera nas mãos, mas poucos dominam, de fato, a arte de ver. Renata também celebra conquistas coletivas, parcerias institucionais e histórias de alunos que hoje brilham na fotografia. Mais do que um panorama sobre a formação acadêmica na área, esta conversa é um convite à reflexão sobre o papel da fotografia na sociedade e a potência transformadora de quem a escolhe como caminho. As fotos são de XXXXX.
Unicaphoto – Quais fatores levaram você a identificar, ainda em 2010, que havia demanda e um contexto favorável à criação de um curso de graduação em Fotografia? Renata Victor – Comecei a lecionar na Universidade Católica, no curso de Jornalismo, ministrando a disciplina de Fotografia. Já ali era possível perceber o interesse dos alunos em se aprofundar mais na área, além dos bons resultados que começaram a apresentar, inclusive em concursos fotográficos e em eventos como Expocom, que é uma mostras competitivas do Intercom. Esses resultados sinalizavam que havia um público interessado e com potencial para algo maior. Na época, eu também trabalhava como repórter fotográfica em jornal e via de perto o quanto as pessoas queriam aprender mais sobre fotografia. E não se tratava apenas de um curso básico, mas de um desejo por formação sólida, de nível superior. Outro fator importante foi o surgimento do primeiro curso de graduação em Fotografia no Brasil, oferecido pelo Senac, em São Paulo. O Brasil já estava atrasado em relação a países como os Estados Unidos e vários países da Europa, que há tempos ofereciam graduações e pós-graduações na área da imagem. Tudo isso mostrava que havia um contexto muito favorável para a criação do curso. Unicaphoto – A Fotografia passa por constantes transformações, especialmente com os avanços tecnológicos e estéticos. De que forma o curso acompanha essas mudanças e como o profissional pode se manter sempre atualizado? RV – O curso de Fotografia da Universidade Católica foi criado em 2010 e, desde então, já passou por quatro atualizações do seu projeto pedagógico, todas motivadas pela necessidade de acompanhar as transformações da área, tanto do ponto de vista tecnológico quanto estético e de mercado. A primeira grande mudança veio logo em 2012, 89
quando as câmeras profissionais passaram a contar com recursos de filmagem. Esse movimento nos alertou para a importância de formar fotógrafos também aptos a trabalhar com imagem em movimento. A partir disso, criamos o FotoVídeo, um evento que segue ativo até hoje, e que nos ajudou a compreender os novos espaços de atuação para o profissional da imagem. Desde então, incorporamos ao currículo disciplinas voltadas para o audiovisual, para a cultura visual contemporânea e para a reflexão crítica sobre a imagem. Estamos sempre atentos às inovações, e isso faz parte da identidade do curso: evoluir junto com o tempo e com as transformações do setor. Acreditamos que, além da formação técnica sólida, o que mantém o profissional atualizado é a curiosidade, a disposição para aprender continuamente e a capacidade de dialogar com as mudanças, seja na linguagem, na tecnologia ou nas formas de narrar o mundo por meio da fotografia. Unicaphoto – O que você percebe de mais diferente na fotografia de 20 anos atrás em comparação aos dias de hoje? RV – A história da fotografia é fascinante. Apesar de relativamente jovem, prestes a completar 200 anos, ela já passou por transformações profundas. Nos seus primeiros anos, foi marcada por uma sequência de descobertas e avanços técnicos. Depois, por um tempo, viveu certa estabilidade. Mas no final dos anos 1990, tudo começou a mudar novamente com a chegada da fotografia digital, um divisor de águas. Sair do analógico para o digital foi uma revolução: mudou a forma de produzir, de editar, de armazenar e até de pensar a imagem. Em seguida, veio outra virada importante, quando os equipamentos fotográficos passaram a incorporar a função de filmar. Isso ampliou o campo de atuação do fotógrafo e exigiu uma nova formação técnica, voltada também para o audiovisual. E hoje vivemos mais uma grande transformação, com o avanço da inteligência artificial. Ela já interfere em várias etapas da produção fotográfica e nos desafia a refletir sobre autoria, ética, verdade e manipulação da imagem. Ou seja, a fotografia está sempre em movimento. Os suportes e os artefatos mudam, as linguagens evoluem, mas a essência da fotografia, seu poder de narrar, emocionar e registrar o tempo permanece. O profissional da imagem precisa estar em constante atualização, aberto ao novo, mas com os pés firmes na história e na linguagem que tornam a fotografia o que ela é. 90
Unicaphoto – Com a popularização da fotografia feita por celulares, que oferecem recursos automatizados e imagens de alta qualidade, por que ainda vale a pena investir em uma formação acadêmica em Fotografia? RV – Hoje, com um celular na mão, qualquer pessoa pode produzir imagens de alta qualidade, tanto fotos quanto vídeos. Isso fez com que todos se sentissem, de alguma forma, fotógrafos ou filmmakers. Mas existe uma diferença essencial entre fazer imagens e entender, dominar e transformar a fotografia em linguagem, em narrativa, em expressão. O fotógrafo de verdade é aquele que estuda, que reflete, que compreende a composição, a luz, o tempo, o discurso visual. E isso vale independentemente da ferramenta, seja um smartphone ou uma câmera de última geração. O que realmente importa é quem está por trás do equipamento. Investir em uma graduação em Fotografia é investir em repertório, em pensamento crítico, em trocas que só o ambiente acadêmico proporciona. A sala de aula é um espaço vivo de discussão sobre estética, ética, técnica, história e futuro da imagem. O professor não é mais um detentor de saber absoluto, mas um indutor de debates e descobertas, e é nesse processo que o estudante cresce, se transforma, se reinventa. Eu sempre digo aos meus alunos e alunas: não há preconceito com os smartphones, eu uso, gosto, me divirto com eles. Mas o grande diferencial está em quem opera o artefato, e não no artefato em si. Basta lembrar que até hoje nos emocionamos com as fotografias de Cartier-Bresson, Robert Capa, Robert Doisneau, Diane Arbus… todos usavam equipamentos muito mais simples do que os que temos hoje. E ainda assim produziram imagens poderosas, inesquecíveis. Portanto, estudar fotografia é entender que ela vai muito além da técnica. É mergulhar em um universo onde olhar, sensibilidade e pensamento caminham juntos. Unicaphoto – Ao longo desses 15 anos de história e com três notas máximas (5) nas avaliações do MEC, quais foram os momentos mais marcantes do curso para você, enquanto coordenadora e professora? RV – Sem sombra de dúvidas, conquistar a nota máxima na avaliação do MEC por três vezes foi um dos momentos mais marcantes e emocionantes da nossa trajetória. A nota 5 representa muito mais do que um número, é o reconhecimento de um trabalho sério, comprometido e feito com muito amor. Mas nenhum resultado se alcança sozinho. Para chegar até aqui, contamos com uma equipe
FOTO: KEILA CASTRO
A fotografia é plural. Para Renata Victor, coordenar o curso de Fotografia é mais que uma função: é uma missão apaixonada por formar profissionais éticos, sensíveis e conscientes do poder transformador da imagem. Uma luta diária pela valorização da fotografia em toda a sua pluralidade.
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Compromisso diário, de uma vida inteira. À frente de um curso que vai muito além da sala de aula, Renata Victor celebra uma trajetória marcada pela excelência no ensino, pesquisa, extensão e diálogo com a sociedade. A consolidação da fotografia como linguagem crítica, profissão e poesia, sem perder as dimensões sociais e éticas.
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extraordinária, professoras e professores dedicados, técnicos competentes no laboratório, funcionários comprometidos… É um esforço coletivo, e me enche de orgulho poder coordenar esse time tão talentoso. Cada uma dessas conquistas teve seu sabor único, seja a primeira, a segunda ou a terceira. Todas vieram como uma confirmação de que estamos no caminho certo: oferecendo uma formação de excelência, com afeto, responsabilidade e sensibilidade para acompanhar as transformações ]da fotografia e do mundo. Coordenar o curso de Fotografia é, para mim, uma missão. Uma missão que vai além da gestão acadêmica, é lutar diariamente pela valorização da fotografia e de seus profissionais que, até hoje, ainda enfrentam preconceitos. A fotografia é plural. Vai do fotojornalismo à fotografia de família, da produção científica à expressão artística. É memória, é denúncia, é poesia, é registro e criação. E é justamente essa diversidade que torna tão urgente e necessário o nosso compromisso com uma formação sólida, crítica e sensível. Eu sempre me emociono ao falar sobre isso, porque acredito que esse reconhecimento é exatamente quem somos e o que buscamos: entregar o melhor, todos os dias, com amor e dedicação à imagem e ao ensino. Hoje, já formamos 333 fotógrafos e fotógrafas, profissionais éticos, conscientes do seu papel social e comprometidos em usar a fotografia como instrumento de transformação e com responsabilidade social. Unicaphoto – Como você se sente ao ver alguns dos seus ex-alunos ou mesmo alunos ainda em formação fazendo sucesso na fotografia? RV – Sinto um orgulho imenso. É uma alegria difícil de descrever ver ex-alunos conquistando seu espaço, sendo reconhecidos, produzindo trabalhos potentes. Isso mostra que todo o esforço valeu a pena, que o nosso propósito foi cumprido. Mais do que formar profissionais tecnicamente competentes, sempre buscamos formar pessoas sensíveis, éticas e comprometidas com o que fazem. Quando vejo nossos estudantes brilhando por aí, sei que estamos no caminho certo. E é justamente isso que dá sentido à missão de ensinar, acompanhar a trajetória de quem passou por aqui e saber que, de
alguma forma, contribuímos para que encontrassem sua fotografia. Unicaphoto – Na sua opinião, qual é o item indispensável para a realização de um bom trabalho fotográfico? RV – Um bom trabalho fotográfico exige a combinação de três pilares fundamentais: domínio técnico, criatividade estética e sensibilidade. Unicaphoto – Quais foram os principais avanços e conquistas ao longo dos 15 anos do curso de Fotografia da Universidade Católica? RV – Ao longo desses 15 anos, construímos um curso sólido, comprometido com a excelência não apenas no ensino, mas também na pesquisa, na extensão e na conexão com a sociedade. Fomos além da sala de aula, ampliando horizontes e consolidando a fotografia como linguagem crítica, criativa e transformadora. Hoje, temos a alegria de celebrar a sétima turma da Especialização em Narrativas Contemporâneas da Fotografia e do Audiovisual, um projeto que tem formado profissionais com olhar sensível e apurado para o nosso tempo. Também realizamos duas turmas do MBA Cultura Visual, Fotografia e Arte LatinoAmericana, ampliando o debate sobre identidade e produção cultural em nosso continente. Além disso, já formamos cinco turmas do curso de extensão Ganhando Asas através da Comunicação e da Arte, que reforça nosso compromisso com o acesso, a diversidade e a expressão artística. Nesse percurso, firmamos grandes parcerias que enriqueceram ainda mais a formação dos nossos estudantes, com instituições como o Museu da Cidade do Recife, o Instituto Ricardo Brennand, a Fundação Terra, o Arquivo Público do Estado de Pernambuco e o Festival VerOuvindo, entre muitos outros. Essas colaborações permitiram vivências práticas, exposições, oficinas, ações sociais e trocas que atravessam os muros da universidade. Também colhemos frutos importantes: prêmios conquistados por docentes e discentes, reconhecimento de projetos autorais e acadêmicos, e o fortalecimento de uma rede de profissionais que hoje atuam em diversas frentes da fotografia, com excelência e propósito. É oresultado de um trabalho coletivo e apaixonado, repleto de desafios. De conquistas que reafirmam, todos os dias, o valor e a potência da fotografia. 93
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FEVEREIRO Iniciando o Semestre 2025.1 10 de fevereiro 2025 Hoje foi o primeiro dia de aula do semestre 2025.1, e começamos com o pé direito! Nossos alunos e alunas do curso de Fotografia receberam Maria Chaves, que veio compartilhar a programação do 10º Pequeno Encontro da Fotografia. Um momento inspirador para dar início a mais um semestre cheio de aprendizado e criatividade. Visita do produtor audiovisual Fernando Nogueira 21 de fevereiro 2025 Na última sexta-feira, 21/02, a turma do 3º período de Fotografia da Unicap recebeu a visita especial do produtor audiovisual Fernando Nogueira! Um bate-papo inspirador sobre os desafios e oportunidades do mercado do audiovisual. Bate-papo com ex-aluno Filipe Ribeiro 25 de fevereiro 2025 Nossos estudantes do curso de Fotografia da Unicap tiveram a incrível oportunidade de conversar com Filipe Ribeiro, ex-aluno do curso, que compartilhou sua trajetória profissional e apresentou um trabalho fascinante, fruto de um ano viajando pelo mundo! Ver ex-alunos brilhando e compartilhando suas vivências
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com as novas gerações é algo que nos enche de orgulho! MARÇO Exposição Fotográfica: Mulheres Marisqueiras – Manguezal de Aver-o-Mar 11 de março de 2025 A egressa dos cursos de Fotografia e da Especialização em Narrativas Contemporâneas da Fotografia e do Audiovisual, Silvana Andrade, apresenta sua exposição “Mulheres Marisqueiras – Manguezal de Aver-o-Mar” na 23ª Semana da Mulher da Unicap. Uma homenagem às mulheres que vivem e resistem nos manguezais, refletindo sobre ecofeminismo e sustentabilidade. Parceria com O Pequeno Encontro de Fotografia 13 de março de 2025 O curso de Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco, em parceria com o Pequeno Encontro de Fotografia, teve a alegria de ceder o laboratório químico para a revelação das imagens produzidas na oficina do renomado artista Dirceu Maués. Um momento especial que
reafirma nosso compromisso com a experimentação, a troca de saberes e a valorização dos processos fotográficos analógicos. O Pequeno Encontro de Fotografia 14 de março de 2025 Nossos estudantes do curso de Fotografia da Unicap marcaram presença no Pequeno Encontro da Fotografia, no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda! Foi uma experiência enriquecedora. Agradecemos o convite e parabenizamos os organizadores e palestrantes pelo evento. Oficina com o Projeto “Menina Faz Ciência” 19 de março dE 2025 Recebemos as crianças do projeto “Menina Faz Ciência” para uma tarde divertida de conhecimento, aplicando a técnica Pinhole, que utiliza latas para fazer fotografia. Visita: Ex-aluno Flávio Costa 21 de março de 2025 Em uma conversa inspiradora, Flávio compartilhou sua trajetória profissional, marcada por uma atuação plural no campo da imagem.
trabalhos, destacando a importância da escuta, da experimentação e do olhar atento ao cotidiano. Sua fala reforçou o quanto a formação no curso de Fotografia da Unicap foi fundamental para a construção de uma linguagem própria e para o desenvolvimento de sua carreira no mercado. Concluintes de 2024.2 25 de março de 2025 Vivemos um momento de imensa alegria no Centro de Convenções de Pernambuco, celebrando a colação de grau de mais uma turma do curso de Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco. É sempre uma emoção acompanhar a conclusão dessa etapa tão significativa na vida dos nossos alunos e alunas. Cada colação é marcada por sorrisos, lágrimas e muitos aplausos — não só dos formandos, mas também de seus familiares, amigos e professores, que compartilham dessa conquista com muito orgulho. O curso de Fotografia se sente profundamente honrado em formar profissionais talentosos, comprometidos e sensíveis ao mundo à sua volta. Mais do que celebrar o sucesso acadêmico, desejamos a todos um futuro repleto de realizações, tanto na carreira quanto na vida pessoal.
Com sensibilidade e domínio técnico, ele transita por diversas linguagens. Durante a visita, Flávio apresentou parte de seu portfólio e falou sobre os processos criativos por trás de seus
Heverton Guedes – As Narrativas Contemporânea da Fotografia e do Audiovisual 7ª Turma 27 de março de 2025 Heverton Guedes é pesquisador do PPGCom da UFPE, tem seu trabalho ancorado na linha de estética e culturas da imagem e do som. Na
disciplina “Poética da Imagem” ministrada pelo professor Ivan Alecrim , contou com a palestra ,” Por uma paisagem sertaneja: entre a perspectiva e o repertório”, com o Heto Sazah. Bosquinho Lacerda 28 de março de 2025 Inspiração e aprendizado no curso de Fotografia da Unicap. O 3º Modulo recebeu o talentoso fotógrafo de casamentos Bosquinho Lacerda, que compartilhou sua experiência, sensibilidade e técnica fotográfica sobre esse universo tão especial. Carlos Cajueiro 01 de abril de 2025 A turma de Linguagem Fotográfica II, da professora Renata Victor, recebeu a visita do fotógrafo Carlos Cajueiro! Reconhecido por seu trabalho na moda e na publicidade, Cajueiro compartilhou sua experiência com os estudantes, trazendo uma visão inspiradora de quem atua em Recife, pelo Brasil e também no exterior. Hugo [Uhgo] 04 de abril de 2025 A turma da disciplina Linguagem Fotográfica II, ministrada pela professora Renata Victor, recebeu a visita especial do fotógrafo Hugo, ex-aluno do curso de Fotografia da Unicap. Durante o encontro, Hugo compartilhou sua experiência no mercado e falou sobre os desafios e possibilidades da fotografia de moda. Caio Danyalgil 08 de abril de 2025 Dia de reencontro e inspiração na disciplina de Linguagem Fotográfica II! Recebemos com muito 107
carinho o ex-aluno Caio Danylgil, que compartilhou com os nossos estudantes um pouco do seu olhar fotográfico e da sua trajetória na empresa LOC, com destaque para o projeto Novo Olhar — uma iniciativa potente que transforma realidades por meio da imagem. A aula foi conduzida pela professora Renata Victor, sempre promovendo encontros que conectam o presente com o futuro da fotografia. Divulgação da nova plataforma Unicaphoto 09 de abril de 2025 A nova plataforma é feita para estudante ou egresso do curso de fotografia desenvolvido na disciplinar de projeto integrador da Profa Renata Victor junto com os alunos de JornalismoEm comemoração aos 15 anos do curso, com o intuito de divulgar os serviços de fotógrafos (as) e videomakers formados na Unicap, anunciamos a plataforma Unicaphoto, um serviço gratuito de projeção profissional. Visita ao Ateliê de Impressão e Exposição de Sebastião Salgado na Caixa Cultural 11 de abril de 2025 Os alunos do terceiro módulo do curso de Fotografia da Unicap vivenciaram uma experiência enriquecedora no Ateliê de Impressão. Durante a disciplina Gerenciamento de Cor e Impressão, ministrada pela professora Mariana Nepomuceno, eles aprofundaram seus conhecimentos técnicos e acompanharam de perto o processo Fine Art, que transforma imagens em obras impressas com precisão e durabilidade. A tarde ainda contou com uma visita à exposição de Sebastião Salgado, na Caixa Cultural. Uma oportunidade única de conectar teoria, prática e grande referência da fotografia mundial. Parceria com os atletas do futsal masculino da Unicap 24 de abril de 2025 Em uma parceria especial com o
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curso de Fotografia, os atletas do futsal masculino da Unicap e o técnico Da Silva participaram de um ensaio fotográfico para apresentar o novo padrão do time, que promete brilhar nos campeonatos de 2025. Feliz dia das mães: Uma homenagem do curso de fotografia 11 de maio de 2025 Neste Dia das Mães, celebramos com carinho as mulheres que iluminam nossa caminhada, aquelas que cuidam de quem aprende e aquelas que aprendem cuidando. Mães que acompanham de perto e que seguem firmes, dividindo o tempo entre os sonhos e o amor de ser mãe. As imagens que preparamos são a nossa forma de homenagear, através da fotografia, a presença, a força e a ternura de cada uma de vocês. Sessão VerOuvindo: Wadja de Narriaman Kauane 20 de maio de 2025 Os estudantes do curso de Fotografia, da disciplina Linguagem Fotográfica II, ministrada pela professora Renata Victor, junto com os estudantes da especialização As Narrativas
Contemporâneas da Fotografia e do Audiovisual, sob orientação do professor Marcelo Costa, e da turma do curso de Jornalismo da professora Carla Teixeira, acompanharam o VerOuvindo Circula: Mostra de Cinema Acessível, que exibiu o filme “Wadjda” e o curta “Narriman Kauane”. Por fim, parabenizamos o trabalho do VerOuvindo, por meio de Liliana Tavares e sua equipe, pelo compromisso com a acessibilidade e a democratização do cinema. Bate-papo com Julianna Torezani sobre Direito de uso da imagem em pauta 22 de maio de 2025 Na disciplina Gestão de Projetos e Negócios em Imagem, do professor Carlos Alberto Jahn, nossos estudantes tiveram a oportunidade de participar de um bate-papo valioso com a professora Julianna Torezani, que abordou temas fundamentais como direito de uso da imagem e direitos autorais no contexto da fotografia. Fotografia em Luto: Sebastião Salgado 23 de maio de 2025 Com muita tristeza que recebemos a notícia da partida de Sebastião Salgado O curso de Fotografia da Unicap lamenta profundamente a perda de Sebastião Salgado, um dos maiores nomes da fotografia mundial. Brasileiro de alma inquieta e olhar humanista, Salgado dedicou sua vida a registrar a dignidade, a dor e a beleza da condição humana, em imagens que atravessaram fronteiras e tocaram consciências. Trabalhos selecionados para Intercom Nordeste 2025 28 de maio de 2025 Com muito orgulho, anunciamos que, graças ao excelente desempenho acadêmico de nossos estudantes e professores, os projetos do curso de Fotografia foram selecionados como finalistas no Expocom Nordeste 2025.
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9ª Gincana do Saber Fotográfico 31 de maio de 2025 Na manhã do dia 31 de maio aconteceu mais uma edição da gincana do saber fotográfico repleta de alegria, interação e criatividade, em que nossos estudantes se envolveram em uma atividade lúdica e divertida, mas com foco no ensino-aprendizagem e na socialização entre os estudantes. Unicaphoto: nova plataforma conecta talentos da fotografia e do audiovisual 06 de junho de 2025 Curso de Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) lança nesta sexta-feira (6) a Unicaphoto, plataforma que reúne curadorias e contatos de profissionais de fotografia e audiovisual graduados no curso. O lançamento ocorre em comemoração aos 15 anos do Curso de Fotografia da Unicap. O acesso ficará disponível no site unicaphoto.com.
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Exposição Interdisciplinar 2025.1 10 de junho de 2025 Exposição Interdisciplinar na Biblioteca Central da Unicap, trabalhos produzidos para disciplinas do curso de fotografia Maíra Erlich 17 de junho de 2025 Recebemos a visita da fotógrafa Maíra Erlich na disciplina de Linguagem Fotográfica II, da professora Renata Victor. Maíra compartilhou sua trajetória na fotografia e suas vivências no fotojornalismo. Foi um momento enriquecedor e inspirador para os nossos estudantes. Confraternização 2025.1 18 de junho de 2025 Celebramos a nossa já tradicional confra de fim de período, uma noite marcada por muita alegria, troca e conexão! Agora é hora de recarregar as baterias, curtir as merecidas férias e voltar em agosto com toda energia para mais um semestre cheio de desafios e conquistas.
Somos 3x5 estrelas no MEC 23 de junho de 2025 Pela terceira vez, o nosso curso recebe nota máxima na avaliação do MEC. Uma conquista que nos enche de alegria e orgulho, fruto de um trabalho coletivo, comprometido e apaixonado. Agradecemos de coração a todos e todas que fizeram parte desse processo: professores, estudantes, técnicos, colaboradores e os diversos setores da Universidade que nos apoiaram em cada etapa. Dia de apresentações no Intercom Nordeste 2025 24 de junho de 2025 Nossos estudantes Clarice, Gabriela e Sérgio deram um show nas apresentações do Expocom. Com trabalhos potentes e cheios de significado, representaram com orgulho o curso de Fotografia da Unicap. Gabriela Albuquerque leva prêmio no Intercom Nordeste 2025 26 de junho de 2025 É campeão! Nosso trabalho foi o grande vencedor no Intercom Nordeste 2025. Uma conquista que celebra dedicação, criatividade e o poder da comunicação. Chapéu de couro (Xambba das Yabás) CA 03 Videoclipe (avulso) Prof. Orientador Marcelo Pedroso
Sebastião Salgado (8 de fevereiro de 1944 23 de maio de 2025) Um dos maiores mestres da fotografia documental. Sua lente revelou as dores, belezas e contrastes do mundo com sensibilidade única. Um legado que continuará inspirando gerações de fotógrafos, dos iniciantes aos mais experientes.
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