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Backstage #7

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ONLINE MUSIC MAGAZINE

edição #7 dezembro 2023/fevereiro 2024

RONDA DA MADRUGADA CARMEN RAPOSO | THE JOY OF NATURE THE CODE | RODRIGO DE SÁ | TOVI | MORBID DEATH


CARMEN RAPOSO No passado dia 15 de dezembro, a cantora e compositora Carmen Raposo apresentou o seu disco de estreia. O lançamento aconteceu no Lava Jazz Bar. «Estios e Tormentas» contém onze momentos musicais originais e promete ser um dos registos mais importantes do ano. Que venham agora os concertos, dentro e fora de portas.

O

que representa este disco para ti?

Acima de tudo, representa o fechar de um ciclo que durou cerca de dois anos. Falo obviamente do processo de composição e gravação do trabalho. Representa, também, o início de outro ciclo, que é o de preparar o trabalho com banda, para o apresentar ao vivo, no maior número de espaços possível. Em paralelo, e sempre que a inspiração surja, haverá tempo para ir compondo coisas novas. Este trabalho fala sobre o quê exactamente? Posso dizer que este trabalho é muito autobiográfico. Inicialmente, nem era para ser um disco, mas, as músicas foram surgindo pouco a pouco. Ia mostrando a amigos, à família, até que decidi avançar com a ideia de fazer um disco. O trabalho fala

das minhas tormentas (quem não as tem), de alguns estios também e do que se vai passando no diaa-dia. Há também o lado mais reivindicativo, talvez um grito de alguma revolta.. Como é que surge a inspiração, sendo que não existe hora marcada e já agora como é que se registam esses momentos? Registam-se no telemóvel.. (risos). Seja dentro do carro, na rua, etc.. vou gravando esses momentos que depois tornam-se em excertos. Tenho uma série deles no telemóvel. Ideias que registo para depois serem trabalhadas. É assim que as primeiras ideias surgem. Nunca me sento ao piano com as ideias em branco. Creio nunca ter feito isso. Primeiro surge a música e a letra depois ou viceversa? Já aconteceu de ambas as formas, embora muitas

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vezes surja primeiro a música e depois a letra. Aliás, nos últimos tempos tenho musicado poemas de colegas minhas que escrevem muito bem. Como exemplo, tem a décima canção, «Arbítrio» que foi escrita por uma colega minha da área de português. Não ter banda em estúdio foi uma opção ou uma condição? Foi uma condição… eu estive afastada da música durante alguns tempos e neste regresso queria trabalhar com os melhores que pudesse. Todavia, como não tinha nada gravado, nada que conhecessem, não fazia sentido contactar ninguém que me conhecesse musicalmente. Daí ter optado por gravar tudo digitalmente em estúdio. Tenho, no entanto a noção de que o som de uma banda soa totalmente diferente…Será, certamente num segundo trabalho.


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THE JOY OF NATURE Está encerrado, para já, o capítulo «The Joy of Nature». 17 anos depois, entre discos e singles, foi um dos projectos mais bem sucedidos de Luís Couto, nome ligado também a projectos como Moving Coil, Flipping Candy ou Shadowplay, este último, nos primórdios da chamada música moderna açoriana.

E

ste trabalho marca, infelizmente, o final do projecto The Joy of Nature. Porquê? Apesar do projeto ter tomado outro rumo, não previsto, este provavelmente é o disco que seria o sucessor natural do primeiro single e Ep. Era o disco que faltava fazer. Já mantenho este projeto há 17 anos, o que é muito tempo. Chegou a altura em que senti que disse tudo o que tinha a dizer com ele. Além disso, é difícil manter vários projetos a solo activos em paralelo. Para além da tradicional cultura folk psicadélica e ambiental, juntas influências vindas da India. Como surgem? Surgem mesmo devido ao meu gosto pela música psicadélica, especialmente dos anos 60. Gosto muito do uso

de instrumentos indianos na música psicadélica. Há belíssimos exemplos como The Incredible String Band, The Byrds, Donovan, The Beatles em algumas canções... Que instrumentos usaste na gravação deste disco? Como já vem sendo em hábito, em The Joy of Nature foram usados uma série de instrumentos, a maioria dos quais já apareceram em discos anteriores: baixo eléctrico, dulcimer, flauta irlandesa, guitarra acústica, guitarra elétrica, glockenspiel, sininhos (de vários tipos), sintetizadores (a maior parte dos quais analógicos), taças tibetanas, tabla, tanpura, zither alpina (com 123 anos de idade) e alguns sons que fui captando ao longo dos anos. Sendo um dos artistas mais internacionais da região, que análise fazes ao mercado, quer ao nível das editoras, quer mesmo ao nível do público consumidor?

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A música perdeu importância para as gerações mais novas (que preferem, de longe, estar a jogar computador do que a ouvir música); como se tornou cada vez mais fácil gravar música através de computadores ou até telemóveis, sem ser preciso perceber nada de música, o mercado está demasiado saturado; as plataformas de streaming (principal forma de distribuição da música atualmente) cada vez mais beneficiam os artistas que mais vendem em detrimento dos pequenos; a crítica musical está a desaparecer e a ser substituída por números de «gostos». Não admira assim que muitas editoras independentes estejam a fechar as portas ou a reduzir substancialmente o número de discos que editam. Foi este o panorama com que me debati ao procurar editoras para lançar este disco. No entanto, há uma reação a este estado de coisas que, acredito, ganhará cada vez mais importância.


É importante manter as edições em formato físico. A música em formato digital é muito impessoal.

“The Spectral World of The Joy of Nature” contraria a tendência do “apenas digital” e sai também em CD. Era importante o formato físico? É importante manter as edições em formato físico. A música em formato digital é muito impessoal. Mesmo que se acabe por ouvir o disco em formato digital é muito diferente ter um disco em que se pode apreciar devidamente o grafismo, que se pode colecionar. O que é que podemos esperar dos teus projectos restantes nos próximos tempos?

Há três discos prontos em termos de composição e gravação, nomeadamente o segundo álbum de Flipping Candy, outro do projeto irmão Candy Flipping (mais orientado para canções e para o psicadelismo) e ainda um que foi feito durante os tempos iniciais da pandemia, refletindo sobre as mudanças sociais derivadas dos confinamentos. Há ainda uma série de inéditos por editar. Veremos o que fará sentido e será possível colocar cá fora. Há ideias para outras coisas, mas ainda é demasiado cedo para

falar nisso. 2023 foi um bom ano? Foi o ano em que tive a oportunidade de tocar no meu festival preferido dos Açores – Tremor – com Flipping Candy e em que saiu um disco em vinil pela editora das Canárias Keroxen, com dois temas do mesmo projeto. Este foi ainda o ano em que saiu este último trabalho de The Joy of Nature.

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RAFAEL CARVALHO

A Viola da Terra continua a ser prioridade para o músico, compositor e professor Rafael Carvalho. Homenagear os Mestres, foi o seu objectivo neste trabalho. A formação tem sido outra das suas prioridades. No entanto, segundo o próprio, é urgente olhar para este assunto com outros olhos e outra atenção. Não basta ter um dia dedicado a este símbolo da região. É um dever do poder político, dos agentes culturais e da própria imprensa, dizemos nós... 05 | BACKSTAGE | DEZEMBRO 2023 - FEVEREIRO 2024


E

sta é uma homenagem assumida aos Mestres da viola da terra. É o culminar de um processo ou o início de outro? Sim, “Viola Micaelense – Ecos dos Mestres” é uma homenagem aos Mestres que, com o seu saber e, felizmente, com registos que gravaram ou em que participaram, deixam-nos um legado muito rico de repertório para a nossa Viola da Terra. É o culminar de anos de pesquisa, aprendizagem, estudo e transcrição de peças, neste caso, de versões de modas tradicionais de Mestres da Viola da Ilha de São Miguel. Para já, há esse sentimento de alegria por conseguir finalizá-lo, e por ter conseguido, ainda, acrescentar duas composições originais ao álbum. Era o trabalho que te faltava fazer? Não. Era um dos trabalhos que eu tinha sonhado concretizar, naquelas que têm sido as minhas edições mais temáticas. Mas outros já estão em fase préprodução. Ainda há muitos trabalhos que estão pensados e que espero vir a finalizar um dia. Haverá um segundo volume desta epopeia? Temos repertório para isso, destas recolhas e pesquisa pessoal. A médio prazo não é um objectivo, pois tenho outros trabalhos entre mãos, mas não é algo que seja impossível de acontecer. Na tua opinião, o trabalho de pesquisa, que não

apenas o teu, está concluído ou nem por isso? Não. É constante e contínuo. Quer com descobertas que volta e meia aparecem de registos do passado, quer mesmo no nosso dia-a-dia. Quem toca, hoje, também merece o carinho de ser registado, até porque, a actual geração tem feito um trabalho de criação de repertório nunca antes visto. A pesquisa é actualizada a cada dia que passa, pois a história da Viola faz-se todos os dias, não é algo estanque no passado ou que só pertence ao passado. Já equacionaste um disco de clássicos, da região, com viola da terra? É uma excelente ideia obrigado (risos). Tenho-me dedicado mais aos meus originais e a registar repertório instrumental da Viola, muito até desconhecido das pessoas em geral. Um álbum com algumas das músicas mais conhecidas na região, dos nossos compositores contemporâneos, seria de facto algo que encaixaria bem na nossa Viola da Terra. Quem sabe, num futuro, possa vir a acontecer, mas há trabalho já editado nesta área, por outros músicos. E um trabalho com voz, tendo suporte musical da viola da terra, faz parte dos teus planos? Sim. Tenho alguns originais com Viola da Terra e Voz a aguardar o tempo e o projecto musical certo para registar e editar. A curto prazo é algo que poderá acontecer num trabalho que pretendo produzir em 2024, tendo em conta que

completarei 30 anos da minha primeira aula de Viola, na Ribeira Quente. Mas será sempre um álbum com modas instrumentais e algumas com voz. O ensino da viola da terra continua a ser a tua prioridade? Sim. Prioridade e preocupação diárias. Como tenho dito muitas vezes e continuarei a insistir enquanto assim tiver forças, precisamos de mais formadores de Viola da Terra na Região e mais e melhores condições para concretizarem um trabalho que é imprescindível para a manutenção do saber associado ao instrumento e das tradições que o mesmo mantém vivas nos Açores. As décadas vão passando e os planos não saem do papel. Os bons exemplos não são replicados. Os casos de sucesso não são bem apoiados. Os pais continuam sensíveis ao ensino da música? Sim. É essa a minha visão. Mas vivemos outros tempos onde as crianças e jovens frequentam muitas actividades extracurriculares, sendo as aulas de Viola, ou numa filarmónica, ou numa academia, mais uma actividade, nem sempre havendo tempo para os alunos se dedicarem especificamente ao estudo de um instrumento. A meu ver, acima de tudo, essa sensibilidade para a música tem de começar nas nossas escolas! Tem de começar no reforço curricular desse ensino.

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RONDA DA MADRUGADA 2023

Marca o 25º ano de existência dos Ronda da Madrugada. O balanço é certamente positivo? Este aniversário testemunha uma longa caminhada de grandes desafios e dificuldades, como qualquer projeto com esta longevidade, mas também de momentos muito gratificantes de partilha entre os membros da banda e a ligação ao magnífico público que nos tem acompanhado e apoiado. Estes 25 anos de carreira dãonos o privilégio de assistir à renovação de gerações que nos continuam a seguir e a admirar. Arriscamos dizer que a Ronda da Madrugada transformou-se numa «instituição» da ilha de Santa Maria, deixou de ser apenas o trabalho e entrega dos seis músicos que a compõem e passou a ser um movimento popular intergeracional de partilha de emoções, amplificado pela energia transmitida pela música da Ronda. Quando assim é, só

podemos dizer que o balanço é certamente muito positivo. Desenvolvemos ao longo deste ano várias atividades. Começamos o ano com a gravação de quatro novos temas, reformulamos o espetáculo ao vivo com um novo alinhamento, obviamente incluindo os temas mais conhecidos «Sou serrano», «Modus operandi», «Se tu visses o que eu vi» entre outros muito esperados pelo público, e um conjunto de animações vídeo que acompanham os temas durante todo o concerto. Este novo espetáculo foi apresentado no Festival Maia Folk e na Praça do Município de Vila do Porto, nas Festas 15 de Agosto em que ambos os espaços estiveram repletos de público. Dos dois singles publicados este ano, destaca-se o tema «Feitiço» que deu origem ao vídeo-clip com o mesmo nome e o tema «Pescador do meu mar», que retrata a vida de muitos açorianos.

Já neste mês de Dezembro, inauguramos, na sala temporária do Museu de Santa Maria, uma exposição documental com fotografias e vídeos que revelam os momentos mais marcantes da banda, discografia e prémios recebidos. Esse tempo não só vos consagrou em Santa Maria, mas também no todo nacional. Continua a ser um projecto pensado para o país ou até para o mundo? A consagração na ilha abriu-nos o caminho para todo o País e estrangeiro. Nos últimos anos fizemos um esforço para evoluir o projeto de forma a que não ficasse apenas na ilha, o espetáculo ao vivo pode funcionar em qualquer palco que procure música animada, ritmada e melodiosa. Interessante, também, é a forma como a população local vos idolatra. Uma imensidão para assistir ao concerto que marcou os 25 de carreira em

25 anos de Ronda da Madrugada É uma das instituições musicais mais importantes da região. Em 2023, comemoraram 25 anos. O segredo e a fórmula são desvendados por Roberto Furtado, baterista da Ronda. 07 | BACKSTAGE | DEZEMBRO 2023 - FEVEREIRO 2024


agosto do corrente. Qual tem sido o segredo? Estamos muito gratos pelo movimento que foi surgindo nos concertos da Ronda. É uma felicidade enorme contar com um mar de gente em todos os nossos espectáculos. Existe uma cumplicidade verdadeira e inédita entre a banda e o público. Nós fazemos questão de lhes dar tudo, a nossa profunda entrega numa performance alegre e enérgica, se calhar é este o segredo! Qual consideram ter sido o momento mais importante? O momento derradeiro foi a gravação do primeiro álbum nos estúdios «Pé de Vento» em Salvaterra de Magos, que permitiu, na altura, difundir as nossas músicas ao vasto público e rádios. Foi com este trabalho que subimos ao palco do Festival Maré de Agosto e que nos levou ao Canadá para um concerto no Kennedy Park em Toronto. Mas tivemos outros momentos muito importantes, a gravação do Ep «Vintena» nos estúdios da Valentim Carvalho, com a direção técnica do conceituado Nelson Carvalho e apoio técnico do João Mendes, e a participação durante vários anos no festival «Sete Sóis Sete Luas» que nos levou a várias paragens como Cabo verde, Marrocos, Espanha e Itália. O

encerramento do Festival Maré de Agosto em 2018 foi também um momento importante que guardamos como muito especial. Não é comum, uma banda local encerrar um evento de nível internacional, mas felizmente a Ronda já vai contando com alguns. Nunca foi fácil ser-se músico na região. De que forma ultrapassam essa barreira, sendo que em Santa Maria calculamos seja mais difícil? Só com muito planeamento, disciplina e responsabilidade é que se torna possível ultrapassar as adversidades do meio musical. Com trabalho é possível ultrapassar muitas barreiras! Todos nós passamos por vários projetos desde a música tradicional ao rock, quando chegamos à Ronda já contávamos com alguma experiência o que facilitou o arranque e o rápido reconhecimento público. Interessante também é que a Ronda sempre se apresentou ao vivo apenas com temas originais e cantados em português, coisa rara há duas décadas, e foi assim que conquistamos praticamente todos os palcos principais dos Açores e alguns internacionais. Para quando um novo trabalho discográfico?

Nos últimos anos temos optado por edições mais reduzidas e com maior frequência. Já contamos com três álbuns gravados em estúdio e um ao vivo na Maré de Agosto. Para além disso, editamos o Ep «Vintena» em 2018 e dois singles em 2023. Quem sabe se não voltamos a estúdio no próximo ano para mais um trabalho? Projectos a curto prazo quer ao nível da banda quer até mesmo em termos individuais? Os projetos individuais ou paralelos existem. Todos nós estamos envolvidos noutros projetos musicais e alguns de alguma relevância no panorama musical dos Açores. Para já mantemos a vontade de continuar a produzir novos temas com a Ronda, este é um projeto que merece a nossa entrega como forma de reconhecimento do apoio de vários milhares de seguidores e amantes da nossa música. Neste momento o que desejamos é continuar a pisar os palcos nacionais, sejam festivais nacionais e regionais ou mesmo festas pelos Açores fora. Ainda não fomos à Festa do Chicharro e estamos ansiosos para levar a nossa energia à Ribeira Quente. Gostamos de fazer festa por isso será a combinação perfeita!

Ernesto Sousa (Bica) - Voz e acordeão

Pedro Machado - Flautas, bandolim e voz

Roberto Freitas - Voz, guitarra acústica e bandolim

Léneo Andrade - Baixo e voz

Carlos Sousa (Kaki) - Guitarra elétrica

Roberto Furtado - Bateria 08 | BACKSTAGE | DEZEMBRO 2023 - FEVEREIRO 2024


THE CODE

A «Voa Acoustic Tour 23/24», já está na estrada. Começou no Estúdio 13 e aguarda a confirmação de novas datas. Para já, sabe-se que o encerramento será no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada.

P

experiências únicas em cada canção.

ara além do formato acústico, o que trás de novo esta «Voa Acoustic Tour 23/24»? Trará um conceito mais íntimo, acima de tudo. Vamos estar mais próximo dos nossos fãs a todos os níveis; na distância, nas conversas.. algumas surpresas que diferem de concerto para concerto. Será um conceito diferente, que vamos explorar e que tenho a certeza, será do agrado do público que comparecer. Que conceito será usado em termos de som e iluminação? Também aí, cada concerto será diferente. Estamos a trabalhar, com a nossa equipe técnica desde setembro, para a criação de diferentes ambientes, todos eles com o objectivo de criar

Quais as seguem?

datas

que

se

Vamos revelar as restantes datas muito em breve. Para já, achamos importante falar sobre a primeira, que é já amanhã, e a última que será no Teatro Micaelense. Até porque existem datas em fase de confirmação e apreciação de projecto. Lá está, queremos que estes espectáculos sejam diferentes, como já disse anteriormente. O Teatro Micaelense vai receber a última data desta digressão, pelo que, também estamos a ultimar todos os pormenores dessa noite. Cada casa, como sabes, tem a sua especificidade e isso é um desafio para todos nós, enquanto músicos e enquanto técnicos.

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Que balanço fazem de 2023, uma vez que estamos a chegar ao seu final? 2023 foi um ano bom para nós. Tivemos algumas datas, maioritariamente fora da ilha, o que também nos deixa felizes, pois sentimos que o nosso trabalho é reconhecido fora. Muitas mais histórias se criaram para contar. Que perspectivas têm para 2024, para além da já referida «Voa Acoustic Tour 23/24»? São sempre as mesmas; fazer músicas novas e ter datas para podermos fazer o que mais amamos, que é tocar ao vivo. O contacto com o público é muito importante, para uma banda como a nossa. A cumplicidade que se cria, seja onde for, não tem preço…


RODRIGO DE SÁ Q

uando e com que objetivo inicial nasce o podcast Cowboy Cantor?

O podcast nasce a 6 de Janeiro de 2006. Quis criar um programa para divulgar música nova, cuja selecção musical dependesse de mim. Um programa de autor, que tanta falta faz às rádios. Procurava artistas independentes, dentro da área rock, sem grande projecção em Portugal. Os objetivos mantêm-se ou houve necessidade de os adaptar? Mantendo as minhas escolhas entre artistas independentes, tenho aberto o programa a géneros por vezes muito desviantes do rock: jazz, música de dança, até hip-hop. Que periodicidade tem o mesmo e que tempo tem? Faço o possível para que seja semanal. Em cada emissão passo duas canções de um artista e faço uma intervenção relacionada com as canções. Por vezes essa locução é feita pelos próprios artistas. Diria que varia entre os 10 e os 12 minutos no total. Os podcasts ganharam muita exposição aquando da pandemia. Hoje em dia já não será bem assim, embora hajam excepções. No caso do Cowboy Cantor como tem sido? Eu achava que iria ser muito produtivo para mim. Estávamos todos fechados em casa. Eu a dar aulas pelo computador, a minha esposa a dar aulas pelo computador. O meu filho a ter aulas pelo computador e ainda tínhamos uma filha com menos de um ano, que precisava obviamente

Chama-se «Cowboy Cantor» e é título do podcast mais antigo da região. É de curta duração e tem como objectivo promover música, músicos e bandas independentes e sem grande projecção no país. Rodrigo de Sá é o responsável por este programa que já merecia estar na rádio... da nossa atenção. Perdia muito tempo a preparar as aulas, ou adaptar as aulas ao ensino à distância. Noutras situações, tive de gravar vídeos de aulas. Depois de tantas horas em frente ao monitor do computador, a tentar resolver problemas de som e de imagem dos meus alunos, o que eu menos queria era estar fechado num quarto, de auscultadores e microfone. Acho que essa paragem em 2020 foi prejudicial para mim, pois perdi muitos ouvintes. Terão deixado de seguir o podcast, por achar que não voltaria a gravar. Relativamente à interação com os ouvintes e porque não se trata de um programa de rádio, como é que essa interação funciona? Nas redes sociais faço referência ao Cowboy Cantor sempre que sai uma nova emissão. Embora seja muito pouco assíduo nessas redes para outro tipo de actividade. Tenho uma lista de ouvintes aos quais, através do correio electrónico, envio sempre uma mensagem com a ligação à edição mais recente do podcast.

O Cowboy Cantor tem certamente público em diversos pontos do país e/ou do mundo. O feedback tem sido interessante? A maior parte dos meus ouvintes é dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Recebo mensagens de pessoas que gostam de ouvir o programa pela música que passo e até gostam de me ouvir falar português, mesmo não percebendo o que eu digo. Há pessoas que eu conheço e que ouvem o Cowboy Cantor, a minha família (incluíndo filhos, esposa, mãe e irmãs) são algumas delas, e que comentam comigo o podcast. Pelos vistos tenho um grupo de ouvintes assíduos em Coimbra, pelo menos é o que já me disseram dois músicos de lá e um amigo que tem muitas ligações à cidade. Outros amigos reconhecem tentar gostar do podcast, mas não estão virados para música assim tão diferente, é o que dizem. E há ainda quem não goste de me ouvir falar, mas até lhe agrada a música. Em que plataformas pode ser escutado o programa? Página oficial, cowboycantor. podbean.com e todas (ou quase todas) as plataformas de

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CRISTOVÃO MEDEIROS Foi um dos fundadores da banda micaelense, Os Académicos mas está de saída. Tovi, como é conhecido no meio musical, recorda os concertos e o público que sempre acompanhou a banda.

D

eixar de pisar o palco vai deixar saudades?

Certamente que sim, e esta é a segunda vez que o faço. Primeiro em 1969 por motivo de ter ido prestar serviço militar obrigatório, e agora por motivos de saúde. Trata-se de um problema na coluna lombar que me afeta o nervo ciático. Um problema de saúde que não mata mas causa mal estar. Certamente a musica vai continuar, embora fora do palco. Certo? Certo. A música irá fazer sempre parte do meu dia a dia, não só como hobby como também como musicoterapia. Será uma maneira agradável de ocupar o tempo E será sozinho ou em formato tertúlia? Em principio sózinho. Irei voltar às origens ou seja, vou dedicar-me a fazer "covers" de músicas tipo "The Shadows" tal como éramos nos Académicos no início dos anos 60. Utilizando "jam tracks" disponiveis na internet e com uma boa aparelhagem de som, consigo tocar sózinho com

acompanhamento de outros instrumentos Não é tão aliciante como tocar em conjunto com outros músicos, mas dá para me divertir. O gosto musical continua a ser o mesmo, passados esses anos todos, ou seja, The Shadows, The Beatles, The Rolling Stones? O meu gosto musical vai mais por aí. Sou mais "rock and roll" mas aprecio outros tipos de música. Gosto muito de jazz, blues e até de alguma música popular portuguesa tipo Fausto, Trovante, Rio Grande Da música que se faz hoje em dia, que artistas destacaria a nível nacional e internacional? A nível nacional destaco "The Gift", "Aurea", "Carolina Deslandes" além dos emblemáticos "Xutos e Pontapés" e "Rui Veloso". A nível internacional destaco "Pearl Jam", Foo Fighters" e "The National". Que palavras deixa a quem o acompanhou desde o início da banda, Os Académicos? Músicos foram muitos, especialmente nos anos 60 em que por motivo do cumprimento do serviço militar obrigatório tivemos de alterar os componentes da banda por diversas vezes. Além dos

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músicos existiram também técnicos de som e "roadies" , pessoas que fazem também parte do grupo Todos eles estiveram presentes em momentos inesquecíveis da minha vida pelo que farão eternamente parte dela. A todos eles, um grande agradecimento e sentirei muitas saudades dos momentos que passamos juntos. Para terminar, que mensagem deixa ao público que vos seguiu? Não tenho palavras que possam exprimir tudo o que sinto pelo público que sempre nos acompanhou. Se nos anos 60 éramos uma banda de referencia, uma banda que acompanhava e era acompanhada pela juventude, numa altura que tudo era difícil, tal como o acesso a discos, aparelhagens de som, etc.. Sem internet, televisão vídeos e tudo o mais, era compreensível o grande sucesso que a banda teve. A grande surpresa veio com o regresso da banda em 2013, uma brincadeira que seria para fazer um ou dois concertos, prolongou-se por 10 anos,sempre com muita presença de público e muitas solicitações para actuações . Tínhamos público de todas as idades e até uns grupos de pessoas que nos acompanhavam por toda a ilha. A todos eles um grande agradecimento e nunca me vou esquecer.


MORBID DEATH

Ricardo Santos, Rafael Bulhões e Luís H. Bettencourt estão de regresso ao continente português, para a participação no Mangualde Hard Metal Fest, edição 2024.

epois de duas datas no final de 2023, regressam novamente ao continente português, desta feita para o Mangualde Hard Metal Fest?

D

do meio nacional. Actualmente, é menos dispendioso fazer deslocar uma banda ao continente português. Mais difícil, será ingressar num festival de maior dimensão.

Sim, a 13 de Janeiro, actuamos no Mangualde Hard Metal Fest. No cartaz constam nomes consagrados da cena mais pesada internacional, como são os casos de Sinister e Varathron. Constam ainda as presenças dos portugueses Grog, Hate Squad ou Cruz de Ferro, entre outros. Depois, em Maio - dia 3, regressamos novamente ao continente português para actuar no Alvalade Arise. Estão confirmadas bandas como Vil, Devil in Me, Besta, Suspeitos do Costume, entre muitas outras. Este festival realizase em solo Alentejano, (Santiago do Cacém) sendo a nossa estreia lá.

Na tua opinião, uma agência poderia fazer a diferença?

Essas datas surgem como? Tal como nas datas anteriores, surgem porque investimos muito tempo e trabalho na divulgação do nome Morbid Death. Cada vez mais, tem que ser um trabalho intenso, tendo em conta que estamos distantes

Obviamente que, pertencendo a uma agência, as possibilidades de actuar em festivais de maior dimensão, teriam uma percentagem diferente de acontecer. Mas aí também teria que ser uma agência com um peso maior, em termos de carteira de artistas e com conhecimento e influencia muitos maiores. Todos sabemos que as coisas funcionam assim, não só no heavy metal mas noutras vertentes musicais. Basta olhar para os cartazes de verão. Recentemente, lançaram o tema «Survive» em videoclip. Trata-se de um tema isolado ou um potencial single de avanço a um novo disco? É um tema isolado e teve como objectivo ingressar na colectânia Azores and Metal, volume 3. Repara

que o nosso álbum «Oxygen» foi lançado em 2020 mas nós não tivemos oportunidade de o promover. Os concertos de hoje a amanhã, bem como os de Janeiro e Maio, vão servir para isso, porque nunca foram apresentados lá fora. Não faz muito sentido gravar um disco agora, quando temos um embora gravado como disse, em 2020 – que nunca foi tocado no continente português. Temos que aproveitar todas as oportunidades para promover o disco e, depois disso, poderemos pensar na composição de novas músicas para um futuro registo. Já se pode fazer um balanço, ainda que provisório, de 2023? O balanço será feito depois desta sequencia de concertos e festivais que deverá terminar em Agosto, com a nossa participação num festival de grande envergadura. Até lá, vamos acumular todos os momentos para, posteriormente, fazer uma reflexão a tudo o que se conseguiu fazer em termos de promoção da banda, ao vivo.

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2023 Com o aproximar do final do ano, é altura de se fazer um balanço do que foram estes doze meses. Os resultados; positivos e negativos, nas linhas que se seguem... Helena Oliveira O ano de 2023 foi já um ano de maior envolvimento nos projetos musicais, que tenho em curso. Houve, portanto, uma retoma à realização dos concertos comentados, sobre Poetas e Músicos dos Açores, numa viagem através das diferentes ilhas, prestando homenagem a muitos daqueles que emprestaram a sua genialidade artística à região. Os concertos ocorreram com uma periodicidade semanal, para grupos de turistas, abrangendo uma média de 800 pessoas. Em setembro, participei nas Comemorações dos 500 anos das Romarias Quaresmais, desta feita, com um concerto intimista a piano e voz, acompanhada pelo Maestro Carlos Frazão, onde apresentei o meu concerto Helena Cant’Autores Açorianos, tendo o evento decorrido no Museu Vivo do Franciscanismo na Ribeira Grande. Projeto Natália Sendo 2023 o ano da celebração do Centenário de Natália Correia, que coincidiu com o lançamento do disco vinil do Projeto Natália, eram legítimas as expectativas sobre o que poderia ser o percurso de uma parceria entre um compositor açoriano e de

uma Atriz-cantora continental. Desde o seu lançamento, em Ponta Delgada, (março), no Centro Natália Correia e em Lisboa (abril) na Fnac Chiado), o Projeto internacionalizou-se duas vezes nos E.U.A., em Washington D.C e em Boston respectivamente, tendo ainda participado no

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Festival Cerveira ao Piano, Casa Fernando Pessoa em Lisboa e Arte Larga, no Auditório Municipal de Olhão. Em suma, um ano memorável e inesquecível. Alquimia O balanço de 2023 é muito positivo para os Alquimia. Ainda no rescaldo do nosso


primeiro original, salientamos o concerto em nome próprio no Teatro Micaelense e o lançamento do videoclipe do tema açoriano “Atlântico”. Na calha para 2024, temos um novo original, cuja gravação já está em curso e mais algumas surpresas, que, a seu tempo, serão divulgadas. Esperamos continuar a contar com o apoio do público que muito nos tem acarinhado. Luís Alberto Bettencourt 2023 Foi um ano assombrado por algumas nuvens negras de origem física e mental que não me deixaram boas recordações. Um pequeno acidente que originou uma fratura na vértebra dorsal, aliado a uma situação depressiva, obrigou-me a cancelar toda a minha atividade de músico, incluindo vários concertos agendados. Em plena recuperação, espero um 2024 bem diferente onde haja espaço para recuperar o tempo perdido. Passos Pesados O balanço que os Passos Pesados fazem do ano de 2023, é positivo, embora continuemos a dizer que o panorama das bandas Rock Original continua um pouco escuro, infelizmente as entidades responsáveis pela dinamização cultural, continuam muito aquém da realidade dos projetos originais. Mas temos de ser nós a criar as nossas oportunidades e nesse sentido iniciamos uma digressão pelas escolas de S. Miguel (com uma altíssima taxa de sucesso) a par dos nossos habituais concertos ao longo do ano. Também continuamos nas gravações do novo álbum de originais, tal como do «Best of Passos Pesados», que contamos apresentar, logo que estejam concluídos, embora sem datas de lançamento marcadas. Sir.Kasmo Podemos dizer que foi um ano positivo. Não tivemos actuações ao vivo, o que nos permitiu tornar mais unidos

e coesos no processo de composição de novos temas com sonoridades diferentes do que o público estava familiarizado. 2024 será o ano do lançamento do 2º single e mais algumas novidades. Estejam atentos. Morbid Death / Torn Fabriks Estando eu ligado a duas bandas de Metal (Morbid Death & Torn Fabriks), o ano que está no seu fim, foi bastante positivo com atuações de ambas as bandas em Portugal Continental. Por incrível que possa parecer, foi-nos mais fácil atuar lá do que na nossa própria terra que nos vi nascer. É o velho ditado a prevalecer «Santos da casa, não fazem milagres». Infelizmente, por cá é assim que anda e houve a necessidade de «emigrar» com o nosso trabalho. É de lamentar... Luís Barbosa 2023 Foi um bom ano para compor e gravar um pouco. Penso que para 2024 vou lançar temas novos. Desde julho até à presente data tenho vindo a organizar um “Open Mic”, no ‘Outro Lado’, todas as quartas, o que tem me dado o privilégio de tocar com diversos artistas, de diversas nacionalidades. Quanto a concertos foi um ano muito fraco, espero que 2024 venha com força. Boas festas para todos. João Moniz Para mim 2023 foi um ano muito bom! Tive várias oportunidades para apresentar o meu trabalho de originais que tenho vindo a desenvolver desde 2019. Levei as minhas canções às ilhas Terceira, Corvo e Pico e a palcos como o Coliseu Micaelense, Bliss Vibes e Cordas World Music Festival. Estou desde o fim do verão a preparar o lançamento de novos temas para 2024, pelo que anseio, com muita expectativa, para chegar a 2024. Crossfaith Para os Crossfaith, o ano de 2023 foi um ano cheio de trabalho. Começando com a

entrada do Jacub para as guitarras ritmo, tivemos a trabalhar com ele para aprender 20 anos de músicas. Também estivemos muito ocupados na elaboração do video-clip para o tema «Gravediggers», tema que foi lançado este ano no álbum «Azores Metal» Volume III. O videoclip está pronto e será lançado a público no primeiro trimestre de 2024, ano em que banda celebra 20 anos de Rock`n Roll. Num olhar em geral para as bandas açorianas de musica original, continuamos num mercado muito pequeno com poucas oportunidades. Sem perder ânimo, olhamos em frente com o objetivo de dar continuidade à apresentação da arte e cultura que representamos. Boas festas! Ana Claudia Para mim 2023, a nível musical, foi um ano em grande. Por um lado, bastantes concertos com as várias bandas e projectos, por outro, com o lançamento do terceiro single dos Drvzka e o recomeço das gravações em estúdio, tanto dos Drvzka, como dos Ser. Também foi um ano pleno de participações em trabalhos de colegas artistas. Em suma, foi dos melhores anos que já tive na música. Balanço mais que positivo." Rafael Carvalho 2023 foi um ano inesquecível. A honra de poder concretizar mais 2 álbuns, um em duo, com o Bruno Bettencourt, e o outro a solo, são indicadores da vitalidade que estes tempos exigem. Ao nível de concertos e parcerias musicais foi o mais preenchido de sempre. Isso, a contrastar com a maior abandono de sempre ao sector Cultural, por parte de um Governo dos Açores, só confirma que, a reivindicação de apoios, não significa viver de apoios. Fazemos e sabemos fazer, só merecemos dignidade naquilo que somos e representamos.

14 | BACKSTAGE | DEZEMBRO 2023 - FEVEREIRO 2024


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