Ano 7 • nº1051 Julho/2013 Ouricuri
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Dedicação que gera renda e contagia A experiência da horta da família de Francisco de Assis Foto: Simone Ferreira
Francisco de Assis (Pipiu) conta com o apoio da esposa e dos cinco filhos. A produção e o orgulho são coletivos!
E
m meio ao cenário seco do Araripe Pernambucano, agricultores e agricultoras buscam alternativas, e com garra mostram que é possível conviver com a estiagem. É o exemplo do agricultor Francisco de Assis Tavares da Silva, mais conhecido como Pipiu. No sitio Gravatá localizado a 20 km de Ouricuri-PE, onde reside com sua esposa Luzinete Cassiano da Silva e seus cinco filhos, ele mantém uma horta onde produz hortaliças e legumes com o auxilio de sua família. Francisco de Assis iniciou a produção de hortaliças em 2012. A ideia de investir na produção de hortaliças e legumes surgiu após a participação em encontros, visitas e intercâmbios, bem como através da troca de experiência com outros agricultores. Para ele, essa é uma estratégia de sobrevivência e permanência no campo, pois com este tipo de atividade consegue produzir bem utilizando pouca água. Em uma área de pouco mais de um hectare, a família colhe para consumo e venda uma grande variedade de legumes e hortaliças, como feijão, milho, coentro, salsinha, rúcula, alface, couve, cebolinha, pimentão e berinjela e algumas fruteiras como mamão e goiaba.
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Pernambuco
Todo o trabalho com as hortas e com os legumes é feito nos princípios da produção agroecológica e em harmonia com a natureza.Para o controle de pragas, Francisco usa o inseticida do nim como repelente. Já para adubação, a compostagem orgânica à base de esterco e o fermentado biológico são as receitas. Em algumas fruteiras é utilizada a cobertura morta para evitar a evaporação da água. Na hora de regar os canteiros, ele usa os microaspressores e utiliza o sistema de gotejamento na área que planta o milho e feijão. A água usada vem do poço e da cisterna-calçadão que foi construída pelo Programa Uma Terra Duas Águas (P1+2) da Articulação do Semi-Árido Brasileiro (ASA). A mão de obra é coletiva, e toda a família ajuda inclusive seu pai, Seu Antonio Tavares, que reside próximo. O que é produzido pela família, no Sítio Gravatá tem muita aceitação no mercado local, principalmente porque com o gerenciamento da água eles conseguem produzir o ano todo.
Foto: Roseane Lima
O agricultor lembra que aliada às tecnologias deve vir a motivação de trabalhar com a terra:
-Eu desenvolvo esta atividade pelo prazer de trabalhar com a terra e ao mesmo tempo de está junto com minha família, destaca Francisco, com brilho nos olhos . Hoje, Francisco fornece alimentos para a Centro dos Produtores Agroecológicos do Araripe (Copagro), para três verdurões da cidade, e vai começar a vender também para a merenda escolar através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A renda proveniente da venda das hortaliças está em torno de R$ 900,00 por mês e com previsão de aumento. Prova de que do solo seco do semiárido brota riqueza e vida, o agricultor Francisco de Assis é mais um exemplo de que nessa terra se plantando tudo dá, e para tanto, só é preciso dar condições de estocar o que a natureza oferece: a água.
Foto: Francisco de Assis
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