Ano 7 • nº1040 Setembro/2013
Lajes Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Uma história de luta e
transformação no Semiárido Como tantas outras histórias de agricultores, a história de dona Raimunda e sua família seria só mais uma do nosso querido Semiárido brasileiro. Porém seu diferencial está na coragem, amor, luta e determinação em transformar sua realidade. A partir da aquisição de uma tecnologia social para captação de água da chuva a vida desta família começou a mudar. A vontade de trabalhar de dona Raimunda e seu José Nazareno, somado com a determinação, organização e coragem de seu filho Wellington transformaram a história da família, que hoje consegue manter um negócio rentável e que garante a sobrevivência da família, e o mais importante, não precisaram ir longe pois essa transformação ocorreu na própria comunidade. Dona Raimunda Bezerra dos Santos mora no sítio Conceição, distante sete quilômetros da cidade de Lajes, na região Sertão Central do Rio Grande do Norte. Uma comunidade simples e
Wellington e dona Raimunda, recebendo o Barreiro-trincheira.
Dona Raimunda e seu esposo José Nazareno
sossegada. Com 62 anos e casada a mais de 50 com seu José Nazareno de Lima, de 73 anos, criaram três filhos com amor e simplicidade. Trabalhando na agricultura vivia com dificuldades mas nunca passaram fome. Por falta de trabalho e estrutura, dois dos seus filhos foram embora e hoje residem em outros estados, ficando apenas o caçula Wellington, que ajuda a tocar as lutas diárias no sítio e disse que ficou acreditando que da terra poderia retirar seu sustento. Há 15 anos, conseguiram comprar um terreno de 60 hectares. Juntaram todas as economias, venderam todos os animais que possuíam, e compraram por R$ 15 mil reais na época. Ali conseguiram firmar sua vida, plantando seu roçado de feijão, milho, jerimum e melancia no período chuvoso, e também criando alguns animais. Wellington filho do casal nunca se cansava da lida no campo, sempre se dedicou aos trabalhos do sítio, ajudando no plantio e na criação dos animais. Seu
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Rio Grande do Norte
trabalho e dedicação o levou ao importante e responsável cargo de Presidente da Associação Comunitária dos Produtores Rurais, que representa as comunidades de Mulungu, Morada Nova e Conceição, com 113 sócios. No ano de 2012 o programa P1+2 (Programa Uma Terra e Duas Águas) através da ONG, ATOS (Assessoria, Consultoria e Capacitação Técnica Orientada Sustentável) iniciou a construção de tecnologias para captação de água das chuvas na região. A família de dona Raimunda foi beneficiada com um barreiro-trincheira. Junto com esta tecnologia, o agricultor ou agricultora também recebe o caráter produtivo, para que inicie sua produção, essa produção pode ser criação animal ou plantação no quintal. Dona Raimunda e sua família escolheram receber 20 galinhas, uma bola de arame e tela. Este foi o pontapé inicial para dona Raimunda e sua família iniciar um trabalho de renda e lucros. Com essas 20 galinhas iniciaram uma criação. Meses mais tarde, dona Raimunda estava tirando sua primeira ninhada de pintinhos. O negócio foi se multiplicando e hoje dona Raimunda e Wellington conseguem manter o um chiqueiro de galinhas, produzindo ovos para venda e para consumo da família. Mas a maior renda vem da venda das galinhas. Vendendo na porta de casa, na feira livre de Lajes e também para o compra direta da EMATER. Dona Raimunda vende uma galinha por R$ 25,00. Chega a vender em casa, cerca de 13 galinhas, na feira livre dependendo do dia, vender até 30 galinhas. Além da renda que vem da venda das galinhas a família ainda consegue aumentar os lucros com a criação de porcos, gado, leite e borregos, todos vendidos vivos para compradores que desejam criar e também para o abate. Uma criação diversificada que dá uma boa renda para a família de Wellington e dona Raimunda. Dona Raimunda e sua família vivem felizes, com sua produção. Hoje com a renda que conseguem retirar desta propriedade já compraram outro terreno em um município vizinho e lá produzem ração para alimentar o rebanho. Sem sair de sua terra, mais uma família de gente trabalhadora e corajosa conseguiu viver de forma digna e honesta, trabalhando, garantindo sua sobrevivência no rico e diversificado Semiárido brasileiro.
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