Ano 7- nº 1283 Parnamirim
Tecnologias: Sopro de vida para as famílias do Semiárido A experiência da família de Dona Socorro e Seu Chico Foto: Vládia Lima
Dona Socorro, Seu chico e filhos na área onde fazem o plantio de sequeiro
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Eu sempre digo que esta foi uma das maiores secas da história, mas para os agricultores familiares que receberam essas tecnologias é uma das menores, porque hoje as pessoas têm onde armazenar água”. É com essa afirmação que a agricultora Socorro Neto, começa a contar história de experimentação de sua família que começou em meados de 2008. Antigamente, ela relembra, não tinha reservatórios para armazenar a água da chuva. Na comunidade de Dourado, município de Parnamirim, localizado no Sertão central de Pernambuco, onde o monocultivo e o uso de agrotóxicos e queimadas são práticas comuns entre as famílias agricultoras, Dona Socorro, seu esposo Chico e os 05 filhos fizeram diferente.
Com o apoio do Caatinga e do Projeto Dom Helder Câmara participaram de intercâmbios e cursos e tiveram a oportunidade de conhecer outras experiências agroecológicas. Esse novo conhecimento despertou na família um desejo de experimentar novas práticas. Com a cisterna-calçadão, iniciaram o quintal produtivo e viram que era possível produzir um alimento saudável sem agredir o meio ambiente. Hoje, mais estruturados, eles contam com uma cisterna de enxurrada, viveiro de mudas e recentemente, com um bioágua, tecnologia que vai permitir o reuso da água da pia e possibilitar a produção de um quintal no entorno da casa da família. Na perspectiva de ampliar a e fortalecer a apicultura Dona Socorro e Seu Chico planejam plantar ao redor da cisterna-calçadão, árvores que deem flores para alimentar as abelhas. Além disso, contam com a criação de caprinos e ovinos soltos na caatinga, galinhas e bovinos. Tudo é produzido para alimentação da família e quando a produção é grande, eles comercializam na comunidade. “Se não fossem essas cisternas chovia fora de época e a gente não tinha como acumular água. Com elas, nós passamos a ter um conhecimento e uma vida mais saudável porque a gente produz e sabe que tá produzindo um alimento bom”, reforça Dona Socorro. Seu Chico complementa: “Só em você comer um coentro, uma cebola, uma melancia sabendo que não tem nenhum tipo de veneno é uma vantagem muito grande”. Foto: Vládia Lima
Foto: Vládia Lima
Dona Socorro e Seu Chico no entorno da cisterna-calçadão A produção de mudas frutíferas e nativas também é fonte de renda para a família que foi uma das pioneiras na produção agroecológica no município. Atuante nos espaços de discussão de políticas públicas como associação, sindicato e Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável, a agricultora revela que é nesses locais que divulga a agroecologia e repassa o conhecimento adquirido em encontros, cursos e intercâmbios que participa. Experimentadora por natureza e sempre apoiada pela família, Socorro Neto traz na fala a emoção e o orgulho de ser agricultora. Nas mãos, os calos representam a persistência de quem acredita num Semiárido próspero de gente forte que só precisa de conhecimento e tecnologias que lhes façam ultrapassar as adversidades causadas pelas as estiagens cada vez mais prolongadas. Realização
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