Ano 7 • nº1467 Outubro/2013 Mato Verde
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Jordão e Adileusa, sustentabilidade e fartura agroecológica O casal de agricultores
Jordão de Freitas
Dias, 53 anos e Adileusa Alves Dias, 51 anos, são casados há 30 anos e sempre trabalharam comunidade
juntos. de
Eles
Jurema
que
moram fica
na a
7
quilômetros da cidade de Mato Verde, no norte de Minas Gerais. Eles têm três filhos: Simone, Lismone e Gilberto que é o mais Seu Jordão e Dona Adileusa
novo e ajuda nos trabalhos da família.
Seu Jordão e Dona Adileusa moravam em comunidades vizinhas no município de Monte Azul, onde se conheceram ainda jovens e logo começaram a namorar. Nessa época Seu Jordão foi trabalhar em São Paulo. Após 5 anos de trabalho ele voltou e se casaram. Como tinham poucos recursos e precisavam de casa para morar reformaram uma casa antiga dos pais de Dona Adileusa na comunidade de Tabuleiro, onde ficaram morando por 7 anos. Seu Jordão e Dona Adileusa sonhavam em comprar a terra própria. No ano de 1990, decidiram vender tudo que tinham para comprar um terreno. Como o dinheiro não foi suficiente, precisaram recorrer ao pai da Dona Adileusa para fazer um empréstimo e complementar o valor.
Assim, com muito esforço o casal conseguiu a tão sonhada
propriedade. Se mudaram alguns meses depois da compra, encontraram o terreno praticamente largado e a casa precisando de reforma. Seu Jordão e Dona Adileusa contam que eram tempos difíceis, mas contaram com ajuda dos vizinhos e com muito trabalho o casal conseguiu fazer as benfeitorias no terreno. Seu Jordão e Dona Adileusa plantavam algodão, principal fonte de renda na época. Mas com a baixa nos preços e o ataque de pragas foi preciso partir para outra alternativa. Foi quando começaram com o plantio do milho e sorgo. O casal também passou a investir na criação de grandes e pequenos animais como gado de leite, porcos e galinhas caipiras.
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Minas Gerais
Seguindo o conselho da sogra, Dona Edileusa com a ajuda do esposo, começou plantar hortaliças, produzindo de forma orgânica e com princípios agroecológicos, usando defensivos alternativos e caldas naturais, formando um quintal produtivo com uma grande diversidade de plantas frutíferas, atividade que se tornou uma boa fonte renda para família. Todos os sábados eles vão comercializar a produção da propriedade no mercado municipal de Mato Verde. Além das hortaliças e das demais atividades, com muita criatividade eles fizeram um pequeno criadouro de frangos. Contaram com a ajuda de um técnico da EMATER de Mato Verde que elaborou o projeto de avicultura para a propriedade. Hoje eles também criam a raça índio gigante que se adapta muito bem à região.
Dona Adileusa Cuidando dos porcos
Seu Jordão na lida diária
Dona Adileusa na criação de frangos
A criação de aves no semiárido é muito viável porque usa pouca água em comparação a outros animais. O frango caipira é um prato típico e muito apreciado na região, assim a produção tem freguesia garantida e facilita a comercialização. Uma das dificuldades que a família vivencia hoje é a limitação do acesso à água para produção no período da seca, reduzindo a área de produção neste período. Agora, através do Programa Uma Terra e Duas Águas, da Articulação no Semiárido Brasileiro – ASA, a família esta sendo beneficiada com uma cisterna calçadão, capaz de armazenar 52.000 litros de água de chuva, que será utilizada para complementar a produção no período da seca. Por meio do programa, a família participou de visitas de intercâmbio, importante forma de troca de conhecimento entre os agricultores. Eles trabalham em um sistema de produção agroecológico integrado e sustentável criado pela própria família. Este sistema garante a ligação entre todas as atividades desenvolvidas na propriedade. Seu Jordão conta que o gado cria o porco, que cria a galinha, que mantém a produção do quintal. Ele diz que se considera rico por ter a oportunidade de viver daquilo que sabe fazer e de produzir grande parte do que consome. A família escolheu respeitar a vida e trabalhar em equilíbrio com a natureza.
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