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Edição 196

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Concorra a Ingressos

Anos

São 13 anos de Barroso EM DIA neste mês de Abril e quem ganha o presente é você! Acesse as plataformas de comunicação e saiba como concorrer a convites para os shows!

Desde 2006 - Número 196 - Sábado, 6 de Abril de 2019 - Barroso/MG - Distribuição Gratuita

“Meu irmão venceu o Festival da Canção em um dia e no outro o jipe do Exército estava lá em casa para prender ele”.

Relatos da Ditadura Militar em Barroso


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Editorial Não se trata de esquerda, não se trata de direita, quando o assunto é a vida, ou os valores dela, nem mesmo o centro é a razão. Não existe lado ou, trazendo para a nossa ignorância, cor ou bandeira. O nazismo, como pior exemplo, não se refere ao partido, não se refere à esquerda, à direita ou a qualquer outro lado. O nazismo foi e sempre será algo imperdoável que ceifou milhões de vidas, seres humanos, que mesmo sem saberem seus lados morreram, vítimas ou cúmplices de um genocídio em que não cabe mais procurar uma posição que se torne razão. Foi e sempre será uma atrocidade. Portanto, entendam que, antes mesmo da direção, das intenções, dos posicionamentos, está a vida, o maior bem do qual desfrutamos, com ódio ou com amor, com ou sem wi-fi. Escolher Messias, porque do outro lado, mais precisamente do lado esquerdo, está uma estrela suja é, apesar de muito questionável, aceitável. Mas defender a atrocidade, aquela explicita do período negro e tenebroso da ditadura militar, simplesmente porque Messias a reverencia, é algo imperdoável que o tempo, como outrora e hoje mostram as páginas deste jornal em matérias relativas ao assunto, uma hora vai cobrar. E não nos referimos a números, ideologias e defesas de qualquer lado ou posição, classe ou saldo bancário, o assunto é a vida ou, como dissemos, os valores dela, mesmos que quase que totalmente esquecidos diante dos smarts e da ignorância que por sinal caminham juntos em passos tétricos. Tapar os olhos e os ouvidos sobre os relatos de tortura, repressão e extermínio porque Messias deve ser mais uma vez o salvador é no mínimo ignorância. Ignorar a história, aquela suja de sangue nos porões que até hoje ecoam medo, não se discute. Não se discute, aliás, até se discute, porque a democracia nos permite; é verdade. Aliás, comemorar o Golpe dentro da ditadura é permitido, mas já pensou em pedir a democracia dentro da ditadura? Impossível! Nem nós, principalmente nós, discípulos de Herzog, nem vocês, sejam de esquerda ou de direita, estaríamos aqui, lendo ou escrevendo sobre um posicionamento que não tem lado, que é de centro, mas não ignora a história. Não nas nossas páginas! Aqui, como lhes permite o regime, vocês terão a escolha de aceitar ou rejeitar. Por fim, ainda podemos expressar nossas opiniões e continuamos trazendo relatos como os de barrosenses que viveram dias difíceis, mesmo estando no interior. Neste mês de abril, são 13 anos de jornal, em prol da cidade, do povo. Um tempo em que acertamos e erramos, mas tivemos a escolha de opinar aqui nos editorias. Viva a democracia!

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Olá, bem-vindos à terra mágica de Barroso! Aqui, ao longo dos últimos 60 anos fabricamos neblina! Se você precisa de neblina para festas, teatros ou cidades muito calorosas como o Rio de Janeiro, nós resolvemos sua situação! Entre em contato conosco, nossos caminhões, estacionados na avenida central, prestes a provocar um acidente, vão atender seus pedidos! Adquira já um caminhão de neblina e leve um CD de piadas do Edivaldo do Facebook, o fenômeno do momento! Muito obrigado! Vai plantar batata! Quem é que respondeu isso, gente?! Neblina? Pro raio que o carregue! Aproveite e leve o Rei, porque esse Reinado é uma furada! Põe furada nisso! Barroso tá parecendo um queijo suíço! E não é piada com a Holcim não. É porque tá cheio de buracos mesmo! E vem chumbo grosso aí! Num tô falando do Robocop não, aliás, cadê ele? O robô sumiu! CPI pra mais de metro chegando! Polêmica do momento. Anota aí: espaço de barraqueiros nas festas no centro! Anota aí porque um passarinho amigo meu que me contou e tem assinatura pra lá, pra cá... uia! Dinheiro sujo? Já não chega a cidade suja?! E cadê a Japa, hein?! O Pinto? O Vasco? O Vasco é o vice, o Adermo! Uai, cadê todo mundo?! Bigode sumiu. Eu hein?! Esse povo tinha que dar as caras aí, uai! Chega deste fedor! Vamos voltar a falar da Fábrica! O povo não vai tomar atitude não? É só no Face mesmo? Vou fazer o seguinte: aproveitar que é tempo de penitência e vou à pé até aquela cruz que colocaram na Torre! Vou fazer uma promessa pra parar de cair neblina aqui em Barroso! Eu vou, mas eu volto! E cuidado com os ratos, e não é com os da praça não, hein?!

Questão de Opinião Paulo Terra

BARROSO: SÉCULO XX VERSUS SÉCULO XXI

Política e Cidadania Luizinho Moreira

luizinhomoreirablog.com Não desista da política. Com a sua participação ela transforma a sociedade. A Campanha da Fraternidade 2019 trouxe como tema “Fraternidade e Políticas Públicas”. E como lema motivador “Serás libertado pelo direito e pela justiça”(Is 1,27). Política pública é aquela que é de interesse de todos, quando os governantes desenvolvem programas e ações para garantir e colocar em prática os direitos previstos na Constituição Federal e em outras leis. Assegura o bem-estar da sociedade, independente de sexo, raça, religião ou nível social, nas áreas de saúde, educação, assistência social, meio ambiente, segurança, cultura etc. Com a participação de todos, podemos contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa, fraterna, humana e igualitária. Por que O Projeto de Lei 130 fez os músicos botarem a boca no trombone? O PL regulariza a forma de pagamento aos músicos da Banda Municipal, alterando o formato contábil. O vereador Anderson, após indagações de vários profissionais, alertou, em plenário, que o parágrafo único do artigo 6º poderia causar prejuízo aos músicos por permitir a suspensão dos pagamentos, em razão da condição financeira. Após consenso de todos, o parágrafo foi extinto.

Moro em Barroso desde outubro de 1955. Daquela época até agora muitas atividades que Barroso tinha, deixou de ter nos anos seguintes, e muitas outras que aqui não havia, agora há. Vamos juntos comentar as muitas mudanças havidas na cidade, para melhor ou para pior. Em muitas delas tive participação direta ou indireta, outras apenas vi acontecerem. Começarei pela fábrica de cimento na qual trabalhei por 38 anos. Quando fui admitido o primeiro forno, inaugurado oficialmente em 14 de agosto de 1955, ainda estava em fase de testes, e o segundo só foi inaugurado em 29 de dezembro do mesmo ano. O terceiro forno, cuja capacidade de produção era o dobro da produção dos dois primeiros, foi inaugurado em 21 de abril de 1962, com a presença de Tancredo Neves, então 1º Ministro do governo parlamentarista implantado pelo regime militar. Esses três fornos de via úmida foram desativados na década de 1990 e demolidos quando a fábrica já era propriedade da HOLCIM. De 1962 a 1972 a Barroso manteve em funcionamento o Grupo Escolar para os empregados que precisavam ser alfabetizados (aulas noturnas) e para os filhos dos empregados. Além do corpo docente a fábrica fornecia material escolar, farta merenda, uniformes e calçados, atendimento dentário, cinema nas noites de sábado, além de outros agrados. Manobras administrativas espúrias, à revelia do diretor escolar que era eu, levaram a Diretoria da empresa a desativar a escola em 1972 e a passar a recolher aos cofres do Estado o chamado “salário educação” que era mais oneroso do que a manutenção (porque era um percentual do custo da folha de pagamento dos empregados). É importante ressaltar, a meu ver, que mesmo durante os anos em que a Barroso foi parceira da Holderbank (1966 a 1969), a “Numa próxima fábrica manteve a edição mensal do jornal interno LOSANGO (1.000 exemplares), continuou patrocinando o Clube edição Atlético Montanhês e a estadia por 15 dias em Colônia de continuarei Férias da ACM - Associação Cristã de Moços para os alunos abordando o da Escola que eram promovidos da 3ª para a 4ª série. Numa próxima edição, se aprovado pela direção assunto do que do Barroso Em Dia, continuarei abordando o assunto do melhorou ou que melhorou ou piorou em Barroso com a mudança do piorou em século. Mas, por agora, os leitores já têm informações bastantes para avaliar as mudanças havidas. Barroso com a Na década de 1990 as fábricas de cimento do mudança do Grupo Paraíso foram adquiridas pelo grupo cimenteiro Holséculo”. dercim que, no início da primeira década do século XXI foram encampadas pela Holcim, depois LafargeHolcim. Na próxima edição continuarei comentando o que Barroso tinha, mas deixou de ter, e o que não tinha e passou a ter e algumas outras reflexões adicionais. A foto abaixo é do Grupo Curto a Memória de Barroso

Afirmação de Bolsonaro inflama discussão sobre o Nazismo O Presidente Jair Bolsonaro repetiu o posicionamento do Chanceler Ernesto Araújo, dentro do Museu do Holocausto, que o nazismo é de esquerda. O próprio museu, que o presidente acabara de visitar, exibe em seu site texto que atribui o nazismo a grupos radicais de direita. A mídia, visivelmente constrangida, afirma que tanto o Chanceler quanto o Presidente, contrariando o mundo e a história, emitem opiniões particulares apenas para provocar os rivais. Vereadores criticam ausência de colegas em reuniões Na reunião do dia 25 de março, alguns vereadores não esconderam suas decepções com ausência de vários colegas nas reuniões. O vereador Állan alegou que o Presidente marca as reuniões para discutir projetos, mas, segundo ele, várias vezes participam de três a cinco vereadores apenas. A Câmara tem dado um belo exemplo de economia, controle dos gastos e respeito com o nosso dinheiro. Logo, é inadmissível que a insensibilidade de alguns comprometa a imagem do legislativo. Estamos atentos!

EXPEDIENTE www.barrosoemdia.com.br Rua Maria José Melo, 13 - Centro - Barroso/MG Telefone: (32) 9.9199-1575 - WhatsApp

Co-fundador: Antônio Marcos Pinto (in memoriam) Editor Chefe/Jornalista responsável: Bruno Ferreira - 11.558/MG CNPJ: 12.772.555/0001-30 (E.I.) - Tiragem: 1.500 exemplares Repórter - Douglas Gonçalves - (UFSJ) / Colaboradores: Paulo Terra / Luiz Moreira E-mails: barrosoemdia@yahoo.com.br facebook.com/barrosoemdia twitter/@barrosoemdia Instagram: @jornalbarrosoemdia


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Auxílio financeiro Criado o auxílio financeiro para os músicos da Banda Municipal

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oi aprovado no fim da tarde da quartafeira (27) de março, no plenário da Câmara Municipal de Barroso, em reunião extraordinária, o Projeto de Lei 130/2019. Por unanimidade, com emendas, o projeto, que institui o Programa de Concessão de Auxílio Financeiro para os músicos da Banda Municipal, foi aprovado no Legislativo. De acordo com o Executivo, o projeto visa atualizar a lei 2.178 de 2007 que regulariza a forma de pagamento aos integrantes da Banda de Música, levando em conta que a lei em vigor não previa a fonte para a retirada do recurso financeiro para custear os pagamentos. Em defesa do projeto na Casa, os vereadores da base do governo chegaram a declarar que a decisão tinha também como objetivo a retirada dos músicos da folha de pagamento da Prefeitura, que, por sinal, ainda continua alta. OPOSIÇÃO Por outro lado, os vereadores de oposição ao governo, que também aprovaram o projeto, fizeram críticas à forma como foi conduzida a votação. “O executivo poderia, antes de tudo, procurar os músicos e conversar sobre o assunto. Da forma que foi conduzido, criou pânico entre os integrantes”, disse o vereador Anderson de Paula (PP) que sugeriu, sendo acatada, a retirada de um parágrafo único do artigo 6º, que, segundo ele, poderia causar prejuízo aos músicos por permitir a suspensão dos pagamentos, em razão da condição financeira. Após consenso de todos, o parágrafo foi extinto. Hoje, a Banda de Música tem cerca de 50 músicos na sua composição. O valor do auxílio financeiro será de dois terços do salário mínimo, ou seja, hoje R$665,40 mensais, podendo ser corrigido, conforme o projeto, anualmente pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC).

Fotos e vídeos da LafargeHolcim voltam a circular na internet. Empresa se posiciona e afirma que o que seria poluição era apenas neblina atividades pelo absoluto respeito à legislação brasileira, ao meio ambiente e às pessoas. A empresa informa ainda que mantém abertos diferentes canais de comunicação com a comunidade por meio do telefone (32) 33593200 (segunda a sexta, entre 8h às 17h) e pelo WhatsApp (32) 999122185′. R

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Diversos barrosenses se manifestaram nas redes sociais alegando acreditarem que a empresa aproveita o período da madrugada para jogar no ar substâncias contaminantes. ” Vi essa cena domingo a noite vindo de Barbacena, a fumaça tava tão forte e tão nítida que parecia que a fábrica tava pegando fogo,” disse um internauta. Já outros enfatizaram a importância de uma atitude por parte do Poder

Cirurgião Dentista, Especialista em Ortodontia na empresa Face Odontologia

Isaac Ferreira Quando colocar aparelho ortodôntico? Normalmente a definição da idade exata para o início do tratamento, depende de alguns fatores, como a idade do paciente, a presença de algum problema dentário, devido a um hábito inadequado, como o uso de chupetas ou sucção de dedos, o que pode acarretar no fechamento do “céu da boca”, causando dessa forma apinhamentos (“encavalamento”) dentário, o que pode prejudicar e muito o espaço para que os dentes permanentes nasçam. É importante fazer uma avaliação detalhada, juntamente com a solicitação de alguns exames, como fotografias e radiografias. Porém, normalmente um tratamento ortodôntico preventivo inicia-se em torno dos 6 aos 12 anos. O ideal é,no entanto, ser iniciado assim que detectado o problema, momento em que é possível realizar a prevenção e o tratamento da irregularidades dentárias e faciais. Nesta modalidade de tratamento, pode-se utilizar alguns aparelhos expansores (fixos ou removíveis), bem como os aparelhos ortopédicos ou os guias de erupção dentária, sendo mais efetivo neste período de tempo. Portanto, o ideal é assim que os pais ou responsáveis perceberem algum problema, levar o paciente para avaliação do profissional da área ortodôntica.

Banda de Música de Barroso

Após a repercussão da matéria publicada no site do Barroso EM DIA mostrando fotos e um vídeo de uma “fumaça/nuvem/ poluição” pairando sobre a LafargeHolcim (LH) na madrugada do dia 20 de março, a multinacional enviou uma nota de esclarecimento à reportagem do jornal sobre o fato. Segundo a cimenteira, a suposta fumaça branca tratava-se apenas de uma neblina/cerração decorrente do clima e não uma substância poluente. Confira abaixo a nota na íntegra: ‘A LafargeHolcim informa que a neblina e/ou cerração visualizada na madrugada de quartafeira (20/03) sobre a sua fábrica em Barroso foi resultado de evento climático e não ocasionada por qualquer vazamento ou problema no seu processo operacional. A LafargeHolcim reitera que orienta suas

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Público sobre o problema. ”Infelizmente ninguém toma nenhuma providência com medo da empresa. Cadê as autoridades do município que não fazem nada? Enquanto isso os nossos familiares ficam respirando esse veneno,” escreveu outro internauta. COPROCESSAMENTO A LafargeHolcim já vem recebendo críticas por parte dos barrosenses há um bom tempo, principalmente desde os últimos meses após o retorno da realização do coprocessamento no município. No último embate entre a LH e a população, o gerente de fábrica, Juliano Menezes, esteve na Câmara Municipal e falou sobre as licenças e formas que são usadas para a realização do coprocessamento. Para conferir a participação do gerente, acesse o canal da Câmara Municipal no Youtube.


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O Golpe Militar na Barroso da década de 60 Histórias da Ditadura Militar e os barrosenses que sofreram repressão

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egunda-feira, 6 de abril de 1964, Barroso, Minas Gerais, 20h. Há exatos 55 anos, começava, naquele exato momento, a sétima sessão da primeira reunião ordinária do legislativo barrosense. Na Ordem do Dia, além do Fundo Rodoviário de cerca de 407 mil cruzeiros liberados para a Prefeitura naquela noite, a Câmara ainda nomeou uma Comissão para examinar e julgar as contas do mandado anterior do executivo referente a 1963. Até aí, mais uma noite de trabalho dos edis da época. Porém, na segunda parte da reunião, nas “breves palavras”, um fato histórico e, mais tarde polêmico, se consumaria na Barroso da década de 60 que tinha como presidente da Casa Mário Braz de Souza. Consta no Livro de Atas 03, da Câmara Municipal de Barroso, referente ao período de 26/02/1964 a 12/04/1966 na página 4, os seguintes dizeres: “...o senhor presidente, em breves palavras, relembrou os últimos acontecimentos políticos no país que resultaram com a deposição do ex-presidente da República João Goulart, congratulando-se com os demais vereadores pelo notável desfecho de uma situação que se afigurava trágica para a Nação, com a manutenção dos princípios constitucionais e o retorno do país ao regime democrático, o que veio de encontro aos anseios não só de nós barrosenses, mas sim de todo o povo brasileiro...”. Não obstante, “franqueada” a palavra, o vereador Genésio Graçano, com aval unânime dos demais vereadores, propõe ao Legislativo o encaminhamento de uma Moção de Aplausos ao governador de Minas Gerais, José de Magalhães Pinto, e ao general Olímpio Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar de Juiz de Fora, pela tomada do poder. Estiveram presentes e assinaram a ata naquela noite: Mário Braz, Franklin Ferreira Filho, Milton Basílio, José Ferreira, Genésio Graçano, Epiphanio Barbosa, João Alves de Macedo Couto e Geraldo Napoleão de Souza. E mais, nos 13 dias do mês abril, na reunião seguinte, o vereador Geraldo Napoleão de Souza propôs e todos os demais vereadores aceitaram que fosse enviado um telegrama de congra-

Alguns políticos que enfrentaram a Ditadura Militar nos anos 60 e 70

tulações ao General Castelo Branco, eleito recentemente Presidente da República, e, ao seu vice José Maria Alkmin. Por fim, no que consta no livro de ata, ainda no abril daquele 64, mais exatamente no dia 27, a Câmara recebeu, do general Olímpio, um agradecimento pela manifestação de solidariedade feita pelo legislativo barrosense ao mesmo. No que tange à política, foram estes alguns dos acontecimentos dos tempos que muitos, como estes vereadores e líderes, acreditavam, seriam a solução para o Brasil. “É importante analisarmos a posição dos vereadores à época sob dois aspectos. O primeiro é o da dependência do município com relação aos recursos estaduais e federais. Se hoje nós ainda observamos a penúria da prefeitura, naquela época a situação financeira era muito mais precária. Logo, fazia sentido não se opor às forças do establishment. O segundo aspecto é o mais relevante. Em abril de 1964 era impossível prever que a intervenção se transformaria em uma ditadura de 21 anos. Basta pensar, por exemplo, que Juscelino Kubitschek e seu partido, o PSD, apoiaram a “eleição” de Castelo Branco no Congresso”, ressalta o sociólogo Antônio Claret. DITADURA MILITAR O tempo passou e não é segredo, muito pelo contrário; é notório e doloroso que o Golpe Militar daquele 31 de março de 1964 que destituiu o então presidente João Goulart do poder, implantou uma Ditadura Militar no

O empresário Eli Reis e relatos da Ditadura em Barroso

Brasil que durou mais de 20 anos. Sem dúvida, o Golpe foi um marco de transformação dos panoramas sociais, políticos, econômicos e culturais no país, além de interromper a democracia e instalar um regime decididamente violento, que matou e torturou centenas de pessoas, dentre elas jornalistas, estadistas, músicos e artistas que precisaram fugir, de alguma forma, da fúria dos militares. “Um certo dia bateu na porta da nossa casa um homem que jamais tinhamos visto, com roupa de militar toda suja e rasgada. Era um foragido dos porões da ditadura no Rio de Janeiro, que não sei porque veio parar aqui em Barroso e acabou ficando na casa da mamãe por uma semana. Demos a ele comida, banho, roupa e todo apoio, mas ao mesmo tempo morríamos de medo, pois ele era um foragido, um militante contra a Ditadura, e poderíamos sofrer represálias”, conta o empresário barrosense Eli Reis, 74 anos, que relembra o Golpe quando ostentava seus vinte e poucos anos na Barroso da década de 60. Segundo o site de notícias da BBC Brasil, em matéria no último domingo, 31 de março, foram mais de 6,5 mil oficiais e praças presos, perseguidos ou torturados no Brasil. ”Foram tempos difíceis. Teve algumas coisas positivas economicamente, como obras e arrecadação de impostos recordes, mas me recordo também que estávamos, nós do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), organizando a vida de um candidato a deputado de São João del-Rei para um comício na praça, aqui próximo ao relógio atual, quando a polícia militar chegou e mandou parar com tudo. Tivemos que desfazer o caminhão que serviria de palanque, desligar o som e só fomos, poucas pessoas, receber ele lá na casa dos meus pais, aqui na Rua Coronel Arthur Napoleão”, conta Eli que, ao lado do companheiro Geraldo Acácio, mais tarde se tornaria vereador, também enfrentou o perío-

do da Ditadura em Barroso. “Lembro também quando Barroso e outras cidades da região ficaram sem policiais. Todos foram convocados e foram viajar, defender o poder porque o regime militar começava a perder forças no Brasil. Lembro de um cabo, muito conhecido na

dos com tanta facilidade. O movimento feito por líderes e populares para que a CEMIG viesse para Barroso não foi visto com bons olhos, nem pelos empresários “coroneis” da época, nem pelo delegado lotado no município, que abriu um inquérito para apurar os fatos e chegou à con-

época, embarcando em um ônibus com uma espingarda nas costas. Isso não sai da minha memória”, relembra o empresário.

clusão de que houve exagero nas manifestações que assim como em todo o Brasil da Ditadura eram descritas como atitudes subversivas. Entre os líderes, apoiadores e defensores da nova companhia enérgetica estava o chefe de executivo Inimá Rodrigues Pereira, o Senhor Mazinho. Aos 89 anos de idade e com problemas da saúde, Mazinho não pôde falar com a reportagem que ouviu da sua filha, a atual vereadora Vera Aparecida Rorigues Pereira, a Verinha, de 55 anos, sobre a perseguição sofrida pelo seu pai por ter encabeçado, ao lado de outros líderes, a vinda da Companhia Enérgia Elétrica de Minas Gerais, a CEMIG para Barroso durante o período da Ditadura. “Ele ficou com o nome registrado no Departamento de Ordem Política e Social, o DOPS, como subversista da época. Tudo isso porque essa empresa de energia de Barroso, na época, cobrava uma tarifa abusiva da prefeitura, maior do que a praticada naquele tempo por grandes empresas. Ele então, como chefe do executivo, passou a depositar o valor apenas em juízo

SENHOR MAZINHO O que muitos não sabem é que a Barroso daquele fim de década de 60 sofria com uma companhia energética de qualidade muito limitada. Apenas uma Usina, em São João Batista, era a única responsável por alimentar uma cidade que crescia. E essa Companhia não conseguia mais atender ao município e por algumas vezes chegou a deixar a cidade no escuro, sem energia por uma semana. O estopim, para lideranças e populares organizarem um manifesto contra a empresa, que era de pessoas influentes do município. Segundo relatos, tochas foram acessas em uma dessas noites sem luz e um manifesto foi redigido contra a Companhia. Até então, mais um ato de liberdade de expressão e reivindicação. Só que nos anos 60 e 70 os verbos reivindicar e expressar não eram conjuga-

e acabou sendo perseguido e denunciado por estes empresários”, relata a vereadora que também acrescenta que ao final foi provado que tudo se tratava de uma perseguição e o inquérito acabou sendo arquivado. “Mas ele teve que ir depor no DOPS e passou por momentos difíceis”, conta Verinha que faz questão de relembrar para que as pessoas possam entender o quão doloroso foi aquele período. “A gente tem que eliminar isso da humanidade. Existem várias formas de governo, mas nada justifica ditadura, seja de esquerda ou de direita. Nada”, diz a vereadora. “Aquele período lembra o atual sobretudo no que diz respeito ao ressurgimento do discurso autoritário. O apreço pela democracia tem estado em baixa no Brasil”, diz Antônio relembrando que recentemente o atual Presidente do Brasil, eleito democraticamente, convidou as pessoas a comemorarem o Golpe e depois voltou atrás nas suas palavras e trocou a palavra

comemorar por relembrar. “A grande lição histórica de abril de 1964 é a de que crises institucionais podem se degenerar em ditaduras rapidamente. JK apoiou Castelo frente à promessa de que haveria eleições em 1965. O grande político mineiro foi traído, perdeu seus direitos políticos, foi exilado e morreu sem nunca mais ver o seu país livre novamente”, relembra a história o sociólogo que acrescenta que os atuais e futuros vereadores e os cidadãos brasileiros saibam que democracia e liberdade são valores que todos precisamos defender e preservar sempre e contra qualquer sinal de tirania.

Antônio Claret


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A vida não se resume a festivais Júlio Dutra, que acabara de vencer um Festival, teve que fugir de Barroso

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etembro ainda voa longe do abril que se inicia, mas quando o 29 daquele mês for atingido, serão completados 51 anos de um dos momentos mais marcantes da história da música brasileira. Naquele 29 de setembro de 1968, atolado na Ditadura que infelizmente ainda se iniciava, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, o jornalista Hilton Gomes, “mestre de cerimônia” do IV Festival Internacional da Canção (FIC), anunciou a música 2º lugar e convidou seu autor/intérprete para reapresentá-la: a canção, “Caminhando” (ou ´Pra não dizer que não falei das flores´), do autor/intérprete, Geraldo Vandré! Foi a deixa para 20 mil pessoas que superlotavam o Maracanãzinho vaiarem o resultado, pois todos queriam Vandré como primeiro colocado e também acreditavam que se tratava de mais uma dos ditadores e seus bastidores. Os versos de Geraldo Vandré ecoaram Minas afora e estacionaram no Campo das Vertentes, onde os reflexos da realidade se evidenciaram por aqui. Aliás, entre histórias de repressão e perseguição em Barroso, os caminhos da reportagem chegaram até a letra de uma música, guardada dentro de uma gaveta no bairro Santa Maria. E foi justamente essa música do cantor e compositor barrosense Júlio Dutra, na época com 22 anos, que trouxe uma viatura do quartel até o mesmo endereço no Santa Maria. O fato é que Júlio havia vencido um festival de música, evento muito comum dentro do período ditatorial, e causou revolta nas autoridades daquele tempo. Júlio foi o vencedor em um festival de música com a canção Canto o Recanto. Assim, no dia seguinte à conquista, o jipe do quartel estava em frente à casa de Júlio, para prendê-lo. Mas, o que as autoridades da época não imaginavam é que o cantor

Ao lado do amigo Gerinho, Júlio participou de vários festivais de música e também teve histórias de perseguição na Ditadura Militar em Barroso

tinha amigos, também, nas depedências militares que lhe informaram sobre a prisão. “Eles vieram para prender ele, mas ele foi avisado por um amigo de dentro do quartel e fugiu para a Amazônia, onde viveu por um tempo e trouxe muitas recordações, além de grandes histórias”, conta o irmão Marquinhos Dutra que relembra que não podia rir muito naquela época. “O Júlio era mais velho e lembrava mais, mas eu me recordo dos policiais de capacetes redondos. Não podia rir muito naquele tempo não, foram momentos difíceis”, diz Marquinhos que recentemente foi vencedor em um festival em Nazareno com a música dos anos 70. “Para você ver como a música Canto o Recanto está atual até hoje”, relata o cantor que tinha a ajuda do irmão para afinar os instrumentos e por isso viveram muitos momentos ligados a música em Barroso. (Confira a letra ao lado). Quando se fala em Júlio é impossível não lembrar e comentar Laudigério Moacir de Resende, o Gerinho, amigo insepáravel desde os tempos de criança e que também viveu tempos difíceis naquela Barroso. “Realmente faltava opinião.Os militares não nos deixavam falar e muita das vezes nos expressávamos através da música. Agora, apesar de tudo, aquele tempo era melhor do que hoje”, recorda Gerinho que também conta que em um dos festivais eles dois subiram ao palco trajando roupas do exército e cantaram algo parecido como “vejam esse mundo sujismundo, lindos uniformes sujos, bem alçados e sempre com a razão”, o que para ele era uma forma de expressar a indignação contra um governo ditador da época. “Apesar de tudo, reafirmo, era um tempo muito bom”, diz Gerinho, que hoje vê o mundo muito diferente daquele tempo onde a música era uma forma de luta.

Canto o Recanto Júlio César - 1980

Hei irmão! Tá vendo essa gente morrendo de medo... Que corre em troca de migalhas de pão Que cumprem as leis por temer os reis Ditadores sujos Malditos cães Que não mordem, mas ferem Arrebentam a gente que grita Eu quero ser feliz sem canhão Hei irmão Estão cortando o nosso sertão Sangue dessa terra Sangue desse chão Derrubam, devastam E o verde não volta Eu grito, mas grito sozinho! O que será de mim ou de minha canção? Sem o nosso verde ou sem meu sertão Tá vendo essas grandes forças banais? Que nunca aceitam Em sermos iguais Se julgam tão deuses Seja na terra Seja no céu Ou seja no mar Que matam e julgam Escondem e roubam E ninguém pode falar Aceitem assim Ou vão se dar mal Ou vão te dá mal Hei irmão Por favor aprenda essa minha canção E experimente a gritar um pouco Você também pode É seu esse chão Escolha a sua flor e tente um jardim E fale de amor E vamos ser assim E fale de amor e vamos ser assim

Os festivais aconteciam onde hoje é o Teatro Iracema Rocha. Marquinhos Dutra, irmão de Júlio, também participou de várias edições

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DISTRITO INDUSTRIAL DE BARROSO Discurso proferido por Baldonedo Arthur Napoleão, na Câmara Municipal, ao término da tramitação do Projeto de Lei do Distrito Industrial de Barroso AGRADECIMENTOS A aprovação da Lei que normatiza a implantação de empresas no Distrito Industrial de Barroso e cria a sua estrutura administrativa é mais um momento determinante na longa história deste empreendimento e tem todos os ingredientes de uma bonita vitória para Barroso, mesmo que tardia. Desejo agradecer ao Prefeito Reinaldo por ter incluído em seu plano de governo e ter trabalhado, com sua equipe, em favor do Distrito Industrial, tendo, inclusive acatado minha sugestão de contratar consultoria especializada para desembaraçar o processo de sua liberação junto aos órgãos ambientais. Sem o posicionamento do Prefeito, com certeza, não chegaríamos ao ponto em que estamos. Agradeço aos colegas Vereadores pela aprovação, por unanimidade, do Projeto de Lei do Distrito. Faço questão de realçar a maneira pela qual se deu esta deliberação. Primeiro, o Presidente da Câmara, Vereador Eduardo Pinto, conduziu toda a tramitação do Projeto com absoluto equilíbrio e comprometimento com esta questão de enorme interesse de toda a população. Segundo, o Projeto de Lei foi longa e extensamente discutido pelos Vereadores, tendo esta discussão resultado em 10 Emendas que melhoraram o Projeto. Merece destaque a demonstração da maturidade política e visão estratégica dos senhores vereadores, que colocaram este Projeto acima de seus partidos, tanto na discussão quanto na votação. HISTÓRIA A história do Distrito Industrial não é apenas de vitórias. É também uma história de muitas derrotas e dificuldades, o que explica o grande atraso na sua conclusão. Sofri ataques no sentido de que eu só falava em Distrito Industrial às vésperas de eleições, apenas para angariar votos e que o Distrito nunca seria inaugurado. Não era verdade. Nunca usaria um projeto desta envergadura apenas para conquistar votos. Infelizmente, nunca vi, ao longo desses anos todos, da parte de quem era contra, uma proposta alternativa ao Distrito, para que nossa população não caísse nesta grave crise de desemprego em que se encontra, que tanto prejudica nossa cidade e tantos problemas causa a inúmeras famílias. Por outro lado, no Governo, a luta em favor do Distrito sempre foi pesadíssima. Foi muito difícil justificar um empreendimento deste porte para um pequeno município. Mesmo diante de tantos obstáculos e de tanta demora, que me trouxeram tanta contrariedade e desgaste, não esmoreci, continuei na luta, incansavelmente, mas, resolvi, lá atrás, me silenciar sobre o Distrito Industrial. Prometi a mim mesmo que só falaria, em público, sobre o Distrito quando ele ficasse pronto para receber empresas. É, exatamente, o que faço neste momento, depois de muitos anos. Agradeço a Deus por me permitir estar aqui. É um privilégio muito especial poder dizer, eu mesmo, aos meus conterrâneos, que ninguém me pediu para lutar por um Distrito Industrial para Barroso. Fui eu mesmo que entendi que precisávamos de um empreendimento deste porte e que por mais dura que fosse a luta, como foi, nossa cidade precisava dele e o nosso povo merecia e merece. Não tenho registro dos telefonemas, das reuniões, das correspondências que fiz em favor do Projeto ao longo desses anos, mas tenho em meus arquivos, 4 volumosas pastas de papeis sobre o Distrito Industrial de Barroso. Este projeto virou um grande desafio na minha vida. POR QUE UM DI EM BARROSO? Gostaria de deixar registrado que reconheço que esta iniciativa foi audaciosa, atrevida e ambiciosa. Tecnicamente, do ponto de vista do Estado, nada justificaria um investimento deste porte num pequeno município, dentre tantos outros. Os 50 Distritos Industriais do Estado estão localizados em grandes e médias cidades. Distrito Industrial é coisa de cidade grande. Explico minha iniciativa de propor um Distrito Industrial para Barroso com duas afirmações: Primeiro, entendi, sempre, que desde a implantação da Fábrica de Cimento em 1953, portanto, há mais de 65 anos, Barroso, mesmo pequeno, é um dos maiores contribuintes de ICMS com os cofres estaduais e que, por isto mesmo, o Estado deveria tratar o Município de forma diferenciada, contribuindo substantivamente com o nosso esforço de desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida da população. Este quadro ficou mais expressivo depois que a Fábrica de Cimento deixou de ser a grande empregadora do passado e a maior parte do volumoso ICMS da Prefeitura, também no passado, foi redistribuída pelo Estado para outros municípios, sendo que a parte do Estado no rateio deste ICMS nunca foi reduzida. Ou seja, com o passar do tempo, Barroso continuou sendo um grande pagador de ICMS para o Estado, mas deixaram de existir para os barrosenses as vantagens de sermos sede de uma das maiores fábricas de cimento do País. Segundo, entendo que uma Prefeitura não pode permanecer praticamente inerte, passiva, nivelada por baixo, sem projetos de curto, médio e longo prazos, esperando apenas as benesses que os deputados e o Governo mandam para todos os municípios. Uma Prefeitura não é um vagão pesado a ser puxado e explorado, porque tem dinheiro. É uma locomotiva, que pode levar o Município a longas distâncias, desde que haja vontade política, capacidade técnica e bons projetos. De minha parte, nunca vi Barroso como um município qualquer, não só por ser minha terra, mas por ter certeza de nosso potencial. Para mim, Barroso foi, é e será sempre diferenciado, pelo grande potencial que encerra. Aliás, tem sido assim desde 1920. E não fico apenas no discurso. Faço questão de dar alguns exemplos. Foi com o entendimento de que Barroso é especial, transformado em argumentação e projetos, que lutei e consegui a construção de dois conjuntos habitacionais, nada comum para cidades pequenas, a liberação dos recursos do Projeto Cura, próprio de grandes cidades, que viabilizaram a canalização do córrego da Boa Vista, que proporcionou 300 empregos para os pedreiros, carpinteiros, armadores e serventes de Barroso e a pavimentação de 55 ruas com briquetes, todos fabricados e assentados pelos operários da Prefeitura. Da mesma forma, a implantação da Agência do Banco do Brasil, a concessão da Rádio Liberdade, a inclusão de Barroso pela Telemig na lista dos 30 primeiros municípios mineiros a receberem a telefonia celular, a criação da Comarca e o próprio Distrito Industrial. O QUE É O DISTRITO? A partir de agora, a expressão Distrito Industrial não mais se referirá a obras, que, na verdade, já estavam quase concluídas há 20 anos e nem falará da absurda e inexplicável demora de mais de 8 anos para a obtenção da liberação ambiental. Agora, o Distrito Industrial passa a ser um órgão da Prefeitura de Barroso, que exige tratamento técnico e administrativo profissionais, ajustados ao seu porte, ao volume do investimento recebido, à sua complexidade e aos seus grandes objetivos de gerar empregos e renda para a nossa querida população. Este não é um empreendimento apenas de alcance local ou regional. O Distrito Industrial de Barroso, com seus quase meio milhão de metros quadrados, com 58 lotes com área média de 1.500 m2 cada um e 7 áreas de 5.000 a 25.000 m2 em sua 1ª. etapa, com toda a infraestrutura implantada e mais, a 2ª. Etapa, com 35 lotes e 5 áreas cuja infraestrutura será construída no futuro, é, segundo o INDI, o único Distrito Industrial disponível na região sudeste do País, pronto para oferecer concessões desses lotes e áreas por 30 anos prorrogáveis por igual período. A CDI, ao concluir a elaboração de todos os projetos das obras do Distrito, em 1996, também projetou que o Distrito, quando todo ocupado, propiciaria 1.000 empregos diretos e 500 indiretos. Trata-se de um projeto estruturante para a nossa Economia, com obras de infraestrutura de alta qualidade técnica, de custo elevadíssimo, que a Prefeitura jamais teria condições de implantar. É uma verdadeira alavanca para o desenvolvimento do Município, para que Barroso saia da condição de apenas mais um pequeno município mineiro e passe a galgar posições maiores, sempre em benefício dos barrosenses. Dentre os 657 municípios mineiros com população inferior a 20.000 habitantes, Barroso deve ser o único que dispõe de um Distrito Industrial do tamanho e da qualidade deste implantado pelo Estado em nossa terra. Este Distrito é uma aposta em nosso futuro! ADMINISTRAÇÃO DO DISTRITO O Distrito, todavia, não anda sozinho. Ele precisa ser bem administrado, para que este que é o maior investimento feito pelo Estado no Município, em toda a nossa história, de, aproximadamente, R$13 Milhões, se traduza em benefícios para os barrosenses o mais rápido possível. Depois de implantadas todas as obras, conseguida a liberação dos órgãos ambientais e vencidas as forças contrárias, esta Lei que acaba de ser aprovada pela Câmara Municipal, por unanimidade, cria um 3º nível de desafio que precisa ser enfrentado desde o primeiro minuto, com determinação, que é o da gestão do Distrito. Desta gestão dependerá o seu futuro e a rapidez com que as empresas serão nele instaladas. Nós todos sabemos que a Prefeitura está passando, talvez, pela sua pior crise financeira. Um empreendimento do porte do Distrito Industrial, do potencial que ele tem para alçar Barroso a um patamar de cidade moderna e desenvolvida, não pode, entretanto, ser prejudicado por esta trágica situação em que se encontra a Prefeitura. Este é o grande desafio, o de em meio a tantas dificuldades, fazermos nascer um Distrito Industrial bem estruturado e bem administrado, de forma que ele possa cumprir, o mais rápido possível, o seu grande papel. Neste momento, por tudo o que este Distrito significa para mim, não apenas por ser um projeto de minha autoria, como candidato a Prefeito em 1992, não apenas por ter assinado o Termo de sua criação, em 1995, como Presidente da CDI, o que pavimentou o caminho para este investimento do Estado no Município, não apenas por ser responsável por quase todas as obras que lá estão, mas, também, por ter aprendido muito sobre Distritos Industriais e por ser, hoje, um Vereador, representante do povo, eu não poderia me omitir diante da importância deste empreendimento para a nossa população e diante do desafio que a Prefeitura terá que enfrentar para implantar a Administração do Distrito. É meu dever colocar minha experiência de ex-Presidente da CDI, desinteressadamente, a serviço do Município e apresentar sugestões para que possam ser dados os primeiros passos para o efetivo funcionamento do Distrito Industrial, sem despesas acima da capacidade financeira da Prefeitura. Neste sentido, já tomei a liberdade e a iniciativa de apresentar ao Exmo. Sr. Prefeito sugestões quanto à implantação da administração do Distrito, especialmente sua divulgação. O Distrito quer dizer a todos: finalmente, cheguei! RECESSÃO ECONÔMICA Nosso maior e já crônico problema, desde a década de 80, é o desemprego. Mas os empregos só surgem com o crescimento da Economia e este só ocorre como resultado de investimentos. O Distrito Industrial foi planejado exatamente para atrair investimentos para Barroso, que resultem em crescimento econômico e empregos para o povo, além de significar uma alternativa moderna para a instalação de empresas barrosenses. O ideal seria que o nosso Distrito Industrial começasse a operar em um contexto de crescimento da Economia nacional. Ao longo dos anos, o Distrito teve ótimas oportunidades, economicamente favoráveis, para entrar em operação. Em 1998 quase todas as obras de infraestrutura estavam concluídas, faltando apenas a instalação da rede elétrica e a pavimentação de suas ruas. Em fins de 2008, essas duas últimas obras, que faltavam, também estavam prontas, mas o Distrito não pôde ser inaugurado, porque, àquela altura, surgiu a exigência de licença ambiental. Além disso, a CODEMIG havia decidido abandonar o poço artesiano que já estava perfurado desde 1998 e optar pela adutora da COPASA, além da construção de uma moderníssima Estação de Tratamento de Efluentes, capaz de atender a uma cidade de 10.000 habitantes. Infelizmente, o nosso Distrito Industrial começará a operar num momento em que a Economia nacional encontra-se há 3 anos sob forte recessão, o que é muito ruim. Esta é mais uma razão que nos leva a entender que nosso esforço deverá ser redobrado para enfrentar esta fase difícil por que passamos. É hora de todos seguirem o exemplo desta Câmara, que aprovou, por unanimidade, o Projeto de Lei do Distrito, que não é propriedade de um político, nem de um partido, é de todos os barrosenses. Ele veio para gerar emprego e renda para todos, indistintamente. Não faz sentido ser contra o Distrito. Eu espero que todos torçam para o sucesso de nosso Distrito Industrial. CONCLUSÃO A partir de agora, mesmo lentamente, o Distrito Industrial deverá começar a mudar o perfil econômico e social de Barroso, dando-lhe condições de se apresentar, novamente, perante os seus cidadãos e a região em que está, como um Município próspero, desenvolvido, moderno, com empregos para seus filhos e que soube encontrar um novo caminho diante da constatação de que a matriz econômica fulcrada na presença da Fábrica de Cimento, infelizmente, hoje, está exaurida. Conterrâneos, este novo caminho para Barroso, a que me refiro, é o Distrito Industrial, que precisa do apoio de todos, para que ele possa cumprir o papel de plataforma substantiva, cocreta, pronta, sobre a qual haveremos de construir um futuro melhor para o nosso povo. Mãos a obra! E que Deus nos ajude. Obrigado.

Vereador Baldonedo Arthur Napoleão


Abril

barrosoemdia.com.br

2019

7

Prefeitura presta contas do Futsal Asilo também divulgou os dados sobre o campeonato de futebol de salão

A

pós dois meses do término do Futsal de Verão 2019, a Prefeitura Municipal e o Lar Nossa Senhora de Fátima, o Asilo, realizaram uma reunião de prestação de contas no dia 3 de abril. A reunião contou com a presença da diretora do Asilo, Lucimara Ferreira, o secretário de esportes Rosimauro Fonseca, o Maurinho, e o representante do Ceclans, Zezé Goleiro. Para conferir os dados completos dos valores arrecadados acesse nosso site barrosoemdia.com.br. PREFEITURA A Prefeitura Municipal de Barroso, que realiza a competição, teve diferenças de valores comparados ao ano de 2018, como por exemplo o número de equipes que disputaram a Taça Prata. Em 2018 foram oito equipes e em 2019 foram 12 equipes. Além disso houve divergência nos valores pagos por elas. Na edição do ano passado foi arrecadado o montante de R$350,00 ( trezentos e cinquenta reais). Este ano o valor aumentou para R$400,00 (quatrocentos reais). Outra receita que teve aumento significativo em 2019 foi a bilheteria. Em 2018, o Ceclans rendeu R$ 17.821,00 (dezessete mil oitocentos e vinte e um reais) nos três dias em que houve cobrança de entrada. Já em 2019 o público pagante foi maior, o que resultou em um aumento na renda que foi de R$ 21.540,00 (vinte e um

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Prestação de contas do Futsal de Verão 2019

mil e quinhentos e quarenta reais). Com base nesses valores, a receita bruta da Prefeitura Municipal foi de R$ 32.190,00 ( Trinta e dois mil cento e noventa reais). Assim como houve aumento na receita em relação ao ano anterior, as despesas também não ficaram para trás. Em 2018 os gastos com o campeonato ficaram em R$ 25.857,75 (vinte e cinco mil, oitocentos e cinquenta e sete reais e setenta e cinco centavos). Já em 2019, o valor total foi de R$ 31.917,52 (trinta e um mil novecentos e dezessete reais e cinquen-

ta e dois centavos). Essas despesas incluem a compra de bolas e redes para o campeonato de base, além das duas divisões principais, pulseiras para serem utilizadas no torneio de Futsal, dentre outros itens. A equipe de arbitragem da Taça Prata e Taça Ouro, não foram pagas com as receitas adquiridas no torneio, pois a prefeitura realizou um processo licitatório para a contratação e pagamento dos mesmos. Já o aluguel do Ceclans para o Asilo, foi feito por meio de um processo licitatório e o

dinheiro foi depositado nos cofres do município em uma conta específica. Por fim, a Prefeitura Municipal teve como saldo final o valor de R$ 272,48 ( duzentos e setenta e dois reais e quarenta e oito centavos). ASILO A arrecadação geral do Lar Nossa Senhora de Fátima, o Asilo, que ficou responsável pela lanchonete do Ceclans, foi de R$106.107,50 (cento e seis mil, cento e sete reais e cinquenta centavos). No que diz respeito à pres-

tação de contas, aconteceram algumas mudanças em comparação ao ano de 2018. Neste ano, a entidade teve a obrigação de manter a limpeza geral do Ceclans, incluindo a quadra, os vestiários e as arquibancadas. Para isso, foram necessárias as contratações de dois funcionários a mais do que em 2018. Com relação ao valor total das despesas com aluguel do Ceclans, compras de produtos, funcionários e seguranças, o somatório foi de R$ 69.979,41 (sessenta e nove mil, novecentos e setenta e nove reais e quaren-

ta e um centavos). O lucro líquido total, portanto, foi de R$ 36.128,09 (trinta e seis mil, cento e vinte e oito reais e nove centavos) que já foi investido em algumas reformas no Lar Nossa Senhora de Fátima.

Doutor Frederico participou de importante evento no MEC A convite do Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, o deputado federal Doutor Frederico (Patriotas) participou da cerimônia de Lançamento dos Procedimentos para Execução de Emendas Parlamentares de Custeio no Âmbito do Plano de Ações Articuladas (PAR) do MEC. Trata-se de uma portaria que libera pedidos de recursos dentro das emendas parlamentares para cobertura de gastos das escolas públicas como aluguel de ônibus escolar, combustível e complementação da merenda escolar. A nova medida representa um avanço e assim que estiver disponibilizada o deputado já se comprometeu a indicar recursos às escolas de Barroso e região.

Você sabia?

O deputado federal Doutor Frederico (Patriotas) logo em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados em Brasília, já apresentou o projeto de lei 266/2019, com o objetivo de padronizar, facilitar e agilizar os processos judiciais que envolvem os medicamentos de alto custo para pacientes com câncer não comtemplados pela tabela do Sistema único de Saúde (SUS). “As pessoas não podem esperar. Na luta contra o câncer, o tempo é o nosso grande inimigo”, destacou.


Abril

2019

barrosoemdia.com.br

O Homem que conserta o tempo

CARA DE BARROSO

FEDERAL

“A Cara de Barroso” desta edição traz a história de vida do Senhor Federal, proprietário de uma tradicional relojoaria no centro da cidade. A ideia para este perfil partiu do texto escrito pela psicóloga barrosense Josy Mendonça. Confira e leia o texto dela ao lado. Desde a antiguidade, o homem criou meios de medir e compreender o passar do tempo. Para isso, diversas invenções e aparatos foram desenvolvidos até chegar ao que conhecemos hoje como relógio, um objeto que lembra compromissos simples do cotidiano, como o momento das refeições, dos estudos, do trabalho, do lazer, do descanso, do despertar. E é no Tic Tac de não apenas um, mas de dezenas deles, que o Senhor Darci Lopes, popularmente chamado de Sr.Federal, 74 anos, tem a incumbência de consertar e manter em funcionamento o dia a dia de muitos barrosenses. Foi nos longínquos anos de 1960, que seu pai, também um relojoeiro, confiou a ele, na época um jovem que acabara de servir o exército, uma nova missão que ia além de ajudar a manter e cuidar dos negócios da família, mas sim de preservar a história e a memória de muitos que recorriam a seus serviços. No endereço de número 76, localizado próximo à antiga Rua da Mina, funciona há quase duas décadas a “Relojoaria Federal – Consertos em Geral”, onde Darci continua a cumprir o seu dever de “guardião do tempo”. Clientes chegam com seus relógios de diversos modelos, tamanhos e “idades” para que Federal os conserte. Um ponteiro fora do lugar ou um alarme sem som não são um problema para ele. Compenetrado e sem a ajuda de terceiros, Federal analisa cada peça que chega às suas mãos e, mesmo que lhe custe horas de trabalho, ele não descansa até devolver o tempo a quem lhe pediu ajuda. Amigos entram e saem da relojoaria, a quem ele recepciona com um sorriso e coloca o papo em dia, mas em quase momento algum desgruda os olhos dos diversos relógios ao seu redor. Muitos desses relógios representam para alguém histórias que ainda estão por vir e, inclusive, lembranças do que já se foi. A hora exata do nascimento de um filho, a hora em que um casal trocou juras de amor, a hora da vitória do time do coração, a hora de festejar as boas vindas de um novo ano, da despedida de um ente querido. Há mais de 50 anos Darci ajuda a manter muitas dessas lembranças vivas no tempo de cada indivíduo que já passou por sua loja. Ele diz que não consegue se enxergar exercendo outro ofício que não seja este: o de preservar o tempo dos muitos que constroem a história e o legado de Barroso.w

Alguns lugares nas cidades do interior serão eternos em nossa memória e aqui em Barroso um desses lugares, na minha opinião, é essa relojoaria. Desde muito menina me lembro do meu pai dizer: “Tá larga a pulseira de seu relógio, leva lá no Federal” (era um belo relógio “Oriente”, o primeiro relógio que ganhei do meu pai de aniversário). Os relógios hoje são usados apenas como adereço, vez que os celulares cumprem a função de nos dizer as horas, a previsão do tempo, as tragédias e tantas outras informações inúteis e úteis. Hoje voltei ao “Federal” e a mobília, os montes de relógio empilhados na mesa, a lupa presa aos olhos,o cheiro. Tudo permanece igual. É uma sensação de poder de fato consertar o tempo, pois, enquanto ele apertava a pulseira do meu relógio, eu observava os outros senhores sentados nas cadeiras que tem lá. Um deles, de pernas cruzadas, balançava o pé calçado com o chinelo “Havaianas” das correias azuis e o fundo já meio gasto pelo tempo, e lia o jornal. O outro olhando para o céu disse que as nuvens estavam carregadas e que podia esperar chuva antes das 18 horas. Pouco depois chega mais um e, parado na porta, reclama da demora em consertar seu relógio e logo depois pergunta: “E o Flamengo?” e o que lê o jornal responde: “ganhou”. Notei que ali, além de o tempo ter parado nas mobílias e montes de pedaços de relógios empilhados na mesa, o tempo se conserta, em meio ao movimento da cidade, ali há tempo para o bom dia, para a previsão do tempo, para a prosa sobre o futebol e para a vida que não precisa ter pressa. Ali existe olho no olho e lembranças de um tempo que se eterniza no cheiro de coisa antiga, mas que não se joga fora, se conserta, acerta e aperta, troca a bateria ou da corda, mas não perde a utilidade. Em tempos de celulares para tudo, não me lembro de onde deixei aquele relógio que ganhei nos meus 12 anos...

Josy Mendonça

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Edição 196 by Bruno - Issuu