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Revelação 300

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Especial

Na Internet

Pesquisadores Site traz informações organizam memória de sobre projeto

Mário Palmério Projeto prevê publicação da biografia oficial e instalação de um centro de documentação, de um portal na Internet e de um memorial até 2006 Selma Nery 2º ano de Jornalismo

Central de Imprensa distribuirá notícias sobre desenvolvimento dos programas captura de tela

neste site. A primeira versão estará disponível já em março de 2005, e a versão completa – com maior volume de documentos digitalizados – em setembro de 2006.

Coordenado pelo jornalista e professor do curso de Comunicação Social da Universidade de Uberaba (Uniube), André AzeBiografia vedo da Fonseca, e pela professora e estuEm seguida, em decorrência natural das dante do último ano de História, Cristiane pesquisas para o Centro de Documentação Ferreira de Moura, o projeto Memorial e para o Portal, o jornalista André Azevedo Mário Palmério se propõe a organizar e di- da Fonseca – pós-graduando em História do vulgar o legado cultural e a memória do es- Brasil na PUC-MG – já prepara a biografia critor, político e educador falecido em 1996. oficial do escritor. "A importância histórica Além de da vida públipreservar a meca de Mário mória do inte- Pesquisadores já estão catalogando Palmério ainlectual Mário fotos, diários, manuscritos inéditos, da não é corPalmério, o espondi da cartas, slides, fitas de áudio, de vídeo e rpor projeto se desuma obra tina também na dissertações sobre a obra do escritor de referência à celebração em altura de sua alto nível do biografia pesaniversário de dez anos de seu falecimento, soal", defende o jornalista. que se dará no dia 24 de setembro de 2006. Por fim, está planejado para 2006 a inauO plano será desenvolvido gradualmente e guração do Memorial Mário Palmério, um está estruturado em quatro programas com- espaço museográfico que centralizará a plementares. infra-estrutura dos programas e instituirá em Em primeiro lugar, os pesquisadores já es- Uberaba um centro cultural para promover tão catalogando documentos (fotos, diários, seminários e projetos literários de nível namanuscritos inéditos, cartas, jornais, slides, fi- cional. tas de áudio e vídeo, dissertações e teses soPara isso, os coordenadores pretendem bre sua obra, sua biblioteca pessoal e outros mobilizar estudantes nas áreas de História, arquivos dispersos em instituições e em acer- Letras e Comunicação Social através de ofivos familiares) para montar um Centro de Do- cinas, envolvimento de disciplinas e ativicumentação. O objetivo é proteger esses do- dades complementares. O projeto já foi cumentos e catalogar o acervo para facilitar o aprovado pelo reitor Marcelo Palmério e retrabalho de pesquisadores. A previsão é que cebeu total apoio da Uniube, da Sociedade um primeiro lote do acervo esteja disponível Educacional Uberabense e da família para o público em setembro de 2005. Palmério. O segundo momento será a criação de Nessa edição especial do Revelação nº um portal na Internet para centralizar infor- 300, o leitor poderá conhecer um pouco mações on-line sobre o escritor. O acervo do mais sobre as múltiplas personalidades de Centro de Documentação será gradualmen- Mário Palmério e compreender a importânte digitalizado, transcrito e disponibilizado cia histórica desse grande projeto.

Além das novidades sempre atualizadas, o site traz a biografia básica de Mário Já está na Internet a Central de Impren- Palmério (publicada originalmente no site sa do projeto Memorial Máda Academia Brasileira de rio Palmério. Este site tem o Letras), os trechos principais objetivo de distribuir infor- Objetivo é distribuir do projeto, fotos para divulmações sobre o desenvolvi- informações sobre gação e informações oficiais mento dos programas. A Cen- o desenvolvimento sobre a Uniube. tral de Imprensa não é o emA Central de Imprensa brião do Portal Mário dos programas foi desenvolvida pela equiPalmério, como previsto no pe do projeto e contou com projeto. Ele servirá sobretudo para apoiar o webdesign do publicitário Lungas Ferreira e subsidiar jornais e revistas em eventuais Neto, da Central de Produção Eletrônica da reportagens sobre o escritor. Universidade de Uberaba (Uniube). Da redação

www.uniube.br/mariopalmerio

Jornal-laboratório do curso de Comunicação Social, produzido e editado pelos alunos de Jornalismo e Publicidade & Propaganda da Universidade de Uberaba (revelacao@uniube.br) Supervisora da Central de Produção: Alzira Borges Silva (alzira.silva@uniube.br) • • • Edição: Alunos do curso de Comunicação Social • • • Diagramação: Gisele Barcelos ••• Projeto gráfico: André Azevedo da Fonseca • • • Coordenador da habilitação em Jornalismo: Raul Osório Vargas (raul.vargas@uniube.br) • • • Coordenadora da habilitação em Publicidade e Propaganda: Karla Borges (karla.borges@uniube.br) • • • Estagiário: Fábio Luís da Costa (fabio.costa@edu.uniube.br)• • • Técnica do Laboratório de Fotografia: Neuza das Graças da Silva • • • Analista de Sistemas: Tatiane Oliveira Alves Reitor: Marcelo Palmério • • • Jornalista e Assessor de Imprensa: Ricardo Aidar • • Impressão: Gráfica Jornal da Manhã • • • Fale conosco: Universidade de Uberaba - Curso de Comunicação Social - Jornal Revelação Sala L18 - Av. Nenê Sabino, 1801 - Uberaba/MG - CEP 38055-500 • Tel: (34)3319-8953 • http:/www.revelacaoonline.uniube.br • • • Escreva para o painel do leitor: paineldoleitor@uniube.br

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Biografia

Um espírito inquieto Therani Garcia 2º ano de Jornalismo

Arquivo Memorial Mário Palmério

Mário Palmério transitou por diversas áreas e foi, acima de tudo, um “sonhador prático”

No dia 1º de março de 1916, em Monte Carmelo (MG), nasceu Mário Palmério, filho do italiano Francisco Palmério e de D. Maria da Glória Palmério. O pai era engenheiro civil, advogado e em seus últimos anos de vida foi Juiz de Direito. Como engenheiro, Francisco construiu, entre outros, o palacete de Antônio Pedro Naves, na Rua Manoel Borges – patrimônio histórico de Uberaba, demolido em 2002. Mário Palmério estudou no Colégio Diocesano, em Uberaba, e no Colégio Regina Pacis, em Araguari. Aos 19 anos matriculou-se na Escola Militar de Realengo, no Rio de Janeiro, mas desligouse no ano seguinte por motivos de saúde. Em 1936 foi trabalhar no Banco Hipotecário e Agrícola de MG, na sucursal de São Paulo. Palmério começou a vida de educador quando, na capital paulista, fez o magistério secundário e foi professor de Matemática em várias escolas. O interesse por essa disciplina fez com que, em 1939, entrasse na seção de Matemática da Faculdade de Filosofia da Universidade. Neste mesmo ano casou-se com Cecília Arantes, com quem teria dois filhos: Marcelo e Marília Palmério. Ao voltar para Uberaba, fundou o Liceu do Triângulo Mineiro, na Rua Manoel Borges. O colégio fez fama na cidade. No município, havia naquela época o colégio Diocesano – só para homens – e o colégio Nossa Senhora das Dores – só para O criador de faculdades tinha outra mulheres. Para o entusiasmo dos jovens paixão: a política. Depois de fundar o Partido uberabenses dos anos 40, o Liceu foi um Trabalhista Brasileiro (PTB) de Uberaba e colégio de turmas mistas em uma cidade semear dezenas de diretórios do partido ultra-conservadora. Em 1945, construiu na Getulista na região, o jovem de 34 anos Av. Guilherme Ferreira um conjunto de elegeu-se Deputado Federal. Na Câmara foi edifícios para sede do Colégio do Triângulo vice-presidente da Comissão de Educação e Mineiro e da Escola Técnica de Comércio, Cultura durante todo o seu primeiro mandato já com vistas à criação da primeira escola (1950-1954). Reeleito em 1954, passou a superior que viria a instalar na região. integrar a Comissão de Orçamento e a Mesa Em 1947, o Governo autorizou o funcio- da Câmara. Em 1955 matriculou-se na namento da FaculEscola Superior de dade de OdontoGuerra, onde conlogia – o primeiro Para o entusiasmo dos jovens cluiu o Curso Supasso efetivo para a uberabense dos anos 40, o Liceu perior. transformação de foi um colégio de turmas mistas Uberaba em cidade Literatura universitária. Em em uma cidade ultra-conservadora No período de 1951 Palmério funsua reeleição, a dou ainda a Faculdade de Direito. Mas a Câmara discutia intensamente o problema vontade de criar faculdades não parava. Em das fraudes nas eleições e debatia 1954, foi um dos grandes responsáveis pela modificações na lei eleitoral. Político implantação da Faculdade de Medicina do precocemente experiente, para contribuir Triangulo Mineiro (FMTM). Em 1956 nas discussões, Palmério escreveu uma série fundaria ainda a Escola de Engenharia. de relatórios expondo as artimanhas para se 26 de outubro a 1º de novembro de 2004

obras do Colégio Experimental, pela Ponte Internacional de Foz do Iguaçu e pelas negociações sobre a futura instalação da usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Mário Palmério integrou-se intensamente na vida cultural paraguaia e, pianista “de ouvido”, foi compositor de várias guarânias de sucesso. Entre elas, a inesquecível “Saudade”. Ao regressar ao país em 1964, foi para a fazenda São José do Cangalha, no Mato Grosso, e escreveu Chapadão do Bugre, romance inspirado em uma chacina política ocorrida no começo do século 20, na cidade mineira de Passos. A exuberante descrição lingüística e o relato dos costumes regionais foram muito bem recebidos pela crítica. Em 1968, Palmério acabou eleito para a vaga de Guimarães Rosa na Academia Brasileira de Letras (ABL). Amazônia De fevereiro de 1969 a fevereiro de 1970, Mário Palmério viajou pelo rio Amazonas, conhecendo a vida e os costumes dos ribeirinhos. Ao voltar, foi candidato à prefeitura de Uberaba, mas perdeu as eleições. No ano seguinte viajou pela Europa e África proferindo palestras sobre seus livros e sobre a Amazônia. Logo depois, voltou ao Triângulo e criou as Faculdades Integradas de Uberaba (Fiube) em 1972. Já no ano seguinte, criou os cursos de Educação Física, Psicologia, Pedagogia, Estudos Sociais e Comunicação Social. Em fraudar eleições, sobretudo em cidades de 1976, seria inaugurado o complexo de interior. Era o embrião de seu primeiro livro: edifícios que formaria o Campus II da Fiube. Vila dos Confins. De relatório, esses Mário voltou à Amazônia em 1978 e registros tornaram-se crônicas e depois permaneceu lá por 9 anos. Ele construiu constituíram-se em romance. Foi Rachel de um ba rco chamado Frey Gasp ar de Queiroz quem levou os originais para a Carvajal, onde reuniu uma biblioteca de editora José Olympio. Vila dos Confins fez milhares de livros sobre aquela região. enorme sucesso já no ano de publicação, em Nesse tempo fez anotações, tirou centenas 1956. E isso, no mesmo ano em que Gui- de fotos, recebeu políticos e cientistas, mas marães Rosa lançara sua obra-prima: por problemas de saúde, em 1987 deixou Grande Sertões: Veredas. de vez a Amazônia, voltou a Uberaba e Em 1958 o deassumiu novamente a Fiube. putado reelegeu-se pela terceira vez – Palmério voltou à Amazônia em Em 1988, cone agora com sua 1978 e permaneceu lá por 9 anos. seguiu a autorimais expressiva Construiu um barco onde reuniu zação do Ministério da Eduvotação. Em setembro de 1962 foi uma biblioteca de milhares de livros cação para transnomeado pelo preformar a Fiube sidente João Goulart para o cargo de em Universidade de Uberaba. A partir daí, Embaixador do Brasil no Paraguai. Assumiu foi o reitor da Uniube. Participou intenem outubro daquele ano e só deixou o posto samente da vida pública da cidade, no golpe de 1964. Sua passagem pelo concedendo entrevistas na TV e recebendo Paraguai foi marcada, além da reforma do dirigentes políticos. Mário Palmério morreu edifício da embaixada, pela conclusão das em 24 de setembro de 1996.

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Resenha

“Para velhaco,

velhaco e meio!” Em um balanço geral das eleições, Vila dos Confins, de Mário Palmério, reconstrói cultura política do rústico e esquecido “interiorzão” do Brasil polvilho de espelho socado no pilão. O ar, a gente podia vê-lo mover-se – lesma amarela, quente e pegajosa, a arrastar-se Importante, para um político, andar por sobre as ruas e telhados.” sempre com a memória em dia: guardar o Paralelo à exuberância expressionista na nome do eleitor, o da patroa, se possível até descrição do sertão, o autor relatou minúcias o dos meninos. O pessoal apreciava — das movimentações políticas nas corrutelas sempre era uma prova de atenção, de recém-emancipadas na região do Triângulo amizade. Mineiro, na década de 50. E ele tinha muito a dizer. Palmério foi deputado federal pelo Publicado em 1956 pela editora José PTB, eleito e reeleito por três mandatos Olympio, o romance Vila dos Confins, do consecutivos (1950-1962), quando então foi escritor, político e educador Mário Palmério nomeado pelo presidente João Goulart para ( 1 9 1 6 -1 9 9 6 ) , o cargo de emtrouxe uma rebaixador do Bralevante contri- Autor relatou minúcias das sil no Paraguai – buição para a onde permanemovimentações políticas nas literatura regioceria até o golpe nalista brasileira. corrutelas recém-emancipadas na de 1964. Quando A autenticidade região do Triângulo, na década de 50 publicou Vila dos no uso do voConfins, já havia cabulário sertacumprido seis nejo, o cuidado na descrição geográfica do anos de mandato. Essa vivência serviu de cerrado e o verdadeiro conhecimento da matéria-prima para muitas anotações alma e do cotidiano do homem interiorano originais: o próprio escritor admitiu que a se entrelaçaram em um testemunho legítimo obra “nasceu relatório, cresceu crônica e da cultura quase selvagem de povoações acabou romance”. esquecidas nos áridos confins do Brasil. “O A personagem principal de Vila dos sol caía de ponta à ponta, brutal. Confins é o deputado federal Paulo Santos, Entorpecia e queimava tudo. A areia era um político experiente, mas já cansado daquela vida de disputas partidárias: em um trecho, chega a abandonar a reunião de diretório para se esbaldar em uma delirante pescaria. Mas à pedido dos companheiros da União Cívica, passa a percorrer o município para articular a candidatura do correligionário João Soares à prefeitura da cidade. Sua estratégia era convencer pessoas influentes do vilarejo a apoiarem a coligação de seu candidato, colocando seus próprios nomes na disputa pelos cargos de vereadores. E é aí que a política sertaneja começa a esboçar os primeiros indícios da brutalidade de seu pragmatismo. Ninguém tinha experiência legislativa, mas isso era o que menos importava: em política, seja lá qual o seu valor, só é respeitado quem ganha – ensinava o deputado. O fazendeiro Neca Lourenço, matuto e bestial, convidado por Paulo Santos a ser candidato a uma vaga na câmara, até que tenta negar: “Me bote num curral, num tronco de castração ou no cabo

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André Azevedo da Fonseca Especial para o Revelação

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de um machado que eu não faço feio. (…) democratas para vencer os liberais; nas Mas não me mande cuidar de política, que últimas, nos unimos aos liberais para derrotar um gato morto pendurado pelo rabo num os democratas; agora, o boato é que os arame de cerca faz mais figura do que eu.” democratas estão se aproximando dos Contudo, convencido a muito custo, liberais para acabarem com a gente… nessa entusiasma-se a seu jeito e parte para a confusão toda, sobram apenas os mais duros, campanha de rua dizendo que, quando que ninguém é bobo de fazer casa com pau ganhasse a eleição, entraria na vila montado bichado… nas costas do candidato adversário, riscando-lhe as virilhas à espora. E no cenário de um interior brasileiro Entretanto, como um Maquiavel do ainda predominantemente rural, as sertão, Paulo primeiras eleiSantos pondera ções em uma que só muito Aprender a ler? Coisa inútil. Cabo de pequena coantigamente um munidade evienxada, foice, machado e laço de couro adversário mordentemente ria adversário. cru engrossa as mãos – caneta e lápis têm suas peNaqueles “no- são ferramentas muito delicadas cu lia ridades. vos tempos” Para começar, (estamos nos pratica mente anos 50), com aquela balbúrdia de partidos toda a população – incluindo candidatos a políticos, ninguém vencia eleição sem vereador – é totalmente analfabeta. coligação: Aprender a ler? Coisa inútil. Cabo de enxada, foice, machado e laço de couro cru Veja como tudo tem mudado: nas engrossa as mãos – caneta e lápis são eleições passadas, nós nos aliamos aos ferramentas muito delicadas. A vida é 26 de outubro a 1º de novembro de 2004


marcar bezerro, curar bicheira, rachar pau de cerca, esticar arame farpado, capinar, colher… E quem perdeu tempo na escola com leitura e escrita, acaba logo esquecendo-se do pouco que aprendeu. Daí o trabalhoso serviço dos partidários para ensinar cada um dos habitantes o passo-apasso do alistamento eleitoral. O trecho em que Pé-de-Meia — um esforçado secretário de campanha — tenta ajudar o caboclo João Francisco de Oliveira a desenhar sua assinatura para preencher um requerimento é antológico: “— Me dá licença, seu João.” E pega no mãozão cascudo, pesado tal um caminhão de tora. Vai choferando a bicha, para cima e para baixo, caminhando com ela sobre o papel. O rasto fica: primeiro, a foice espigada do jota, depois a laçada bamba do ó; em seguida, mais duas voltas grandes, repassadas e atreladas uma à outra. Mas ainda falta o remate: o urubuzinho do til que Pé-de-Meia fez João Francisco desenhar, bem saliente, por cima do primeiro trecho da tremida assinatura. “— Já varamos um bom eito. Vamos descansar um pouco: falta ainda o Francisco, falta o de Oliveira…”

derrubando uma árvore, estaciona o carro e atira várias vezes de carabina contra o painel e a lataria. Entra no automóvel alvejado, corre para a cidade vizinha, aciona a polícia, presta depoimento relatando detalhes da “tocaia” e faz com que o caso alcance proporções nacionais, envolvendo o Governo Federal, repercutindo na imprensa e, evidentemente, constrangendo os liberais – automaticamente acusados de armar o atentado. Mas no dia da eleição, apesar da presença de forças militares, chamadas para “pacificar” o tumultuado pleito na Vila dos Confins, pipocam tramóias das mais criativas. Os unionistas decidem contratar os serviços de um lendário rábula da região: o Pereirinha – sujeitinho miúdo, míope de meter pena… mas que em uma eleição se agigantava, virava um demônio em forma de gente, impugnando trapaças, armando outras, protestando, recorrendo, conferindo zonas eleitorais… um sucesso! Mas nem a ginga do rábula Pereirinha consegue driblar duas das mais clássicas trapaças da tradição eleitoral do interior. Uma delas é a compra de votos. Os cabos eleitorais cortavam cédulas em duas, distribuíam uma das metades e prometiam entregar a outra caso o candidato ganhasse. Depois era só emendar o dinheiro. A outra tramóia eram os chamados “fósforos”. Tratava-se de cabos eleitorais treinados em passar por cinco, seis, até por mais eleitores diferentes. Um caso que se tornara-se clássico na região era o do Doquinha.

com o deputado, garantindo apoio de que libera verba, troca delegado e nomea Mas é na descrição das manobras de Dr. ambos. Tapearia os dois – ficariam novo intendente, os liberais deitam e rolam. Osmírio e Chico Belo – respectivamente, queimados com ele, brigariam, mas depois Gouveinha – o novo chefe de intendência – virtual candidato a deputado estadual e tudo passava. Política era aquilo mesmo... era um patético “laranja” cujo ato fora candidato à prefeitura de Vila dos Confins, valha quem valha, só é respeitado quem tem apenas a assinatura tremida no termo de ambos liberais e adversários do grupo de poder — não é essa a lição? posse e o discursinho na solenidade de Paulo Santos – é que Mário Palmério passa Prestígio e vaitransmissão do a jogar pesado na descrição da política de dade: o sentido do cargo. “Caísse o baixo nível. Enquanto o grupo da União ingresso na vida Os cabos eleitorais cortavam Gouveinha na Cívica percorre a região num corpo-a-corpo pública. Palmério cédulas em duas, distribuíam uma boa vida, tomasse O tipo pintara e bordara. Votou, a com lideranças locais, os adversários vão mostra como Chiprimeira vez, barbudo, representando o velho os seus costuprocurar apoio com a cúpula do governo na co Belo vê com das metades e prometiam entregar meiros pileques – Didico, morto havia mais de ano; fez a barba, capital. inocente e sincera a outra caso o candidato ganhasse um gambá, o deixando o bigode, e foi para outra seção O vaidoso e chantagista deputado naturalidade a culvelhote! – pesvotar em nome de um tal de Carmelita, Cordovil de Azambuja leva os corre- tura de auto-favosumido desde meses; tirou o bigode e, com casse, dormisse o ligionários a uma audiência com o recimento no exercício do poder. Para a dia todo, mas nada de se envolver com os a cara mais linpa e lavada desse mundo, Secretário dos Negócios do Interior, personagem, entrar na política é uma negócios do município!”, ordenam os preencheu a falta de outro eleitor; e dizem pedindo a mão-forte do governo nas maneira perfeitamente legítima para se dar liberais. ainda que votou mais uma vez, de cabelo eleições de Vila dos Confins. Seu interesse bem na vida – e ponto! Em vez de sentir-se oxigenado e cortado à escovinha, E o lamaçal fica cada vez mais turvo. era popularizar-se na região para faturar ofendido, o candidato faz questão de Dr. Osmírio – que controlava até o juiz – substituindo um rapazinho alemoado que eleitores nas próximas eleições à Câmara demonstrar admiração a um tal de Paiva, cria novas seções eleitorais para dificultar viera trabalhar, por uns tempos, na Federal. Na primeiríssima ponderação do ex-prefeito de Nova Esmeralda – uma a fiscalização nos distritos. Candidatos a montagem da usina elétrica de Santa Rita. secretário, Azambuja sente-se contrariado, cidade vizinha – que soube tão bem vereador já registrados pelos unionistas são estoura teatralmente, ameaça faltar em um aproveitar-se do cargo público para o comprados pelos liberais à última hora. O Por todas essas “lições”, essa obra que pronunciamento na Assembléia onde fora enriquecimento de sua própria família: novo delegado ordena que os policiais “nasceu relatório, cresceu crônica e acabou incumbido de defender uma medida do revistem compulsoriamente todos os romance”, oferece uma oportunidade muito governo e, segundos interessante “Falavam dele, partidários dos depois, bufando para lapidar a mas a verdade é que adversários em pelos corredores, Em conversas particulares, prefeito nenhum tinha público, cons- A outra tramóia eram os chamados imaginação joga sujo: “– Vamos combina uma coisa com o crítica na mais prestígio com o trangendo-os a “fósforos”. Tratava-se de cabos eleitorais todos para a observa çã o pessoal do Governo ponto de quase Assembléia. Mudei secretário e outra com o deputado, que o Paiva. Colocou provocar um treinados em passar por cinco, seis, desse tempo de idéia. Vou é mo- garantindo apoio de ambos os filhos todos, até tiroteio. de “ânimos até por mais eleitores diferentes dificar o meu disescaldantes” gerência da Caixa Vendo a sicurso, solto umas que caracteEconômica arrumou tuação de seu indiretas. Sou capaz até de dar uma forcinha para o genro… Hoje, era o boiadeiro mais partido degringolar, Paulo Santos põe em rizam as eleições municipais. à oposição...”. forte da zona, com os bancos do Governo prática um plano mirabolante: simula um Para velhaco, velhaco e meio – defendia (*) André Azevedo da Fonseca é jorescorando os negócios dele…” atentado – coisa comum naqueles tempos Osmírio. Em conversas particulares, de coronéis e jagunços. Com ajuda do tio, nalista, professor na Uniube e coordenador combina uma coisa com o secretário e outra Com o apoio do secretário do interior, embrenha-se na mata, obstrui a estrada do projeto Memorial Mário Palmério 26 de outubro a 1º de novembro de 2004

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Um diálogo entre

dois mestres Em discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, Palmério celebra o grande escritor e amigo, Guimarães Rosa

fotos: Arquivo Memorial Mário Palmério

Imortais

Erileine Rodrigues 20 ano de Jornalismo Vinte e dois de novembro de 1968, na Academia de Letras, o escritor Mário Palmério abre o seu discurso de posse na Cadeira nº 2: “João Guimarães Rosa não foi apenas um querido amigo, foi-me o mestre maior, dia a dia mais e mais admirado e respeitado”. Palmério discorre sobre a vida de Guimarães Rosa – ou simplesmente Joãzito, como era chamado em Cordisburgo, terra natal do escritor que renovou o romance porfia, para, depois, reiniciar e reconstruir brasileiro e conquistou o mundo. tudo, e de modo totalmente irreconhecível, Rosa nasceu no dia 27 de junho de 1908, como se fora lavor de outra alma e de outras primeiro dos seis filhos de D. Francisca mãos”, prossegue Palmério. Guimarães Rosa e de Florduardo Pinto Em cada fase da vida de Rosa, por onde Rosa, mais conhecido por “seu Fulô”, passou, ele sempre anotou tudo, não só de comerciante, juiz-de-paz, caçador de onças memória, mas – e principalmente – nas suas e contador de estórias. O garotinho com famosas cadernetas. Sempre foi muito olhar sonhador aprendeu a ler sozinho aos discreto e fazia os textos para si. Não tinha quatro anos. As palavras e os mapas intenção de publicá-los e nem mesmo falar geográficos eram seus brinquedos favoritos. sobre eles. Tamanha foi a surpresa dos Luís Guimarães percebeu a inteligência amigos quando o conto O Mistério de precoce de seu afilhado e o levou a Belo Highmore Hall, foi publicado na revista O Horizonte para dar melhores condições de Cruzeiro. A partir daí não parou mais. estudo a um menino que logo mostraria o Entrou na Academia Brasileira de Letras seu empenho intelectual. Rosa terminou o em 1967 e, em seu discurso, a todo instante curso primário anfez referências a tes dos nove anos, sua terra natal e aos 17 prestou ves- Três dias depois da posse aos conhecidos tibular e matri- na ABL, Guimarães Rosa morre, que sempre ficulou-se na Facul- deixando saudades e admiradores zeram parte de dade de Medicina sua obra. Três de Belo Horizonte. de suas inesquecíveis obras dias depois da Ao formar-se, posse, o escritor exerceu a profissão em Itaguara, ci- morre, deixando saudades e admiradores de dadezinha mineira do município de Itaúna. suas inesquecíveis obras. Lá foi muito mais que médico: foi amigo, A Mário Palmério, ficou a lembrança da conselheiro e colheu informações de toda a última conversa que teve com Rosa, quando população que mais tarde veio a povoar seus o autor de Grandes Sertões: Veredas textos. Em 1932, foi voluntário na Força combinara com ele uma viagem ao sertão Pública durante a Revolução Constitu- urucuiano. “Fui eu, então, pois algo dentro cionalista. Logo após se efetivou e foi para de mim teimava em garantir ainda jeito de Barbacena como Oficial Médico. cumprir o combinado. Sim, Rosa estava ao O quartel exigia pouco do escritor – só meu lado viajava comigo...foi uma bela mesmo a revista médica rotineira e um viagem, viagem de pausa, de maravilha e discurso ou outro, dos quais era o orador. de saudade”, rememorou o escritor. Por isso, Guimarães se dedicava ainda mais “Meu caro Guimarães Rosa: Deus nos ao estudo de idiomas e na sua coleta de permitiu, a ambos, realizássemos o velho informações para seus textos, que eram no desejo – você pôde matar a vontade, pude eu início dotados de rigor gramatical. pagar a promessa. E muito, muito obrigado, “Aos vinte e um anos o jovem se destaca por me haver acompanhado até aqui”. Assim, como artista e primeiro começa por Palmério termina seu discurso sobre o grande desaprender o aprendido em anos de aturada mestre, Joãzito de Cordisburgo.

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Palmério foi eleito para a Cadeira nº 2 da ABL em 4 de abril de 1968, sucedendo Guimarães Rosa

A memória da inteligência brasileira ABL foi fundada por grupo de jovens escritores Fernanda Castilho 2º ano de Jornalismo A Academia Brasileira de Letras (ABL) foi criada a partir de uma idéia de um grupo de jovens escritores. Em 1896, na redação da Revista Brasileira, José Veríssimo e seus parceiros começaram as sessões preparatórias. Em 15 de dezembro, Machado de Assis já era aclamado o Presidente e, no ano seguinte, foram definidos a Diretoria e os estatutos. Em 20 de julho daquele ano, na antiga sala do Pedagogium, na rua do Passeio, instalou-se oficialmente a Academia, com os discursos do Presidente Machado de Assis, do Secretário-Geral Joaquim

Nabuco, e o relato das atividades preparatórias a cargo do Primeiro-Secretário Rodrigo Octavio. Na sessão inaugural, tomaram posse os 40 fundadores. Cada um deles, ao escolher um patrono para sua cadeira, perpetuou a memória de um grande nome das letras brasileiras. A Academia não tinha uma casa própria, mas em 1923 o governo francês doou uma réplica do Petit Trianon de Versalhes. O edifício tem um pavimento no térreo de Salão Nobre e outras belas salas. O destaque é a Sala dos Poetas Românticos e a Sala Machado de Assis. No andar superior, estão a Sala de Sessões, a Biblioteca e o salão de chá. 26 de outubro a 1º de novembro de 2004


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Literatura

O regionalismo

universal

Tradição literária que experimentou o apogeu no Nordeste teve no escritor mineiro uma renovação ser regional uma obra de arte não tem somente que estar localizada numa região, mas deve retirar sua “substância real” desse A tradição regionalista no romance local. “Romances tidos tradicionalmente brasileiro se formou no decorrer de uma como regionalistas não o são, ou neles o longa trajetória, que teve início com as regionalismo se manifesta apenas superpreocupações nacionalistas dos autores ficialmente.” Para o autor, há casos de românticos do século 19. Já os escritores da romances nordestinos e sociais, mas não geração de 1930 passaram a interpretar a propriamente regionalistas. realidade regional como “estímulo e O autor afirma que o romance de Rachel substância” da arte literária e, assim, essa de Queiroz, O Quinze, pode ser considerado literatura atingiu plena maturação, regionalista: “tanto o ambiente natural – a particularmente no Nordeste, sobretudo seca, a paisagem agreste – quanto a realigraças à excepcional fecundidade e dade social e humana fixada no romance – qualidade de José Lins a luta do homem pela do Rego, Jorge Amado sobrevivência proe Graciliano Ramos. Relação íntima entre realidade funda, o êxodo e os A zona canavieira ficcional e realidade física, dramas inerentes a do Nordeste foi, até o humana e cultural da região ele – apresentam final do século XVII, o uma vivência propólo econômico mais faz o romance regionalista funda da região.” O importante do Brasil. regionalismo enconEm torno da lavoura de cana criaram-se as tra-se também presente no estilo, com a primeiras formas estáveis de colonização – assimilação das variações lingüísticas ao patriarcal, baseada no trabalho escravo, e que processo narrativo. deixou marcas profundas na região. Isso Gomes de Almeida apresenta uma única propiciou a formação de rica tradição cultural. exigência para que uma obra possa ser Segundo José Maurício Gomes de considerada regionalista: a existência de Almeida, em A tradição regionalista no uma relação íntima entre a realidade romance brasileiro (Topbooks, 1999) para ficcional e a realidade física, humana e cultural da região focalizada. Para o autor, as regiões de exploração econômica – como nas áreas de monocultura ou nas zonas pastoris – estavam predestinadas a despertar o sentimento regionalista, que tem também como característica a denúncia social. Mário Palmério representa o regionalismo mineiro em suas obras Vila dos Confins e Chapadão do Bugre. Esses romances reúnem dados minuciosos de Minas Gerais, como a descrição física do sertão, dos peixes, dos animais e da vida sertaneja – mas sobretudo da linguagem e das expressões regionais que caracterizam suas obras. Há uma crítica freqüente por parte de estudiosos que vêem no regionalismo um “localismo redutor”, um rebaixamento de valores estéticos e humanos. Mas as obras que adquiriram sentido universal – como as obras de Palmério – provaram que as obras regionalistas possuem limites, mas nada as impedem de alcançar o universalismo na Palmério era um conhecedor autêntico da literatura brasileira. Arquivo Memorial Mário Palmério

Julyene Martins da Silva 2º ano de Jornalismo

vida sertaneja do Triângulo Mineiro

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História

Obra de Palmério é tema de projeto de pesquisa Estudo investigará ligações entre História e Literatura na obra do escritor até onde vai a informação histórica e o que é eminentemente ficção literária. Ela escolheu o tema História e LiteraA professora de História na Uniube, tura por interessar-se pela história cultural Maria Aura Marques Aidar, está desen- e por gostar muito de ler – sobretudo litevolvendo um projeto de pesquisa para in- ratura brasileira do século XIX e início do gressar no mestrado na Universidade de século XX. “Através dos livros você pode Uberlândia (UFU), onde vai estudar os conhecer a cultura de um povo, a sociedade dois livros de Mário Palmério: Vila dos da época e até os preconceitos muitas veConfins e Chapadão zes velados de determido Bugre. Para ela, esnado povo, espaço e ses romances revelam Professora recomenda que tempo” explica Maria muito da história po- pessoas leiam os romances Aura. lítica do período em para compreender melhor Assim a professora que foram escritos recomenda que as pesa história da região (1956 e 1966). soas leiam os romances Maria Aura explica para compreender meque, nos campos de investigação da Histó- lhor a história da região. Para ela, é possíria, há os estudos de “História Cultural”, que vel conhecer muito do contexto de por sua vez comporta uma vertente que pes- Uberaba, de Minas Gerais e do país nesses quisa “História e Literatura”. Nessa linha livros. As delícias de uma pescaria, de uma historiográfica, tenta-se compreender as caçada, e até mesmo as estratégias da fronteiras entre a ficção e o real, o imaginá- política são reveladas minuciosamente por rio e a representação da realidade. Maria este grande observador que foi Mário Aura se propõe a verificar nesses romances Palmério. Kátia Matias 2 ano de Jornalismo

Música

Não diga não! Guarânias cantam as noites escuras do Paraguai Guilherme Marinho 2º ano de Jornalismo

Embaixador no Paraguai, Palmério compôs polcas e guarânias de sucesso

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É estranho como não conhecemos os nossos vizinhos. O Paraguai, por exemplo, guarda um tesouro que muitas vezes é ignorado pela maioria do povo brasileiro: as guarânias, manifestações da cultura de um povo que tem duas línguas oficiais – o espanhol e o guarani. O estilo musical recebeu esse nome justamente devido à língua oficial do país: o guarani. Curiosamente, a maioria da músicas são cantadas em espanhol. Mais esquecido talvez seja o fato de que um de nossos imortais da Academia Brasileira de Letras foi um composior de guarânias. Mário Palmério compôs, entre

outras, “No digas no”, “Noche de Asunción” e a mais famosa de todas: “Saudade”. As músicas foram compostas enquanto Palmério foi embaixador naquele país. Nomeado no governo de João Goulart e deposto no Golpe Militar, o imortal passou dois anos de sua vida conhecendo a “noche de Asunsión” e compondo sobre ela. As guarânias de “Don Mário” – como o chama o jornalista Mauro Santayana – foram interpretadas por artistas como Oscar Escobar, Neca Gonzalez e Oscar Aguajo. É dito que este estilo de música lembra muito o sertanejo do nosso Brasil. O romantismo e a “dor de corno” reinam absoluto. Entretanto, levam um toque melancólico típico da boemia paraguaia, de uma toada bonita, leve e simples. 26 de outubro a 1º de novembro de 2004


Resenha

Alma se lava

é com sangue Chapadão do Bugre, o segundo romance de Palmério, foi inspirado em uma chacina ocorrida em Passos (MG) arquivo Memorial Mário Palmério

como esse: a família do morto tinha que se vingar, correndo o mundo inteiro, se fosse preciso, até achar o assassino e dar o troco, na mesma moeda: fazer justiça. Mas isso virava uma encrenca sem fim. A cada acontecimento, um queria honrar o nome da família, algo muito tradicional, importante mesmo praquela gente. E todo mundo ficava sabendo, cidadezinha pequena, o boca-a-boca corre ligeiro. E num instante, os comentários já estavam nas rodas de conversa. Então, o pai do Inacinho, seu Tonho Inácio, resolveu se vingar de uma maneira que José não esperava: matando seu Valico. Isso foi uma facada no coração de Arimatéia, que jurou não descansar enquanto não pegasse seu Tonho Inácio. Pois bem, a perseguição a José continuou, mas ele conseguiu mandar Tonho para debaixo da terra. E a onda de matança se arrastou por mais algum tempo na cidadezinha do Chapadão. E assim se faz essa aventura: num lugar marcado pela violência e pela brutalidade de homens que se julgam donos de tudo, jogando uns contra os outros, provocando a raiva e a destruição. Essa obra é baseada num episódio verídico, ocorrido na cidade de Passos, interior de Minas, e que conseguiu passar de maneira emocionante a trama vivida no local, com personagens marcantes, de espírito, com uma descrição impecável e uma linguagem rica e fiel às raízes daquele tempo.

Graziela Christina de Oliveira 2 º ano de Jornalismo Chapadão do Bugre, interior de Minas, início do século XX, época de coronéis e jagunços, de mandar quem pode e de obedecer quem tem juízo, de lavar a alma com sangue. É nesse clima que se passa a história de José de Arimatéia, sujeito bom, de pouca prosa, muito reservado, dentista ambulante, enrabichado por Maria do Carmo. Os dois se conheceram quando ela foi até o consultório dele. Aos poucos, foi crescendo o sentimento. Mas povo da roça, tudo sistemático, com muito custo, só pegar na mão; no mais, tem que esperar o casório. Uma época em que também se devia muito favor, outra questão de honra. Sem pais, sozinho no mundo, José tinha uma profunda admiração, quase uma obrigação mesmo para com seu Valico, que o acolheu e pediu para que lhe ensinassem o ofício de dentista. Seu Valico considerava José como um filho, então, nada como mostrar gratidão convidando-o para padrinho, abençoar o casamento. E em tempo de chuva, estrada de terra, atoleiro na certa! Mas José de Arimatéia resolveu, assim mesmo, ir à casa de seu Valico, enfrentando chuva forte, vento frio, escuridão do mato, apenas iluminado pelos vagalumes. É mais não teve jeito não, sô! O caminho virou pura lama e nem mesmo a besta inseparável de José, a Camurça, conseguiu vencer o temporal. Animal bom aquele: companheiro, fiel; que deu trabalho no começo, mas hoje dava muita alegria ao dentista. Pois é, mais nem mesmo a Camurça deu conta do recado e o jeito foi voltar pra trás. E de súbito, bateu aquela saudade danada de do Carmo e uma vontade doida de vê-la. E ele foi, já que tinha que voltar mesmo, podia dar uma passadinha, chamar na janela, só um pouquinho... E foi a partir daí que desandou tudo e a tragédia aconteceu. Não é que José descobriu que a do Carmo, moça prendada, dedicada, uma santa, não era nada daquilo? José pegou a donzela de futrico com Inacinho, filho dos padrinhos dela. A raiva subiu a cabeça de José que, sem pensar, matou o sem vergonha a machadadas e, depois, saiu a procura de Maria do Carmo, 26 de outubro a 1º de novembro de 2004

Romance foi lançado pela José Olympio em 1966

para fazer o mesmo com ela! Mas sem Então começou, de fato, o desenrolar da sucesso, pois ela havia se história, uma sucessão de embrenhado pelo matagal gente querendo se vingar, a fora, e como ela Então começou, de fato, mandando peão atrás de conhecia muito bem o desenrolar da história, José, seguir os passos dos aquele lugar, José largou dele, pra uma sucessão de gente companheiros mão de achá-la e caiu no ver se descobriam onde mundo, com sua besta, querendo se vingar ele tinha se escondido. pelas entranhas daquele E era assim mesmo, sertão... naquele tempo, quando ocorria um fato

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Memória

Centro de Documentação

preservará acervo Objetivo é organizar documentos para incentivar e facilitar trabalhos de pesquisadores Neuza das Graças

pel, o que danifica esses documentos.” Ela diz que outra das grandes dificuldades encontradas são os clipes juntando fotografias: além Por que trabalhar com a documentação da de amassá-las, com o tempo essas peças de vida pessoal e profissional de Mário metal enferrujam e contaminam as fotos. Palmério? Em seus 80 anos de vida, Palmério Marcas de caneta esferográfica também exerceu várias atividades e em cada uma de- danificam, porque essa tinta é ácida e corrói las foi reunindo uma série de registros. Ele o papel com o tempo. Fitas durex, informa a foi professor, criador de faculdades, deputa- coordenadora, também são grandes vilãs. do federal, escritor, “Muitas vezes as embaixador, compessoas até têm positor, além de fun- “Estamos trabalhando para os boa intenção ao dador da Uniube. querer colar fopesquisadores de hoje, e também O Centro de para a posteridade, para o benefício de tos rasgadas com Documentação já durex, mas preestá reunindo re- estudiosos que ainda nem nasceram” cisamos pensar a gistros em vários longo prazo. Em tipos de formatos: correspondências, fotogra- poucos anos o durex seca, descola e deixa fias, slides, agendas e os diários de duas via- manchas irreversíveis no documento, podengens que ele fez para a Amazônia. O acervo do até mesmo comprometer a leitura. O que é chamado de “arquivo privado”, pois reúne parecia uma solução à curto prazo, vira um documentação de uma pessoa pública, que problema lá na frente”, explica. teve importância nacional. Assim, esses doEm um Centro de Documentação profiscumentos têm valor não só para família, mas sional, até mesmo as caixas para armazenar também para toda a sociedade. devem ser especiais – de PH neutro – para A coordenadora do Centro de Documen- que as fotografias sejam apropriadamente tação, Cristiane Ferreira de Moura, conta que acondicionadas. “O arquivo deve se estruturar esse acervo até então estava disperso, em cai- para preservar esses documentos não por dez xas de papelão. “Muitas das fotos e recortes ou vinte anos, mas para cem ou duzentos de jornal estavam colados em folhas de pa- anos. Estamos trabalhando para os pesquisaArquivo Memorial Mário Pamério

Andresa Afonso 2° ano de Jornalismo

Manuscrito esboça glossário que Palmério escreveu para seus próprios livros

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Segundo Cristiane Ferreira, coordenadora do projeto, o Centro de Documentação já conta com mais de mil fotografias tiradas por Mário Palmério no período em que viveu na Amazônia. Material ainda precisa passar por um processo de higienização e planificação

dores de hoje, e também para a posteridade, para o benefício de estudiosos que ainda nem nasceram”. Para que a documentação dure o maior tempo possível, o primeiro passo, que já começou a ser feito, é a higienização dos documentos: uma limpeza técnica completa, de folha a folha, retirando a poeira. Para isso, a equipe do projeto Memorial Mário Palmério já conta com o apoio de dois alunos bolsis-

tas: o estudante de História, José Augusto da Silva Queiroz, e a aluna de Comunicação Social, Aline Veloso Mendes. “Nesses poucos dias de trabalho, os dois se mostraram muito competentes e dedicados. Será um grande aprendizado para todos”, diz a coordenadora. A pesquisa histórica, feita por Cristiane Ferreira e o jornalista e professor André Azevedo da Fonseca – pós-graduando em História do Brasil na PUC-MG – buscará informa26 de outubro a 1º de novembro de 2004


tradas 1.038 fotos tiradas por Mário Palmério, somente neste período amazônico. “Infelizmente essas fotos estão, em sua grande maioria, emborcadas – que é quando, devido à falta de controle de temperatura e umidade no acondicionamento, a fotografia se curva. Precisamos mandar higienizá-las e planificá-las – ou seja, torná-las ‘retinhas’ novamente. Essas fotos são inéditas. O Brasil inteiro tem curiosidade em relação à esse período da vida de Palmério”, diz a coordenadora. Existe também entre essa documentação um glossário para suas obras, totalmente inéDocumentos dito. Palmério dizia que “a língua do povo não Cristiane Ferreira diz que no contato com está nos dicionários”. Assim, como em seus a documentação livros ele usava de Mário Palum linguajar mério encontrou Palmério dizia que “a língua do povo bem regional, o diários muito mi- não está nos dicionários”. Assim, escritor prepanuciosos. O esrou um glossáo escritor preparou um glossário para o critor parecia rio para o vocasempre andar vocabulário sertanejo de seus romances bulário sertacom uma agennejo de seus roda, com várias anotações, demonstrando ser mances. A coordenadora informa que esse “diuma pessoa muito observadora. cionário palmeriano” será transcrito em breUma grande curiosidade ainda pouco ve, pois atualmente está manuscrito ou datiloexplicada foram suas permanências na Ama- grafado em folha de seda, um suporte muito zônia. Na sua segunda viagem à região (1978- frágil. “Isso é outra das muitas atividades ur1987) ele deixou registrados diversos diários gentes que temos pela frente”. com impressões pessoais da vegetação e da Por enquanto, o Centro de Documentacultura local. Em cadernos como os de 1978 e ção está sendo estruturado na sala de obras os de 1981, Palmério anotou a rotina, as pes- raras da Biblioteca Central da Uniube. A presoas que o visitavam no barco e até mesmo as visão é que seja inaugurado em setembro de impressões de cada visitante. Já foram encon- 2005.

fotos: arquivo familiar e arquivo Memorial Mário Palmério

ções precisas para cada documento. “Nas fotografias, por exemplo, vamos identificar e registrar quem são as pessoas e qual o momento histórico em que determinada foto foi tirada – enfim, vamos inventariar cada um dos documentos”, explica o jornalista. Em um segundo momento, o Centro de Documentação vai transcrever e digitalizar o acervo para deixar grande parte dos textos e fotos disponíveis na Internet para consulta pública. O professor André Azevedo também vai coordenar esse processo.

O garoto Mário Palmério, em fotos do final da década de 10 e começo da década de 20

Neuza das Graças Diários inéditos do período da Amazônia serão transcritos e estudados

Além de escrever a biografia, o jornalista e professor da Uniube, André Azevedo da Fonseca, vai coordenar o processo de transcrição e digitalização do acervo histórico de Mário Palmério

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Fotografias sem referências serão identificadas e contextualizadas historicamente

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Preservação

Indústria cultural

contra a memória Como na fórmula secreta da Coca-cola, fabricantes de CDs não informam as propriedades químicas de seus produtos e inviabilizam estudos de conservação de documentos digitais reprodução desses discos. Para ver um filme, precisamos do vídeo-cassete para decodificá-lo e de um monitor de TV para A guarda e a conservação de do- exibi-lo. cumentos escritos é uma prática que As vantagens tecnológicas são remonta à antigüidade. Presume-se que anunciadas a todo momento; a produção de foram os gregos os primeiros a ter essa novos equipamentos, mais eficientes, ágeis consciência histórica. No século VI a.C. os e compactos fascinam e encantam. atenienses já guardavam seus documentos Evidentemente, a digitalização e transcrição de valor no templo de Metroon (a mãe dos de documentos históricos e sua deuses), que ficava junto à corte de justiça, disponibilização na Internet ou em CD-Rom na praça pública em Atenas. Naquela época, está sendo um grande aliado na o suporte tradicionalmente utilizado era o democratização da informação. papiro. Feito de fibras vegetais (como o No entanto, essas inovações têm linho), o papiro assegurou uma vida longa preocupado e tirado o sono dos guardiães às informações, atravessando a antigüidade da memória: os arquivistas. Sua missão é, e chegando até à Idade Média – quando dentre tantas outras, assegurar maior então foram duplicados pelos monges durabilidade ao documento histórico. Para copistas. isso, conhecer a estrutura fisíco-química do Para muitos historiadores positivistas, os material é de extrema importância para se documentos oficiais ainda hoje são planejar uma política de conservação. considerados fontes únicas e exclusivas na Cada suporte é fabricado através de tentativa de se entender o passado. No matérias-primas diferentes, e por isso entanto, no século XX, uma nova corrente exigem procedimentos específicos para sua historiografica chamada Escola dos conservação. O papel, feito de celulose – Annales chamou a atenção para a um material orgânico – exige um tratamento complexidade humana e criticou a limitação próprio. Não combina com umidade, é alvo de se utilizar apenas documentos escritos de insetos, degrada-se na presença de como fontes. As mudanças ocorridas no fungos, poeira, etc. Películas de filme, século passado, no âmbito político, produzidas em acetato, pedem outro tipo de econômico e social, haviam provocado acondicionamento. Material altamente novos questionamentos que os documentos combustível, o acetato exige um cuidado escritos por si só não conseguiam mais muito especial no controle da temperatura responder. Asambiente. Ensim, novas forfim, de acordo Se nos séculos anteriores bastava a mas de registro com a compopassaram a ser sição química alfabetização para se fazer a leitura considera das de cada matede documentos escritos, com as d o c u me n t o s rial, planeja-se maioria das mídias atuais precisamos a estratégia de históricos, como por exemconservação. também das máquinas de leitura plo: fotograMa s no fias, cartas, caso dos CDs diários e, mais recentemente, graças ao isso ainda não foi possível. Segundo o avanço tecnológico, slides, discos, fitas, historiador Clóvis Molinari Jr., além de ser filmes, CD-Rom e DVD. um material extremamente frágil, sua Do papiro ao mundo digital o homem estrutura fisico-quimica é desconhecida. continua registrando informação. No Como acontece com a misteriosa fórmula entanto, se nos séculos anteriores bastava a da Coca-cola, as multinacionais produtoras alfabetização para fazer a leitura de desses discos compactos não liberam a documentos escritos, com as maioria das composição química de seus produtos, de mídias atuais precisamos também das forma que torna-se impossível planejar máquinas de leitura. Para ouvir um CD, corretamente seu armanezamento a longo precisamos necessariamente do aparelho de prazo. Como nã o conhecemos su as Cristiane Ferreira de Moura Especial para o Revelação

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propriedades, não sabemos como protegêlos e nem mesmo por quanto tempo durarão.

original, deixando suas máquinas de lado por terem se tornado obsoletas. É preciso que se tenha consciência de que esses equipamentos além de necessários para se Preservação de máquinas fazer a leitura possuem uma importância Os arquivistas também nos chamam a museológica e histórica. Não poatenção para a importância de demos deixar se preservar as que a “memóCada suporte é fabricado através ria” seja redumáquinas que de matérias-primas diferentes, zida a uma fazem a leitura e por isso exigem procedimentos dos documenlógica indu stos audiovitria l e ultra específicos para sua correta consumista de suais. acomodação e conservação Quando demercado. Preterminado apacisamos disrelho deixa de ser produzido e é auto- cutir a berta mente essa s questões e maticamente substituído por outro “mais começa r (quem sabe?) a exigir dos moderno”, perde-se a oportunidade de ler fabricantes que garantam uma maior um grande número de informações. Quantas dura bilida de ou u ma a utomá tica e quantas pessoas não possuem em casa conversibilidade de seus produ tos, inúmeros discos de vinil, mas estão privadas comprometendo-se também com a de ouvi-los porque não se fabricam mais preservaçã o da memória . Afinal, vitrolas? O mesmo vem acontecendo com favorecer o registro e a leitura de nossa as fitas cassetes e os VHS. Muitos têm cultura também deve ser incluído nos optado em fazer a migração desses dados programas de responsabilidade social das para a mídia digital, descartando assim o empresas. 26 de outubro a 1º de novembro de 2004


Restauração digital

Fotografias “novas em folha”

Depois Antes

Dependendo do estágio de degradação da fotografia, é possível restaurá-la através de diversos tipos de técnicas. A restauração física na foto original é o ideal, pois conserva o documento preservando também o suporte histórico. No entanto, essa técnica é muito cara e melindrosa, e são raros os profissionais habilitados a executar esse trabalho no país. Uma outra maneira muito eficaz é restauração digital, feita através de programas de computação gráfica. A foto é digitalizada e reconstruída, pixel à pixel (medida de arquivos de imagem digital), através de simulação das texturas encontradas na própria superfície da foto. A técnica funciona como um enxerto, onde partes da superfície são aproveitadas para a recomposição das falhas. A imagem é então impressa em papel fotográfico através de uma impressora especial. A restauração digital é um método trabalhoso e sofisticado, mas muito eficiente e capaz de mostrar resultados surpreendentes.

Antes

fotos: arquivo Memorial Mário Palmério

Na técnica digital, partes da própria imagem são aproveitadas para a recomposição das falhas

Depois

Sequência mostra, em cinco fases, a evolução no processo de restauração digital de uma fotografia. Essa imagem foi escolhida como a marca do projeto para simbolizar a proposta de revitalização da obra de Mário Palmério.

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Inédito

Registros da Amazônia Em suas duas expedições, Mário Palmério tirou milhares de fotografias da região amazônica. Confira alguns exemplos fotos: arquivo Memorial Mário Palmério

No decorrer do projeto, as fotografias serão identificadas e contextualizadas pelos pesquisadores

Mário Palmério entre Apoena Meireles (o jovem de chapéu) e Francisco Meireles, sertanistas responsáveis pela pacificação de tribos indígenas na Amazônia, em foto tirada durante a primeira viagem do escritor à Amazônia (fev. de 1969 a fev. de 1970).

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Especial

Conheça o projeto

Memorial Mário Palmério Leia os trechos que tratam do diagnóstico, dos objetivos e dos procedimentos de cada programa arquivo Memorial Mário Palmério

do Bugre", romances essenciais da literatura brasileira contemporânea, o que lhe valeram a cadeira nº 2 na Academia Brasileira de Letras, sucedendo Guimarães Rosa. Mário O Projeto Memorial Mário Palmério se Palmério percorreu o rio Amazonas e seus propõe a organizar e divulgar o legado cul- afluentes, levantando dados sobre a realidade tural e a memória do escritor, empreendedor, física, social e cultural daquela região. Viveu político, educador e fundador da Universi- num barco batizado de "Fray Gaspar de dade de Uberaba. O plano está estruturado Carvajal" e recebeu cientistas e naturalistas de em quatro programas complementares que todo o planeta. Em 1987 voltou definitivamenserão desenvolvidos da seguinte maneira: te ao Triângulo Mineiro, dirigiu as Faculdaa) Centro de Documentação Mário des Integradas de Uberaba (Fiube) e em 1988 Palmério: Organização e catalogação do acer- fundou a Universidade de Uberaba (Uniube). vo de Mário Palmério; instituição de um cen- Mário Palmério faleceu no dia 24 de setemtro de referência documental (manuscritos, bro de 1996, na cidade de Uberaba. agendas, diários, slides, fotografias, fitas, Salvaguardar a memória do educador, vídeos, dissertações, teses, etc) para subsidi- empreendedor, político e intelectual Mário ar trabalhos de estudantes e pesquisadores de Palmério, através de um projeto à altura de todo o país. sua expressão nacional, é uma aventura comb) Portal Mário Palmério: Iniciativa iné- parável apenas à sua própria trajetória. Mas dita que digitalizará e organizará em uma é preciso fazê-lo, urgentemente, com o mesbase de dados online o acervo histórico do mo espírito audacioso que sempre o caracteescritor, constituindo um site oficial de in- rizou. Primeiro porque, se protelarmos essa formação multimídia sobre sua vida e obra. empreitada, corremos o risco de desperdiçar c) Biografia Oficial de Mário Palmério: a documentacão que hoje está dispersa. Da Pesquisa, redação e publicação da biografia mesma forma, temos urgência em gravar dede Mário Palmério em 2006 – ano do aniver- poimentos de velhos companheiros; caso sário de 10 anos de seu falecimento. contrário, a reconstrução de sua memória se d) Memorial Mário Palmério: Consolida- tornará incompleta, teremos menos subsídição do projeto, instituição de um espaço os para organizar sua biografia e o país deimuseográfico permanente e de um centro cul- xará de compreender com profundidade a histural para a exibição de mostras de arte, de- tória desse imortal. senvolvimento de seminários e projetos liteEm segundo lugar, não podemos deixar rários de expressão nacional. escapar a oportunidade de celebrar em alto nível o aniversário dos 10 anos de seu faleci1 Introdução e Justificativa mento, que se dará no dia 24 de setembro de Mário de Ascenção Palmério (1916- 2006. Essa data marcará um momento histó1996), educador, empreendedor, político e ro- rico e, potencializada pela boa execução desmancista, construiu na vida pública brasileira se projeto, pode se tornar um símbolo para uma trajetória singular, marcada por feitos am- redespertar no país o interesse por sua obra. biciosos em toA Universidos os campos dade de Ubeem que atuou. Foi Mário Palmério percorreu raba oferece naele quem deu os turalmente as o rio Amazonas e seus afluentes, primeiros passos melhores condipara a transfor- levantando dados sobre a realidade ções para consmação do Triân- física, social e cultural daquela região tituir-se no cengulo Mineiro em tro irradiador um pólo universidesse trabalho. tário. Mário Palmério foi deputado federal por A cidade concentra um grande número de três mandatos, com atuação marcante na Co- contemporâneos que conviveram com Mámissão de Educação e Cultura. No governo rio Palmério. A região do Triângulo Mineiro João Goulart, exerceu o cargo de embaixador foi o cenário mítico escolhido pelo escritor do Brasil no Paraguai, promovendo intenso para desenvolver seus romances, e a própria diálogo cultural entre as duas nações hoje par- cultura regional já revela muito do arcabouço ceiras no Mercosul. Já na maturidade intelec- intelectual que permeou sua obra. A Uniube tual, publicou "Vila dos Confins" e "Chapadão conta com uma infra-estrutura física e com André Azevedo da Fonseca Cristiane ferreira de Moura Especial para o Revelação

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Mário Palmério criou na década de 40 o Liceu do Triângulo Mineiro

um corpo discente nas áreas de História, Letras e Comunicação Social que podem ser mobilizados, através de oficinas, envolvimento de disciplinas e atividades complementares para apoiar a execução do projeto. Enfim, simultânea à urgente demanda por um trabalho sólido, amplo e permanente que faça juz à vida pública de Mário Palmério, temos todas as condições físicas e humanas para a execução desse projeto.

3 Procedimentos gerais Com o objetivo de preservar e divulgar o legado cultural do escritor, o Projeto "Memorial Mário Palmério" propõe quatro programas que se darão de forma gradual e simultânea. São eles: 3.1 Instituição do Centro de Documentação Mário Palmério 3.2 Desenvolvimento na Internet do Portal Mário Palmério 3.3 Pesquisa, redação e publicação da Biografia Oficial de Mário Palmério 3.4 Instalação do Memorial Mário Palmério

2 Objetivos Gerais 2.1 Instituir um centro de referência documental para conservar o acervo histórico de Mário Palmério e apoiar pesquisadores e pessoas interessadas em sua vida e Nos capítulos produção intelec- Reunir e centralizar os arquivos de seguintes, vamos tual; detalhar o diagnósMário Palmério é o primeiro passo 2.2 Constituir tico, os objetivos e para a sistematização de seu legado um site oficial de os procedimentos informação online e preservação de sua memória para executar cada e multimídia soum dos quatro probre Mário Palgramas. mério, organizando na Internet um banco de dados com textos, documentos, fotos e ar4 Centro de Documentação Mário quivos multimídia sobre o escritor; Palmério 2.3 Estabelecer no país um livro de referência sobre Mário Palmério; Organização e catalogação do acervo de 2.4 Criar um espaço museográfico sobre Mário Palmério; instituição de um centro de sua a vida e obra, abrangendo também docu- referência documental (manuscritos, agenmentação sobre a cultura da região. das, diários, slides, fotografias, fitas, vídeos,

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cumentos para armazená-los digitalmente, seguindo metodologia do Centro de Pesquisa e Documentação em História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas, e da Associação Brasileira de Conservado4.1 Diagnóstico e justificativa Atualmente encontramos arquivos pesso- res. O programa prevê um trabalho constanais de Mário Palmério – manuscritos inédi- te de pesquisa, gravação e catalogação de detos, agendas, diários, slides, fotografias e ou- poimentos orais, de acordo com método do tros documentos – desorganizados e dispersos Museu da Pessoa. Todo o acervo estará disem caixas de papelão armazenadas de forma ponível para consulta pública, seguindo o inadequada nas dependências da universida- modelo da Academia Brasileira de Letras. Em de. As folhas avulsas estão amassadas, algu- parceria com a Biblioteca Central da Uniube, mas fotos já apresentam proliferação de fun- o programa contribuirá na organização da biblioteca partigo, muitos pacular de Mário péis já apresenPalmério. No tam sinais de de- Será necessário pesquisar, identificar gradação. A fal- e inventariar esses documentos, assim processo de catalogação, será ta de adequada utilizado o paclimatização – como digitalizá-los, transcrevê-los e drão da Biblioexposição ao ca- armazená-los digitalmente teca Central, lor, à umidade e que obedece à poeira – podem provocar danos irreversíveis a esses do- aos modelos internacionais biblioteconômicos. cumentos. Felizmente, esse material ainda pode ser 4.4 Integração com departamentos recuperado, catalogado e conservado em um centro de documentação. Da mesma forma, institucionais O Plano de Desenvolvimento Interno muitos dos companheiros, parceiros, colegas e velhos funcionários mantém nas lembran- (PDI) da Biblioteca Central da Universidade ças pessoais fragmentos preciosos da memó- de Uberaba já prevê a organização da coleria histórica do escritor. Assim, utilizando os ção do escritor até 2007. Acreditamos que, procedimentos do Jornalismo e da História com iniciativa coordenada que estamos proOral, ainda é possível gravar depoimentos pondo, é possível apresentar já para 2006 a para a constituição de um arquivo sonoro. catalogação de um acervo de referência naAlém disso, os antigos colegas, os amigos e cional. A Biblioteca dispõe de uma sala sobretudo a família ainda mantêm arquivos climatizada no segundo pavimento, onde são que podem ser reproduzidos e organizados neste centro de documentação. Reunir e centralizar os arquivos referentes a Mário Palmério é o primeiro passo para a sistematização de seu legado e preservação de sua memória. dissertações, teses, etc) para subsidiar trabalhos de estudantes e pesquisadores de todo o país.

guardados livros raros. A coordenação da Biblioteca admitiu a possibilidade de a referida documentação ser organizada neste espaço – que se constituiria, de fato, na sede oficial do Centro de Documentação Mário Palmério. Para a instalação do Memorial Mário Palmério em 2006, faz-se necessário um estudo complementar para a escolha de um outro espaço físico, pois, nas atuais circunstâncias, a Biblioteca Central não tem estrutura para abrigá-lo.

oficial de informação multimídia sobre sua vida e obra.

5.1 Diagnóstico e justificativa Não há na Internet um site de qualidade que centralize um conteúdo significativo sobre a memória e a obra de Mário Palmério. Ferramentas de busca online apontam por volta de 700 referências ao nome do escritor, espalhadas por centenas de sites. Algumas iniciativas dispersas e desarticuladas oferecem sínteses biográficas e bibliográficas, como os sites da Uniube e da Academia Bra4.5 Articulação sileira de Letras . com ensino e pesExistem também quisa diversas instituiNão há hoje na Internet um site A coordenação ções que homenade qualidade que centralize um do Centro de Docugeiam o escritor, mentação planeja conteúdo significativo sobre a como a Associaenvolver estudan- memória e a obra de Mário Palmério ção Brasileira de tes bolsistas, estiMantenedoras de mular o desenvolEnsino Superior vimento de atividades complementares e in- (ABMS), que instituiu o prêmio Top Educacentivar trabalhos acadêmicos nas discipli- cional Mário Palmério. Entretanto, os resulnas regulares de estudantes de História e Co- tados das buscas online são parciais, oferemunicação Social para participar da seleção, cem dados incompletos e são sempre limpeza e ordenação temática e cronológica insatisfatórios para uma pesquisa mais dos documentos em seus diversos formatos, abrangente. assim como gravação, transcrição e Diversos projetos em âmbito nacional digitalização dos arquivos. têm desenvolvido conteúdo de qualidade sobre os principais escritores brasileiros con5 Portal Mário Palmério temporâneos. Sites oficiais de Jorge Amado (www.jorgeamado.com.br), Érico Veríssimo Iniciativa inédita que digitalizará e orga- (www.unicruz.edu.br/verissimo) e Graciliano nizará em uma base de dados online o acer- Ramos (www.graciliano.com.br) são bons vo histórico do escritor, constituindo um site exemplos dessas iniciativas. Percebemos arquivo Memorial Mário Palmério

4.2 Objetivo geral 4.2.1 Instituir um centro de referência documental para apoiar pesquisadores e pessoas interessadas na vida e na produção intelectual do escritor. 4.2.2 Objetivos específicos 4.2.2.1 Reunir, reproduzir, organizar e catalogar a documentação sobre Mário Palmério; 4.2.2.2 Consolidar um espaço adequado e permanente para preservar esses documentos; 4.2.2.3 Instituir um centro de referência documental para pesquisas sobre a história e cultura de Uberaba e região em geral. 4.3 Metodologia e procedimentos O programa se propõe a investigar, identificar e reproduzir (ou intercambiar) de arquivos institucionais, públicos e pessoais de Uberaba, da região e do país, toda a documentação referente a Mário Palmério (manuscritos, agendas, diários, slides, fotografias, fitas, vídeos, jornais, dissertações e teses, etc). Será necessário pesquisar, identificar e inventariar referências dessa documentação, assim como digitalizar e transcrever esses do-

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Jantar reuniu Getúlio Vargas, presidente do Brasil; Juscelino Kubitschek, o então governador de MG; e o deputado Mário Palmério, entre outros

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também que esses projetos contribuem fortemente para a popularização da obra desses autores. Além disso, a instituição de um bom ponto de referência na Internet potencializa a credibilidade do escritor, pois uma base de dados bem consolidada favorece os procedimentos de pesquisa e dissemina com mais fluência as discussões sobre suas obras. Por outro lado não se sabe da existência no Brasil de um portal literário, dedicado a um único autor, que desenvolva uma articulação tão profunda e permanente entre o conteúdo online e as pesquisas de um centro de documentação, como propomos neste projeto. O que vemos, em regra, são sites literários limitados, incapazes de fornecer subsídios sólidos para pesquisas acadêmicas mais aprofundada. Há iniciativas exemplares dessa articulação em outras áreas do conhecimento. A Fundação Oswaldo Cruz, por exemplo, disponibiliza online trechos de áudio e a transcrição de fitas de um acervo precioso de depoimentos orais do projeto Memória da Tuberculose. O Museu da Pessoa desenvolve na Internet, paralelamente à sua sede física, um verdadeiro museu virtual de histórias de vida, com importantes registros em áudio, texto e fotografias. O ambiente virtual do Centro de Pesquisa e Documentação em História Contemporânea do Brasil (CPDOC), mantido e desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas, é seguramente uma das mais importantes fontes de documentação de História brasileira do século XX no país. Neste sentido, a estrutura planejada para o Portal Mário Palmério será pioneira em sua área, e seguramente servirá de modelo para outras iniciativas similares.

arquivo Memorial Mário Palmério

Getúlio na Praça Rui Barbosa, em Uberaba. Foto do arquivo de Mário Palmério será restaurada

ção. Será feito também um trabalho de busca, catalogação e centralização de informações e referências a Mário Palmério já existentes de forma dispersa na Internet. O desenvolvimento do projeto prevê a estruturação da arquitetura 5.2 Objetivos gerais digital, da programação gráfica e da disposi5.2.1 Constituir um portal oficial de in- ção das informações no Portal, que será caformação online e multimídia sobre Mário dastrado e divulgado em sites especializados Palmério, organizando na Internet um banco e em ferramentas de busca. Este site oficial de dados inédito será atualizado com textos, docuperiodicamente mentos, fotos e arcom informes, quivos multimídia O desenvolvimento do Portal prevê novos documensobre o escritor. a estruturação da arquitetura digital, tos e depoimentos, seguindo a da programação gráfica e da 5.2.2 Objetimetodologia prodisposição das informações online vos específicos posta pelo Museu 5.2.2.1 Catada Pessoa e pelo logar e centralizar Centro de Pesquia informação sobre o escritor já disponível sa e Documentação em História Contemporâna Internet; nea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getú5.2.2.2 Disseminar, multiplicar e demo- lio Vargas. cratizar o acervo do Centro de Documenta5.4 Integração com departamentos ção Mário Palmério através da digitalização institucionais gradual dos documentos; O Departamento de Informática da 5.2.2.3 Incentivar o interesse pela obra Uniube já possui infra-estrutura suficiente do escritor, garantindo informação de quali- para abrigar a primeira versão do Portal dade para estudantes, pesquisadores e inte- multimídia em seus servidores. ressados em geral. O espaço físico da Biblioteca Central, descrito no capítulo anterior, pode abrigar o 5.3 Metodologia e procedimentos equipamento básico para iniciar o desenvolComo ponto de partida o projeto se pro- vimento desse programa. põe a coordenar uma equipe para transcrever, digitalizar, armazenar e indexar a documenta5.5 Articulação com ensino e pesquisa ção em um banco de dados informatizado, em A coordenação das habilitações Jornalisconvergência com o Centro de Documenta- mo e Publicidade & Propaganda do curso de

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ria de muita riqueza narrativa e cultural. Seus romances revelam um autor criativo; sua vocação política internacionalista sugere a amplidão de sua visão de mundo; sua habilidade empreendedora no setor de educação mostra a inquietude de seu espírito; seu impulso aventureiro demonstrado na viagem pelo rio Amazonas ainda sequer foi compreendido pela opinião pública. Em síntese, sua vida inteira fornece fértil matéria-prima para a elaboração de uma biografia que pode oferecer relevante contribuição para a cultura brasileira. Em decorrência natural da catalogação e organização do acervo; das pesquisas, entrevistas e depoimentos; dando prosseguimento e aprofundando o histórico organizado no Portal; e em paralelo ao desenvolvimento de um trabalho de conclusão do curso de Especialização em História do Brasil na PUC-MG, a Biografia Oficial de Mário Palmério será redigida simultaneamente ao desenvolvimento do projeto e se constituirá em uma obra de referência histórica sobre o escritor e o seu universo cultural. Obras biográficas são fontes preciosas de informações e contribuem para elucidar o pensamento de homens conectados ao seu tempo. Quando tratamos de pessoas com intensa vida pública, essas obras costumam transcender o indivíduo para compreender toda a mentalidade do contexto cultural no qual esses homens vivenciaram suas experiências. A Biografia de Mário Palmério pode tornar-se um livro de referência sobre as conexões entre Literatura, História, Educação e Política no imaginário da região e do país.

Comunicação Social da Uniube apoiam o Projeto Memorial Mário Palmério e estão dispostos a incluí-lo nas atividades do curso. A supervisão da Central de Produção do Curso 6.2 Objetivo geral 6.2.1 Estabelecer no país uma obra de rede Comunicação Social já manifestou o interesse em constituir-se no núcleo da articu- ferência sobre Mário Palmério; lação ensino e pesquisa para as atividades de 6.2.2 Objetivos específicos desenvolvimento do Portal. A Central tem dinamismo para mobilizar estudantes, já conta 6.2.2.1 Redespertar o interesse nacional com uma espor sua vida trutura consoe obra; 6.2.2.2 lidada e, atra- Biografia será redigida simultaneamente vés da gerênDespertar o cia de bolsas- ao desenvolvimento do projeto e se interesse de novos leitoatividade, da constituirá em uma obra de referência produção aca- sobre o escritor e o seu universo cultural res; dêmica de dis6.2.2.3 Estimular o ciplinas regulares e das atisurgimento vidades complemetares, pode contribuir na de novas pesquisas sobre sua obra, sobretuorganização de alunos, colaboradores e esta- do nas áreas de Literatura; História; Educação e Comunicação Social; giários na execução dos trabalhos. 6.2.2.4 Pautar e subsidiar reportagens na mídia nacional; 6.2.2.5 Celebrar o aniversário de 10 anos 6 Biografia oficial de sua morte; Pesquisa, redação e publicação da biogra6.2.2.6 Divulgar e perenizar sua memória. fia de Mário Palmério em 2006 – ano do ani6.3 Metodologia e procedimentos versário de 10 anos de seu falecimento. Em convergência com o Centro de Docu6.1 Diagnóstico e justificativa mentação, serão feitas pesquisas documentais A importância da vida pública de Mário em fontes institucionais, públicas e particulaPalmério ainda não é correspondida por uma res; além de entrevistas pessoais com a famíobra de referência à altura de sua biografia lia, amigos, colegas e contemporâneos em topessoal. Os relatos de pessoas que o conhe- das as áreas em que atuou. Esses procedimenceram esboçam um homem com uma histó- tos serão fundamentados em pesquisa biblio-

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gráfica teórica e documental nas áreas de LiMemoriais são espaços físicos de caráteratura, História do Brasil, Educação e Polí- ter afetivo, museográfico e arquivístico, e tica, e estarão incluídos no desenvolvimento podem prestar homenagens a pessoas indidas disciplinas do curso de pós-graduação em viduais, a grupos humanos ou mesmo a conHistória do Brasil da PUC-MG. Durante o juntos de países unidos por culturas em coprocesso de pesquisa e redação, serão publi- mum. O Memorial Cardeal Dom Lucas cados artigos, ensaios, entrevistas e esboços Moreira Neves, em São João del Rei, por de capítulos na imprensa, em revistas exemplo, tornou-se um espaço religioso, fiespecializadas e em revistas acadêmicas. losófico e cultural que homenageia e pereDepois da redação final e da revisão, a niza a atuação pública deste religioso. O Meobra será submorial do Imimetida a um pagrante, em São recer de conse- Obras biográficas são fontes Paulo, celebra lheiros que poa memória de preciosas de informações e derão sugerir todos esses hoabordagens ou contribuem para elucidar o pensamento mens e mulheapontar lacunas. de homens conectados ao seu tempo res que, com Com o texto fiseu trabalho, nal concluído, o transformaram texto passará por um processo de São Paulo e o Brasil. O Memorial da Amédiagramação, registro de direitos autorais e rica Latina , idealizado por Darcy Ribeiro e negociação com editora para publicação e projetado por Oscar Niemeyer, direciona eslançamento no Memorial Mário Palmério. forços para promover maior integração do Em decorrência da publicação, estão também continente. previstos a redação de artigos, concessão de Como se vê, além de prestar homenagem, entrevistas e eventos de promoção do livro. os memoriais se colocam como instituições responsáveis pela difusão e discussão do le6.4 Integração com departamentos gado de seus homenageados. Tornam-se ceninstitucionais tros de referência documental e contribuem Os procedimentos cotidianos de pesqui- institucionalmente para o desenvolvimento sa e redação presumem uma articulação com das pesquisas historiográficas e da cultura em diversos departamentos institucionais da Uni- geral. versidade de Uberaba. Os setores que mais contribuirão são: 6.4.1 Biblioteca Central (espaço físico e serviço de catalogação bibliográfica); 6.4.2 Curso de Comunicação Social (infra-estrutura e equipamentos); 6.4.3 Assessoria de imprensa (acesso a arquivos, contatos com personalidades, clipagem); 6.4.4 Setor de transportes (deslocamentos na cidade e na região).

Assim, o Memorial Mário Palmério se coloca como a culminância deste programa de revitalização da memória do escritor, consolidando o projeto até aqui apresentado, centralizando a coordenação geral dos programas e estabelecendo um espaço permanente para salvaguardar sua história.

a) seminários, conferências e palestras com escritores e intelectuais de renome nacional; b) mostras de pintores, artistas plásticos, fotógrafos, etc; c) edição e reedição de obras de autores uberabenses ou radicados na cidade; d) concursos literários de expressão nacional.

7.2 Objetivos 7.2.1 Centralizar a coordenação geral dos programas e 7.3 Metomarcar naciodologia e pronalmente a Memorial será um espaço museográfico, cedimentos culminâ nc ia O Memoarquivístico e afetivo, promovendo não do projeto, esrial Mário Palta be lec endo somente a obra de Palmério, mas dos mério é a culuma institui- artistas e autores de Uberaba e região minância de ção de referêntodo o projeto, cia sobre a e sua inauguravida e obra de Mário Palmério, assim como ção está planejada para 2006. A estrutura presobre a cultura da região. vê um espaço que reproduza simbolicamente seu ambiente de trabalho (móveis, quadros, 7.2.2. Objetivos específicos e objetos pessoais), englobará o Centro de 7.2.2.1 Instalar um espaço afetivo, Documentação & Informação, a infra-estrumuseográfico e arquivístico permamente para tura do Portal, sediará o lançamento naciocelebrar a memória de Mário Palmério; nal da biografia. A intenção é que esse espa7.2.2.2 Estabelecer e fortalecer vínculos ço venha consolidar-se como um permanenentre instituições que pesquisam ou home- te espaço afetivo, museográfico e nageiam sua obra; arquivístico, promovendo não somente a obra 7.2.2.3 Contribuir no desenvolvimento de Mário Palmério, mas os artistas e autores cultural de Uberaba, da região, de Minas Ge- de Uberaba e região. rais e do país, através da promoção de: Por isso, a constituição do Memorial Máarquivo Memorial Mário Palmério rio Palmério será a consequência natural de dois anos de pesquisa e trabalho. Portanto, sua estruturação está englobada já nos três programas anteriores. No entanto, sua instalação em 2006 necessitará de um estudo complementar, pois vai depender apenas do estabelecimento do espaço físico disponível para centralizar as operações.

6.5 Articulação com ensino e pesquisa As atividades de pesquisa e redação da biografia naturalmente trarão subsídios teóricos para a realização de palestras sobre a obra de Mário Palmério, assim como para a participação em seminários e congressos de História, Comunicação Social e História na Universidade de Uberaba e em outras instituições de ensino na região e em todo o país.

7.4 Integração com departamentos institucionais Como o Memorial perpassará todos os programas anteriores, estará ligado a todos os departamentos descritos nos ítens antecedentes. São eles: Assessoria de Imprensa, Biblioteca Central, Curso de Comunicação Social, Núcleo de Informática e Setor de Transporte. A Fundação Cecília Palmério conta com um espaço físico que pode ser considerado nos futuros estudos sobre a instalação do Memorial.

7 Memorial Mário Palmério 7.5 Articulação com ensino e pesquisa A instalação do espaço museográfico do Memorial Mário Palmério pode contar com a participação de um grupo transdisciplinar de estudantes e professores dos cursos de Arquitetura, Design de Interiores, História e Comunicação Social. O desenvolvimento das atividades do Memorial deve contar com uma coordenação permanente, que contará com o apoio rotativo e sistemático de estudantes de História, Letras e Comunicação Social, através de estágios, atividades complementares, bolsas-atividade e trabalhos desenvolvidos em disciplinas regulares.

Consolidação do projeto, instituição de um espaço museográfico permanente e de um centro cultural para a exibição de mostras de arte, desenvolvimento de seminários e projetos literários de expressão nacional. 7.1 Diagnóstico e justificativa Pessoas cujas vidas e obras influenciaram, inspiraram ou mesmo revolucionaram o pensamento de sua época merecem que sua memória seja reverenciada, para que seu legado permaneça fertilizando a cultura dos descendentes de seus contemporâneos. E uma das maneiras mais tradicionais e eficazes para celebrar essa memória é a instituição de um memorial. Mário Pamério dirigiu a Universidade de Uberaba até 1996

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Carteira de Deputado Federal, 1959

Carteirinha de entrada para o Cine-Alhambra, 1929

Santinho da campanha de 1950, com Getúlio Vargas

Carteirinha de estagiário na Escola Superior de Guerra, 1955

Carteirinha da Sociedade Geográfica Brasileira, 1972

Carteira de livre ingresso na Assembléia do Estado de SP, 1975 Ficha da Diretoria do Serviço de Trânsito, 1967


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